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Inimigos Mortais

Summary:

Na Half Blood High School existia uma tradição antiga onde as turmas do segundo ano do ensino médio passavam a primeira semana do ano letivo fazendo pegadinhas umas com as outras.
Porém, tudo sai do controle quando Nico di Angelo da turma 2B e Will Solace da turma 2A acabam entrando em uma disputa pessoal de trotes e começam a fazer a escola toda enlouquecer com suas provocações.

O que eles não imaginavam, era que ao serem obrigados a ajudar na organização da feira de ciências da escola, descobririam sentimentos que nenhum deles imaginava ter, e talvez, lá no fundo, não se odiassem tanto assim.

 

Solangelo// Fluffy x comédia// Enemies to lovers

Notes:

Olá pessoal!!

Estou trazendo mais uma fic da minha coleção pra esse site, dessa vez, uma one shot especial de Solangelo!!<3

Inimigos Mortais é uma das fics q eu mais amei escrever, então espero que vcs gostem dela tanto quanto eu gosto!<3

Ela tbm está postada com o mesmo título no Spirit Fanfics!!

 

Boa leituraaaaaaa

Work Text:


– EU VOU TE MATAR SOLACE!

 

Esse era Nico Di Angelo, um dos alunos da turma 2B da Half Blood High School. Nico era um garoto quieto e reservado na maior parte do tempo, passava seus dias isolado pelos cantos da instituição com seus fones de ouvido enquanto desfrutava de algum livro de suspense. Não era comum ver o garoto "gótico" da escola vermelho de raiva no meio do corredor, exceto naquela situação.

Durante as duas primeiras semanas do ano letivo, havia uma tradição antiga na Half Blood onde as turmas do segundo ano faziam trotes entre si, coisas que iam desde esconder os materiais até jogar pessoas na piscina e dar banhos de tinta. Essa dinâmica caótica já era algo esperado por todos e nunca havia tido nenhum problema a mais, se não fosse por dois alunos que acabaram passando dos limites.

Naquela tarde de terça-feira especificamente, um mês depois do início do ano letivo, Nico Di Angelo se encontrava completamente encharcado, de algo que com certeza não era água. O líquido arroxeado e estranhamente cheiroso escorria pelos seus cabelos escuros e ia até o uniforme suado da aula de educação física.

– Nico, por quê você tá cheirando a xampu de lavanda? – Ele ouviu Piper McLean, do terceiro ano, se aproximando. Ela parecia confusa ao constatar que o garoto estava coberto do mesmo xampu que algumas líderes de torcida usavam depois dos treinos.

– Piper, você viu o desgraçado do Solace? – Ela negou, pouco antes de uma terceira voz se juntar à conversa.

– Exagerou no banho, Di Angelo? – disse o menino loiro, que observava a cena na outra ponta do corredor com um sorriso de satisfação, arrancando cochichos conforme se aproximava. – Surpresa!

Will Solace era o queridinho da turma 2A. Além de ser o representante de classe, ele era o típico garoto popular do ensino médio, bonito, carismático, atlético e muito popular.

Os dois não eram amigos, sequer colegas. Passaram o ano anterior sem trocar uma única palavra a mais do que o necessário e de repente, haviam virado arqui inimigos de pegadinhas.

Depois das primeiras semanas do ano, quando as brincadeiras entre as turmas haviam cessado, Will e Nico haviam criado uma espécie de perseguição pessoal, e agora, passavam seus dias planejando novos trotes, competindo para ver qual dos dois perderia pelo cansaço.

Ninguém soube dizer como ou porque aquilo passou do limite entre eles, os alunos apenas assistiam de camarote enquanto aqueles dois meninos travavam uma batalha nem tão silenciosa pelos corredores da Half Blood.

– Você passou dos limites dessa vez, Solace. – Nico disse entredentes, se controlando para não voar em cima daquele loiro metido a besta.

– Nem foi tão ruim assim. – Ele riu. – Eu só queria agradecer pelo lanche, por isso achei que seria legal te dar um banho relaxante de presente depois da aula de educação física.

Nico só não contava que o tal "banho relaxante" seria um balde de xampu de lavanda amarrado em cima de seu armário no vestiário.

Não que ele fosse o inocente da história, afinal, isso era o troco pelo episódio em que ele deu um jeito de sumir com todos os materiais de Will de dentro de seu armário e substituir tudo por três quilos de batatas fritas congeladas. O que não teria sido tão ruim se o loiro não tivesse passado os dois dias seguintes atrás de seus livros, que por acaso, estavam escondidos no armário do lado.

– Você vai ver só, seu loiro oxigenado! – O moreno estava perdendo a pouca paciência que tinha.

– Você que vai ver só, vampiro da deep web! 

– CHEGA! – Eles ouviram um grito e olharam para a fonte do barulho. 

Do outro lado do corredor, de onde o Solace havia saído, vinha Quíron Brunner, o diretor da Half Blood, com uma cara fechada.

– Meninos, ainda estamos entrando no segundo mês de aulas e vocês realmente querem ir para a quinta detenção seguida?

Os dois bufaram, tentando não demonstrar o ódio que sentiam um do outro.

– Para a minha sala. Agora!

Os dois encrenqueiros seguiram o diretor – contra vontade – pelos corredores da escola, atraindo burburinhos por onde passavam.

– Vocês sabem que daqui alguns dias vai acontecer a feira de ciências da escola, não é? – Quíron começou depois de se sentar atrás de sua mesa, que ficava de costas para uma grande janela que mostrava o campus grandioso da Half Blood. – Esse ano, teremos alguns alunos do último ano cuidando da organização, será um evento grande com diversas atividades. Eu quero que vocês os ajudem, com tudo o que eles precisarem.

– E quem seriam esses alunos? – O Solace perguntou de forma entediada.

– Perseu Jackson, Grover Underwood, Clarisse La Rue, Charles Beckendorf e Annabeth Chase. 

Os dois meninos sentiram os pelos da nuca arrepiarem com o último nome. Mesmo não fazendo parte do grupinho dos valentões como Clarisse, Annabeth Chase causava medo nos alunos mais novos que, por desventura do destino, precisavam auxiliá-la em algum projeto, uma vez que ela era extremamente rígida com a organização dos eventos da escola. Além de ser a presidente do conselho estudantil e namorar o capitão do time de natação, ela sabia ser extremamente intimidadora quando queria.

– Não tem nenhuma outra tarefa que podemos fazer? 

– Ou ajudam os veteranos, ou pegam uma suspensão. – Quíron disse, não evitando um sorriso divertido depois de ver a frustração no rosto dos dois. Ao não obter nenhuma resposta contrária, ele seguiu com a explicação. – Vou acompanhar vocês através de relatórios dos alunos do último ano, vocês começam amanhã. Agora, já para as suas respectivas classes. E sem mais surpresas.

Derrotados, Nico e Will saíram da sala do diretor sem muita enrolação. 

Eles sabiam que teriam um longo trabalho pela frente já que estariam sob as ordens de Annabeth Chase.

 

 

…..

 

– Não vai ser tão ruim assim, Nico. Pensa nisso como uma oportunidade de vocês se conhecerem melhor. 

 Nico se encontrava deitado embaixo de uma árvore do pátio, ouvindo sua irmã falar coisas um tanto absurdas.

– A última coisa que eu quero é conhecer aquele loiro azedo, Hazel. – Ele encarou a mais nova, que estava sentada ao seu lado enquanto desenhava em seu caderno. – Você tem noção de que ele forjou um atestado médico dizendo pra moça da cantina que eu estava proibido de comer fast food por uma semana? Ele também trocou todas as minhas anotações da aula do senhor D. por receitas de bolo! Esse garoto é insuportável!

– Eu imagino que você realmente o odeie, mas ele parece ser alguém legal. Sem contar que você também exagerou nas pegadinhas, eu me lembro de ver ele correndo pelo corredor fugindo daquela galinha que você escondeu no armário dele.

– Foi ele quem começou! – Nico se defendeu, levantando para olhar para o rosto da irmã caçula. – O combinado era fazer pegadinhas com as outras turmas, só que tudo que o Solace armou foi voltado para mim! Isso é perseguição, não acha?

– Ou ele gosta de você e não sabe como falar. 

– Will Solace, gostando de mim? – Ele riu, debochando. – Tem certeza que aquele lanche que você comeu mais cedo tava dentro da validade?

Hazel revirou os olhos, mantendo o foco no papel. Ela estava fazendo um desenho de um dos jogadores de futebol americano, Frank Zhang, do terceiro ano. Mesmo andando com alguns garotos metidos e populares, ele era muito muito gentil e amigável com todos, sempre defendendo os mais tímidos do bullying e ajudando qualquer um que precisasse. Não era de se admirar que Hazel tivesse um verdadeiro penhasco por ele.

O Di Angelo se aproximou da irmã e passou a observar o desenho. Ele adorava esses momentos onde podia desfrutar da companhia de sua irmãzinha e vê-la desenhando, era algo muito relaxante na sua opinião. Mesmo sendo filhos de mães diferentes, Nico era completamente encantado por sua irmã caçula, mesmo que ela fosse somente dois anos mais nova.

Além de Hazel, ele também tinha Bianca, que era alguns anos mais velha e estava na faculdade, e por isso eles acabavam se vendo com uma frequência um pouco menor.

– Ta desenhando o Zhang de novo? – Nico se encostou na árvore e apoiou a cabeça no ombro da irmã. – Vai entregar pra ele dessa vez?

– Talvez. – Ela corou completamente. Hazel ficava bastante envergonhada com esse tipo de assunto. – E-eu estava pensando em chamar ele pra ir na feira de ciências comigo.

– Se ele vier me pedir permissão antes, eu apoio. – Ela riu, antes de dar um tapinha no braço dele. 

– Você sabe que ele te arremessa na China se quiser, né? – Hazel se referiu ao físico extremamente forte do Zhang, que nem se comparava com seu irmão, que era bem mais magro. 

– Não precisa humilhar também! – Os dois passaram mais algum tempo rindo, até o sinal tocar e anunciar que era hora de voltar para a sala de aula.

 

 

………

 

 

 

– Acho que estamos indo bem até agora. – Percy Jackson disse sorridente quando viu que a decoração do ginásio estava ocorrendo em um ritmo melhor do que eles haviam planejado. Clarisse e Charles estavam prendendo uma enorme faixa onde estava escrito "Feira de ciências da Half Blood" com a ajuda de escadas, enquanto Groover organizava algumas mesas junto com alguns alunos do terceiro ano, como Jason Grace e Piper Mclean e Frank Zhang.

Além das típicas mesas onde alguns alunos iriam expor seus projetos científicos, haviam algumas outras atividades que seriam organizadas do lado de fora do ginásio, isso sem contar as barraquinhas de comida.

– Isso é bom, pelo menos não tivemos nenhum acidente esse ano. – Annabeth Chase concordou com o namorado que caminhava ao seu lado enquanto carregava uma grande caixa de materiais decorativos. Ela segurava uma prancheta com todas as tarefas a serem feitas naquele dia. - Eu lembro de quando o Grover foi atacado por aquelas abelhas na feira do ano passado.

– De quem foi a brilhante ideia de colocar uma caixa com uma colmeia de abelhas raivosas junto com as caixas de decoração?

– Eu ainda não consegui descobrir. – Ela riu. – Até que os dois elementos estão se comportando, achei que iriam dar mais trabalho depois de toda a confusão que eles têm arranjado.

– Do jeito que você tá colocando medo neles, até eu andaria na linha. 

– Você me acha assustadora, Cabeça de alga? – Annabeth o encarou com um olhar intenso, causando certo arrepio na nuca do namorado. Felizmente, Percy sabia lidar com seu temperamento melhor do que qualquer um.

– Eu já disse que você fica linda quando está irritada, Sabidinha?

Como resposta, ele ganhou apenas um riso abafado e uma revirada de olhos, até porque já estavam se aproximando de onde a dupla encrenqueira estava.

Will Solace estava organizando algumas bandeirinhas azuis que ficariam perto da área da piscina, enquanto Nico estava arrumando uma barraquinha de comida. Ambos pareciam irritados enquanto trabalhavam, provavelmente porque estavam se alfinetando antes do casal chegar.

– Vocês dois, venham aqui por favor. – Annabeth assumiu sua postura autoritária e os chamou, fazendo com que Percy precisasse segurar a risada ao ver o medo que eles tinham de sua namorada. – O pessoal da minha turma vai assumir as barracas de comida que vão ficar aqui fora, e eu preciso que vocês terminem de decorar tudo lá dentro do ginásio. Nós vamos precisar sair para comprar algumas coisas que faltam, mas precisamos deixar a parte de dentro da escola pronta o mais rápido possível porque o zelador vai vir à noite para consertar a fechadura da porta do ginásio.

– O pessoal do terceiro ano não pode fazer isso? – Nico perguntou.

– Não, Piper, Jason e Frank têm um trabalho pra fazer hoje a tarde e não vão poder ficar aqui depois do fim das aulas. – Ela os entregou uma lista com o que precisavam fazer. – Estou confiando em vocês dois, se me derem dor de cabeça eu vou contar para o Quíron.

– Sim, genera… digo, Annabeth – Will acabou se enrolando, vendo o olhar assustador da mais velha e puxando o Di Angelo pelo braço rumo ao ginásio logo em seguida, fazendo a porta bater com tudo.

– Ei ei, já deu! Você tem tanto medo assim da Annabeth? – Nico perguntou assim que passaram pela porta, se soltando do aperto e vendo a marca da mão do Solace em seu pulso. 

– Você não? – Will perguntou como se a resposta fosse a coisa mais óbvia do mundo, fazendo Nico rir baixo.

– Você é mais estranho do que eu pensava, projeto de Rapunzel.

– E você, seu emo pirigótico, até parece que você não é estranho. – Ele se virou bruscamente e seguiu até o outro lado do ginásio, dando a entender que não queria mais conversa com o Di Angelo a partir daquele ponto.

 

Os dois passaram algum tempo isolados, trabalhando em partes diferentes da decoração do ginásio, sem trocar sequer olhares, onde Nico estava colando algumas fitas na parede e Will estava arrumando as mesas onde os projetos científicos ficariam expostos.

Tudo estava em completo silêncio, até o momento em que ambos terminaram o que estavam fazendo e viram que a única coisa que faltava era montar o palquinho da barraca do beijo que estava na lista passada por Annabeth. A Barraca seria uma alternativa de arrecadação, onde os alunos pagariam para beijar algum voluntário.

– É sério que vão colocar uma barraca do beijo? – O Di Angelo disse com um tom de sarcasmo, depois de ver a ideia um tanto desesperada do quarto ano para arrecadar dinheiro.

– Com certeza isso foi ideia da Piper. – O loiro riu, imaginando algo do tipo saindo da boca da garota mais romântica da escola.

– Vão colocar quem pra ficar com o pessoal? Jason Grace? Leo Valdez? Percy Jackson?

– Duvido que o Percy concordaria em beijar alguém que não fosse a Annabeth, mas é bem provável que o Leo seja um dos voluntários.

Eles começaram a prender as cortinas nos suportes, que mais tarde iriam para o lado externo do ginásio. 

Quando já estavam terminando, Will se lembrou que havia deixado um rolo de barbante dentro de seu armário e se dirigiu a saída para pegar, notando que a porta que levava ao corredor estava trancada. Ele correu até a porta que dava para o pátio e viu que estava trancada também.

– Di Angelo, você tá com a chave das portas?

– Ué, achei que estava com você. – Ele foi até a porta em que o loiro estava e tentou forçá-la, vendo que seria inútil. – Não era pra essa porta abrir?

Will começou a se desesperar quando lembrou das palavras de Annabeth mais cedo, dizendo que o zelador viria a noite para consertar a fechadura.

– Essa porta tá com defeito, estamos trancados aqui até o zelador chegar. – Ele encostou na porta e escorregou para o chão. – Que saco! Eu não queria passar a tarde toda aqui, preso com você.

– Eu tinha planos muito melhores do que ficar olhando pra sua cabeça até a noite. – Nico deu um chute não tão leve na porta, vendo que era praticamente impossível fazê-la abrir e desistindo logo em seguida.

Eles nem tinham como avisar ninguém já que o sinal de celular no ginásio era péssimo e as mensagens levariam muito tempo para chegar, além de que a bateria de ambos estava quase acabando.

 

As horas passaram se arrastando, principalmente porque nenhum dos dois fez questão de trocar muitas palavras.

Will passou algum tempo observando o moreno enrolando inquietamente um pedaço de fita que havia cortado, estampando o mais puro tédio em seu rosto.

Ele se perguntou se era uma boa ideia puxar assunto, sabendo que Nico era um tanto explosivo e parecia irritado com a situação. Por isso, não seria uma surpresa se ele levasse um fora, porém sua curiosidade acabou vencendo.

– Por que você me chamou de projeto de Rapunzel?

Nico desviou o olhar da fita vermelha e o encarou, mantendo a expressão entediada. 

– Não é óbvio? Você é loiro com fios brilhantes e passa boa parte do tempo mexendo no cabelo. – Will achou aquilo um absurdo no primeiro momento, até se dar conta que estava penteando os fios dourados com os dedos segundos antes.

– Não sabia que reparava tanto nesse tipo de coisa.

– Eu sou bastante observador. Mas nem precisei prestar muita atenção em você já que quase todas as garotas da escola ficam falando do quanto o seu cabelo é "macio" e "brilhante" pelos corredores. 

– Está com inveja das minhas fãs, Di Angelo? 

– Tá amarrado. – Ele sorriu ladino – Você poderia se voluntariar para a barraca do beijo, elas iriam adorar dar um selinho em você.

Will se calou de repente, parecendo um tanto pensativo enquanto voltava a mexer no cabelo com os dedos.

– Não acho que seria uma boa ideia.

– Por que não, Solace? Não tá pronto pra lidar com a sua fama?

– Não, é que.. – Ele desviou o olhar. – Eu nunca beijei ninguém.

– E eu sou o Batman. – Nico ironizou, porém logo percebeu que o loiro estava falando sério. – Espera aí, isso é verdade?

O moreno viu que Will apenas assentiu com a cabeça, um pouco tímido, talvez com medo de alguma piadinha por parte do moreno.

– Confesso que fiquei surpreso agora. Eu jurava que você era o queridinho das líderes de torcida. – Nico deu de ombros, sem fazer muito caso. – Então você nunca perdeu o BV com alguma delas?

– Não… Q-quer dizer, algumas garotas já perguntaram se eu queria ficar com elas e tal. – Ele corou, de uma forma um tanto fofa. – Mas eu sempre desconversava. Eu tinha medo de fazer tudo errado e virar piada pela escola.

Nico riu, voltando o olhar novamente para a fita que tinha na mão. 

– Então o príncipe da escola nunca ficou com ninguém porque não sabe como beijar direito?

– Isso mesmo, ria bastante Di Angelo, ou você vai fazer o que, me ensinar a beijar? 

Nesse momento, os olhos de Nico acabaram se encontrando com os de Will, que sentiu um arrepio pela forma intensa na qual estava sendo encarado. Ele nunca reparou como as expressões corporais do moreno podiam ser tão confiantes em certas situações.

– Você quer que eu ensine?

O Solace não disse nada, porém sentiu seu rosto esquentar na medida em que ficava vermelho igual a um tomate.

– E-e v-ocê lá sabe beijar? 

– Quer descobrir? – O loiro entrou em pânico internamente quando viu Nico se levantar e caminhar calmamente em sua direção, como se estivesse indo fazer a coisa mais normal do mundo, e em uma fração de segundos se sentou de frente para si. 

O moreno não acreditou que estava prestes a fazer aquilo, mas por alguma razão sentiu que estranha motivação, que ultrapassava a vontade de ver o Solace desconcertado.

Will estava prestes a perguntar o que ele ia fazer quando o viu o Di Angelo mostrar um sorrisinho malicioso e sarcástico antes de quebrar de vez a pouca distância que havia entre eles.

Nico tocou nos lábios de Will de maneira repentina porém calma, segurando suavemente na cabeça loira enquanto movia os lábios. O Solace acabou ficando um tanto confuso no primeiro momento, porém passou a retribuir o beijo de forma um pouco desajeitada conforme se acostumava com o contato.

Ele jamais imaginou que um dia beijaria Nico Di Angelo, o garoto inacessível e reservado, porém gatinho, da turma 2B. Essa hipótese se tornou ainda mais absurda depois das últimas semanas, porém, lá estava ele, tendo seu primeiro beijo com seu inimigo mortal

Depois de finalmente conseguir relaxar e aproveitar o momento, eles se separaram pela falta de ar. Nico sentiu vontade de rir ao ver o quão corado o loiro estava, mas se segurou, vendo que aquele momento foi realmente para ele.

– Acho que agora nós estamos quites.

– É, acho que sim. – O Solace disse depois de se recuperar do choque. – Onde você aprendeu a beijar assim?

– Numa festa de aniversário da minha irmã mais velha. – Ele respondeu indiferente, ainda com o rosto próximo. 

Seus olhares se cruzaram por alguns segundos. Nico sempre achara Will bonito, jamais admitiria isso em voz alta, porém naquele momento, ele parecia ainda mais lindo com seus cabelos loiros – Que realmente eram muito macios – e as maçãs do rosto coradas.

– Sou um bom professor? – Ele perguntou, admirando as feições um tanto desconcertadas do loiro.

– Acho que eu preciso de mais um teste. – Will disse, dessa vez surpreendendo Nico e o beijo, ainda de forma um tanto desajeitada porém melhor do que antes. Ele repetiu os movimentos e sentiu a maciez dos lábios do moreno, que retribuiu o toque na mesma hora, segurando na parte de trás de sua cabeça novamente.

Eles se separaram rapidamente quando escutaram um barulho vindo da porta do ginásio, que se abriu de forma brusca e revelou a figura alta e forte do zelador Bob segurando sua maleta de ferramentas.

– Oh meninos, o que estão fazendo aí até essa hora?

Os dois se entreolharam aliviados pelo zelador não ter notado os rostos corados de ambos.

– Estávamos arrumando as coisas para a feira de ciências e a porta bateu sem querer, como a outra estava trancada nós acabamos ficando presos aqui. – Nico tomou a frente e respondeu, já que ele tinha uma boa relação com o zelador.

– Entendi, essa porta estava completamente emperrada mesmo. Vocês podem ir pra casa agora, eu arrumo tudo aqui. – Ele se referiu ao material que sobrou da decoração do palco e eles não puderam jogar fora, já que as lixeiras grandes ficavam no pátio. 

– Certo. – Nico se levantou, sendo seguido por um Will um tanto tímido. – Até depois, Bob.

Quando passaram pela porta do ginásio, o Di Angelo viu o loiro passar rapidamente pela sua frente e sair em disparada até a rua.

Aparentemente Will tinha uma estranha mania de sair correndo em algumas situações, por isso o Di Angelo apenas pensou que ele precisava de um pouco de tempo.

 

 

………….

 

Dois dias depois..

 

 

No último dia de preparação para a feira, o quarto ano achou melhor não acionar ninguém das outras turmas, já que faltavam poucas coisas para finalizar. Assim, Nico e Will não se encontraram na sexta-feira antes do evento.

O sábado na Half Blood estava sendo bastante animado, havia diversas atividades para os alunos e seus familiares, além da tradicional competição da feira de ciências.

 

Will Solace estava passeando pela escola sozinho naquela tarde ensolarada. Ele já havia assistido às apresentações da feira, não ficando nem um pouco surpreso por saber que Leo Valdez havia conquistado o prêmio daquele ano com seu robô cuspidor de fogo, também havia comido alguns donuts na barraquinha de doces, mas até aquele momento, não havia tido nenhum sinal de Nico.

Não que ele estivesse fugindo do moreno, o que era o caso até o dia anterior, mas naquele momento, ele realmente queria encontrá-lo para esclarecer seus pensamentos de uma vez por todas.

Ele estranhamente havia gostado de ficar com Nico Di Angelo, a pessoa que mais odiou desde o começo das aulas. Agora, não sabia mais definir o que sentia pelo garoto do segundo ano B. Aquele beijo realmente havia mexido com suas emoções.

Depois de pensar muito, Will finalmente decidiu procurar Nico, começando por encontrar sua irmã mais nova, Hazel e perguntar se ela sabia onde ele estava. 

Enquanto passava procurava pelas atrações da feira, ele a viu ao lado de Frank Zhang, próxima da barraca do beijo que havia montado junto com o Di Angelo dias antes, onde algumas meninas formavam uma fila para dar um selinho em Jason Grace.

Ele saiu em disparada até a barraca, quase esbarrando em alguns alunos pelo caminho, entre eles, Piper McLean e Grover Underwood, que desviaram do Solace apressado por pouco.

– Ei, Hazel! Você viu o seu irmão? – O loiro chegou sem fôlego perto da menina de cabelos encaracolados, que o encarou de forma confusa.

– Ahn, eu não vejo o Nico desde a hora em que eu cheguei. Não viemos juntos hoje.

– Eu vi ele na fila do trailer de hambúrguer ainda pouco. – Frank respondeu.

Will reparou que ele segurava timidamente na mão de Hazel, parando por alguns segundos para pensar no quão fofos eles eram.

– Valeu, Frank! – Disse, antes de sair novamente apressado pelo gramado do pátio.

Ele finalmente havia parado para reparar como a escola estava cheia naquele dia. Todos pareciam estar se divertindo bastante com as atrações da feira, até mesmo Annabeth Chase parecia feliz com a irmã mais nova de Percy no colo, enquanto tentavam acertar um alvo para derrubá-lo numa piscina de bolinhas de plástico.

Distraído em meio a tantas pessoas, ele acabou levando um susto com o toque repentino em seu ombro.

– Tá perdido, Solace? – Ele se virou a tempo de ver Nico e seu clássico sorrisinho de canto, enquanto segurava um balde de batatas fritas e nuggets. 

– Precisava do susto, Di Angelo? – Depois de se recuperar do choque, Will esperou alguma piadinha vinda do moreno, que apenas deu de ombros e estendeu o balde de frituras.

– Você se assusta fácil demais. – Eles passaram a caminhar lado a lado pelo pátio, mantendo um silêncio agradável e atraindo alguns olhares curiosos dos alunos conforme eles os viam juntos.

– Foi mal por sair correndo naquele dia. – Will começou, depois de reunir coragem o suficiente. Ele ficou ainda mais confuso quando viu que Nico não parecia nem um pouco abalado. 

– Relaxa, eu imaginei que fosse muito pra sua pobre cabecinha loira. Não é a primeira vez que alguém sai correndo depois de me beijar.

– Por que você fez aquilo? Digo… A gente se odiava, por que do nada você me beijou?

– Ué você disse que não sabia beijar e eu te ensinei, não foi? Eu nem sabia se você gostava de meninos, mas como você não disse nada… – Ele começou, mas viu logo na expressão do Solace que sua resposta não foi aceita. – No começo eu realmente fiz aquilo pra te deixar sem reação, mas… eu acabei gostando depois. 

– Sério?

– Uhum. – Ele assentiu com a cabeça. – Diria até que foi o melhor beijo que eu já tive.

– Você tá mentindo.

– Por que eu mentiria, Will? Só porque até semana passada nos eramos os inimigos mortais da escola? – Ele enfiou a mão no balde e pegou uma porção de batatas, levando a boca sem dó. – Talvez a minha opinião sobre você tenha mudado um pouco, e por mais que eu odeie admitir, a minha irmã tava certa. Você até que é um pouco legal.

– Só um pouco? Não era isso que parecia quando você tava me beijando. – O loiro sorriu de forma sarcástica. 

– Não força, Solace. Eu ainda te odeio, só que menos do que antes.

– Acho que eu te odeio um pouco menos também. E eu gostei bastante do beijo, nós podíamos… fazer de novo depois. Se você quiser me ensinar mais… 

– É, porque não? – Will sorriu ainda mais quando viu Nico corar, tornando o bem fofo em sua concepção. – Quer dar uma volta pela feira? Ainda dá tempo de assistir a apresentação do clube de música, se você tiver afim.

– Eu topo. 

Os dois acabaram dando as mãos, de forma um pouco desajeitada, porém logo se acostumaram com a proximidade. Se antes os outros estudantes já haviam ficado surpresos ao verem os dois andando juntos, estavam ainda mais depois de presenciarem os dois encrenqueiros passeando pela Half Blood de mãos dadas dividindo nuggets e batatas fritas em um clima adorável.

Um pouco afastados da dupla, o diretor Quíron conversava com dois de seus alunos favoritos, feliz de ver que seus problemas haviam diminuído consideravelmente agora que aqueles dois não arranjariam mais brigas. Ou pelo menos, fariam isso em medidas bem menos catastróficas.

– Eu disse, diretor. O problema daqueles dois era paixão encubada. – Annabeth Chase exibia um sorriso vitorioso, observando a cena ao lado de Percy e de Quíron.

– Paixão encubada? – Estelle, de quatro anos, perguntou para o irmão mais velho, que se divertia com as reações orgulhosas de sua namorada.

– É quando duas pessoas se gostam mas por algum motivo não revelam isso pra ninguém. – Ele explicou com toda paciência do mundo, vendo os olhos verdes da pequena brilharem.

– Igual quando você gostava da Annie!

Percy sentiu o rosto esquentar, arrancando risadas de sua namorada e do diretor.

– Exatamente igual, Estelle. – Quíron respondeu. – Esses dois aqui também arranjaram muita confusão quando eram mais novos.

– A gente nem era assim! – A loira contestou.

– Têm razão, vocês eram piores. – O diretor disse, voltando a rir logo em seguida.

 

Ninguém diria que a Half Blood tinha esse poder tão forte de fazer até os maiores inimigos mortais se apaixonarem, mas Nico Di Angelo e Will Solace eram a prova viva disso.