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I Am Here

Summary:

Izuku estava cheio com tudo que tinha acontecido. Todo o ataque que a turma 1A vem sofrendo o fazia se sentir mal. Tudo pareceu piorar quando ele se mudou para os dormitórios e teve que lidar sozinho com tudo isso. Exceto que ele não estava tão sozinho quanto imaginava.

Notes:

Como sempre, agradecimentos para as pessoas do projeto, em especial para Luizecost que fez a betagem <3

(história também postada no Spirit)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Começou quando Izuku teve que se mudar para os dormitórios. Foi uma coisa grande em sua vida, visto que ele havia mudado de casa um total de zero vezes em toda a sua vida — sem falar que agora sua mãe ficaria sozinha em sua casa, o que fazia o coração de Izuku doer sempre que pensava demais. Ele fazia o possível para compensar isso ligando frequentemente para ela.

De qualquer forma, Izuku ficou satisfeito quando descobriu que os quartos seriam individuais e que não teria que se preocupar com ter que transformar sua ‘bagunça-organizada’ em apenas organizada. Isso era um dos prós de ter aquele quarto; o outro era o isolamento acústico que ele tinha. Izuku poderia literalmente colocar sua caixa de som na metade antes que alguma coisa fosse ouvida do outro lado. Portanto, a relativa paz para seus estudos era certa, sem contar que dificilmente alguém fazia questão de incomodá-lo.

Ele tentava se concentrar nas coisas boas quando as coisas ruins faziam questão de gritar na sua cara.

O isolamento acústico era bom quando ele gritava com um de seus pesadelos; a solitude que o recebia não. A verdade é que ele sentia saudades, saudades da sua cama, do abraço de sua mãe quando ela o encontrava encolhido no sofá vendo televisão, até da habitual goteira que o obrigava a mover sua escrivaninha de lugar.

No entanto, não havia nada que ele pudesse fazer. Os dormitórios foram feitos por um motivo: mantê-los em segurança. Ele sabia disso e concordava, então, na maior parte das vezes, ele apenas fingia que estava tudo bem. Não é como se alguma pessoa fosse o questionar sobre isso; afinal, ninguém sabia.

Ainda assim, fingir que nada acontecia não impedia de acontecer; e esse era um desses dias. Um daqueles dias em que ele não conseguia voltar a dormir, não importa o quanto rolasse pela cama. Os pensamentos sobre a LOV não conseguiam sair de sua cabeça.

Izuku era um garoto forte, chorão com certeza, mas ele sempre foi um garoto forte, aguentando aquelas humilhações e abusos que os outros faziam quando era criança, apenas porque ele não tinha uma peculiaridade. Isso e toda a confusão que tinha acontecido em USJ e no campo de treinamento eram bastante coisa para aguentar. Então, mesmo saindo vivo de todos esses confrontos, ele ainda era um adolescente. Até adultos não conseguiriam sair ilesos de tudo isso, muito menos alguém da sua idade.

Ele simplesmente não sabia o que fazer em momentos como esse, mas sabia que se ficasse em seu quarto a sua cabeça ficaria em uma espiral com aquilo, o que tornaria mais difícil dormir. Era fácil para ele se concentrar nas aulas, mas se ficasse com sono ele não absorveria nada e ainda poderia ser chamado a atenção.

Com isso em mente, Izuku se levanta e anda até a cozinha. Talvez se ele comesse alguma coisa seu estômago começaria a trabalhar e todo esse esforço que estava indo para o cérebro se desviasse para fazer a digestão. Ele apenas precisava limpar a mente.

Ele não ligou as luzes, a luz que vinha pelas janelas do lado de fora era o suficiente para que sua visão ficasse confortável. Todo o processo foi feito lentamente. Não era tão tarde assim, apenas pouco depois de uma hora. Ele aproveitava o suficiente, prestando atenção em todas as partes do processo para que sua cabeça apenas se concentrasse naquilo.

Mesmo que todo seu foco estivesse naquilo, sua visão periférica ainda captou um movimento vindo da entrada da cozinha. Treinado o suficiente para isso, ele aponta a faca com uma mão, enquanto a outra empunha em posição de luta.

O que ele não esperava é que seu movimento brusco batesse no prato que estava usando, fazendo o sanduíche meio preparado ir para um lado e o prato para o outro. Assustado, seus reflexos foram rápidos o suficiente para segurar o sanduíche, antes que ele fizesse qualquer coisa para buscar o prato. Então, uma rajada gelada passa por todo o seu corpo e impede que o prato chegue no chão. De repente, ele se dá conta de quem está aqui.

“Todoroki?” Sua voz sai incerta, o sanduíche em uma mão e a faca ainda apontada na outra.

“Midoriya?” Se a voz de Izuku havia soado incerta, a de Todoroki conseguiu ser mais ainda. “O que você está fazendo aqui nessa hora?” Ele questiona, estendendo uma mão para a parede e ligando as luzes, o que faz seus olhos doerem por um momento.

“Eu estava apenas—” Antes que pudesse completar a frase, Todoroki o corta, olhando para ele com uma sobrancelha levantada em uma expressão confusa.

“Espere, você estava me ameaçando com uma faca sem ponta?”

Izuku olha para a sua mão segurando aquela faca, depois desvia o olhar em pânico de volta para Todoroki. “Me desculpa! Eu pensei que pudesse ser alguém invadindo ou…” Dessa vez ele mesmo se interrompe, vendo o quanto aquilo era improvável de acontecer. Afinal, aquele era um dos locais mais seguros para eles por agora. Certamente, tinha várias camadas de proteção que os avisariam caso algo acontecesse.

“Mas como você esperava machucar alguém com uma faca sem ponta?” Ele aponta para ela, e Izuku cora de vergonha, percebendo aquilo só agora. “Q-Qualquer coisa pode ser uma arma.” Ele dá de ombros com aquela desculpa. Todoroki pareceu não acreditar nisso, mas nem ele mesmo acreditava. “O que você está fazendo aqui tão tarde?” Izuku questiona, recuperando o prato e colocando o sanduíche de volta na bancada.

“Eu vim tomar água.” Todoroki responde simplesmente, derretendo seu gelo usando o fogo, passando-o direto para a forma gasosa para evitar molhar o chão. “E você?”

“Eu estava com fome.” Era uma mentira, mas não fazia sentido falar a verdade agora. “Você quer um pouco?”

O outro jovem não pensa muito antes de responder: “Não, obrigado.” Ele se dirige, sem outras palavras, para o armário onde guardava os copos.

O silêncio preenche o local, sem que nenhum dos dois falem nada. A situação poderia ser comum se fosse de dia, mas agora, na madrugada, parecia um pouco estranha. Um pouco dos pensamentos que levaram Izuku naquele lugar começam a voltar, e ele se pega falando antes que conseguisse se conter.

“O que você está achando daqui?” Todoroki faz um barulho confuso com a abrupta pergunta, de todas as coisas não esperando por aquilo. “Quer dizer, as mudanças para os dormitórios e essas coisas.”

Todoroki não responde de primeira, tomando um tempo para pensar antes disso, colocando água no copo enquanto isso. “Eu sinto falta da minha irmã.” Ele começa, mas Izuku não diz nada, olhando para o rosto pensativo do outro. “Mas aqui também é bem melhor do que ficar em casa; aqui, ele não consegue me puxar para os treinamentos ou qualquer outra coisa.” O bicolor dá de ombros como se aquilo não fosse nada mais que um fato. O coração de Izuku aperta com isso, pois sabe que essa era apenas uma realidade comum para Todoroki.

De alguma forma, Izuku se sente culpado por todos aqueles pensamentos anteriores. Ele devia aproveitar aqui, tinha pessoas que estavam em uma situação pior, ele não tinha o direito de reclamar, ele tinha? Então por que ele ainda sente tudo aquilo?

“Eu também sinto saudades de casa, da minha mãe.” Era mais fácil lá. Ele não completa, sabendo o quão injusto aquilo seria com Todoroki. Seu coração aperta mais um pouco.

Todoroki acena com a cabeça, tomando um longo gole. Izuku finalmente termina de preparar seu sanduíche, saboreando-o logo em seguida.

“Já vai subir?” Todoroki o questiona, colocando mais um pouco de água no seu copo. “Acho que vou ficar um tempo na sala antes.” Izuku cantarola, antes de morder seu sanduíche novamente. Ele estava tão bom.

“Vou ficar lá um pouco também.”

Isso faz Izuku parar. Seu rosto expressa todo o seu questionamento. Ele estava ficando lá apenas por Izuku o fazer? Estava tão na cara que tinha algo errado? Talvez seus olhos ainda estivessem vermelhos.

“Você… hum, não precisa ficar se for só por minha causa.” A incerteza é quase palpável em sua voz.

“Eu já ia ficar, está tudo bem.” Com o copo cheio na mão, ele anda até o balcão que Izuku estava e alcança o pote de cookies, pegando um para si enquanto falava: “Eu estou com um pouco de vontade de comer algo doce.”

Izuku ainda estava um pouco sem jeito, mas acenou em concordância de qualquer forma. Com suas coisas, eles foram até o local e sentaram no chão, apoiando-se com as costas no sofá. Era meio que uma regra que Iida havia colocado para não sujarem o sofá.

Faltam apenas duas mordidas para o lanche de Izuku acabar. Com sua penúltima mordida, Todoroki fala: “Você quer conversar?”

Isso faz ele quase entalar, dando algumas curtas tossidas para ajudar. Não tinha porque ele ter aquela reação. Ele podia apenas conversar sobre qualquer coisa. Não é como se fosse algo, deve ser aquela coisa de que quando estamos escondendo algo, tudo parecer tão incriminador.

“Conversar sobre o quê?” Questiona, tentando soar natural. Sua tentativa não foi tão boa, a julgar pelo olhar em Todoroki.

Muitas pessoas falavam que Todoroki não tinha um olhar muito expressivo, fazendo-os fazer um grande esforço para terem que discernir o que ele estava sentindo ou queria expressar. Tinha sido assim no começo para Izuku, no entanto as coisas mudaram — Talvez falar sobre toda a história da sua vida e o abuso que Endeavour fez com a sua família tivesse feito isso, jogar tanta coisa em cima dele e esperar que nada acontecesse era demais — eles se aproximaram, conversaram, almoçaram e riram de coisas juntos, e agora Izuku tinha ganhado um sentimento no fundo de seu peito que não sabia bem o que era, eles eram amigos de fato. Por isso tudo, Izuku sabia bem como ler as pequenas dicas sociais que Todoroki deixava escapar então ele realmente já esperava o que saiu de sua boca:

“Sobre o que aconteceu de verdade para estar acordado.” Não tem um tom inquisidor, como se forçasse ele a falar sobre. Era apenas um honesto, como se apenas quisesse saber como ajudar. Izuku encolheu os ombros visivelmente, como se aquilo fosse o esconder do que ele havia acabado de perguntar.

Eles eram amigos sim, mas não significava que ele queria conversar sobre isso com qualquer outra pessoa. Ele nem sabia como colocar algumas coisas em frases elaboradas. Apenas o sentimento de algumas coisas era possível para o fazer querer se encolher contra sua cama. Izuku ainda pensou por alguns segundos antes de falar. Conversar sobre isso era impossível por agora, mas ele não queria não ser verdadeiro com Todoroki. “Bem,” Ele começa, sua voz falhava, porém sua entonação a seguir era mais decidida. “Aconteceu sim alguma coisa. É só que eu não me sinto preparado para falar sobre isso, Todoroki.”

Midoriya enche sua boca logo que termina de falar, desviando os olhos dos de Todoroki por alguns momentos. Por sua vez, Todoroki inclina a cabeça um pouco para o lado. “Eu posso entender isso.” Ele pausa por alguns segundos antes que sua voz ressoe de novo: “Existe alguma coisa que eu possa fazer por você agora?”

Os olhos esmeralda voltam para os do outro. “Eu posso te abraçar por um momento?” O pedido é quase hesitante. Era incomum vê-lo assim, acuado e receoso.

Izuku geralmente era espontâneo e alegre, podia ser nervoso e sério, mas nunca era como ele estava agora. Era por isso que Todoroki havia notado que tinha algo de errado em primeiro lugar. “Sim.”

O prato de Midoriya é deixado na mesinha que tem na sua frente para então estar apoiado contra os ombros de Todoroki.

Foi estranho nos primeiros momentos, principalmente porque Todoroki ainda estava com o copo e o cookie na mão. Mas eles logo foram esquecidos no chão, enquanto ele segurava os ombros do outro como se dissesse ‘estou aqui’.

Era diferente de quando Izuku abraçava sua mãe depois de um pesadelo. Todoroki era mais alto e definitivamente tinha mais massa muscular. Não era ruim, porém. Era um tipo diferente de conforto que ainda conseguia transmitir que tudo ia ficar bem.

Eles ficaram um tempo daquele jeito, Todoroki passando uma de suas mãos em um consolo silencioso nas suas costas e Izuku com o rosto enterrado na curvatura de seu pescoço. Ele ainda não estava pronto para conversar, e Todoroki entendia isso e respeitava. Ele só queria estar lá para ajudar, da mesma forma que ele tinha ajudado-o. Eventualmente, se Izuku quisesse falar sobre isso, ele o ouviria e tentaria entender da melhor forma que conseguisse.

Todoroki estaria lá para Izuku, não importa o que aconteça.

Notes:

Vocês acreditam que essa história era para ser algo fofinho com o tema de agosto? (bem, se você apertar bem os olhos vai poder ver os ligeiros sentimentos)

Aconteceu só que eu fui escrevendo e escrevendo e, quando vi, eu já tinha fugido do tema e estava tudo meio melancólico. O que eu posso fazer? Eu gosto de sentimentos fortes. E também, eu sempre pensei que esses meninos viveram o que viveram, eles deveriam ter mais traumas do que tem no canon.

De qualquer forma, meus agradecimentos se você leu até aqui, espero que tenham aproveitado a leitura!