Chapter Text
“Mais um pumpkin spice latte, as pessoas não se cansam nunca desse sabor?” Disse Remus enquanto rapidamente colocava os ingredientes da bebida no copo.
“Eu acho que é porque é limitado, elas estão aproveitando enquanto podem” Respondeu Lily
“Bom, eu acho que elas podiam aproveitar outras bebidas, não aguento mais fazer essa merda! E a pior parte é que isso não tem nada a ver com abóboras, é só café com canela, mas os americanos convenceram todo mundo que canela é spicy, e agora olha onde estamos"
“Sim, realmente, esses malditos americanos. Não basta eles explorarem a América Latina, eles também inventam sabores incríveis de café, que ultraje" Zombou a ruiva “Olha, eu sei que você tem algo pessoal contra essa bebida, mas agora para de reclamar tanto e faz seu trabalho, você está me distraindo”
"Desculpe, Senhorita Certinha”
Com isso Remus recebeu um leve empurrão da amiga, e os dois voltaram a trabalhar. Esse já era o segundo outono em que isso acontecia, os dois juntos naquele mesmo Starbucks discutindo sobre o mais famoso sabor limitado de café, que era adorado por alguns (como Lily) e odiado por outros (como Remus).
Os dois se conheceram em uma aula introdutória de literatura na Universidade de Hogwarts, e, apesar de Lily depois ter mudado de curso para biologia, eles viraram uma dupla inseparável e quando os dois decidiram começar a trabalhar para complementar a renda durante a faculdade, eles conseguiram achar um starbucks que estava contratando dois funcionários, e que, para sorte deles, era do lado do campus. Desde então os dois passaram a ter uma rotina estranhamente monótona para a faculdade, estudar de manhã e de tarde e trabalhar no café do final da tarde até a noite, por conta do cansaço que as aulas e o trabalho geram e pelo fato dos dois serem extremamente anti-sociais, festas e outros eventos como esse não estavam incluídos nessa rotina, o que para os dois, estava mais do que perfeito.
“Ah não! Ele está escrevendo de novo no braço” Disse Lily mostrando o braço para Remo, Aos poucos palavras em tinta azul iam se formando na pele da menina, palavras que, na verdade, estavam sendo escritas pela sua alma gêmea.
Todo jovem que completava 18 anos passava por isso. O que você escreve com tinta azul em si mesmo aparece na pele da sua alma gêmea e vice-versa.
“Ei gatinha, seu pai é padeiro? Porque você é um sonho” Leu a ruiva “Eu ainda não acredito que seja lá quem escreve isso seja o amor da minha vida, ele só fala bosta! Chega até a ser impressionante, acho que 90% do que ele já escreveu para mim são cantadas ruins”
“Olha, eu acho que você simplesmente tem que adimitir que você foi destinada a ficar com um hétero top.”
“Nunca! Eu tenho um negócio chamado bom senso, que me impede de acabar com um cara assim”
“Não é o que seu braço fala” Disse o menino “Mas pensa pelo lado bom, pelo menos o seu te responde, o meu nunca nem deu um oi”
Lily ficou um pouco desconcertada, e sem responder o amigo, voltou a trabalhar como se a interação nem tivesse acontecido. Ela sabia que Lupin nunca tinha recebido nada, mas mesmo assim os dois raramente tocavam no assunto, pois sempre que isso acontecia surgia esse clima estranho entre eles. A verdade é que isso já nem incomodava mais o Remus, ele já tinha aceitado que ele era destinado a ser sozinho depois de dois anos sem respostas ou desenhos, já que todos passavam a conseguir se comunicar com suas almas gêmeas em até um ano depois de completar 18, por isso então ele apenas ignorava toda a ideia de almas gêmeas completamente e seguia sua vida como se o conceito nem existisse.
Depois de horas trabalhando, o expediente deles finalmente havia acabado e, depois de limpar tudo e trancar as portas, eles estavam finalmente livres para voltar para casa. O caminho era relativamente curto e eles aproveitavam esse tempo extra juntos para discutir os últimos livros que eles haviam lido, já que ambos eram leitores ávidos, apesar de apenas um deles cursar literatura. Ao chegar no prédio cada um foi para seu respectivo quarto, que era separado por apenas um lance de escadas.
A primeira coisa que Remus notou ao abrir a porta foi o fato de que seu quarto estava uma bagunça. Uma pilha de livros cobria sua escrivaninha e parte do chão e roupas estavam jogadas por todo lado. Por mais que a visão desanimasse ele, Remus apenas deu um longo suspiro e procurou seus pijamas no meio de toda a bagunça e se trocou. Depois de já estar vestido e ter ido escovar os dentes, ele pegou o livro que estava lendo e leu algumas poucas páginas na cama, quando seu braço começou a coçar.
Ele tentou ignorar a coceira, que provavelmente era apenas uma alergia ou algo do tipo, e se concentrar no livro, mas parecia cada vez mais que uma trilha de formigas estava andando por seu braço esquerdo e, por mais que ele coçasse, nada parava essa sensação. Depois de alguns segundos ele decidiu ir ao banheiro passar uma água no braço. Quando ele ligou a torneira e estendeu a manga, ele viu a coisa que menos esperava.
“Oi! :)” Estava escrito no seu braço esquerdo em letras azuis completamente tortas.
