Work Text:
— Calma, James, me explica direito: o que aconteceu? — Remus, no telefone, me perguntava.
— Eu tava cansado de alugar meu travesseiro com histórias no meu coração partido, então eu decidi aceitar o convite pra ir a uma festa na casa de um amigo de um amigo.
— Tá, e daí?
— À meia noite eu peguei minha jaqueta e esperei o camarada que ia me dar carona. Chegando lá, o cara desapareceu e eu fiquei sozinho, sentado na poltrona. Meio deslocado, caindo de sono e quando eu olhei pro lado…
— O que tinha do teu lado, moleque?
— O menino dos meus sonhos! Ele tem cabelos pretos e o braço tatuado, um corpo escultural.
— Mas tem algo de errado?
— Porque ele é novo demais pra mim! Os meus cabelos brancos me dizem que sim. Ele é novo demais pra mim… Ai meu Deus, por que é que tem que ser assim?
— Não seja tão dramático, Prongs.
— Mas ele é novo demais pra mim! Será que eu sou uma pessoa tão ruim? Ele é novo demais pra mim…
— Uma diferença de idade nunca matou ninguém. Aconteceu o que, depois disso?
— Nós conversamos e foram uma, duas, três, quatro doses de tequila antes que a gente combinasse um encontro, eu nem me lembro como foi, mas alguns dias depois eu fui buscá-lo às 23 horas em ponto.
— Aonde vocês foram?
— Ele me levou pra uma boate nova e me disse que o lugar era o maior barato — É claro que ele não usou essa palavra, enquanto isso eu pensava: "No meu tempo isso aqui era tudo mato!"
— Se você tá tão preocupado com a idade dele, é só arranjar outro, ué.
— Mas é que quando eu estou com ele o meu cérebro derrete. Por ele eu desrespeito a regra da "metade mais sete".
— Qual é o problema, então?
— Mas toda vez que eu coloco esse menino no meu colo, eu não consigo esquecer que ele nasceu no governo Collor.
— Vocês não devem ser tão diferentes assim, só por causa da idade.
— Eu sou fã do Marcelo Nova, ele curte Lua Nova, eu escuto Chuck Berry, ele gosta de Katy Perry.
— Trivialidades, James. Nada de mais.
— Então, Remus?
— O que é que foi?
— Para um pouco e me explica: se eu tô fazendo o papel de tio sukita?
— Pelo amor de Deus, James, talvez seja melhor deixar de lado todo esse moralismo.
— É, ficar com ele me faz bem e me faz esquecer o meu reumatismo. Mesmo que ele seja novo demais pra mim…
— Ai, meu deus, por que é que tem que ser assim?
— Será que eu sou uma pessoa tão ruim?
— Tenho certeza que o… como é o nome dele, mesmo?
— Regulus, o nome dele é Regulus.
— Então, eu tenho certeza que o Regulus não pensa assim. Se é maior de idade, tá tudo bem.
— Você acha mesmo?
— Claro, Prongs, relaxa, cara. Vai viver, moleque.
