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Os raios de sol daquela manhã invadiram o quarto sem mais nem menos, mostrando que o dia estava apenas começando.
A jovem de cabelos azuis e amarelos, que tinha o sono mais leve, já havia despertado, porém sua preguiça matinal a impedia de levantar da cama. Não só a preguiça, mas também o corpo que estava abraçado a si.
Os cabelos verdes que já estavam quase precisando de um retoque eram o que chamava mais atenção no meio dos lençóis, onde uma figura masculina estava completamente apagada.
– Mateo, hora de acordar. – Ela sussurrou, perto do ouvido dele. Sabia que seu namorado tinha um sono extremamente pesado, porém não desistiria de acordá-lo daquela forma tão suave. – Gising na!
– Só mais cinco minutos, tá muito cedo. – Ele disse, com a voz abafada pelo travesseiro.
– Se você demorar muito, não vai dar tempo da gente aproveitar a manhã…
Como um passe de mágica, ele abriu os olhos, ajeitando a posição para que ficasse cara a cara com sua namorada.
Mesmo com os cabelos bagunçados depois de uma longa noite de sono, Tala Nicole estava incrivelmente linda diante dos olhos de Mateo.
– Buenos dias, mi amor.
Ela não admitiria facilmente em voz alta, mas adorava quando ele falava espanhol ao acordar, com aquela voz rouca típica das manhãs. Palavras tão simples como um "bom dia" já conseguiam arrancar faíscas de seu corpo, literalmente.
Ao invés de continuar com o contato visual, ela se aproximou e selou os lábios nos dele, sendo prontamente correspondida e puxada para mais perto. Eles continuaram com o longo beijo quando trocaram de posição, de modo que ela ficasse deitada por cima, numa posição extremamente vantajosa. Suas línguas se tocavam de forma intensa conforme eles mexiam as bocas, sempre competindo pelo domínio um do outro.
– Que energia toda é essa, chica? Essa hora da manhã? – Mateo disse quando separaram os lábios, deslizando a mão suavemente até que encostasse na bunda dela. A única vontade que tinha era de arrancar o short de algodão que ela estava vestindo.
– Você tá perguntando sobre energia logo pra mim? – Tala riu. – Eu aproveitaria se fosse você.
– Acha que eu sou burro ao ponto de perder uma oportunidade dessas? – Ele não esperou uma resposta, apenas tomou os lábios dela em um beijo profundo novamente, ao mesmo tempo em que suas mãos passeavam pelo corpo dela, expondo toda a malícia.
Tomada pelo desejo, ela arrancou rapidamente a blusa de alças que usava, sentido seus seios tocarem o peitoral nú de Mateo, que se deliciava com a vista. Poderiam estar em uma ilha paradisíaca naquele exato momento, mas ele não tinha dúvidas de que a paisagem mais linda de todas estava diante de seus olhos, com uma respiração ofegante e placas de metal em seus ombros que refletiam a luz do Sol.
Os olhos dela faiscaram quando eles voltaram a se encarar, Mateo já havia aprendido que aquilo era um sinal involuntário de que ela estava começando a ficar excitada. Como ele nunca foi de ignorar sinais, voltou a beijá-la intensamente, descendo os lábios pelo seu pescoço no processo.
As ondas de choque que percorriam o corpo da radiante se tornavam cada vez mais intensas com os toques, até que ela já estivesse soltando gemidos baixos.
– Neon! Tá acordada? – A Voz de Jett foi ouvida do outro lado da porta do quarto, juntamente com algumas batidas desesperadas. Um pequeno acontecimento aue foi o suficiente para acabar completamente com o clima.
– Ay naku! – Ela resmungou, com ódio o suficiente para amaldiçoar as próximas três gerações daquela coreana desgraçada. Se ela soubesse que essa seria a consequência, não teria interrompido Jett tantas vezes, mesmo que a grande maioria fosse acidental. – Isso deve ser uma vingança contra a minha pessoa, não é possível!
Tala saiu de cima de Mateo e vestiu a blusa novamente, sem dar a mínima atenção para o fato dela estar do avesso, e se dirigiu até a porta com sua melhor expressão de raiva.
– O que você quer?
– Bom dia pra você também, Neonzinha! – Ela finalmente avistou Gekko deitado com uma expressão confusa e irritada, enrolado nos lençóis. – Atrapalhei alguma coisa?
– SIM! Atrapalhou muito! É bom ter um motivo muito urgente, inclusive.
– Foi mal mesmo, mas a Killjoy precisa de você no laboratório, parece que deu algum problema na fonte de energia dela e você é a única que pode ajudar com isso. – Jett se encolheu um pouco, ciente de que iria levar um choque poderoso se encostasse em Neon naquele momento.
– Não são nem sete horas ainda, ela nunca acorda tão cedo.
– Segundo a Raze, ela nem foi dormir essa noite, ficou trancada no laboratório direto consertando o portal.
Neon suspirou, vencida.
– Certo, diz que eu já tô indo. – A coreana assentiu e foi embora, pouco antes da porta ser batida com força.
A filipina havia ficado muito frustrada com a interrupção. desde que começaram a namorar, ela ainda não havia conseguido passar das preliminares com Mateo, já que sempre aparecia algo para atrapalhar o casal.
– Teo, eu vou ter que ir. – Ela disse, visivelmente desapontada. – Você vem dormir aqui de novo?
– Com toda certeza, chica. – O agente de cabelos verdes levando da cama, ignorando o fato de que estava só de cueca. Ele se aproximou dela e fez um carinho de leve em seu rosto. – Nós podemos terminar o que começamos, o que acha?
– Droga, agora eu vou passar o dia pensando nisso e as horas vão se arrastar. – Ela revirou os olhos, antes de dar um selinho nele.
Dali em diante cada um seguiu seu rumo, visto que tinham tarefas diferentes dentro da Base.
Neon tomou um banho rápido e foi para o laboratório de Killjoy, não sem antes passar no refeitório e pegar um pan del sal que havia guardado na dispensa.
Enquanto isso, Gekko se vestiu com as mesmas roupas da noite anterior e foi direto para o seu quarto cuidar de seus bichinhos gosmentos. Ele passou algum tempo brincando com Thrash, Dizzy e Mosh, além de dar uma atenção especial para Wingman que ainda estava com sono.
Quando viu que a turma havia cansado de brincar, ele decidiu enfim tomar um banho e ir tomar café da manhã, encontrando Phoenix e Yoru em uma das mesas do refeitório.
– E aí cara, como foi ser interrompido de graça? – O britânico perguntou sem mais nem menos.
– Caraca, as fofocas correm rápido mesmo aqui. – Gekko se sentou junto com eles, desviando o olhar para sua bandeja com torradas, ovos mexidos e um copo de café preto.
– Eu disse pra Jett que ela daria uma ótima jornalista, e aí ela me deu uma cotovelada.
– Que namoro saudável. – Yoru comentou depois de enfiar uma porção de arroz na boca, antes de se virar para Gekko. – Mas falando nisso, é muito legal que você e a Neon estejam se dando tão bem. Ela não queria muito contato contigo quando você começou no protocolo. Mas é bom saber que se magoá-la, vai ser eletrocutado.
– Namorar uma radiante é meio complicado, mas é bem maneiro. – Phoenix comentou com seu típico bom humor, deixando o americano sem entender, seu sotaque britânico era bem forte isso complicava bastante quando ele se ficava animado. – Tipo, quando eu me empolgo com a Jett, às vezes a temperatura passa do limite. Eu morro de medo de acabar queimando ela sem querer. A sorte é que ela é quase um ventilador humano, então o quarto nunca fica abafado.
– Cara, imagina o Yoru com a Skye, eles no rala e rola e do nada ele desaparece! – Gekko começou a rir com a própria fantasia, deixando Yoru emburrado.
– E a Skye ia ficar tipo "QUE PORRA É ESSA?" – Phoenix entrou na onda, quase se engasgando de tanto rir.
Nesse momento, Gekko começou a pensar sobre sua experiência namorando uma garota com poderes de bio eletricidade. A verdade era que ele já estava acostumado com as particularidades de seu relacionamento com Neon, mesmo que ainda fosse recente.
Era comum que ele acabasse levando alguns choques quando a pegava de surpresa, ou quando ela estava irritada e ele insistia em dar um beijo para diminuir a irritação – o que sempre acabava deixando seus lábios dormentes –, ou até mesmo quando ela ficava muito agitada e acabava queimando alguma lâmpada. por mais caótico que fosse, ele não podia negar que estava adorando cada momento.
– Acho que de nós três, eu sou o que corro menos perigo. – O japonês se gabou. – A Skye até tem muito potencial pra me matar, mas os bichos dela não me alcançam nos rasgos dimensionais. Já a Jett e a Neon matam vocês dois sem esforço se elas quiserem.
– Ah com certeza, até se ela quisesse me empurrar da janela com o vento seria fácil. – Phoenix concordou. – E a Neon, nem se fala, o Gekko só tá vivo porque ela quer.
– Como assim?
– Ué cara, esqueceu que os poderes dela não se resumem a choques estáticos? – Yoru riu da inocência do amigo, mesmo assim, preferiu não comentar sobre a vez que a amiga quase fritou o gerador de energia da base sem querer. – Hoje em dia ela sabe controlar super bem e tal, mas assim como Phoenix ela tem um potencial enorme pra te transformar em churrasco.
O americano ficou pensativo, ele até sabia que a eletricidade de Tala só era liberada propositalmente, ou quando ela sentia emoções e sensações muito fortes, o que poderia fazer com que ela liberasse grandes cargas acidentalmente. Ele se lembrou de quando a beijou pela primeira vez, algo que ela não estava esperando, e por isso acabou sentindo um choque na boca no primeiro momento.
De repente algo veio até sua cabeça, Phoenix havia mencionado que tinha medo de perder o controle na hora do sexo, e se… Neon tivesse o mesmo problema? Se sua teoria estivesse certa, ele estava correndo um sério risco de levar um choque em um lugar específico demais, e imaginar aquilo foi o suficiente para lhe dar calafrios.
A pior parte era a culpa que ele estava começando a sentir por teorizar daquele jeito. Mais cedo ele havia ficado frustrado por não ter conseguido ter um momento bom com Neon, e agora estava assustado com essa possibilidade. Como ele conseguiria dar prazer para sua namorada se estava com medo de ser eletrocutado?
– Hey, cara, você tá bem? Ficou sério do nada. – O britânico questionou.
– A-ah, tô sim, tava viajando aqui. – Ele tentou parecer tranquilo, o que claramente não funcionou, mas felizmente os outros dois agentes decidiram não insistir.
Depois de terminar o café da manhã, ainda tenso, Gekko se despediu dos amigos e disse que iria para o simulador de tiro esfriar a cabeça, já que as novas inseguranças em relação a Neon estavam o matando.
Ele caminhava de forma despreocupada pelos corredores com o celular na mão, até que conforme se aproximava de seu destino, conseguiu escutar algumas vozes. Ele abaixou atrás de um vaso de plantas, apenas o suficiente para conseguir ver o que estava acontecendo.
– Até parece que eu vou entrar em detalhes com vocês, parecem duas velhinhas fofoqueiras. – Ele reconheceu a voz de sua namorada, a última pessoa que queria ver no momento. Além dela, pôde ouvir as risadas da agente coreana e da brasileira.
– No Brasil chamamos de maria fifi. – Raze acrescentou.
– O Phoenix disse que eu daria uma ótima jornalista, aí eu dei uma cotovelada nele. – Jett soltou despreocupada. – Mas nem precisa detalhar nada, se a situação esquentar, nós vamos saber.
– Né não? Se a base começar a piscar igual uma árvore de Natal, é porque você e o Gekko estão aproveitando MUITO. – As duas riram da cara emburrada de Neon. Para elas era como ver o bebê do protocolo se tornando uma adulta – por mais que ela já fosse maior de idade e tivesse apenas dois anos a menos que a coreana – O que era um motivo de orgulho e certamente de zoação.
– Vocês duas são impossíveis. Até poderia ter acontecido se alguém não tivesse me atrapalhado. – A filipina resmungou.
– Falando nisso, você conseguiu resolver o problema dos vibradores? – A coreana questionou, aquele era um dos poucos assuntos que não haviam se transformado numa enorme fofoca ali dentro. – Tipo, deu pra consertar depois do acidente?
– A Killjoy falou que a situação foi feia dessa vez.
– É, não teve jeito. Já é o quarto vibrador que eu acabei fritando sem querer, e olha que esse era pra ser mais resistente a carga alta. – A filipina admitiu sem ânimo.
Tudo havia começado há alguns meses, quando Neon pediu um vibrador pela internet. Tudo havia sido feito em quase total sigilo, já que ela pediu para Fade – seu antigo caso – recomendar alguma loja. O problema começou quando a encomenda chegou e ela resolveu testar, e felizmente ou não, o produto era tão bom que ela acabou causando um curto circuito nele em um dos primeiros usos. Para piorar a situação, isso aconteceu outras vezes, até que ela pediu ajuda para a agente alemã, o que também não funcionou.
– Eu amo os meus poderes, não trocaria eles por nada, mas essa parte de eletrocutar vibradores não é muito legal. – A filipina comentou, fazendo as amigas rirem.
Nesse momento, Gekko sentiu o suor percorrer pelo seu corpo, aparentemente sua teoria estava certa e Neon realmente tinha um potencial bem grande para causar danos durante o sexo.
Ali, ele perdeu toda a vontade de treinar, e se sentiu ainda mais culpado por ter escutado aquela parte da conversa, porém sua curiosidade falou mais alto. Talvez a fofoca realmente fosse contagiosa.
………..
– É sério que você quer ahn… estudar física? – Killjoy, a gênia do protocolo, pensou que teria um dia dentro do comum. Alguns problemas com o portal dimensional, uns experimentos novos no laboratório, até mesmo um almoço particular com Raze, mas suas expectativas mudaram quando ela deu de cara com o agente novato pedindo para ter acesso aos materiais de eletrofisica que ela possuía. – Não sabia que você gostava dessas coisas.
Depois de se trancar no quarto e tentar achar alguma solução para seu problema de vida ou morte, ele finalmente havia tido uma ideia inteligente. Iria aprender tudo o que pudesse sobre os poderes de Neon e encontraria uma solução baseada na ciência. Obviamente seria um caminho bem mais fácil apenas pedir ajuda para Killjoy, mas ele não se sentiu tão a vontade a esse ponto, até porquê, com certeza ela iria contar sobre aquilo para Raze, e a agente brasileira não conseguia segurar a língua.
– Sabe como é, eu e a Neon estamos namorando agora, e eu queria entender mais sobre os poderes dela.
– LIEBENSWERT! – Ela gritou, como se esse fosse capaz de entender alemão. Ela estava com algumas olheiras fortes em baixo dos olhos, e claramente estava se mantendo acordada a base de muito café, então era de esperar que ela perdesse um pouco do pouco sentido que tinha. – Eu adoraria que a Raze tivesse esse interesse todo em nanotecnologia, mas ela claramente prefere coisas explosivas e escandalosas. Da última vez que tentamos programar juntas ela conseguiu sujar o teclado de tinta! Até hoje eu me pergunto como aconteceu, es war eine riesige Katastrophe!
Ele apenas ouviu em silêncio, sem saber exatamente como responder.
– Você bem que poderia perguntar para a Neon também, ninguém vai saber te falar melhor sobre os poderes dela do que a própria. – Killjoy tirou alguns livros de sua prateleira, juntamente com um pequeno drive que continha explicações teóricas e tudo que Gekko precisava saber sobre eletricidade. – Mas de qualquer forma, pode levar esses aqui, vão até ajudar bastante
– Valeu, Kiki.
– De nada, lehrling. – Ela sorriu. – Agora vá estudar, que eu tenho um sistema de portais para programar.
E assim, o americano se viu obrigado a sentar na sala de descanso e estudar física.
Ele nunca havia sido alguém muito genial na época da escola, tirava notas suficientes apenas para passar de ano e passava a maior parte do tempo praticando algum esporte ou ouvindo música com seus amigos, isso quando não fugia das aulas de cálculo.
E sinceramente, ele não se lembrava que física poderia ser tão absurdamente difícil.
Agora, depois de todo aquele tempo longe da escola, ele precisava aprender o máximo possível sobre cargas elétricas e condutividade se quisesse arranjar um jeito de ter uma noite de sexo com Neon sem levar um choque sabe-se lá onde.
Depois de perder completamente a noção do tempo em meio a tantas fórmulas e textos complexos, ele já estava enxergando tudo embaçado. A sala de descanso permanecia em silêncio absoluto já que vários agentes estavam em missão naquele dia, então até isso já estava se tornando um obstáculo, uma vez que a falta de som estava o fazendo enlouquecer.
Apesar de sua concentração, ele ainda não havia pensado em nada que pudesse ajudá-lo. Até pensou em usar um traje de proteção como os que os funcionários da Kingdom usavam nos laboratórios de radianita, mas seria impossível criar um clima agradável com uma daquelas roupas
Até pensou em pedir para Neon usar seu regulador de energia, porém sabia que aquilo poderia ser bastante desconfortável para ela.
Diante daquele momento de foco, ele mal percebeu quando alguém adentrou correndo na sala, ignorando completamente os pedidos da chefia para não correrem pelos corredores da base.
– Teo, o que você tá fazendo? – Neon, em carne e osso, estava encostada na porta, encarando o namorado com um semblante confuso. Desde que se conheceram ela nunca havia visto ele tão concentrado em… livros.
– Ah, não é nada mi amor, só umas coisas que… a Killjoy me mandou ler. Sabe como é, né? Ela não quer que eu seja um completo leigo sobre o protocolo. – Ele respondeu desajeitado quando se recuperou do pequeno susto, fechando discretamente o livro que estava lendo e se levantando da cadeira, carregando consigo todo o material emprestado. – Eu vou lá devolver isso tudo pra ela, nos vemos a noite, tá legal?
Deixando uma Neon extremamente confusa e desconfiada para trás, ele saiu da sala em passos apressados.
…….
O laboratório de Killjoy estava vazio naquele momento, já faziam algumas horas desde que Gekko havia pego os livros, então ele apenas colocou tudo em cima da mesa e mandou uma mensagem para a dona, agradecendo pelo empréstimo
No caminho de seu dormitório, por estar tão distraído com seus pensamentos, ele acabou esbarrando na curandeira do Protocolo Valorant, que por sua vez, carregava várias caixas com instrumentos médicos, que por pouco não chegaram a cair.
– Perdóname, Sage! Eu não estava prestando atenção.
– Sem problemas, Gekko, por sorte eu não derrubei nada. – Ela notou o semblante esquisito que ele exibia, geralmente era alguém tão confiante e alegre. – Por que você não me ajuda a levar essas caixas para a enfermaria?
Ele assentiu no mesmo momento, pegando a maior parte das caixas dos braços dela e deixando só as que possuíam frascos de remédios, já que não eram tão pesadas e acabavam sendo mais frágeis.
A maior parte do trajeto foi feita em silêncio por parte de ambos, Sage havia apenas explicado que estava repondo os equipamentos para quando os outros agentes voltassem da missão, já que provavelmente alguém precisaria de cuidados médicos. Ele apenas a seguiu pelos corredores da base, cumprimentando qualquer funcionário que passasse por eles no caminho.
Quando chegaram na sala de primeiros socorros, a médica pediu que ele a ajudasse com a organização, já que aparentemente não tinha nada melhor para fazer naquele momento. Gekko parecia concentrado na tarefa de guardar os remédios, até que a chinesa quebrou o silêncio.
– Tem algo te incomodando? Você costuma ser tão falante. – Ela foi gentil em seu tom de voz, dando espaço para que ele se abrisse.
Gekko pensou um pouco antes de falar, escolhendo com cuidado suas palavras.
– Sage, quantos volts são necessários para matar um ser humano? – A pergunta específica a deixou confusa, porém ela logo tratou de responder.
– 100000 volts já matam uma pessoa em situação normal.
Ele ficou pensativo. Havia lido nos livros que os volts eram usados para medir a intensidade de correntes elétricas. Talvez mesmo tendo um alto potencial energético, a carga de Neon não passasse muito daquilo, apenas o suficiente para matar alguém caso ela fizesse esforço.
– E… quantos volts mais ou menos a Neon tem no corpo dela?
– Aproximadamente umas dez mil vezes mais do que isso, a voltagem da carga da Neon costuma passar de um bilhão de volts. – Ela disse com toda a naturalidade possível, sem saber que estava assinando um atestado de óbito para o jovem latino.
Se ele estivesse certo em sua teoria, iria virar churrasco, seria completamente frito em questão de segundos. Ele engoliu em seco imaginando a cena, o que não passou despercebido pela médica.
– Aconteceu alguma coisa entre vocês? Está com medo dos poderes dela?
– Não, não é isso. É que… – Gekko resolveu abrir o jogo com ela. Além de ter uma faculdade de medicina nas costas e não ser tão infantil como seus amigos, ele sabia que Sage poderia dar bons conselhos. – As coisas começaram a esquentar entre a gente e… bem, eu tô com medo de levar um choque feio, você sabe onde.
No primeiro momento ela apenas manteve uma expressão neutra, mas depois permitiu exibir um sorriso discreto.
– A sua preocupação é completamente válida, mas eu acho que você deveria conversar com a Neon antes de ficar tão assustado. – Ela abriu uma gaveta e tirou um pirulito de açúcar, jogando para ele como se fosse uma pediatra com seus pacientes. – De todo o protocolo, ela é uma das melhores no quesito controle, então pode ficar tranquilo que ela jamais iria te machucar.
– Tudo bem, eu vou conversar com ela. Obrigado pelo conselho, Sage.
– Boa sorte. – Ela sorriu.
…….
Depois de um dia repleto de insegurança e nervosismo, Gekko finalmente havia retornado para seu quarto, onde pensou que teria um pouco de paz e tranquilidade para pensar antes de encontrar Neon.
Ele abriu a porta pela tranca digital e esperou ver seus bichinhos entediados dentro do espaço que havia construído para eles, porém a cena que encontrou era completamente diferente.
Neon estava sentada no chão, fazendo carinho em Dizzy e segurando Wingman nos ombros, enquanto Thrash e Mosh flutuavam ao redor dela. Por mais incomodado que estivesse, Gekko não pode deixar de admirar a visão de sua namorada incrível brincando com seus monstrinhos de estimação por pura e espontânea vontade.
– Você demorou. – Ela disse quando seus olhares se cruzaram, sem esconder a expressão séria. – Vai me contar porque estava fugindo de mim?
Ele tinha se dado conta de que estava a evitando, e tinha total noção de que não era algo legal de se fazer, ainda mais no começo do relacionamento onde eles ainda estavam aprendendo a confiar um no outro. Ele se pegou lembrando do que havia escutado sobre os vibradores e da conversa com Sage, então decidiu abrir de vez o jogo, não queria acabar magoando Tala pela falha de comunicação.
– É que… eu estava conversando com os caras hoje mais cedo, sobre como era namorar radiantes poderosas, e aí eu comecei a pensar numas coisas. – Mateo começou, enquanto sua namorada o incentivou a continuar. – Até então eu tava tranquilo, até que eu tive a ideia de ir pra sala de treinamento e sem querer escutei um pouco sua conversa com as meninas… sobre os vibradores.
Naquele momento ela ficou bastante surpresa, mas entendeu na mesma hora o que estava o deixando tão aflito.
– Eu sei que você deve estar assustado mas…
– Não é a questão de eu estar assustado com a possibilidade de você fritar o meu pau, é que eu tô me sentindo super culpado por estar com medo de transar com você. – Ele disse de uma vez, ignorando completamente que os seus bichinhos assistiam a cena.
– Teo, não precisa…
– Tipo, eu queria muito ter um momento legal, sabe? Você é tão gostosa, e eu tava deixando as coisas fluírem naturalmente entre a gente. O que eu mais quero é que você aproveite, pero ahora todo en lo que puedo pensar es en lo estúpido que soy por tener miedo de que me conviertas en un asado!
Ela bateu na própria testa quando ele começou a misturar espanhol no meio de suas palavras desesperadas.
– MATEO! – Tala o interrompeu. – Relaxa, eu não vou fritar você.
– Como não? Eu passei o dia todo tentando pensar numa solução.
Sem dizer nada, ela apenas se levantou e saiu do quarto, pedindo que ele a seguisse. Os dois andaram pelo corredor dos dormitórios até o quarto dela. Sem mais nem menos, a filipina trancou a porta e foi até as gavetas de sua cômoda, de onde tirou um pequeno pacote de plástico, que Mateo identificou como uma camisinha.
- Tá vendo? Isso aqui é de borracha, um material que não conduz eletricidade. – Ela explicou, imaginando que ele sabia de algo tão básico como aquilo. – Basta você colocar isso e pronto, acaba com qualquer chance de levar um choque.
Sentado na cama, ele ficou incrédulo ao ver que a solução era tão óbvia.
– É tão simples assim? – Ela assentiu. –Mas e o acidente dos vibradores?
– Aconteceu porque eu não usei nada pra protegê-los, foi direto na pele, e também porque eles são dispositivos elétricos muito frágeis. – Tala andou até ele e se sentou em seu colo, passando os braços por seu pescoço. – Teo, eu garanto que não vou te fritar.
Ele riu, seu medo era bobo no final das contas. O clima que antes era tenso se tornou agradável em questão de segundos, e agora, ambos estavam cientes do que viria a seguir.
– Como eu posso ter certeza? – Caindo no joguinho dela, Mateo deixou um beijo demorado em seus lábios, descendo sem enrolação pelo pescoço.
– Só testando então.
Sem enrolação, ela o ajudou a tirar a regata que ele vestia, antes de arrancar seu top de academia e jogá-lo em um canto qualquer do quarto.
Sem a menor pressa, já que dessa vez não seriam interrompidos, eles voltaram a se beijar intensamente, com as respirações descompassadas, e sem se importarem com a bagunça que estavam fazendo.
Mateo começou a descer os lábios em direção aos seios de Tala, arrancando gemidos não tão baixos dela conforme deixava chupões generosos ali, enquanto sentia as mãos dela segurando na parte de trás de sua cabeça, vez ou outra acariciando seus fios de cabelo.
Ele a segurou no colo e a colocou deitada de uma vez, notando o quão excitado ele já estava apenas com aquele simples ato.
Sua namorada era incrivelmente linda, e ele iria aproveitar cada parte do corpo dela naquela noite.
Tala aproveitou a separação rápida para tirar a parte de baixo de sua roupa, se entregando à luxúria e ficando completamente nua em cima do colchão, sentindo uma onda de confiança ao ver o quão apaixonado era o olhar de Mateo sobre si.
Sem mais nem menos, ele tirou o restante de suas roupas e pegou o pacote de camisinha que havia ido parar no chão, abrindo-o com cuidado e vestindo sobre seu membro duro.
– Vamos ver se isso funciona mesmo. – Comentou, se deitando por cima dela, sussurrando em seu ouvido. – ¿Crees que puedes manejarlo, amor?
– Achei que iria querer fazer tudo sozinho.
Tala inverteu os lugares, ficando por cima dessa vez. Ela ajeitou a posição de sua intimidade na dele, iniciando os movimentos lentos e precisos com os quadris, ao mesmo tempo em que ele procurava explorar todos os seus espaços.
A velocidade ali era a verdadeira inimiga do prazer que ambos buscavam, já que seus movimentos lentos e fortes possuíam certa sincronia. Eles queriam que aquilo durasse o máximo possível.
Em momento algum Mateo levou um choque, mas não pode ignorar a descarga elétrica que sentia a cada estocada, ou simplesmente quando encostava os lábios nos de Tala, o que ele desconfiava que não tinha nada a ver com os poderes de radiante dela.
Quando ambos finalmente alcançaram seus ápices, ela se permitiu relaxar ao lado dele na cama, enquanto recuperava o fôlego para as próximas rodadas daquela longa noite. Seus dedos deslizavam pelo peitoral nú, repleto das mais variadas tatuagens, enquanto soltava pequenas faíscas inofensivas. Não haveria missão urgente o suficiente para tirá-los daquele momento, onde apenas o calor de seus corpos
era importante.
Aquela era a primeira vez que haviam feito sexo desde que iniciaram o relacionamento, mas ambos tinham certeza de que estavam adorando cada faísca de eletricidade que conseguiam criar quando estavam juntos, e assim, aproveitaram aquela noite como se fosse a última, mesmo que na realidade, fosse apenas a primeira.
