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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 5 of — [MAIO 2023]; equinócio.
Stats:
Published:
2023-05-24
Words:
1,501
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
2
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1
Hits:
18

Os vagalumes do Outono

Summary:

Se o outono tivesse um cheiro ele seria algo um pouco amargo, porém com um toque doce no final. Jongin era apaixonado por aquele aroma e tudo que ele trazia consigo.

Notes:

Espero que gostem do resultado, foi algo bem diferente do que eu costume fazer e é isso aí.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

The wind that carries you to me.

 

Jongin era conhecido por aqueles lados por ser um dos principais ajudantes nas construções da floresta, fosse uma casa ou uma ponte ele sempre estava no meio. Alguns diziam que isso tudo dava-se por conta da herança da família de Jongin: uma linhagem milenar de construtores, responsáveis por ajudar todos os seres da floresta no que precisassem. 

Não era incomum que onde ele passasse fosse parado para uma breve conversa, um agradecimento — que muitas vezes era acompanhado de um presente, uma decoração feita com folhas, gravetos ou um doce, um lanche. De maneira geral, Jongin era bem querido por aquelas partes da floresta. 

E como todo trabalhador, ele sempre estava cheio de trabalho, afinal, quem iria dispensar a ajuda das mãos mágicas do rapaz, sem contar os pequenos reparos que ele também fazia questão de fazer apenas porque sim. Qual sentido teria se não pudesse usar seu dom? Era uma das respostas prontas que Jongin dava para qualquer ser que lhe perguntasse a razão de sempre estar de lá para cá, cheio de materiais para um novo projeto.

Porém, todos também sabiam que o construtor tinha apenas uma regra: todo equinócio não iria trabalhar por dois dias completos. Muitos dos seres da floresta não sabiam desde quando isso era realmente uma regra, mas, sempre que chegavam próximos às datas de início do primeiro equinócio do ano sabiam que seriam dois dias que qualquer que fosse a emergência teriam que dar um jeito (não que fosse algo ruim, Jongin prontamente tentava correr atrás do tempo perdido assim que o segundo dia acabava).

Como no meio daquelas árvores o tempo era algo muito esquisito para ser contado ninguém realmente sabia a quanto tempo faziam que essa tal regra do construtor era seguida. Na verdade, o conceito de tempo para cada um dos seres que viviam ali era diferente: os duendes contavam a partir das gotas de relva que as árvores derramaram, as fadas contavam pela lua, os trolls contavam a partir das visitas dos pássaros e Jongin, bem, Jongin contava o tempo a partir das cores que dominavam as árvores.

Naquele dia, quando acordou já estava com o humor alto. Sua casa era humilde para uma personalidade tão conhecida, desde que era jovem morava no mesmo salgueiro de sempre, mas esse tom de familiaridade era algo que o rapaz se confortava demais. E logo que abriu sua cortina viu que as folhas do salgueiro estavam totalmente laranjas. 

Um sorriso largo surgiu em seu rosto. Todas as folhas laranjas significavam uma coisa: o outono estava chegando. 

Jongin se esticou e começou sua rotina matinal, no entanto prestou mais atenção aos detalhes. Arrumou os fios loiros com um pouco do gel, passou perfume, teve certeza que não tinha marca de sujeira no rosto nem nenhuma mancha em seus óculos — que mesmo não sendo totalmente necessários para que ele pudesse enxergar, ele sempre os deixava por perto para alguma emergência.

Escolheu sua melhor roupa, uma camisa branca com um colete que ganhara de uma fada tecelã depois que consertou todo o telhado da pequena loja. Pegou sua melhor calça, uma que não estava manchada e sem nenhum pingo de cola ou tinta. Depois que checou toda a composição mais de uma vez na frente do pequeno espelho, seguiu com seus afazeres. O próximo da lista era começar a preparar algumas coisas que iria levar na cesta de piquenique. 

Na verdade, não precisava fazer nada do zero, o equinócio de outono era uma das suas datas preferidas e não era um exagero dizer que ele havia começado os preparativos faziam alguns dias. Trocou alguns botões com os coelhos por algumas frutas frescas, alguns dedais por flores, e já sabia sobre a rota dos vagalumes. Tudo do seu checklist interno já estava completo, agora só precisava da companhia de sempre. A melhor companhia de todas, diga-se de passagem.  

Depois de confirmar duas vezes que todas as coisas estavam separadas, respirou fundo, colocou tudo dentro da pequena cesta e pegou a pequena lanterna que usava nas construções noturnas. Estava pronto para matar a saudade da pessoa mais especial que infelizmente não podia ver todos os dias, se pudesse seu coração ficaria mais feliz. 

(...)

 

Se o outono tivesse um cheiro ele seria algo um pouco amargo, porém com um toque doce no final. Algo como o cheiro de rosas depois de um dia quente. Sehun adorava os primeiros ventos que batiam em seu rosto quando acordava. 

Aquele cheiro tão característico era uma das suas fragrâncias preferidas, a única que podia vencer o cheiro do outono era o cheiro das tortas de framboesas que sempre comia para comemorar o início da estação. Sua existência sempre fora um mistério, ele apenas se lembrava das coisas, um dia era um rapaz na floresta e no outro apenas acordava quando as folhas estavam laranjas.

Mas saber sobre sua história não era algo que realmente preocupava o elemental, nos tempos atuais ele se preocupava com outras coisas. Sabia que todos os seus amigos estavam cientes das tarefas, alguns deles haviam começado cedo, algumas folhas já estavam laranjas, porém eram pontos específicos no meio de tanto verde.

O dia iria ser cheio!

Sorrindo, Sehun olhou ao seu redor, a pequena ilha que morava era tão misteriosa como sua existência. O cheiro do outono se misturava com o trabalho dos outros elementais que corriam com os últimos preparativos, em alguns minutos eles iriam cada um para sua respectiva região.

Os cabelos laranjas se destacavam no meio do vai e vem. Apesar de ser um momento agitado do ano, ele gostava de cada segundo. Depois de atender algumas dúvidas que haviam aparecido antes de voltar aos seus aposentos, ele segurou o pequeno colar feito com vinhas com pequenas margaridas que mesmo com a ação do tempo seguiam brancas como os flocos de neve.

Sehun não entendia como alguns seres da floresta não gostavam do outono e diziam que a terra molhada e as folhas secas apenas atrapalhavam os caminhos, deixavam as viagens mais complicadas e longas.

Quem não gosta do som de uma folha crocante?! O elementar pensou consigo mesmo, balançou a mão na frente do rosto como se espantasse aqueles pensamentos que insistiam em aparecer. Novamente segurou o pequeno colar e sorriu, finalmente, finalmente, poderia encontrar Jongin.

(...)

 

O Sol já havia baixado consideravelmente, a Lua em poucos momentos deveria tomar seu local no céu, isso significava que Sehun poderia chegar a qualquer momento. O som da floresta estava consideravelmente mais controlado, talvez fosse a brisa mais gelada que começava a tomar conta da noite, ou, Jongin gostava de pensar, que os seres estavam tão ansiosos quanto ele para que pudessem ver Sehun chegar. 

Os cabelos laranjas, o cheiro característico que o seguia onde quer que fosse, e toda a força que parecia existir ao redor do rapaz. Sehun deveria ter a mesma idade de Jongin, nunca realmente conversavam sobre isso.

Na verdade, desde quando se conheceram não falavam muito sobre o passado, a única coisa que sabia era que o rapaz de cabelos de cor de raposa apenas conseguia o visitar uma vez a cada doze luas cheias. O que fazia algo dentro do construtor se contrair, não que fosse egoísta, mas gostaria muito de ter Sehun consigo mais tempo.

Não era incomum fantasiar em como seria se Sehun o ajudasse nos consertos da floresta, e até mesmo como dividiram a pequena casa no grande salgueiro. Seriam como unha e carne, Jongin iria apresentá-lo para todos seus amigos, iria contar os segredos dos pássaros, dos castores e das fadas.

Mas infelizmente a realidade era mais dura, não podia deixar Sehun preso ali, não sabia o que o outro fazia, mas não era algo simples, afinal, ele ficava longe daquela área por um bom tempo!

O construtor saiu de seus pensamentos quando os primeiros vagalumes começaram a piscar ao seu redor. Estava chegando a hora, a qualquer momento Sehun iria sair de trás dos troncos guiado pelo cheiro da sua torta favorita e os dois finalmente poderiam matar as saudades. 

Jongin, olhou ao redor para os pequenos insetos que voavam em direção ao norte, a floresta ficava linda durante a noite. Seus pensamentos pregaram uma peça nele, já que acabou se perdendo neles e não viu a chegada de quem mais esperava. 

Quando percebeu que havia um corpo ao lado do seu, se fazendo confortável naquele pedaço de madeira que poderia muito bem comportar uma festa para várias pessoas, encarou o outro com olhos arregalados. Antes que pudesse falar qualquer coisa, Sehun estava ali, o olhando com um sorriso caloroso no rosto. Os vagalumes enfeitavam a paisagem o deixando com um ar eterno como uma lenda da floresta. 

— Quanto tempo Jongin, como você está?

O construtor se recuperou e devolveu o sorriso na mesma intensidade, pela primeira vez em muito tempo ele não estava ansioso para algo. Afinal, quem mais queria ver estava ali na sua frente cercado por vagalumes e envolvido pela floresta que recebia o outono de braços abertos.

 

Notes:

Primeiramente queria agradecer a thenarkotika pela capa lindíssima que sinceramente ganhou meu coração de tão linda e agradecer à yuriko_babe que corrigiu toda a loucura que é um texto meu.
Me digam o que acharam!

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