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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-08-06
Completed:
2023-10-30
Words:
10,934
Chapters:
5/5
Comments:
3
Kudos:
502
Bookmarks:
24
Hits:
5,475

stalker

Summary:

— Você ficou sabendo? Dizem que o Roier dormiu com aquele psicopata do castelo! — a mulher exclamou enquanto colhia trigo.

— Ah, você não sabe? — o homem rebateu. — O verdadeiro louco nessa história toda é o próprio Roier. Ele tem um passado obscuro, igual aquele brasileiro.

— Eles realmente se merecem, então.

Chapter Text

A ilha de Quesadilla sempre fora muito pacata, calma e tranquila. Todos os moradores ali se conheciam e gostavam de morar ali, vivendo vidas alegres, felizes e tranquilas. Era tudo muito calmo, crimes quase não aconteciam e todos eram extremamente pacíficos. Crianças brincavam nas ruas e exploravam as florestas, rios e diferentes biomas, iam para a escola e aproveitavam cada coisa que aquela ilha grande em termos geográficos – mas ao mesmo pequena, em termos populacionais – tinha para oferecer.

Embora fosse uma ilha plácida, haviam diversas coisas ali que eram de conhecimento geral de todos que moravam ali.

1° – De noite, as coisas ficavam um pouco mais perigosas, afinal, como era uma ilha, havia animais selvagens.

2° – Nunca duvide, pergunte ou questione Cucurucho e a Federação.

E de tudo, ironicamente o mais importante;

3° – Havia um louco naquela ilha, e se você entrasse no caminho dele, acabaria virando camisa de saudade eterna. No entanto, você não pode falar sobre isso. Apenas aja naturalmente.

Seu nome era Cellbit, mas para alguns, era conhecido como Cell. Ninguém sabia ao certo quando ou como ele apareceu naquela ilha, mas uma coisa era certa: ele era extremamente perigoso. Seus ex-companheiros de cela, Pac e Mike, sempre hesitavam em falar sobre Cellbit, mas tudo indicava que ele abusava mentalmente dos dois amigos enquanto estavam presos.

Ele era como uma lenda urbana, raramente sendo visto ao ar livre mas ainda vivo entre todos que moravam em Quesadilla. Algumas pessoas diziam que já haviam tido pesadelos com o brasileiro, pesadelos onde aquele homem com olhos vermelhos e mortais os matava e torturava eternamente.

Sobre sua aparência diziam que ele parecia mais como um vampiro gótico de trezentos anos mas que parecia ter congelado nos vinte e cinco. Outras pessoas diziam que ele parecia um gato, um híbrido de gato. No entanto, um híbrido de gato assustador. Outros diziam que ele parecia um maluco psicopata que havia fugido de um necrotério ou de um hospício. Dependeria de seu humor atual.

Ele morava sozinho em um castelo grande e assustador, longe de todas as principais construções. As poucas pessoas que já haviam passado por lá perto, diziam que era possível ouvir gritos e pedidos de ajuda vindo de lá. No entanto, ninguém tinha coragem de chegar perto o suficiente para ver. Diziam que o castelo de Cellbit era o local mais assombrado daquela ilha.

Rumores diziam que ele já havia cometido canibalismo com Pac.

Outros rumores diziam que ele mataria alguém caso o incomodasse enquanto resolvesse seus enigmas. Ou que mataria alguém por qualquer motivo besta, na verdade. Ele gostava de matar.

Já alguns rumores infundados diziam que ele era gay.

Rumores.

Todavia, de tantos rumores havia uma certeza sobre aquele homem:

Ele tinha um filho, com guarda compartilhada. Seu nome era Richarlyson.

Todos naquela ilha amavam Richarlyson, ele era uma criança animada, engraçada e sempre procurava ajudar a todos ao seu redor. Muitos se perguntavam como uma criança tão atenciosa conseguia ser filho de um pai tão maligno como aquele brasileiro misterioso era.

— Você sabe o que dizem? — Foolish dizia para algumas crianças enquanto terminava de construir mais uma de suas belas construções. — Que ele é como a viúva negra; atrai as pessoas para seu castelo, as impressiona e depois as devora completamente! — sua voz era baixa como se contasse uma lenda, o que tecnicamente era exatamente o que ele fazia.

Tallulah, Dapper e Pomme riram.

“Ele me dá flores quando me vê!” Tallulah escreveu alegremente em seu caderninho rosa. Pomme logo concordou, escrevendo em seu caderninho vermelho:

“Ele também me dá flores, e disse que quer abrir uma floricultura comigo!”

“Ele me ajuda a fazer rituais, é muito legal!” Foi a vez de Dapper defender o brasileiro.

As crianças o adoravam, diziam que ele era sempre atencioso e carinhoso com elas, mas isso não diminuía o medo que seus pais sentiam do brasileiro. Os únicos que não pareciam temer Cellbit eram os próprios brasileiros Forever, Felps, Pac e Mike.

E também, Quackity e Roier.

Uma das regras que era senso comum na ilha, também, era nunca se meter nos assuntos de Cucurucho e da Federação. Todos sabiam que aquilo era uma regra extremamente rígida e necessária para a sobrevivência e boa convivência de todos naquela ilha.

No entanto, Cellbit era o único que não se importava. O brasileiro confrontava Cucurucho sem medo, e como os rumores se espalham pela ilha como fogo, é de conhecimento geral que Cellbit e Cucurucho têm uma relação inamistosa. Isso era algo que fazia os moradores daquela ilha temerem ainda mais o brasileiro, afinal, quem tinha coragem e conseguia peitar a Federação e ainda sim sair impune?

A única pessoa que realmente não ligava para aquilo, era Roier.

Roier era conhecido por ser um morador alegre, divertido e simpático. Trabalhava como psicólogo na ilha e sempre procurava estar ali para todo mundo, trazendo diversão e alegria por onde ia. Todos amavam Roier.

Mas nem todos sabiam a natureza de seu passado. Sobre como ele em outra ilha havia perseguido seu amado, e após levar um fora, havia o assassinado de forma cruel e fria.

Apenas coisas da vida, certo? Não é como se fosse algo completamente anormal.

— Roier, você não escuta o que dizem? Ele é um psicopata. — Jaiden o alertou enquanto regava as plantas de seu quintal.

Roier segurava a mão de Bobby, que pulava animadamente.

— O Bobby quer muito brincar com Richas, e essa será uma ótima oportunidade para eu conhecê-lo melhor! — Roier exclamou, tentando provar seu ponto para a melhor amiga. — Você sabe que tudo isso são só rumores. Nunca vimos ele matar alguém ou cometer alguma atrocidade, de fato.

Jaiden bufou, sem querer, deixando uma de suas flores azuis um pouco mais alagada do que o normal.

— Mas não precisamos, todos falam sobre isso! — ela tentou convencê-lo.

Bobby, cansado daquela conversa chata de adulta entre seus pais, escreveu em sua plaquinha.

“Mamãe, você sabe que isso é desculpa do papa Roier para flertar com o homem misterioso e bonito!! Ele faz isso com todo mundo”

Roier arregalou os olhos comicamente e riu, embora não negando.

— Você promete que pelo menos vai proteger o Bobby caso algo aconteça? — ela desistiu de tentar convencer o melhor amigo de não ir até o castelo, cruzando os braços.

— Prometo. Você sabe o quanto eu me importo com nosso filho, Jaiden. Eu não tirarei os olhos dele só por causa de um brasileiro assustador e bonito.

Bobby pulou de alegria, feliz que poderia ver seu amigo.

 

[🌾]

 

— Não tem porta? — Roier perguntou confuso enquanto olhava para a grande entrada do castelo. Não havia nenhuma porta para que batesse, no entanto, não simplesmente entraria ali. Dois guardas robóticos estavam ali, prontos para atacar qualquer invasor, mas não reagiram com a chegada de Roier e Bobby.

Bobby não pareceu se importar com aquilo, e logo foi entrando, sendo o mais barulhento possível. Roier arregalou os olhos observando seu filho, querendo se enterrar de vergonha.

— Bobby! Volta aqui, isso é falta de educação! — ele chamou baixinho pelo o filho, o seguindo enquanto a criança subia as escadas que levavam até a sala de jantar.

Ao chegar lá, ficou em choque com a decoração rústica e elegante do lugar. A única coisa que quebrava a estética, no entanto, eram duas poltronas verde e azul que estavam no lugar das cadeiras normais de madeira. Por algum motivo, aquilo lembrava Roier de TazerCraft.

Estava tão focado e absorto na decoração do lugar que não notou duas presenças se aproximando de si e Bobby.

— Bobby, que bom te ver aqui de novo, culero! — Cellbit xingou divertidamente Bobby, utilizando um xingamento que havia aprendido com ele próprio. Roier pulou em seu lugar ao ouvir aquela voz grossa e desconhecida por si, logo mirando seu olhar no dono daquela voz.

Então esse era o famoso psicopata.

Cellbit tinha cabelos assanhados acastanhados meio louros com uma mecha totalmente branca, suas roupas eram de detetive e em suas mãos ele usava luvas pretas que combinavam perfeitamente com suas unhas pintadas de preto. Era possível observar diversas cicatrizes espalhadas por seu corpo e algumas em seu rosto, e em seus pés, ele usava botas de combate.

Cellbit era lindo. Roier tinha sentido todo seu ar ir embora ao se dar de cara com aquele homem, a aura que emanava dele era esmagadora.

— Richas estava doido para te ver. — e então, finalmente, o olhar do brasileiro se dirigiu para Roier, que corou ao sentir e ver aqueles olhos azul claro fitarem curiosamente sua figura. — E você… Roier, certo? O pai de Bobby, estou certo?

Roier coçou a garganta, tentando não soar estranho na frente daquele homem bonito.

— Sim, sim, vim trazê-lo para brincar com Richarlyson. — disse meio acanhado, enquanto alternava seu peso de um pé para o outro. Não pôde deixar de encarar um pouco até demais seus lábios vermelhos e seus braços bem construídos.

Cellbit cruzou os braços, se divertindo com a situação e com a timidez do mexicano.

— Por que você não entra e toma um café comigo? Seria ótimo se nos conhecêssemos melhor, afinal, nossos filhos são bem próximos pelo visto. — ele sugeriu, sorrindo. — Mas se você não se sentir confortável, não tem problema. Só para que você saiba, eu não mordo. — ao falar aquilo, Roier percebeu a expressão de Cellbit murchar levemente, mas resolveu deixar de lado. Não era de sua conta, de qualquer forma.

Roier analisou o ambiente mais uma vez antes de responder.

— Claro.

— Richas, Bobby, que tal vocês irem brincar em outro lugar? — Richarlyson assentiu rápido com a cabeça e puxou Bobby para alguma parte do castelo na qual Roier não fazia ideia de onde ficava.

Ele se arrependeu de ter aceitado o convite no momento em que Cellbit sorriu provocante e fez sinal para que o mexicano o seguisse. Como Roier sobreviveria aos próximos minutos estando no mesmo lugar que um homem tão bonito e misterioso como aquele?

Sempre tivera uma curiosidade sobre o brasileiro, não só para tirar suas dúvidas sobre todos os rumores que eram espalhados pela ilha, mas também, para conhecê-lo; algo que poucos moradores dali se dariam a oportunidade de fazer.

— Pode se sentar aí. — apontou para uma das cadeiras que ficavam na mesa, enquanto se dirigia à pia, começando a preparar um café para ambos. Pegou um bolo que estava dentro da geladeira e levou até a mesa, pegando uma faca para cortá-lo. — Fico surpreso que tenha tido coragem de trazer Bobby até meu castelo. Os rumores não foram o suficiente para te assustar? — perguntou divertido, enquanto erguia a faca que usava para cortar o bolo que estava ali.

A faca brilhava e refletia o rosto de Roier, que engoliu a seco nervosamente, no entanto, não assustado ou com medo.

— São só rumores.

Cellbit sorriu, manuseando a faca de forma que fizesse mais barulhento e movimentos do que o necessário.

— E se não forem apenas rumores, Guapito? — o mexicano estaria mentindo se não dissesse que sentiu arrepios ao ouvir aquele apelido sendo direcionado a si. — No entanto, acho que você veio aqui com um objetivo além de trazer Bobby.

E então Cellbit serviu um pedaço de bolo de frutas vermelhas para Roier que aceitou de bom grado, junto a um café quentinho com chantilly por cima.

— Você é interessante, Roier. — constatou, sorrindo enquanto observava Roier corar com o comentário.

 

[🌾]

 

— O que?! Você endoidou de vez, Roier? — Jaiden exclamou em choque, acidentalmente cortando totalmente a flor que aparava, fazendo-a cair no chão sem vida. — Aí, não! Droga!

Roier apenas deu de ombros, plantando de mal jeito a pequena florzinha vermelha.

— Eu apenas quero agradecê-lo por tratar Bobby tão bem! — ele tentou argumentar, batendo com mais força do que deveria no chão onde as raízes da flor estavam.

— Agradecê-lo por fazer o mínimo?! — a mulher colocou uma distância segura entre ela e as flores, garantindo que não as machucasse por acidente novamente. — Roier, você mal conhece o cara!

Roier tossiu desajeitadamente, coçando sua bochecha e a manchando de terra logo em seguida.

— Digamos que talvez eu tenha… — hesitou antes de continuar. — Stalkeado ele um pouco mais do que eu deveria.

Jaiden se virou lentamente para Roier, seus olhos comicamente e impossivelmente mais arregalados do que antes.

— Você o que?! — ela gritou, indignada. — Roier, eu pensei que você já tivesse superado isso!

Roier coçou a garganta, se levantando e batendo as mãos para limpá-las do excesso de terra.

— Jaiden, você não entende. Ele é tão lindo, é tão dedicado com o filho dele, é tão encantador… — suspirou apaixonadamente. — Ele tem vários gatos! Eles são tão fofos!

— Pelo visto o Cellbit realmente trouxe o seu eu psicopata de volta. — Jaiden suspirou preocupadamente, assobiando para que seu pássaro azul, que apenas repousava em um galho observando ambos os amigos, fosse até ela. — Não te direi para tomar cuidado, porque agora eu não sei de quem eu tenho mais receio, você ou o Cellbit.

— A gente vai se casar, Jaiden. — ele ignorou o que a mulher dizia, observando agora as flores já plantadas e crescidas no jardim. — Qual é o nome dessa flor aqui, Jai? — apontou para flores rosas que estavam penduradas sob algumas folhas.

— São amarantos. — franziu a testa estranhando o repentino interesse de Roier. — Não me diz que…

— Vou levá-las para ele!

Jaiden apenas suspirou audivelmente, batendo em sua testa, enquanto seu passarinho, Hatsune Miku, piou alegremente.

 

[🌾]

 

Roier coçou a garganta enquanto caminhava hesitantemente, olhando para todos os lados enquanto ia em direção à sala de jantar principal daquele imenso castelo. Naquele lugar reinava um silêncio mortal, apenas sendo quebrado por sons de animais que habitavam ali ou o som de fogo crepitando. O mexicano enfim deixou o bolo de chocolate que carregava junto à alguns amarantos, em cima da mesa de jantar, e olhou os arredores. Nada.

— Uh, Cellbit? — chamou pelo brasileiro hesitantemente. De repente, sentiu uma respiração em seu pescoço e pulou de susto, vendo Cellbit estático atrás dele, com um sorriso arrogante no rosto.

— Guapito, o que está fazendo aqui novamente? — perguntou curioso, finalmente notando o bolo e as flores que estavam em cima de sua mesa. — Oh, trouxe algo para mim?

Roier corou enquanto coçava desajeitadamente sua nuca.

— É, um agradecimento por tratar o Bobby tão bem e sempre deixar ele brincar com o Richas.

Cellbit riu divertido enquanto se aproximava do mexicano, que o encarava sem pudor algum. Roier ia se distanciando conforme o brasileiro avançava, sentindo suas costas colidirem com a parede.

— Um agradecimento por eu fazer o mínimo? Não sei não, Guapito. — observou, enquanto encarava os olhos de Roier desviarem de sua boca para seus olhos. — Acho que você veio aqui por outra coisa, estou certo?

O mexicano lambeu os lábios secos inconscientemente, sentindo Cellbit se aproximar impossivelmente mais de si.

— Você não tem medo do que eu posso fazer com você, Guapito? — levou sua destra até o pescoço do menor, acariciando-o em uma ameaça implícita. — Todos os rumores sobre mim não são exatamente infundados, você sabe.

O pomo-de-adão de Roier balançava contra a mão leve e objetiva de Cellbit, o mexicano, no entanto, estava bem longe de sentir algo como medo.

— Você é bastante interessante, Roier. Algo me diz que há algo sobre você é muito além do que você está me mostrando. — ele sussurrou enquanto agarrava os quadris do mexicano para ir de encontro com os seus.

— Porque você não descobre, então? — Roier encontrou as palavras em sua garganta e falou confiante, observando os olhos rubis meio mortos e sem vida de Cellbit brilharem animadamente.

— Oh, eu adoraria.

E então, Cellbit selou seus lábios com os de Roier com uma velocidade e agressividade chocante, arrancando um suspiro do mexicano.

 

[🌾]

 

— Você ficou sabendo? Dizem que o Roier dormiu com aquele psicopata do castelo! — a mulher exclamou enquanto colhia trigo.

— Ah, você não sabe? — o homem rebateu. — O verdadeiro louco nessa história toda é o próprio Roier. Ele tem um passado obscuro, igual aquele brasileiro.

— Eles realmente se merecem, então.