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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-06-21
Words:
3,111
Chapters:
1/1
Comments:
7
Kudos:
53
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3
Hits:
408

Trabalho Árduo

Summary:

O trabalho envolvendo o paranormal não era algo simples e fácil de se lidar. Arnaldo, envolto ao paranormal, se via na necessidade de respostas, independente do quanto custasse a si mesmo para as obter.

Mas a necessidade de Arnaldo açoitavam Veríssimo que se preocupava com o ator.

Notes:

Opa galera, blz? É minha primeira vez postando aqui, desculpa qualquer coisa

Se você sente que já leu essa historia em algum lugar é porque possivelmente você já a viu no meu perfil do twitter, decidi trazer pra cá algumas coisas que eu escrevo para tentar manter maior frequência de escrita. Comecei postando um tema da Verinaldo Week que teve esse ano (2023)

Qualquer feedback é bem vindo, e nessa historia em especifico eu escrevi em POV do Arnaldo, um personagem que sinto certa dificuldade, então perdoem qualquer coisa. Historia não betada!

Espero que gostem!

Work Text:

— Você deveria descansar.

A voz que vinha da soleira da porta fez Arnaldo piscar. Não se lembrava da última vez que de fato havia piscado, mas a julgar por sua vista ardendo acreditava que fazia bastante tempo. Entretanto, isso era irrelevante, continha em sua frente um novo material de pesquisa.

 

Havia encontrado um grimório em sua última missão, guardado por um cultista. Em sua capa haviam escritas do outro lado, ou sigilos, como se estivessem escondendo dentro de si algo além da capacidade humana. Estava esperando uma resposta de Calisto para saber o que significavam, mas eles pareciam difíceis de serem compreendidos. Poderiam alguns considerar uma barreira, mas Arnaldo ficava apenas mais intrigado e dedicado a descobrir o que significavam. O funcionamento da realidade além da sua era integrante. A forma com que era manifestada. O porquê era manifestada. O que poderia ser feito quando ela se manifestasse. Essas perguntas preenchiam seus dias e seus estudos sobre o outro lado.

As páginas antigas e amareladas do Grimório eram escritas em uma linguagem humana — pelo menos grande parte, o que possibilita uma compreensão mínima. Arnaldo escrevia em seu próprio caderno o que ele entendia do livro. Era como ser sugado para um outro mundo. Podia sentir sua mente sendo consumida pelo outro lado, como um verme se entrenhando. E o mais estranho era que ele estava de acordo com isso. Talvez uma pequena parte dele inclusive quisesse que seja lá o que o consumisse continuasse o sugando, apenas para Arnaldo ver até onde isso iria.

— Arnaldo, você me ouviu?

A voz estava mais perto desta vez, e junto a ela um excelente cheiro de carne cozida. Levantou a cabeça apenas para ver Verissimo próximo a si, apoiado na mesa e o observando por inteiro. Quando foi mesmo que ele havia chegado? Sua mente demorou cerca de três segundos até voltar à realidade, o que, conhecendo o outro, foi tempo o suficiente para uma análise completa.

Olhou para Veríssimo por alguns poucos segundos e então se reclinou na cadeira, a rodando sobre seu próprio eixo enquanto sacava o grimório e o apoiava no colo. O outro ainda estava em silêncio esperando alguma resposta pela parte de Arnaldo, este que, por sua vez, tinha a cabeça em outro lugar.

— Precisa de um beijinho? — Indagou o ator, levantando uma única sobrancelha, na esperança de desviar a atenção do homem.

Verissimo apenas ficou em silêncio por alguns segundos e suspirou. Para quem não o conhecesse poderia dizer que ele estava bufando de raiva, mas, para Arnaldo, identificar, catalogar e entender era só mais uma parte do trabalho. Podia dizer só de ver que aquele era um suspiro de cansaço, e então começou a se questionar se criaturas sentiriam cansaço também.

O menor puxou uma cadeira e sentou-se próximo a Fritz, o observando nos olhos. Arnaldo sustentou seu olhar até que Verissimo recomeçou.

— Novamente: você deveria descansar.

Arnaldo riu, uma única risada seca e sem emoção, enquanto voltava a cadeira para a posição certa, se apoiando na mesa de madeira que tinha em seu quarto. Quando foi que havia chegado no quarto? Irrelevante para o momento.

— Você mandar alguém descansar é tão irônico que chega a ser cômico.

— Estou falando sério, Arnaldo.

— Também estou.

Verissimo umedeceu os lábios e prosseguiu em um tom ríspido.

— Fazem dias, Arnaldo, dias que eu vejo você perambulando pela casa com esse… livro em mãos. Não comendo e nem dormindo direito. Você mal vê por onde você anda. Você precisa descansar e dar um tempo.

— Eu sei o que estou fazendo, Verissimo. Não precisa se preocupar. — comentou enquanto pegava novamente o grimório e o abria de onde havia parado.

— Preciso sim. — respondeu o outro enquanto puxava das mãos de Fritz o objeto.

Franziu o cenho e voltou a o observar. Seu tom saiu ríspido enquanto falava para o homem do outro lado da mesa.

— Vai me tratar como criança agora?

— Se for necessário.

Veríssimo, assim como os membros da equipe em que ambos atuavam, sabiam que Arnaldo era um estudioso sobre o paranormal. Nenhum deles estava claramente de acordo ou eram simpatizantes das ações de Fritz, mas ninguém o impedia. Afinal, ele estava apenas estudando, e esse estudo comportamental dos elementos e suas manifestações já se provaram úteis, mais de uma vez.

Entretanto, nenhum deles jamais poderiam saber que Arnaldo também usufruía de rituais. Isso seria cruzar uma linha que a Ordem não aceitaria. Seria cruzar uma linha que nenhum dos membros de sua equipe aceitariam. Claro, existiam algumas poucas pessoas dentro da Ordem que não eram contra a ideia do ocultismo, mas todas elas acabaram ou mortas ou expulsas. Até seus estudos, se fosse de um conhecimento geral, seria motivo para uma expulsão no mínimo.

Por mais que Arnaldo estivesse fervilhando por dentro, naquele momento ele vestia uma máscara de indiferença. Soava o mais frio e sem emoção possível, mesmo que estivesse com medo. Medo de Verissimo estar começando a ligar os pontos e finalmente descobrir o que Arnaldo fazia escondido dele.

— Verissimo, devolva o grimório. — a ordem em sua voz era clara, mas ainda assim o outro se manteve irredutível.

— Você sequer notou que eu te trouxe janta.

— Óbvio que notei. — mentiu. — Apenas não estou com fome no momento. — mentiu de novo. — Me devolva o Grimório.

— São duas da manhã. Você precisa descansar.

Arnaldo voltou a se reclinar na cadeira e cruzou os braços para disfarçar a sensação lancinante de ter o Grimório longe dele naquele momento. Não ajudou muito.

— Eu estou ótimo, não preciso que me diga o que fazer. Eu me conheço o suficiente para saber o meu limite e não estou nem perto dele.

Verissimo franziu o cenho enquanto descia e subia o olhar por Arnaldo. Fritz se manteve imóvel e o observando, ou melhor, observando o grimório que estava nas mãos do mais velho. Podia notar que estava o apertando com força por causa das linhas em seu braço e os músculos de sua mão, apenas não sabia se ele queria rasgar o grimório ou a si mesmo. Independente de qual dos casos fosse, Verissimo prosseguiu dizendo.

— Você não me parece bem.

— Então talvez você apenas não me conheça o suficiente — as palavras passeavam provocativas pela língua de Fritz, sendo proferidas na entonação certa para o atingir sem o irritar demais.

Mas ainda assim Verissimo suspirou. Aquele mesmo suspiro que parecia estar bufando. E então o menor se inclinou, aproximando um pouco mais o corpo do de Arnaldo, mas ainda segurando o maldito grímorio firme.

— O conheço o suficiente para saber o quão obstinado é nos assuntos que gosta. O suficiente para saber que em um outro dia qualquer você já estaria dormindo, roncando e babando em cima de mim só para acordar cedo e ficar rodando de um lado pro outro na cama. Para saber que você deixa de cuidar de si mesmo quando está muito envolvido com um assunto.

Arnaldo cogitou por um momento comentar que o problema de Veríssimo era com o paranormal, mas sabia que isso não era verdade — pelo menos não completamente — e que estaria apenas o irritando atoa. Não que ele se importasse em Veríssimo se irritar, estava mais preocupado com o grimório e que a menção do paranormal o fizesse lembrar do que aquilo se tratava.

Veríssimo não iria queimar o grimório, ou o rasgar, ou fazer qualquer coisa do tipo com ele no momento. Aquele era um item de Arnaldo e ambos, ainda que usassem as coisas um dos outros, também sabiam respeitar o que era de cada um e os limites que deveriam existir. Isso poderia não se estender a cuecas e perfumes, mas definitivamente se estendia para o grimório. Sabia também que ele não iria o dedurar para ninguém por ter um grimório consigo, mas ainda assim Arnaldo comentou, apenas como forma de ter total certeza sobre seu ponto.

Sua voz saiu mais controlada enquanto dizia:

— Você sabe que eu faço isso pela Ordem. Pelas pessoas que amamos e protegemos.

— E nem por isso precisa ficar doente por tanto se esforçar. Você está pálido, Arnaldo.

— Coisa da sua cabeça. — respondeu em automático.

— Não, não é. A última vez que você comeu alguma coisa foi um café às seis horas da tarde que eu fiz pra você. Sei que você quer terminar isso o quanto antes, mas você precisa se cuidar também.

Arnaldo respondeu exasperado.

— Eu preciso de respostas, Veríssimo. Eu preciso entender o que são essas coisas que enfrentamos todos os dias. E se eu não fizer eu vou continuar doente, como você acredita que eu estou agora, por saber que não vou estar estudando nada! Eu preciso disso, Verissimo. Eu preciso entender!

Disse com as palavras saindo de algum lugar que ele não soube identificar, mas todas eram verdadeiras. Demorou um tempo para se reencontrar na realidade. Na sua realidade. O mundo por um momento pareceu desligar e não existir mais nada além de uma escuridão interminável e propostas de possibilidades. Talvez ele precisasse mesmo comer alguma coisa porque, subitamente, começou a se sentir fraco. Ainda talvez isso fosse resultado de poder dizer verdadeiramente o que acreditava e sentia. Arnaldo já estava absorto nesse mundo, não tinha mais volta para ele.

Quando olhou para Veríssimo pode ver a compreensão escondida em seu olhar, como se engrenagens girassem em sua mente e pontos fossem conectados. A tensão no ar era palpável, como uma força esmagando Arnaldo. O silêncio que se prosseguiu após ele dizer o que realmente acreditava era tão absoluto que podia jurar sentir o seu próprio coração batendo freneticamente. E ele estava. Não sabia dizer se era ansiedade ou medo de uma resposta, mas seu peito doía.

Pode sentir uma única gota de suor escorrendo por suas costas enquanto sua boca secava. Fazia o possível e o impossível para manter o seu semblante o mais neutro possível, parecer culpado agora poderia piorar sua situação, sabia que se fazer de coitado não funcionava muito bem quando se tratava do homem à sua frente, mas ainda assim, se ele prestasse atenção o suficiente, poderia notar o desconforto pela parte de Fritz.

Veríssimo entreabriu os lábios como se fosse dar uma resposta, mas os fechou rapidamente. Isso fez Arnaldo se preparar para pegar o caderno com suas anotações e se levantar, mas a voz dele finalmente recobriu o ambiente antes de Fritz concretizar suas ações.

— Em que página você está?

A pergunta lhe pareceu tão idiota que Arnaldo franziu o cenho diante dela. Repassou novamente em sua cabeça as palavras, mas ainda assim não pareciam corretas.

— O que você disse?

— Em que página você está?

— Isso é um grimório, não um livro que vem com páginas numeradas. — respondeu como se fosse óbvio, mas ainda com um tom de dúvida em sua voz.

— Mas eu sei que você já as dividiu, catalogou e separou em tópicos que julgava importantes. Em que página você está?

O pensamento de que Veríssimo poderia ter desistido de encobrir Arnaldo fez com que uma outra gota de suor o percorre, mas ainda assim se viu dizendo.

— Duzentos e dezenove.

— Certo — e essa foi a vez de Veríssimo se levantar.

Arnaldo se levantou logo após ele, exasperado para ter o grimório de volta e saber o que se passava na cabeça do outro homem, mas Veríssimo se aproximou ainda mais de Fritz e levou uma de suas mãos ao bolso de sua camisa, retirando o relógio de bolso com uma pequena foto dentro de Arnaldo e Thiago.

— Agora são — ele confirmou o horário — duas e doze. Eu te entrego o livro de novo e você lê o que conseguir até as duas e meia. Depois disso você vai jantar, tomar um banho e se deitar pra que, com sorte, você esteja dormindo antes das três da manhã. Podemos combinar assim? Não irei o monitorar, você faz o que bem entender.

A proposta parecia ter vindo de outro mundo. Aquela definitivamente não era a reação que esperava que Veríssimo tivesse, mas sentiu um alívio indescritível quando a ouviu. Tentou falar algo, mas sua voz não saiu, então, ao invés disso, apenas balançou a cabeça em concordância.

Veríssimo estendeu o grimório para Fritz o pegar, mas quando suas mão estavam próximas o suficiente sentiu-se puxado até parar em meio aos braços do homem. Ele lhe abraçava, abraçava forte. Arnaldo não entendeu o porquê daquilo, mas apenas o retribui. Sentia que precisava o abraçar também e que precisava ficar um tempo ali. Isso parecia ser recíproco porque perdeu a noção do tempo, mas a intensidade não diminuiu em instante algum. Era confortável e aconchegante estar ali, como se toda a sua preocupação de momentos atrás fosse tola.

Mas se separaram por fim, e Veríssimo saiu para tomar um banho antes de dormir.

 

_______

 

As três em ponto Arnaldo se deitou na cama. Veríssimo já estava ali, deitado de lado para evitar a luz que ficou acesa até Arnaldo fechar o Grimório naquele dia.

Ele havia seguido o que Verissimo disse, mas não por ter sido dito pelo outro, e sim por ver a preocupação genuína em seu olhar. Arnaldo fazia o mesmo quando era com o mais velho querendo virar noites em claro trabalhando, não custava ele encerrar um pouco mais cedo do que gostaria e continuar no dia seguinte.

Não sabia o quanto precisava da comida e do banho até de fato ter deitado na cama. A luz já estava apagada e Arnaldo tinha a esperança de que Veríssimo já estivesse dormindo a essa altura, mas não era o caso.

Ele não se movia ou dava sinais de que estava acordado, pelo contrário, se não dividissem a mesma cama por tanto tempo seria imperceptível para qualquer um reparar, mas existia algo na respiração e disposição do corpo de Verissimo que, quando dormia, ficava claro para Arnaldo.

Fritz então, ao terminar de se aconchegar na cama, abraçou Verissimo de lado, o envolvendo com um de seus braços.

Ficou assim por um tempo, em completo silêncio, até começar a se mover para sair. Entretanto, sentiu sua mão ser segurada pelo outro. Seus dedos calejados e as mãos firmes eram tão familiares quanto seus próprios. E Veríssimo não precisava dizer para que Arnaldo entendesse que ele queria ficar assim mais um pouco.

Os dedos do mais velho acariciavam as mãos de Fritz de uma forma tão delicada que parecia impossível vir de quem era. E de repente Arnaldo se lembrou da sensação de antes. Da angústia e do alívio de quando expôs a verdade. Eram sentimentos ambíguos de mais para ele, como se a existência de um interferisse diretamente no funcionamento de outro. Por que ele não poderia ter os dois?

Respirou fundo tentando colocar a cabeça no lugar. Precisava entender qual era a linha que não deveria ultrapassar e se manter atrás dela, mas não com medo da ordem descobrir, e sim por ele. Tinha uma família, um trabalho e um futuro pela frente, não poderia cruzar a linha que o separaria deles.

Verissimo então se virou, ficando de frente para Arnaldo. Mal dava para verem o rosto um do outro, mas Verissimo ainda segurava a mão de Arnaldo contra o peito, a acariciando. Sua voz saiu rouca e cansada quando proferiu.

— Me desculpa por antes. Fui meio idiota com você.

Aquele era um Veríssimo que poucas pessoas conheciam. O Verissimo que poucas pessoas tinham a sorte de conhecer. Arnaldo era grato por ser uma delas.

— Tudo bem. Me desculpe pelo que disse também. Não fui muito agradável.

— Você não precisa se desculpar, Arnaldo, eu que arranquei o livro das suas mãos. Eu só estava… estou… com medo.

Teve um breve momento de hesitação em sua voz, como se procurasse as palavras certas. Arnaldo sabia que naquela situação ele estava sendo cem por cento sincero em tudo o que dizia, por isso não duvidou da afirmação do outro, ainda que estivesse surpreso pela declaração.

Era uma ocasião rara ver Verissimo com medo. E, para demonstrar que estava tudo bem, ainda que não soubesse do que se tratava, Arnaldo levou sua mão livre até o rosto do outro, o acariciando brevemente.

— Do que você estava com medo? — Indagou o mais reconfortante possível.

Houve um breve momento de silêncio onde Arnaldo acreditou que não teria resposta, mas então ouviu quase como um sussurro.

— De te perder.

As palavras o acertaram como um baque. Um último soco no estômago para concretizar o que estava sentindo no momento. Durante alguns poucos segundos ficou completamente imóvel que poderia dizer que havia inclusive esquecido de respirar, mas então retirou sua mão do rosto de Verissimo e se aproximou ainda mais do outro.

Passou uma de suas pernas por cima da dele que, por sua vez, estendeu o braço para Arnaldo deitar em cima e praticamente se jogou sobre o mesmo. Verissimo então continuou com uma voz carregada de preocupação.

— Quando eu te vi com o livro hoje pela primeira vez eu já esperava que fosse como das outras vezes. Mas você estava pálido, andava de um lado pro outro sem ver o caminho e não desviava a atenção desse livro nem por um momento. Pensei que algo tinha acontecido com você — era notório o nervosismo na medida em que falava, mas então continuou em baixo tom — fiquei preocupado.

Arnaldo apertou a mão que o outro ainda segurava e disse.

— Obrigado pela comida. E pelo café. E pela preocupação.

— Sempre farei de tudo por você. — ele disse, ainda acariciando as mãos de Arnaldo.

— Da próxima vez você pode me dar banho também, então — disse como forma de amenizar o clima.

— Eu não posso te dar banho.

— Claro que pode. Não deu apenas porque não quis.

A resposta de Veríssimo, ainda que não pudesse ver o rosto, sabia que estava envolta a um meio sorriso.

— Se eu fosse te dar banho e visse os roxos que você tem pelo corpo por andar pela casa sem prestar atenção eu faria questão de apertar todos.

— Está me dizendo que se eu estivesse doente, incapacitado e todo quebrado, e eu precisasse de você para me dar banho pra você não ter que dormir comigo sujo ao seu lado, você ainda iria me maltratar? Rude, Verissimo, rude…

Ambos soltaram uma risada fraca e ficaram em silêncio por mais um tempo. A visão de Arnaldo estava pesada por ter ficado o dia inteiro lendo. Nunca iria admitir em voz alta para Veríssimo, mas ele estava verdadeiramente cansado.

Sentiu um breve selar em sua testa antes da voz de Verissimo quebrar o silêncio novamente.

— Sei que você tem uma boa causa estudando essas coisas, mas algumas perguntas não precisam de respostas. Me prometa, por favor, que você não vai nos deixar.

E foi sincero ao responder.

— Eu não vou a lugar nenhum.