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Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-03-18
Completed:
2025-12-19
Words:
4,462
Chapters:
2/2
Kudos:
12
Hits:
163

Amor e Biscoitos de Gengibre

Summary:

Naquela simbólica véspera de Natal, Seungkwan desejava fazer uma surpresa ao seu noivo mestiço, Hansol, a fim de amenizar a saudade que o mais novo sentia da própria família e dos costumes do país em que nasceu. Ele só não esperava que daria tão errado.

Verkwan (Vernon + Seungkwan) • Romance

Notes:

Oi, Carat!
Escrevi esta oneshot na véspera do Natal de 2022, mas acabei não postando aqui, apenas no site vizinho. Espero que goste!

Chapter 1: Amor em Seoul

Chapter Text

Ingredientes para o melhor biscoito de gengibre das nossas vidas:

Farinha de trigo

Gengibre em pó

Canela em pó

Cravo-da-índia em pó

Noz-moscada ralada

Fermento em pó

Sal

Manteiga

Açúcar mascavo peneirado

Melado de cana

Ovo

Muito amor envolvido

Já fazia cerca de meia hora desde o instante em que Boo Seungkwan entrara no supermercado do bairro, carregando uma lista de ingredientes necessários para sua surpresa de Natal. O homem de cabelos loiros passeava pelo local à procura dos itens, por vezes solicitando apoio do famigerado Google. Tudo havia começado naquela manhã, quando o rapaz criado em Jeju organizava o apartamento que dividia com o noivo, Chwe Hansol, e o vira conversando com a progenitora por meio de uma chamada de vídeo.

— Eu sei, mãe. Eu já tinha falado com a vovó que passaria esse Natal com o Seungkwan. — Ouvindo a menção ao seu nome, o mais velho do casal parou discretamente na porta do estúdio, a fim de entender o rumo daquele diálogo.

— Sim, Han, mas você sabe que ela sente sua falta. Todos nós sentimos — respondeu a mulher em um tom afetuoso. — E eu gostaria muito de conhecer meu genro.

— Eu também sinto muita saudade de vocês. — A voz de Hansol era serena, mas o outro conseguia identificar uma pitada de abatimento. — Prometo que estaremos juntos no próximo Natal, tudo bem? Vou conversar com o Seungkwan sobre viajarmos pra aí. Com certeza ele vai gostar da ideia.

Hansol era um jovem birracial — sua mãe era estadunidense e seu pai, sul-coreano — que se mudara para Seoul aos seis anos de idade com a família. Conheceu Boo durante o início da fase adulta, quando o menino de Jeju fora para a capital na intenção de iniciar o estudo superior. Aproximaram-se rapidamente, apaixonando-se um pelo outro não muito tempo depois. Não foi surpresa para nenhum dos conhecidos da dupla quando evoluíram a amizade colorida para um relacionamento amoroso oficializado. Não havia nada de tão diferente, afinal, a não ser pelos beijos trocados de forma mais livre e menos tímida.

Com a separação dos progenitores de Chwe, os membros ocidentais de sua família haviam decidido voltar ao país de origem. O rapaz de cabelos castanhos, cuja maior parte da vida fora passada na cidade sul-coreana, optou por não acompanhá-los, comprometendo-se em fazer algumas visitas aos Estados Unidos. Todavia, naquele ano em que havia sido pedido em casamento, Hansol escolheu romper a tradição e passar o Natal com o futuro marido.

Inicialmente, a notícia despertara imensa felicidade em Seungkwan, até ouvir aquela conversa entre mãe e filho. Havia errado? Deveria ter insistido para que o outro visitasse a família materna? E se estivesse arruinando a relação deles? Pensamentos intrusivos borbulhavam em sua mente, mas ele ansiava por encontrar uma forma de amenizar a saudade que o mais novo sentia da própria família e dos costumes do país em que nasceu.

— Como vocês comemoravam o Natal na sua casa, Sollie? — O loiro perguntou, sua cabeça apoiada no peitoral do mestiço. Estavam deitados na cama, acalentados pelo edredom naquela noite gélida.

— Você já ouviu falar naqueles biscoitos de gengibre decorados? Vovó e eu fazíamos alguns deles pra ceia. Meus biscoitos sempre saíam horrorosos, mas todo mundo dizia que estavam lindos. — Riu ao compartilhar aquelas memórias. Sua mão direita acariciava os fios de Seungkwan. — Os da Hangyeol são melhores, você precisa experimentar. Minha irmã é cheia de talentos.

Foi com essa lembrança que o mais velho decidiu enfeitar a casa dos noivos com biscoitos natalinos e resgatar memórias de infância do homem que amava. Riscando os ingredientes da lista conforme os buscava nas prateleiras do supermercado, Boo optou por pedir uma ajudinha a um especialista em gastronomia no penúltimo item restante.

— Mingyu, me socorre! — chamou ao ouvir a voz do outro lado da linha. — Eu quero fazer algo pro Sollie e 'tô aqui no mercado. Me explica o que diabos é cravo-da-índia e onde eu encontro isso. Tem que ser em pó. — Escutava-o atentamente, procurando o item descrito pelo outro. — 'Tá, entendi. Acho que encontrei. Obrigado, hyung! — Acrescentou o ingrediente em seu carrinho, por fim buscando a farinha.

Realizando um trajeto calmo de volta, Boo adentrou a residência em silêncio, tentando não chamar a atenção de Hansol. Sabia que o mais novo passaria o dia trabalhando no estúdio, tempo mais do que suficiente para o loiro organizar seu presente de Natal. Depositou as sacolas na bancada da cozinha, reunindo os utensílios necessários para a obra de arte a ser produzida ali. Ao menos, era isso que ele achava que aconteceria.

Algum tempo depois, o cômodo estava revirado em confusão: tons de bege pincelados pela cozinha davam um toque sutil de desespero ao ambiente, mas nada se comparava ao estado do menino de rosto arredondado. Com as bochechas infladas e um bico adorável, Seungkwan tentava entender como e por que seus biscoitos estavam queimados. E pior: sequer haviam atingido a textura desejada. Desligou o forno, sendo invadido por uma imensa sensação de fracasso, e sentou-se no chão com as pernas flexionadas. Apoiando a cabeça nos joelhos, o homem disparou a chorar e chutou o fogão em uma ação automática de frustração. O gesto, contudo, resultou em uma panela indo de encontro ao piso, assustando Chwe, que passava em direção ao banheiro.

Preocupado com o que havia acontecido, Hansol correu até a cozinha em busca do noivo. Uma expressão perplexa tomou conta de sua face ao notar toda a bagunça, ainda sem entender a situação. No momento em que seus olhos avistaram Seungkwan aos prantos, seu peito foi dilacerado.

— Ei, amor, o que aconteceu? Você se machucou? — Em um tom calmo, o garoto de cabelos castanhos, agora abaixado ao lado do noivo, analisava cada detalhe do outro, certificando-se de que ele não havia se ferido fisicamente.

— Eu sou um estúpido! — disse em meio aos choramingos.

— Isso não é verdade. Respira fundo, eu 'tô aqui — Chwe assegurou, acariciando lentamente seu cabelo.

— Eu só queria que você se sentisse em casa, mas estraguei tudo! — reclamou em uma voz sôfrega, tentando limpar as lágrimas desobedientes que insistiam em cair.

— Mas, Seungkwannie, eu já 'tô em casa — afirmou sem entender onde o outro queria chegar.

O mais velho inspirou de maneira profunda, cessando o choro, e buscou a mão do companheiro. Observou-o nos olhos, vendo a confusão transparecer nas íris, e decidiu revelar seus planos.

— Desculpa, meu bem — pediu de forma envergonhada. — Eu ouvi um pedacinho da conversa que você teve com a sua mãe hoje cedo e me senti culpado por você não estar com a sua família. Então, eu tentei fazer aqueles biscoitos de gengibre que você fazia com a sua avó, mas não sei o que aconteceu…

Insegurança. Naquelas palavras, o mais novo compreendeu, até sentiu, o que se passava na cabeça alheia. Hansol segurou o queixo de Seungkwan, dando-lhe um beijo gentil.

— Ei… você sabe que eu não sou muito bom em me expressar com palavras, mas, Boo, aqui já é a minha casa. A família do meu pai pode estar longe, a da minha mãe mais ainda, mas você… — depositou um beijo em sua testa. — Você é o meu lar, Seungkwan. Eu decidi passar o Natal com você porque eu te amo, porque agora estamos iniciando uma vida juntos e eu tô muito animado com isso! 

— Mas a sua família…

— Você é a minha família também — lembrou-lhe, mostrando a aliança em seu dedo. — Minha casa é onde você estiver.

Em um movimento ligeiro, Boo abraçou o homem ao seu lado e voltou a chorar. Chwe envolveu o corpo do outro com mais força, ainda preocupado.

— Eu falei alguma coisa errada? — Seu tom era vacilante. — Não chora, por favor…

— Não, não. Eu só sou muito grato por ter você — Boo confessou, depositando um cheiro na bochecha do mais novo. — Eu te amo.

— Eu te amo. Obrigado por fazer isso por mim — agradeceu, beijando-lhe a ponta do nariz. Levantou-se devagar e, em um sorriso singelo, estendeu a mão ao noivo.

— Você quer fazer biscoitos comigo? — Seungkwan perguntou timidamente enquanto aceitava o apoio para ficar de pé. — Acho que você vai precisar me ensinar…

Hansol soltou uma risada baixa e confirmou com um aceno. Deixou um beijo no topo da cabeça do mais velho e buscou o avental, preparando-se para ajudá-lo. Contudo, ao resgatar um dos ingredientes, notou algo inusitado.

Babe, isso é farinha de cevada — sinalizou, apontando o ingrediente ao outro. — Deveria ser farinha de…

— Trigo — completou em uma voz carregada de decepção, levando a palma à própria testa. — Ótimo, Boo Seungkwan! Você é um idiota sem atenção!

As mãos de Chwe capturaram delicadamente o rosto do loiro, os dígitos deslizando nas bochechas vermelhinhas. Aproximou seus lábios sem pressa, deixando um selinho demorado.

— Nunca se ofenda assim, ok? — O moreno pediu em um tom gentil, depositando um beijo cálido na face do amado.

Seungkwan confirmou com a cabeça e puxou o mais novo pela cintura, unindo novamente as bocas. Investiu a língua contra a cavidade úmida e iniciou um ósculo lento quando a passagem foi dada. Passou a mão pelos fios castanhos e entregou-se aos toques gentis em sua nuca, derretendo-se naquele gesto. Beijar Hansol era uma das três melhores coisas de seu mundo, todas envolvendo o homem com quem agora dividia a vida. Apaixonara-se pelo mestiço de jeitinho recluso quase no mesmo instante em que se conheceram. Admirava a personalidade mansa dele, bem como sua capacidade de enxergar o mundo de forma única. Embora muitos o interpretassem de forma errônea, ele entendia e amava o quão singular era Chwe Hansol. E Boo sabia, em seu mais profundo ser, o quão amado era pelo noivo, sem que palavras fossem realmente necessárias.

Finalizaram o beijo com alguns selinhos, roçando os narizes em um gesto de afeto. Trocaram sorrisos cúmplices e retornaram às atividades na cozinha, o local sendo preenchido pelo mais genuíno amor. O jovem mestiço tomou a frente dos preparativos e passou a explicar detalhadamente como poderiam fazer os tão famosos biscoitos, por vezes roubando alguns selinhos do noivo.

— Ei, amor, você tá todo sujo de farinha. Vem cá, deixa eu limpar pra você — sugeriu com falsa inocência, disfarçadamente colhendo uma porção do pó e aproximando-se de Boo. — Tá sujo aqui, ó... — Fingiu apontar, soprando-o no rosto do mais velho.

— EU NÃO ACREDITO, CHWE HANSOL! — O mais velho gritou incrédulo enquanto limpava os olhos e o nariz. Como uma criança que havia acabado de aprontar, o outro se afastou rindo e protegendo o próprio rosto. — Vem aqui agora que eu vou encher a sua cara linda toda de farinha! — esbravejou enquanto seguia em direção ao saco, jogando uma pequena quantidade do pó no pescoço do moreno.

Em questão de instantes, a dupla estava aos berros no chão e havia coberto novamente a cozinha com tons de bege. Encontravam-se numa bagunça de restos de ingredientes, abraços calorosos e muita expectativa em relação àquela virada comemorativa. Independentemente de terem passado por um dia turbulento, o casal acreditava que, unido, poderia enfrentar qualquer coisa.

•••

— Mais pra direita. Mais. Aí! — Boo guiava o moreno, que posicionava os enfeites na parede da sala de acordo com a ordem do noivo. Haviam acabado de arrumar a mesa com os pratos típicos. — Não, espera! Mais pra esquerda. Um pouco mais. Não, você foi mais do que deveria. Ma–

— Seungkwan-ah… — Chwe choramingou. Seu lábio inferior foi projetado para frente, formando um biquinho adorável. — Meu braço 'tá doendo. Tenho certeza de que assim 'tá bom.

— Tudo bem, tudo bem. — Deu-se por vencido e bocejou, sendo atingido pelo cansaço, fruto do dia conturbado. — O que você acha de ficar deitadinho comigo no sofá um pouquinho, hein? — Aproximou-se do outro e apoiou as mãos no torso definido, recebendo um afago nos fios loiros.

A dupla seguiu em direção ao estofado e aconchegou-se ali, Seungkwan descansando a cabeça no braço do mais novo. O sono acabou por vencer ambos os corpos, que dormiam serenamente com as pernas entrelaçadas. Algum tempo depois, Hansol foi o primeiro a despertar, percebendo que faltava pouco para a meia-noite. Observou a expressão tranquila do companheiro, aguardando o relógio marcar o horário esperado.

— Feliz Natal, my Boo — desejou com um selinho demorado, resvalando os dedos pela face redondinha.

— Feliz Natal, Hansollie — respondeu, ainda sonolento, ao abrir os olhos. — Vamos comer nossos biscoitos?