Work Text:
– Sério, meu anjo? – Crowley reclamou, enquanto cruza os braços e faz cara de desgosto.
– Ah, por favor Crowley, nunca fui em uma festa junina e parece ser tão interessante, é cultural, e já estamos aqui mesmo – Os dois haviam viajado para o Brasil, apenas por curiosidade, eles queriam conhecer o país tropical – Não precisamos ficar até o final, só um pouquinho. Vai ser divertido… – Aziraphale pediu com seu melhor olhar de cachorrinho abandonado, se aproximando e subindo a mão pelo braço dele. – E vai me fazer muito feliz…
– Você tá me chantageando é? – falou em um tom brincalhão com um sorrisinho no rosto, mexeu no cabelo, olhou pro lado, bufou e enfim respondeu – Tá bom! Mas eu não prometo me comportar.
Aziraphale franze as sombrancelhas.
– E… – Crowley começa a completar a segunda condição para aceitar.
– E…? – Incentiva-o a continuar
– Eu quero uma recompensa.
– E aquilo sobre chantagem, querido?
– Passado. E ai, eu ganho ou não?
– Depende, o que quer? – Ele pergunta um tanto quanto desconfiado.
Crowley sorri e sussura uma resposta que fez Aziraphale ficar com as bochechas vermelhas de vergonha e se vira de costas se afastando. Ele para e vira com um sorriso maroto:
– Esse é meu preço, meu anjo.
– Sua serpente. – Aziraphale balança a cabeça devagar em reprovação.
Crowley dá de ombros e vai embora rindo travesso.
No dia seguinte, eles foram até a dita festa, Aziraphale vestia uma camisa com aquele seu conhecido xadrez e, com um pouco de insistência de sua parte, Crowley também, mas da cor vermelha.
Quando chegam lá, é possível ver o local todo decorado com bandeirinhas coloridas, uma grande fogueira, barraquinhas com comidas típicas, brincadeiras, haviaaté uma prisão, música de quadrilha e claro, muitas pessoas aproveitando a festa, vestidas de acordo.
Aziraphale sorri vendo aquela alegria – Olha Crowley um… – Ele não vê o demônio ao seu lado então olha em volta procurando-o – Crowley?
Ele aparece atrás do anjo e encostando os ombros, Crowley estava segurando duas maçãs do amor. – Aqui, meu anjo.
– Ah, isso é…?
– Chama-se Maçã do amor! Olha como é bonita, anjo, gostei dessa invenção dos brasileiros hein.
Aziraphale pega a maçã do amor que Crowley lhe ofereceu e olhou o doce curioso, uma maçã em um palito com caramelo vermelho em volta, assim que deu uma mordida fez um som de satisfação, com certeza isso significa que o anjo havia gostado.
– É boa, né? – Disse enquanto comia a maçã.
– Não fale de boca cheia, querido…
Crowley revira os olhos e pega na mão de Aziraphale.
– Como eu dizia, olha Crowley, ali tem uma barraca de pescaria.
– Aqueles peixes de plástico numa piscinzinha? – fez pouco caso da brincadeira, mas contunuou esscutando o anjo com atenção.
– Você pesca um e no peixinho tem um número, então você ganha um prêmio de acordo com o número.
– E você tá querendo brincar né? – Ele diz com o tom de provocação, mas sempre brincando – Não vou ajudar.
Aziraphale sorri.
– Tudo bem.
Eles vão até lá e na primeira vez, Aziraphale pegou um, o prêmio foi um brinquedo, chamado mola maluca, que ele deu para a criança ao seu lado, que não conseguiu pescar um peixinho. Então Crowley decidiu tentar também, só para ficar atrapalhando os outros de pescar até tomar uma bronca do companheiro.
Quando pescou um, ele pegou como prêmio uma caixinha de estalinhos, o demônio viu crianças brincando com aquilo mais cedo, então ele sorriu e apenas chamou Aziraphale para andar mais um pouco. Depois de um tempo ele deu uma distância e juntou todos os estalinhos na mão e jogou bem forte, atrás do anjo, no chão, que no momento havia acabado de experimentar uma paçoca, felizmente ele já havia comido, se não engasgaria com o susto que levou.
– Crowley! – Repreende com a mão no coração enquanto o demônio gargalha. – Isso é coisa a se fazer?!
– Ah meu anjo me desculpa, não pude resistir. – Diz em meio as risadas, ele limpa uma lágrima do olho – Eu avisei que não ia me comportar.
– Ta bom, então. – Azi cruza os braços e vira de costas, olhando para longe, onde vê uma cadeia e dá um sorrisinho.
– Cê não tá bravo comigo, não é, meu anjinho? – Crowley se aproxima por trás dando um abraço e um beijo na bochecha dele. – Não é?
– Não, não estou. – Disse num tom calmo, mas logo em seguida adicionou – Vou ir comprar uma coisa, com licença.
Ele saiu sem nem esperar Crowley dizer mais nada, o que gerou uma pequena preocupação, fazendo o demônio pensar se ele havia ficado bravo de verdade.
Em menos de cinco minutos depois, o anjo estava de volta, segurando um algodão doce.
– Sabia que em festas juninas têm prisões de brincadeira? Basta alguém pagar pra prender outra pessoa.
– Ah você não fez isso…
Logo chegaram duas pessoas, vestidas de caipirinha dizendo com um bom humor:
– Venha com a gente, você está presoz senhor!
Aziraphale apenas dava um sorrisinho vendo a cena, enquanto comia o algodão doce devagar.
– Quando eu sair, você vai ver! – Crowley disse num tom de brincadeira enquanto ria, ele decidiu entrar no jogo e ir junto das pessoas para a cadeia de mentirinha, só por hoje, só pelo seu anjo.
Aziraphale deu uma volta, comeu mais algumas comidas típicas, não conseguia decidir se gostava mais do pé-de-moleque ou do pé-de-moça, já que eram bem parecidos, mas sem dúvida a canjica ganhou seu coração, assim como o arroz doce. Logo ele foi até a prisão ver como Crowley estava.
– E então? Arrependido por seus crimes? – Falou rindo assim que chegou.
– Não mesmo. – Sorriu – Mas você é bonzinho, vai me tirar daqui, sim?
– Vou?
– Por favor? – Ele ri – Eu fiquei sabendo que aqui tem vinho quente, um tal de quentão, quero experimentar.
– Tá bom vai, só porque estou entediado. – Ele paga uma moeda para o carcereiro que abre a porta e liberta Crowley.
– Viu, como sua vida seria bem mais chata sem minha companhia? Imagina, viver sem mim? – Crowley fala enquanto os dois andam para perto das barracas de comidas e bebidas de novo.
– Não consigo.
– Oi?
– Não consigo imaginar minha vida sem você, meu bem. – Sorri e beija a bochecha dele.
Ele sorri meio sem jeito, surpreso com a resposta a brincadeira que fez com o anjo.
Quando exprerimentaram as bebidas alcoólicas, Aziraphale não gostou do quentão, apenas do vinho quente, mas se conteve a um copo, diferente de Crowley, que até o final da festa bebeu mais três ou quatro de cada.
Enfim chegou o ápice da festa junina, a quadrilha, que eles ficaram pra assistir, foi divertido ver a apresentação, a forma que aquela tradição se mantinha era a parte mais legal, a parte onde cantam "Olha a cobra" gerou risadas disfarçadas do casal.
Enfim era tarde da noite e a festa acabou, agora eles estão indo para o hotel onde estão hospedados, como não é muito longe eles decidiram ir a pé, de mãos dadas, por um caminho tranquilo e cheio de árvores, onde só ouvia o farfalhar das folhas com o vento frio noturno e o som dos grilos.
– Falei que iria ser divertido, meu querido. – Sorriu.
– Até que não foi tão ruim. – No fundo, Crowley se divertiu muito, mas não admitiria tão cedo.
Aziraphale da uma risadinha e então olha pensativo para o céu, estava claro, estrelado e a lua crescente brilhava.
– O que foi?
– Não é nada…
– Aziraphale. – Olha para ele esperando uma resposta de verdade.
– Você vai achar… bobagem. – Crowley começa a fazer carinho com o polegar na mão de seu amado, que se sente incentivado a falar, então após um suspiro fala – Eu só… estava pensando, como as coisas são imprevisíveis.
– Você diz, nós? Nós somos imprevisíveis? Somos mesmo meu anjo.
– Não falo como uma coisa ruim, isso faz parte da beleza da vida, do amor…
Crowley sorri.
– Amor… realmente, tá ai uma coisa bem imprevisível. – Ele olha para o céu também – Será que é mesmo? Nós dois, sabe, imprevisível?
– O que… – Ele levanta as sombrancelhas surpreso, ao entender que o demônio se referia a Deus saber do relacionamento deles –Ah, bom, Ela sabe. É claro que sabe, Ela sabe de tudo, Crowley.
– Então podemos dizer que era imprevisível só pra nós – Ele da de ombros, rindo – Ou talvez, só era pra acontecer assim, do jeitinho que aconteceu.
– É... – Ele sorri junto– Eu estou feliz de estar aqui.
Crowley para de andar e olhando para Aziraphale declara:
– Eu te amo, meu anjo.
– Eu também te amo, meu querido.
