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Nas sombras do mundo, espiões estão sempre pelo mundo para salvar os países aliados que precisam e que ajudam a continuar com a paz do mundo, entre os grupos de espiões há alguns com grandes prestígios e um deles era o Twice, o qual possuí grandes conquistas ao parar vilões considerados insanos e com grandes planos de dominação ou destruição mundial, sempre conseguindo sucesso mesmo quando houvessem erros, pois davam tudo de si.
Com sua alta taxa de sucesso, muitos outros espiões achavam que o Twice era um grupo extremamente organizado e que deveria ser fácil para Park Jihyo, a líder do grupo, comandar todas as outras 8 espiãs de forma correta, já que poucas coisas pareciam sair do seu controle, porém ela precisaria discordar de cada um deles se não achasse que isso mostraria uma fraqueza do grupo, por isso no fim ela apenas respondia que elas faziam funcionar e dava um sorriso educado, algo que ela já havia feito inúmeras vezes aquele noite em um jantar entre os espiões da JYPE e que, por algum motivo, era obrigatório.
Para ser sincera, Jihyo não se importava com esses jantares secretos dados pelo seu chefe, afinal até gostava de interagir com os outros espiões com grandes sorrisos e experiências para contar, apesar normalmente mais ouvir do que contar suas próprias histórias. Porém, se a perguntassem, ela realmente preferia permanecer no prédio dela com o resto de sua equipe em um jantar particular, pois algumas delas como as meninas do Cryphtography não eram extrovertidas e acabavam não gostando tanto de reuniões assim, porém seu principal motivo era a sua namorada.
Jihyo sabia que Sana sempre foi uma borboleta social e, diferente de si que fazia isso por ser importante ter conexões, se comunicava com todas pessoas possíveis por diversão e simplesmente por ser uma das pessoas que gostava de conversar. Porém, se alguém perguntasse, ela lhe diria que não estava com ciúmes e nem havia motivo para tal, afinal a namorada sempre demonstrava seu amor nas pequenas e grandes coisas que ela guardava em seu coração ou no cofre em seu escritório e ela só estava observando a japonesa enquanto conversava com Haewon, a líder de um grupo de espiãs novas da empresa e que queria tirar dúvidas, apenas por ter cuidado com seus membros.
No entanto, ela sabia que ninguém lhe perguntaria sobre ciúmes, pois ninguém sabia do seu relacionamento com Sana além dos membros de seu próprio grupo e essas estavam espalhadas conversando entre si ou com outras pessoas com quem tinham alguma afinidade. Ela também não iria arriscar que alguém soubesse do segredo que era o relacionamento dentro do grupo, algo que não era proibido, porém era complicado para explicar e podia causar problemas para todas, especialmente para ela e Sana.
Jihyo sabia também que a realidade era que estava com um pouco de ciúmes, porém não pelo fato de Sana estar dando atenção para outras pessoas e naquele momento estar rindo com Bang Chan, líder de outro grupo de espiões e amigo de longa data da japonesa, mas sim porque ela não podia dar atenção a namorada e nem ter a atenção que gostaria.
Era meio ruim para si que elas não podiam dar as mãos e nem se abraçar ali na frente das pessoas para não chamarem atenção indesejada para o Twice e deviam permanecer assim, Jihyo sabia racionalmente disso. No entanto, sua parte mais irracional e apaixonada queria poder apresentar Sana como namorada a todos, especialmente por causa do período em que esconderam isso das outras membros por causa das suas preocupações e deixou todos pensarem que não a amava0, apesar disso sabia que estava tudo bem do jeito atual para as duas, pois agora Sana poderia pelo menos agir melosa em casa e receber uma boa resposta na maioria das vezes, afinal elas podiam finalmente agir como namoradas na frente das outras do Twice.
- Olá Haewon, posso roubar a Jihyo de você por um minuto?
Jihyo saiu do piloto automático, enquanto estava perdida pensando em Sana, e virou observando Momo a olhar meio nervosa, mesmo que ninguém fosse notar isso já que ela disfarçava em um sorriso doce e só quem a conhecia podia perceber seu nervosismo, porém era normal a japonesa mais velha ser um tanto nervosa no meio de tantas pessoas, só que era fora do comum se aproximar dela assim já que normalmente evitava se misturar muito ao ficar com Tzuyu e Mina em algum canto.
- Claro, eu vou ver como minhas meninas estão - disse Haewon sorrindo – Vejo vocês depois.
- Okay, Jinni estava com Sullyeon conversando com Tzuyu na última vez que vi!
Jihyo e Momo sorriram e acenaram para mais nova que se afastou, ela sabia que Momo e Tzuyu ajudaram a treinar Jinni quando ainda não estavam no Twice e então tinha um carinho pela mais nova, porém não esperava que elas conversassem já que todas as três pareciam tímidas demais para isso. Ela então olhou para mais velha quando a outra saiu e viu o rosto de Momo ficar sério, acenando para segui-la e as duas continuaram em silêncio até o lado de fora do salão que estavam.
- Então, porque você tá com cara de quem vai me dar notícias ruins? - perguntou séria enquanto ainda seguia a outra até a garagem próxima
- Porque eu vou – disse Momo dando uma risada nervosa
- Você tem algum problema para resolvermos? - Jihyo começou a pensar em todas as possibilidades e o que fazer, ninguém que mexesse com uma delas ia se safar - Alguém falou algo errado sobre você? Mexeram com a Mina? Eu preciso acabar com alguém para o chefe?
- Calma, o problema não está aqui – disse Momo mexendo a mão rapidamente, enquanto andava pelos carros - Alguém invadiu o nosso prédio, um alarme tocou no meu aparelho – ela sacudiu o braço que estava com um bracelete - Sai para ver o que era, então havia pessoas no nosso lar só que conseguiram o acesso as câmeras dos andares acima do solo, então tranquei mais ainda as salas seguras...
- Vamos voltar agora – respondeu Jihyo irritada antes de Momo terminar já vendo sua moto - Você sabe quantos são? Devemos ir todas?
- Eu não consegui ver, por causa das câmeras terem sido capturadas - explicou Momo parando do lado da moto de Jihyo - Porém, com meu equipamento eu consigo achar quem acessou as câmeras e descobri de onde estão, de qualquer modo acho melhor nós irmos logo, mas sem chamarmos todas porque não sabemos o que querem ou se armaram algo – disse Momo séria enquanto sentava - Eu preferia que avisássemos quando estivermos no meio do caminho, poderíamos avisar a Nay, Chaeng, Dubu e a Jeong primeiro, mas deixar Mina, Tzuyu e Sana por último.
Jihyo entendia o sentimento, na realidade se pudesse deixar Momo de fora de qualquer risco também, já que não era das melhores lutadoras assim como as outras três que havia citado e assim seria um risco encontrar um inimigo que realmente lutasse, porém Momo era uma das únicas que sabia destrancar as passagens secretas da casa para poderem entrar sem chamar atenção ou correr riscos desnecessários de ter alguma armadilha.
- Eu concordo – disse Jihyo começando a dirigir – Quando estivermos perto, comece a se comunicar e diga que fizemos um plano, o qual vamos decidir agora, antes você enviar.
O plano criado, após uma pequena discussão, era bem simples: elas iriam entrar por uma passagem secreta para chegar na sala do Cryphtography para conseguir o controle total da casa assim como das câmeras para observar se não havia nenhuma armadilha, porém para evitar que ninguém soubesse o que estava acontecendo, iriam avisar Nayeon para se juntar a Dahyun, Jeongyeon e Chaeyoung para irem para perto da casa e esperarem novas instruções, enquanto as outras saberiam que algo está acontecendo só que deveriam ficar na festa para não alarmar da situação para pessoas da JYPE.
Após o planejamento, Momo começa a avisar as meninas para se prepararem, porém as duas permanecem o resto do caminho em silêncio já que não eram acostumadas a ficarem juntas sozinhas e era até mesmo meio estranho um momento a sós, já que normalmente havia Sana ou Mina e Tzuyu junto. Então, Jihyo preferiu manter a concentração na estrada e no que poderiam ser pego de seu quartel, do que se devia falar mais alguma coisa depois de terminarem de montar essa missão especial.
Ela pensava que o grupo Cryphtography montou um bom sistema de segurança, então para entrar na casa já não deve ter sido tão simples e, por isso, imaginava que quem tivesse entrado era bom suficiente para isso, porém não se sabe se ia ser bom para passar para os niveis inferiores do prédio, onde permaneciam as partes mais críticas e secretas do seu grupo, como informações mais confidenciais e apetrechos importantes, enquanto a parte de cima era mais a casa literal delas e onde faziam as burocracias, como reuniões para receber suas missões.
As duas dão a volta no prédio, entrando em um beco sem saída e Momo abrindo uma porta com senha escondida na parede do outro prédio, uma lavanderia, assim acabando em uma sala branca e quadrada que não parecia dar em lugar nenhum. Jihyo percebeu que a porta se trancou assim que entraram e o bracelete de Momo já estava piscando, então apenas observou a outra colocar os seus óculos especiais que controlavam o básico de toda a casa, ou até mais que o básico só que Jihyo não sabia o quanto Momo podia fazer com aquilo.
- Vamos para o andar da minha sala, como eu disse antes – disse Momo calmamente – Mas se você quiser ir para outro lugar, podemos parar no andar para você descer...
- Não, vamos seguir o plano que fizemos juntas!
Jihyo respondeu isso com seriedade, não desejava deixar Momo sozinha já que não sabia o que poderia acontecer, apesar que a japonesa mais velha contou que pareciam que não haviam entrado em salas importantes já que não foi avisada.
A sala começou a se mover, as vezes ela esquecia que aquilo era um elevador, pois nunca usava e as duas permaneceram em silêncio até chegar ao andar desejado no subsolo, então caminharam rapidamente com Momo abrindo as salas através do óculos até chegarem a sala do Cryphtography. A sala era bastante arrumada e tecnológica, Momo rapidamente sentou na frente da maior tela que havia ali e começou a digitar algo, enquanto Jihyo resolveu apenas esperar já que não costumava a mexer muito nos objetos dali.
- Eu recuperei alguma das câmeras que havia perdido e são duas pessoas que estão lá, porém parece que estão para sair, pois sua hacker deve ter avisado que está perdendo o controle – disse Momo rapidamente e colocando as imagens na tela, algumas pretas e algumas salas bagunçadas – Avise rapidamente as meninas para observar o se não veem ninguém saindo e ver se conseguem identificar, porém seria bom alguém ir lá em cima para ver o que foi perdido ou se há mais alguém - explicou Momo movimentando a cadeira para abrir uma gaveta – Deixarei nas suas mãos para tomar essas decisões, pois vou seguir o rastro cibernético da pessoa que entrou no nosso sistema, deve haver algo já que a pessoa até tentou entrar na parte mais complicada e não conseguiu passar das barreiras – Momo se virou para ela e jogou uma caixinha – Esse um dos comunicadores especiais que dá diretamente pra mim em um circuito diferente do que a gente costuma usar, então use-o por precaução para falar comigo, de resto você pode seguir.
Jihyo pensou em várias coisas ao mesmo tempo, como não querer deixar Momo sozinha se arriscando ali, porém também queria ver como as coisas estavam em cima e ajudar as outras a seguirem quem estava fugindo, porém tudo que saiu de sua boca foi:
- Por que você tem um comunicador de uso privado?
- Eu fiz faz pouco tempo e não temos tempo – disse Momo um pouco vermelha – Agora vá fazer algo antes que fujam e me deixe que eu consigo trancar essa sala e ninguém nunca mais entrará aqui.
- Ei, eu sou lider – disse Jihyo rindo – Mas você está certa, estou avisando as meninas que estão por perto e também subirei.
- Chame alguém para estar com você lá em cima – a japonesa disse já voltando para o computador - Só por precaução.
- Não se preocupe, eu vou chamar a Jeong e Nayeon para estar comigo, as mais novas estarão observando de longe na rua!
Jihyo saiu rapidamente sem esperar a resposta de Momo, apesar de achar que não teria nenhuma de qualquer jeito, porém ao chegar no elevador esse não queria funcionar e ela colocou o comunicador especial que a japonesa havia lhe dado e apertando do lado, o fazendo brilhar suavemente de verde.
- Momo – chamou ela rapidamente – Está me ouvindo?
- Sim – disse Momo – O elevador já irá abrir e irá diretamente para o primeiro andar, então você poderá começar por lá, apesar que eu vejo que o último andar é o mais bagunçado e é onde devem ter mexido mais.
O último andar era o quarto, já que no primeiro era apenas uma recepção, enquanto o segundo era a área comum para todas elas e seus animais, os quais estavam em uma escola para cachorros, então aquele andar tinham cômodos que não eram importante nesse momento. O terceiro andar eram os dos quartos, havendo um para cada uma delas e poderia ser importante se Momo não avisasse que o último era o que parecia que haviam mexido mais, sendo o andar considerado de trabalho comum, com sala de espera, salas de reunião e a sala de diretoria da Jihyo, onde ela guardava algumas coisas pessoais.
- Eu quero ir para o último andar – ela disse rapidamente – Mande Jeongyeon para o segundo andar e Nayeon para o terceiro.
Jihyo estava um pouco nervosa, afinal ela guardava ali alguns objetos pessoais que não queria deixar em seu quarto, pois as outras garotas entravam e saiam do seu quarto já que tinham intimidade para pegar emprestado roupas e Sana vivia em seu quarto quando queria carinho ou assistir um filme sozinhas, enquanto em sua sala só entravam quando chamadas e não costumavam mexer ali.
Ela tentou manter a razão, então tomou cuidado ao entrar no terceiro andar e olhar as salas para ver se não havia ninguém escondido, porém quando chegou em sua sala seu coração disparou ao observar que sua sala estava toda revirada, com alguns papeis jogados ao chão e seu computador ligado, porém nada daquilo realmente importava já que não havia nada comprometedor na papelada que mexia ali e nem no computador, afinal ainda eram uma empresa de fachada para um blog na internet sobre saúde e moda, havendo uma burocracia a se fazer, como contas e outras coisas.
Jihyo estava ficando aliviada, especialmente que não parecia que haviam achado nada demais além dos editoriais, porém seu desespero realmente bateu quando notou no canto da sala um armário jogado ao chão e o cofre atrás dele arrombado, se aproximando e se abaixando para então ver que não havia mais seus pertences que ficavam ali e ela precisava os encontrar novamente.
- Ei, chefe – ela ouviu chamarem e virou para ver que era Jeongyeon séria - Não havia nada remexido no primeiro andar e você não respondia, então vim ver se estava tudo bem.
Jihyo sentiu que não conseguiu controlar sua expressão chateada e surpresa, afinal uma parte grande sua queria chorar e a outra estava determinada a acabar com quem havia entrado no seu escritório, e isso confirmou ao ver o rosto de Jeongyeon suavizar ao mesmo tempo que um sorriso brincalhão adornava seus lábios, enquanto se aproximava e se abaixava do lado de Jihyo.
- Você parece que vai chorar, está tudo bem? - ela perguntou fazendo um carinho na cabeça de Jihyo - É meio assustador parecer que você vai chorar, mas se for eu to aqui, okay?
Jihyo queria começar a rir pelo momento emocional meio aleatório com Jeongyeon, a qual era uma das suas amigas mais antigas ali, ao mesmo tempo que queria contar tudo que estava sentindo naquele momento, porém não houve tempo quando mais uma voz foi ouvida.
- Quem está chorando? - as duas olharam e viram Nayeon entrando – Eu ia dizer que estava tudo okay, mas chego aqui e vocês tão tudo emocionais, algo importante foi perdido?
- Eu não sei, nem fiz nada – disse Jeongyeon olhando pra Nayeon
- Claro que não - disse Nayeon revirando os olhos – O que aconteceu, Hyo?
Jihyo olhou para as duas por um momento, então pensou no que havia sido levado: uma caixa escrito “importante, não mexa” e era cheio de pequenas coisas que Sana havia lhe dado, era uma vergonhosa quantidade de coisas aleatórias que vinham das declarações da sua namorada e que ela queria guardar apenas para si e era por isso que uma parte sua desejava chorar, havia perdido as preciosas lembranças das declarações de Sana, havia perdido parte do esforço da outra e se sentia mal por perder coisas que em algum momento melhoraram seu dia, porém uma parte sua não queria abrir assim seu coração a todos e ainda mais não queria que pessoas fora do grupo soubessem disso.
- Não importa – disse Jihyo se levantando – Levaram algo do meu cofre, mas eu não quero falar disso, eu vou atrás de pegar de volta e me vingar.
- Ei, você não vai só - disse Jeongyeon se levantando – Tudo bem não querer falar disso, mas se é importante para você querer pegar de volta, então é importante para mim também e eu vou junto.
- Eu também - disse Nayeon dando um gritinho – 3mix novamente em ação!
- Como se não entrássemos em ação monte de vezes durante o ano – disse Jeongyeon rindo
- Não é a mesma coisa, normalmente Jihyo não participa diretamente já que tem o time dela e só ajuda...
Jihyo deu uma pequena risada porque claramente as duas iam começar as suas pequenas discussões, as quais no fundo sentia um pouco de saudades da época em que começaram a fazer pequenas missões, afinal as duas sempre eram animas e divertidas, então mesmo sem demonstrar se divertia.
Ela relembrou que eram chamadas de 3mix no centro de treinamento, em um passado que as coisas eram mais fáceis e ao mesmo tempo mais incertas, já que eram mais inexperientes e corriam maiores riscos do que atualmente, perdendo algumas pessoas no meio do caminho, apesar de agora pegarem missões mais complicadas agora que são um grupo completo de espiãs como Twice, tendo todo tipo de pessoas para deixar completo, e tem mais experiências.
Por um momento ela lembrou que Sana quase fez parte do 3mix, quando pensavam em firmar um grupo não rotatório ali, participando de duas missões antes que a realocassem para fazer a missão com Momo e Mina, já que a outra já tinha uma relação próxima com Momo e a japonesa mais nova havia acabado de chegar, assim acharam que seria importante alguém do mesmo país para ajudar assim as três começaram a sair juntas e fazer algumas missões, especialmente as que envolviam o Japão, mas em algum momento resolveram juntar os dois grupo com mais 3 garotas mais novas para um teste e assim se manteve.
- Hey, eu odeio atrapalhar a discussão e tudo mais – ela ouviu uma voz do computador, sabendo que era Momo e todas prestaram atenção – Mas eu gostaria de avisar que já consegui rastrear o computador de onde estavam entrando no sistema daqui, é daquele laboratório HYP que tá fazendo aquelas drogas de controle de mente que os Strays tão investigando, só que a gente conseguiu fechar algumas fábricas da última vez, aparentemente isso é uma represália e pode até ser uma armadilha, então talvez devêssemos discutir isso com todas...
- Não, eu quero fazer isso sozinha e isso demoraria muito – Jihyo disse rapidamente – As meninas que estavam observando a movimentação viram algo?
- Sim, me repassaram que duas pessoas suspeitas entraram num carro preto, porém estavam com rosto coberto – disse Momo respirando fundo – Eu vou ajudar observando o carro, Jihyo, porque imagino o que esteja lá só que a Nayeon e Jeongyeon vão com você, eu sei que és a lider só que não adianta se arriscar e não confiar na gente.
- Você tem algum plano, Mo? - disse Nayeon curiosa
- Não muito concreto, eu vou pedir as meninas que estão na festa virem para cá... – disse Momo calmamente
Jihyo ficou nervosa por um momento e parou de ouvir, pois queria resolver isso antes que Sana voltasse e visse que ela perdeu todos os presentes, que havia perdido lembranças do relacionamento delas que guardava com carinho.
- Você não devia – disse Jihyo irritada – Era para ser só a gente...
– Olha, eu to precisando de ajuda – disse Momo rapidamente – Fizemos isso para não colocar muita gente em risco, mas to procurando o carro e ele está andando para um caminho contrário da HYP, então acho que algumas terão que ir atrás do carro e outras na HYP atrás do hacker, eu ainda vou precisar provavelmente ter que entrar em niveis de segurança e isso não é fácil sem um plano sólido, só com sede de vingança.
- E se a gente for atrás só do carro? - perguntou Jihyo fechando os olhos - Não podemos entrar numa empresa sem um plano, então as outras não precisam entrar em ação e vai ficar mais entre a gente, eu sei que você consegue mais informações sobre – ela explicou já pensando em como precisava da ajuda de Momo - Então vamos atrás do local que você achou e fechamos também.
- Vai ser realmente um processo longo e eu vou perder o rastro do hacker, provavelmente, mas vamos investigar a Hyp, okay? - respondeu Momo séria - Nem que precisemos fazer parceria com os Strays para isso.
- Com certeza, acho que podemos trocar informações e ver quais melhores medidas tomar depois, porém vamos focar no carro!
- Okay, mas vou pedir para Sana falar com Bang Chan para saber mais informações soltas!
Jihyo podia sentir o sorriso de Momo naquela fala, então apenas respirou fundo e engoliu qualquer resposta, afinal sabia que a japonesa mais velha sabia demais e observava mais do que deixava transparecer, por isso era melhor permanecer calada e não demonstrar nada.
- Okay, faremos uma reunião sobre essa missão amanhã - disse Jihyo já andando para o corredor - Você pode mandar alguns equipamentos?
- Não se você quiser que eu não perca o carro – disse Momo séria - Eu estou observando se o hacker deles não vai entrar no sistema de câmeras da polícia para me fazer perder ele, então desçam e peguem o necessário ou vão com que tem, mas lembrem que é perigoso.
- Vamos, eu tenho as minhas unhas – disse Nayeon animada já andando para fora da sala – Uma caneta a laser e um pó compacto explosivo!
- Eu tenho no carro uma daquelas sombrinhas armas e um ratinho explosivo, além de um anel que vira soqueira aqui – disse Jeongyeon sorrindo animada e seguindo
- Por que vocês estão com essas coisas para o jantar da empresa? - perguntou Jihyo olhando para as duas que estavam na frente, enquanto as seguia – E o que há com explosivos?
- Explosivos são legais e você vai dizer que não anda com nada por precaução?
Jeongyeon perguntou aquilo quando entraram no elevador, o qual já estava a espera graças a Momo, enquanto sorria de forma zombeteira e Nayeon também dava um olhar divertido, pois ambas conheciam bem a líder do grupo e sabiam que ela nunca iria sair despreparada, isso se encaixava para todas do grupo que era um pouco viciadas em trabalho e, talvez, um pouco paranoicas se fosse pensar o fato que elas nunca relaxam totalmente fora de casa.
- Okay, eu tenho na moto uma bolsa com uma caneta com veneno paralisante, chiclete que gruda tudo e um batom pistola – disse Jihyo rindo – E aqui eu tenho meu sapato.
O sapato era uma arma por ter uma lâmina retrátil na ponta, o qual ela controlava com o relógio que usava, na realidade todas elas tinham formas de se comunicar uma com as outras e gravar vídeos ou vozes se quisessem através de acessórios, no caso de Jihyo era um simples relógio que ela usava, mas para Nayeon eram seus brincos e Jeongyeon uma pulseira.
- Ótimo, o carro parou – disse Momo pelo som do elevador – Ele está na rua 5, aquele cheio de galpões, então sigam para lá que o carro até então está no quarto galpão na direita e eu avisarei se algo mudar.
As três se dividiram para Jihyo ir para sua moto no beco em que havia deixado, enquanto as outras duas iriam para o carro de Jeongyeon e assim conseguiriam perseguir o carro de quem invadiu seu local de forma mais eficaz.
Agora sozinha ela estava novamente se perguntando sobre seus pertences, afinal o que iriam fazer com aquilo, mas o que mais lhe preocupava era se Sana ficaria chateada pelo que aconteceu, pois não queria ver sua namorada triste por ter perdido pertences que eram feitos de coração e estavam no coração de Jihyo, as vezes ela se surpreendia o quão ela amava a outra mulher e como sentia que aquilo era mais assustador que lutar contra qualquer um dos inimigos que tiveram ao longo do caminho.
- Jihyo, se concentra! - Ela ouviu Momo falar no comunicador único - Você passou a rua que era pra você dobrar, mas não se preocupe que há um beco mais a frente que dará para seguir, só presta atenção porque não queremos que você se machuque e então isso será em vão - explicou Momo – Eu sei que você está preocupada, mas por favor use o modo líder, eu odeio ter que ficar chamando atenção e até por isso fiz no comunicador isolado.
- Me desculpe, Momo – disse Jihyo respirando fundo – Eu só tava pensando demais.
- Sim, pensando na Sana – respondeu Momo respirando fundo – Ela não vai ficar irritada seja lá qual for o motivo, Jihyo, acredite em mim que aquela mulher é perdidamente apaixonada por você e nada que tenha perdido é mais importante que sua segurança pra ela e só por isso to avisando para se cuidar e dobrar para direita.
- Só por isso? Sem um eu me importo com minha líder? - perguntou Jihyo dobrando para direita
- Não comece, você sabe a real – disse Momo rindo e depois o comunicador ficou mudo para ouvir a rádio da moto que havia escondido ali – Não esqueçam, rua 5 que tem muitos galpões, enquanto estão no quarto galpão a direita e tenham cuidado, vocês três andam com comunicadores comum que eu sei, então os usem para se eu precisar falar com vocês e tomem cuidado, não sabemos se é uma armadilha ou se são idiotas que queriam apenas roubar algo.
Todas as três concordaram ao colocar os comunicadores, Jihyo retirou o fone para comunicação fechada com a Momo e o guardou na moto, sabendo que a outra conseguiria fechar entre elas se necessário e então se encontrou com as outras duas no inicio da rua para formarem um plano rapidamente.
- Então, como vamos agir? Alguma ideia? - começou Nayeon
- Eu dou a ideia de enviar o ratinho de brinquedo para entrar lá sem ser visto, então conseguimos ver o que há dentro e depois explodimos para distração quando formos entrar, então apenas acabamos com todos que estiverem lá e pegamos o que é da Jihyo de volta! - disse Jeongyeon
- Até que você não teve um plano tão horrível e idiota – respondeu Nayeon sorrindo
- Eu não sou você! - retrucou Jeongyeon de repente
– Mas acho bom uma de nós ficar aqui fora para se eles tentarem fugir, dependendo de como é lá dentro e também distribuirmos o que temos – Nayeon voltou a falar antes que Jihyo começasse mandar as duas pararem – Porque realmente seria bom pegar um deles para interrogar o que faziam em nossa base.
- Acho que isso é um bom inicio, então vamos começar com o rato – respondeu Jihyo sorrindo - Momo você monitora para gente, okay?
- Okay, é bom que vejo se há alguma câmera por lá para eu tentar ver também - a japonesa confirmou pelo comunicador – Eu vou controlar o rato, só o coloquem no chão e eu vou falando que eu vejo.
Jeongyeon pegou de sua pequena bolsa um rato de brinquedo e o colocou no chão, Jihyo lembrava que aquela foi uma das primeiras ideias de Sana para criar no próprio laboratório, dizendo com um sorriso que seria bom que elas pudessem ter informações de animais, tipo a Cinderela, porém sem os animais correrem risco e Jihyo havia dito apenas se fosse um robô, assim a japonesa resolveu esse problema com pequenos brinquedos que faziam o trabalho de espião para elas as vezes e conseguiam passar por pequenos espaços, nessa época Jihyo já admirava muito como a outra era bastante criativa e talentosa, além da personalidade animada e brilhante.
Ela poderia passar horas pensando na namorada, porém lembrou que deveria se concentrar na missão mesmo que pensar em Sana lhe desse mais forças para continuar, então ouviu Momo contando que o galpão estava bastante vazio, mas que havia quatro pessoas lá ao redor de um tambor de ferro e pareciam falar com uma outra que devia ser a que estar no laboratório da HYP, talvez fosse mais uma porque estavam falando nomes diferentes.
- Então vamos só entrar lá e acabar com isso – disse Jeongyeon rapidamente – Nayeon fica aqui para se outros aparecerem ou se a gente deixar alguém fugir.
- Ei, é injusto, eu quero participar da ação - disse Nayeon fazendo bico – Eu sou boa nesse tipo de coisa.
- Mas não precisamos de três pra acabar com quatro pessoas e alguém tem que ficar – respondeu Jeongyeon sorrindo
- Não comecem a discutir, se não ficam as duas aqui – disse Jihyo rapidamente – Vamos, Jeongyeon!
Jihyo saiu andando com cuidado para não fazer barulho, enquanto ouviu um pequeno “yay” de Jeongyeon e um bufo de Nayeon, as vezes ela não sentia que aquelas duas eram as mais velhas por agirem assim, porém sabia que quando era necessário elas tomavam as melhores decisões e também viraram muito mais responsáveis do que parecia.
As duas pararam no portão do galpão, preparando uma armadilha e mandaram Momo explodir o rato do outro lado, pois assim poderiam pega-los desprevenidos já que iriam achar que viriam do lado da explosão. Então, não precisaram nem abrir a porta ou a caneta a laser que Nayeon havia dado a elas, pois dois dos garotos já tentaram sair do galpão e Jeongyeon conseguiu pegar um rapidamente e injetar o conteúdo da caneta paralisante nele, enquanto Jihyo começou a lutar com o outro e logo outro apareceu para ajuda-lo.
Ela se desviava dos dois e usava seu salto com lâminas afiadas para tentar acerta-los, porém os dois eram bastante rápidos até que Jeongyeon se juntou a luta com sua soqueira e a luta se equilibrou rapidamente até que elas começaram a ter vantagem, porém nesse momento se distraíram e quase não perceberam o quarto homem sair do galpão e tentar carregar o que estava paralisado para o carro, porém Jihyo não deixaria nenhum fugir se pudesse, então prendeu o que estava lutando na parede, graças ao chiclete que havia mascando e jogado lá na parede previamente, o qual se expandia ao tocar em uma superfície e prendia tudo que tocasse e foi feito por Sana também, mas Jihyo não tinha tempo para pensar nisso.
Ela se virou para o outro que ainda arrastava o parceiro, porém antes que pudesse se aproximar viu a pessoa soltar a outra e entrar no carro, não chegando a tempo para impedir a partida do carro e nem achando bom atirar com seu batom pistola naquele momento, elas já tinham três deles, então era um início e ainda havia Nayeon esperando no final da rua.
Ela virou e viu Jeongyeon segurando a pessoa com quem estava lutando antes, então olhou para os outros dois e percebeu que eles seriam inútil, um estava enrolado demais no chiclete e o outro estava paralisado, mas não podia deixa-lo no meio da rua e o pegou no colo para leva-lo para dentro, o único que ficaria fora era o sr. Chiclete.
- Vamos entrar, então vocês vão me falar exatamente onde estão minhas coisas e o motivo para entrar na nossa casa.
Jihyo disse aquilo em um tom sério e assustador, enquanto entrava com Jeongyeon logo atrás com um jovem abatido preso com uma fita nos pulsos e segurava os mesmos para ele não fugir, algo que ela sabia que não aconteceria porque a outra era uma das mais fortes do Twice desde que elas eram 3mix e, por isso, a escolheu ao invés de Nayeon para lutar ali.
Porém, naquele momento também ela percebeu que os homens que estavam lutando eram apenas jovens anos mais novas que elas, provavelmente tinham entrado nesse mundo a pouco tempo e por isso era tão ruins no que faziam, tão crus e assustados. Ela sabia que precisariam investigar isso depois que os levassem preso para o porão da JYPE, porém primeiro Jihyo era uma mulher com uma única missão: conseguir as coisas que Sana lhe deu de volta.
Ela deixou o jovem no chão, então se aproximou do que Jeongyeon segurava com força, o fazendo ficar de joelhos no chão e olhar para Jihyo, a qual apenas sorriu para o garoto e aproximou rapidamente do rosto dele.
- Então, me diga de uma vez o que vocês fizeram com minhas coisas e o motivo de entrarem lá - disse Jihyo séria
- Eu não vou falar nada, sua idiota, você não vai entender mesmo o que to falando e então vai ser inútil.
Jihyo sabia muitos idiomas, porém ela rapidamente reconheceu aquele como japonês antes mesmo de Momo comentar isso pelo comunicador, esse era o idioma que ela treinou várias vezes com sua namorada, o idioma o qual criou carinho por ser o idioma mãe de Sana e aquilo a irritou mais ainda, pois parecia até uma sujeira no idioma que aprendeu a amar, aquilo tudo parecia uma sujeira no amor que tinha por Sana, então deu um soco forte na cara do outro.
- Eu também posso falar em japonês e lhe entender muito bem, você tem mais uma chance – ela disse irritada - Só responda logo para que possamos resolver isso sem mais violência, pois estou disposta a isso.
O mais jovem engoliu a seco, então mexeu a cabeça positivamente e apontou para o tambor de ferro no meio do galpão, então Jihyo se virou e andou até lá vendo que havia um fogo acesso dentro do tambor, as coisas queimando lá dentro, então sentiu seu sangue ferver.
- O que vocês fizeram? - ela disse se virando irritada – Solta ele, J.
Jihyo disse isso quando se aproximou, então Jeongyeon apenas o soltou e se afastou, enquanto ela socava e derrubava de vez o garoto, ela sentia tanta raiva naquele momento de que poderiam ter queimado suas coisas que havia perdido o controle e só parou quando foi agarrada por Jeongyeon, enquanto Nayeon puxava o homem para longe de Jihyo, sendo que ela nem havia percebido a membro mais velha entrar ali.
- Não tinha nada de importante lá, eram só resto de um urso de pelúcia e papeis vazios, nada útil e então nós queimamos como nos mandaram – disse o rapaz todo machucado e tremendo, enquanto é segurado por Nayeon - Nós só obedecemos a ordens, por favor não me machuque mais, eu digo tudo e faço tudo...
- Já chega Hyo, é só um jovem e nem sabe o que tava fazendo, provavelmente – disse Nayeon séria - Daqui a pouco tu desmaiava ele e seria um problema pra gente.
- Você precisa se acalmar, Hyo – disse Jeongyeon virando Jihyo para lhe olhar e segurando o rosto dela – Respira, você não é assim...
Jihyo olhou para amiga, então respirou fundo tentando se acalmar, se lembrando que era a lider e devia passar o exemplo em suas atitudes, se deixar levar por sentimentos não era seu melhor momento, porém também era humana e deixava suas emoções escaparem assim como as lágrimas que começavam a se juntar, as que começavam a escorrer seu rosto quando Jeongyeon a abraçou.
- Oh você está realmente chorando – disse a outra fazendo carinho na cabeça da líder - E isso é ótimo, as vezes fico preocupada pelo quanto você engarrafa e o tanto de trabalho que você tem, mas sempre fingindo que tá tudo bem pra gente, mas está tudo bem se sentir mal e chorar, pois vamos estar aqui para você e para ouvir você se quiser.
Jihyo sentia muito naquele momento, porém não conseguia falar nada com sua mente agitada e lágrimas rolando, sua mente pensando em Sana e em como não conseguia proteger simples objetos que recebera com tanto carinho. A realidade era que Jihyo não sabia como agir quanto ao seu amor por Sana, as vezes ela sentia que não fazia nem metade pela namorada do que a outra fazia por ela e achava que guardar aquelas coisas já era uma forma de carinho e amor, pois era guardar todo amor que Sana havia dado a ela.
Talvez fosse real que ela engarrafa demais seus sentimentos, porém passou por mais anos que a maioria para se tornar a espiã perfeita, sendo levada de um orfanato para o treinamento de espião desde os oito anos e demorando dez anos até realmente se firmar um grupo de espiã,s Twice, no qual ela era a líder e precisava controlar tudo.
Jihyo era isso inicialmente: uma espiã perfeita que sabia guardar seus sentimentos para botar a missão e o mundo em primeiro lugar, a que sempre estaria com cabeça fria para tomar as melhores decisões a todas. Porém, ela era humana e reaprendeu seus sentimentos com as membros que precisava liderar, com as outras 8 garotas ela aprendeu que podia se divertir fora das missões, que podia relaxar as vezes e que podia sentir. Mas, acima disso, com Sana ela aprendeu a amar e ser amada de forma que não esperava.
Ela ainda guarda demais seus sentimentos para não incomodar as outras, ela ainda guarda demais por não saber se expressar totalmente já que na infância haviam dito que era melhor não mostrar sentimentos, porém também é humana e as vezes seus sentimentos pareciam a querer engoli-la.
Existiam muitos sentimentos que já tentaram a engolir ao longo dos anos: medo de perder alguém, tristeza com erros e perdas, impotência ao não poder fazer algo melhor, frustração ao não conseguir cumprir uma missão corretamente, porém ela sempre conseguia se controlar por ter outras pessoas que precisavam dela e se aguentava quando sentia que ia acabar desabando, deixando as lágrimas limparem tudo, por anos apenas seu travesseiro receber esses sentimentos até os braços de Sana se tornarem o lugar mais seguro, apesar de muitas vezes não pedir por isso e nem falar nada.
Ela sabia que conseguia se livrar desses sentimentos de alguma forma, por isso, único sentimento que não conseguiu controlar foi o amor, o amor pelos membros por quem daria a vida e, especialmente, o amor por Sana.
Jihyo sabia que o amor que sentia pela namorada era a única coisa que poderia realmente a engolir, pois não queria se livrar desse e o amor pela outra continuava em expansão a cada pequena coisa que Sana fazia, era alimentado pelos abraços na cama, sorrisos trocados e conversas secretas no meio da noite. Ela podia não conseguir demonstrar a extensão de seus sentimentos por Sana, porém sabia que eram eles que a moviam as vezes, eram eles que a moveram para ter raiva e também para chorar nos braços de Jeongyeon, ainda sim ela não sabia se merecia tal amor e nem se devia sentir tanto quanto parecia sentir.
Porém, todos esses pensamentos pareceram esvaziar quando sentiu se trocada de braços e ouviu a voz que mais amava ali do seu lado, quando percebeu que estava sendo engolida pelo abraço de Sana, onde ela se sentia amada e relaxava.
Naquele momento, ela não se arrependia de amar Sana e queria ser melhor para ela, queria a amar como a outra a amava.
- Está tudo bem, meu amor – ela ouviu Sana repetir - Está tudo bem, vamos para casa descansar, okay?
Jihyo finalmente tinha registrado o que a outra falou, então mexeu a cabeça positivamente, sendo facilmente guiada até a parte de trás de um carro e deixando seu corpo aceitar seu cansaço, após aquela gama de emoções, então fechando os olhos e se deixando ninar com as palavras doces da namorada.
Quando acorda novamente, Jihyo percebe que está na cama e está sendo abraçada por alguém, que deduz ser Sana. Ela pensa por um momento que acabou tendo um colapso, se sentido envergonhada do que ocorreu e que a namorada teve lhe dar com ela mais uma vez, porém antes mesmo de continuar os pensamentos acabou sentindo um beijo em suas costas.
- Você está melhor? - perguntou Sana baixinho
Jihyo virou então viu Sana a olhando, os rostos estavam bem próximos e ela não podia deixar de se encantar pela namorada por alguns segundos, afinal a beleza da outra era maravilhosa e seus olhos doce sempre a faziam se perder. Porém, voltou a se concentrar quando sentiu a mão se Sana passar em suas bochechas e sorrir pequeno.
- Eu estou bem – Jihyo disse respirando fundo – Desculpe preocupar você e todo mundo.
- Está tudo bem sentir, meu amor – disse Sana calmamente – Estamos aqui por você e sempre estaremos, okay? Você pode demonstrar as coisas para podermos ajudar!
- Okay – disse Jihyo baixinho e depois abrindo os olhos – O que fizeram com os três garotos que capturamos?
- Bem, Momo pediu para eu ir com Mina ajudar já que estávamos mais perto e pediu pra Tzuyu voltar pra casa para ajuda-la já que as outras duas estavam ocupadas observando o laboratório HYP de longe – Sana explicou animadamente – Ela disse que eu precisava levar o solvente que tinha na bolsa para o chiclete e que você estava precisando de mim, então viemos o mais rápido possível, o que não demorou muito já que estávamos com a mochila a jato – Ela observou o sorriso que outra deu ao contar aquilo – Ai Mina roubou o carro deles e lhe trouxemos para casa já que você não estava bem, enquanto Nayeon e Jeongyeon levariam os três bandidinhos para JYPE, então não precisa se preocupar com nada!
Jihyo deu uma pequena risada por adorar como Sana se animava com as coisas e começava a falar até mais do que foi pedido, afinal ela pediu só para a outra contar o que havia acontecido com os rapazes que as roubaram e no fim a namorada contou até como foi parar no galpão com uma felicidade enorme.
- Eu tenho duas perguntas – disse Sana de repente – Primeiro, você pode me contar o que aconteceu? E por que você não me chamou?
- Hm... Eles roubaram meu cofre, eu guardava as coisas que você havia me dado lá, com todo cuidado e carinho – ela respondeu baixo – Primeiro eu não queria lhe colocar em perigo desnecessário, depois eu estava com vergonha e precisava achar isso antes de falar com você, pois aquilo eram presentes seus e eram muito importantes para mim, então eles haviam queimado tudo e eu me descontrolei – ela sentia as lágrimas se juntarem de novo – Eu percebi que não sou a melhor para você, não consigo nem proteger as coisas que me dá, imagina cuidar e lhe proteger...
Jihyo respirou fundo se sentindo um pouco sobrecarregada novamente, porém Sana segurou seu rosto e fez carinho em suas bochechas, enquanto limpava algumas poucas lágrimas que eram derramadas, esperando por um momento antes de começar a falar.
- Meu amor, você não precisa me proteger de tudo, somos espiãs, eu treinei assim como você e não sou frágil, sei que você já perdeu muitas pessoas, mas não precisa achar que vai me perder, okay?
Sana disse aquilo suavemente e Jihyo aceitou as palavras por um momento, então mexeu a cabeça positivamente, ela objetivamente sabia que a namorada era forte assim como Momo sabia que Mina também era, porém isso não impedia de querer protege-las quando pudessem, afinal ser espiãs ainda é perigoso mesmo quando se está preparado e é ainda pior quando não se está.
– E eu não quero que corra riscos só, nenhuma de nós quer porque estamos aqui para protegermos umas as outras, você pode demonstrar fragilidade conosco e em especial comigo, eu estarei aqui para lhe segurar no final do dia e estar com você.
- Me desculpe... - Jihyo falou aquilo baixo, ela sabia que ainda era um tanto bloqueada emocionalmente – Eu não quero ser um fardo para você, não quero lhe sufocar com meus sentimentos ruins e nem com o tanto de amor que sinto por você, eu nem sei se consigo demonstrar bem e as vezes acho que você merece o melhor.
- Eu sei que é difícil pra você, mas você demonstra amor por mim todos os dias e cuida de mim mais do que acha – disse Sana dando um beijo no rosto de Jihyo - Você sempre faz o café da manhã para mim, você sempre toma a certeza que eu estou bem dentro e fora das missões, você sempre ouve meu dia mesmo que seja só eu falando animadamente sobre minhas invenções que você não entende, você sempre me consola quando eu preciso e sempre me abraça mesmo quando não era tão fácil pra você ser fisicamente amorosa, entre muitas outras coisas – explicou Sana parando para dar um beijo casto nos lábios de Jihyo – As vezes você pode não perceber, mas são todas essas pequenas coisas que me fazem lhe amar e me sentir amada, existe tanto amor em mim quanto em você e não quero que sinta medo disso ou de demonstrar qualquer sentimento por mim, okay? Eu te amo e quero você do jeito que você é, por isso vou lhe encher de beijinhos.
Jihyo começou a rir quando a namorada simplesmente foi para cima dela enchendo de pequenos beijos seu rosto, percebendo como estar com Sana era sempre uma forma de se curar, pois a outra sempre fazia as coisas ficarem melhor. Ela sabia que a namorada a amava e demonstrava isso de várias formas, mas ouvir que Sana também sentia seu amor era muito importante para si, pois em sua cabeça era importante amar e ser amada.
- E sobre as coisas que eles queimaram – disse Sana sentando – Eu vou lhe dar mais, vou lhe dar muito mais coisas que você olhe e pense em mim, que você olhe e sinta meu amor por você - a japonesa deu um pequeno beijo nos lábios de Jihyo antes de se deitar novamente e olhar nos olhos dela – Eu sei que você acha que guardar isso era importante, mas você já guarda algo muito mais importante e com muito cuidado e amor.
- O que? - perguntou Jihyo dando um pequeno sorriso
- Meu coração, você tem meu coração com você desde o início e sempre o terá se continuar cuidando tão bem dele – Sana abriu um sorriso que Jihyo poderia comparar com o sol de tão brilhante e quente – Eu te amo tanto.
Jihyo lembrou da primeira declaração de Sana anos atrás, com palavras parecidas com as daquele momento, a japonesa havia dedicado seu coração a ela e disse que havia dado a líder sem perceber. Ela também lembrava que não soube como responder na época, pois não sabia nem como se sentir sobre aquela declaração, porém atualmente ela já sabia exatamente o que sentia e como responderia.
- Eu só cuido bem dele porque você cuida bem do meu – Jihyo disse sorrindo e dando um pequeno beijo nos lábios da namorada – Você o tem e eu faria tudo para cuidar de você, pois eu te amo tanto também.
- Isso é bom – Sana respondeu – O mais importante não são as coisas físicas que você me dá ou que eu lhe dou, o importante é o nosso amor e estarmos aqui uma pela outra, isso não podem tirar de nós.
Jihyo sorriu e concordou com a cabeça antes de se abraçar com Sana, se sentindo segura e cheia de amor, mesmo que fosse tão estranho para si amar alguém tão intensamente como amava a outra. Mas naquele momento estava esquecendo seus receios anteriores, pois realmente o que importava era que ela amava Sana, era amada de volta e de algum jeito faziam dar certo mesmo no mundo perigoso e complicado que vivam.
Ela não sabia o futuro, afinal não tinha como faze-lo, mas sua namorada estava certa: o importante eram estarem juntas assim como cada pequenos momentos que possuem e que ficarão na memória e no coração.
