Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-07-28
Words:
29,238
Chapters:
1/1
Kudos:
16
Bookmarks:
2
Hits:
220

Homem-Aranha: amor em teias cruzadas

Summary:

Baekhyun já havia enfrentado todo tipo de vilão que poderia conhecer em seus 23 anos, mas o que estava deixando o nosso querido amigo da vizinhança aflito, era que em todo aranha-verso, só ele não tinha a sua MJ ou a sua Gwen para chamar de sua.

Talvez fosse carência de sua parte estar se preocupando com aquilo ao invés de salvar a cidade, ou melhor, de finalizar a faculdade, mas era mais forte do que Baekhyun... que ao se ver preso em mais uma batalha contra um de seus vilões favoritos, ele se vê frente a frente a única pessoa que mexeu no seu coração.

Seria o seu colega de turma, um simples futuro cientista, a sua MJ??

Notes:

Olha só quem apareceu com uma chanbaek?? Isso mesmo, eu!!
Pra quem gosta de um aranhaverso que nem a tia Margo vai ficar feliz com esse plot, viu?? Então, espero que aproveitem!
Vamos aos agradecimentos!!
@fashionistq, meu grande amor, OBRIGADA DE VERDADE POR ESSA CAPA LINDA, sério, ficou perfeita, super combinou com a história e eu estou apaixonada por ela até hoje!! @chanyeolpidao, obrigada de verdade por ter betado mais uma história minha, você está me salvando DEMAIS!! E é claro, agradecimento especial pra @dustlights por ter lido a história antes e ter me ajudado em várias coisas sobre o universo e o plot, Mia, eu tô te devendo a minha alma pela ajuda incrível!!!

Aos demais, espero que gostem, de verdade! Boa leitura!!

Work Text:

Universo 4061.

Quarta-feira, 12h45m.

 

Acho que todos já conhecem a história. 

Para dizer a verdade, já estava cansado de ficar repetindo a mesma história sem parar, mas, era quase um protocolo a ser seguido quando começava a contar sua vida para uma pessoa desconhecida. 

Baekhyun Byun Stacy. Um rapaz de 23 anos, perto de se formar na sua primeira graduação. Estava cursando ciências, morava com o pai americano e tinha dois melhores amigos, sendo eles Nathan Leeds e a bela Edwina Parker, esta que conhecia desde criança. Um rapaz normal, que se atrasava para as primeiras aulas e que acabava dormindo no meio de um filme passado em sala de aula, apenas um rapaz normal. 

Mas vamos ser sinceros. Se está aqui, já sabe que de normal não tem nada. 

Como Baekhyun gosta de dizer, a sua vida começou realmente quando tinha 17 anos. 

Era um rapaz que curtia sair escondido à noite, normalmente para ir andar de skate com os amigos, ou apenas ir comprar uma pizza do outro lado da cidade. Foi em uma dessas saídas que tudo aconteceu. No momento, era apenas uma noite qualquer, onde corria desesperado depois de ter caído, sem querer, em cima de um carro ao arriscar uma manobra no skate velho em um corrimão. Se viu desesperado quando descobriu que o dono do carro estava no carro e não era um bom dia para aquele homem que, com um pedaço de madeira, corria desesperado atrás do menino que segurava sua prancha quebrada ao meio em mãos. 

Baekhyun se escondeu em um beco sem saída quando despistou o dono do carro, respirando pesado quando aquela pequena aranha entrou dentro de seu moletom. Ele não sentiu. Realmente não sentiu nada, nem ao menos a mordida do aracnídeo. Passou tão despercebido que ele foi notar apenas na manhã seguinte quando observou aquela vermelhidão em seu peito, como uma picada de mosquito. Mas não era o machucado que chamou a atenção. 

Daquele dia em diante, muitas coisas aconteceram. Baekhyun descobriu muita coisa que não deveria saber, entrou em muito problema que, se fosse um pouco mais sábio, entenderia que não deveria estar entrando de cabeça. Mas para um garoto de 17 anos, a curiosidade de saber o que estava acontecendo consigo e o porquê de ter pessoas querendo-o morto do dia para noite era maior. 

Daquele dia em diante, o rapaz se tornou um super-herói quando entendeu os poderes que tinha, se nomeando Homem-Aranha. O primeiro herói daquela cidade. 

Isso até ele ser sugado aos 20 anos por um portal, o levando para outro universo onde descobriu que não existia apenas ele de Homem-Aranha. Que na verdade, existem milhares deles, assim como milhares universos, o que era estranhamente bizarro. Mas no seu universo só existe ele mesmo, usando aqueles trajes que construiu do zero com a ajuda da melhor amiga, Edwina, essa que mantinha o seu segredo a sete chaves. 

E era ali que Baekhyun estava, observando a cidade Brooklyn enquanto sentia os cabelos se bagunçarem por conta do vento forte que batia do alto do edifício em que estava. Segurava com uma das mãos uma caixinha de tteokbokki e com a outra segurava o celular contra a orelha, ouvindo a voz aguda da melhor amiga que reclamava mais uma vez sobre alguma coisa que ele já tinha parado de prestar atenção. 

Mas quer saber? Ele que vá à merda! Eu não posso ficar me estressando por causa de um idiota que não sabe fazer trabalho em grupo — A mulher disse irritada contra o celular, tirando um suspiro do melhor amigo, que apoiou o celular no ombro enquanto comia tranquilamente. — Mesmo que ele já tenha a porra dos seus 27 anos e esteja no final do curso da graduação, ele que vá à merda com gosto, esse idiota do caralho! 

— Acho que já deu de ofender o seu colega, né? — Baekhyun perguntou de boca cheia, colocando a caixinha de comida ao seu lado enquanto limpava a boca no traje. — Você já entregou o trabalho, não tem mais porquê continuar reclamando — Concluiu tranquilamente, olhando ao redor novamente somente para checar se estava tudo bem. 

Bae, ele é a minha dupla até o final do semestre — Edwina reclamou em um suspiro, fazendo o amigo suspirar também. — Eu odeio a minha professora e esse idiota — Disse chorosa, tirando outro suspiro do amigo, que deixava os olhos vagarem novamente pela cidade movimentada. 

— Vocês vão acabar se matando ou transando até o final do curso — Baekhyun concluiu, um bico se formando em seus lábios enquanto pegava com os hashis mais um pouco de seu almoço. — E se acontecer a segunda opção, vai ser muita sacanagem, principalmente depois de tudo o que eu descobri. 

Vai começar de novo? — Edwina perguntou, cansada, fazendo o rapaz arregalar os olhos indignado. 

— De novo? Você está há três dias reclamando do rapaz, então eu posso sim reclamar que depois de tudo o que aconteceu com o universo, duas vezes seguidas, e essa segunda vez foi bem recentemente, todos tem uma MJ para chamar de sua. MENOS EU — Acabou gritando, segurando o celular com a mão enquanto largava de vez seu almoço. 

Aquele era realmente um tópico sensível para o jovem herói. 

Tudo bem que o lapso temporal que aconteceu em milhares de universos, spoiler: causado por um homem-aranha, foi um fato bem traumático. Mas Baekhyun também agradecia muito por tudo aquilo. Acabou conhecendo pessoas (ou ele mesmo, não sabia dizer ainda) que levaria para a vida inteira. Eram legais e descolados, mas no meio de conversas e correrias, tinha descoberto as histórias deles. 

Eram parecidas com a sua. Mas uma coisa diferente aconteceu, o que deixou Baekhyun abismado por muito tempo. Todos os homens-aranhas, até mesmo todas as mulheres-aranhas que conheceu, tinham alguém. Normalmente se tratava de uma Mary Jane, ou melhor, MJ. Ele era o único que não conhecia ninguém com aquele nome, ou sei lá, alguém com aparência parecida ou qualquer coisa. Ele era o único naquele meio que não tinha um par romântico para a sua história, o que era bizarro. 

Você tem que entender que cada um tem a sua vida, Bae, uma hora você vai encontrar o seu par romântico — Edwina disse tranquila, ouvindo exatamente quando o amigo lançou uma de suas teias, o vento ecoando pela ligação enquanto ela continuava a falar: — Tenho certeza que a sua MJ está por aí, só esperando o momento certo para… 

— Merda, vou ter que desligar — Baekhyun apenas avisou, desligando no meio da frase da melhor amiga, jogando o celular dentro do bolso escondido no traje, parando em cima de outro prédio apenas para puxar a máscara sobre o rosto, escondendo a identidade. 

Uma coisa que não explicam muito bem é que, quando existe um super-herói em uma cidade, consequentemente, existirá um vilão, ou vários deles. Baekhyun nunca entendeu como eles ficaram tão poderosos, pois entendia como eles surgiam e queriam o mal de todos, porém, ainda era uma incógnita na cabeça do aranha, que olhava incrédulo para a cena que acontecia logo à frente. 

— Isso só pode ser uma brincadeira — Baekhyun comentou baixinho, colocando as mãos na cintura enquanto lançava a teia, voando entre os prédios para se aproximar do que acontecia. Parou no meio da rua interditada, de trás para a Doutora Octopus, que olhava ao redor, provavelmente procurando por algo. — Agora viraram semanais os encontros? Quinzenal estava muito melhor — Comentou, coçando a cabeça enquanto observava a mulher se virar. — Vou começar a cobrar pelos encontros — Brincou, colocando as mãos na cintura enquanto caminhava até a mulher, que lhe encarava irritada. 

Tudo bem que o seu relacionamento com a Doutora Trainer era conturbado. Ela, que se aproximava aos poucos com seus cabelos arroxeados, usando os tentáculos de forma bruta. Teria que conversar com o prefeito por conta do asfalto destruído, novamente. Era uma mulher bonita; fora aluna de um dos melhores cientistas dos Estados Unidos, este que morreu em uma experiência (que resultou no aranha e também naquela mulher parada à sua frente), gerando uma revolta tão grande na menina que, ao invés de virar uma heroína gata, se tornou aquilo que encarava Baekhyun com um olhar assustador. 

— Cobrar? Eu que deveria cobrar — A mulher disse, irritada, se aproximando do rapaz, que dava passos para trás cada vez que um tentáculo se aproximava demais de si. — Acha que eu esqueci o que fez comigo? 

— Claro que não, não faz muito tempo que você tomou uma surra, né? — Perguntou novamente, vendo o sorriso convencido da mulher morrer, a raiva tomando conta do rosto inteiro. Não existiam muito motivos para que a Doutora Trainer fosse atrás do Byun, apenas aquela raiva da vingança que sempre gritava dentro da mulher, que não se importava em bater em um homem mascarado no meio do dia com uma multidão observando. 

E foi isso que aconteceu quando a mulher avançou, fazendo Baekhyun correr para longe através das teias, tentando se esquivar o máximo que conseguia da mulher, isso até um dos tentáculos lhe atingir em cheio, o fazendo voar em direção à um dos enormes prédios. 

Não gostava muito dessa parte. A parte que dói realmente pegava um pouco no ego de Baekhyun, que sentia o corpo inteiro reclamar enquanto se levantava no meio dos cacos de vidro. Era legal isso de salvar a cidade e as pessoas, gostava até mesmo de salvar o mundo, mas a parte que machucava ele não curtia muito. Sentiu as mãos arderem quando os cacos rasgaram o traje, perfurando as mãos enquanto se levantava, encarando a mulher que lhe encarava de volta, vitoriosa. 

— Vejo que o Homem-Aranha está cansado… O que foi? A mamãe não fez o leitinho para você dormir bem na noite passada? — A mulher provocou, tirando quase um rosnado do rapaz, que fechou os punhos enquanto caminhava até a beira do prédio, encarando-a de perto. — O que foi? Não pode comentar sobre a mamãe? — Zombou novamente, rindo alto enquanto todos do prédio olhavam assustados. 

Não pensava muito bem quando estava com raiva, era como se o sentido aranha dominasse o seu corpo apenas para ficar vivo, pois o sentimento amargo tomava conta do momento, o fazendo agir de maneira imprudente. E foi isso que fez, puxando com teia uma mesa e atirando-a contra a mulher em um golpe surpresa, fazendo-a cair de onde estava, os tentáculos tentando se segurar, levando mais algumas partes do prédio enquanto ela caía. 

E Baekhyun a acompanhou, fechando a mão em punhos enquanto voava em sua direção. Estava pronto para atingir a mulher em um único golpe quando o grito amedrontado fez seu sentido aranha gritar dentro de si, o fazendo virar o rosto no momento em que o homem despencava do prédio junto a um dos tentáculos. 

Lançou uma teia em direção à Doutora, a segurando e a grudando em um dos prédios antes de se virar totalmente para o que acontecia ao seu lado. Tudo era rápido demais; se não corresse, qualquer coisa poderia acontecer. Novamente não pensava, apenas agia enquanto cortava o vento em direção ao rapaz, que tinha os olhos fechados e tentava se segurar no ar, tentando se salvar. O seu corpo se encontrou com o do homem em instantes, uma dor atingindo todo o corpo de Baekhyun quando teve o seu tronco batendo com o do outro homem, que também soltou um gemido de dor pelo impacto. 

Sentiu quando os braços e as pernas lhe envolveram, finalmente segurando em alguma coisa enquanto continuava a lançar teias, se afastando do alto e indo para a rua apenas para deixar o outro a salvo. Aquele era o seu trabalho, salvar vidas era o principal, mesmo que quisesse quebrar a cara de algumas pessoas às vezes. Seus pés atingiram o chão segundos depois de tudo o que aconteceu, e seu corpo pareceu pesar quando tocou levemente as costas do outro homem, que mantinha os olhos fechados, assustado. Sentia o coração dele bater desesperado no peito e ele tremia. 

— Já passou — avisou baixo, levando as duas mãos paras as pernas que estavam presas em sua cintura, puxando-as com calma para soltar o rapaz de seu colo. — Nada aconteceu, mas agora eu preciso voltar lá para cima, então… — Falou mais alto daquela vez, fazendo o rapaz se soltar aos poucos. Baekhyun sentiu o corpo ficando mais leve quando os pés do moreno atingiram o chão. — Está bem? — Perguntou preocupado, subindo os olhos quando a altura se fez presente. 

O homem à sua frente tinha os olhos puxados e os cabelos estavam bagunçados, ele tremia e tinha os óculos tortos no rosto. Era um homem bonito, bem vestido e assustado, mas bem bonito mesmo. 

— Acho que sim — o homem respondeu, a voz rouca fazendo Baekhyun afastar um passo antes de ouvir as sirenes dos policiais que se aproximavam. 

— Perfeito… Agora eu preciso voltar — abriu um sorriso por debaixo da máscara, lançando a teia e a enrolando na mão enquanto ela voava para se fixar em um dos prédios. Baekhyun olhou mais uma vez para o rapaz que lhe encarava assustado. — Eles vão te ajudar — completou baixo. 

— Obrigado — o rapaz respondeu, perdido, fazendo o aranha apenas concordar com a cabeça antes de voar, ainda encarando o rapaz bonito à sua frente. Mas bem, o pensamento durou pouco, bem pouco para ser sincero, já que apanhar também fazia parte do seu trabalho. 




New York University.

Sexta-feira, 09h15m.

 

Booty Wurk tocava alto no headphone naquela manhã, fazendo algumas pessoas olharem curiosas para o rapaz que caminhava tranquilamente para fora da estação. Não estava atrasado, já que a aula começava às nove e meia, o que dava um tempinho para Baekhyun apenas caminhar tranquilamente, ignorando completamente o mundo ao seu redor enquanto balançava a cabeça para a frente e para trás. 

Carregava um olho roxo e um hematoma muito bonito na bochecha, fazendo as pessoas olharem ainda mais curiosas, mas o rapaz apenas ignorava, curtindo a sua música tranquilamente, como se não passasse de uma pessoa normal, mesmo que ainda estivesse totalmente dolorido da quarta-feira passada. 

Porém, o seu momento “curtindo a vida” passou rápido demais quando a mão pesada do melhor amigo lhe atingiu a cabeça, o fazendo virar o rosto assustado, arrancando os headphones para encarar os olhos escuros do amigo, que sorria engraçado em sua direção. Sorriso esse que morreu ao ver o rosto do amigo. 

— Foi seu pai de novo? — Nathan perguntou preocupado, fazendo Baekhyun negar com a cabeça, tombando-a para o lado. Tinha usado a desculpa de ter saído em uma briga feia com o pai uma vez quando apareceu com um hematoma leve na bochecha, desse dia em diante, Nathan sempre perguntava se era algo relacionado ao seu pai. 

— Não, briga na pista — Falou tranquilo, dando de ombros enquanto deixava os fones no pescoço, caminhando ao lado do amigo que se dirigia até a faculdade. Tinha conhecido Nathan na universidade, sendo o seu único amigo na instituição, o que era muito bom, já que nunca foi de querer fazer muitas amizades. — Dois caras começaram a brigar e eu fui intervir… Mas eu não sou muito bom de briga, pelo menos não quebraram nada meu dessa vez — Falou rindo enquanto apontava para o skate embaixo do braço, fazendo o amigo concordar com a cabeça. 

— Você tem que parar de entrar em brigas, isso sim — Nathan deu de ombros, olhando para a frente enquanto caminhava, ignorando o rosto machucado do amigo, que sorriu pequeno enquanto entrava na faculdade. Gostava dessa vida que levava. Nathan não sabia de seu segredo, era quase como se vivesse a vida que sempre teve antes dos 17 anos ao lado do amigo, o que era muito bom. — Bom, a Edwina… Bom, como ela está? 

— Você ainda está interessado na minha melhor amiga? Eca — Respondeu com outra pergunta enquanto entrava na sala, se jogando em uma das carteiras. 

— O que eu posso fazer se ela é linda? — Retrucou, se sentando ao lado de Baekhyun, que apenas negava com a cabeça enquanto desligava a música, levantando os olhos quando a sala ficava em silêncio com a chegada do professor. 

Estava no último ano de ciências, se formaria naquele ano. E bom, apenas quem viveu os semestres finais de uma graduação pode entender a crise que o rapaz estava passando enquanto observava as coordenadas de mais um trabalho que o professor passava para a turma. Era uma crise constante que fazia até mesmo o seu sentido aranha cansar de tanta informação, mas também foi o seu sentido aranha que o fez olhar primeiro do que todos para a porta de entrada da sala, dando de cara com o rosto familiar e bonito do rapaz que entrava atrasado na turma. 

— Atrasado, Chanyeol — O professor disse alto, chamando a atenção de todos para o rapaz asiático que estava na sala, fazendo-o forçar um sorriso em direção ao mais velho. 

— Perdão, tem sido uma semana complicada — avisou baixo, a voz rouca fazendo Baekhyun arrumar a postura enquanto observava o rapaz correr até um lugar vazio, se jogando na cadeira. 

— Quem é ele? — Byun perguntou curioso para o amigo, que lhe olhou assustado, como se fosse a pergunta mais idiota do mundo sendo feita no momento. 

— O intercambista — Nathan respondeu como se fosse o óbvio, voltando a ignorar o amigo quando o professor começou a falar. Mas diferente dele, Baekhyun não conseguia mais prestar atenção na aula, seus olhos acabaram indo para o rapaz que tinha salvo na quarta-feira muitas vezes, mais vezes do que o devido, o que era completamente estranho. 

Nunca tinha o visto dentro daquela turma, e bom, um intercambista sempre era notícia na faculdade, então, como nunca ouviu falar dele? 

Deixou a sala depois de quase duas horas de aula, ignorando Nathan apenas para correr em direção à sala da amiga, que deixava a sua sala também. Baekhyun segurou Edwina por um dos braços, a puxando pelo corredor enquanto continuava a correr, se enfiando em uma sala vazia quando pode. 

— Seu rosto está horrível — Edwina falou assim que entrou no lugar, encarando o melhor amigo que abriu os lábios indignado. 

— Quem é o intercambista que está na minha turma de ciências biológicas? — Perguntou, ignorando completamente a amiga, que cruzou os braços com a pergunta. 

— O intercambista coreano que veio finalizar a faculdade aqui em Nova York no ano passado. Ele chamou bastante atenção, como você não lembra dele? — Perguntou confusa, fazendo o aranha apenas concordar, batendo contra a própria testa quando se tocou do que acontecia.

— Ano passado eu estava preso em outro universo, serve? É claro que eu não iria lembrar dele — Justificou, gesticulando desesperadamente com as mãos enquanto se aproximava da amiga, que lhe encarava estranho. Baekhyun a segurou pelos braços, a chacoalhando levemente antes de voltar a falar: — Eu salvei ele na quarta-feira, foi o rapaz bonito que estava caindo do prédio. Como diabos eu nunca notei ele? — Perguntou novamente, sentindo as mãos macias da amiga tocarem nas suas, fazendo-o a soltar, se ajeitando enquanto continuava agitado. Nem ao menos entendia o motivo de estar tão inquieto como estava. 

— Bateram tão forte assim na sua cabeça? — Edwina perguntou confusa, encarando o amigo que andava de um lado para o outro na sala, bagunçando os cabelos escuros enquanto tentava pensar e entender o porquê estava daquele jeito. — É só um rapaz, parece que nunca viu outro coreano aqui na faculdade…

— Eu nunca vi outro coreano aqui na faculdade — Parou para pensar, encarando a amiga que revirou os olhos, se lembrando perfeitamente de algumas pessoas coreanas na faculdade. — Será que é isso? Será que é por causa da minha mãe? 

— O que a sua mãe tem haver com isso? — Ela perguntou ainda mais confusa, mudando a expressão assim que viu o olhar triste nos olhos do amigo, cobrindo a boca com uma das mãos. A mãe de Baekhyun era um tópico muito sensível, mesmo fazendo 5 anos. 

— Acho que eu vou passar na minha halmoeni hoje — Avisou enquanto se abraçava, aquele olhar tomando conta de todo o seu rosto. Ainda se sentia agitado, como se algo estivesse para acontecer, algo que ele não sabia o que era mas lhe deixava ansioso demais para pensar. Mas lá estava a lembrança triste de sua mãe, o fazendo apenas concordar com a cabeça, ignorando totalmente o que a amiga falava enquanto deixava a sala de cabeça baixa, colocando os headphones apenas para não prestar atenção nas pessoas ao seu redor. 

Baekhyun não olhou quando esbarrou no rapaz coreano, que olhou assustado para o outro antes de seguir o caminho, também levemente abalado pelo dia. 

Diferente de Baekhyun, Chanyeol era realmente um homem normal. 

Com seus 24 anos, tinha se mudado da Coreia para finalizar a faculdade na Nova York University com a bolsa que ganhou. Foi uma grande oportunidade, mas parece que tudo o que aconteceu desde que chegou no país estrangeiro foi um grande pesadelo. 

Não sabia se comunicar direito. As pessoas não eram nada simpáticas e todos lhe olhavam esquisito, e não entendia o porquê. Não conseguiu fazer nenhuma amizade nesse um ano em que estava nos Estados Unidos, nem mesmo com aqueles que eram muito fãs da cultura coreana, então, era um rapaz sozinho em uma cidade enorme, o que era bem triste. 

Parecia que o destino tinha piorado tudo naquelas últimas semanas, mas naquela semana fora o auge. Havia conseguido um emprego em um jornal grande. Era o seu primeiro dia na quarta-feira, mas uma coisa que não explicam é que quando existe um super-herói em uma cidade, desastres acontecem, e a chance de você estar nele é bem grande. 

No seu primeiro dia, se viu caindo de um prédio, do 20° andar. Achou que iria morrer, na verdade, tinha certeza disso. Mas ali estava ele, caminhando para outra aula enquanto continuava a pensar naquele homem baixinho que todos chamavam de Homem-Aranha, que tinha lhe salvado na quarta-feira. 

Ele tinha o traje preto e vermelho, os olhos brancos não eram nada expressivos, ao mesmo tempo que eram. Nunca tinha o visto, mas não conseguia parar de pensar nele desde o que aconteceu, quase como se estivesse viciado naquele herói adolescente que mais apanhava do que outra coisa. 

— Park! Está indo trabalhar? — A voz conhecida e amigável do orientador fez o coreano parar, se virando para o senhor baixinho que lhe sorria. 

— Sim, vou — Abriu um sorriso em direção ao senhor, que apenas lhe deu tapinhas nas costas, quase como um gesto de carinho. 

— Aproveite bem esse emprego, tenho certeza que é uma chance de ouro! — O orientador comentou, piscando um dos olhos antes de deixar Chanyeol livre, este que apenas seguiu o caminho que estava virando automático. Pegou o trem e desceu três estações depois, comendo sua marmita em frente ao prédio antes de entrar, subindo até o vigésimo andar, este que ainda tinha um enorme burado onde ficava a sua mesa. 

Se jogou na cadeira, olhando ao redor enquanto esperava alguma coisa acontecer, provavelmente alguma coisa ruim, já que isto era a única coisa que passava por sua cabeça. Estava tão distraído que nem ao menos viu quando o tempo passou, quando entregou tudo o que precisava e quando se viu recolhendo as próprias coisas, seguindo o caminho para ir embora. Mas antes do que percebesse, subia para o último andar daquele prédio, subindo mais um lance de escadas para se ver ao topo, podendo olhar toda a cidade enquanto segurava um sanduíche de atum em mãos. 

— Mas que merda eu estou fazendo da minha vida? — Soltou as palavras em coreano, a língua nativa deslizando na língua enquanto olhava a cidade grande à sua frente. Estava cansado, os olhos ardiam e ele queria apenas tacar aquele sanduíche de atum para longe, mesmo que o estômago reclamasse de fome. 

E foi isso que fez quando bateu os pés no chão antes de arremessar o lanche no ar, sentindo o corpo tremer de raiva. Estava se sentindo um completo idiota desde o acidente, como se sua vida estivesse escapando de suas mãos desde aquele momento. Mas ele não poderia reclamar. Longe disso, deveria agradecer, pois estava vivo, trabalhando em um dos maiores jornais da cidade, realizando um sonho de se formar em uma das melhores faculdades, de conhecer outro país. 

Mas não queria agradecer, queria apenas gritar, do mesmo jeito que fez quando estava caindo daquele prédio, pedindo por ajuda. Queria pedir por ajuda, era isso. 

Chanyeol enfiou as mãos nos cabelos, puxando os fios enquanto algumas lágrimas grossas manchavam o rosto sem ele perceber. Estava tão cansado de tudo que nem notou quando se encolheu, querendo se esconder até mesmo do vento frio que o fazia tremer. Chorava desesperado, querendo que apenas o sentimento saísse de dentro de si quando o barulho de algo caindo lhe assustou a ponto de cair no chão, segurando o peito com o coração desesperado enquanto olhava para o homem que se levantava assustado. 

— A teia quebrou no meio, desgraça — O rapaz disse, o traje preto e vermelho decorando o corpo enquanto limpava as mãos nas pernas, olhando ao redor. Era a segunda vez que Chanyeol via aquele herói em uma semana. — Sabe, não é muito seguro ficar se pendurando por aí, não recomendo — Falou, se virando para Chanyeol, que observou o aranha se aproximar aos poucos, como se fosse mais um dia. — Pera, você está bem? 

— O que está fazendo aqui? E quem é você? — Chanyeol perguntou, mesmo sendo óbvio. 

— Bom, normalmente me chamam de Homem-Aranha, e eu gosto do nome — Respondeu, dando de ombros, se aproximando aos poucos do coreano, que continuava a segurar o peito. — E por eu ser considerado um super-herói, normalmente eu fico dando umas voltas pela cidade para ver se está tudo bem, sabe? — Completou, tranquilamente, se agachando na frente do rapaz, que apenas concordou com a cabeça. — Está bem? — Perguntou novamente, apoiando os cotovelos nos joelhos pela posição que estava, tombando a cabeça para o lado enquanto observava o asiatíco respirar fundo, se sentando corretamente e limpando o rosto sujo do choro. 

— Estou bem — Chanyeol respondeu baixo, a voz grossa quase sumindo pelo barulho do vento. 

— Tem certeza? — O aranha voltou a perguntar, se sentando direito também no chão. — Pois se não estiver bem, não tem problema também. 

— Você lembra de mim? — Chanyeol perguntou, mudando de assunto, ouvindo um riso leve do outro como resposta. 

— Claro, como não lembrar do rapaz que se agarrou em mim há uns dias atrás? — Brincou, imitando os gestos do coreano, que arrumou a postura enquanto desviava o olhar. — Está bem? Deve ter sido aterrorizante o que aconteceu… E peço desculpas, tem bastante gente que tenta me matar por aqui e algumas pessoas acabam se envolvendo, mesmo eu evitando o máximo. 

— Eu estou bem — Chanyeol respondeu novamente. Era estranho estar querendo chorar em frente a um homem mascarado que tinha lhe salvado na quarta-feira? Era normal se sentir confortável nessa situação? Estando em cima de um prédio, com um completo estranho à sua frente? — Acho que eu só estou com saudades de casa — Disse baixo, limpando uma lágrima enquanto olhava a vista da cidade. — Estar longe de casa é complicado… Estou com saudades da minha eomeoni — Confessou, um bico se formando nos lábios enquanto voltava a olhar para o homem à sua frente, que continuava parado como antes. 

— Eu também sinto falta da minha eomeoni — O aranha confessou em um sussurro, fazendo Chanyeol lhe olhar assustado. 

— Sabe o que significa? — Perguntou, ainda assustado, tirando uma risada do aranha que apenas concordou com a cabeça, se colocando em pé. — Como? 

— Não posso falar muito, quebra o sigilo do meu trabalho, sabe? — Brincou com a resposta enquanto encarava o outro de cima. — Mas assim, sei como é sentir saudades… E quando estou assim, normalmente eu costumo olhar a cidade, observar sempre é uma boa para distrair a mente… Mas do jeito que eu observo, os pensamentos somem mais rápido — Confessou sério, caminhando até a beira do prédio, virando o rosto para o rapaz que continuava lhe encarando, sentado no mesmo lugar. — Se quiser, posso te fazer esquecer… Pera, isso soou muito estranho, esquece — Riu nervoso, dando as costas para a beira do prédio para encarar o coreano, que se colocava em pé, curioso. 

— Do que está falando? — Chanyeol perguntou curioso, limpando as lágrimas que insistiam em cair dos olhos. 

— Quer dar uma volta? — O aranha perguntou simplista, dando de ombros antes de apontar para trás. — O meu dever é cuidar das pessoas dessa cidade. Não consigo fazer com todas, não é com todos que eu me encontro em telhados… Mas se você quiser, podemos dar uma volta. 

— E como seria essa volta? — Perguntou novamente, ouvindo uma risada do aranha que apenas lhe deu os ombros. 

— Vem que eu te mostro. 

E Chanyeol realmente foi, caminhando timidamente até onde o Homem-Aranha estava, parando ao seu lado, observando a cidade à sua frente. Não era o maior prédio, mas conseguia uma bela vista dali. Vista essa que sumiu aos poucos quando a mão leve do aranha lhe empurrou no meio das costas, o fazendo ir para frente, caindo do prédio como aconteceu na quarta-feira, mas daquela vez, o coreano não gritou, apenas fechou os olhos antes de ter o braço forte do herói em sua cintura, lhe segurando e lhe dando confiança para abrir os olhos enquanto se balançavam pelos prédios. 





Korea Mart.

Sábado, 11h30m.

 

Edwina caminhava tranquilamente entre uma das ruas ao lado do supermercado coreano perto de sua casa. Na verdade, não estava apenas caminhando, esperava o melhor amigo depois de uma mensagem dele pedindo para lhe encontrar, e bom, ele sempre estava ali quando queria conversar, ou na sua janela, o que era estranho e bem comum. 

Uma touca cobria a sua cabeça e ela usava um grande moletom, as mãos enfiadas no bolso, quando o melhor amigo pulou em sua frente. Literalmente, pulou em sua frente, caindo do céu como se fosse a coisa mais natural do mundo. 

— Eu conversei com o Miles na madrugada passada — Informou enquanto arrumava os cabelos. O bom de ter alguém que sabia tudo sobre a sua vida, era que conseguia compartilhar tudo o que acontecia no vasto universo de homens-aranhas. Agradecia muito de Edwina ter entrado em seu quarto ainda quando tinha 17 anos e o visto com o primeiro (e ridículo) traje, juntando os pontos e ficando chocada por duas semanas seguidas, ah, como agradecia aquele momento.

— Sobre o fato de você não ter uma MJ ou uma Gwen? — A menina perguntou tranquila, se encostando em uma das paredes para observar o amigo. 

— Na verdade, a gente conversou sobre muitas coisas… E eu sou não sou um Peter Parker, você sabe, né? — Perguntou curioso, vendo a amiga abrir a boca, ironizando o momento. — É claro que você sabe. 

— Sim, pois você já fez a teoria inteira de que eu posso ser o Peter Parker, já que o meu sobrenome é Parker — Edwina respondeu o óbvio, mesmo não acreditando em nada daquela teoria estranha do melhor amigo. Estaria mais para se transformar no duende que o amigo fala que existe em outros universos do que em uma mulher-aranha. — E você faz parte dos Stacy, como a Gwen Stacy, já que, na sua teoria, você seria da família dela — Explicou tudo o que sabia, desencostando da parede quando um grupo de jovens passou, olhando estranho para os dois. — E essa teoria não faz nenhum sentido. 

— É claro que faz sentido, até a Gwen concordou com isso — Baekhyun explicou, se aproximando da amiga quando os adolescentes deixaram o local, segurando na cintura da amiga, lançando uma teia e levando para cima tranquilamente. — E a Gwen entende bem sobre os universos. Mas não foi sobre isso que a gente conversou. Na verdade, em um universo onde uma Gwen Stacy existe, ou qualquer Stacy existe, as coisas não saem muito bem. 

— Mas você já perdeu a pessoa importante como todos os outros — Edwina falou baixo, encostando os pés no chão quando chegaram ao telhado do supermercado. — Como todos, você perdeu a sua mãe, a sua pessoa importante. 

— Eu sei — Respondeu sério, se sentando na beirada do telhado, sendo acompanhado pela amiga. — Mas se você for a minha Parker, eu tenho que tomar cuidado, sabe? — Confessou aquilo que estava lhe incomodando. — Entramos nesse assunto por acaso, e faz muito sentido, e bom, eu não quero perder a minha pessoa importante de novo. 

— Você não vai me perder, eu juro — Edwina afirmou, tocando na mão do amigo, que lhe abriu um pequeno sorriso. — Mas pode começar a me falar o que fez você realmente me ligar, além disso… 

— Se existe uma possibilidade de você não ser o Peter Parker desse universo, ser apenas a minha melhor amiga, ainda não conheci o Parker certo, isso não é estranho?  — Perguntou curioso, uma curiosidade sincera que brilhava em seus olhos. 

Este era realmente um assunto que acabava lhe afetando muito, mesmo que não notasse. Edwina conseguia perceber como o amigo ficava mexido quando tocava nesse assunto, principalmente por se tratar de um dos pouquíssimos aranhas asiáticos. Era o único que parecia ter lacunas na sua história, diferente dos outros. E mesmo entendendo que cada um vivia a sua história, ele sentia que algo estava faltando, algo muito importante para o seu próprio universo. 

— Não acho estranho — Respondeu sincera, encarando o amigo que tinha um leve bico nos lábios, quase em manha — Lembro que você mesmo me disse que alguns conheceram a MJ na infância, outros conheceram na faculdade — Explicou, deixando um leve carinho na mão de Baekhyun, que deixou um suspiro escapar enquanto desviava os olhos. — Cada um tem o seu tempo, você está no seu tempo ainda… Tem só 23 anos. 

— Ontem encontrei com aquele intercambista — Informou depois de um tempo, mudando de assunto. — Minha teia estourou, de novo, mas dessa vez eu caí em cima de um prédio e ele estava lá — Sussurrou, como se aquilo fosse realmente um grande segredo, que se alguém ouvisse poderia estragar tudo. — Ele não estava bem, então eu… Levei ele para passear pela cidade. 

— Você levou ele para passear pela cidade? — Edwina perguntou, soltando a mão do amigo, que coçou a nuca em nervosismo. — Você nunca fez isso comigo! Por que diabos fez isso com o intercambista que você conheceu na quarta-feira? — Perguntou enquanto cruzava os braços, observando o amigo se levantar enquanto pensava. 

— Ele não estava nada bem — Confessou, pisando para deixar o telhado, andando na parede, fazendo a melhor amiga se inclinar ainda mais para conseguir observar o melhor amigo que caminhava de um lado para o outro na parede. — Quando eu cheguei ele estava chorando e falando que estava com saudades de casa e da mãe… Eu entendi um pouco o que ele estava sentindo, e foi tão legal ver como os olhos dele brilhavam enquanto observava a cidade, foi legal. 

— Você é bem estranho — Edwina comentou o que estava na cabeça, vendo uma careta se formar no rosto do amigo. — Você vem me falar que quer uma MJ, que está faltando isso na sua história, mas você nunca levou uma mulher para passear de teia… Nem eu você leva, e quando conheceu esse homem, a primeira coisa que você faz é levar ele pra andar de teia? Já parou para pensar que talvez você devesse procurar por um MJ, e não uma MJ? 

— O nome dele é Chanyeol, ele não é minha MJ. 

— O sobrenome dele é Park, ele pode muito bem ser o seu Peter Parker — Cortou o amigo, que parou no mesmo instante em que a frase foi dita, olhando a amiga dar de ombros. — Estou com fome, quero comer kimbap — Falou, mudando de assunto, esticando os braços para o amigo que se aproximou, ajudando a amiga a descer do telhado, os dois parando no chão com facilidade e caminhando juntos, em silêncio, até a entrada do mercado coreano. 

— E se ele for realmente o meu Peter? — Baekhyun perguntou depois de um tempo, observando a amiga pegar alguns lámens e o kimbap que queria, levando todos em mãos para comer no estabelecimento. 

— As chances são extremamente baixas, você sabe, né? — Respondeu sincera, sorrindo gentil para o senhor no caixa, que devolveu o sorriso antes de passar as compras. — E você sonha demais, às vezes você só não tem uma MJ ou um Peter, você vai ter, sei lá, uma Ana — Edwina afirmou, pegando a carteira no bolso, pagando as compras enquanto o amigo observava. 

— Eu deveria falar com ele — Baekhyun falou do nada, fazendo a melhor amiga se virar assustada na sua direção. 

— Quê? Não! — Respondeu séria, caminhando sozinha até uma das mesinhas para comer o seu kimbap. 

— Eu vou ir falar com ele — Retrucou a amiga, que arregalou os olhos, negando desesperadamente com a cabeça. 

— Ele não te conhece! — Quase gritou, fazendo Baekhyun se aproximar da mesa para que ela continuasse a falar. — Ele conhece o Homem-Aranha, e não o Baekhyun, e ficaria totalmente estranho o Homem-Aranha ficar encontrando ele por aí — Explicou irritada, fazendo o amigo franzir o cenho, confuso. — Você tá com fogo no cu, então, se acalma, senta aí e come um pouco — Mandou, observando Baekhyun fazer exatamente o que a melhor amiga pediu, tirando um suspiro dela. — Você não sabe se ele é o seu Peter, nem ao menos sabe se existe um Peter nesse universo… E você mesmo me disse que quando um Parker e um Stacy vivem no mesmo universo, algo ruim acontece, então, aquieta um pouco. 

— Você está certa — Afirmou baixo, pegando com o hashi um kimbap da amiga, enfiando o mesmo todo na boca, olhando para ao redor, ignorando o sorriso convencido da amiga à frente. 

E ela realmente estava certa. Depois da conversa que teve com Miles, entendia que muitas coisas poderiam dar errado quando encontrasse a sua metade, pois era isso que acontecia em todos os universos. Não queria que mais uma pessoa morresse por sua causa, ou para lhe salvar. 

Estava com o pensamento longe quando seu sentido aranha gritou dentro de si, fazendo seus olhos encontrarem com os olhos puxados e escuros de Chanyeol, que entrava dentro do mercado tranquilamente. Foi uma troca de olhares que durou milésimos de segundos, mas fez algo dentro do aranha se revirar, como aconteceu na sexta-feira. 

— Ele está aqui — Informou a Edwina, que virou o pescoço, observando o coreano entrar no mercado, cumprimentando o senhor do caixa em coreano antes de adentrar a loja, buscando por alguns ingredientes. 

— Lembra que você não conhece ele, quem conhece ele é o Aranha — A mulher afirmou, voltando a olhar para o amigo que tinha as bochechas vermelhas enquanto abria um salgadinho que a amiga tinha comprado, enfiando um bocado na boca.

— Eu não conheço ele — Afirmou, desviando o olhar da amiga para encarar novamente o coreano, que mais uma vez lhe olhava, fazendo as bochechas de Baekhyun esquentarem ainda mais. 

Por que seu sentido aranha gritava quando ele estava ali? 




Cidade de Nova York. 

Terça-feira, 00h00m. 

 

Era tarde. Chanyeol sabia que para uma terça-feira, já deveria estar na cama, não caminhando apressado pelas ruas movimentadas. Entendia perfeitamente que amanhã acordaria destruído, mas ir até uma loja de conveniência comprar algo para beber era quase um costume seu desde os 17 anos, e bom, o seu eu do futuro que iria lidar com o sono, não ele de agora. 

Caminhava pelas ruas enquanto tomava uma coca-cola, segurando alguns lanches da madrugada que tinha comprado. Usava fones de ouvido e nem ao menos prestava atenção nas coisas que aconteciam ao seu redor, o que poderia ser extremamente perigoso, mas não estava se importando muito naquele dia. Estava pensando em pegar o celular para trocar de música quando sentiu o ombro ser atingido, um esbarrão fazendo ele levantar o rosto e acompanhar os três homens que corriam atrás do cara que tinha esbarrado em si. 

Em Nova York muita coisa acontecia. Aquilo já deveria ser normal para o coreano, mas ele sempre iria ficar assustado com a violência, mas o que mais surpreendia ele não era tudo o que gerava a violência em massa, mas sim como aquele cara poderia estar em todos os lugares possíveis. Tirou um dos lados do fone quando levantou a cabeça, observando o homem mascarado voar em uma de suas teias, seguindo descaradamente o que acontecia. 

Seria errado ele apenas seguir para ver o que aconteceria? 

Já tinha visto tantas reportagens, tantos documentários sobre super-heróis, mas nunca viu um pessoalmente, apenas naquele dia, o dia que quase morreu. Respirou fundo antes de deixar a curiosidade ser maior, seguindo os passos dos homens de antes, ouvindo os passos deles, apressando os passos quando o grito de dor ecoou dentro de um beco. 

Chanyeol parou de caminhar assim que o som da agressão tomou sua audição, o fazendo apenas colocar a cabeça para dentro do beco, observando quando os três homens começaram a espancar o rapaz que antes perseguiram, esse que tentava se proteger a todo custo enquanto pedia por ajuda. Não era uma cena legal de se observar, nem ao menos deveria estar ali, se sentia um intruso, e se sentia ainda pior por estar apenas observando, sem fazer nada. Deixou até os pés darem alguns passos, tentando tomar coragem para chamar a atenção dos três agressores, mas a voz já conhecida o fez parar no meio do seu ato de coragem. 

— Três contra um, acho que está bem errado isso daí, não? — O mascarado perguntou em cima de um poste de luz, balançando as pernas enquanto os três agressores viravam a cabeça em sua direção. — Observei um pouco vocês, isso que vocês estão fazendo é crime, sabe? Falo, além de bater e perseguir uma pessoa, isso pode ser considerado homofobia — Comentou novamente, pulando do poste onde estava, caindo em pé com facilidade. 

Ele usava o traje preto e vermelho, os olhos brancos brilhando na escuridão do beco, e bom, na visão de Chanyeol, aquele que chamavam de Homem-Aranha estava maior, em todos os sentidos, realmente como um super-herói. 

— Que merda — Um dos agressores comentou, tentando esconder o corpo do rapaz caído, que continuava encolhido para se proteger. 

— Que merda? Normalmente as pessoas ficam felizes ao me verem — O aranha reclamou, colocando as mãos nas cinturas enquanto os homens tentavam pegar alguma coisa para se defender, mesmo que o herói não tenha se movido. — Você me ofendeu. 

— Irá chamar a polícia? — Um dos homens perguntou, enfiando as mãos no bolso. 

— Vou pegar o menino primeiro, depois eu chamo a polícia — O aranha respondeu tranquilo, observando com calma as armas que os outros tinham escolhido naqueles poucos segundos que tinha aparecido. — Ai, eu não tenho a noite inteira, amanhã eu acordo cedão, então, se vocês colaborarem, posso até não notificar a polícia, apenas deixem o menino em paz e está tudo bem, ninguém sai machucado ou preso, o que acham? — Perguntou já cansado, encarando os três homens que se armaram, prontos para uma briga. — Só porque eu queria ir para casa — Suspirou, estalando o pescoço, agindo rápido demais para que qualquer um dos três pudessem pensar. 

Lançou a teia com rapidez, prendendo as mãos dos agressores contra a parede, assustando os três que olhavam surpresos. Não queria usar a força física contra três homens comuns, que apenas eram uns cuzões, deixar eles presos até o dia seguinte em frente a delegacia já seria uma boa lição. 

— Eu realmente não estou com paciência ou tempo para lidar com homofóbico — Reclamou, caminhando para perto do rapaz ainda encolhido no chão, que parecia bastante machucado. 

— É porque deve ser um viadinho de merda — Um dos agressores disse, não recebendo a atenção que desejava. A única atenção que o aranha dava era para o menino, que abriu os olhos assustado, o rosto realmente machucado. 

— Está tudo bem, okay? — O Homem-Aranha disse baixo, quase como se sorrisse. 

— CUIDADO — A voz de Chanyeol ecoou mais alto do que ele pensava quando tentou alertar ao herói quando um dos agressores se soltou. A faca que o homem usava foi segurada com agilidade pelo aranha, que virou o rosto apenas para encarar o homem de cabelos longos que lhe atacava. 

Existia uma ética bem grande no mundo dos heróis, onde um limite para o senso de ser uma pessoa boa existia. Quase como uma linha imaginária. Normalmente, todos tinham noção dessa linha. Ser uma pessoa agressiva, matar alguém, machucar alguém e deixá-la em um estado grave, ou até mesmo provocar o mal, fazem parte dessa linha, onde nunca poderia acontecer essas coisas. Mas, às vezes, somente às vezes, bater em uma pessoa com o caráter ruim era necessário, como naquele momento, mesmo que isso chegasse bem perto dessa linha. 

O aranha torceu o punho que segurava, fazendo a faca escapar dos dedos do homem antes de fechar o punho e acertar o rosto do agressor, tirando um gemido dolorido dele, que tentou cobrir o rosto antes de outro soco lhe atingir. O herói realmente não tinha muita paciência, mas também não era burro para não entender que se um conseguira se soltar, os outros dois estariam em cima de si em alguns segundos. O chute que acertou no que vinha em sua lateral o fez voar contra uma parede, sendo preso pelas teias do aranha em seguida, ficando completamente imobilizado. 

Ainda segurava o primeiro, que tentava se soltar do aperto do punho do herói. Esperou o terceiro se aproximar, encarando-o, que apenas ficou parado no lugar, levemente amedrontado. 

— Acabaram com a graça? — Perguntou irritado para o primeiro agressor, que soltou um gemido de dor quando o herói apertou o punho, fazendo o homem concordar antes de ser solto. — Por favor, chame a polícia — O aranha pediu, olhando diretamente para Chanyeol, que assustado puxou o celular do bolso para ligar para a polícia, ainda com os olhos presos no que acontecia. 

— Oi, aconteceu um acidente… Não, sim, ele está aqui — Começou a falar, observando quando o herói prendeu os três agressores juntos em um embolado de teias, colocando os homens sentados em um canto antes de voltar a ficar junto com o rapaz machucado. — Tem uma pessoa muito machucada, podem vir rápido… Ah sim, o endereço é… Qual é o endereço? — O coreano perguntou, fazendo o herói lhe encarar. 

— Fale que vou deixar eles na delegacia e levarei o rapaz para o hospital — o herói informou, fazendo o coreano passar a informação, desligando o celular enquanto observava o aranha carregar com facilidade o rapaz caído, puxando a teia que segurava os agressores. — Volte para a casa e esqueça o que aconteceu por aqui — Pediu, enquanto lançava uma teia, a segurando com firmeza em uma das mãos enquanto o rapaz machucado se agarrava em si. 

— Sim, vou voltar para o dormitório — Informou, apenas concordando, observando quando o herói deixou o local com facilidade, o deixando atordoado ali. 

Chanyeol acabou saindo realmente do local depois de quinze minutos parado, tentando voltar ao caminho do dormitório. 

— O que você estava fazendo ali? — A pergunta lhe tirou dos próprios pensamentos, encarando o Homem-Aranha à sua frente, que tinha voltado realmente rápido. 

— Quê? Como? 

— Prática — Respondeu, como se entendesse a confusão do coreano. — Mas o que você estava fazendo ali? — Perguntou novamente, encarando com curiosidade o outro. 

— Eu só fui comprar algo para comer — O coreano respondeu mais tranquilo, se abraçando de frio. 

— Ah, sim… Bom, qual é o seu nome? — O aranha perguntou, indo para o seu lado, começando a andar tranquilamente como se fosse lhe acompanhar até em casa. — Já nos encontramos três vezes, o que pode ser coincidência ou não, mas seria legal saber o seu nome… 

— O nome americano que me deram é Peter. Peter Park — Respondeu baixo, a resposta fazendo o herói parar de caminhar. — Mas meu nome coreano é Chanyeol, já que eu não sou daqui. 

— Peter? — O outro perguntou baixo, fazendo o coreano se virar. Quem parecia em choque naquele momento era o aranha, e não o intercambista que tinha visto uma cena bem pesada há momentos atrás. 

— Sim, meu orientador me deu esse nome para facilitar… Mas meu nome real é Chanyeol — Respondeu tranquilo, se virando para o herói que apenas concordou com a cabeça. 

— Bom, eu já tenho que ir… Tome cuidado para voltar ao seu dormitório — Informou apressado depois de alguns segundos em silêncio, fugindo da cena rapidamente, deixando o coreano sozinho novamente. 




New York University. 

Terça-feira, 07h20m.



Baekhyun havia chegado mais cedo naquele dia, se sentando sozinho no canto da aula para conseguir tirar uma soneca antes da aula começar. Estava com dor de cabeça e com o corpo dolorido, queria apenas voltar para a casa e ligar para a melhor amiga, contando o que descobriu na madrugada. Mas não podia, não quando tinha um trabalho para entregar e sabia que se ligasse para a amiga naquele momento, seria plenamente ignorado. 

Suspirou cansado, puxando a touca da blusa que usava para tentar se esconder da luz, os fones com uma música alta o suficiente para não notar ninguém ao seu redor. Estava pronto para tirar o melhor cochilo de sua vida quando seu ombro foi tocado, o fazendo levantar a cabeça em um susto e dar de cara com os olhos puxados e bonitos, os mesmos que viu na noite passada. 

— Você… O professor entrou na sala — Chanyeol avisou baixo, voltando a arrumar a postura, olhando para frente enquanto ainda sentia o olhar do outro em si. 

— Obrigado por avisar — Baekhyun respondeu, os olhos levemente arregalados enquanto continuava a observar o outro, que ajeitou o boné que usava, levemente desconfortável com o que acontecia. — Você é novo por aqui? — Perguntou, forçando um estranhamento, como se realmente nunca tivesse visto o outro na vida. 

— Estou aqui desde o ano passado — Respondeu baixo, abrindo o seu iPad, procurando por um aplicativo enquanto o professor continuava a responder alguns alunos sobre o trabalho a ser entregue naquele dia. 

— Eu nunca te vi por aqui — Continuou o assunto, tentando manter a conversa com o outro, que deixou um pequeno sorriso escapar. 

— Vai ver você estava no hospital o ano passado — Brincou, virando o rosto em direção ao menor, que franziu o cenho com a piada. 

— Como assim?

— Seu rosto, está todo machucado… Pelo jeito você gosta de se meter em brigas, ou sei lá — Chanyeol respondeu com as bochechas vermelhas, apontando para a própria bochecha, indicando o roxo que ainda estava no rosto de Baekhyun, que abriu os lábios, entendendo a piada. — Foi uma brincadeira horrível, desculpa. 

— Não, faz sentido — Riu, cobrindo a própria bochecha. — Qual é o seu nome? — Perguntou ainda mais baixo quando o professor dispensou o último aluno, indo para a sua mesa. — Me chamo Baekhyun. 

— Chanyeol, mas algumas pessoas usam o nome americano que me deram, Peter — Respondeu sério, vendo pelo canto o menor apenas concordar com a cabeça. — É coreano?

— Mestiço — Baekhyun respondeu, dando de ombros. — Minha mãe é coreana, meu pai é americano… Tanto que meu nome americano é Graham — Completou, tomando toda a atenção do outro, que deixou um pequeno sorriso escapar nos lábios bonitos. — Foi um prazer te conhecer, Chanyeol. 

— O prazer foi meu, Baekhyun. 



New York University. 

Terça-feira, 07h20m.



— Então, você quer me dizer que o Chanyeol, o intercambista, tem o nome americano de Peter, o que faz ele ser um Peter Parker? — Edwina perguntou enquanto perfurava com o garfo sua salada, encarando o melhor amigo que mastigava o seu lanche, este que apenas concordou com a cabeça. — Você seria a Gwen desse universo, e ele seria o seu Peter Parker?

— Basicamente? Mas é meio estranho, pois eu nunca fiquei com nenhum homem — Disse de boca cheia, pegando uma batata frita, enfiando-a dentro do lanche. — Mas o que é mais engraçado, é que ele assina a chamada com um “MJ”, mesmo o nome dele não tendo nenhuma dessas letras. 

— Okay, isso é realmente estranho — A menina disse pensativa, pegando uma batata frita, mordiscando-a enquanto observava o amigo lambuzar todo o rosto. 

— Bom, tudo isso já está estranho demais — Baekhyun confessou, aceitando o guardanapo da amiga, limpando o rosto antes de começar: — Depois de toda a bagunça que aconteceu no multiverso, de conhecer milhares de aranhas por aí, de descobrir que todas as histórias são parecidas e que só a minha estava faltando algo, ele aparece. Foi como se ele tivesse sido mandado para esse universo, mesmo ele sendo claramente daqui desde sempre — Suspirou, deixando o lanche de lado apenas para encarar a amiga. — E o meu sentido aranha sempre grita quando ele aparece, é como se me avisasse que tem algo muito estranho acontecendo quando ele está do meu lado. 

— Talvez seja porque o seu sentido aranha saiba que quando um Peter está com uma Gwen, algo ruim acontece — Edwina disse baixo, desviando os olhos do amigo, que encolheu os ombros enquanto virava o rosto em direção ao coreano que entrava no refeitório da faculdade, olhando ao redor como se procurasse alguém. 

— Que cara triste é essa? — Nathan perguntou ao se sentar ao lado do amigo, encarando Edwina e depois observando o amigo arrumar a postura, tentando disfarçar quando seu olhar encontrou com o de Chanyeol. — Alguém morreu? 

— Baekhyun descobriu que tem um crush no intercambista — A menina comentou, voltando a comer sua salada, sentindo sua canela ser levemente chutada pelo aranha no mesmo instante. — Aí! 

— Cala a boca. 

— Você tem um crush no intercambista? O Chanyeol? — Nathan perguntou curioso, um riso preso nos lábios enquanto via o amigo puxar o capuz da blusa para se esconder. — É verdade! Meu Deus! — Gritou animado, levantando uma das mãos, aumentando ainda mais a voz para chamar quem queria: — PETER, COLA AQUI! — Berrou para Chanyeol, que mudou o caminho para se aproximar da mesa onde os amigos estavam reunidos. — Senta com a gente! — Nathan falou animado, empurrando com o cotovelo Baekhyun, que apenas puxou ainda mais o capuz na cabeça. 

— Posso me sentar aqui? — Chanyeol perguntou baixo para Edwina, que abriu um sorriso gentil, concordando com a cabeça. 

— Fica a vontade — Respondeu baixinho, observando o melhor amigo que se encolhia no banco. Não era como se Baekhyun realmente tivesse um crush no coreano, mas, o amigo estava tão preso na sua ideia de achar a sua MJ que o nome de Chanyeol não saía mais de sua boca. — Soube que está na mesma sala que meus amigos, está gostando do curso aqui? — Perguntou puxando assunto, observando o coreano concordar com a cabeça, se ajeitando para começar a almoçar. 

— É parecido com a Coreia? — Nathan questionou entrando no assunto, cutucando o amigo novamente, fazendo Baekhyun se arrumar na cadeira, resmungando em um coreano fraco. 

— Fala em coreano? — Chanyeol perguntou na língua nativa, ignorando as perguntas, chamando totalmente a atenção de Baekhyun para si, que apenas forçou um sorriso. 

— Um pouco — Respondeu em coreano também, tirando um pequeno sorriso do intercambista. 

— O curso tem as suas diferenças — Chanyeol voltou a responder a Nathan, que emendou assunto atrás de assunto, tentando trazer Baekhyun para a maioria dos assuntos enquanto o cutucava na cintura, rindo das reações que o amigo tinha. Mas a conversa não durou tanto, não quando o aranha apenas se levantou da mesa, pegando a sua bandeja e a de Edwina que já tinha terminado de comer, dando um leve aceno com a cabeça antes de sair correndo, fugindo completamente daquela situação. 

— Desculpe o Bae, ele é meio tímido às vezes — Edwina disse tranquila, arrumando o cabelo enquanto encarava Chanyeol, que acompanhava com o olhar Baekhyun correr para fora do refeitório. 

— Principalmente com quem ele tem um crush — Nathan comentou rindo, fazendo tanto Edwina como Chanyeol olharem para si, os dois com olhares completamente diferentes. — Desculpa — Falou, mais para Edwina do que qualquer coisa, ignorando o olhar arregalado do coreano, que voltou a olhar para a porta de saída onde o menor tinha passado segundos atrás. 

— Ele gosta de mim? — Perguntou, cortando o assunto dos outros dois na mesa, estes que pareciam discutir. 

— Ele comenta muito sobre você, acho que por ser o único coreano que ele conheceu — Edwina comentou, encarando o outro calmamente, um sorriso brincando nos lábios brilhantes. — Ele sente saudades desse lado dele, da cultura coreana, desde que a mãe dele morreu… Bom, ele sente falta, sabe? — Concluiu, fazendo o rapaz apenas concordar com a cabeça, voltando a olhar para a saída, deixando um pequeno sorriso curioso escapar antes de voltar para o seu lanche. 




Korea Mart.

Sexta-feira, 21h47m. 

 

Baekhyun estava sentado em cima do telhado do supermercado de sempre, os pés balançando enquanto enfiava alguns salgadinhos na boca, o celular na orelha enquanto ouvia a melhor amiga desesperada do outro lado da linha. 

— Eu estou realmente bem, você tinha que ver ela, saiu bem mais acabada — Anunciou para a amiga, que bufou irritada do outro lado da linha. 

Bae, eu assisti pela televisão, você apanhou feio dessa vez — Edwina disse preocupada, a voz soando até mesmo chorosa, tirando uma risada do melhor amigo, que largou o salgadinho para enfiar outro papel dentro do nariz que não parava de sangrar. — Acho melhor você ir para o hospital, de verdade. 

— Eu não preciso ir para o hospital, tá tudo bem comigo — Disse calmo, irritando ainda mais a melhor amiga, que resmungou um palavrão antes de desligar a ligação, fazendo o melhor amigo rir antes de jogar o celular dentro da bolsa. 

Havia entrado em outra briga com a Doutora Octopus, e com toda a certeza não tinha sido a melhor disputa que tinha enfrentado. Sentia o corpo inteiro doer e se acabasse se mexendo muito, provavelmente voltaria chorar como tinha acontecido quando entrou no mercado, mas já estava bem melhor que antes, no máximo tinha quebrado de vez o nariz. 

Soltou um resmungo quando teve que se mexer novamente, enfiando a máscara no rosto para conseguir voltar para a casa. Estava ficando tarde e o seu pai estaria em casa naquela noite, mesmo ele sendo o delegado queridinho do prefeito, ele ainda curtia passar alguns finais de semana em casa com o filho. 

— Não, appa! — A voz rouca chamou a atenção de Baekhyun, este que levantava com calma, abaixando o olhar apenas para observar o coreano conhecido desligar o celular irritado. — Merda, eu tenho 24 anos, qual é o problema dele? — Reclamou novamente, adentrando ao supermercado, fazendo o herói acompanhar com o olhar e um pequeno sorriso no rosto. 

Estava realmente se encontrando demais com ele. Depois do desastre que foi quando Nathan chamou ele para almoçar junto consigo na terça, passou a evitar até o amigo para não ter que trombar com o intercambista, mas era incrível como sempre acabava trocando um olhar com ele, ou até mesmo encontrando eles pelas ruas quando estava dentro de seu traje. Mas não iria ficar pensando nisso, não quando o corpo reclamava tanto ao ponto de se sentir tonto apenas ao se mexer. Lançou uma teia com cuidado, ouvindo o aparelho preso em seu pulso reclamar, provavelmente teria que arrumar ele novamente depois da surra que levou hoje. 

Colocou os headphones antes de jogar o corpo para frente, Scared of the Dark ecoando alto nos fones enquanto descia do telhado, tentando aguentar o peso de seu corpo no braço bom. Contudo, a dor no ombro foi maior o suficiente para soltar a teia antes do tempo, caindo de cara no chão, soltando um gemido alto de dor enquanto sentia o corpo implorar por ajuda. 

— Meu Deus do céu — Alguém disse acima de Baekhyun, fazendo-o se virar de barriga para cima, a visão ficando embaçada pela dor. — Puta merda, você está bem? — O cara perguntou baixo, sendo observado brevemente por Baekhyun, que continuava a ouvir as vozes dos cantores nos fones. Chanyeol se abaixou quando nenhuma resposta veio, puxando com delicadeza os headphones do aranha, ouvindo outro gemido de dor antes de voltar a repetir a pergunta: — Você está bem?

— Não — respondeu em um gemido de dor, fazendo o coreano se desesperar ainda mais. Tinha acompanhado a luta no prédio onde trabalhava, se mantendo o mais longe que conseguia da janela, mas mesmo longe, viu o quanto o mascarado tinha apanhado naquele dia. Jurava que ele tinha ido direto para o hospital, mas pelo visto não era isso que tinha acontecido. 

— Você precisa ir para um hospital, sério — Chanyeol disse preocupado, pegando a bolsa jogada ao lado do herói, que tentou pegar antes, soltando um som de dor bem mais alto do que o esperava, fazendo o coreano lhe olhar assustado. — Vou te levar para um hospital — Anunciou, passando os braços pela mochila, se aproximando ainda mais do outro jogado ao chão, tentando pegá-lo com cuidado, mas recebendo um leve empurrar do herói. 

— Não, está tudo bem, só preciso de uns analgésicos e uma boa noite de sono — Baekhyun disse se colocando sentado sem ajuda, revirando os olhos por trás da máscara pela dor que sentiu nas costelas. — Consegue devolver a minha bolsa? Preciso voltar para casa — Esticou uma das mãos para o outro, que lhe encarava com os olhos arregalados. 

Talvez o seu sentido aranha estivesse falhando naquele momento, mas nem ao menos conseguiu notar quando o coreano se aproximou, segurando a sua máscara e puxando-a até o seu nariz. 

— Você está sangrando muito, meu Deus — Anunciou assustado, sentindo o sangue na máscara que ainda segurava na altura dos olhos manchar seus dedos. — Você quebrou o nariz, e está sangrando muito, você precisa de ajuda — Falou, soltando a máscara, observando os lábios pálidos do outro a sua frente. — Eu vou te levar para o hospital — Voltou a afirmar, se aproximando ainda mais do herói, que lhe impediu novamente. 

— Minha bolsa, me dá a minha bolsa, preciso voltar para casa. 

— Meu rabo que você vai para a sua casa — Chanyeol disse firme, empurrando a mão que lhe impedia, enfiando as mãos embaixo das axilas do aranha, que reclamou de dor quando teve o corpo levantado com facilidade pelo coreano, que envolveu um dos braços em sua cintura, se curvando levemente apenas para jogar o corpo do herói em seu ombro. — Estou te levando para o hospital — Anunciou novamente, ouvindo a risada do herói que se debateu em seu ombro, tentando se soltar. Se estivesse bem, isso nunca teria acontecido. 

— Cara, eu não quero te machucar — Baekhyun disse levemente irritado, cobrindo o nariz que voltava a sangrar novamente. — Me solta — falou com a voz abafada, virando a cabeça apenas para observar quando o coreano negou com a cabeça. — Eu realmente não quero te machucar. 

— E você não vai me machucar! — Chanyeol disse irritado, virando o rosto para observar o outro. Ele tinha metade do rosto de fora ainda, não conseguia ver os olhos dele, mas sabia que ele fazia uma careta de dor e raiva naquele momento apenas pelo bico que ele tinha nos lábios. — Você vai ficar quieto enquanto eu te arrasto até a porra do hospital mais próximo. 

— Teu cu! 

— Meu cu mesmo! — Gritou de volta, assustando o herói que voltou a se debater no ombro do outro, chutando o que conseguia. Parecia uma criança mimada, uma criança mimada que sentia uma dor infernal. — Para, caramba! Eu estou tentando te ajudar! 

— Vai me ajudar se me soltar e me deixar voltar para a minha casa! — Berrou em quase um desespero, fazendo o outro parar e lhe colocar no chão. Quando sentiu os pés no chão foi como se o corpo voltasse a pesar, mas pelo menos seu sentido aranha estava voltando, já que conseguiu desviar quando o outro tentou lhe encostar novamente. — Me dá a minha bolsa — Pediu, esticando uma das mãos enquanto puxava a máscara para baixo, cobrindo todo o rosto. 

— Não — Chanyeol disse firme, desviando quando o outro tentou pegar a bolsa. — Irei te levar para casa então. 

— Não! — Devolveu indignado, tentando pegar a bolsa novamente, mas o outro desviou novamente. — Me devolve a minha bolsa — Bateu os pés no chão em birra, tirando uma risada do outro. — Minha. Bolsa. 

— Eu vou te pegar de novo — Anunciou novamente, rindo enquanto se aproximava, fazendo o outro se afastar, negando com a cabeça. 

— Quê? Não! 

— Então para com isso, eu vou levar a sua bolsa — Falou levemente irritado, rindo da pose que o outro fez como resposta. — Ande, ou eu realmente vou te pegar. 

— Vai sonhando — Baekhyun respondeu dando as costas para o outro, que apenas riu quando o aranha se pôs a andar, batendo os pés. Mas não demorou muito até o coreano ter que apressar os passos quando o outro vacilou, o corpo desabando no meio da rua novamente, daquela vez em um belo desmaio. 

🕷️

Chanyeol não sabia o caminho para a casa do cara que levava nas costas, muito menos sabia quem era aquele que carregava até o seu dormitório, apenas carregava, ignorando o porteiro e entrando com ele dentro do prédio universitário. Levou ele nas costas pelo elevador e recebeu olhares estranhos quando atravessou o corredor movimentado, se trancando dentro de seu quarto, jogando o rapaz desacordado na própria cama. 

— Acho que eu não posso tirar a sua máscara, né? — Perguntou sozinho, tirando a bolsa dele apenas para conseguir pensar sem nenhum peso. — Okay, o Homem-Aranha está apagado no meu quarto, totalmente machucado, e não tem como eu ajudar ele, pois eu não sei quem ele é e seria muita falta de senso eu arrancar a máscara dele e acabar descobrindo quem ele é sem permissão — Suspirou cansado, pelo menos o sangramento nasal tinha passado. 

Mas não sabia mesmo o que fazer. Estava com um desconhecido (que já havia salvado a sua vida e sabia o seu nome) em sua cama. Ele poderia ser qualquer pessoa, até mesmo um rapaz menor de idade, e o pior, ele estava completamente desacordado. Realmente não sabia o que fazer. 

— Eu vou deixar ele quieto — Concluiu, bufando logo em seguida. — Ou eu poderia só ajudar nos ferimentos — Deixou a outra ideia aparecer em mente, voltando a se aproximar e se ajoelhando em frente a própria cama, observando o outro acordar aos poucos. — Merda, eu não posso fazer nada. 

— Só não tira a minha máscara — O herói pediu baixo, soltando um choro de dor logo em seguida. — Acho que estou com uma costela quebrada, além do nariz, então, só… Não tira a minha máscara — Informou novamente, virando o rosto em direção à Chanyeol, que apenas concordou com a cabeça antes de se afastar, correndo até o banheiro e pegando o pequeno kit de primeiros socorros que tinha. Teria que servir. 

— Você tem outro uniforme em casa? — Chanyeol perguntou ao se abaixar ao lado da cama novamente, observando o aranha apenas confirmar com a cabeça. — Bom, vou cortar esse só pra ver o que aconteceu com a sua costela — Informou, se levantando e pegando a tesoura jogada em cima da mesa, se ajoelhando ao lado do corpo do herói e cortando com facilidade a parte de cima do traje. 

Quebrado a costela ele provavelmente não tinha, na verdade, não saberia mesmo dizer se algo havia acontecido com aquela parte do corpo do herói, mas que existia um roxo enorme ali, existia. Acabou arrancando as mangas e levantou a máscara dele até o meio do nariz, esse sim que estava quebrado. Não havia muita coisa que conseguiria fazer, apenas tentou fazer o básico, limpando algumas feridas feias e passando um aerossol de remédio de gelo nos hematomas. Limpou bem o nariz que não sangrava mais e enfiou como conseguiu um anti-inflamatório e um relaxante muscular dentro da boca machucada do aranha, que engoliu quieto e permaneceu quieto até que o coreano terminasse tudo. 

— Você deveria tomar um banho… Mas acho melhor você descansar um pouco — Chanyeol disse ao se afastar, guardando tudo o que tinha usado. 

— Eu preciso voltar para casa — O aranha disse baixo, quase caindo no sono depois de ser cuidado. Fazia muito tempo que ele não era cuidado por ninguém depois de uma batalha como aquela. 

— Não. Você vai descansar — Chanyeol disse firme novamente, a voz rouca ecoando por todo o quarto enquanto ele pegava uma de suas camisas. — Você vai vestir isso, e vai dormir. Pode tirar a máscara, já que eu vou inventar uma desculpa bem idiota pra dormir no quarto de um colega… Sei lá, vou falar que tem uma aranha gigante no meu quarto, então, você vai poder tirar a máscara e descansar, mas peço pra ir embora assim que acordar — Falou rapidamente, ouvindo uma leve risada do rapaz jogado em sua cama, que apenas ouviu quando o dono do quarto saiu e fechou a porta com força, trancando-a. 

Chanyeol realmente falou da aranha gigante e conseguiu dormir no quarto do colega ao lado, e quando acordou no dia seguinte, o quarto estava arrumado e o bilhete com uma letra bonitinha escrito “obrigado”. 



Casa dos Byun's. 

Sábado, 10h30m. 

 

Halmeoni — Baekhyun gritou assim que pisou dentro da casa de sua avó, ouvindo os passos quando ela apareceu correndo na cozinha. Havia entrado pela porta de trás e ainda sentia o corpo inteiro doer. — Você tem algo pra comer? Estou com saudades da comida da minha omma — Resmungou para a senhora pequena que, com o pijama cor-de-rosa, sorriu para o neto antes de se aproximar. 

— Irei preparar um belo café da manhã para o meu neto favorito — A senhora disse ao se aproximar, observando o rosto machucado do jovem antes de se afastar. — Mas antes vá tomar um banho e cuidar melhor dos machucados, não quero ninguém fedendo a rua… E dê um oi para o seu harabeoji — Disse séria, observando quando o neto jogou a bolsa em cima de uma das cadeiras e foi obedecer o que lhe foi ordenado, mancando enquanto a senhorinha começava a preparar as coisas. 

Baekhyun sentia muita falta de passar os sábados na casa da avó materna, ajudando a preparar as comidas tradicionais enquanto ouvia a avó e a mãe conversando em coreano, rindo como se fosse só mais um dia comum, e não mais um dia de plantão de sua mãe. Ah, e sentia muita saudades dela. Isso era uma coisa que todo Homem-Aranha carregava, saudades. 

Não havia muito o que fazer, apenas sentir e seguir em frente. Quando a mãe de Baekhyun foi morta, muita coisa mudou na mente do jovem rapaz de 17 anos. Porém, agora com 23 anos, ele não tinha mais aquela sede de vingança nem nada parecido, ele só sentia falta a maior parte do tempo mesmo. 

Cumprimentou o avô que parecia ter acabado de acordar também, usando o seu pijama. Caminhou sozinho até o banheiro no final do corredor, finalmente tirando a roupa suja, isso incluía a blusa de Chanyeol que estava usando esse tempo todo. Teria que arranjar um jeito de devolver a blusa e agradecer verdadeiramente pela ajuda, já que estava muito melhor do que antes. 

Acabou tomando um banho longo, vestindo a roupa que tinha na casa da avó, mesmo que ela ficasse pequena em si. Saiu de cabelos molhados e com uma toalha no nariz que dóia, entrando na cozinha que cheirava bem pelo café da manhã bem tradicional. Se sentou ao lado do avô, largando a toalha antes de pegar os hashis. 

— Não se atreva a tocar na comida, espere seu avô comer primeiro — A senhorinha disse, fazendo um bico nascer nos lábios do rapaz, que esperou o senhor se servir primeiro antes de devorar a comida deliciosa que lhe esperava. — Faz muito tempo que você não vem nos visitar. 

— A faculdade está puxada — Respondeu de boca cheia, tirando um resmungo da avó pela falta de modos. 

— Vejo que andou se metendo em brigas novamente — O senhor disse sério, observando o neto que engoliu em seco. Os machucados já foram motivos de brigas na família, o que pesava bastante em Baekhyun, que não poderia explicar o que acontecia, não sem colocar a vida deles em risco, e não queria perder mais ninguém. 

— Ah, harabeoji , eu realmente gosto de apanhar — Brincou, recebendo um tapa no braço da avó, que parecia segurar a risada. — Mas eu acabei me machucando no skate, quase fui atropelado, um amigo que me segurou — Mentiu, descaradamente (uma coisa que era muito bom fazendo desde que virou o Homem-Aranha). — Mas eu estava com saudades, por isso que vim visitar. 

— O seu pai ligou ontem, preocupado, perguntando se você estava aqui — A senhora cortou o neto, que virou o rosto assustado. Por um momento, tinha se esquecido do delegado Stacy que lhe esperava em casa. — Falou que vocês combinaram de passar o final de semana juntos… Devo avisar que você está aqui agora? — Perguntou tranquilamente, vendo o neto negar desesperadamente com a cabeça. 

— Ele vai me matar, não faz isso — Disse, enfiando mais arroz na boca, enchendo o prato com mais comida, tentando se apressar para comer logo e vazar dali o mais rápido que conseguia. 

— Deveria fazer, o George deveria saber — O senhor disse sério enquanto encarava a esposa, que prestava mais atenção no neto, que parecia ainda mais desesperado, enfiando toda a comida na boca. — Coma devagar ou irá se engasgar — Disse alto, fazendo o neto pular na mesa, batendo as mãos na superfície enquanto se colocava em pé. 

— Eu preciso ir embora — Disse de boca cheia, se jogando em cima da avó, a enchendo de beijos antes de se virar para o avô, se curvando e agradecendo pela comida. — Prometo que apareço aqui semana que vem, quero passar o final de semana com os senhores — Acrescentou formalmente, ouvindo a risada da avó enquanto pegava a bolsa e saía correndo pela casa. Pelo menos daquela vez saiu pela porta da frente, correndo desesperado até o primeiro ponto de ônibus, pegando o transporte e rezando para esse ser o que deixava-o em frente à sua casa. 

Demorou exatamente meia-hora para chegar em casa, entrando na ponta dos pés para não ser notado pelo pai, mas não foi bem isso que aconteceu: 

— Onde estava? — A voz alta do pai o fez parar no meio do caminho para ir à escada, se virando em direção ao homem que usava moletom e parecia muito irritado. — E o que diabos aconteceu no seu rosto? 

— Bom dia — Forçou um sorriso, deixando os ombros caírem para frente enquanto desviava o olhar. Não era nada legal receber uma bronca do pai (não que ele não estivesse acostumado com isso). 

— Onde estava? — Voltou a perguntar, irritado, fazendo o filho deixar uma careta escapar antes de encarar o pai. 

— Eu perdi a hora, desculpa.

— Perdeu a hora? — George riu, colocando as mãos na cintura exatamente como o filho fazia. — Tem noção que tínhamos combinado de passar o final de semana juntos? Esperei você, com o jantar pronto, e você não me apareceu — Riu novamente, negando com a cabeça enquanto via o filho coçar a cabeça em nervosismo. — Desde que a sua mãe morreu, você é outro Graham! 

— Meu nome não é Graham! — Baekhyun disse alto, fazendo o pai arregalar os olhos surpreso. — Minha mãe me deu o nome de Baekhyun, então esse é o meu nome. E sim, eu posso ter mudado desde que a minha mãe foi assassinada, desculpa — Falou levemente irritado e chateado, fazendo o pai suspirar, cansado. 

— Eu só fiquei preocupado — Falou mais manso, tentando se aproximar do filho que apenas negou com a cabeça. — E onde você estava para ficar com o rosto assim? 

— Segredo — Falou sério, tirando outro suspiro do pai, que fechou os olhos, massageando as têmporas antes de encarar o filho novamente. 

— Se meteu em outra briga? 

— E o senhor se importa? 

— Claro que me importo, Baekhyun! — Gritou irritado, fazendo o filho se encolher pelo susto. — Inferno! Está de castigo, então, vá para o seu quarto e fique lá — Disse irritado, observando o filho bufar irritado, se virando para a escada novamente. 

— Eu tenho 23 anos, você não pode mais me colocar de castigo — Baekhyun disse, se virando para o pai novamente, que riu nervoso. 

— Você mora sobre o meu teto, é claro que eu posso te colocar de castigo! — Respondeu totalmente irritado, fazendo o filho bufar mais uma vez antes de sair batendo os pés. 



New York University; dormitório.

Segunda-feira, 23h50m. 



Chanyeol estava de pijama e usava uma máscara de hidratação no rosto enquanto revisava uma matéria. Era só mais uma noite tranquila, onde ele provavelmente iria desligar o computador quando os olhos começassem a arder e dormiria sem tirar uma roupa de cima da cama, apenas se jogando nela. 

Só mais um dia comum. 

Mas para ser sincero, os dias de Chanyeol não estavam tão comuns atualmente. Muita coisa havia acontecido em pouquíssimos dias, o que era bizarro, já que quando chegou no país, achava que levaria uma vida tranquila, e até que levou… Foi um tempo bom e tranquilo. Puxou a máscara do rosto, jogando-a fora e se virando em direção à janela, que estava fechada por conta do vento forte, sentido o coração quase sair pela boca quando observou o homem que levantava uma das mãos para bater contra a sua janela. 

Tudo bem, não era apenas um homem. Se fosse um homem seria completamente assustador e estaria correndo para sala de seu reitor nesse exato momento. Mas não, o que tranquilizou minimamente Chanyeol foi o traje azul e vermelho que continha uma aranha estampada no peito. 

Ouviu as batidas contra a sua janela de qualquer jeito, fazendo-o balançar a cabeça de um lado para o outro antes da voz melodiosa soar abafada do lado de fora. 

— Vim te devolver a blusa — Mostrou um pequeno saquinho de papel, fazendo o universitário concordar com a cabeça, arrastando a cadeira até estar abrindo a janela, deixando que o aranha entrasse tranquilamente em seu quarto, parando em sua frente, apenas colocando a sacolinha de papel em sua mesa antes de se voltar para si. — Deixei uns docinhos dentro do saquinho, e eu lavei a blusa, só não desamassei — Avisou com as mãos na cintura, não sabendo exatamente em que pose ficar enquanto recebia o olhar confuso do coreano, que tentava entender o que estava acontecendo. 

— Você está melhor? — Chanyeol perguntou depois de um tempo em silêncio, avaliando o uniforme novo do outro, que cruzou os braços levemente desconfortável.

— Meu nariz ainda está meio inchado — Admitiu, soltando uma risada fraca que fez o seu nariz latejar. — E estou com uns roxos pelo corpo e rosto, mas você fez um bom trabalho… Tenho que te agradecer por isso, de verdade, não esperava que receberia ajuda no final do dia — Confessou, jogando o corpo para trás, tentando se encostar na janela que ainda estava aberta, se desequilibrando vergonhosamente. 

— Cuidado — Chanyeol disse, se levantando da cadeira, segurando pelo traje o outro que quase caiu para fora da janela, o puxando para perto. — Você não deveria ter um poder que não te deixasse morrer? 

— Mas eu tenho — Admitiu baixo, sentindo a mão do intercambista segurando com força seu traje, deixando seu corpo perto do seu. Perto demais. — Mas parece que ele está dando defeito esses dias — Confessou enquanto observava o outro, que soltou lentamente o traje, contudo, continuou próximo do herói, que não se moveu também. 

— Defeito? — Perguntou curioso, ouvindo a risada baixa do outro, que virou o rosto desconfortável. 

— Não sei — Respondeu tímido, dando um passo tímido para trás, finalmente se afastando do coreano, que abriu um sorriso pequeno com a atitude. — Bom, vim devolver a sua blusa e te agradecer pela ajuda. Se não fosse por você, acho que estaria jogado na rua até agora — Riu novamente, virando o rosto em direção ao coreano, que ainda sorria em sua direção. 

— Não fiz nada demais — Falou baixo, dando um passo para frente, se aproximando ainda mais do outro. — Acho que iria contra a minha ética. Mas, acho que chocolate não é o suficiente — Jogou no ar, se apoiando na própria mesa para conseguir observar o aranha de perto, este que se sentou na janela aberta, cruzando os braços novamente enquanto tentava entender o que outro tinha dito. 

Bom, poderiam existir estudos sobre isso. Mas era clássico um crush ser desenvolvido por alguém que salvava a sua vida. Chanyeol teve a vida salva por um cara vestido em um colan, com máscara e cujo rosto não sabia nada. E já havia visto ele outras vezes, ele era um cara bacana. Ah, sei lá o que estava passando na cabeça de Chanyeol, ele só estava se sentindo atraído e, bom, quando se atira para todos os lados, uma hora pode dar certo. 

— O que seria melhor que chocolates? — O aranha perguntou baixo, descendo o olhar pelo outro. Seria ele o seu Peter Parker? Ou melhor, seria ele a sua MJ? Ou melhor, ele estaria ficando louco por causa de tudo e estava alucinando que aquele homem poderia ser algo?

— Uma volta na cidade? — Brincou na resposta, arrumando a postura ao ouvir a risada do aranha, que apenas negou com a cabeça. 

— No estado que eu ainda estou, é melhor deixar para outro dia — Respondeu sincero, observando quando o coreano se aproximou ainda mais, parando no meio de suas pernas. — Tirando que já está difícil carregar o meu próprio peso, imagina com outra pessoa… acho que meu nariz pode até voltar a sangrar — comentou rindo, se afastando minimamente quando notou a aproximação do outro, que parou as mãos no meio do caminho. — O que está fazendo? 

— Vendo como está o seu nariz — Chanyeol respondeu baixo, voltando a aproximar as mãos da máscara, subindo ela com delicadeza até o meio do rosto do aranha, se aproximando ainda mais do rosto do outro para observar o nariz dele. — Não está tão feio assim — Levantou os olhos, sentindo a respiração pesada do herói contra seu rosto. Ele provavelmente tinha um rosto bonito, sua boca era bonita e mesmo machucado, o nariz também era bonito. Os olhos também deveriam ser. Chanyeol engoliu em seco, abaixando o olhar para a boca do aranha novamente. 

— Mas ainda dói —  O rapaz respondeu, lambendo os lábios, sentindo o outro ainda perto demais do seu rosto, segurando sua máscara com as duas mãos. Provavelmente era carência o que estava sentindo, mas, poderia beijá-lo naquele momento. 

— Quando dói? — O coreano perguntou baixo, levantando o olhar novamente. 

— Não sei dizer — Foi sincero, aproximando levemente o rosto do outro, que não se mexeu com a aproximação repentina, apenas sustentou a distância. — Apenas dói… Deveria ir ao médico? 

— Claro — O coreano disse em um sussurro, abaixando o olhar para os lábios bonitos antes de sussurrar: — Mas antes deveria fazer um teste. 

— Teste? Para quê?  

— Para ver se dói. 

— E como seria esse teste? 

— Assim — Respondeu, aproximando o rosto, juntando seus lábios timidamente com os do aranha, que não se mexeu um centímetro com aquele tímido toque. 

Era apenas um juntar de lábios, e para o teste que faziam, o nariz machucado não doía em nada. O que doía no herói era o seu sentido aranha, que berrava que algo de errado estava acontecendo, sendo que era apenas o coração desesperado do rapaz batendo contra o próprio peito. O Homem-Aranha fechou os olhos quando alguns segundos se passaram, inclinando a cabeça levemente para o lado, os lábios se abrindo enquanto as mãos grandes do coreano soltavam a sua máscara, envolvendo o rosto com delicadeza antes de acompanhar o ritmo que o herói trazia. 

Estavam se beijando. Era uma loucura? Talvez. Mas também era uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido, e isso gritava na cabeça dos dois rapazes, que continuavam com aquele ósculo simples, tirando um suspiro do aranha quando teve o seu lábio inferior sugado. 

— Eu preciso voltar — O herói disse baixo assim que os lábios se separaram minimamente, fazendo coreano apenas concordar com a cabeça, ainda de olhos fechados. — Mas acho que passei no teste. 

— Passou — Chanyeol afirmou baixo, voltando a aproximar o rosto apenas para beijar o lábio superior do Homem-Aranha, que deixou um sorriso escapar antes de se afastar de vez. 

— Preciso ir — Afirmou mais uma vez, fazendo o intercambista abrir os olhos, encarando a pintinha em cima do lábio do herói, que se afastou com facilidade. — Muito obrigado pela ajuda — Agradeceu mais uma vez, puxando a máscara para baixo antes de passar as pernas pela janela. 

— Não foi nada — Chanyeol disse mais uma vez, observando quando o outro lançou uma teia e sumiu de sua visão, o deixando sozinho com a janela aberta. 




New York University. 

Quarta-feira, 12h30m. 



— Você está estranho — Edwina disse enquanto misturava a sua salada, nem ao menos encarando o melhor amigo que tentava cortar um pedaço de carne. 

— Quê? — Baekhyun perguntou confuso, encarando a amiga que continuou concentrada na salada, misturando os molhos nela como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo. 

— Você está estranho, aconteceu alguma coisa, eu só não sei o que é — Voltou a falar, finalmente levantando os olhos e encarando o melhor amigo que tombou a cabeça, uma careta de confusão presente no rosto machucado do aranha. — Ainda, eu não sei o que é ainda — Falou mais séria, franzindo o cenho enquanto voltava para a sua salada, os cabelos escuros caindo sobre o rosto, deixando ela ainda mais intimidadora. Às vezes Baekhyun sentia um leve medo da melhor amiga. 

— Mas não aconteceu nada — Reforçou, voltando a cortar a sua carne enquanto encarava Edwina, que apenas suspirou como resposta, voltando a avaliar o amigo enquanto comia a sua salada, não dizendo mais nada até que os assentos ao lado dos dois fossem preenchidos. 

Edwina continuava a observar o amigo, que levantou o rosto assustado quando o intercambista o cumprimentou timidamente, bem diferente de Nathan, que falava alto como sempre, chamando a atenção das pessoas. Alguma coisa tinha acontecido com Baekhyun, com toda certeza. 

— Oi — Chanyeol disse para Baekhyun, desviando o olhar logo em seguida, diferente do rapaz, que continuou a encará-lo, completamente confuso e assustado. 

— O-oi — Gaguejou, virando o rosto enquanto fazia uma careta, se sentido um completo idiota por isso, seus olhos se encontrando com os da amiga que semicerrava o olhar em sua direção. — Que foi? 

— “O-oi”? — Ela o imitou baixo, fazendo as bochechas do amigo esquentarem. — Que merda é essa? 

— O que aconteceu? — Nathan perguntou, se intrometendo no assunto, fazendo Chanyeol olhar para os dois amigos que continuavam em uma conversa silenciosa de olhares, com Edwina julgando muito o amigo que ficava vermelho a cada instante. — Eita, o que está rolando?

— Baekhyun está estranho — Edwina foi sincera, cortando a conversa silenciosa e encarando Nathan, que encarou o melhor amigo confuso, observando o rosto vermelho e os olhos arregalados em sua direção. 

— Tá estranho mesmo — Nathan concluiu, fazendo o amigo ficar ainda mais vermelho. 

— Não tô não — Baekhyun falou alto, soltando os talheres enquanto olhava para os amigos, que se entreolharam como resposta, fazendo o rapaz bufar. 

— Você está meio estranho — Chanyeol disse baixo, fazendo o menor se virar em sua direção, os olhos pequenos brilhando quando encontraram com os olhos puxados do intercambista. — Mas só um pouco, aconteceu alguma coisa? — Perguntou timidamente, notando o rapaz ficar cada vez mais vermelho enquanto falava. 

— Acho que não aconteceu nada — Respondeu, tentando forçar um sorriso, enfiando a mão no rosto quando sentiu o nariz latejar. Não podia forçar muito o rosto sem sentir dor, ou sem fazer o nariz sangrar. — Está tudo bem — Complementou, pegando os papéis da mesa para colocar no nariz, que começava a sangrar. 

Aquilo só poderia ser brincadeira. Se sentia em um anime, onde o protagonista via o interesse amoroso e sangrava o nariz. Merda, pensou “interesse amoroso”? Sim, pensou. 

— Merda, merda, merda — Voltou a resmungar, se virando para a melhor amiga, que revirou os olhos enquanto pegava mais papéis para dar ao Byun, que se levantava da mesa enquanto jogava a cabeça para trás, assustando todos da mesa. — Não era para sangrar mais. 

— Isso é bem clichê — Edwina provocou, fazendo Baekhyun lhe olhar irritado, o corpo inteiro tremendo. Acabou se virando rapidamente quando sentiu alguém se aproximar, dando de cara com Chanyeol logo atrás de si. Pelo menos seu sentido aranha ainda estava ali. — Não precisa ajudar, Chanyeol! — A mulher disse ao se levantar também, sendo plenamente ignorada pelo intercambista, que olhava confuso para o menor. 

Chanyeol acabou se aproximando ainda mais, colocando uma das mãos na nuca do menor para ajeitar sua cabeça, fazendo o corpo inteiro de Baekhyun se arrepiar com o toque. O intercambista tirou os papéis da mão do outro, colocando papéis limpos no local, ajudando a pressionar levemente o nariz para conter o sangramento que nem era tanto. Porém, o olhar do coreano não estava no que estava acontecendo, e sim na pintinha acima do lábio superior do menor, que arregalava cada vez mais os olhos ao notar o que acontecia à sua frente. 

— Vamos para a enfermaria — Edwina disse, cortando o contato entre os dois rapazes, que encararam a mulher que puxava Baekhyun para si. — Obrigada por ajudar, Chanyeol, mas eu vou levar ele para a enfermaria antes que o coitado desmaie. 

— Não quer ajuda com ele? — O intercambista voltou a perguntar, recebendo um negar de cabeça dos dois. — Tudo bem — Respondeu, soltando a nuca de Baekhyun, este que foi arrastado pela melhor amiga para fora do refeitório da faculdade. 

— Que merda foi essa? — Edwina perguntou alto, soltando o amigo no meio do corredor lotado, observando quando Baekhyun tirou o papel do nariz, que não sangrava mais. — O que diabos aconteceu entre o aranha e o Chanyeol? — Perguntou o óbvio, fazendo o amigo arregalar os olhos pela altura que a pergunta foi feita, e também como ela tinha juntado as peças tão rapidamente. Baekhyun cobriu a boca da melhor amiga em um movimento, empurrando a mesma até uma sala de aula vazia, fechando a mesma com a perna antes de soltar a boca da mesma. — QUE MERDA ESTÁ ROLANDO, BAEKHYUN BYUN STACY? — Edwina finalmente gritou, batendo os pés no chão e fechando as mãos em punhos. 

— Eu beijei ele! — Respondeu assustado, levantando as mãos em frente ao corpo para segurar a amiga se ela quisesse pular em cima de si. 

— Você o que? — A menina estagnou no lugar, os olhos arregalados enquanto encarava o outro, mas Baekhyun conseguia observar o leve tremor na sobrancelha direita da amiga, que nem ao menos respirava direito. 

— Aconteceu, tá? Ele simplesmente me beijou quando eu fui devolver a blusa dele — Abaixou os braços, dando um passo para trás quando o olho da amiga começou a piscar. Tudo bem, não tinha falado muitas coisas para amiga, tipo, o essencial do que estava acontecendo, principalmente quando ela era a única que sabia de tudo, e ouvia as suas lamentações. 

— Que blusa? 

— A que ele me emprestou quando me socorreu no meio da rua. 

— Que dia? 

— Na sexta-feira passada. 

— Saí da minha frente — Edwina disse baixo e calma, assustando ainda mais Baekhyun, que encolheu os ombros quando a amiga se mexeu e arremessou o apagador em sua direção. Agradeceu muito por ter um o sentido aranha voltando a funcionar e lhe salvar de um olho roxo. — SAÍ DA MINHA FRENTE! — Ela berrou novamente, fazendo o amigo arregalar os olhos, desesperado, olhando para todos os lados antes de se aproximar da melhor amiga, que tinha uma careta de irritação no rosto bonito. Nunca em sua vida tinha visto a amiga daquele jeito, era a primeira vez, nem quando quase foi morto por um lagarto gigante enquanto tentava salvá-la. — Não encosta em mim!

— Meu Deus, se acalma — Pegou a amiga pela cintura, sentindo as mãos da mesma lhe atingirem o peito em socos, o fazendo gemer de dor enquanto a levantava do chão, caminhando até a janela aberta. — Edwina Parker, se acalma, se não vou te arremessar do prédio — Ameaçou, sentido a amiga parar no instante que se colocava para fora da janela. 

— Me coloca no chão — Falou novamente, envolvendo as pernas e os braços ao redor do amigo, que apenas negou com a cabeça antes de esticar o braço direito, lançando uma teia enquanto subia em uma das carteiras. — Isso é injustiça. 

— Eu sei, você sempre quis fazer isso — Riu, se jogando pela janela, levando a melhor amiga junto. 

🕷️

— Eu poderia dizer que isso foi uma puta traição — Edwina disse enquanto mordia um pedaço do churros que tinha ganhado do melhor amigo.

— Eu só não tive tempo para contar a história inteira — Baekhyun se justificou, mordendo o seu churros também, observando a cidade em cima do One World Trade Center, o maior prédio da cidade. — Está acontecendo bastante coisa… E eu não consigo pensar direito quando eu sei que tem uma louca com tentáculos pela rua tentando achar um motivo para matar um monte de gente e me levar junto — Confessou, suspirando cansado. Pelo menos o nariz não doía mais. 

— Está falando da Doutora Octopus? — A amiga perguntou, vendo o amigo apenas concordar com a cabeça. — O que ela está tentando fazer? 

— Não consigo entender muito bem, mas ela está trabalhando com um projeto antigo do Doutor Otto, tentando transformar trítio em energia nuclear para uma empresa — Explicou o que tinha descoberto recentemente. — Eu ainda não sei que empresa é essa, mas tudo parece muito estranho, principalmente quando ela afirma que precisa me matar antes de conseguir seguir em frente como plano… Porém, ela já está bem avançada nesse projeto, o que também é bem assustador. 

— E você, como o Homem-Aranha, tem que impedir — Concluiu, vendo o amigo concordar com a cabeça enquanto voltava a comer o próprio churros. — E foi por causa disso que você simplesmente não me contou nada do que estava acontecendo? 

— Eu levei uma surra dela semana passada — Cortou a amiga, que lhe encarou séria. — Eu quase morri. Meu lançador de teia foi destruído e no dia eu não conseguia nem ao menos sustentar o meu corpo. Eu caí no meio do chão de uma altura bem alta, quase em cima do Chanyeol — Explicou, ainda olhando a cidade que parecia tranquila naquele dia. — Ele me levou para o próprio dormitório e me ajudou. Deixou eu dormir na sua cama e não tirou a minha máscara em nenhum momento, só me ajudou… 

— E como você beijou ele? — Edwina perguntou levemente preocupada, deixando o churros de lado para acompanhar o que o amigo falava. 

— Fui devolver a blusa dele na segunda-feira, e foi tão natural… Mas não foi um beijo, beijo, foi apenas um toque de lábios, meio estranho — Riu nervoso, fazendo a amiga concordar com a cabeça, pegando o churros de volta. 

— Estou preocupada. 

— Com o que? 

— Ele pode descobrir. E ela pode te matar — Edwina confessou baixinho, ouvindo a risada do amigo que enfiava o papel do churros dentro do bolso, se levantando e se espreguiçando, soltando um barulho alto. 

— Ninguém vai me matar, eu prometo — Disse alto, quase em um grito, fazendo a melhor amiga rir. — E ele não vai descobrir, sério — Falou mais baixo, virando o rosto para a amiga que apenas negou com a cabeça. — Bom, vamos? — Perguntou tranquilo, balançando o corpo para frente e para trás. 

Edwina não respondeu, ainda olhando para o amigo que apenas deu de ombros, limpando as mãos antes de comprimir os lábios, jogando o corpo para frente e se jogando do prédio. Essa brincadeira idiota dele um dia poderia dar algum problema, era isso que Edwina pensava enquanto observava o corpo do amigo cair, mas o pensamento sumiu quando uma teia atingiu a sua mão livre, a puxando junto, a fazendo cair do prédio. 




New York University. 

Terça-feira, 15h00m. 



Alguma coisa não estava certa. 

Chanyeol caminhava tranquilo pela universidade, os fones presos nas orelhas enquanto uma música alta ecoava em sua mente. Mas não prestava atenção no que ouvia, e nem no caminho que fazia, apenas estava concentrado no pensamento estranho que corria em sua cabeça. 

Havia alguém por trás da máscara do Homem-Aranha. 

Baekhyun Byun Stacy. Ele era um rapaz levemente estranho, sempre aparecendo de repente e sumindo do nada, sempre machucado e cansado. Mas o que deixava tudo mais estranho eram os lábios. Sim, os lábios de Baekhyun. Ele tinha a mesma pintinha acima do lábio superior, o mesmo formato de lábios e até mesmo o queixo era parecido, tirando o nariz quebrado, ele tinha muitas coisas em comum com aquele que se denominava o Homem-Aranha. 

— Ai, desculpa — A voz feminina e o trombar em seu ombro fez o coreano tirar um dos lados do fone, encarando a mulher bonita que recolhia o material. Edwina. Ela também era outra pessoa estranha, mas não tão estranha quanto o seu amigo. — Perdão, não estava te olhando — Ela se desculpou novamente, abrindo um sorriso grande para o intercambista quando o reconheceu, fazendo Chanyeol devolver o sorriso. 

— Não foi nada, também estava distraído — Contou, pegando um dos livros da menina e entregando-a. — Está indo para a sala de estudos? — Perguntou tímido, vendo ela concordar com a cabeça, pegando o livro da mão do maior. — Posso te acompanhar?

— Claro, mas estava indo me encontrar com o Bae, tem algum problema? — Perguntou, já sendo acompanhada pelo coreano, que apenas negou com a cabeça. — Ai, perfeito, pelo menos não vou ter que aguentar ele me enchendo o saco enquanto eu tento estudar — Brincou, tirando uma risada leve do outro.

— Vocês são amigos há quanto tempo? — Perguntou curioso, vendo Edwina lhe encarar rapidamente antes de desviar o olhar. 

— A vida toda, somos vizinhos e minha mãe era muito próxima da mãe dele — Explicou tranquila, quase saltitando enquanto falava. — Estudamos juntos desde o primário, e só nos separamos na faculdade, já que ele seguiu para ciências e eu curso psicologia — Sorriu ao finalizar, encarando o coreano que concordou com a cabeça. 

— Então, vocês… Namoram ou só são amigos? — Chanyeol perguntou ainda mais curioso, ouvindo uma risada da menina que negava com a cabeça. 

— Não, nunca pensei nele assim e acho que ele também nunca pensou isso — Edwina fez uma careta fofa enquanto falava, se virando para frente apenas para acenar para o amigo que se aproximava também. Diferente da última semana, o rosto não estava machucado, parecia novinho em folha, bem diferente de todas as vezes em que Chanyeol já tinha olhado Baekhyun, o que mostrava uma beleza que nunca tinha reparado no menor, que forçou um sorriso ao reparar no intercambista ao lado da amiga. — Chanyeol vai estudar com a gente! — Edwina comemorou, vendo o melhor amigo concordar, nem ao menos se atrevendo a olhar em direção ao coreano, que lhe avaliava com calma. 

Ele realmente tinha a pintinha na boca, exatamente como o aranha tinha. 

— Tudo bem para você? — Chanyeol perguntou diretamente para Baekhyun, que lhe encarou pela primeira vez, negando com a cabeça. Ele não tinha as bochechas vermelhas como da última vez em que se viram. 

— Estou bem com isso — Falou baixo, passando pelos dois, que deram de ombros antes de seguirem o menor, que caminhava à frente para a sala de estudos. 

Entraram em silêncio na sala de estudo, com Edwina correndo na frente para pegar uma mesa redonda de três lugares, fazendo os dois rapazes se sentarem lado a lado sem querer (ou não). Tudo estava correndo bem, em silêncio, apenas o batucar das unhas de Edwina contra o livro e o teclado de Chanyeol, até o simples momento que Baekhyun se levantou assustado, olhando para todos os lados de forma alerta, chamando a atenção dos dois amigos. 

— Aconteceu alguma coisa? — Edwina perguntou preocupada, fazendo Chanyeol olhar ainda mais estranho para os dois. 

— Não, nada, foi só uma sensação — Baekhyun concluiu, se sentando novamente, bagunçando os cabelos antes de deixar os olhos irem para Chanyeol pela primeira vez. — Sério, não foi nada — Disse em um sussurro para o coreano, que franziu o cenho, aproximando a cadeira do menor, se inclinando em sua direção antes de perguntar: 

— Você tem a mesma pintinha em cima do lábio que ele — Falou sério perto do ouvido de Baekhyun, que engoliu em seco com a informação. — Isso é estranho, né? 

— Ele?

— Você sabe de quem estou falando — Se afastou, voltando para o ipad que usava, terminando os cálculos que tinha que entregar na semana seguinte. — Não esqueceria aqueles lábios tão cedo, é estranho ser tão parecido — Disse mais alto, chamando a atenção de Edwina, que levantou os olhos assustada. 

— Não sei do que está falando, de verdade — Baekhyun disse, desentendido, mordendo o lábio inferior enquanto olhava para a melhor amiga, que apenas tentava entender o que estava acontecendo ali. 

— Ah, acho que você sabe sim — Chanyeol assentiu, fazendo o menor negar desesperadamente. — Tenho certeza… — Tentou falar, mas foi cortado quando Baekhyun levantou novamente, fechando o computador com força o suficiente para assustar algumas pessoas ao seu redor. 

— Merda — Falou com os olhos arregalados, encarando a melhor amiga que começou a guardar as coisas automaticamente, entendendo o desespero do melhor amigo. — Merda, merda e merda — Falou desesperado, se afastando da cadeira, deixando Chanyeol ainda mais perdido com o que acontecia. 

— Ela está aqui? — Edwina não se importava mais com nada, estava com medo enquanto encarava o amigo, que respirava fundo enquanto olhava ao redor, a expressão mudando aos poucos enquanto o seu sentido aranha berrava dentro de si, em um grande alerta. 

— Vão embo… — Fora cortado no mesmo instante, a janela principal da sala de estudos sendo quebrada por um dos enormes tentáculos já conhecidos, fazendo o aranha apenas dar um passo para trás, entrando em frente ao amigos. — Vão embora — Falou mais alto para os dois atrás de si, nem ao menos notando quando Edwina olhou desesperada para o amigo e depois para Chanyeol, que finalmente tinha juntado os pontos. 

— Você é realmente ele — Chanyeol disse baixo enquanto se levantava, puxando tudo o que tinha na mesa para dentro da própria bolsa. 

Foi um jeito bem horrível de se descobrir que o rapaz coreano-americano bonito era realmente o herói que tinha um belo crush. Queria ter descoberto de outro jeito, com toda certeza de outro jeito teria sido melhor. Quem sabe pressionando ele para confirmar que ele era o rapaz que tinha beijado, tirando outro beijo dele, algo assim, e não daquele jeito. Não quando uma mulher com tentáculos entrava dentro da faculdade procurando com olhos assassinos o Homem-Aranha. 

— O que você fez para ela? — Edwina perguntou assustada, se aproximando do intercambista, que olhava mais para Baekhyun do que para a mulher assustadora em sua frente. 

— É, eu peguei um pendrive e um computador do laboratório dela, só isso — Baekhyun disse no meio dos gritos, observando enquanto todos saíam correndo da sala, o deixando livre para arrancar a blusa que usava, deixando o traje aparecer. — Acho que isso não agradou nada a ela… Então, vocês poderiam sair? — Perguntou, virando o rosto em direção à a Chanyeol, que tinha as bochechas vermelhas enquanto encarava o aranha, que segurou um sorriso antes de arrancar as calças, jogando em direção à amiga, que tirou a máscara de dentro da bolsa. 

— Só não morre — Edwina disse baixo para o melhor amigo, que sorriu. 

— Já falei que ninguém vai me matar — Piscou um dos olhos, enfiando a máscara antes de se virar para o intercambista. — A gente conversa depois, agora vaza daqui — Ordenou, vendo o outro segurar na mão de Edwina e puxá-la para longe, finalmente deixando Baekhyun sozinho com a mulher que sorria em sua direção. 

🕷️

— Sabe Doutora, vou começar a realmente cobrar a cada encontro — Disse cansado, caminhando com calma até onde a mulher estava parada lhe observando. — Está ficando cada vez mais frequente, até na minha faculdade? Isso é sacanagem — Ressaltou, parando em frente à mulher, colocando as mãos na cintura enquanto observava os tentáculos longos e estranhos da Doutora, que parecia mais descabelada do que normalmente estava. — Bom, o que veio fazer aqui? Atrapalhar meus estudos? 

— Soube que uma aranha acabou mexendo nas minhas coisas — A mulher começou a dizer, os tentáculos quebrando o piso cada vez que ela se aproximava mais do herói. — Vim pegar o que me pertence. 

— Sabe, ficar carregando um trambolho de computador daqueles não é muito meu forte, tenho uns probleminhas na coluna — Admitiu, coçando a cabeça, esperando que algo acontecesse contra si, mas a mulher continuou parada. — Ah, você quer o pendrive? Esse daqui? — Perguntou, mostrando o pendrive entre seus dedos, vendo os olhos cobertos pelos óculos esverdeados brilhantes, tirando uma risada baixa do aranha. — Vai querer vir aqui pegar? 

— Ia ser mais gentil da sua parte me devolver, não acha? — A Doutora perguntou risonha também, mesmo que o olhar fosse demoníaco. 

— Ah, isso não faz muito o meu estilo, mesmo você sendo bem bonita — Brincou, se esquivando de um dos tentáculos logo em seguida. — Eita, você tá bem rápida — Desviou novamente, olhando assustado em direção à mulher, que se aproximava cada vez mais, tentando atingi-lo com os tentáculos a todo custo, fazendo Baekhyun soltar um gritinho a cada um que desviava. — Vai com calma — Gritou depois de um mortal que deu, parando em cima de uma mesa que ainda não tinha sido destruída. — Vamos do começo, por que quer tanto esse pedacinho de trequinho aqui? — Perguntou, encarando a mulher, que soltou um leve ruído de raiva, voltando a se aproximar do herói. 

— Não é da sua conta — A mulher gritou, atacando novamente com os tentáculos o aranha, que conseguiu desviar com rapidez enquanto ainda segurava o pendrive, o fazendo parar em pé quase ao lado da vilã. 

— Okay, eu sei que se trata de transformar trítio em energia nuclear, e que as fórmulas estão aqui, mas por quê? Sabe que isso pode dar uma encrenca das grandes, né? — Indagou enquanto a vilã virava a cabeça em sua direção, um tentáculo passando rente ao seu rosto. — Nossa, acertei mesmo o que tinha aqui dentro? — Provocou novamente enquanto encarava o tentáculo à sua frente. 

Não obteve resposta, a única coisa que conseguiu pensar foi em realmente desviar dos ataques que a mulher fazia contra si, sentindo o corpo arder por algum arranhão que vinha junto com o ataque. Estava realmente agradecido de estar com o corpo bom para conseguir desviar de todos os tentáculos que iam para cima de si a cada instante, conseguia até jogar alguns móveis em cima da mulher, que nem ao menos parecia abalada com o que a atingia. 

Mas como nem tudo são flores, quando o primeiro tentáculo conseguiu atingi-lo foi o impacto que precisava para que os outros viessem, tirando a sua concentração tão rápido que parecia brincadeira e, mesmo acertando alguns golpes contra a Doutora, nada parecia abalá-la. Segurava com toda a força que conseguia o pendrive em uma das mãos quando um dos tentáculos o segurava pelo pescoço, fazendo-o se contorcer desesperado enquanto a mulher apenas se aproximava de si,  com no máximo uns arranhões no rosto, o que era bem injusto. 

Isso do Homem-Aranha só apanhar na maior parte do tempo estava começando a pegar para Baekhyun. 

— Me. Dê. O. Pendrive — A vilã disse irritada, se aproximando do rosto mascarado do aranha, que tentava a todo custo se soltar, o ar começando a faltar aos pulmões. — AGORA — Gritou ao final, o rosto tão próximo de Baekhyun que o fez gemer pelo bafo que sentiu. 

— Cara, você não escova os dentes? — O herói perguntou em um único fôlego, ouvindo um leve rosnado da mulher, que abria a boca para responder quando o barulho oco ecoou por toda a sala de estudos. — Mas que merda — Baekhyun soltou quando o tentáculo ao redor de seu pescoço afrouxou, o fazendo conseguir se soltar e cair no chão, observando por debaixo da mulher o rapaz ofegante que segurava o pequeno extintor de incêndio. — O que você está fazendo aqui? 

— Você estava perdendo — Chanyeol disse assustado, encarando a mulher que ainda parecia em choque com o golpe que tinha recebido. 

— Eu não estava perdendo — Baekhyun soltou indignado, soltando algumas teias timidamente, prendendo os tentáculos enquanto a mulher não prestava a atenção. — Estava tudo sob controle. 

— Você claramente estava perdendo — Chanyeol disse mais uma vez, se afastando uns passos quando a Doutora se virou em sua direção. — Eu tentei ajudar… 

— Ajudou muito, gatinho, mas agora eu irei te jogar da janela e você vai ficar quietinho — O aranha disse, passando por debaixo dos tentáculos, puxando a única teia que segurava em mãos, derrubando a vilã com facilidade, terminando de enrolá-la. — Entendeu? — Perguntou de frente para o intercambista, que apenas concordou com a cabeça, encarando o rapaz que agora sabia qual era o rosto. Era bem diferente a sensação, e gostava dela. 

— Pera, me jogar da janela? — Exclamou quando a ficha caiu, estava do lado da janela quando sentiu os braços do aranha ao seu redor, lhe levantando com facilidade e o jogando pela janela, sendo agarrado por uma teia logo em seguida. 

— Fique aí que irei resolver as coisas — Baekhyun falou alto da janela, observando o coreano balançar para frente e para trás enquanto encarava o herói assustado. — Depois a gente conversa!  

🕷️

Chanyeol conseguiu se soltar sozinho depois de trinta minutos preso naquela teia. Tudo bem que ficou mais parecendo um idiota se contorcendo de um lado para o outro do que qualquer coisa, mas pelo menos deu certo e ele acabou caindo de bunda no chão depois de meia hora lutando contra uma teia. 

Nesses trintas minutos que se passaram ouviu piadas e barulhos — que com toda certeza eram de alguém apanhando — até observar a mulher com tentáculos estranhos escapar pela janela e aquele que salvava o dia parar no meio da janela, observando os diversos policiais presentes na entrada da faculdade. Chanyeol se levantou, limpando a calça enquanto ainda observava o herói de longe, esse que virou o rosto em sua direção depois de segundos, o assustando. 

Okay, se Chanyeol fosse herói, estaria incrivelmente puto da vida naquele momento. 

Vai, não é nada legal alguém descobrir o seu maior segredo e logo em seguida uma arquiinimiga entrar na sua faculdade querendo a sua morte. Estar puto era o básico. Mas só que Chanyeol não queria mesmo lidar com alguém como ele puto. Não mesmo. 

Por isso que, sem pensar, mas pensando muito, rodou o corpo e se pôs a andar, claramente querendo fugir da situação, já que em nenhum momento Baekhyun falou que iriam conversar com um pequeno sorriso no rosto. Deveria ter se feito de burro. Deveria ter ignorado aquela vozinha dentro da cabeça que gritava falando que havia algo estranho com o colega. Mas como ignorar, principalmente quando os lábios do Homem-Aranha não saíam de sua mente, e toda vez que olhava para o colega lá estavam os mesmos lábios? Como? 

Poderia ter feito como várias mocinhas que via nos filmes de heróis. Nossa, deveria ter fingido que não sabia nada, e ir aos poucos. Era um completo idiota, e era mais idiota ainda por estar tentando fugir de alguém que tinha superpoderes. 

— Pode ir voltando — Baekhyun disse alto, fazendo Chanyeol tentar apressar os passos, mas em vez do corpo ir para frente, sentiu-se ir para trás em um único puxão. — Eu falei que iríamos conversar — Disse assim que o corpo do intercambista bateu contra o seu. 

— Quer conversar outro dia não? — Chanyeol perguntou, sentindo um dos braços do aranha ao redor de sua cintura. 

— Claro que não, Peter — Rebateu, lançando uma teia, levando junto consigo o coreano, que dessa vez apenas fechou os olhos enquanto voava de teia em teia por Nova York. 

Foi colocado delicadamente no chão depois de um tempo, finalmente abrindo os olhos e dando de cara com o rosto bonito de Baekhyun, totalmente sem a máscara e com alguns arranhões. Ele ainda era baixinho, como o aranha, mas agora era meio surreal encarar ele com o traje e sem a máscara, era como se estivesse sonhando, o que era bem bizarro. 

— Sabe, isso é uma puta sacanagem — Baekhyun começou dizendo, nem esperando que Chanyeol entendesse realmente o que estava acontecendo. — Como? Como você descobriu? — Perguntou mesmo sabendo a resposta, fazendo as bochechas do maior ganharem um tom rosado pela primeira vez. 

— Seus lábios — Admitiu, descendo os olhos até os lábios bonitos. Bom, já tinha falado aquilo para ele antes de toda confusão acontecer, mas não pensava que seria tão constrangedor depois que descobrisse a verdade. — Você me beijou, e eu notei a pintinha que você tem em cima do lábio — Começou a explicar, a voz falhando enquanto desviava o olhar, as orelhas queimando. — Daí eu reparei em você em sala. Você tinha a mesma pintinha e o mesmo formato de lábios, e você sempre foi meio estranho, sempre machucado e cansado, e eu só fui juntando os pontos e… 

— Tudo bem, entendi, que vergonha — Baekhyun disse rápido, cortando o maior que escondeu o rosto pela vergonha, quase se encolhendo ao ponto de parar no chão. No começo não foi tão vergonhoso, mas agora parecia estar morrendo. — Okay, você descobriu por causa do beijo… E por meu comportamento ser estranho — Comentou, recebendo um acenar de cabeça do maior, que ainda escondia o rosto nas mãos. — Vou ter que mudar de faculdade então, porque se você conseguiu descobrir, daqui a pouco todo mundo vai e eu não posso ter a minha identidade descoberta — Falou pensativo, a mão sobre o queixo enquanto observava o maior tirar as mãos do rosto, o olhar assustado enquanto negava com a cabeça. 

— Não, você não precisa mudar de faculdade! — Chanyeol disse, se aproximando em desespero. Não imaginava que teria destruído a vida universitária do colega ao descobrir a sua identidade secreta. — Me desculpa, eu posso só cancelar o meu intercâmbio e fingir que não sei de nada! Eu realmente não esperava que descobrir fosse acabar te prejudicando tanto, me desculpa. Me desculpa. Me desculpa! — Pediu segurando os ombros largos do herói, que fechou os olhos enquanto segurava uma risada. 

— Eu estou brincando, você não estragou nada — Baekhyun disse baixo, ainda sentindo o corpo ser levemente chacoalhado de um lado para o outro pelo coreano. — Edwina também sabe, mas eu conheço ela desde a infância, e eu contei para ela — Explicou, segurando os pulsos do outro, que ainda tinha os olhos arregalados em sua direção. — Você descobriu, e isso é o que me preocupa. 

— Eu juro que não vou contar para ninguém! — Chanyeol voltou a falar, um bico de culpa se formando nos lábios enquanto olhava o outro, que voltava a rir. — E se você quiser, eu posso voltar para o meu país, desistir do intercâmbio, só me desculpa — Pediu novamente, sentindo as mãos enluvadas pelo traje tocarem seu rosto, o fazendo parar de falar mais uma vez, encarando os olhos escuros do herói. 

— Você não precisa desistir do seu intercâmbio — Falou encarando o coreano, que tinha os olhos cheio de lágrimas, preste a chorar pelo desespero. — E se você está falando que não vai contar para ninguém, eu acredito, mas agora você faz parte do meu segredo — Explicou, tentando soar o mais calmo possível, mesmo que por dentro também estivesse em desespero. — Mas você ficava reparando na minha boca? — Deixou a pergunta escapar, fazendo o rosto do maior ficar ainda mais vermelho, tirando uma risada sua por isso. 

Mas a verdade era que Baekhyun também estava desesperado. 

E era por 2 motivos: 1 - Tinham descoberto que era o Homem-Aranha e 2 - Ele descobriu olhando para a sua boca. Isso deixava a mente dele confusa demais, principalmente por estar realmente adquirindo esse crush pelo intercambista, e agora ele estava inserido diretamente na sua vida, mesmo ele não querendo. E o pior, ele poderia estar correndo risco de vida daquele momento em diante. 

— Não — Chanyeol disse tirando as mãos dos ombros do aranha, que continuou a segurá-lo pelo rosto, apertando levemente as bochechas dele enquanto continuava a falar: — Eu nunca reparei na sua boca, foi só duas vezes por curiosidade — Tentou se justificar, engolindo em seco quando os olhos automaticamente caíram nos lábios bonitos do menor. 

— Ah é? E não tá olhando agora? — Perguntou maroto, rindo quando o outro levantou o olhar, escapando das mãos do outro e se afastando, virando o rosto somente para não olhar para o herói. 

Chanyeol caminhou para longe, escondendo o rosto nas mãos novamente enquanto tentava se acalmar e parar de fazer o rosto arder quando sentiu o corpo ser puxado novamente, o fazendo rodar até estar de frente para Baekhyun novamente, olhando diretamente para os lábios dele mais uma vez. 

— Ah, você está sim olhando para meus lábios — Brincou, segurando a cintura do intercambista enquanto o encarava. 

Se ele era o seu Peter Parker, as coisas estavam realmente no caminho certo, só que nunca esperaria que seria tão rápido e em uma situação onde uma vilã estava tentando lhe matar a cada segundo. Ele era bonito. Muito bonito. E muito inteligente, e sei lá, Baekhyun sentia o corpo inteiro arrepiar, o seu sentido aranha ainda gritava dentro de si, como um aviso, mas daquela vez era um aviso bom. 

Não houve uma resposta do coreano, ele apenas encarava os lábios bonitos do aranha, que nas pontas dos pés juntou seus lábios contra os do maior, naquele selar simples, parecido com o que deram a dias atrás. 

Mas ali era diferente. Chanyeol sabia que não era apenas o Homem-Aranha ali, e sim o seu colega de turma, Baekhyun. E Baekhyun sabia que Chanyeol agora sabia quem ele era, parecia ter mais liberdade do que tinha com a máscara. 

Chanyeol tomou uma reação depois de alguns segundos, segurando o corpo menor com os braços, tombando a cabeça para o lado enquanto entreabria os lábios, os olhos fechados enquanto aprofundava o beijo, recebendo um suspiro do cabeça de teia, que deixou as mãos subirem aos cabelos escuros do maior, puxando os fios enquantos as línguas se encontravam. 

Já haviam beijado outras pessoas, já haviam feito muito mais com outras pessoas, mas para Baekhyun aquele momento era bem mais íntimo do que qualquer coisa que já tinha vivido. Era como se estivesse totalmente exposto para alguém, para alguém que lhe segurava com firmeza e lhe tomava os lábios, as línguas entrelaçadas enquanto os corpos se colocavam. Era completamente diferente. E o aranha não iria mentir que estava gostando. Era a segunda vez que o beijava, que beijava um homem, e aquilo estava muito bom. 

Sentiu as mãos grandes do coreano seguirem as curvas do seu corpo, parando em sua lombar antes de findar o beijo, os corpos colados e as respirações ofegantes sendo a única coisa que passava na cabeça do aranha. 

— Quer que eu te dê uma carona até o seu dormitório? — Baekhyun perguntou ainda de olhos fechados, apenas sentindo a respiração pesada do intercambista em seu rosto. 

— Acho melhor eu voltar sozinho — Chanyeol respondeu sincero, afastando o corpo do outro aos poucos, que apenas concordou com a cabeça, os lábios inchados fazendo um sorriso nascer nos lábios do coreano. Este que voltou a se aproximar, juntando os lábios novamente aos do aranha, que deixou um pequeno sorriso escapar com o beijo roubado. — Acho melhor você ir embora, tem coisas para resolver. 

— O que? O que eu tenho para resolver? — O aranha perguntou confuso, tirando uma risada baixa do outro, que se afastou ainda mais, encarando o herói que continuava parado com a expressão confusa. 

— Você não tava atrás de uma vilã? — Devolveu com outra pergunta, fazendo o herói abrir os lábios com a constatação, voltando a vestir a máscara enquanto confirmava com a cabeça. — A gente se vê na aula, cabeça de teia — Piscou um dos olhos, ouvindo a risada de Baekhyun antes do mesmo correr do prédio, se tacando do mesmo e voando pelas teias por aí. 




Byun’s House. 

Terça-feira, 22h00m. 



Havia uma coisa que tinha aprendido naquelas quase 7 anos vestindo o traje de Homem-Aranha. Essa coisa era entender como muitas coisas funcionavam, e que somente com muito estudo entenderia perfeitamente o que acontecia, principalmente quando estava investigando um documento cheio de fórmulas estranhas, que somente estudando iria entender. 

Não era muito bom no começo, mas depois de um tempo, conseguia resolver quase tudo o que estava em frente a sua tela do computador, o que lhe assustava, pois tudo o que acabava descobrindo não eram coisas boas. Outra coisa que havia aprendido: cientistas, principalmente aqueles que acabavam ficando meio malucos, nunca trabalhavam para o bem. 

A tela antiga de seu computador brilhava enquanto ele se mantinha trancado dentro do próprio quarto, ignorando tudo o que conseguia ao seu redor enquanto resolvia mais algumas fórmulas, tentando não se assustar com o avanço que aquela mulher fazia em sua pesquisa e na montagem do gerador. Baekhyun realmente tentava não se assustar com nada, mas foi apenas o toque suave em sua porta que o fez fechar o caderno e desligar o computador ao mesmo tempo que o delegado Stacy entrava em seu quarto. 

— Você sabe que não está mais de castigo, pode vir jantar comigo — O homem disse calmo enquanto observava o filho. 

— Nem sabia que você estava em casa — Comentou baixo, escondendo o prato vazio que tinha ao seu lado, já havia se alimentado fazia um tempo. — Achei que iria voltar só na quarta, como sempre faz… — Falou ainda mais baixo, um pequeno sorriso sendo colocado nos lábios. A verdade era que não se dava mais tão bem com o pai, principalmente quando o mesmo jurou vingança ao Homem-Aranha pela morte da esposa. 

Não que tivesse sido o aranha a matar a senhora Stacy, longe disso. Baekhyun se culpava pela morte de sua mãe até nos dias atuais, tinha pesadelos com aquilo ainda, mas descobriu a morte dela no mesmo instante que seu pai. E nunca saberia dizer o que George Stacy pensou no momento que viu o famoso herói debruçado ao corpo de sua esposa, a única coisa que Baekhyun sabia era que seu pai ainda queria vingar a morte da mulher, e culpava o aranha por isso. Não o julgava. 

Mas não era mais tão próximo dele, não quando poderia ser preso. 

O delegado suspirou cansado, observando o quarto bagunçado do filho com calma antes de voltar a falar. 

— Sei que está ocupado com a faculdade… Mas eu sinto saudades de passar um tempo com o meu filho… Desculpa por ter agido daquela maneira antes — O homem falou baixo, desviando o olhar como sempre fazia, fazendo o aranha apenas dar de ombros. 

— Tudo bem, pai — Baekhyun falou baixo, se levantado da cadeira. — A gente pode tentar em outro final de semana, quando tiver jogo dos Yankees, o que acha? Como a gente fazia antes — Sorriu em direção ao pai, que concordou com a cabeça. — Mas a gente combina mais tarde, eu realmente tenho que me trancar no meu quarto para finalizar um trabalho para amanhã.

— Ah, tudo bem — George disse baixo, observando a bagunça do quarto do filho mais uma vez antes de deixar o local, fazendo Baekhyun fechar a porta e trancar a mesma. Era muito estranho ter momentos como esse com seu pai, para dizer a verdade, tudo estava muito estranho. 

Baekhyun não se importou muito quando desconectou o pendrive do computador, pegando sua bolsa e enfiando tudo o que podia na mesma antes de sair pela janela de casa. Não estava machucado, e tudo estava muito parado, o que era completamente estranho. O que não era mais estranho do que estava acontecendo na sua vida pessoal. 

Vamos por parte.

Uma semana havia se passado desde o “acidente” com a Doutora Octopus em sua faculdade, consequentemente, fazia apenas uma semana que o intercambista bonitinho havia descoberto sua identidade secreta, e consequentemente, beijado a sua boca. Também fazia uma semana que Chanyeol estava inserido em sua vida, almoçando com seus amigos, trocando mensagens (essa parte era bem legal) com o nosso herói, e também, trocando vários beijos escondidos pela cidade. 

Então, havia uma semana que Baekhyun não sabia mais o que era simplesmente ficar em casa todos os dias, pois, ou ele estava caminhando para o dormitório da faculdade, ou ele estava atravessando a rua para dar um oi para a melhor amiga, comer uma comida indiana (que era deliciosa por sinal), e fazer o caminho para o dormitório da faculdade. Sim, a vida de Baekhyun atualmente se resumia em dar uma volta pela cidade com seu traje antes de bater na janela do intercambista bonitinho para conseguir enfiar a sua língua na boca dele logo em seguida (resumindo, dar uns beijinhos e dormir fofinho). 

E naquele momento ele atravessava a rua apenas para dar um oi para a melhor amiga antes de ir para o lugar preferido dele atualmente. 

— O que diabos você está fazendo aqui? — Edwina perguntou assim que abriu a janela, usando a sua touca de cetim e com seu pijama da Hello Kitty, que o próprio melhor amigo havia lhe dado de Natal. 

— Eu só vim deixar o pendrive com você — Informou baixinho, se sentando na janela da amiga enquanto tirava do bolso o pendrive que mantinha escondido consigo. Confiava tanto na amiga que preferia deixar com ela do que sair com ele anoite. — Amanhã eu pego na faculdade. 

— Para onde você está indo? — A menina perguntou ao pegar o pendrive, observando bem o mesmo antes de guardá-lo embaixo do travesseiro. 

— O de sempre, dar uma volta pela cidade — Baekhyun explicou observando ao redor, vendo a rua calma que cresceu. — Ela está muito quieta, sabe? E pelo que descobrir, se ela pegar esse pendrive de volta, ela tem tudo… Estava estudando as fórmulas, e se ela já tem o gerador montado, ela não precisa de muito, e isso pode, sei lá, destruir o mundo inteiro se não for manipulado da forma certa — Explicou para a amiga, que suspirou com a informação. Edwina sentia medo quando o amigo se envolvia assim. Se lembrava da vez do lagarto gigante, de como o mesmo tentou transformar os Estados Unidos inteiro na sua espécie. Foi assustador ver o amigo tão envolvido. — Então, vou dar uma olhada antes de ir dormir… Amanhã você me devolve na faculdade, tudo bem? 

— Tudo — Edwina disse baixo, observando o sorriso do amigo, que deixou um selar na bochecha da amiga ante de se pendurar em sua janela. — Toma cuidado — Desejou enquanto fechava a janela, observando o amigo pular do chão com facilidade antes de sair correndo. 

Baekhyun entendia o olhar de medo que a melhor amiga tinha. Ela já havia vivido muita coisa com ele, mas ele não se preocupava muito, não quando “tinha tudo sob controle”, mesmo que esse controle fosse passear pela cidade como fazia naquela noite, e nas outras noites, só verificando se estava tudo bem antes de se encaminhar até a janela que já ficava aberta no dormitório masculino da faculdade. 

— Chegou tarde — Chanyeol disse saindo do banheiro enquanto Baekhyun arrancava a máscara do rosto, abrindo um sorriso sacana ao se virar em direção ao outro. Os cabelos escuros bagunçados do aranha tinham um efeito bem legal sobre o intercambista, mas isso ainda era segredo. 

— Posso usar seu computador um pouco? — Foi a primeira coisa que Baekhyun disse depois de correr os olhos no mais velho, que com as bochechas vermelhas apenas concordou com a cabeça, observando com calma o aranha jogar a bolsa em cima da cama e ligar seu notebook com rapidez. Ele ainda usava o traje quando começou a digitar, buscando algo no Google enquanto sentia o intercambista se aproximar aos poucos. 

— O que você está procurando? — Chanyeol perguntou ao se curvar para entender o que o herói tanto digitada, sentindo os olhos escuros irem em sua direção enquanto a logo do hospital infantil tomava conta da tela do aparelho, fazendo o mais velho se virar em direção ao herói. Diferente de Edwina, Chanyeol não sabia muita coisa. A única coisa que realmente sabia era que aquele rapaz beijava muito bem, ao ponto de lhe deixar tonto por um bom tempo, e é claro, sabia que ele era o famoso amigo da vizinhança, Homem-Aranha, o que ele fazia ou deixava de fazer para salvar o mundo, ainda não sabia muito bem. 

Só tinha o conhecimento que uma louca com tentáculos estava tentando matar o aranha a qualquer custo. 

— O que tem no Instituto de Pediatria Angelus? — O coreano voltou a perguntar, os olhos correndo o rosto bonito de Baekhyun, que voltou a olhar para o símbolo no computador. 

— Acho que descobri onde ela pode estar se escondendo — Informou baixinho, buscando a localização do hospital agora que sabia exatamente o que significava o símbolo. 

— Quem? 

— Aquela louca dos tentáculos — Baekhyun disse dando de ombros, sentindo a cadeira ser puxada, o fazendo digitar apenas com as pontinhas dos dedos enquanto o corpo grande tomava lugar em seu colo. — Não posso contar muita coisa, mas sabe como é, ela é uma vilã e tá tentando destruir o mundo, ou só a cidade, e também me matar… Tenho que impedir antes que alguém morra — Se enrolou ao falar, sentindo a respiração pesada do outro em seu pescoço enquanto se aconchegava ainda mais em seu colo. — Só acho sacanagem ela estar se escondendo em um hospital infantil, isso é pura maldade. 

— Pessoas ruins só pensam nelas mesmas — Chanyeol respondeu baixo, a voz rouca arrepiando o menor que parou de digitar no mesmo instante. — Não se importam com as consequências, pelo menos é o que eu acho — Voltou a falar, levantando o rosto para encarar o bonito do aranha, que largou de vez o computador para enfiar as mãos ainda enluvadas dentro do moletom cor-de-rosa que o maior usava, o fazendo se arrepiar com o toque gelado. 

— Você é muito bonito, real — Baekhyun cortou o assunto, encarando o coreano que sentiu as bochechas esquentarem com o comentário. 

— Cara, do nada? — Chanyeol perguntou constrangido, rindo de nervoso enquanto se afastava levemente do outro, que o manteve preso em seus braços. — Você tava todo heróico falando sobre como vilões são ruins, e todas essas coisas… E do nada mete “Você é muito bonito, real” — Falou imitando a voz do outro, que riu constrangido enquanto olhava o maior constrangido. — Você é muito estranho… 

— Eu fui picado por uma aranha radioativa, eu tenho poderes de aranha… Quer mais estranho do que isso? — Perguntou rindo, subindo e descendo as mãos nas costas quentes do intercambista, que negava com a cabeça enquanto ouvia. 

— Só para de ser estranho — Pediu baixinho, recebendo um sorriso pequeno do menor, que deu de ombros antes de se aproximar, juntando os lábios aos do maior em um selar simples. — Por favor, para de ser estranho mesmo — Falou novamente, os lábios colados ao do aranha, que riu baixo, antes de se afastar, voltando para a tela do computador, anotando o endereço rapidamente antes de se virar para o intercambista que observava tudo atento. — Não vai dormir aqui? — Chanyeol concluiu sozinho, observando quando Baekhyun leu o endereço antes de voltar os olhos para si. 

— Eu só vou dar uma olhada no que está rolando no hospital, prometo voltar antes das 3 horas, juro — Falou aproximando o rosto, selando seus lábios ao do outro antes de se levantar da cadeira, levando consigo o corpo grande com facilidade. — Juro mesmo, e juro que volto inteiro — Colocou o mais velho na cama, beijando seus lábios mais uma vez, daquela vez se demorando como gostava no selar, pronto para aprofundar quando se afastou em um suspiro, pegando a máscara jogada na cama e enfiando na cabeça. — Volto logo. 

— Cuidado! — Chanyeol disse, sendo a segunda pessoa naquela noite que gritava algo do tipo para Baekhyun, que pulava da janela. 

🕷️

O Instituto de Pediatria Angelus era bem conhecido por todos em Nova York, porém, depois da morte de um dos funcionários, um departamento foi fechado, e assim, metade do local estava interditado, ou abandonado, apenas metade do hospital funcionava. 

Baekhyun se dirigiu diretamente para a parte abandonada quando resolveu ver o que estava ali. Enquanto estudava as fórmulas, um símbolo era sempre usado para indicar a localização de onde o gerador estava sendo montado, só que no começo não fazia sentido para o aranha, pois um hospital focado em criança era o auge para um gerador nuclear ser montado. Mas tudo o que era o auge poderia ser o óbvio, por isso estava realmente ali, puxando o vidro de uma das janelas para conseguir entrar no segundo andar da parte abandonada, pisando pé ante pé para tentar não fazer barulho enquanto olhava ao redor. 

Estava tudo escuro e nem o barulho de alguma barata ou rato correndo pelas tubulações poderia ser ouvido. Lembrando, que tudo não passava de uma grande teoria para o herói, que tentava só achar o gerador e quem sabe soltar uns parafusos para ele não funcionar. Olhava ao redor, o sentido aranha em alerta enquanto atravessava um corredor, tentando ouvir algum barulho quando os barulhos de salto foram ouvidos. 

— Eu preciso do meu pendrive para finalizar a soma, só assim posso finalizar a montagem do gerador, senhor Osborn! — A voz feminina conhecida por Baekhyun se tornou presente no correr, fazendo o aranha escalar a parede para conseguir se fixar no teto, observando quando a mulher de cabelos coloridos e o senhor passaram lado a lado, presos em uma conversa. — Com esse gerador, toda a empresa pode ser beneficiada, principalmente os seus planos pessoais, e assim eu também posso vingar o meu professor… 

— Minha querida, ainda não entendo o motivo de tanta comoção com uma arma nuclear — O senhor disse baixo, parando em frente a porta que a doutora estava, ela parecia segurar a maçaneta com força, os cabelos roxas balançando enquanto respirava fundo, como se tentasse se acalmar. — Otto era um grande amigo, ele pretendia criar uma coisa grande para que pudesse vender país afora como uma nova tecnologia nuclear, mas tudo o que está me dizendo é sobre uma arma, isto não seria perigoso? — Perguntou novamente, observando os olhos claros da mulher brilharem. 

— Ano passado, acabei parando em outra dimensão, senhor Osborn — A mulher disse baixo, abrindo a porta aos poucos, convidando com o olhar para que o senhor lhe acompanhasse. — Eu consegui rever o meu melhor amigo, o Doutor Otto, e lá ele me passou esse plano, como uma forma de criar poder e garantir que tudo iria voltar a ficar bem… E eu confio no Otto, confio a minha vida nele — Completou, seguindo para dentro da sala, sendo acompanhada. 

— Carolyn, mesmo assim, isso é perigoso… E isso de outra dimensão é meio estranho — Osborn falou com calma, observando atentamente o gerador montado em sua frente, com duas extremidades, uma em cada ponta, com a central de controle presente em outra sala. 

— Se não acredita, irei lhe mostrar… Com esse gerador, uma grande força irá ser criada ao ponto de fazer energia por horas, mas não é só isso que importa — Carolyn disse enquanto corria até a central de controle, fazendo o senhor lhe acompanhar apreensivo. — O que importa é que a radiação criada neste gerador pode criar um novo super-herói, assim como o Homem-Aranha — Disse quase em um canto animado, fazendo os olhos do senhor Osborn e de Baekhyun se arregalaram enquanto o gerador era ligado. 

— E quem a senhorita pretende dar poderes? — Osborn perguntou assustado, observando quando Carolyn lhe entregou um óculos de proteção. 

— Eu mesma, meu caro — Respondeu abrindo um sorriso maligno, levantando o queixo enquanto ligava o gerador. 

Puta merda — Baekhyun soltou assim que a luz da radiação gerada tomou conta do local, funcionando apenas por segundos. 

Aquilo era perigoso. Mais perigoso do que estava pensando que seria. 

Estava dando meia volta para deixar o local, o gerador era desligado enquanto tudo voltava a ficar escuro, o momento perfeito para dar o pé. Mas a vida de Baekhyun era complicada, parecia que ele sempre chamava a atenção quando não precisava. Notou que estava sendo observado quando o primeiro tentáculo (que ele não fazia ideia de onde tinha surgido) lhe prendeu contra o telhado e a risada macabra (ela havia treinado, pois estava bem mais assustadora) ecoou por todo o local, fazendo o aranha virar o rosto assustado enquanto observava Carolyn lhe encarar raivosa. Acho que ela ainda queria o pendrive, e invadir o laboratório secreto de uma vilã também não era a melhor coisa. 

— Olha quem apareceu — Baekhyun brincou, levando uma das mãos ao rosto, tentando fazer graça, essa que não foi levada a sério quando teve uma das pernas puxadas, sendo jogado no chão com força demais. Vai, ele não estava esperando por aquilo, estava em uma missão de investigação, e não pronto para uma luta. — Acho que não foi uma surpresa boa — Disse assim que se levantou do chão, dando de cara com o senhor que olhava sem expressão para o que acontecia. — Acho que não nos conhecemos, não é? Sou o Homem-Aranha — Se apresentou para o senhor Osborn, recebendo um revirar de olhos como resposta. — Nossa. 

— Agora anda espionando as minhas coisas? — A Doutora Trainer perguntou irritada, os tentáculos a carregando até próximo do herói, que olhava ao redor, pensando no que poderia fazer. Fugir era uma boa opção? Ou lutar? Não sabia dizer. 

— Na verdade, eu só vim dar uma olhada, não estava espionando nada — Tentou conversar, pegando um pedaço de metal jogado enquanto dava alguns passos para trás, pensando em usar aquilo como escudo. — Mas o espírito de fofoqueiro tomou conta de mim e eu ouvi um pouco da conversa, mas só um pouco — Colocou o pedaço de metal em frente ao rosto quando um tentáculo veio em sua direção, o fazendo voar para longe. 

— Eu ainda quero o meu pendrive — A mulher disse irritada, jogando os tentáculos contra o aranha, que tentava se defender o máximo que conseguia. Não tinha nem condições de lutar, poderia pegar alguma coisa e atingir aquele gerador e tudo explodir, e bom, estavam em um hospital, que mesmo com aquele local não funcionando, o resto funcionava. 

O que era bem inteligente, ele não poderia destruir nada ali sem causar uma tragédia. Carolyn era uma gênia!

— E se eu te falar que eu perdi? — Provocou, colocando a cabeça para fora do escudo, voltando rapidamente quando um tentáculo tentou lhe atingir. 

— Eu sei que está mentindo… — Carolyn disse baixo enquanto seu corpo se aproximava do outro. — E eu sei com quem está… Se não quer ninguém morrendo como a sua mamãe, recomendo me entregar o meu pendrive — Ameaçou, fazendo o aranha tirar o escudo da frente do rosto, encarando a mulher. Aquela linha tênue do herói vacilando enquanto suas mãos fechavam em punhos. Ela estava ameaçando a sua melhor amiga. Ela sabia quem era Edwina, provavelmente sabia quem era o aranha, já que tinha ido à faculdade. Ela simplesmente sabia e estava usando isso ao seu favor. 

— Que porra? — Perguntou levantando o tronco, os olhos arregalados da mulher não combinavam com o sorriso macabro que ela carregava. Esse que sumiu quando o punho de Baekhyun lhe atingiu o rosto, a fazendo ficar atordoada antes de outros socos virem com força em sua direção. Não era legal bater, Baekhyun nem ao menos gostava, mas em momentos como aquele, ele acabava gostando um pouco, principalmente quando ameaçavam ele. 

Deu o máximo de golpes que conseguiu, desviando de alguns tentáculos enquanto puxava a Doutora para longe do gerador, mas ao mesmo tempo que lutava, sua cabeça estava a milhão. Não era para ela saber de nada daquilo. E como ela sabia? Foi se perdendo em um dos pensamentos que um tentáculo conseguiu lhe atingir, o fazendo voar contra uma parede, batendo a cabeça com força o suficiente para deixá-lo tonto. Realmente não curtia essa parte de apanhar. 

Os outros golpes vieram com força, Carolyn parecia ainda mais raivosa, com aquela sede de vingança que corria por todo o seu corpo. E Baekhyun apenas tentava se defender e mantê-la afastada do gerador, mesmo que para isso precisasse apanhar. Agora pensava mais nas crianças do que em si mesmo, e foi com esse pensamento, e puxando desesperadamente um dos tentáculos da mulher para longe do gerador que o mesmo lhe agarrou no peito, o fazendo tremer de dor enquanto sentia o metal lhe cortar a pele. Os olhos enchiam de lágrimas enquanto tentava se soltar. 

— Eu só não lhe mato, Homem-Aranha, pois eu ainda preciso do meu pendrive — A Doutora Octopus disse irritada, apertando as garras contra o peito do herói, que tentava com todas as forças não chorar de dor. — Se não me entregar por bem, tenha noção que eu não tenho medo de matar — Informou antes de arremessar o rapaz por uma das janelas, o fazendo voar e cair no meio da rua, fazendo alguns carros pararem quando o corpo do herói quicava até parar no meio da estrada. 




New York University, dormitório masculino. 

Quarta-feira, 03h45m. 



Chanyeol ainda estava acordado e a janela ainda estava aberta. 

Não conseguia dormir. 

Não era como se estivesse totalmente preocupado com o outro. Mas realmente estava preocupado com ele. Tinha se apegado a ele naquela semana que Baekhyun passou consigo, tanto que foi a primeira vez em todo o seu intercâmbio que não se sentiu sozinho, gostava da companhia nele, mesmo que fosse somente à noite. 

Mas uma coisa que ninguém conta também, é que quando se conhece um super-herói, o aperto no coração vem junto, de uma maneira bem ruim. E esse aperto se mostrou bem real quando sua janela foi atravessada por aquele que conhecia como Homem-Aranha. 

— O que aconteceu com você? — Chanyeol perguntou se levantando da cama em um sobressalto, indo em direção ao herói que lhe abriu um pequeno sorriso como resposta, se apoiando em sua mesa para conseguir respirar enquanto arrancava a máscara. Baekhyun tinha os olhos cheios de lágrimas, mas o que estava assustando o intercambista eram os cortes feios no peito do menor. — Baekhyun, que porra aconteceu com você? — Perguntou novamente quando se aproximou, segurando o outro nos braços quando o menor perdeu as forças nas pernas. 

— Você me promete que irá guardar mais um segredo? — Baekhyun perguntou enquanto era arrastado para a cama bagunçava que lhe esperava. 

— Claro… 

— Edwina está em perigo — Confessou enquanto o outro lhe encarava assustado, os lábios se abrindo automáticamente enquanto a ficha caia. — E talvez esse seja um evento canônico. 

— Evento canônico? — Chanyeol perguntou confuso, fazendo o Byun rir baixo, abrindo o próprio uniforme para arrancar a parte de cima, deixando os ferimentos à mostra. 

— Esse é o segredo — Contou baixo, levanto uma das mãos sujas ao rosto bonito do outro, que tombou a cabeça, confuso. — Existe um multiverso, enorme, e dentro deste multiverso, vários Homens e Mulheres Aranha existem, eu sou somente mais um deles, e se tudo for verdade, e ela ser a minha Parker, a chance que tenho de perdê-la é muito alta — Confessou com um bico se formando em seus lábios, assim como as lágrimas grossas escorriam pelo rosto bonito. — Mas eu não quero viver essa porra de evento canônico, mesmo que ele possa destruir a porra do meu universo — Disse irritado, desviando do olhar assustado de Chanyeol, que apenas concordou com a cabeça antes de se afastar do outro, concordando com a cabeça. 

— Então você não vai viver esse evento canônico — Chanyeol disse firme, fazendo o aranha lhe encarar enquanto encarava o peito dele. — Eu vou te ajudar, e a gente vai salvar juntos a Edwina, e isso vai dar certo, mesmo que esse universo seja destruído — Afirmou novamente, se aproximando do aranha que ainda chorava, selando seus lábios ao dele antes de se afastar totalmente, indo para o banheiro pegar o seu kit renovado de primeiros socorros. — Mas antes você precisa me explicar melhor tudo, desde esse multiverso de Homens-Aranhas até o que a louca dos tentáculos está pensando em fazer. 




New York City. 

Sexta-feira, 09h00m. 



— Você entendeu o plano? — Baekhyun perguntou em quase um sussurro, fazendo Chanyeol suspirar. 

— Quem montou o plano foi eu — Chanyeol disse em outro sussurro, sentindo as mãos do herói apertarem o teia laser presos em seus dois pulsos. — Só não acho que eu esteja realmente preparado para andar de teia sozinho — Comentou encarando o outro que parecia ainda mais nervoso. Baekhyun não tinha se recuperado totalmente, conseguia observar o relevo dos machucados no peito dele ainda, mas lá estava ele, destemido e convencido que o plano iria dar certo. Pois era ele ou nada. 

— Você treinou, vai dar certo — O aranha disse confiante, levantando a máscara apenas para olhar sem nada atrapalhando o rosto bonito do intercambista. — Você vai pegar ela e vai destruir o pendrive, eu me viro com a Doutora louca, tudo bem? — Perguntou abrindo um pequeno sorriso para o maior, que negou com a cabeça, nervoso. 

— Tenta não se matar, por favor — Pediu baixo, levando as mãos ao rosto bonito e machucado do aranha, que segurou uma risada ao concordar com a cabeça. — Estou falando sério — Chanyeol afirmou puxando o rosto do outro, seu nariz tocando com o de Baekhyun em um leve carinho. — Eu posso ser o seu Peter Parker como a Edwina pode ser a sua Parker, mas você precisa continuar vivo para ter um Parker na sua vida — Completou totalmente sério, a voz rouca fazendo o menor se arrepiar. 

Depois de explicar todo o multiverso aranha para o intercambista (coisa que demorou um pouco), o mesmo passou a entender a sua linha de raciocínio e o que se tratava esse evento canônico , e o quão assustador ele poderia ser. Chanyeol compreendeu que em cada universo existia apenas um Homem-Aranha, e dependendo de quem ele fosse, algumas coisas necessariamente precisavam acontecer. Mas não fazia sentido. Parecia errado deixar uma pessoa morrer quando você poderia salvar ela, e era isto que revoltava Baekhyun ao ponto dele se desesperar quando a ameaça a Edwina veio. 

Outra coisa que Chanyeol também descobriu, era que não era necessariamente o Peter Parker daquele Homem-Aranha, mas não comentou nada para o herói, não quando realmente estava gostando do rapaz a sua frente. O importante, era que o plano desse certo, e necessariamente precisava dar certo, mesmo propenso a dar muito errado. Chanyeol esfregou os polegares nas bochechas geladas do cabeça de teia, puxando o rosto do mesmo para selar os lábios em um beijo demorar, suspirando quando sentiu a língua do mesmo tomar espaço e aquela sensação gostosa correr por todo o seu corpo. 

Aquilo de se envolver com um super-herói era desesperador, pois ao mesmo tempo que queria continuar com aquilo para sempre, existia um medo enorme de momento como esses serem os últimos. 

— Não morre, por favor — Chanyeol pediu ao findar o beijo, observando os olhos brilhantes e pequenos do aranha, que concordou com a cabeça antes de levantar, correndo livremente pelo telhado do prédio para se jogar como era o de comum, voando com as teias com facilidade. 

O plano era fácil de ser executado, bastava ter coragem. Baekhyun iria mesmo resolver com a Doutora louca do jeito que conseguiria, já que ele teria que desmontar, de alguma forma, o gerador e colocar a mulher na cadeia, Chanyeol ficava com a outra parte do plano, a mais simples, se fosse parar para ver. Ele apenas teria que pegar Edwina e o pendrive, e sair dos arredores da cidade, e bom, dar um fim no pendrive de uma forma que não existisse mais forma que recuperar o que havia dentro dele. Um plano simples, fácil, isso se Chanyeol também fosse um super-herói, coisa que ele não era. 

O intercambista se levantou nervoso do chão que ainda estava sentado, nunca que iria fazer como o outro e iria saltar do prédio, longe disso. Chanyeol optou apenas por descer as escadas e do chão, testar a primeira teia. Realmente tinha treinado com o outro, mas uma coisa era você treinar com uma pessoa experiente, que poderia lhe salvar se desse alguma coisa, e não sozinho. Era quase como pegar a direção de um carro pela primeira vez. 

Apertou o aparelho, uma teia sendo lançada e a colando em uma janela de um prédio alto. Pronto, agora teria que segurar e ir lançando mais teias, era fácil, não iria acontecer nada. Segurou com força a teia quando a mesma puxou seu corpo para frente, o fazendo tirar os pés do chão. Como havia treinado, foi se pendurando por ali, a velocidade começando a tomar conta de seu corpo enquanto tentava desviar de alguns lugares e pessoas, pedindo desculpas por onde passava, principalmente por estar perto demais do chão. 

Acabou quase levando uma senhora consigo quando virou em uma esquina, já observando a casa de Edwina ao longe. Nunca havia se desculpado tanto com alguém como fez naquele momento, ouvindo alguns xingamentos enquanto lançava uma última teia em direção a janela da melhor amiga de Baekhyun. Chanyeol sentiu os joelhos atingirem a parede grossa da casa da menina, o fazendo xingar baixo antes de dar leves batidas na janela da Parker, essa que abriu a janela levemente irritada. 

Mas a irritação pareceu sumir quando o rosto que encontrou foi do intercambista e não do melhor amigo. 

— O que você está fazendo aqui? — Edwina perguntou surpresa, olhando ao redor, percebendo o lança-teias do amigo no pulso do coreano, que forçava um sorriso em direção a mesma. — O que aconteceu? 

— Eu tenho duas informações: a primeira é que você vai me dar o pendrive, a segunda é que você vai ter que confiar muito em mim e me acompanhar — Chanyeol disse se sentando na janela da amiga, que franziu o cenho desconfiada. — Te conto o que tá acontecendo no meio do caminho, mas a coisa é séria — Avisou mais sério, esticando os braços em direção a mulher, que colocou a cabeça para fora da janela por segundos, olhando ao redor antes de entrar no quarto novamente. — Vai vir? 

— Claro — Edwina disse séria, pegando o pendrive que havia escondido e colocando no sutiã, colocando a cabeça para fora novamente apenas para confirmar o que tinha visto. — Mas você vai ter que me segurar muito bem. 

— Eu só espero que a gente não caia, isso sim — Chanyeol disse com o sotaque pesado pelo nervosismo, fazendo a menina respirar fundo antes de ir para o colo do rapaz, que se pôs a voar nas teias com mais dificuldade que antes. 

🕷️

Invadir o laboratório secreto da sua super-vilã continuava sendo extremamente fácil, principalmente depois do rombo que a mesma havia feito depois de jogar o nosso querido Homem-Aranha pelos ares. 

O difícil estava sendo tentar desmontar aquela geringonça que ela chamava de gerador, que meio que já estava caindo aos pedaços, mas funcionava. Baekhyun se sentia um mecânico deitado no chão com uma chave de fenda desparafusando algumas partes bem específicas sem derrubar tudo, isto apenas para dar uma grande surpresa na mulher. 

Estava seguindo o plano conforme o que foi planejado, iria destruir, de alguma forma o gerador e depois iria procurar pela Doutora Carolyn Trainer, quem sabe dar voz de prisão para a mulher como um bom homem da justiça faria, ou tentar não morrer, já que ela estava bem pirada da cabeça nos últimos dias. Baekhyun não sabia bem o que iria fazer, apenas sabia que tinha que acabar com isso de uma vez, já que o plano da Doutora era pro mau, e não para o bem. 

— Acho que uns quinze parafusos dá — Comentou sozinho, se levantando com os benditos parafusos na mãos, colocando os mesmos dentro do bolso lateral da bolsa que carregava. — Bom, agora é esperar a ligação do Chan para confirmar que está tudo destruído e ir atrás da cientista maluca — Conversar sozinho era um hábito quando estava nervoso, principalmente quando o estar nervoso inclui o medo de acabar morrendo por aí. 

Caminhava em direção ao buraco na parede quando o seu sentido aranha gritou dentro de si, o fazendo virar ao mesmo tempo que a maçaneta girou. Não pensou muito quando pulou no teto, se grudando no mesmo enquanto observava os cabelos roxos de cima ao mesmo tempo que Carolyn caminhava apressada pelo laboratório. 

— Você não entende, eu preciso da merda do pendrive! — A mulher gritou contra o celular, virando a tela para si, o visor brilhando o nome Leeds, fazendo os olhos do aranha se arregalaram ainda mais. — Se você não conseguir essa merda, pode simplesmente avisar o seu avô que eu não ajudarei mais em nada — Gritou mais uma vez, desligando o celular e o tacando longe, pouco se importando. 

Baekhyun observou a mulher dar a volta, encaixando os tentáculos nas costas antes de se encaminhar até o painel de controle do gerador. O aranha começou a andar lentamente pelo telhado, tentando sair o mais rápido que podia dali antes do gerador falhar, mas para a sua sorte, um dos parafusos que tinha guardado no bolso escorregou dele. E Baekhyun notou, mas ao mesmo tempo que tentou esticar a mão para segurar no ar aquele objeto, o mesmo apenas escapou de seus dedos, atingindo o chão em um barulho muito mais alto do que o normal, fazendo o herói abaixar a cabeça apenas para encarar os olhos claros da Doutora Octopus, que encaravam-o com raiva. 

Não demorou muito para que o andar lentamente pelo teto de Baekhyun virasse uma corrida desesperada e ele estivesse correndo no chão logo em seguida enquanto a mulher lhe seguia desesperada com aqueles tentáculos. O que piorou ainda mais a situação do herói foi quando o seu celular começou a tocar, o fazendo desviar dos tentáculos enquanto atendia a ligação de Edwina. 

— OI! — Berrou contra a linha, virando o rosto apenas para observar a mulher irritada atrás de si. Não iria lutar com a mesma em frente a um hospital infantil, longe disso, quanto mais afastado melhor. 

O Chanyeol quebrou o pendrive, mas antes a gente usou um computador de um colega de faculdade dele para apagar tudo o que tinha dentro, depois a gente quebrou, então está feito — Edwina informou do outro lado da linha, o vento cortando as suas palavras fazendo tudo parecer meio estranho. — O que está acontecendo aí? 

— Nada demais, apenas estou correndo de uma cientista maluca com tentáculos que provavelmente quer a minha cabeça, então, nada demais… — Falou ofegante, tirando a mochila das costas e jogando longe. — Mas fico feliz que vocês resolveram, agora é comigo… Mas saiam da cidade, por favor! — Gritou a última parte, lançando uma teia ao mesmo tempo que desviava do primeiro ataque de um dos tentáculos. 

Eu não vou sair da cidade — Edwina gritou do outro lado da linha. 

— E ISSO NÃO É UM PEDIDO, É UMA ORDEM — Baekhyun gritou, desligando o celular e o jogando longe, sem se importar se teria que comprar um novo depois. Baekhyun desviou de mais um ataque, o corpo agindo sozinho enquanto tentava pensar. Teria que colocar o resto do plano em prática, mas o resto do plano se resumia em sair vivo e, quem sabe prendê-la, mas como iria fazer isso? Ainda não tinha tanta certeza. 

 A única certeza que estava tendo, era que estava com raiva. Ninguém ameaçava as pessoas que amava, não mais. 

Achou uma brecha em um dos ataques da Doutora, mergulhando no ar em direção a mesma com certa facilidade, atingindo o punho fechado contra o rosto bonito da mulher. Realmente não gostava muito dessa parte, mas por um momento sentiu falta do seu punho atingindo o rosto bonito como fazia, das teias prendendo os tentáculos enquanto ela tentava usar as próprias mãos apenas para se livrar do aranha, que ria baixo da situação. 

Porém, como um bom herói, ele olhava ao redor enquanto lançava mais teias, prendendo os braços de Carolyn no próprio corpo. Acabou se afastando da Doutora quando os tentáculos de soltarem e as pessoas ao redor começaram a aparecer, procurando a confusão. Agora, além de tentar não apanhar, teria que afastar aquelas pessoas o máximo que conseguia, e foi isso que Baekhyun tentou fazer antes do seu corpo ser atingido por trás por um dos tentáculos mecânicos, fazendo as pessoas gritarem assustadas enquanto o aranha ia de cara no chão. 

— Isso é sacanagem — Baekhyun resmungou, forçando os braços ao tentar se levantar, tendo ainda mais pressão em seu corpo. — Qual é? Você não gosta de nada justo, não é? — Perguntou para a Doutora, que riu enquanto se aproximava. 

—  E você gosta, Homem-Aranha? — Carolyn perguntou irritada, pisando no chão apenas para se aproximar do rapaz, que forçava ainda mais os braços.

— Adoro, principalmente quando eu posso acabar com a cara da pessoa que tá querendo matar a porra de um país inteiro com um projeto BURRO — Berrou irritado, tirando forçar para se levantar, se livrando do tentáculo que lhe prendia. — O que passa na sua cabeça, Doutora? Acha que seguindo o plano de um fracassado de outro universo, você vai conseguir vingar o Doutor Otto daqui? — Perguntou se virando, segurando um dos tentáculos na mão enquanto se aproximava da mulher, que continuava parada, encarando raivosamente. 

Não iria mais esconder que havia sim ouvido a conversa dela com o senhor Osborn, pois havia ouvido e o que tinha ouvido era pura burrice. Quem em sã consciência ouviria um maluco de outro universo? Adivinha só, outro maluco! 

— Eu também sei quem é o Doutor Otto que você tanto fala, e diferente de você, o projeto que ele estava criando visava a vida, e não a morte — Falou lançando teias, às fazendo grudar em um carro largado, puxando com toda a força em direção a mulher que apenas continuava parado. — Eu também estive em outros universos, sei o que você passou… Mas acho que você não entendeu que quem você viu em outro universo não foi o Doutor Otto, e sim você — Disse observando quando a mulher segurou o carro com um dos tentáculos, a sobrancelha tremendo enquanto tinha as mãos fechadas em punhos. — O que foi, não gosta de ouvir coisas óbvia? — Baekhyun perguntou novamente, jogando novamente as teias, daquela vez se segurando em duas extremidades enquanto impulsionava o corpo para trás. 

— Eu irei lhe matar — A mulher disse irritada, ouvindo uma risada baixa do herói. 

— E eu irei te colocar para dormir, bonitinha — Piscou um dos olhos, jogando o corpo para frente ao mesmo tempo que a Doutora Octopus avançava em sua direção. 

🕷️

— Ele falou do evento canônico — Chanyeol disse enquanto sentia os braços de Edwina ao seu redor, lhe apertando o pescoço enquanto tentava ditar a direção que deveriam seguir. — E eu meio que acredito nesse evento, e não quero que você morra hoje, sabe? Você é uma pessoa tão legal — Lançou outra teia, havia pegado o jeito daquilo, o corpo voando contra o vento era delicioso, mesmo que tivesse que usar força demais no braço e também estivesse levando uma carona junto. 

— Eu também acredito nessa merda de evento canônico, mas eu prefiro morrer ao invés dele — Edwina disse em um berro, puxando os fios de cabelo do intercambista, que reclamou de dor pelo puxão repentino. — Para a esquerda — Avisou, avistando as pessoas correndo desesperadas e os carros de polícia começando a se movimentarem naquela direção. — Tirando que ele está enfrentando uma cientista nuclear que tem tentáculos mecânicos que quase matou ele esse mês, eu claramente não vou deixar o meu melhor amigo sozinho, mesmo ele ordenando eu ficar longe. 

— Você é tão louca quanto ele, de verdade — O coreano disse baixo, um sorriso brincando no rosto enquanto observava ao redor. 

— Vai se acostumando, que você está nesse meio agora — Deu outro puxão nos cabelos do intercambista, que virou novamente para a esquerda, nem ao menos precisando da ordem (Edwina realmente amava a psicologia behaviorista). — Agora, vamos revisar o segundo plano… 

— Eu te deixo no chão, e você vai correndo até onde o Baek está e eu tento ajudar com as teias e você tenta ajudar ele no chão mesmo — Chanyeol falou meio perdido, recebendo um tapa no ombro, o fazendo virar para a direita, os gritos e o som de luta ficando mais alto. 

O plano era horrível. Estavam tentando pensar em algo desde a ligação que fizeram a Baekhyun, mas sempre parecia estar faltando algo, tipo o herói da história, este que estava lutando uma bela batalha no momento para pensar em um plano bom o suficiente. Então, no meio do caminho, depois de algumas discussões, toparam que iriam realmente ajudar o amigo, mesmo que essa ajuda fosse apenas ligar para a polícia como Edwina fez no meio do caminho. 

— Acho que não vai dar certo — Edwina que disse o óbvio, se encolhendo quando sua visão avistou o que acontecia naquela batalha. Sempre era aterrorizante ver o melhor amigo lutando, principalmente quando ele estava perdendo como parecia estar no momento. — Mas vai ter que dar certo — Falou novamente, tentando mudar de posição enquanto se aproximavam. — Para perto do chão, vou pular. 

— Nem fodendo — Chanyeol gritou dando a volta em um prédio, parando como conseguiu em cima de um prédio menor, tirando a mulher de suas costas antes de se virar. — Você vai ficar aqui, e eu vou tentar ajudar, se não der certo, você entra em ação — Informou, fazendo a menina abrir os lábios em choque. — Eu não quero um evento canônico acontecendo hoje! — Falou antes de se virar e correr, saltando do prédio como se sempre tivesse feito isso, correndo em direção a batalha que acontecia. 

🕷️

Talvez ela fosse uma das pessoas mais complicadas que Baekhyun já havia enfrentado. 

Superando até mesmo o Lagarto gigante que teve que lutar ainda no ensino médio. Esse foi bem complicado, mas não era como ela. Não como a Doutora Octopus, que a cada investida do aranha, parecia com mais sede para destruir ele de qualquer jeito. 

Baekhyun já tinha tentado de tudo. Prendeu os tentáculos juntos e a derrubou no chão, a amarrando logo em seguida, mas em segundos ela estava solta, vindo em sua direção enquanto tentava afastar a população fofoqueira que ficava assistindo a luta. Outra vez, encheu o rosto dela de teia e atirou um poste em sua direção, mas ela conseguiu desviar o mesmo e ainda o atingiu enquanto estava desgovernada enquanto ainda tentava tirar as teias. 

Mas o pior de tudo, era que toda vez que ela escapava dessas investidas, a doutora atacava mais forte, com mais violência, fazendo a cabeça do jovem herói se perder no meio de tantos golpes que recebia ao mesmo tempo que desviava de milhares outros golpes. E o que piorava ainda mais, estava ficando cansado, exausto, sem forças para continuar com aquilo. 

— Okay, essa vai ser a última tentativa — Baekhyun falou baixo, para si mesmo, lançando as teias em posições diferentes, empurrando o corpo para trás enquanto encarava a Carolyn se soltar facilmente da armadilha que tinha caído segundos depois. Aquela seria a última tentativa, dali em diante, se não desse certo, ele realmente teria que respirar antes de tentar qualquer outra coisa. 

Estava pronto para se jogar contra a mulher mais uma vez, iria tentar novamente o ataque direto enquanto ela avançava em sua direção quando a teia pesada atingiu o rosto dela enquanto um xingamento era pronunciado. Foi em instantes o momento, que virou o rosto e encarou o rosto confuso de Chanyeol, que tinha um dos olhos fechados e a língua para fora enquanto mirava em direção ao rosto da mulher novamente. 

O que diabos ele estava fazendo ali? Aquela era uma ótima pergunta, mas que Baekhyun não conseguia pensar, não quando outras teias foram lançadas em direção a mulher, que ainda surpresa, perdia a visão enquanto seu rosto era coberto novamente com as teias. Byun puxou o corpo para trás novamente, usando as teias como estilingue para voar em direção a mulher, usando a oportunidade dela estar distraída para atacar. 

Fechou o punho, atingindo o rosto da mulher com o impacto, a fazendo cair no chão com força, bem diferente de todas as vezes.

— Tenta tirar os tentáculos — A voz rouca gritou, fazendo Baekhyun apenas dar um jóia com as mãos enquanto continuava em cima da mulher. Segurava os braços dela com as pernas, encarando o rosto coberto de teias, os cabelos coloridos sujos pela luta. 

— Não adianta você querer tirar os meus tentáculos — A Doutora disse abafado, sentindo as mãos do herói soltando aos poucos os tentáculos do seu corpo. — Não adianta nada você me deter, quando eu posso ativar a máquina de longe… 

— Eu desmontei um pouco dela, acho que não vai dar em muita coisa — O aranha disse baixo, ouvindo os tentáculos de metal caírem ao seu redor, perdendo o utilidade. 

— Acha que tirar alguns parafusos vai ajudar em alguma coisa? — A risada que ecoou abafada soou estranha nos ouvidos do aranha, que levantou o rosto quando seu sentido aranha gritou em seu corpo, em alerta. 

Baekhyun conseguiu observando quando Chanyeol largou tudo e correu em direção a mulher que corria desesperada em direção ao hospital. Os cabelos escuros denunciavam Edwina, que ia em direção a máquina para desligar a mesma, sendo acompanhada pelo intercambista, que parecia gritar para a mesma parar de ser louca. 

— Acha que meros parafusos vão me impedir de fazer aquilo funcionar? — Carolyn voltou a perguntar, fazendo o aranha voltar-se para si, arrancando as teias em seu rosto, encarando os olhos irritados da mulher de perto. — Você não é tão inteligente assim, aranha. — Brincou, o sorriso satisfeito se fazendo presente enquanto o barulho assombroso de fazia presente, o gerador ligando aos poucos enquanto Chanyeol e Edwina entravam dentro do local. 

— Merda, como? — Baekhyun perguntou encarando assustado a mulher, que apenas deu de ombros, fazendo o aranha soltar as mãos da doutora, que segurava um pequeno aparelho em uma das mãos. — Você é maluca!

— Eu só quero que você sinta a dor que eu sinto todos os dias — A vilã disse séria. — A dor de perder um amigo — Avisou novamente, ouvindo um grito abafado de raiva do herói, que em um golpe forte demais a apagou facilmente. 

Baekhyun não queria aquilo, nem ao menos gostava de usar a agressão com as pessoas, mas estava desesperado, principalmente quando duas pessoas importantes estavam ali. Correu desesperado em direção ao hospital, o gerador se iluminando cada vez mais enquanto se aproximava. Aquele não era um evento canônico. Se recusava. 

Entrou no hospital quando o gerador estourou, iluminando todo o local, funcionando como antes não funcionava, mesmo com algumas peças faltando. Queria gritar, xingar, entrar em pânico, mas não podia, não quando ouvia os gritos dos dois presos ali dentro. 

— Eu só preciso… — Edwina gritou enquanto era empurrada pelo intercambista, que tentava a todo custo tomar o lugar dela, que apertava os botões desesperadamente. — CHANYEOL — A menina gritou irritada, encarando o coreano que parecia ignorá-la, principalmente quando o gerador parecia que iria explodir a qualquer momento. 

— Você quer morrer, sua louca? 

— Se isso for salvar a porra da cidade, eu não me importo! — Edwina gritou novamente, observando os olhos arregalados do coreano que apenas negou com a cabeça, virando o rosto em direção a mulher que lhe encarava. 

— Você não é a super-heroína aqui! — Chanyeol em um berro irritado, empurrando de vez a menina para trás enquanto o brilho do gerador aumentava. — Isso daqui vai explodir e matar todos, não só você e eu, e sim quase a cidade inteira, INCLUINDO O BAEK! — Berrou em desespero, apertando mais alguns botões na tentativa de parar. — PORRA! 

— Vamos sair daqui — Edwina disse baixo, puxando a blusa de Chanyeol enquanto observava o que acontecia logo a sua frente. Mesmo com uma parede lhe protegendo, entendia que aquilo realmente poderia tirar a sua vida e a de milhares de pessoas naquele momento. 

— Não dá mais — O intercambista disse em um suspiro, observando a luz aumentar. — Merda — Disse mais uma vez, se virando contra a Edwina, que em um ato de desespero se encolheu no chão enquanto o corpo grande de Chanyeol lhe cobria, lhe protegendo. 

Mas diferente do que os dois esperavam, a explosão não veio. Na verdade ela veio, mas foi contida pelo casulo improvisado que fora feito ao redor do gerador. Baekhyun ainda respirava ofegante enquanto segurava um último feio do casulo, tentando segurar com a própria força para que o casulo não estourasse. 

— O que aconteceu? — Edwina perguntou confusa ainda abaixo de Chanyeol, que respirava com dificuldade, tentando se acalmar. O coração do intercambista batia desesperado enquanto o ombro esquerdo queimava, o fazendo morde o lábios com força o suficiente para não gritar. — Chanyeol? — Edwina voltou a perguntar enquanto encarava os olhos lacrimejados do coreano, que apenas negava com a cabeça enquanto se colocava de joelhos. 

Estavam vivos. 

Isso era o mais importante naquele momento. 

— Chanyeol? — Edwina perguntou mais uma vez enquanto observava o rapaz se levantar, caminhando até o painel de controle e apertando mais alguns botões, desligando o gerador (ou o quebrando de vez). — Chanyeol- 

O barulho oco fez a mulher se assustar ainda mais, finalmente se levantando, correndo em direção ao gerador, observando quando o casulo enorme abria um enorme buraco no chão e o melhor amigo pulava de volta para o chão, olhando ao redor preocupado. 

— Que merda você estava fazendo? — Baekhyun perguntou assim que os olhos caíram na melhor amiga, que olhava para tudo aquilo assustada. — O que eu falei? 

— O Chanyeol — Edwina ignorou completamente o amigo, se virando para o painel de controle, encontrando somente os pés do intercambista. — Acho que ele foi atingido — Avisou em um suspiro, observando quando o melhor amigo cortou o seu caminho, correndo em direção ao coreano que parecia desacordado. 

Baekhyun se ajoelhou ao redor do outro, empurrando o corpo dele para o lado, observando o ombro esquerdo de Chanyeol, se espantando com o buraco na camisa e o machucado se espalhando no ombro dele. Aquilo só poderia ser uma brincadeira. 

E não, aquilo não poderia ser um evento canônico. 

As sirenes se fizeram presentes na audição do aranha segundos depois, o tirando os pensamentos, o fazendo reagir e finalmente virar o corpo de Chanyeol para observar o rosto desacordado do mesmo. Era quase uma brincadeira sem graça descobrir que o seu real Peter Parker poderia ser na verdade um Chanyeol Park, um rapaz coreano que conheceu em menos de um mês e sentia o coração acelerar, e que poderia ter perdido-o no mesmo mês em que o conheceu. 

Baekhyun não pensava mais racionalmente quando pegou o maior nos braços, correndo em direção aos policiais que já tomavam conta de toda a rua, indo em direção àquele que mais deveria fugir. Correu em direção ao próprio pai em um grande desespero, fazendo o delegado lhe ajudar apenas com um pedido silencioso, levando Chanyeol para o hospital mais próximo. 

Naquele dia, Baekhyun poderia ter salvado o dia e a melhor amiga. Poderia ter prendido uma das maiores vilãs que tinha, mas um zumbido tomava conta de sua mente enquanto observava aquele carro de polícia voar pelas ruas com as sirenes ligadas. 

Eventos canônicos eram assustadores. 

E traziam um desespero tão grande para a vida de qualquer Homem-Aranha, que ele apenas queria acreditar que aquilo não era verdade. Não poderia ser verdade. 

Se recusava a ser verdade. 

Não iria perder seu Peter. 




NYU Langone Hospitals. 

Terça-feira, 12h00m. 



Baekhyun olhava através de um espelho o intercambista, um bico estando presente nos lábios pequeno do aranha que segurava um pequeno buquê de flores vermelhas que tinha comprado no meio do caminho até o hospital. 

Mas para a surpresa do aranha, quem estava conversando animadamente com o intercambista naquele momento era a sua melhor amiga, que parecia se desculpar desesperadamente naquele momento. 

— Eu realmente não deveria ter entrado ali, eu quase te matei — Edwina disse com os olhos cheios de lágrimas, se encolhendo cada vez mais enquanto observava o ombro machucado do novo amigo, que apenas negava com a cabeça, rindo baixo. — Desculpe de verdade!! Eu irei ficar te devendo muito, desculpa. Desculpa. Desculpa. Desculpa… 

— Eu já disse que tudo bem, já passou, eu estou vivo, isso que importa — Chanyeol disse rindo, fazendo uma careta quando o ombro reclamou. Não havia se machucado tanto, os médicos até estranharam o quão bem ele ficou depois de passar uma noite em observação no hospital, como se nada tivesse acontecido, apenas o roxo enorme que nasceu em seu ombro esquerdo. — Tanto que vou poder deixar o hospital amanhã… 

— Mas mesmo assim… 

— Edwina, está tudo bem, eu juro! — O coreano disse baixo, virando o rosto assustado quando a sua porta foi aberta e o rapaz entrou. Baekhyun usava uma touca nos cabelos escuros e um olho roxo brilhava no rosto bonito, que parecia preocupado enquanto segurava timidamente o buquê de flores vermelhas. — Baek… 

— Yeol — Baekhyun disse tímido um apelido que nunca havia usado, fazendo o sorriso já grande aumentar no rosto do coreno, que sentiu as orelhas vermelhas enquanto o outro se aproximava. — Atrapalho? — Perguntou olhando para a melhor amiga, que apenas negou com a cabeça, se afastando timidamente da cama do outro para que o aranha se aproximasse. 

Eles não se falaram desde aquele dia. Chanyeol não sabia como Baekhyun estava, e para a surpresa do coreano, a primeira coisa que pensou quando acordou era se o aranha estava bem. 

— Eu já vou indo… Eu volto amanhã, com os donuts, prometo — Edwina disse com um bico nos lábios, observando Chanyeol apenas rir baixo enquanto concordava, se despedindo da menina que deixou o quarto correndo, batendo a porta sem querer. 

— Ela veio todos os dias desde que eu acordei… E ela fica se desculpando desesperadamente, mesmo quando a gente passou um dia inteiro jogando Uno — Chanyeol comentou baixo, a voz rouca fazendo o aranha se arrepiar um pouco. — Porque não veio junto? 

— Tive que resolver algumas coisas como Homem-Aranha… E meu rosto estava bem inchado ainda — Comentou enquanto colocava as flores em cima da pequena poltrona ao lado da cama do intercambista, que observava atentamente cada movimento que o outro fazia. — E eu também estava com medo, não vou mentir… 

— Medo do que? 

— De te perder — Baekhyun admitiu baixo, quase como se contasse um segredo, fazendo o mais velho rir daquela atitude, ainda não conhecia esse lado acanhado do seu herói preferido. — Eu realmente fiquei com medo de ser um evento canônico — Outro bico se fez presente nos lábios bonitos e machucados do aranha, que se aproximou da cama quando o outro parou de rir, tombando a cabeça para o lado. 

— Eu não sou o seu Peter Parker — Chanyeol disse baixo, esticando o braço bom para puxar o aranha pela jaqueta, o fazendo ficar próximo de si. — Eu me Chamo Park Chanyeol, o meu sobrenome é P, A, R e K, não como o nome da Edwina, e isso me faz não ser o seu Parker — Explicou calmo, ainda segurando a jaqueta de couro do aranha, que continuava com aquele bico fofo nos lábios. — Seu Parker ainda é a sua melhor amiga, e você salvou ela… Isso que importa — Comentou sorrindo, fazendo o outro negar. 

— Mas eu quase perdi você. 

— Você poderia arranjar outro crush, vai — Brincou, vendo o aranha negar desesperado com a cabeça, se sentando na cama. — Claro que poderia, e eu não duvido que você tem vários admiradores por aí… — Provocou, subindo timidamente a mão pela jaqueta, tocando o braço forte do aranha, que continuava lhe encarando. — Poderia ter quem quiser. 

— Mas eu não quero mais qualquer pessoa — Baekhyun soltou baixo, segurando a mão repousada em sua jaqueta, segurando os dígitos quentes. — Eu quero você. 

— Ah, você me quer? — Chanyeol perguntou surpreso, segurando um riso bobo nos lábios enquanto encarava o aranha apenas concordar. Aranhas de verdade eram tão bobas como Baekhyun estava sendo naquele momento? Ou existia mesmo um sentimento ali? Talvez fosse mais fácil responder sobre aranhas do que sobre aqueles sentimentos que faziam o próprio sentido aranha de Baekhyun se confundir. 

— Bastante — Confessou baixo, se aproximando timidamente. 

— Isso me faria ser a sua MJ? — Chanyeol perguntou brincando, fazendo o outro lhe encarar dentro dos olhos. 

— Se você quisesse — Deu de ombros, ouvindo a risada baixa e rouca do intercambista, que em um ato de coragem puxou novamente a jaqueta de couro, inclinando o corpo para frente, juntando seus lábios ao do aranha, que riu bobo quando o seu sentido aranha finalmente se acalmou dentro de si. 

É, talvez toda essa confusão que exista dentro do nosso querido herói no começo da história poderia ser resolvida agora. Aquele desespero de fazer parte do aranhaverso, de conseguir a sua tão esperada MJ não passava mais na cabecinha do nosso aranha. O que passava na cabeça dele naquele momento, era que não poderia ter conseguido um MJ melhor, ou melhor um Peter, ou qualquer outra coisa que o seu universo esperava. 

Pois vale lembrar, que todos os universos são parecidos. Mas a vida de cada Homem-Aranha era única, e Baekhyun percebia aquilo ao ter aquele homem em seus braços. Quem sabe levaria ele para a vida toda, e Baekhyun tentaria, pois lutaria até o fim para que todos os eventos canônicos não acontecessem. 

Ah, como ele lutaria para nada dar errado.