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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-05-10
Words:
1,205
Chapters:
1/1
Kudos:
25
Bookmarks:
2
Hits:
183

Os Anos Que Não Passaram

Summary:

Após a batalha travada por Boruto e Kawaki no vale do fim, Hinata e Naruto retornam da dimensão para a qual foram enviados.
Em meio ao caos e tentando assimilar tudo que aconteceu, Hinata se depara com um Boruto já jovem, e precisa lidar com o fato de que ele já não é mais o garoto que ela viu pela última vez, e que anos se passaram sem que ela pudesse acompanhar o crescimento do seu primogênito.
Iniciado 37 minutos atrás

Work Text:

Ela se sentia estranha, como se um vácuo estivesse dentro de si e agora começasse a ser preenchida, seu estômago revirava e sua cabeça estava nublada, ela se sentia exausta e tonta, não conseguia abrir seus olhos totalmente, como se eles estivessem fechados de um longo sonho.

Ela sentiu como a sola de seus pés tocassem no solo, algo arenoso, diferente do chão de sua casa, de toda loucura que era suas sensações neste momento, isso foi o que fez ela ter um estalo em sua mente e perceber que algo estava muito errado em tudo isso, suas pernas fraquejaram em um primeiro momento e ela se apoiou em algo ao seu lado para se manter firme.

Esse despertar não é o comum para ela que sempre acorda pacificamente, ela tenta refazer suas últimas lembranças. Ela estava em casa com seu marido finalizando o almoço, Himawari saiu para comprar pão e o seu chá favorito, ela lembra da sensação de satisfação e principalmente da melancolia que veio ao pensar que Boruto e Kawaki, não estariam com eles.

Kawaki, ele apareceu lá e conversou com eles, e então tudo parece parar, cada palavra dita por ele, a forma, seu olhar, Hinata sente nesse momento uma dor tão forte em seu peito, até que ela lembra de sua última memória, os olhos dele, o doujutsu ativado, aquela força sugando sua energia e a escuridão os absorvendo.

Hinata abre seus olhos instantaneamente quando, percebe a gravidade dos últimos acontecimentos, Kawaki quer matar Boruto, e ela sabe muito bem que ele não está para brincadeira, enquanto seus olhos claros começam a se ajustar a claridade, ela tenta impulsionar o seu corpo para frente, algo precisa ser feito, ou uma tragédia pode acometer seus filhos.

Sua boca está seca quando ela tenta chamar por seus nomes, ou até seu marido, sua garganta arranha e somente um fraco chiado é emitido, ela estranha o fato de que o pouco tempo que ficou presa possa ter afetado tanto o seu corpo, mas agora não é momento para isso, ela precisa encontrar eles, ela precisa falar com Kawaki, explicar as coisas, que independente de tudo Boruto ainda está com eles, Boruto ainda é o irmão dele e de Himawari, Boruto ainda é o seu garotinho, apesar de toda loucura dos últimos meses ela ainda consegue ver aquele brilho único nos olhos do seu filho, brilho que ele tem desde o primeiro momento que eles foram abertos.

Ela também tem que se desculpar com Kawaki, ela deveria ter se controlado mais, porém como ela poderia reagir com suas falas? Qual outra reação ela poderia ter quando escuta dos lábios dele que seu arrependimento era Boruto ter sobrevivido, e o pior que ele tentaria de novo? Aquele tapa doeu mais nela do que nele, mas ela sabe que se Kawaki fizer isso, se ele matar Boruto, ele estará matando a si mesmo.

Ela já percebeu que não está mais em seu lar, será que Naruto está por aqui? Seus olhos agora estão mais ajustados, mas sua voz ainda não sai com clareza, ela pode ouvir alguns sons mas não consegue identificar o que é, quando ela tenta dar mais um passo, seu corpo desequilibra. Um braço, passa por sua cintura e a segura, ela se apoia na pessoa, e quando vira para agradecer ela sente sua alma sair do corpo.

- Você está bem?

Por um momento ela pensou ser Naruto, quando olhou para cima e se deparou com os fios louros, mas seu marido era mais alto, seus cabelos eram mais rebeldes e curtos.

Ela encara cada traço do rosto daquele estranho, suas mãos apertam a capa preta que ele veste, ela pode sentir seus lábios tremendo.

Hinata passa a mão pelos fios louros do garoto, quase um homem diante de si, os mesmos fios louros menos rebeldes do seu marido, assim como o seu filho, ele também possui o ahoge que Boruto e Himawari, ela desce as mão e toca em cada risco que ele possui, o mesmo riscos que ela adorava ficar traçando quando Boruto deitava a cabeça em seu colo, ela segura a cabeça dele e encara os mesmo traços delicados que seu filho herdou dela, mas ele não é seu filho.

Ela encosta na cicatriz que adorna o seu olho direito com a ponta dos dedos, e decide que ele não pode ser seu filho, não quando Boruto não tinha aquela cicatriz, não quando ele não possuía aquela dor em seus olhos, não quando ela precisa inclinar sua cabeça para trás visando encarar ele, ela lembra que seu filho batia em seus ombros, ela podia encostar seu queixo sobre a cabeça dele quando iria abraçá-lo e inalar o cheiro do seu cabelo, ela lembra de cada detalhe da última vez que o viu, porque mesmo que as lágrimas nublassem os seus olhos, ela fez questão de marcar em sua mente cada traço de seu filho, e ele é era só uma criança, no máximo um pré- adolescente que não mais corria para os seus braços quando ralava o joelho, ou então invadida o quarto dos pais durante as tempestades, ela mal havia superado isso

E então ela não poderia lidar com o fato de que seu pequeno garotinho era o homem diante de si, ela não podia acreditar que ela não esteve com ele a cada momento, que ela não estava lá todas as vezes que ele precisou do abraço que somente uma mãe poderia dar, ela não podia lidar com o fato de que não foi um dia longe de seu menino, mas anos, anos sem ver o seu crescimento e estar com ele, ela não podia, na verdade ela não queria.

Ela não queria pensar que tudo o que eles enfrentaram, toda guerra passada e a paz alcançada não foi o suficiente para manter seus filhos a salvo, para evitar que eles crescessem conhecendo a dor que eles e seus amigos tiveram que enfrentar.

- Mãe, por favor fala comigo!

O som de sua voz foi mais do que o suficiente para tirar ela daquele estupor, sua voz já não era a mesma, mas ouvir ele chamando- a de mãe com aquele tom de súplica, foi o suficiente para fazer com que ela voltasse para o momento em que o ouviu chorar pela primeira vez quando Tsunade colocou ele em seus braços, quando ela pode olhar pela primeira vez aquele ser tão pequeno, mas que teve o poder de fazer todo o seu ser transbordar de um amor nunca sentido antes.

Encarando novamente seu único olho aberto apreensivo, ela conseguiu distinguir aquele brilho, aquela força que somente Boruto poderia ter, porque ela pode reconhecer ele a milhas de distância sem um byakugan ativado, porque Boruto não é só parte de sua carne, mas da sua alma.

Ela sabe que ele é seu filho, ela sabe que por pior que as coisas tenham ficado ele conseguiu lidar com tudo, e tudo estava bem, ela sabe disso porque agora pode puxar seu menino para um abraço, um abraço de anos atrasados.

Ela não mais pode apoiar seu queixo na cabeça dele, mas agora pode aninhar sua cabeça em seu ombro, assim como fazia quando ele era apenas um menino em seu colo.