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Os sons de passos ecoavam pela a sala de estar, fazendo Severus revirar os olhos.
— Sei que o tapete já está gasto, mas não acho que ele vá durar muito mais se continuar assim — pontuou observando a criança parar com seu ritual ansioso. Ele estava andando em círculos há, pelo menos, meia hora.
O rosto infantil se contorceu numa pequena careta, antes de voltar para uma expressão sofrida.
— Já passa de meia dia, Sev! Onde ela está? Minnie prometeu que chegaria depois do almoço!
O homem suspirou de maneira audível, fechando o jornal que tentava ler.
— Não existe hora certa para ela chegar, Harry. — Ele respondeu com uma voz calma, ouvindo-o resmungar algo sobre Draco já ter recebido sua carta.
— Mas… Mas e se ela nunca chegar? — antes que Severus se pronunciar, Harry continuou seu monólogo — E se… E se ela vier com aquele nome? — as pequenas esmeraldas começaram a acumular lágrimas — Eu não quero passar por tudo aquilo de novo, Sev. — confessou num sussurro quebrado.
Severus sentiu algo em si partindo em mil pedaços, se pudesse, faria questão de ir até os confins do inferno só para caçar todos que ousaram fazer mal a sua criança. Porém, antes de qualquer coisa, precisava tranquilizar o pequenino.
— Venha cá, Harry — chamou suave.
Não demorou muito para o garoto choroso se acomodar em seu colo. Severus limpou suavemente as lágrimas que manchavam o rostinho infantil.
— Entendo que esteja nervoso, eu também fiquei quando estava esperando a minha carta de Hogwarts, é natural. Mas eu quero que saiba, que independente do nome que estiver escrito, nada e nem ninguém nunca vai mudar quem você é — comentou fazendo um afago nos cabelos revoltos.
Harry fungou de leve esfregando os olhos, que estavam vermelhos pelas lágrimas derramadas, antes de esconder seu rosto no peitoral do homem.
— Você não vai desistir de mim por ser uma aberração, né? — a voz do garoto saiu abafada.
Severus colocou as mãos nas bochechas infantis, fazendo Harry olhar em sua direção. A criança tremia em seus braços.
— Eu nunca desistiria de você, Harry. Independente do motivo, vou estar ao seu lado. Sempre. — garantiu ao menino.
Harry fungou novamente e voltou a abraçá-lo mais uma vez, descansando seu rosto na curva do pescoço do homem. Eles ficaram assim por algum tempo.
Eventualmente a respiração do garoto suavizou e foi possível ouvir um pio familiar vindo da janela aberta. Uma coruja das torres entrou segurando uma carta reluzente em seu bico.
Sentindo-se um pouco mais seguro depois da conversa, Harry foi devagar em direção ao animal. Pegou a carta com as mãozinhas trêmulas, reconhecendo o selo vermelho brilhante.
Quando viu a correspondência, não pôde deixar de sorrir ao ler o nome em que estava endereçada. O garoto se virou para Severus, sorrindo animado enquanto falava: — Pai! Pai! Ela chegou! Minha carta chegou!
Era a primeira vez em anos que Severus ouvia essa palavra, e ele não pôde deixar de sorrir junto ao seu filho.
