Chapter Text
Com um suspiro cansado, mas satisfeito, Baekhyun terminou de guardar seus pertences na bolsa marrom que o acompanhou desde seus tempos de faculdade. Passou os dedos pelos cabelos claros recém-cortados, enquanto deixava o corpo relaxar encostado no quadro branco da sala, rindo fraco ao notar que Heejin havia esquecido seu estojo novamente embaixo da carteira, aquela garota não esquecia a cabeça por ela estar presa ao corpo.
Estava morto e ainda era quarta-feira, e vamos ser francos, quarta consegue ser o dia mais chato da semana por literalmente ser o meio dela. Baekhyun odiava quartas-feiras, não apenas por ser um dia insuportavelmente chato, mas por conta das reuniões do Conselho Estudantil, que agora estavam mais frequentes devido à formatura de sua turma, por estarem decidindo as datas da cerimônia de colação e a viagem que os alunos fariam para comemorar tal data.
Só de pensar em ver seus pirralhos se formando e indo embora para o mundo adulto, o coração mole do Byun faltava pouco se quebrar em mil pedaços. Mesmo que não tenha sido o professor deles durante muito tempo, tinha um apego por aquelas crianças, conhecia cada mínimo detalhe dos estudantes, era como uma mãe passarinho vendo seus filhotinhos voarem para longe do ninho.
Foi tirado de seus pensamentos por uma leve batida na porta que logo foi aberta, revelando o professor de matemática de olhos redondos, Do Kyungsoo, seu melhor amigo desde a época da faculdade. Provavelmente estava ali para avisar que logo a reunião começaria. Com um aceno de cabeça, colocou a bolsa no ombro e deixou a sala, certificando-se de pegar o estojo de Heejin, pois deixaria na sala dos professores para que a garota buscasse no dia seguinte.
— Você parece mais nervoso para essa formatura do que seus próprios alunos, tenta relaxar, Byun ou vai acabar tendo mais fios brancos antes dos cinquenta — Kyungsoo comentou, vendo o amigo soltar, em baixo som, um palavrão para si. Revirou os olhos ao ver o mais velho correr para ver o estado da cor de seu cabelo — Pelo amor de todas as divindades, Baekhyun, se acalma!
— Me deixe sofrer por antecipação, Soo, são as minhas crianças — disse, terminando de arrumar o cabelo e voltar a caminhar pelo corredor em direção a sala dos professores. O professor de matemática apenas revirou os olhos, conhecendo a peça que chamava de melhor amigo, sabia que esse drama iria durar algum tempo, nada fora do natural de Byun Baekhyun.
O Instituto Sunny era um dos mais prestigiados do país, composto por um corpo docente da mais alta capacidade e entre esses professores com inúmeras qualificações, estava Byun Baekhyun, o divertido professor de biologia que todos da escola amavam e contavam ansiosos as séries que faltavam para terem o prazer de serem ensinados por ele.
Não sabia exatamente de onde veio seu desejo por ensinar; talvez tenha sido durante sua infância enquanto brincava com seus amigos e irmão mais velho, ou durante sua época de escola, quando ficava fascinado pelo conhecimento detido por seus professores e o desejo de passá-los adiante. Um conjunto de situações que o fizeram se apaixonar pela arte de ensinar, e mesmo com todas as adversidades de uma faculdade, a qual deu duro para conseguir entrar, seu sonho não se abalou e conseguiu concluir sua graduação com méritos.
Conhecia as dificuldades da profissão, principalmente em arrumar um emprego após sua formatura, foram anos de cansativos estudos e noites mal dormidas - além de choros e pensamentos de desistência de sua carreira - que no final valeram a pena, afinal, trabalhava em uma ótima instituição e possuía boas referências, além de estar muito bem organizado em seu projeto de mestrado, que chamou bastante atenção de especialistas da área da biologia.
Estava confortável no momento atual de sua vida, um bom emprego junto ao salário agradável e um apartamento que supria suas necessidades, porém, tudo estava bom demais para ser verdade e vocês devem estar se perguntando: mas então, não existia algo que não estivesse no planejamento de Byun Baekhyun e que o tirasse do sério?
Pois bem, caros leitores, como todos no mundo carregam um fardo, o de Baekhyun tinha um metro e noventa de altura, óculos redondos e um cabelo enroladinho, o ser que atendia por Park Chanyeol.
Tudo começou no final do primeiro ano da graduação, onde Park Chanyeol e Byun Baekhyun eram dois desconhecidos, jovens adultos que a pouco menos de um ano, tinham saído da escola e estavam encarando o mundo adulto pela primeira vez como crianças assustadas.
E como todos sabem, final de semestre é uma amostra gratuita do inferno, imagine o final do último bimestre do ano? Era desespero na certa, e era nesta situação que Baekhyun se encontrava, cheio de trabalhos importantes para entregar além da semana de provas que parecia não acabar nunca. Mas felizmente, estava no último dia de avaliações e naquela data teria uma apresentação que valeria toda a nota da sua avaliação final, e diga-se de passagem, sem querer se gabar, o Byun dizia que esse foi o melhor trabalho que fez naquele ano.
Estava tudo as mil e uma maravilhas, sua maquete do temido Ciclo de Krebs, prontinha para ser avaliada pelos professores e receber uma nota alta, tudo estaria correndo como planejado, se não fosse pelos alunos de matemática que naquele dia em específico, decidiram correr igual um bando de animais pelo pátio e claro que isso não daria certo. E antes que pudesse esboçar qualquer reação, escutou um barulho forte atrás de si e fechou os olhos torcendo para que seu trabalho estivesse intacto. Toda sua esperança foi por água abaixo, quando seus olhos viram seu trabalho do ano amassado nas mãos enormes de Park Chanyeol.
Depois do incidente, se perguntassem para Baekhyun o que aconteceu, ele não saberia explicar, apenas lembrava de gritar aos mil ventos com o coitado do químico que tentava se desculpar de todas as formas, sendo completamente ignorado pelo baixinho raivoso, e de como ficou com mais raiva ainda quando recebeu seu boletim final, vendo que ficou reprovado na matéria e teria que pegar a cadeira novamente no próximo semestre, o Byun queria enforcar o mais alto por manchar seu histórico estudantil, intacto sem reprovações desde seus tempos de escola.
Desde aquele dia, Baekhyun jurou odiar Park Chanyeol até seus últimos dias, e manteve essa promessa durante toda graduação, fazendo questão de provocar o mais novo sempre que fosse possível, ria até chorar ao lembrar de quando o perturbou durante a apresentação do banner de seu TCC, que sempre ocorria nos corredores da faculdade, e só de lembrar das orelhas vermelhas de raiva seu dia melhorava por inteiro.
Quando finalmente se formou, pensou que nunca mais iria esbarrar naquele químico de dois metros e tal crença permaneceu por muitos anos até conseguir o emprego no atual local de trabalho. Estava no Instituto a pouco mais de nove meses quando foi chamado pelo diretor, junto a outros professores, para dar as boas-vindas ao novo docente; Byun poderia reconhecer aquelas orelhas e sorriso de canto em qualquer lugar do mundo e jurou de olhos fechados que deveria ter feito algo de muito ruim em sua vida anterior para estar passando por isso.
Com tantas escolas pelo país, aquele cara tinha que escolher justamente a que ministrava? Sinceramente, Baekhyun sentiu vontade de gritar quando entrou naquela sala, porém, gostava muito de seu emprego, por isso colocou seu sorriso mais falso no rosto e cumprimentou o novo colega. E assim os últimos quatro anos foram seguindo, com Chanyeol e Baekhyun se bicando por entre os corredores ou em eventos escolares, os alunos nunca iriam esquecer de quando o professor provocou tanto o biólogo durante a corrida de turmas, que o mais velho saiu gritando aos quatro ventos que o achava insuportável e de como o Park riu igual criança ao ver o rosto vermelho de raiva do Byun.
Kyungsoo o achava uma criança por manter essa briguinha ridícula, os olhos faltavam sair do rosto quando os revirava ao ouvir Baekhyun reclamar do Park ou quando observava de longe Chanyeol provocar o melhor amigo com piadinhas sobre biologia ou apenas para tirar o biólogo do sério por pura diversão.
Diferente do comum, a sala dos professores estava cheia, preenchida pelos docentes dos alunos do último ano. E assim como Baekhyun, Chanyeol estava presente, sentado em uma das cadeiras da mesa redonda, rindo junto aos professores de gramática e história e bastou notar a presença do professor de biologia, que sentiu a necessidade de piscar o olho e mostrar a ele sua melhor expressão ladainha, como maneira de provocação, recebendo um olhar raivoso, quase que no mesmo instante. Soltou um riso fraco pelo nariz e retornou a conversa com os outros docentes, ignorando completamente a existência do Byun.
Contudo, mesmo com leves bicadas e palavrinhas de implicância vindas de ambos os professores, a reunião correu, por incrível que pareça, dentro dos conformes. Os planos de estudos para o final do ano e começo do próximo ano letivo começaram a ser montados, junto com as demais explicações referentes a próxima turma de formandos da escola e futuros projetos estudantis, como implementação de um programa de intercâmbio e melhorias nos setores de acompanhamento psicológico dos estudantes.
Com um sorriso cansado, Baekhyun se despediu de seus colegas e seguiu para a sala onde daria sua próxima aula, suspirando aliviado ao ver que teria uns bons minutos em silêncio antes da chegada dos alunos. Porém, como nada poderia continuar dando certo em sua vida, seu breve momento de paz foi interrompido pelo som da porta se abrindo e a figura de Park Chanyeol aparecendo diante de seus olhos.
— Acho que errou de sala, senhor Park — começou, levantando-se com as mãos no bolso e ostentando seu melhor sorriso irônico, enquanto se aproximava do químico. Chanyeol apenas revirou os olhos e encarou o mais velho — Se não estou enganado, sua sala é no corredor ao lado. Terei uma tarde atarefada, então não posso me deixar levar por suas piadinhas sem graça, por isso — indicou a porta da sala com as mãos — Poderia se retirar?
Chanyeol riu em sarcasmo, cruzando os braços e abaixando um pouco o corpo para estar na altura do colega de trabalho. Um sorriso brincava em seus lábios, a língua coçando para provocar ainda mais o mais velho como fazia todo santo dia, ver aquela carinha vermelha de raiva era o ponto alto de sua semana.
— Pois fique sabendo, meu querido professor Byun — começou, encarando o colega de cima a baixo. Ah, só de ouvir o tom de ironia naquela voz, uma raiva subia por toda a nuca de Baekhyun, o deixando ainda mais nervoso, suas mãos formigando e dedos batucando em sua perna. E ao ver essas reações, Chanyeol apenas ria, tinha alcançado seu objetivo em menos de dez segundos — Que fui comunicado que deveria vir a essa sala, recebi uma mensagem de Minho essa manhã. Agora, não me pergunte o que ele quer, estou aqui para descobrir e parece que você também.
Baekhyun colocou as mãos na cintura, mordendo o interior de suas bochechas, ponderando sobre o que aquele pestinha pretendia dizer a eles. Tinha a leve sensação que não seria uma coisa muito boa, conhecia muito bem a personalidade travessa do garoto que, muitas das vezes, se metia em confusões e tinha seu pescoço salvo pelo Byun. Não negava que tinha certo apreço pelo garoto — além de passar a mão em sua cabeça em situações que não deveria — porém, estaria mentindo se falasse que não estava preocupado.
Sendo sincero, entender como aquele rapaz se tornou o melhor representante de turma que tiveram, estava muito além de suas capacidades.
Os professores estavam prestes a discutir novamente, quando a porta da sala foi subitamente aberta e por ela passaram o dito cujo criador de toda aquela situação, com o sorriso mais besta do universo fazendo a festa em seu rosto junto da vice-representante, Sejong, que esbanjava um sorriso tão aberto quanto o do colega. Baekhyun resmungou quando ouviu o aluno dizer: “Pensei que estariam se matando, mas vejo que tivemos um avanço na convivência de vocês!”. Revirou os olhos, bagunçando o cabelo do garoto e pedindo a ele que contasse de vez o que estava acontecendo, estava começando a se preocupar, e poderia dizer o mesmo de Chanyeol, que agora estava ao seu lado, de braços cruzados, esperando uma resposta do adolescente.
— Como sabem, estamos indo embora no final do ano, eu sei, é uma dor enorme e sabemos que vamos fazer muita falta, afinal fomos a melhor turma que vocês tiveram a honra de ensinar — começou, o discurso convencido arrancando risadas dos professores, que baixaram um pouco a guarda, notando que nada de ruim estava acontecendo — Brincadeiras a parte, vocês foram pessoas importantes na nossa vida dentro da escola, principalmente o senhor, professor Byun. Você foi um dos professores que mais nos ajudou, seja durante as aulas ou fora da escola, quando se mostrou aberto a ouvir nossos medos e inseguranças, por isso, em nome da turma trezentos e dois, do terceiro ano do Instituto Sunny, gostaríamos de saber se o senhor nos daria a honra de ser o nosso padrinho.
Baekhyun arregalou os olhos em surpresa, sentindo-os encher de água, e com um sorriso no rosto abriu os braços para poder abraçar os alunos. Bagunçando seus cabelos e os apertando contra seu corpo. Amava aquelas crianças com todo o seu ser, daria o mundo a elas se fosse necessário e estar sendo chamado para ocupar essa tão importante posição, fez seu coração derreter feito manteiga.
— Ah e professor Park, como também não poderíamos deixá-lo de fora, principalmente por ser um dos professores preferidos da turma, gostaríamos que fosse o nosso paraninfo e estivesse presente na entrega dos nossos diplomas junto ao Senhor Byun! — Sejong disse, desvencilhando-se dos braços do biólogo para abraçar o químico, que agora possuía um olhar de choque em seu rosto.
O mesmo poderia dizer de Baekhyun, que não sabia se encarava os alunos ou Chanyeol. Seus olhos percorriam as expressões dos presentes na sala, esperando que Minho falasse que aquilo era só mais uma de suas brincadeiras e que apenas Baekhyun foi chamado, porém, ao sentir o convite da formatura em suas mãos, dedicado ao padrinho e paraninfo, teve certeza que tudo era verdade e que, em algumas semanas, iria estar lado a lado de Chanyeol entregando os diplomas.
"Tudo bem, não é como se fosse ficar pior". Pensou o professor, buscando esperanças dentro de sua alma, torcendo para que esse pesadelo acabasse.
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Baekhyun sabia que as coisas iriam piorar, apenas não esperava que fosse acontecer tão rapidamente.
Veja bem, não que ele não quisesse participar da viagem da turma, muitíssimo pelo contrário, ficou extremamente feliz ao saber que estava incluído no pacote e que ficariam num hotel muito bem recomendado. Tudo estava às mil maravilhas, porém, como o mundo parecia odiar a alegria de Byun Baekhyun, tratou de mudar todos os planos de uma viagem calma e relaxante.
O percurso até o hotel foi até bem tranquilo, tirando o alto som das risadas e cantoria dos alunos, pareciam crianças participando da primeira excursão escolar das suas vidas. Trataram de alocar os alunos assim que chegaram, Chanyeol sumiu logo após fazer o check-in, deixando um Baekhyun bem irritadiço.
Contudo, não ia deixar aquele homem acabar com seu bom humor. Tinha uma belíssima paisagem para ver, uma ótima praia para caminhar, além de outras recreações dentro das instalações do hotel, portanto, tinha muito mais o que fazer do que deixar-se levar por Park Chanyeol. Por isso, subiu rapidamente para o quarto para deixar suas malas, tomar um banho relaxante e ir caminhar. Deveria aproveitar o tempo livre enquanto seus diabinhos descansavam, sabia muito bem que acordariam com a corda toda mais tarde e precisaria de energia para cuidar de cada um deles.
O quarto era extremamente aconchegante, com uma cama de casal encostada na parede e uma sacada com vista direto para o mar. Estava no paraíso!
Colocou suas malas perto de uma das poltronas, jogou a mochila em um canto do quarto antes de deitar na cama, suspirando longamente ao sentir a maciez do colchão. Ah, finalmente os refrescos! Já estava animado para o que o dia iria trazer, até tinha planejado sua tarde durante a viagem e aquela belezura de praia parecia estar gritando por ele.
Infelizmente, sua bolha de sonhos foi quebrada quando ouviu o som da porta do banheiro sendo destrancada. Arregalou os olhos e agarrou a primeira coisa que viu ao seu lado, engolindo a seco ao se aproximar da porta. Impossível ter entrado no quarto errado, tinha absoluta certeza que estava no certo e que não tinha visto ninguém entrando.
— O que você 'tá fazendo aqui?
Baekhyun piscou várias vezes, torcendo para que tudo não passasse de uma alucinação causada por seu cansaço, porém, soube que era tudo verdade quando abriu os olhos e encontrou o químico com os cabelos molhados enquanto vestia uma larga blusa branca e bermudas simples, que estava tão confuso quanto ele.
— O que estou fazendo aqui, Byun? Esse é o meu quarto, você é quem não deveria estar aqui! — Chanyeol retrucou, e cruzou os braços.
Os dois sabiam que alguma coisa estava bem errada e que precisavam resolver a situação o quanto antes. Porém, tratando-se de Byun Baekhyun e Park Chanyeol, preferiam destilar reclamações e provocações.
Em algum momento, não sabendo como, estavam na recepção do hotel, buscando resolver a situação e a pobre recepcionista, não sabia que reação ter só de ver aqueles dois homens discutindo como adolescentes e tudo pareceu piorar ainda mais, quando revelou que não haviam mais quartos disponíveis durante o período que permaneceriam hospedados.
Baekhyun ponderou o que teria feito exatamente para merecer esse castigo. Talvez tivesse tacado pedras em idosos ou crianças, ou qualquer coisa que fosse moralmente incorreta.
Passaram o resto do dia implicando um com o outro, como se fosse resolver alguma coisa e durante a noite, após mais uma briga sobre quem tomaria banho primeiro e gritos de Chanyeol sobre Baekhyun demorar além da conta debaixo do chuveiro, deitaram na cama com raiva, puxando os cobertores para lados diferentes igual duas crianças mimadas.
E era assim que se encontravam, com rostos emburrados, orelhas vermelhas de raiva e corações a mil, junto às bocas sedentas para lançar diversas afrontas.
— Se encostar em mim, juro que arranco sua mão — ameaçou Baekhyun.
Já passava das dez da noite e o dia, que era para ser o dia perfeito de Baekhyun, tornou-se um pesadelo num piscar de olhos. Mesmo com diversas tentativas, não conseguiram resolver a situação do quarto, fazendo com que estivessem sendo obrigados a dormir sob o mesmo teto e por mais clichê que seja, na mesma cama. Baekhyun estava a um passo de se jogar da sacada do quarto por conta dessa situação que tinha se metido.
Discutiram durante toda a tarde sobre quem dormiria no sofá e na cama, e como podem imaginar, nenhum dos dois gostaria de ceder um colchão confortável ao estofado duro de um sofá.
Agora, estavam pagando a consequência da teimosia. Juntos, lado a lado, juntinhos mesmo, dividiam aquela confortável e deliciosa cama. Chutes e pontapés eram dados por baixo dos cobertores, que também tinham que ser divididos entre si.
— Se for para encostar em você, vai ser para jogá-lo para fora daqui — Chanyeol resmungou, puxando o cobertor, deixando os braços de Baekhyun descobertos, que como resposta, puxou novamente o pano — Insuportável.
— Chato!
— Irritante!
Soltaram altos grunhidos, ficando de costas um para o outro enquanto tentavam dormir, o que claramente demorou mais do que o esperado, afinal, debaixo daquelas cobertas, seus corpos brigaram por espaço durante toda a noite.
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A viagem já estava em seu terceiro dia e Baekhyun contava as horas para voltar para sua amada casa, junto de seu gato rabugento e travesseiros. Ah, como estava sentindo falta do seu cantinho e de acordar sem dores no corpo devido à presença de um segundo corpo ao seu lado.
Veja bem, Baekhyun já dividiu cama com outras pessoas anteriormente, seja com namorados, namoradas e até mesmo Kyungsoo, porém, dormir ao lado de Park Chanyeol parecia ser um desafio.
Até dormindo aquele cara era capaz de tirá-lo do sério!
Chanyeol parecia uma criança, além de chutar suas costas e puxar seu cobertor durante a noite, ainda falava enquanto dormia, o biólogo jurava que tinha ouvido até risadas do colega, enquanto estava em seu quinto sono.
Sem contar que o rapaz parecia ter a mania de adormecer abraçado à alguma coisa, já que várias vezes, acordou sentindo os braços de Chanyeol apertando sua cintura ou segurando a barra de sua blusa. E não importava quantas vezes o afastasse, o mais novo sempre voltava para a posição anterior e assim permanecia até o amanhecer.
E era assim que nosso amado biólogo se encontrava, às sete da manhã, tentando tirar os braços de Chanyeol de sua cintura, resmungando ao notar que estava servindo de nada. Respirou longamente, contando até trinta para não surtar, contudo, deixou seus pensamentos intrusivos tomarem a frente, e se viu beliscando o braço do Park que abriu os olhos, completamente assustado.
— Hora de levantar, Bela Adormecida — o Park revirou os olhos, soltando a blusa de Baekhyun e virando para o lado, cobrindo o rosto com a intenção de voltar a dormir. O Byun revirou os olhos e voltou a beliscar a pele clara — Chanyeol, levanta, temos um horário a seguir e não podemos mudar porque uma certa pessoa resolveu ser preguiçosa e não sair da cama.
— Você de manhã é um saco, sabia disso? — Dando-se por vencido, Chanyeol sentou na cama, encarando Baekhyun bem no fundo de seus olhos, recebendo uma olhada nada amigável do colega de trabalho — Quando envelhecer vai ser um senhorzinho muito irritante.
O comentário pegou o Byun de surpresa, Chanyeol se aproveitou disso para aproximar ainda mais os rostos. O biólogo arregalou os olhos com a aproximação repentina, olhando-o de cima a baixo, completamente ofendido.
— Eu odeio você — rosnou, cerrando os lábios com raiva.
Chanyeol riu de lado, um sorriso malicioso brilhando em provocação. Jogou os cobertores para o lado e saiu da cama, encarando o mais velho com deboche.
— Vamos, Baekhyun — rebateu no mesmo tom de deboche — Ou vão pensar que um certo alguém não quer sair da cama.
Baekhyun respirou fundo, contando até dez para não voar no pescoço do químico. Levantou-se rapidamente da cama e correu para o banheiro, mostrando a língua a Chanyeol, que reclamou ao ter a porta do cômodo fechada em sua cara.
Baekhyun respirou fundo, encarando seu reflexo no enorme espelho do banheiro. Estava ansioso para voltar para casa e esperava que pelo menos aquele dia fosse um pouco mais rápido, se não, acabaria gastando seu réu primário ao jogar Park Chanyeol na frente do primeiro caminhão que passasse na sua frente.
Para a sua alegria, o dia passou num piscar de olhos, e quando viram, já estava no final da tarde, as cores do céu intercalando entre laranja e rosa num belíssimo degradê. O biólogo pensou que por aquele dia, tinham encerrado a programação para pouparem energia para o dia seguinte, porém, quando foi puxado por algumas alunas para o playground do local, soube que a noite estava apenas começando.
Os mais novos explicavam animados sobre um jogo da pousada, onde deveriam caminhar pela trilha do hotel para encontrar pistas deixadas por um misterioso fantasma e a dupla que o encontrasse primeiro seria vitoriosa e ganharia uma ótima surpresa da criatura. Uma brincadeira bem infantil, mas que não deixava de ser divertida.
As duplas foram escolhidas ao acaso e por acaso, Baekhyun e Chanyeol acabaram juntos. O Byun já estava começando a achar que tudo era uma brincadeira de mal gosto do universo para manter os dois juntos e o biólogo teve a certeza que fez algo muito de errado em suas vidas passadas para merecer tanto sofrimento.
Já andavam por bons minutos, seguindo a única pista que encontraram. A trilha, por mais que estivesse à noite, era bem iluminada e de onde estavam, conseguiam ter uma boa visão do hotel. Chanyeol vestia um casaco de alguma banda japonesa enquanto Baekhyun estava apenas com um casaco grosso, mas ainda assim o vento gelado fazia-os estremecer.
O silêncio entre eles era quase que mortal, ambos focados demais em tentar encontrar a próxima pista até esse tal fantasma. Só torciam para que não demorasse tanto e pudessem ir dormir o quanto antes.
Chanyeol, já cansado de ficar minutos sem abrir a boca, decidiu quebrar o silêncio. E então, olhando para o biólogo, perguntou:
— Então… por que biologia?
Baekhyun o encarou com uma sobrancelha erguida.
— Por que química?
Rebateu, recebendo um sorriso amigável. Touché, disse Chanyeol.
O Park colocou as mãos no bolso do casaco, respirando profundamente, pensando em como responderia aquela pergunta.
— Pode parecer meio estranho, mas decidi fazer química após ver um programa infantil — riu consigo mesmo, ao relembrar as tardes que passava assistindo O Mundo de Beakman e sonhar em fazer as mesmas coisas que aquele cientista, e o sonho de ensinar nasceu da vontade de compartilhar todo o seu conhecimento com aquelas mentes tão curiosas — Mas e você? Não me diga que sentiu vontade de fazer biologia depois de assistir algum desenho animado?
Baekhyun riu alto, empurrando de leve o ombro de Chanyeol.
— Desde que me entendo por gente sempre gostei dessa coisa toda da fauna, flora e ciências relacionadas ao corpo humano — ele suspirou brevemente — Então, não foi muito chocante quando falei aos meus pais que gostaria de ser biólogo, eles só não esperavam que a carreira de professor viria junto — riu consigo mesmo, mordendo o lábio inferior ao lembrar da reação dos pais quando contou que gostaria de ser professor — Sabe, não me arrependo em nenhum momento de ter escolhido essa profissão, essas crianças são a minha vida. E sendo sincero, não sei o que faria se não pudesse lecionar.
— É um pensamento muito bonito, sabia disso? — Baekhyun arqueou as sobrancelhas — Por isso que é tão querido naquela escola, você sempre se mostra aberto a mudanças, além de nunca deixar de lado esse amor ao ensinar, é um sentimento que muitos não conseguem manter depois de tanto tempo em sala de aula.
Baekhyun abaixou a cabeça envergonhado, porém, não deixando de sorrir.
— Obrigado, Chanyeol… Sabe, você até que não é tão ruim assim de conviver — confessou em um tom de brincadeira, batendo de leve no ombro do colega de trabalho, que retribuiu com um sorriso largo.
— Tenho os meus charmes, Byun, você é quem demorou um pouquinho para perceber isso — retrucou, aproximando-se do mais velho, podiam sentir os ombros se encostando, dando leves batidinhas conforme caminhavam — E sendo sincero, gostaria que pudesse me conhecer um pouco mais.
Baekhyun pigarreou, alegando que deveriam continuar a caminhada e encontrar logo essas tais pistas; estava ficando mais tarde e a temperatura caindo gradativamente, e o que menos queria naquela viagem era pegar um resfriado forte. Engoliu a seco, levou as mãos ao rosto quando notou que Chanyeol não estava olhando, sentindo as bochechas queimarem de vergonha e seu coração parecia um tambor infantil de tão rápido que batia.
Num certo momento, Chanyeol subitamente parou, fazendo com que Baekhyun o encarasse em dúvida. Estavam frente a frente, a poucos centímetros de distância, os olhos confusos encarando um ao outro, não tinha ideia do que estava acontecendo consigo naquele momento, mas o pensamento de que ter as mãos enormes de Chanyeol abraçando sua cintura não parecia tão deplorável assim. Podia notar a aproximação de ambos, era como se estivessem sendo puxados por alguma corda invisível, ou um imã, estavam tão perto que eram capazes de escutar as respirações aceleradas um do outro.
O som do vento gelado batendo nas folhas das árvores e a cantoria dos insetinhos da noite, eram as únicas melodias que se ouvia naquele meio de trilha.
Quase que de maneira instintiva, o químico tocou a boca fina de Baekhyun com o dedão, sentindo a textura macia daqueles lábios, enquanto seus olhos não desgrudaram nem por um segundo das orbes ansiosas do Byun. A mesma mão acariciou a bochecha rosada do mais velho, que pensou que iria derreter ali mesmo; não sabia o que estava acontecendo, sua mente parecia entrar em combustão com o tanto de informações que tentava processar ao mesmo tempo.
Parecia mais aquelas impressoras velhas que ninguém sabe como ainda conseguem realizar suas funções, porém, a única diferença entre ele e uma impressora, era que estava completamente estático, movendo-se apenas para se aproximar ainda mais do Park, os olhos já quase fechados e a boca abrindo-se devagar, suspirando longamente ao sentir a respiração quente de Chanyeol bater contra seu rosto e os lábios roçando um no outro.
Porém, como nada na vida são rosas e a vida de Baekhyun já era um mar turbulento normalmente, uma sequência de sons de bombinhas estourando fizeram os professores se afastarem no mesmo instante, e claro, com Chanyeol soltando um grito estridente de susto, bem no seu ouvido. Olharam para os lados encontrando os diabinhos em forma de gente, que chamavam de alunos, soltando altas gargalhadas enquanto jogavam ainda mais estalinhos perto dos professores.
Enquanto Chanyeol gritava cada vez mais alto e corria para perto dos estudantes, Baekhyun tentava processar o que havia acontecido. Ou melhor, o que poderia ter acontecido caso aquelas bombinhas não tivessem sido jogadas.
Levou os dedos aos lábios gelados, poderia ser chamado de maluco mas jurava por todos os deuses existentes que ainda era capaz de sentir a quentura de Chanyeol ao redor de seu corpo.
Ainda um tanto aéreo, e parecendo uma maria mole, caminhou até o grupo à sua frente, que ria das caretas que Chanyeol fazia ao ver um vídeo de seus sustos no celular de um dos alunos. Tomou a frente, de braços cruzados e um olhar indignado, principalmente por eles terem o assustado daquele jeito. Por Deus, estavam no meio de uma trilha e do nada escutam estalos perto demais, qualquer um em sã consciência ficaria com raiva. Sem contar que os alunos ficaram sozinhos, sem qualquer supervisão, já que seus responsáveis estavam ocupados caminhando noite adentro.
Balançou a cabeça com os olhos fechados, rindo fraco quando encarou suas crianças. Sabia que não adiantava brigar com eles àquela altura do campeonato, então os fez prometer que nunca mais fariam algo daquele tipo e em meio a risadas, recebeu a confirmação de que aquela foi a primeira e última brincadeira da turma.
Em meio a risadas e piadas das caras e bocas dos professores, retornaram ao resort. Já estava tarde e o dia seguinte seria o último dia no local, então gostariam de aproveitar ao máximo o que aquelas horas restantes poderiam oferecer.
— Baekhyun, eu… — Chanyeol começou. A voz baixa chegando rapidamente aos ouvidos do Byun, devido ao silêncio instalado naquele quarto — Sobre mais cedo…
Baekhyun apenas balançou a cabeça, colocando o celular na mesa ao lado da cama e deitando a cabeça no travesseiro.
— Vamos dormir, Park, temos muito o que fazer amanhã — sussurrou. Fechando os olhos e torcendo para que o sono chegasse logo — Boa noite.
Chanyeol mordeu o lábio inferior, derrotado. A julgar pela postura de Baekhyun, sabia que não falariam sobre o ocorrido naquele dia e talvez nem no dia seguinte.
— Boa noite, Byun — dando-se por vencido, desligou as luzes do quarto e deitou-se ao lado do biólogo.
O sono não veio tão rápido como tanto esperavam, ambos estavam ansiosos e pensando no que havia acontecido. Perguntas e mais perguntas rondavam suas mentes, e tudo que Baekhyun esperava, era que uma boa noite de sono pudesse clarear suas ideias.
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Analisando sua atual situação, Baekhyun estava se sentindo bem confortável. Bom, tirando o vento gelado batendo em suas bochechas e seu nariz que mais parecia um bloco de gelo, tudo estava às mil maravilhas.
Naquela noite, a última antes de retornarem a Seoul, os alunos decidiram fazer uma pequena reunião em uma das áreas externas do resort, para sentarem em roda e conversar sobre os anos escolares que agora ficariam para trás como uma bela e gostosa lembrança. E claro, os professores Byun e Park foram mais que convidados a se juntarem a eles.
E era assim que estavam naquele momento, sentados em roda, rindo e se deliciando com bebidas quentes e alguns salgadinhos. Os risos tomando conta dos presentes enquanto várias histórias eram contadas e recontadas e Baekhyun se pegou rindo em várias delas. Tinha lembranças preciosas com aqueles alunos e vê-los prontos para seguir seu rumo no mundo, era a melhor sensação que poderia existir, sentia que tinha feito seu trabalho da maneira correta e agora estava colhendo os frutos desse esforço.
— Professor Byun, posso fazer uma pergunta um tanto pessoal? — Kim Yuna, uma garota de longos cabelos pretos, perguntou. Baekhyun, um tanto confuso, balançou a cabeça em afirmação, curioso para saber o que a garota gostaria de saber — Sabe, o senhor sempre fala muito pouco sobre sua época de faculdade, e acho que todos nós somos um pouquinho curiosos para saber como o grande biólogo Byun Baekhyun era nos seus anos de calouro.
Várias cabeças viraram em sua direção, as bochechas de Baekhyun tomaram um tom rosado quase que no mesmo instante.
Realmente, nunca foi um professor de contar sobre suas aventuras na faculdade, aventuras essas que nunca existiram já que passou seu período universitário estudando e buscando projetos de pesquisas em diversos locais. Por isso, não sentia necessidade de falar sobre a vida universitária. Porém, não conseguiria negar a responder àquela pergunta quando tinha suas crianças olhando-o com tanta expectativa.
Sorriu de lado, mordendo o lábio inferior, pensando em como responderia à garota.
— No começo eu era como um ratinho assustado, tinha acabado de sair do ensino médio e estava morando numa cidade desconhecida, então devem imaginar meu desespero — um riso fraco escapou de sua boca, e junto a ele risadinhas foram ouvidas. Realmente era estranho imaginar aquele homem, que exalava confiança por onde passava, tremendo de medo e ansiedade — Não tenho muito o que falar, não tive muitas aventuras como pensam, era apenas mais um aluno que tentava de tudo para não reprovar. Nada de muito excepcional.
— Está brincando, não é, Baekhyun? — Chanyeol, que até então estava mantendo uma conversa com um aluno, retrucou ao ouvir a resposta do colega de trabalho — Tsk, não acreditem nele, crianças. Esse cara — indicou Baekhyun com o indicador —, era um dos melhores do curso, acreditam que ele já estava em um projeto de iniciação científica no segundo período? Por indicação ainda por cima.
Diversos alunos exclamaram em surpresa, sabiam que o biólogo era uma pessoa muito inteligente, e estavam animados para saber mais dos feitos do rapaz na faculdade.
— Conta mais, professor Park! — disse Minho, que estava abraçado à namorada, animado — Ele era conhecido no campus?
— Pode ter certeza que sim, todos os projetos dele eram destaques nas feiras da faculdade, afinal, eram muito bem feitos e criativos — continuou — Diziam nos corredores do bloco de biologia, que recebeu indicações para vários laboratórios renomados.
Baekhyun estava estático. Desde a primeira frase dita por Chanyeol até o presente momento, enquanto o ouvia falar sobre seus dias acadêmicos, se surpreendendo ao notar que o rapaz sabia de muitas das suas realizações.
Com um leve pigarro, Baekhyun se levantou, sorrindo fraco e erguendo a caneca que tinha em mãos, alegando que iria buscar mais chocolate quente. Tentando não parecer tão ansioso, caminhou devagar até a mesa onde haviam colocado as garrafas térmicas e naquele instante se permitiu soltar o ar que prendia a minutos.
Levou as mãos ao peito, sentindo o coração falhar em algumas batidas. Pelos deuses, o que estava acontecendo consigo? Não era a primeira vez que alguém falava sobre sua faculdade, porém, por que com Chanyeol estava sendo tão diferente? Por que sentia-se tão agitado e nervoso?
Perguntas e mais perguntas enchiam sua mente e apenas foi tirado de sua bola quando sentiu algo pesado ser colocado em seus ombros. E ao olhar para o lado, descobriu que aquela coisa pesada era o casaco de Chanyeol, este que o encarava com um leve sorriso.
— Está muito gelado, melhor ficar com ele ou vai acabar se resfriando.
— Mas e quanto a você? — perguntou.
O Park sorriu de lado, levando a mão aos fios, agora pintados de castanho escuro do mais velho, tirando-os da frente de seu rosto.
— Consigo aguentar mais um pouquinho — respondeu, pegou a garrafa de chocolate, despejando o líquido quente na caneca do Byun, ainda com um sorriso brincalhão enfeitando os lábios — Não demore para voltar, tenho que contar a eles sobre suas participações hilárias nos jogos da faculdade.
Piscou um dos olhos e voltou para o grupo de alunos, deixando um Baekhyun de orelhas e bochechas vermelhas para trás, com ainda mais questionamentos bagunçando sua cabecinha agitada.
Mordeu o interior de sua bochecha e resmungou, apertando a caneca quente entre os dedos, o calor da bebida e do casaco pesado aquecendo seu corpo magro. Conseguia ouvir as risadas de seus alunos atrás de si, sabia muito bem que suas trapalhadas estavam sendo muito bem expostas, contudo, por incrível que fosse, não estava com raiva. Escutar Chanyeol falando de si daquela maneira, tão empenhado para que todos soubessem sobre seu eu mais novo, o deixou feliz, e por mais que quisesse, não sabia explicar essa alegria repentina.
Naquela noite, Baekhyun demorou a pegar no sono, tentava ao máximo ignorar o corpo ao seu lado, que já estava com a respiração suave, indicando que o maior estava completamente adormecido. Virou o corpo para o outro lado da cama, encarando as costas largas do colega de trabalho, sentindo as pontas de suas orelhas arderem em vergonha ao lembrar de cada palavra dita há poucas horas atrás. Balançou a cabeça, voltando-se para a posição anterior, e fechando os olhos, forçou-se a dormir, tentando ignorar ao máximo as pulsações um tanto rápidas de seu coração.
Baekhyun sonhou com o sorriso e a voz alegre de Park Chanyeol preenchendo seus ouvidos, e por mais que negasse, foi um dos melhores sonhos que teve em seu pouco tempo de vida.
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Luzes coloridas e a música alta atravessavam o salão de festas. Alunos dançavam animados na pista de dança e alguns professores até se atreviam a dar alguns passos desajeitados junto aos formandos. Baekhyun sorria besta observando suas crianças, recebeu mais abraços e agradecimentos do que esperava, até mesmo alunos que o tiravam do sério foram agradecer por todo o ensinamento passado, nada poderia trazer mais alegria ao professor do que aquilo.
A cerimônia da colação foi a melhor parte da noite, realizada na escola com direito ao baile num salão de festas local até que relativamente perto do colégio. E como padrinho da turma, Baekhyun recebeu diversas homenagens nos discursos dos alunos junto a buquês recheados de flores coloridas e volumosas. Presentes que até o fizeram esquecer — por cinco segundos — a presença de Park Chanyeol a um palmo de distância de si durante a entrega dos diplomas.
Agora estava mais leve, todo o peso daquele ano parecia ter sido tirado de suas costas, muitos de seus alunos passaram com boas notas para faculdades renomadas enquanto uma pequena quantidade decidiu seguir carreira militar. De qualquer forma, desejava que todos fossem felizes nas escolhas que tiveram. Porém, estaria mentindo para si próprio se falasse que aquela semana da viagem de formatura tivesse sido evaporada de sua memória, só de recordar das risadas e brincadeiras que aconteceram seu peito se enchia de um calor agradável.
Até os chutes dados por Park em sua canela durante a madrugada, eram besteira perto do calor que aquele corpo emanava. Se fechasse os olhos, era capaz de sentir o cheiro natural do químico, além do aroma das azedinhas balas de morango, doce que descobriu ser o vício do colega de trabalho. Às vezes, esses pensamentos vinham como um vento, nem tão quente, nem gelado; fresco, temperatura ideal, refrescando seu corpo e retirando quaisquer dúvidas que rondavam sua mente tão agitada.
Por mais que tentasse negar, sabia muito bem que Chanyeol mexeu consigo de alguma forma, até porque, não faria sentido revirar aquelas lembranças e sorrir com elas se algo não tivesse mudado dentro de si.
Suspirou longamente, balançando a cabeça para afastar tais pensamentos e não atrapalhar a noite mais importante da vida de seus alunos, suas paranoias poderiam ser ouvidas horas mais tarde, quando estivesse deitado em sua cama, sozinho com as próprias teorias da conspiração. Com isso em mente, deixou os presentes recebidos dentro do carro antes de retornar ao salão, não demorando para pegar um suco de cereja — iria voltar dirigindo naquela noite, por isso não queria arriscar colocar uma gota de álcool que fosse na boca —, e se juntar aos colegas de profissão.
Baekhyun parecia estar lidando muito bem em tentar ignorar a presença de Chanyeol, isso dentro do que fosse humanamente possível. Sempre que o Park se aproximava ou era puxado junto a ele para tirar fotos com algum aluno, sentia que não conseguiria mais acalmar seu coração que batia tão acelerado em seu peito. Sabia muito bem que poderia enganar aqueles pais com um sorriso sem graça, porém, o olhar pesado de Chanyeol sobre si não o deixava relaxar um segundo sequer.
Precisava se acalmar, sabia muito bem disso e estar a milímetros de distância do causador de seu nervosismo, não ajudava em nada na sua situação.
Com um sorriso de lado, Baekhyun se despediu de mais um de seus alunos que voltou correndo para o grupo de amigos. O professor balançou a cabeça, sorridente e impressionado com a quantidade de energia que aqueles adolescentes tinham naqueles corpos miúdos.
Estava prestes a voltar para perto de Kyungsoo quando sentiu alguém esbarrar em seu corpo e algo molhado cair em sua blusa.
— Por Deus, Baekhyun, me desculpe!
— Por que você sempre tem que estragar tudo, Chanyeol?
O comentário pegou o professor de surpresa, Baekhyun estalou a língua no céu da boca irritado, sua blusa novinha agora estava manchada de vermelho. Chanyeol tentou se aproximar, mas tudo que recebeu foi um olhar raivoso.
Baekhyun grunhiu e empurrou Chanyeol para o lado, correndo em direção ao banheiro, torcendo para que não fosse tarde demais para salvar sua blusa novinha. E Chanyeol, como não era bobo nem nada, se apressou para alcançar o colega de trabalho, pedindo desculpas a todos que esbarrava, ao mesmo tempo que tentava não perder o mais baixo de vista no meio de toda aquela gente.
O banheiro estava vazio, a fraca luz branca era a única coisa que iluminava o rosto nervoso de Baekhyun, que já se encontrava sem seu terno, esfregando um pedaço de papel molhado na mancha vermelha, reclamando ao notar que nada estava mudando.
— Podemos conversar, Baekhyun?
O Byun respirou fundo, buscando bem lá no fundo da sua alma um resquício de calmaria, o que estava sendo um pouco difícil. Por isso, decidiu apenas balançar a cabeça e fazer aquilo que era mestre, ignorar Park Chanyeol e continuar o que estava fazendo.
Chanyeol suspirou, os olhos fechando por breves segundos. Em um curto momento de coragem, segurou o braço de Baekhyun, fazendo-o virar para si e encará-lo. E antes que o mais velho pudesse soltar mais um de seus gritos repletos de reclamações e prováveis xingamentos a sua pessoa, o Park decidiu pôr as cartas na mesa.
— Baekhyun, precisamos conversar e acho que você sabe muito bem disso — um Baekhyun de braços cruzados e um olhar carregado de ironia eram a visão que Chanyeol tinha naquele momento. Soltou o ar que estava preso em seus pulmões e continuou — Você está me ignorando desde que voltamos da viagem, pensei que nossas desavenças finalmente tinham sido resolvidas.
Baekhyun balançou a cabeça, mordendo o interior de suas bochechas ao sentir seu coração bater um pouco mais rápido que o normal e sua perna direita começar a tremer levemente por conta da ansiedade causada pelas palavras do rapaz, que atravessaram sua mente em alta velocidade.
— Sinceramente, Byun, gostaria de saber o porquê de ter tanta raiva de mim!
Baekhyun piscou confuso e balançou a cabeça desacreditado, um riso sem humor e repleto de ironia deixou seus lábios.
— Tenho muitos motivos para isso, Chanyeol, primeiro foi o trabalho, as outras provocações na faculdade e nos jogos da escola, agora minha roupa? — esbravejou, os braços cruzados rente ao peito enquanto encarava Chanyeol com um olhar raivoso — Sinceridade, Park, acho que estamos bem grandinhos para essas brincadeirinhas. Além de estar mexendo tanto com a minha cabeça que está me deixando à beira de um colapso!
A mente de Chanyeol estava em parafusos. Do que aquele baixinho estava falando? Seu olhar continha uma confusão aparente, buscando respostas nas feições raivosas do colega de trabalho.
— Do que você está falando, Baekhyun? Que trabalho de faculdade? — indagou. O Byun riu em sarcasmo, balançando a cabeça e deixando o pobre professor de química ainda mais confuso.
— Não finja que não sabe do que estou falando, Park Chanyeol! — bufou — Primeiro período, na feira de fim de semestre, quando meu belíssimo trabalho foi destruído por você!
"Esse cara está ficando maluco". Foi a única coisa que passou pela mente de Chanyeol ao ouvir Baekhyun mencionar esse trabalho, o qual ele não tinha ideia qual era. Fechou os olhos e buscou bem no fundo de sua memória qualquer resquício de algum trabalho que o Byun alegava ter sido destruído.
Oh…
Oh! Aquele trabalho!
Chanyeol fechou os olhos, um palavrão baixinho deixando sua boca antes de voltar a encarar o olhar raivoso do Byun. Aquelas orbes pareciam fuzilá-lo, era como se estivessem planejando sua morte naquele instante, pôde até sentir um arrepio de medo passar por sua espinha. Parecia que estavam de volta naquele dia, nunca esqueceria aquela expressão, sabia que não ouviu ainda mais xingamentos porque estavam no meio do pátio lotado da faculdade, por pouco viu Baekhyun terminar de quebrar o trabalho em sua cabeça.
Lembrava de perseguir o rapaz por dias para pedir desculpas pelo incidente, e tudo que recebia era um Baekhyun com duas pedras na mão e várias piadinhas na ponta na língua para irritá-lo. Devido a isso, acabou desistindo de se explicar e passou a revidar na mesma moeda, o que fez com que ficassem conhecidos como a dupla problemática, já que era impossível ficarem no mesmo local por cinco minutos sem destilar provocações ao outro.
Quando terminou a faculdade e começou a trabalhar, Chanyeol já não se lembrava mais do incidente e pensou que nunca mais encontraria Baekhyun, contudo, o mundo parecia gostar de vê-los brigando e por isso os colocou para se reencontrarem no Instituto Sunny. De primeira, o Byun não o reconheceu e Chanyeol não tirava sua razão, tinha mudado muito nos quase dez anos após a graduação, cresceu e ganhou mais músculos, e por mais que seu óculos redondos fossem o mesmo, sabia que estava um tanto diferente. Principalmente na sua personalidade, estava mais ladino e um tanto respondão, tanto que quando percebeu que Baekhyun havia o reconhecido sorriu de lado, e logo no mesmo dia começou uma sequência de piadinhas e brincadeiras. E assim deu início a tão conhecida convivência dos dois.
Esfregou as pontas dos dedos em seus olhos, respirando profundamente antes de encarar Baekhyun, que se manteve com as mesmas feições e braços cruzados, além de um bico adorável nos lábios.
— Já que não tem nada para me pedir, me dê licença — Baekhyun vestiu o blazer escuro, sorriu amarelo e se virou para sair do local, porém, Chanyeol segurou seu braço, o impedindo de se mexer — Chanyeol, o que pensa que está fazendo?
— Eu te juro, você pode não acreditar em mim, mas eu não destruí seu trabalho de propósito — começou, a voz baixa e um tanto trêmula, estava tentando manter a calma a todo custo e não acabar chorando ali mesmo. Umedeceu os lábios antes de continuar — Foi um acidente, jamais faria algo daquele tipo para te prejudicar.
— Mas prejudicou! — esbravejou o menor, as orelhas vermelhas de raiva — Aquele era meu projeto, sabe quanto tempo levei para fazer aquela maquete?
— Por Deus, Baekhyun, eu te admirava! Passava horas te observando naquela faculdade, só de olhar para você, sentia meu coração revirar! — Baekhyun fechou os olhos, estremecido ao escutar a voz rouca de Chanyeol passar por seus ouvidos, era capaz de sentir a respiração quente bater em seu rosto — E até hoje sinto as mesmas coisas quando vejo você, quando sorri durante as aulas, quando fala de algo que gosta… até mesmo suas caretas irritadas aquecem meu coração.
As mãos de Chanyeol que agora estavam ambas em cada lado da pia, prendendo o colega ali, tomaram lugar na cintura a sua frente, apertando-a suavemente enquanto aproximava o corpo de forma tão delicada até si.
— Chanyeol… — Baekhyun sussurrou, a voz tão entregue que fez Chanyeol apertar ainda mais a cintura fina do colega de trabalho. Os olhos do Byun intercalando entre os olhos escuros do Park e os lábios finos, que já se encontravam entreabertos — O que pensa que está fazendo?
— Fazendo o quê? — Questionou com um falso ar de inocência.
— Isso… — indicou os dois com o indicador, os olhos semi abertos intercalando entre os olhos e lábios de Chanyeol, um zumbido irritante em sua orelha, tirando-o do sério — Sua aproximação repentina na viagem, as conversas e sua preocupação naquela noite.
Chanyeol riu fraco, o nariz esfregando no de Baekhyun, as respirações quentes se misturando naquela atmosfera tão perfeita. Estavam imersos naquela bolha, naquela sensação tão gostosa, que o som da música que entrava abafado no banheiro, mal era escutado por suas orelhas, podiam ouvir apenas as batidas aceleradas dos corações ansiosos. O biólogo, agora, pouco se importava com a blusa suja de alguma bebida de cereja ou qualquer que fosse o motivo da briga que os levou até aquele momento.
— Por que está agindo assim?
Chanyeol riu fraco.
— Pensei que fosse mais inteligente, Byun — antes que Baekhyun pudesse retrucar a ofensa, Chanyeol segurou o lado direito de seu rosto com uma das mãos — Fiz isso tudo porque gosto de você.
Park inclinou o rosto até a boca encostar na orelha do mais velho, sorrindo ao notar o outro arfar com a proximidade.
— Eu gosto de você, Byun Baekhyun. Cada centímetro do meu ser, é completamente rendido por você.
Baekhyun estava prestes a ter um ataque ali mesmo e quando notou, estava com os dedos embrenhados nos fios castanhos do químico enquanto os lábios afoitos se encontravam em um beijo ansioso. Chanyeol envolveu a cintura fina com o braço, apertando com força para aproximar ainda mais o corpo do seu. Separou as bocas rapidamente apenas para erguer a perna esquerda de Baekhyun, segurando-a rente ao seu corpo, antes de voltar a beijar aquela maldita boca rosada.
Os lábios se envolviam demoradamente, absorvendo cada partícula de energia de seus corpos, descobrindo o outro de uma vez só. Chanyeol se sentia desconectado do mundo lá fora, a boca de Baekhyun junto à sua, os dedos finos perambulando seu cabelo e bagunçando os fios que teve tanto esforço para colocar no lugar. O tempo parecia parar, era capaz de sentir milhares de coisas ao mesmo tempo, euforia, ansiedade, confusão e certeza, opostos se complementando. Opostos complementares, tal como eles, os lados divergentes de uma reação mais que correta.
Estava ofegante, seus pulmões implorando por oxigênio, contudo, não tinha nenhuma pretensão de desgrudar sua boca a de Byun.
O Byun ofegou, fincando as unhas no pescoço de Chanyeol, os dedos não paravam quietos assim como os de Park, ou passeavam por entre os fios escuros, puxando-os levemente ou arranhavam a nuca do homem à sua frente. Os lábios finos de Chanyeol descolaram dos seus, traçando um caminho por suas bochechas, que ardiam mais que pimenta, e olhos. Porém, quando o químico deixou uma breve mordida no lóbulo de sua orelha, pensou que seu mundo desabaria com o arrepio que percorreu seu corpo.
Conseguiam ouvir a música que tocava na festa, e por ironia do destino, era uma das músicas favoritas de Baekhyun. Oops…I did again da sua amada Britney Spears era a trilha sonora daquela montanha-russa que ele não sentia vontade de descer.
— Oops! I did it again — Chanyeol sussurrou a melodia, a voz rouca atravessou todo seu corpo, e como reação, seus dedos apertavam os braços do mais alto — I played with your heart…got lost in the game.
Byun Baekhyun tremeu, desde a ponta dos pés aos fios de cabelo. Por Deus, estava a um passo de derreter ali mesmo, cada toque do químico em sua pele o fazia queimar como inferno.
Contudo, algo em sua cabeça o fez acordar daquela bolha. Nervoso e um tanto trêmulo, afastou Chanyeol de si, sua respiração ofegante estava alta e os olhos arregalados ao finalmente raciocinar o que havia acontecido, os lábios vermelhos e um tanto dormentes apenas o deixaram ainda mais ansioso. Park o encarou com dúvida, e antes que pudesse perguntar o que estava acontecendo com aquele ser mais confuso do que poderia imaginar, Baekhyun se desvencilhou de seus braços e correu banheiro afora, deixando um químico estático e ainda mais confuso.
Kyungsoo, que estava conversando com Hyoyeon, a professora de educação física e sua amiga pessoal, estranhou o estado do melhor amigo quando voltou para a mesa que estavam. E Baekhyun apenas sorriu amarelo antes de pegar seus pertences, deixando seus colegas de trabalho para trás com interrogações estampadas em seus rostos e mesmo com diversos chamados, o biólogo entrou em seu carro e dirigiu até seu apartamento.
Baekhyun, assim que colocou os pés em casa, deixou o corpo cair rente a porta, encostando sua cabeça na madeira enquanto sua mente voltava para o acontecido de poucos minutos. Sua respiração era ofegante, e seus dedos roçavam uns nos outros, num claro sinal de ansiedade e seu cérebro, como sempre o traindo, fazia seu olfato ainda sentir o cheiro do perfume caro que Chanyeol usava naquela festa.
Uma enxurrada de sensações invadiu seu corpo de uma só vez, deixando-o ainda mais ansioso.
— Ah, Stitch, o que devo fazer agora, hein? — resmungou, quando sentiu o pelo macio de seu gato passar por sua mão. O bichano o encarava com aqueles olhos escuros, curiosos por ver seu humano chegar tão esbaforido. Baekhyun não era uma pessoa barulhenta, então aquele comportamento fez o gato o achar um tanto estranho.
Baekhyun sentiu seu coração disparar em seu peito, o silêncio do apartamento o fazia ouvir até mesmo as batidas aceleradas. Os pensamentos em sua cabeça davam diversas voltas entre si, se enrolando em perguntas sem respostas.
Fechou os olhos e respirou profundamente, tendo a certeza de que um dia, Park Chanyeol seria o motivo de seu colapso.
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Não era do costume de Baekhyun passar horas e horas em bares — até mesmo no auge da juventude nunca foi um cara de estar nesses lugares —, porém, com a situação que se encontrava, meio que precisava de um bom álcool descendo por sua garganta e a companhia de seu melhor amigo do peito, Do Kyungsoo.
Kyungsoo, a primeira vista, ficou surpreso ao receber uma ligação de Baekhyun perto das nove da noite dizendo para encontrá-lo em determinado lugar; quase caiu para trás quando notou que o lugar era um bar e seu amigo estava sentado nos bancos a frente do balcão, chorando pitangas para o pobre do barman que não sabia o que fazer com aquele homem chorão.
O professor de matemática respirou profundamente antes de sentar ao lado de Baekhyun, que assim que notou a presença do amigo, formou o maior bico que seus lábios eram capazes de fazer.
— Pode explicar o motivo de ter me feito sair de casa a essa hora numa sexta-feira à noite? — Kyungsoo perguntou, encarando o melhor amigo, que abaixou a cabeça derrotado. Os fios claros meio bagunçados indicaram que o Byun provavelmente passou uns bons minutos mexendo neles — Aconteceu alguma coisa séria com alguém da sua família? Baekho está bem? — Baekho era o sobrinho de Baekhyun, um tesouro para o rapaz que só de imaginar o garotinho doente faltava surtar, e ao contrário do que Kyungsoo pensou, recebeu uma negação com a cabeça de Baekhyun — Então, o que aconteceu?
Baekhyun riu fraco, erguendo a cabeça e ajeitando-se no banco alto, um dos dedos passeando pelo copo, as bochechas e nariz vermelhos por conta do choro, e talvez por um pouco da bebida já ingerida. Estava se sentindo um grande idiota por estar naquela situação, principalmente pelo motivo que o levou tirar o coitado do amigo da cama àquele horário.
O biólogo encarou o melhor amigo, encontrando um Kyungsoo preocupado e um tanto angustiado, uma parte sua quis fazer piada com a cena, já que o Do passava grande parte de seu tempo o xingando ou revirando os olhos para seus dramas pessoais e pitiques.
— Acho que estou gostando do Chanyeol — confessou, em um tom baixo de frustração, passando a mão livre sobre seus cabelos, o Byun sentia o coração bater disparado em seu peito e a perna esquerda começar a tremer como forma de descarregar toda a ansiedade que sentia por finalmente botar para fora aquilo que estava remoendo até os seus últimos miolos.
Baekhyun esperava, após sua declaração bombástica (nota mental: bombástica apenas em seu ponto de vista), encontrar um Kyungsoo completamente chocado, com a boca aberta e várias palavras incompreensíveis saindo de seus lábios, contudo, tudo que seus olhos encontraram foi um Kyungsoo com um olhar entediado por trás da armação redonda, as sobrancelhas erguidas e os dedos batucando na bancada do bar.
Kyungsoo suspirou lentamente, as pontas dos dedos acariciaram suas têmporas antes de encarar o melhor amigo.
— Não digo que não estou chocado, porque realmente estou — começou o professor, empurrando o banquinho para o lado, ficando mais perto do biólogo. Umedeceu os lábios antes de continuar — Porém, chocado não por estar gostando do Park, mas sim, por finalmente ter admitido que sente algo por ele, depois de todo esse tempo.
Byun o encarou chocado, a mente incapaz de formular uma frase completa, produzindo resmungos indignados como resultado. O Do revirou os olhos antes de continuar.
— Ah qual é, Baekhyun? Era meio óbvio que você sentia algo além de raiva pelo Park e nem adianta negar — ergueu o dedo indicador, assim que notou que seria interrompido por mais um surto do rapaz. Kyungsoo sabia o quão cabeça oca seu melhor amigo poderia ser em relação a sentimentos, porém, sabia que aquilo tudo poderia estar causando uma montanha-russa de pensamentos completamente novos para ele, e claro, situações assim não são fáceis para ninguém — Antes de surtar, como chegou a essa conclusão? Sabe, até a festa de formatura vocês se odiavam, até eu fiquei preocupado com o jeito que saiu do salão naquela noite.
Ah…A maldita festa de formatura.
Se pudesse, Baekhyun apagava de sua mente aquela noite, porém, só de lembrar dos toques brutos do Park apertando sua cintura e os dedos longos acariciando sua nuca, sentia os pelos arrepiarem. E aqueles malditos lábios que maltrataram sua boca e pescoço por longos minutos.
Tinha apenas um problema nessa situação, Kyungsoo não tinha ideia do que havia acontecido dentro daquele banheiro. Para ele, Chanyeol e Baekhyun brigaram como sempre e o Byun decidiu ir embora mais cedo devido à desavença. Nunca imaginaria que, na realidade, Baekhyun estaria fugindo das batidas aceleradas de seu coração.
— Em relação a isso… tenho que te contar uma coisa e prometa que não vai gritar comigo — confessou em um tom nervoso, segurando as mãos de Kyungsoo, encarando o matemático com seu melhor olhar de gato de botas. Do respirou fundo e apenas concordou, e vendo que não tinha mais escapatória, Baekhyun decidiu confessar — Chanyeol e eu quase nos beijamos na viagem, mas só aconteceu mesmo na festa de formatura.
Os olhos naturalmente esbugalhados de Kyungsoo se abriram ainda mais, a boca se partiu levemente em completo choque.
— E você decide contar isso só agora? — indagou, completamente indignado pela informação omitida. Nunca pensou que seu melhor amigo esconderia algo desse porte — Byun Baekhyun, o que você fez?
— Porque eu que devo ter feito algo, senhor Do? Chanyeol também estava no meio, atribua algo a ele! — falou, um biquinho formando em seus lábios. Recebeu um beliscão de Kyungsoo para que parasse de reclamar, soltou um grunhido e deu mais um gole na bebida esquecida em sua frente, reclamando por estar um pouco quente — Eu não sei o que aconteceu, estávamos discutindo e quando me dei conta… Ah! Enfim, desde a viagem e aquela maldita festa, essa bomba de sentimentos está acabando comigo! Não sei mais o que fazer, Kyung.
Kyungsoo suspirou longamente, um pequeno sorriso brotando no canto de seus lábios. Sabia como o pequeno Byun era um tanto besta quando o assunto era relacionamentos, Baekhyun teve poucos relacionamentos em sua vida, sendo apenas dois relativamente longos bons anos atrás.
Por isso, entendia toda essa montanha-russa, era algo muito novo, diferente de tudo que havia passado, afinal, não é todo dia que seu coração faz tum tum para a pessoa que você jurou odiar na faculdade.
— Mas Baek, me diga, o que esse lance do Chanyeol tem de diferente dos outros relacionamentos que teve?
Baekhyun mordeu o interior da bochecha esquerda, o olhar baixo e derrotado. Sendo sincero, também não entendia o motivo de estar assim, não era a primeira vez que demonstrava interesse em alguém, contudo, era a primeira vez que sentia uma paixão tão avassaladora, uma paixão que aquecia seu peito quase que instantaneamente quando seus olhos encontravam os de Chanyeol. Era como se estivesse sendo magicamente guiado em sua direção.
Em seus dois relacionamentos mais duradouros não havia sentido um terço do que sentia com Park. Com Yuri, sua primeira namorada, foi algo mais para amigos que acabaram namorando do que qualquer coisa, e com Jongin — o rapaz que conheceu num simpósio da faculdade —, chegou a morar na mesma casa e até mesmo noivar, porém, com as rotinas conturbadas o relacionamento acabou esfriando e ambos decidiram romper para o bem das duas partes. Por fim, optaram por manter contato e hoje são bons amigos.
Porém, com Chanyeol era diferente. Aquele cara de 1,80 o fazia sentir como se fosse um adolescente vivendo o primeiro grande amor de sua vida. O calor que subia por suas bochechas quando Park o perturbava no intervalo das aulas ou reuniões do Conselho Estudantil, a respiração alterando quando sentia a presença do mais novo ao seu lado.
Tudo parecia novo quando se tratava de Park Chanyeol.
— Acho que é por ser ele, Kyung — falou, seus dedos entrelaçados em seu colo enquanto encarava o melhor amigo com um sorriso singelo — Acho que por apenas ser Park Chanyeol, tudo está sendo diferente.
Do Kyungsoo, pela primeira vez na noite, sorriu docemente. Segurou a mão de Baekhyun, fazendo o rapaz encará-lo, os olhos brilhando em nervoso e ansiedade, sabia que logo mais aquele bananão começaria a chorar feito criança.
— Então não o perca, talvez ele realmente seja a resposta que tanto procura — falou. Os olhos redondos do matemático encarando as orbes castanhas de Baekhyun, quase como estivesse perambulando por cada canto de sua alma — E por favor, aja igual um adulto crescido, não como um adolescente medroso, não estamos em um filme teen do Disney Channel.
Baekhyun mordeu o lábio inferior, analisando cada palavra dita pelo amigo e estudando tocado as possibilidades de algo dar muito errado ou muito certo (ps: com mais certeza que daria muito errado).
E por mais que estivesse mais pessimista que de costume, balançou a cabeça em concordância ao Do. Prometendo de dedinho que tomaria uma atitude digna de um cara da sua idade.
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Baekhyun estava ferrado, muito mais do que imaginava. Em outras palavras, estava completamente fodido.
Seu coração parecia sair pela boca e quem estivesse por perto conseguiria ouvir as batidas incessantes, as mãos trêmulas e lábios machucados devido às diversas mordidas dadas pelo rapaz.
Há três meses tinha passado por toda aquela cena com o Park durante a festa de formatura, fechava os olhos e conseguia sentir as mãos fortes do outro em volta de sua cintura e os olhos grandes penetrando em sua mente, há um mês tinha admitido seus sentimentos para Kyungsoo, no meio de uma bebedeira e música alta do bar que estavam, com o melhor amigo revirando os olhos lhe mandando parar de agir como um adolescente e reagir como um adulto.
E ele estava reagindo como um adulto, há duas semanas fugia de Chanyeol como o diabo foge da cruz.
Fechou os olhos e deixou o corpo relaxar no encosto da cadeira, passava os dedos finos pelas mangas da blusa branca buscando se acalmar, contudo, seus esforços pareciam em vão, afinal, tremia mais que um pinscher em dias gelados. Ergueu o olhar cansado até encontrar o relógio pendurado na parede, marcando exatamente meio-dia, o vento gelado característico do final do inverno batia na janela e era possível notar os poucos flocos de neve que teimavam em continuar caindo mesmo com a temperatura aumentando a cada dia.
A mudança de estação apenas o fazia lembrar por quanto tempo estava fugindo daquilo, a virada da estação o recordava a cada dia os momentos vividos com o Park naquela viagem e de como seu coração disparou quando se encontraram na festa de formatura da turma, até o momento em que se beijaram pela primeira vez dentro daquele banheiro mal iluminado.
Sabia que não podia continuar fugindo daquela forma, parecia mais um adolescente do que um homem quase chegando aos trinta e dois anos, sem contar que não estava a fim de ouvir Kyungsoo novamente dizendo umas poucas e boas em sua cara, odiava admitir, mas o Do estava certo — que ele nunca escute isso —, realmente parecia um covarde em relação os próprios sentimentos, deixou de pensar em si durante muitos anos e agora não sabia encarar a realidade bem abaixo do próprio nariz.
— Vamos lá, Byun Baekhyun, você consegue!
Mesmo com pensamentos confusos e uma pitada de confiança nascendo em seu peito, Baekhyun deixou sua sala e caminhou pelos extensos corredores do Instituto, rumo a sala de química, onde sabia que o professor Park estava todas as quintas-feiras.
Contudo, tudo pareceu ir por água abaixo, quando se aproximou da sala e teve a visão do Park junto aos alunos, o docente mexia as mãos a cada frase dita, às vezes indicando algo escrito no quadro ou na bancada, tão imerso, que apenas saiu dessa bolha quando o sinal tocou. Foi como se toda a pouca coragem reunida naquele curto período de tempo, esvaziasse quase que instantaneamente, o Byun sentia os dedos tremerem novamente e uma carga de nervosismo percorrer seu corpo.
Baekhyun estava prestes a deixar o corredor quando escutou uma voz familiar o chamando.
— Professor Byun? — era Jaeho da sétima série, o garoto o olhava com um enorme sorriso nos lábios, Baekhyun soltou um resmungo ao notar que sua fuga foi falha e antes que pudesse reagir, vários alunos notaram sua presença — Parece um pouco preocupado, aconteceu alguma coisa?
Baekhyun balançou a cabeça em negação, mesmo que uma avalanche de problemas estivesse acontecendo naquele exato momento.
— Não, não — apressou-se em responder, mordendo o interior das bochechas enquanto pensava em uma desculpa para estar ali perto do horário do almoço — Tenho que falar com o professor Park sobre alguns assuntos da reunião do Conselho Estudantil, já que não esteve presente na última.
O aluno pareceu convencido e disse que o professor ficaria por mais alguns minutos na sala terminando de limpar os materiais utilizados na aula, então o Byun teria um certo tempo para informar ao Park o que foi dito na reunião.
Com um sorriso breve e um bagunçar no cabelo do rapaz, Baekhyun se despediu do aluno, respirando fundo antes de entrar na sala, trancando a porta logo em seguida, para que ele simplesmente não saísse correndo antes de botar para fora o que estava entalado em sua garganta.
— Podemos conversar, Chanyeol?
Chanyeol, que até então estava focado preenchendo o diário de classe com relatórios da aula e planejamentos para futuros trabalhos, mal escutou o som da tranca e apenas saiu de seu mundinho ao escutar seu nome ser pronunciado por aquele que tanto esperava conversar, mas que fugia de seus dedos como água e desaparecia pelos corredores como fumaça.
E sendo sincero, por mais que quisesse conversar cara a cara com Byun, não sabia o que dizer a ele. Tinha tantas perguntas sem resposta na ponta da língua, angústias em relação aos seus sentimentos que foram expostos no calor do momento, sentia que explodiria a qualquer instante.
Suspirou longamente, guardando a pasta dentro da bolsa, colocando-a em um de seus ombros e se dirigindo a bancada lotada de vidrarias usadas durante a aula, começando a separar quais iriam direto para uma limpeza mais profunda e quais poderiam ser limpas ali mesmo.
— Não sei, Baekhyun. Podemos? — Chanyeol indagou, as mãos ocupadas em arrumar as vidrarias na bancada, o tom da voz fez o Byun abaixar a cabeça, envergonhado de suas próprias ações — Ou vai fugir como tem feito nesses últimos meses?
Baekhyun mordeu o lado de dentro da bochecha, incapaz de formular uma frase sequer, parecia que sua mente havia entrado em alguma espécie de curto-circuito, a famosa tela azul, os dedos longos apertando a barra do casaco enquanto a garganta seca tentava ao menos dizer algumas poucas palavras.
Chanyeol engoliu em seco, nervoso por Baekhyun não ter dito absolutamente nada, os olhos escuros do mais velho encaravam o chão, e o Park pôde notar a perna esquerda tremer levemente, um claro sinal de, seja lá o que o professor gostaria de dizer, estava o deixando ansioso, contudo, por mais que quisesse saber o que Byun queria não seria legal, e muito menos de sua personalidade, pressionar o rapaz.
Conhecia o colega muito bem ao ponto de entender seu limite. Por fim, soltou um suspiro em sinal de desistência e ao notar que permanecer ali em completo silêncio não traria as respostas que tanto ansiava, colocou sua bolsa nos ombros e caminhou até a porta alta da sala, piscando os olhos em surpresa ao notar que a porta estava trancada.
Um riso fraco e sem graça partiu seus lábios, os olhos fechando rapidamente enquanto a mão segurava a maçaneta, seus dedos deslizando pelo metal, prontos para abrir aquela porta e encerrar aquela conversa sem final, porém, era como se algo dentro de si o incentivasse a continuar naquela sala, como uma premonição ou sexto sentido.
— Pretende me prender nesta sala por quanto tempo? — Questionou o Park, as costas viradas na direção de Baekhyun, os dedos longos batendo no mármore da bancada ao seu lado, torcendo para que o Byun não escutasse o som do disparo alto de seu coração — Bom, já que não vai falar nada, vou me retirar, tenho três períodos na turma de intensivo após o almoço e se me der licença, gostaria de ir comer.
Chanyeol estava prestes a destrancar a porta de correr quando sentiu os dedos finos de Baekhyun segurarem seu braço, fazendo-o parar subitamente no lugar, o rosto teimando em encarar o professor ao lado, Park sorriu de lado quando notou os dedos tremerem um pouco, constatando o nervosismo do biólogo, uma imagem completamente diferente da que estava acostumado a encontrar todos os dias quando entrava na escola.
A face que quase sempre carregava uma expressão confiante, agora estava tomada por uma confusão jamais vista.
Com um menear de cabeça, o professor de química virou-se para o colega, soltando seu braço para cruzá-lo rente ao peito, encarando o Byun à espera de uma resposta. Contudo, antes que pudesse abrir a boca, teve seu corpo puxado pelo baixinho até ser encostado novamente em uma das bancadas da sala, e Baekhyun agradeceu mentalmente por ter trancado o local assim que chegou.
Foi incapaz de ter qualquer reação, as mãos finas de Baekhyun o puxaram pelo colarinho até que as bocas estivessem juntas num beijo desajeitado e confuso. Chanyeol não sabia o que fazer, estava surpreso demais para esboçar alguma reação, porém quando se deu conta já estava com as mãos envolvendo a cintura fina do colega de trabalho — enquanto virava o corpo do mais baixo para que ficasse encostado na bancada —, seu coração parecia um tambor dentro do peito, os dedos tremiam com o contato, enquanto sua mente era inundada por várias perguntas.
O som de uma das vidrarias caindo na pia da bancada atrás de si, os despertaram para a realidade, quebrando o beijo no mesmo instante. Chanyeol respirou fundo, colocando as mãos nos ombros do professor a sua frente, a cabeça baixa tentando controlar a respiração acelerada e entender o que estava acontecendo. Desde a semana posterior a maldita festa, tentava conversar com o Byun, esclarecer o que estava acontecendo, afinal, tinha pleno conhecimento do ódio do baixinho por si, mesmo que não soubesse o motivo de tal, mas, qual é, não era o tipo de cara que simplesmente beijava alguém que faltava o matar com o olhar.
Baekhyun pareceu sair do transe que entrou desde que simplesmente decidiu beijar o Park, o rosto ganhando uma coloração avermelhada e olhos quase dobrando de tamanho.
— Chanyeol… eu…, desculpa! — exclamou, as mãos tampando o rosto em puro sinal de vergonha — Não sei o que me deu, me desculpe.
O professor de química respirou fundo, tentando a todo custo acalmar seu coração que teimava em continuar aquele batuque nada natural. Uma parte sua achava que aquilo não passava de uma piada de muito mal gosto do Byun, principalmente se fosse levar em conta o histórico de provocações do mais baixo consigo durante o passar dos anos.
Contudo, seu lado mais sentimental o fazia acreditar que aquilo aconteceu por algum motivo, não por piada ou provocação, mas sim por terem sentimentos envolvidos, sentimentos confusos para ambos, algo que não sabiam bem como entender.
Chanyeol ergueu o olhar, encontrando um Baekhyun coberto de vergonha, podia notar as mãos tremendo, assim como as suas. De maneira delicada, tirou as mãos do Byun do rosto, encarando aquele rosto que não deixou sua mente desde quando o viu pela primeira vez, naquela confraternização no início da faculdade.
— O que exatamente você sente por mim, Byun? Não acho que seja o tipo de pessoa que gosta de brincar com os sentimentos alheios.
Baekhyun o encarou com aqueles olhos escuros carregados por uma áurea ansiosa.
— Eu não sei, você me deixa confuso, Chanyeol, e isso me frustra, nunca senti algo assim em toda a minha vida, não saber explicar essas sensações me deixa sem rumo — pegou a mão alheia e a levou para seu peito, fazendo o mais alto sentir com clareza os batimentos acelerados de seu coração, os lábios secos, com leves machucados, provavelmente resultado de diversas mordidas ansiosas — É isso o que faz comigo, desde aquela maldita viagem você não sai da minha cabeça, sinto como se fosse enlouquecer e não ter a resposta para isso me deixou maluco, não era minha intenção fugir igual um hamster assustado.
O rosto de Chanyeol foi se tornando quente, as bochechas cheias ganhando um tom rosado mais forte a cada segundo, sabia que se pudesse ver seu rosto estaria igual quando sua sobrinha pintava seu rosto com as maquiagens da mãe, era como se se a tomada que mantinha seu cérebro funcionando tivesse sido puxada da tomada, travando seu corpo, o deixando incapaz de respirar normalmente ou manter os olhos piscando. Estava parecendo um completo idiota.
— Pensei que me odiasse — murmurou, não olhando o mais velho nos olhos, mordeu o lábio inferior, sentiu os dedos de Baekhyun entrelaçando os seus, num pedido silencioso de desculpas por toda aquela confusão. Chanyeol ergueu minimamente o rosto, encontrando um Byun com o rosto corado e ansioso. — Sabe, eu realmente queria ter explicado a situação, mas você parecia mais preocupado em pensar em quantas formas diferentes poderia me empurrar da escada do seu bloco.
— Peço desculpas por isso. — Baekhyun riu baixo, os dedos do químico deslizando pela sua mão enquanto o encarava, seu estômago revirava de uma maneira gostosa, como se diversas borboletas estivessem fazendo uma festa ali dentro, quis rir de si mesmo, que situação mais clichê estava vivendo. — Admito que na hora senti tanta raiva que era capaz de passar com um carro em cima da sua cabeça. Estava com raiva e… chateado? Claro, era compreensível estar, principalmente depois de ver meu esforço de semanas ser destruído em questão de segundos…
— Baekhyun.
— Eu sei o que está pensando, que devo estar surtando por nada, principalmente por manter essa raiva por conta de um trabalho ridículo de faculdade que hoje em dia não tem mais importância e que agi como uma criança por levar essa raiva adiante por tantos anos, que simplesmente poderia ter ouvido o que tinha a me dizer e...
— Baekhyun!
— O quê?
Chanyeol sorriu de lado, e com ambas mãos segurou o rosto do professor, as bochechas imediatamente ganharam um tom rosado devido à proximidade, os lábios se partiram enquanto encarava o Park, buscando alguma resposta para o turbilhão de perguntas que rondavam sua cabeça.
— Você fala demais, sabia? — Chanyeol sussurrou, a voz saiu tão entregue que Baekhyun quase teve uma síncope ali mesmo. — Parece um papagaio.
O Byun bateu de leve no ombro do mais alto e virou o rosto, envergonhado.
— Não me compare com pássaros, Park Chanyeol — resmungou, um bico adorável se formou em seus lábios e Chanyeol se segurou para não mordê-lo naquele mesmo instante. Mordeu o lábio inferior e encarou o colega de trabalho que agora estava com cada braço em um lado de seu corpo, praticamente o prendendo entre ele e a bancada — Mas, já que não paro de falar como um papagaio, o que pretende fazer sobre isso?
Chanyeol inclinou um pouco o rosto e esfregou o nariz no de Byun, nunca quebrando o contato entre seus olhos, queria guardar cada detalhe daquele homem em sua memória.
O puxou para um beijo calmo, com suspiros soltos por ambas partes, os lábios ansiosos por estarem juntos novamente, um sentimento quentinho preenchendo seus peitos. As mãos de Baekhyun alcançaram o colarinho da blusa social que Chanyeol usava, pelos deuses, ele estava um gostoso com aquela roupa, e o trouxe para perto, os selos calmos com direito a baixos estalos, fazendo os dois rapazes rirem ainda com as bocas juntas.
Quando sentiu a ponta da língua dele passar em seu lábio inferior, permitiu sua passagem jogando tudo para o alto, enlaçando o pescoço alheio com o braço direito, enquanto os dedos de sua mão esquerda se aventuravam por debaixo da blusa de linho branca de Chanyeol. Sentia as mãos enormes o abraçar pela cintura, apertando seu quadril, fazendo-o soltar grunhidos baixos, as unhas curtas arranhando a nuca alheia, enquanto os dígitos subiam e desciam pelos fios castanhos do Park, os dedos envoltos nos adoráveis cachos do químico.
Chanyeol se separou bruscamente, causando um espanto em Baekhyun ao erguê-lo pela cintura para sentá-lo na bancada atrás de si e voltar ao ósculo intenso. As mãos apertavam seu quadril com certa possessividade, e acariciavam a lateral de seu corpo, mesmo com a blusa branca, Chanyeol conseguia explorar cada canto daquele que tirou sua vida dos eixos nos últimos meses.
Mesmo com um único contato anterior, suas bocas já haviam decorado o calor da outra, sabendo exatamente os movimentos a fazer, assim como suas mãos que não paravam quietas, enquanto Chanyeol apertava as coxas de Baekhyun, o Byun puxava os fios escuros da nuca e o corpo do docente para mais perto, se é que isso ainda fosse possível. Estavam perdidos em meio àquele turbilhão de sensações, enzimas e hormônios correndo por suas correntes sanguíneas, Baekhyun sentia como se seu corpo fosse entrar em colapso, por Deus, como sentiu falta daquele maldito toque, de ser segurado com força por aquelas mãos, estava completamente entregue a Park Chanyeol e dessa vez, não estava arrependido.
O Park quebrou o beijo para descer os selares pelo rosto do professor, sorrindo fraco ao notar a pele arrepiada do outro devido à respiração rente a pele, os beijos deixavam uma trilha quente no pescoço de Baekhyun, que tentava descontar tudo o que sentia apertando os fios escuros entre seus dedos. Chanyeol ergueu o rosto novamente, as bocas roçando uma na outra em meio a sorrisos envergonhados e repletos de sentimentos borbulhando.
Estavam quase prestes a iniciar outro beijo, quando escutaram o som alto da sirene da escola ecoar pelos corredores, fazendo com que se separassem abruptamente. Baekhyun olhou para o relógio em seu pulso, encolhendo o rosto na curva do pescoço de Chanyeol ao notar que estavam naquela sala por quase uma hora, apenas aproveitando o momento a sós. Estavam tão imersos naquela atmosfera que ao menos notaram o tempo passar e que agora deveriam voltar para suas respectivas funções.
— Então… te vejo mais tarde? — Park arriscou perguntar, as mãos ainda apertando a cintura fina de Baekhyun, recebendo um confirmar com a cabeça do outro — Podemos sair no final de semana, se não estiver ocupado corrigindo trabalhos.
Ainda um tanto absorto no toque de Chanyeol, a respiração quente e calma batendo em seu rosto, seus sentidos em combustão com o toque em sua tez, Baekhyun se inclinou e deixou um leve selo nos lábios rosados, que agora aprendeu a gostar tanto e não queria mais viver sem tocá-los.
Desceu da bancada e entrelaçou seus dedos aos do químico, sorrindo igual um besta apaixonado, o que claramente era naquele momento.
— Desde que eu escolha o local. Vai se surpreender como tenho bom gosto, Park Chanyeol — Byun sussurrou, baixinho, com o olhar convencido tomando sua face novamente, caminhou até a porta da sala, destrancando-a em seguida, porém antes de sair, virou-se novamente para o professor que ainda o encarava com um olhar fascinado — Isso não significa que o perdoei pelo trabalho destruído, terá que me levar para muitos encontros para que eu mude de perspectiva e talvez pense em aceitar suas desculpas.
Chanyeol fechou os olhos e riu consigo mesmo, o coração disparado deixando-o incapaz de formular uma frase sequer, enquanto via o Byun deixar a sala saltitante.
Tocou os lábios com a ponta dos dedos, podendo sentir ainda o gosto da boca de Baekhyun, uma mistura agradável de morangos e aquelas malditas batatinhas salgadas que o Byun devorava com tanto gosto. A respiração quente em seu rosto, o cheiro do perfume doce que usava, Baekhyun estava impregnado em seu corpo, assim como em seus pensamentos.
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Após semanas de encontros quase que rotineiros, Chanyeol e Baekhyun assumiram o namoro para os amigos mais próximos e família, recebendo diversos abraços de felicitações e claro, um sorriso debochado de Do Kyungsoo, como se soubesse que isso aconteceria cedo ou mais tarde, mas não deixando de parabenizar o melhor amigo.
E claro, deixando bem óbvio ao Park que se Baekhyun fosse machucado por algum deslize seu, estaria morto na hora e Chanyeol, conhecendo bem a raiva do mais baixo, prometeu que jamais faria algo para magoar o professor de biologia.
Eram um casal como qualquer outro, passavam as tardes livre caminhando pelos parques da cidade e tomando sorvete, sextas a noite eram reservadas para descansarem suas mentes após uma semana conturbada enquanto saboreavam um vinho seco, o preferido do Park, em meio a cobertores no sofá do apartamento do mais velho. E quando Chanyeol notou que estava passando mais tempo na casa de Baekhyun do que na própria, decidiram, após três anos de relacionamento, juntar as escovas de dente e morarem juntos.
Venderam os apartamentos para comprar um mais próximo do local de trabalho e com tamanho suficiente para criarem seus filhos, os cachorros de Chanyeol e o gato rabugento de Baekhyun.
Sua convivência na escola não mudou muito, tentavam sempre manter trabalho e vida pessoal separados, e mesmo que fossem namorados, eram acima de tudo professores na mesma instituição, então deveriam continuar mantendo as regras de cordialidade logo que colocavam os pés na quadra da escola, mas Baekhyun não negava que amava provocar o Park nos intervalos das aulas, mostrando a aliança prateada em seu dedo anelar, presente de um ano de namoro, apenas para lembrá-lo que estava preso a ele para sempre, recebendo um revirar de olhos, seguido de um selar carinhoso do namorado.
Quando perguntados como tudo aquilo começou, já conhecendo o histórico de alfinetagem de ambos, Baekhyun apenas sorria, entrelaçando seus dedos ao de Chanyeol antes de responder com um brilho nos olhos:
— Sabe como essas coisas são, apenas acontecem biologicamente!
FIM
