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Madrugada

Summary:

Quando Mary acorda assustada de um pesadelo ruim que era fruto de uma insegurança antiga que não havia sido curada.

Ou

Quando Tsuzura anima sua esposa após ela acordar assustada de um pesadelo ruim.

Work Text:

Aquela seria uma noite ótima e tranquila como as outras para as mais novas esposas. Mary aninhou sua cabeça confortavelmente no peito de Tsuzura, tranquila por conseguir ouvir e sentir as batidas tranquilas do coração dela, gostava de sentir a prova viva e real de que Tsuzura estava ali e não iria embora, caindo facilmente em um bom sono.

Ela sonhava com campos de belas flores rosas, dormindo profundamente perdida entre os campos dos sonhos e nas batidas do coração de Tsuzura, o calor dela mantendo-a aquecida. O conforto que sentia era incrível, seus sonhos também recompensando o seu conforto, era como se estivesse em absoluta paz e nada pudesse lhe machucar agora.

Continuando se aventurando em seus sonhos, correndo pelo campo florido, Mary passou por perto de uma árvore e avistou uma pequena caixa de madeira ao lado dela. Uma caixa torta e cinzenta, que possuía uma aparência um tanto quanto peculiar. Seu cadeado estava aberto, e pelas brechas uma grande quantia de fumaça escapava, como se estivesse tentando atrair Mary, e mesmo que a fumaça estivesse a sufocando, ela não conseguia se importar.

Movida pela curiosidade, lentamente foi abrindo a pequena caixa, mais fumaça saía, e mais ela se sufocava. Quando a caixa foi totalmente aberta, ela não viu mais nada além da pouca fumaça restante e o fundo da caixa.

Ela deu de ombros e jogou a caixa de volta ao chão, mas quando se virou para continuar sua jornada, tudo tinha desaparecido.

Ela estava em um verdadeiro breu, apenas a árvore — que agora parecia morta — e a pequena caixa eram vistas. A escuridão puxou Mary para baixo, arrancando seus sonhos e seus desejos, o calor do sol desaparecendo bruscamente. Tsuzura era seu raio de sol, sua maior fonte de felicidade, que foi arrancada brutalmente pela escuridão.

Já não conseguia ouvir as batidas do coração dela; Não conseguia sentir o calor familiar de Tsuzura,
Tudo havia sido arrancado dela,
Sem ofertas de chances para recuperar seu calor.

Quanto mais gritava por ela,
Mais era puxada para a escuridão sem fim.
Quanto mais ela se remexia,
Mais a escuridão paralisava seu corpo e as suas forças

 

Mary acordou em um sobressalto, gritando assustada pelo pesadelo que acabara de ter, consequentemente fazendo sua esposa abaixo dela acordar assustada também. Mary se sentou na cama, colocando a mão no peito e respirando fundo em uma tentativa de se acalmar.

Tsuzura olhou confusa para Mary, sentando na cama e esticando o braço para acender o abajur em cima da mesa de cabeceira, sentindo-se tonta por ter acordado tão repentinamente.

“Querida, você está bem?” A preocupação sufocante cresceu dentro do peito de Tsuzura, seu coração batia incontrolavelmente, nunca havia acontecido algo parecido antes. Ás vezes ela acordava assustada de algum pesadelo e Mary a ajudava, mas nunca havia ocorrido o contrário.

Independente do que tenha sido, ela tinha o pressentimento de que era algo muito ruim; e na maior parte das vezes, uma mulher nunca erra quando sentia um mau pressentimento.

Mary se virou para a esposa, sem saber ao certo o que dizer, sentindo-se culpada ao ver Tsuzura tão preocupada por sua culpa, “Foi apenas um pesadelo estranho, eu estou bem”, respondeu, tentando soar mais calma do que podia, sentindo as batidas de seu coração não tão aceleradas quanto antes.

Apesar de ter conseguido esconder a maior parte da insegurança em seu tom de voz, Tsuzura conseguiu captar a insegurança em seus olhos; os sentimentos nos olhos de Mary eram fáceis de se ler.

E Mary deveria começar a acreditar no fato de que ninguém conseguia esconder algo de uma esposa preocupada.

Tsuzura olhou para os olhos inseguros de Mary, não conseguindo acreditar na mentira descarada que acabara de ouvir, “Você tem certeza? Você pode me contar sobre o pesadelo se quiser, você sabe que eu nunca vou te julgar.”

“Eu acho que não quero falar sobre isso agora.”

Observando a esposa com atenção, suspirou pesadamente em derrota, a preocupação flamejando com força como fogo em seu peito, mas respeitando a privacidade de Mary, sabia que ela acabaria contando em algum momento, “Você ao menos aceita um pouco de leite quente?”

Saotome apenas assentiu enquanto mexia ansiosamente a barra de seu pijama.

“Eu vou buscar alguns biscoitos também”, Tsuzura falou, beijando a bochecha da loura antes de se levantar e caminhar em rumo a cozinha.

Mary encarou a saída do quarto, Tsuzura desaparecendo de sua visão conforme descia as escadas. Se sentiu um tanto quanto desanimada com o pesadelo que havia lhe perturbado durante seu sono — e agora a perturbava fora dele. Se deitou na cama novamente, tentando achar o conforto que sentia antes de ter sido arrancada de seu sono contra sua vontade.

Não demorou para Tsuzura voltar, mas Mary só percebeu a sua presença quando sentiu uma mão acariciando seu cabelo, “Você realmente 'tá no mundo da lua, hein?”

Mary levantou seu olhar para ela, dessa vez um pequeno sorriso escapando sem que ela percebesse. Tsuzura retribuiu o sorriso, e então mandou Mary se sentar para poder beber o leite e comer alguns biscoitos. Apesar do desânimo, ela tentou saborear o biscoito, não querendo fazer desfeita mesmo não sentindo vontade de comer.

Elas ficaram em silêncio confortável, apenas o som de Tsuzura devorando os biscoitos era audível. Tsuzura tomou um gole de achocolatado e colocou um biscoito inteiro na boca. Mary sentiu vontade de rir do paladar infantil da esposa, mas em vez de rir, continuou a idolatrá-la em silêncio.

Agora já se sentia muito mais calma do que antes, então foi direto ao assunto antes de sua coragem se esvair, “Nesse pesadelo você tinha ido embora e tudo ficou escuro, foi um dos piores pesadelos que eu já tive.”

Tsuzura, ainda de boca cheia, olhou surpresa para sua esposa. Mesmo sabendo que normalmente Mary sempre começava a dizer como se sentia sem muitos “preparativos”, ainda se surpreendia todas as vezes em que ela começava a falar diretamente o que queria.

Esperou Mary dar continuidade antes de dizer algo.

“Uma escuridão esquisita me puxou para baixo. Quanto mais eu me mexia ou pedia ajuda, mais eu me afundava.”

“E foi nesse momento que você acordou?”

“Exatamente” Mary olhou para baixo um tanto insegura, evitando o olhar preocupado de Tsuzura.

Tsuzura mirou Mary, a angústia e a preocupação crescendo novamente em seu peito, ver Mary chateada partia seu coração. Não desperdiçou tempo antes de se jogar nos braços dela em um abraço apertado, “Você é muito importante para mim, eu nunca te deixaria e você sabe bem disso. Eu não me casaria com você para te deixar logo depois.”

O coração de Mary apertou, sua visão se tornando um pouco embaçada graças às lágrimas que ameaçavam escorregar. Ela se sentiu estúpida e tola por querer chorar tão facilmente, “Sim, eu sei.”

Mas estava tudo bem mostrar seus momentos de fragilidade e vulnerabilidade para Tsuzura, estava ciente disso.

“É a primeira vez que você tem esse tipo de pesadelo?” Tsuzura se afastou um pouco apenas para poder encará-la e secar as pequenas lágrimas que quase saíam dos olhos âmbar de Mary, mas ainda mantendo um de seus braços firmes na cintura dela.

“Sim. Foi realmente estranho, isso nunca aconteceu antes e eu acho que não entendi o porquê disso acontecer agora”, Mary respondeu com incerteza, se perguntando se realmente não entendia ou se estava evitando pensar que poderia ser alguma insegurança mal resolvida que permanecia escondida em algum lugar.

A segunda possibilidade era a mais provável, e no fundo tinha conhecimento desse fato, mas havia mais facilidade em fingir que não. Simplesmente ignorar essa possibilidade era mais fácil para si.

Tsuzura obviamente não acreditou tanto nas palavras incertas de Mary, ela a conhecia bem e Mary sabia disso. Mas novamente, ignorar certos problemas parecia mais fácil, porque não conseguia admitir muitas coisas em voz alta, e sabia que Tsuzura estava ciente de que ela pensava assim.

Tsuzura deixaria passar dessa vez, no entanto.

Com os braços firmes na cintura dela, ela se aproximou novamente e deixou carinhosamente pequenos selares leves no pescoço da mulher, que se arrepiou instantemente. Tsuzura sorriu satisfeita e segurou o rosto de Mary com suas mãos, beijando-a suavemente

“Você quer continuar falando sobre isso ou quer se distrair um pouco? Eu sei que é madrugada agora mas não é bom dormir de mau humor.”

Mary negou com a cabeça, “Não, eu já disse o suficiente para você pegar a mensagem, eu preciso me distrair”, Mary respondeu, coçando seu pescoço envergonhada.

Tsuzura riu e beijou a bochecha de Mary, “É bom saber que você mesma já sabe que eu pego rápido suas “mensagens.” E você não precisa se forçar a falar muito, eu vou entender de qualquer maneira, continue fazendo as coisas no seu tempo, certo?” Ela sorriu gentilmente, Mary sentindo o calor diário em suas bochechas que ela tinha que lidar todos os dias.

“Obrigada por me entender e ser tão compreensiva comigo. Você é a única que entende que eu tenho um pouco de dificuldade sobre isso”, Mary timidamente tirou as mãos de Tsuzura de sua cintura para segurá-las, sua voz suavemente pronunciando o mais sincero possível as palavras que ela sempre dizia e cuidava com muito amor, “Eu te amo.

Os olhos de Tsuzura brilharam, ela se jogou alegremente em cima da esposa mais uma vez, fazendo ela cair se deitando na cama, subindo em cima do colo dela, “Eu sempre vou me esforçar e fazer meu melhor por você igual você sempre fez e faz por mim, eu também te amo! Muito, muito, muito!”

E então Mary foi atacada por inúmeras sequências de beijos carinhosos em seu rosto, fazendo-a rir incontrolavelmente, seus sentimentos ruins evaporaram instantaneamente.

“Tsuzura! Você vai acabar me matando!” Ela tentou dizer enquanto ria, Tsuzura segurando seus pulsos para não se soltar, parando apenas para jogar uma piada.

“Eu vou matar você de amor!”

Mary foi sufocada carinhosamente por alguns minutos, até elas se cansarem e deitarem na cama rindo, “Eu me casei com uma idiota do caralho”, Mary falou entre risadas, virando o rosto para olhar Tsuzura, “Mas você é uma idiota fofa.”

Tsuzura sorriu timidamente, “E você gosta da minha idiotice.”

“Claro que eu gosto, seria difícil não gostar de tudo em você. Agora vem cá, vamos dormir juntas.”

Tsuzura puxou Mary para um abraço, que se aconchegou confortavelmente sobre o peito dela, sussurrou um boa noite para a esposa e então esticou um pouco seu braço para desligar o abajur.

Mary não teve pesadelo algum no restante daquela madrugada.