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Frente à seção de romance da biblioteca, Sebek fecha os olhos e respira fundo uma última vez, cerrando os punhos com determinação.
Sua missão é invadir o território desconhecido, encontrar ‘conhecimento’ e sair sem que ninguém perceba sua presença. Ele repete os passos em sua mente, adentrando o local de forma cautelosa.
Há uma semana, Sebek e Silver se tornaram os amados um do outro. O jovem cavaleiro revelou todos os sentimentos que habitavam seu coração, e apesar do meio-feérico ter os aceitado, ele sentiu como se tivesse perdido uma batalha da maneira mais desonrosa.
Zigvolt planejava se confessar naquele mesmo dia, porém Silver foi mais rápido! Sebek se recusa a permitir que o rapaz tome todas as iniciativas, e portanto decidiu que será ele, e somente ele quem começará o primeiro beijo de ambos!
Humph. Espere só para ver, Silver! Lhe darei um beijo tão avassalador que vai deixar você de joelhos implorando por mais!
Sebek, contudo, não possui nenhuma experiência com beijos. Ele pensou em pedir conselhos para Lilia, mas logo lembrou-se de que o feérico é o pai do seu amado, lhe pareceu vergonhoso demais perguntar algo de cunho romântico envolvendo o filho dele.
O próximo seria Malleus, Zigvolt está certo de que o príncipe é muito habilidoso em beijar, porém ele não quer incomodá-lo com banalidades.
E por fim, restaram os livros. Uma fonte de conhecimento tão valiosa quanto Vanrouge e Draconia para o meio-feérico.
Vasculhando cada prateleira, um livro se destaca sob o seu olhar. Sebek estende a mão para pegá-lo, folheando em seguida.
‘’Os lábios possessivos de Morgan envolveram os de Baobhan Sith, roubando todo o fôlego e a razão da fada vampira. Os dedos gélidos da rainha se perderam entre as coxas fartas da subordinada, se esgueirando pelo vestido dela. Mais, mais, até finalmente alcançarem a sua—’’
— Bonjour, Monsieur Crocodile! — um certo caçador surge atrás de Sebek, o cumprimentando tão alegre como de costume. — Oh, eu não sabia que você também era fã do romance lésbico Avalon le Fae. É uma leitura maravilhosa.
Zigvolt arregala os olhos com aquela voz repentina, se apressando em fechar o livro.
— R-Rook-senpai! Não me diga que você é um dos habitantes do lado depravado da biblioteca… — ele leva uma das mãos até a testa, o vice-líder de Pomefiore é a última pessoa que ele desejaria encontrar agora.
— Sou um frequentador assíduo da seção de romance, há livros de poesia encantadores por aqui e não param de chegar mais — ele estreita o olhar para Sebek, curioso. — Quanto a você, Monsieur, me pergunto o que teria motivado a sua visita até aqui. Geralmente você fica na seção de livros didáticos ou contos sobre cavaleiros heróicos… Ah, suponho que esteja buscando inspirações românticas para experimentar com o Silver-kun, não?
Sebek fica boquiaberto.
— C-Como você sabe que eu e o Silver estamos juntos?! Só faz uma semana, ninguém além de Waka-sama e Lilia-sama estão cientes disso! Espere um pouco… Você estava nos espionando?! — ele cerra os punhos. — POIS SAIBA QUE EU, SEBEK, MESMO SOB TORTURA NUNCA REVELAREI OS SEGREDOS DO MEU SOBERANO AO INIMIGO!
Apesar de tal hostilidade, Rook mantém um sorriso radiante.
— Ora, só aconteceu de eu encontrar dois pombinhos pela floresta durante uma caçada. Oh, sim, a maneira como você relutantemente aceitou a mão do Silver-kun para caminharem juntos... — o vice-líder suspira de forma sonhadora. — Sua timidez é adorável, Monsieur Crocodile.
— Ah, quer dizer que você não é um espião — Sebek cruza os braços, sobrancelhas franzidas. — Você é apenas um HUMANO SEM VERGONHA E INTROMETIDO, o que é tão desagradável quanto um agente infiltrado!
— Pardonne-moi, eu não pude resistir às lindas demonstrações de afeto entre vocês. Por outro lado… — a expressão de Hunt se torna um tanto séria. — Quando você estava prestes a beijá-lo, você me lembrou um caçador se preparando para disparar uma flecha certeira contra o seu alvo. Os lábios sedutores de Silver-kun estavam bem na sua frente, esperando pela sua captura. Mas você se movia para os lados sem parar, e eu pensei que estivesse procurando o melhor ângulo para beijá-lo, exceto que você pareceu tão inquieto, tão perdido e desajeitado…
Os olhos esverdeados se arregalam de súbito.
— Monsieur Crocodile... — Rook levanta ambas as mãos em espanto. — Você nunca beijou ninguém antes?
Sebek fica sem palavras, sem acreditar em como o vice-líder pôde deduzir tanto.
— E-E daí se eu nunca beijei?! Saber beijar não é uma habilidade essencial para proteger Malleus-sama! — ele desvia o olhar. — Mas se for pelo Silver é algo que eu quero aprender e me aprimorar, não que isso seja da sua conta.
— Se é o primeiro beijo que você busca, nenhum livro pode te ajudar. Reproduzir o que está escrito nessas páginas seria a visão de quem escreveu as cenas de beijo em vez da sua própria visão, Monsieur.
Um sorriso brando retorna aos lábios de Rook.
— Tudo o que posso lhe aconselhar como Le Chasseur D’amour é, que você olhe profundamente nos lindos olhos de aurora do Silver-kun. Se perca neles até que suas próprias emoções transbordem, fortes demais para guardá-las dentro de você, e só então… Oh là là. Você terá um beijo único, algo que ninguém mais poderia proporcionar ao Silver-kun.
O meio-feérico inclina a cabeça, pensativo.
— Resumindo, só tenho que beijá-lo do meu jeito. Humph, eu não precisava da sua ajuda, mas vou levar em consideração o seu conselho já que você pareceu versado no assunto.
— Foi um prazer, Monsieur! Estarei torcendo pelo seu sucesso — o caçador retira o chapéu, curvando-se em uma breve reverência, satisfeito em ter feito o papel de veterano ajudando um calouro em necessidade.
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Com o cair da noite em Diasomnia, Silver vai ao encontro de Sebek na varanda do quarto.
— SILVER!!! — o meio-feérico repreende. — Onde diabos você se enfiou esse tempo todo?! Eu estava quase indo atrás de você achando que estava largado cochilando em algum lugar!
O rapaz humano esfrega seus olhos sonolentos.
— Houve uma invasão de gatos em Heartslabyul, Riddle queria que eu ajudasse a atrair os gatos para fora — ele se aproxima, colocando sua mão sobre a de Sebek no parapeito. — Demorou mais do que eu esperava, não sabia que te deixaria preocupado.
— É-É óbvio que não estou preocupado, que ideia absurda — Zigvolt tenta desviar o olhar, porém o lindo rosto de seu amado o atrai de volta.
Ele pensa que é injusto. O jovem cavaleiro é apenas um humano, e ainda assim suas feições são tão graciosas quanto as de uma fada... Não, ele corrige a si mesmo. Talvez tal beleza ultrapasse até mesmo as fadas. Esses olhos que refletem as cores do amanhecer, um vislumbre tão cativante, nenhuma outra criatura da noite possui olhos como esses.
E esse humano tão único pertence somente a si.
— Silver… — Zigvolt chama em um sussurro.
O rapaz sente seu coração disparar. O meio-feérico sempre diz o seu nome com uma voz severa, mas ouvi-lo nesse tom gentil faz um calor amável espalhar-se pelo seu peito.
Silver vira-se para encará-lo, e no segundo seguinte lábios macios se unem aos seus de forma tímida. Sua resposta é lentamente fechar os olhos ao retribuí-lo, a mão livre buscando a de Sebek para segurá-la.
O beijo é inexperiente de ambos os lados, porém é compensado por uma doçura generosa. O sabor inocente dos lábios um do outro derrete os sentidos, faz com que seus batimentos se tornem delirantes, mentes enevoadas.
E inevitavelmente, eles se separam. Respirações ofegantes e bochechas coradas. Por fim, olhos dourados hesitantes encontram os de aurora.
— O que… Você achou? — o meio-feérico reúne coragem para indagar, apertando um pouco mais a mão de seu amado.
Silver mostra um sorriso suave.
— Foi perfeito — a mais profunda sinceridade é derramada em suas palavras. — Porque foi você que me beijou.
