Work Text:
Emily suspirou alto, puxando o vestido justo para baixo, ajeitando-o em suas pernas enquanto deixava o pequeno cubículo e encarava seu reflexo desgrenhado no espelho. Franzindo os lábios, ela lavou as mãos e secou antes de passar os dedos debilmente pelo cabelo, penteando-os, tentando afastar o pior do frizz. Havia um certo desafio em usar um banheiro público, – principalmente de um bar – que envolvia toda aquela coisa de se equilibrar ao mesmo tempo em que tentava aliviar a bexiga e não cair por causa da tontura ocasional que acompanhava suas últimas canecas de cerveja. Ela se olhou mais uma vez através do vidro embaçado pela umidade e calor, um pouco mais satisfeita com sua aparência agora. Arrumar o cabelo foi relativamente fácil, mas não havia muita coisa que Emily pudesse fazer quanto ao rubor intenso que queimava em suas bochechas. Mais uma cortesia do álcool.
A porta foi aberta, e Emily automaticamente desviou o olhar do espelho para acompanhar as duas jovens que riam sem controle, esbarrando na pia e nas portas dos cubículos vazios até que finalmente conseguiram tropeçar e entrar em um deles. Aquilo a fez sorrir um pouco, apesar de tudo. Oh, ela estava completamente satisfeita com a vida que tinha hoje, mas, Deus, como era boa aquela sensação de liberdade inconsequente tão presente em sua juventude… Foram anos realmente divertidos. Afastando aqueles pensamentos quando a nostalgia bateu forte em seu estômago, a mulher balançou a cabeça, puxando seu celular da pequena bolsa que usava antes de digitar rapidamente uma mensagem.
“Estou me sentindo uma idosa no meio dessas crianças. Você pode vir me buscar?”
Prentiss encostou o corpo na pia, de frente para as portas de madeira pichadas com frases obscenas e diversos números de telefone enquanto ouvia as últimas batidas de Just Dance tocando do lado de fora, a música alta soando abafada dentro do ambiente fechado, mas não deixando que ela esquecesse o clima de festa vibrante que havia do lado de fora. As vozes dentro do privativo ainda estavam exaltadas e as meninas aparentemente estavam tendo alguns contratempos com suas roupas, mas Emily decidiu não focar nisso, fechando os olhos para tentar aliviar um pouco da pressão em sua cabeça.
Não demorou muito para que uma resposta viesse e, tão logo o telefone vibrou, Emily já o tinha aceso, preso entre seus dedos.
“Querida, se você está velha, então eu já estou morto. Algum problema se eu entrar? Ou prefere que eu te espere do lado de fora?”
Um sorriso frouxo brincou em seus lábios enquanto ela relia o texto e considerava as palavras de David.
Hoje era uma daquelas ocasiões em que as meninas da equipe se reuniam por algumas horas para a chamada “noite das garotas”, um tempo dedicado a beber uma quantidade considerável de cerveja barata em um bar duvidoso e fofocar sobre assuntos que elas geralmente não tinham coragem para falar na frente dos homens. Já fazia um tempo consideravelmente longo desde a última vez que elas conseguiram ajustar suas agendas e arrumar uma data livre, entre as atividades do BAU e as responsabilidades que a analista de mídia tinha agora como mãe. Então, era de se esperar que Garcia e JJ estivessem especialmente animadas hoje – principalmente Penelope – e Emily, pela primeira vez desde que haviam começado com essa tradição, achou difícil acompanhar o ritmo delas, que provavelmente estavam aguardando ansiosamente que ela saísse do banheiro. Com um pouco de sorte, dessa vez não teria nenhum cara desconhecido e aleatório esperando para ser apresentado a ela. Por algum motivo, suas amigas estavam convencidas de que Emily precisava de um pouco de diversão naquela noite e estavam empenhadas em encontrar um par para a morena. Se ao menos elas soubessem…
Foi durante um caso particularmente espinhoso, no sul do Texas, há pouco mais de oito meses, que aquela tensão entre Dave e ela – que vinha crescendo lentamente ao longo dos anos – finalmente explodiu. Ele estava um pouco mal-humorado, e ela frustrada com o rumo que as investigações vinham tomando, somado com a demora em encontrar um suspeito. Então, não foi realmente surpreendente que, depois de um encontro acidental no bar do hotel, e algumas doses de uma bebida forte qualquer, ela tivesse acabado em sua cama. Naquela hora, nenhum deles estava particularmente interessado em controlar seus ímpetos. Graças a Deus.
Em retrospecto, ela sabia que não era para ter acontecido daquela forma. – Imprudente e tempestuosa. – Eles não deveriam ter se deixado levar. Não durante um caso e – com certeza – não com eles tão emocionalmente abalados como estavam. Começou errado. E era quase certo que terminaria ali, com cada um seguindo seu próprio caminho como se nada tivesse acontecido. Emily estava preparada para isso quando acordou ao lado dele na manhã seguinte, atrasada e com a cabeça pesando pela ressaca, e acreditava que aquele momento entre eles havia sido apenas um ato desesperado de conforto que Dave provavelmente não gostaria de repetir, por mais maravilhoso que tivesse sido. – Um relacionamento entre eles poderia causar muitos problemas, afinal. – Para sua completa surpresa, porém, Rossi não se mostrou inclinado a terminar seja lá o que haviam começado naquela noite quente em um quarto de hotel barato, e eles continuaram a se encontrar depois do expediente e aos fins de semana, estabelecendo aos poucos uma rotina confortável até que não puderam mais fingir que o que tinham era apenas algo casual. Foi então que, poucas semanas depois, ele decidiu dar um passo adiante e oficializar aquela relação.
O pedido veio durante um jantar comum. Não pareceu impulsivo, apesar de imprevisto. E Emily definitivamente não estava esperando por algo do tipo. Mas quando as palavras escorregaram pelos lábios de David através de um sussurro nervoso, ela sentiu seu peito inundando com aquela sensação de amor e felicidade até que que ambos transbordassem e se acomodassem confortavelmente em seu estômago, preenchendo-a; Completando-a. Era como se durante toda sua vida ela tivesse esperado por aquele momento; por aquele homem. Dave era tão doce! E ela estava perdidamente apaixonada por ele.
Em uma reviravolta de um destino irônico, Emily Prentiss era agora a namorada de David Rossi. E nenhum de seus amigos sabia disso ainda. Durante aqueles meses iniciais, eles haviam concordado em manter o relacionamento em segredo enquanto conheciam um ao outro sob uma perspectiva mais intima e pessoal, e decidiam se era aquilo mesmo o que queriam, e se poderia funcionar antes que o resto da equipe fosse envolvida. Não era uma questão de não confiar em seu time, mas sim de protegê-los. Havia muito em jogo para que eles fossem levianos. Agora, Emily estava muito segura de seus sentimentos em relação ao agente mais velho, tanto quanto Dave também estava certo em relação a ela. A certeza de que amava Rossi e de que era com ele que ela queria dividir sua vida, fez com que Emily se sentisse de repente muito disposta a ultrapassar aquela linha invisível; aquela última barreira que isolava o novo casal do restante do mundo.
Talvez fosse a bebida que estivesse fazendo com que ela sentisse esses impulsos, ou, talvez, Emily apenas quisesse mostrar para todos o quanto David era especial para ela, muito além daquele companheirismo fácil que haviam cultivado no trabalho. Fosse o que fosse, Prentiss estava certa de uma coisa: Era a hora de revelar seu segredo. Ela não queria mais ter que fingir que os dois eram apenas amigos. Emily não queria mais ter que esconder que seu coração – e sua alma – pertenciam exclusivamente a Dave.
Rossi sem dúvidas ficaria muito feliz com essa decisão. Ele gostaria de não ter mais que se controlar em manter as mãos para si quando tudo o que ele queria era tocá-la.
Com movimentos rápidos e seguros, ela deixou seus dedos correrem livres pelo teclado, enviando uma mensagem de volta para Dave enquanto prendia levemente seu lábio inferior entre os dentes, sentindo seu pulso acelerar.
“Oh, você deveria entrar. Acho que está na hora de deixar as toalhas caírem. Antes que Pen e JJ me empurrem para mais um cara.”
A próxima mensagem veio ainda mais rápido e Emily precisou sufocar uma risada com o conteúdo. Ela quase podia ver a expressão revoltada no rosto de Rossi, sua sobrancelha erguida em indignação.
“Elas estão fazendo o quê!? Certo, tudo bem. Vamos nos divertir um pouco, então. Não deixe que nenhum idiota encoste em você. Estou a caminho. Chego em vinte.”
Sorrindo para si mesma, Emily bloqueou o celular com um movimento do pulso, jogando-o novamente dentro de sua bolsa antes de impulsionar o corpo para frente e sair, fechando a porta de madeira desgastada atrás de si.
Do lado de fora a música vinha alta da pista de dança disputada, as batidas de “Boom Boom Pow” ecoando em seus ouvidos e sufocando o martelar frenético de seu coração que batia forte dentro de seu peito. Era o primeiro sinal de que a ansiedade estava vindo, Emily sabia, juntando isso ao fato de que suas mãos estavam de repente muito geladas e pegajosas. Tudo bem. Ela apenas precisava se lembrar de respirar corretamente. Apesar disso, de todo esse nervosismo, Prentiss estava estranhamente satisfeita com sua decisão. E ela definitivamente não estava voltando atrás.
Respirando fundo, sentindo através de suas narinas infladas o cheiro de todos aqueles perfumes diferentes misturados a suor e cerveja dentro do espaço confinado, Emily seguiu a passos incertos e trôpegos até o balcão, espremendo-se entre a multidão de pessoas que se amontoavam ao redor dele, inclinando o corpo sobre o tampo de madeira escura para pedir ao atendente mais três canecas de cerveja. Ela iria precisar de todo o álcool que pudesse conseguir agora. Uma vez que ela os tinha, a mulher seguiu direto para a mesa onde suas amigas a aguardavam com uma expressão sorridente e os olhos brilhantes.
“Demorou, hein.”, Garcia sorriu, esticando o braço para pegar a caneca que Emily estava oferecendo, “Encontrou a entrada para o Ministério da Magia ou havia algo mais interessante dentro daquele banheiro?”
Deixando seu olhar desconfiado vagar de Penelope para JJ, Emily bufou antes de tomar um longo gole de sua bebida, o líquido gelado e amargo fazendo muito pouco para acalmar seus nervos agitados.
“Bem, ele é certamente mais limpo do que eu imaginei que fosse. Fora isso, não. Nada de especial.”, ela deu de ombros, sabendo que sua tentativa de desconversar deixaria Garcia frustrada.
“Acho que Pen estava esperando que você dissesse que tropeçou em um homem maravilhoso no caminho para o banheiro, e isso acabou fazendo com que se atrasasse.”, JJ riu, lançando um olhar divertido para Garcia que estava fazendo um beicinho.
“Toda garota precisa de um Adônis para borrar sua maquiagem de vez em quando.”, Penelope apontou, enfiando alguns amendoins em sua boca.
O canto dos lábios de Emily se repuxou em um meio sorriso quando ela baixou os olhos, sentindo o súbito rubor subindo por seu pescoço enquanto deixava seu dedo indicador brincar com a borda de seu copo. Era hora de começar. Seus ombros subiram e desceram quando ela inspirou e expirou, tomando coragem para proferir as próximas palavras:
“Oh, mas eu já tenho algo do tipo. E acredite em mim, Pen, ele faz muito além de borrar minha maquiagem.”
Um silêncio pesado se seguiu entre elas. Era cômico observar a expressão chocada de suas amigas enquanto elas absorviam suas últimas palavras. A sobrancelha de JJ subiu em uma curiosidade explícita, seus belos olhos azuis ligeiramente arregalados ao mesmo tempo em que o queixo de Garcia caiu e ela, que nunca teve problemas em preencher todos os pequenos silêncios, de repente achou muito difícil encontrar algo para dizer. Fingindo uma calma que ela não sentia de jeito nenhum, Emily se acomodou mais contra sua cadeira, recostando as costas no encosto duro ao levar a caneca aos lábios para tomar um gole. Demorou mais alguns instantes até que Penelope finalmente encontrasse sua voz.
“O que você quis dizer com isso, Emily Prentiss?”, a loira questionou com a voz estranhamente baixa, e Emily quase podia sentir os pelos de sua nuca e de seus braços arrepiando com a estática.
“Que eu estou namorando.”, ela sorriu, mexendo os ombros com certa indiferença. “Inclusive, eu pedi que ele viesse me buscar, então vocês poderão vê-lo em breve.”
Um som estrangulado escapou de Garcia, seus olhos distantes enquanto ela processava todas aquelas novas informações.
“Você está o quê?”, a voz de JJ a alcançou, e Emily deixou que seus olhos deslizassem para ela, “Por que você não nos contou?”
Os lábios de Emily se apertaram em uma linha firme enquanto ela observava a expressão quase traída de JJ. Bem, ela só esperava que Jennifer – mais do que qualquer outra pessoa – pudesse entender por que ela tinha escondido deles quando descobrisse que seu namorado misterioso era Rossi.
“Pelo mesmo motivo que você não nos contou sobre Will quando vocês começaram.”, ela rebateu.
Bem no ponto fraco. JJ recuou os ombros, desconfortável, seus olhos cintilando levemente de encontro às luzes coloridas vindas da pista de dança.
“A coisa com Will foi diferente.”, Jennifer limpou a garganta antes de erguer sua caneca novamente, “Você sabe disso.”
Emily segurou o olhar da loira, suspirando consternada. Mal sabia JJ que a situação de Prentiss era ainda mais delicada do que a dela havia sido. Antes que ela pudesse falar alguma coisa, no entanto, Penelope estalou os dedos para chamar sua atenção, decidida a quebrar um pouco daquele clima pesado.
“Muito ruim esconder isso de nós, mocinha. Mas entendo que você tenha precisado organizar as coisas primeiro.”,ela finalmente sorriu. Um sorriso completo que fez com que Emily retribuísse o gesto antes que pudesse perceber o que estava fazendo. “Agora, eu quero detalhes. Os mais sórdidos, por favor. Como forma de compensação.”
Emily mordeu os lábios nervosamente, se preparando enquanto encarava uma Penelope que se remexia ansiosamente em seu lugar, seu tórax ligeiramente inclinado em sua direção. Oh, Deus. Ela só esperava que David não demorasse muito mais para chegar.
Apesar de ter esperado passar por um interrogatório completo, Prentiss ficou aliviada quando Garcia não fugiu muito das perguntas mais básicas, acompanhada por uma JJ que agora parecia mais relaxada e divertida. – Como ele era? Há quanto tempo eles estavam juntos? Como se conheceram? O sexo era bom? Era realmente tão bom assim? Ela estava feliz? Emily pretendia apresentá-lo para o restante da equipe? É claro que ela iria, não é? Morgan iria surtar com a novidade. E, oh, eles definitivamente deveriam se reunir para um churrasco na casa de Rossi.”
Essa ideia veio de JJ e Emily se engasgou com a bebida ao ouvir a sugestão, cuspindo um pouco da cerveja quando tentou segurar uma risada alta. Ela podia sentir o olhar da loira preso nela, confusa com sua reação, e ela pôde ver, pelo canto dos olhos, quando a boca de JJ abriu, puxando o ar para dentro como se quisesse dizer algo, mas sendo interrompida por uma Garcia alarmada.
“Oh, não, JJ. Não podemos fazer isso. A notícia por si só já vai partir o coraçãozinho de Rossi. Coitadinho. Não podemos pedir que ele empreste sua casa para apresentarmos o namorado de Emily.”
As sobrancelhas de Emily se juntaram, seus lábios franzidos. Que história era aquela?
“Eu perdi alguma coisa?”, Emily indagou, “O que é isso com David?”
“Penelope enfiou na cabeça que Rossi está apaixonado por você. Acredita nisso?”, JJ riu, seus ombros sacudindo com o movimento.
Garcia estalou os lábios, pegando alguns dos amendoins na tigela para atirar em JJ. Emily apenas ergueu as sobrancelhas, sorrindo como se aquilo fosse algo inusitado, tentando esconder o fato de que seu ritmo cardíaco tinha de repente disparado. Garcia não fazia ideia do quão certa ela estava.
“Mesmo?”, a morena encarou Penelope com seus olhos divertidos.
“Ei, não me olhem assim. Eu tenho observado Rossi muito de perto, e o jeito como ele olha para você, Emily, é tão quente... E amoroso ao mesmo tempo. Não é uma coisa só de amigos. Derek definitivamente não tem esse olhar para mim. Você nunca percebeu isso?”
Emily deu de ombros. É claro que ela já havia notado. E Prentiss absolutamente amava quando ele esquecia seu olhar sobre ela, aqueles seus lindos olhos castanhos intensos que eram capazes de despi-la tão completamente... Piscando devagar, ela engoliu um gemido de prazer ao pensar em como ele podia excitá-la com tão pouco.
“Não esqueça de todos os toques acidentais, Pen.”, JJ lembrou, provocando a amiga um pouco mais, como se aquele fosse um tópico que elas haviam discutido muitas vezes antes.
“Você pode rir, JJ, mas no fundo você sabe que eu estou certa. Rossi gosta de Emily, e ele é péssimo em esconder isso.”, a analista sacudiu os ombros.
Bem, Rossi tinha que ser péssimo em algo, certo? Emily não conseguiu controlar a risadinha baixa que reverberou em seu peito em resposta a esse pensamento, sua postura alegre sendo substituída pela confusão quando o sorriso de Garcia morreu e todo seu corpo ficou tenso de repente.
“Oh, porra.”, a loira gemeu, olhando fixamente para um ponto a sua frente. “Falando no diabo.”
Seguindo seu olhar, ao mesmo tempo em que JJ virava a cabeça para ver sobre o que Garcia estava falando, Emily sentiu seu coração perder uma batida quando seus olhos encontraram David na distância. Ele tinha acabado de entrar, e ainda estava próximo a porta enquanto deixava seus olhos varrerem o ambiente em busca dela, nem um pouco preocupado em esconder o fato de que estava procurando por algo. Não demorou muito até que ele a avistasse e, tão logo seus olhos se encontraram, um sorriso espontâneo enfeitou as feições de Dave, fazendo o estômago de Emily revirar em ansiedade.
“Acho que ele nos viu.”, JJ comentou baixinho.
“Correção: ele viu Emily. Olha o sorriso idiota que ele tem na cara.”, Garcia devolveu, rindo.
Emily não estava mais prestando atenção ao diálogo, sentindo seu coração bater mais forte à medida que Rossi se aproximava lentamente da mesa delas, vagamente consciente de JJ balançando a cabeça enquanto terminava sua bebida. Quando ele venceu a distância entre eles, Prentiss sentiu-se muito tonta de repente, agradecendo aos céus por estar sentada ou ela tinha certeza de que teria caído. Respire, Emily, respire. É só Dave.
“Ei, meninas.”, ele cumprimentou com um sorriso amigável, parando entre ela e Penelope com as mãos dentro dos bolsos. “Que surpresa encontrá-las aqui.”
Olhando mais de perto, Emily prendeu a respiração. Ele parecia casual dentro daquele suéter de lã, o zíper aberto mostrando um pouco da camisa escura que ele vestia por baixo, marcando ligeiramente o corpo magro. Os cabelos claros estavam despenteados, meio jogados para trás e para frente, provavelmente um resultado da brisa leve do lado de fora, e Emily enrolou os dedos nas mãos para não ceder a vontade de se levantar e colocá-los no lugar. Ela lambeu os lábios. Dave era um homem absurdamente – e naturalmente – sexy. E ele era todo dela.
O sorriso de Garcia aumentou, alcançando seus olhos quando ela se inclinou para abraçá-lo com um braço. Prentiss sorriu, encantada com o carinho que sua amiga tinha por David. Desde o início, Rossi havia se tornado algo próximo a uma figura paterna para Garcia, o lado carinhoso e excêntrico da analista sendo responsáveis por cativá-lo cada dia mais até que aquele vínculo entre eles se tornasse indissolúvel. Emily simplesmente amava aquele relacionamento fácil entre eles.
“Perdido, senhor?”, ela perguntou, ainda em seus braços.
“Hm, eu tive um bom pressentimento para essa noite.”, seus olhos rolaram para Emily, vívidos e enfeitiçados, e, quando ela segurou seu olhar, um meio sorriso sedutor despontou de seus lábios avermelhados. “Acabar aqui, com vocês, só mostra que meus instintos estavam certos, afinal. Não tem como uma noite ser ruim depois disso.”.
Aquela ação não passou despercebida por Garcia que, com um movimento – não tão discreto – de seu braço, cutucou JJ para que ela prestasse atenção no agente mais velho. Não era realmente necessário, no entanto. Jennifer já estava os estava observando com certo interesse. A maneira como ele a olhou enquanto dizia aquelas palavras não deixou nenhum tipo de dúvida que ele estava se referindo a um encontro com Emily, especificamente. JJ franziu os lábios, sentindo, pela primeira vez, que talvez a teoria de Penelope não fosse tão absurda assim.
“Talvez você esteja depositando muita confiança em nós.”, Emily sorriu, indicando a cadeira para que ele se sentasse.
“Eu tenho.”, Dave sorriu de volta, sentando-se, ainda com seus olhos presos aos dela. “Mas você nunca me decepciona, então está tudo bem.”
JJ podia sentir o corpo de Garcia vibrando ao seu lado, excitada com aquele novo desdobramento, mas não era exatamente na técnica que sua atenção estava focada no momento. Era impressão sua ou aqueles dois estavam flertando, assim, tão descaradamente?
Aquela tensão entre eles durou mais alguns instantes até que, de maneira relutante, Dave virou o corpo um pouco para frente, apoiando os cotovelos na mesa e deixando que seu joelho roçasse propositalmente contra a perna de Emily. Como uma reflexão tardia, Jareau franziu as sobrancelhas quando a morena não se afastou, pelo contrário. Ela podia jurar que o corpo de Emily havia muito sutilmente se movido de encontro a Dave.
“Tudo certo com os rapazes, JJ?”, ele perguntou ao descansar os braços sobre o tampo da mesa e se inclinar para ela, chamando sua atenção.
A loira piscou, sendo forçada para fora de seus pensamentos confusos. Balançando a cabeça, ela sorriu um pouco.
“Eles estão bem. Henry já está querendo dar os primeiros passos. Você deveria nos visitar um dia. Will gostaria disso.”
Rossi sorriu e assentiu, girando distraidamente o anel em seu dedo. Seus olhos estavam bem mais suaves agora, sem aquela intensidade sensual e borbulhante de antes.
“Podemos marcar algo lá em casa quando todos estiverem livres, o que acham? Aaron me disse que Jack está ansioso por uma tarde na piscina novamente.”
“Podem contar comigo. Eu não estou desperdiçando a oportunidade de ver meu Trovão de Chocolate em calções de banho.”, Garcia riu, animada, batendo palmas.
“Ah, mas isso significa que você também estará me vendo assim.”, Rossi devolveu com a sobrancelha arqueada e um brilho lúdico no olhar, recebendo uma piscada de Garcia.
“Considero isso um bônus, senhor.”
Emily deu um risinho suspirado. David tinha realmente um timing perfeito. Era quase como se tivesse adivinhado sobre o que elas haviam conversado mais cedo. Sacudindo os ombros, ela se levantou, ajeitando o vestido mais uma vez, tentando não o deixar muito curto. O movimento chamou a atenção de David, e seu olhar caiu pesado sobre ela novamente, vagando através de seu corpo até parar em suas pernas nuas, e era como se ela pudesse sentir a ponta de seus dedos em sua pele, queimando-a, acendendo-a daquela forma que apenas ele sabia como fazer. De repente, os olhos dele escureceram e Emily sentiu seus joelhos perdendo as forças quando ele lambeu os lábios em uma reposta automática. Ela sabia exatamente o efeito que causava nele e, aquilo, por si só, já era suficiente para excitá-la ainda mais.
“Estou indo pegar mais cerveja.”, ela limpou a garganta, “Dave, quer algo?”
Ele piscou, distraído.
“Oh, sim. Eu com certeza quero.”, a voz dele não passava de um sussurro rouco e fez seu abdômen contrair com o desejo explicito naquele tom arrastado. “Mas vou me contentar com um Jack & Coke, se você puder me trazer um.”
Ainda sentindo os arrepios percorrerem seu corpo, Emily acenou, dando um sorrisinho constrangido antes de girar os calcanhares e seguir rapidamente o caminho para o balcão, apertando um pouco as pernas, desesperada por algum atrito. Se David continuasse daquele jeito, então ela não tinha certeza de que aguentaria esperar até que chegassem em casa.
Na mesa, JJ e Penelope se entreolharam em perplexidade. Aquele traço indomável e entusiasmado de Dave era algo novo ou ele sempre o teve, mantendo-o escondido debaixo de tantas camadas de profissionalismo e paternalismo? Bem, seja como fosse, aparentemente Rossi não havia conseguido sua fama sem um motivo. No fim, parecia haver alguma verdade em meio aos boatos. Ele parecia agir como um homem que ficava sentado, esperando. Dave era do tipo que, se queria algo, então ele se levantava e pegava. Simples assim.
“Com licença? Você pode me dizer o que acabou de acontecer aqui, agente Rossi?”, Penelope perguntou em um sussurro ansioso quando a morena desapareceu na multidão.
“Hm?”, Dave devolveu, seu pescoço ainda voltado para onde Emily havia ido.
Garcia estreitou os olhos. Se Rossi estava pensando que poderia se livrar disso, então ele estava muito enganado.
“Isso.”, ela gesticulou para ele e apontou para frente, atrás dele, “Essa coisa toda com Emily. Você costumava ser mais sutil, sabe?”
O sorriso de David se alargou e sua sobrancelha subiu quando ele se recostou em sua cadeira, deixando seus olhos correrem de Garcia para JJ, que o observava com um leve choque, seus lábios ligeiramente separados enquanto ela se perdia em seus pensamentos novamente. Se ele fosse apostar, Dave diria que a loira não estava muito longe de entender o que estava se passando ali. Era apenas uma questão de empurrar mais um pouco até que ela adivinhasse.
“Ah, isso. Talvez eu apenas tenha desistido.”, ele suspirou pesadamente, entrelaçando as mãos sobre o estômago. “Simplesmente não tenho mais forças para me manter longe. Eu poderia passar o resto da minha vida só olhando para essa mulher, sabe?”
A música acabou. Outra começou no lugar dela. Não que JJ estivesse prestando alguma atenção, é claro. Ela estava apenas um pouco consciente do grito estrangulado que Garcia deu, quase pulando de seu lugar. Fechando os olhos por alguns instantes, Jennifer se forçou a respirar fundo enquanto tentava organizar as imagens em sua mente, sentindo o ar quente e viciado encher seus pulmões, mas mesmo isso não trouxe alívio. De repente, ela sacudiu a cabeça com força, um risinho nervoso escapando de seus lábios. Não é que Penelope estava realmente certa? Aquela noite estava cheia de novidades e, casualmente, JJ se perguntou o que mais poderia vir agora.
“Vocês seriam um bom casal. Eu gostaria de ter visto isso, Rossi, realmente gostaria.”, JJ deu um sorriso triste, apontando para Dave. “Mas, agora… não sei.”
Dave inclinou a cabeça, confuso, um vinco se formando em sua testa. Garcia suspirou.
“Emily nos contou hoje que está namorando. E parece que já têm alguns meses.”, ela disse, parecendo verdadeiramente triste agora que suas suspeitas haviam sido confirmadas.
“Oh. Ela está?”, foi toda a resposta de Dave, antes que seus ombros murchassem em derrota e seus olhos ficassem distantes.
Garcia não queria vê-lo assim. Ela não gostava quando Rossi ficava triste, mas antes que pudesse dizer alguma coisa para confortá-lo, ou fazer qualquer movimento, Emily estava de volta com suas cervejas e a bebida de David presa na outra mão.
A mesa estava estranhamente silenciosa, apesar do ruído infernal que vinha da música incessante, misturado com o intenso falatório ao redor deles. Erguendo uma sobrancelha, Prentiss deixou seus olhos desconfiados vagarem ao redor da mesa, observando atentamente as expressões abatidas de suas amigas antes de parar em um David que – ela podia jurar – estava tentando muito não rir enquanto lutava para manter uma postura falsamente cabisbaixa.
“Ei, o que aconteceu aqui?”, ela perguntou, sentando-se.
Ninguém respondeu. Suspirando teatralmente, Rossi ergueu seu copo para dar um gole em sua bebida antes de voltar seus olhos tristes para ela. O desgraçado daria um ótimo ator.
“As meninas acabaram de me dar uma péssima notícia.”, ele sacudiu a cabeça, como se estivesse tentando espantar aqueles pensamentos. “Elas disseram que você foi levada. Isso é verdade?”
Emily mordeu o interior das bochechas para não rir, finalmente entendendo o motivo do esforço que Dave estava fazendo para parecer magoado. Ela lançou um olhar rápido de advertência para as amigas, recebendo apenas um encolher de ombros de JJ e um cruzar de braços desafiador de Garcia. Ela era realmente protetora com Rossi, não era?
“Bem, sim.”, ela entrou no jogo.
Rossi suspirou, fingindo refletir sobre aquilo. Instantes depois, ele corrigiu sua postura, seus ombros retos demonstrando confiança.
“É um imprevisto, claro, mas não tem problema. Eu ainda posso roubá-la.”, ele sorriu fraco, meio de lado, levando o copo aos lábios mais uma vez.
JJ se engasgou, seus olhos arregalados. Seja lá o que ela estivesse esperando, uma confissão não era exatamente o que ela havia pensado. Chocada, ela buscou o olhar de Garcia, que encarava Rossi, parecendo tão surpresa quanto ela.
“Hm, você não deveria estar dizendo essas coisas, David. Meu namorado é um homem muito ciumento. Ele não gostaria de ouvir você falando assim.”, Emily piscou lentamente, bebericando um pouco de sua própria bebida.
“Eu não posso culpá-lo por isso.”, ele se remexeu, inquieto, “Mas, de qualquer forma, eu vou correr o risco. Afinal, eu tenho uma arma, e sei como usá-la.”
A boca de Emily curvou em diversão e ela finalmente cedeu, rindo.
“Isso quer dizer que você está disposto a lutar?”, ela quis saber.
“Por você?”, ele dobrou seu corpo sobre ela, sua mão automaticamente buscando algum contato, descansando em seu joelho em um gesto muito íntimo, o polegar rolando carinhosamente pela pele macia enquanto a outra mão subia para acariciar seu rosto, “Não há absolutamente nada nesse mundo que eu não faça por você, querida.”
Emily arfou, contendo por pouco a vontade de fechar os olhos e se aninhar contra sua mão. Lá estava aquele olhar de novo. Doce, intenso, apaixonado. Aquele brilho que a incendiava de dentro para fora e a fazia implorar por mais. Instintivamente, ela se inclinou para mais perto dele, tão perto que ela podia sentir o cheiro forte e adocicado de sua bebida em seu hálito, as notas suaves de caramelo e baunilha unidos ao cítrico do limão, inebriando seus sentidos entorpecidos. Ela colocou a mão sobre a dele, seus dedos se entrelaçando enquanto ela se aproximava mais, tão lentamente que aquilo poderia ter se prolongado por horas. A brincadeira deles estava divertida, e Emily podia admitir que havia sido engraçado ver as reações que eles tinham causado em suas amigas, mas aquilo terminava ali. Que se foda o jogo. Emily só queria envolver seu pescoço e puxá-lo para um beijo que lhe roubaria o pouco fôlego que ainda conservava. Ela só tinha que.
Faltava muito pouco agora.
JJ não sabia definir o que estava passando dentro dela naqueles momentos enquanto observava a cena que se desenrolava, completamente dormente. Ela nem mesmo tinha certeza de que ainda estava respirando. Era possível sentir seu coração batendo alto e forte em sua garganta, a cabeça girando com uma vertigem que nada tinha a ver com o álcool que ela havia consumido. Por Deus! O que estava acontecendo ali? Antes daquela noite, JJ nem ao menos cogitava que algo estivesse acontecendo entre aqueles dois, mas agora... Era óbvio o quanto Rossi e Emily desejavam um ao outro. O quanto eles se adoravam. Era um sentimento tão forte, tão palpável, que ela quase podia tocá-lo, agarrá-lo entre seus dedos e sentir sua dureza, sua textura suave. Aquilo não era resultado daquela última hora. Não podia ser. Era algo muito mais profundo e antigo. A maneira como eles se olhavam era completamente excitante, envolvente, deixando-a totalmente hipnotizada por eles, e Jennifer sentiu seus lábios se separando, puxando o ar em uma respiração rasa, difícil.
Eles pareciam apaixonados. Eles estavam apaixonados. E livres. Absolutamente devotados um ao outro. E aquilo parecia tão certo que JJ tinha medo de se mover e estragar a perfeição daquele momento.
Então, de repente, como se fosse em um filme, algo estalou em sua mente e a verdade se apresentou para ela em todos aqueles tons lindos e vibrantes. Era ele o namorado de Emily. Era Rossi. Aquele tempo todo foi Rossi. Não havia outra opção. Tinha que ser ele. Qualquer outra coisa seria um erro. Jennifer sufocou um gemido, um pequeno som estrangulado subindo por sua garganta ao mesmo tempo em que ela se questionava como podia não ter visto aquilo antes. Antes que ela pudesse perceber, um largo sorriso despontou de seus lábios e ela podia sentir a quentura das lágrimas em seus olhos. JJ estava emocionada, mas acima de qualquer outra coisa, ela estava feliz. Feliz por sua amiga; por seus amigos.
Rossi e Emily não se beijaram, no final. Seus lábios nunca conseguiram se encontrar. Penelope não deixou que isso acontecesse.
Confusos, piscando para afastar aquela névoa densa de carinho e desejo, o casal apenas encarou a analista que parecia estar caminhando perigosamente em suas próprias bordas. Havia um turbilhão de emoções dançando em seu rosto, lutando por domínio. JJ sorriu, consternada. Penelope foi rápida em ver como David se sentia em relação a Emily, mas ela ainda não era capaz de ver o que estava bem diante de seus olhos. Ela ainda não enxergava que aqueles dois eram uma coisa só.
“Gente, o que vocês estão fazendo?”, ela sussurrou com a voz trêmula, seus olhos completamente arregalados, “Senhor, você não deveria… Emily, seu namorado deve estar chegando! Isso não está certo!”
Rossi e Emily se entreolharam, agora incapazes de segurar o riso. JJ sorriu também, balançando a cabeça.
“Pen.”, a loira chamou sua atenção, “Não.”
“Mas, JJ!”, ela tentou protestar.
JJ segurou seu olhar, incerta sobre como explicaria aquilo para a amiga, mas não foi preciso elaborar muito.. Para seu alívio, Emily tomou sua frente.
“Ele já está aqui, Pen.”, ela expirou, pressionando os lábios antes de encarar Garcia com olhos ansiosos.
Em um ato demonstrativo, David puxou suavemente a cadeira de Emily para mais perto dele, passando um braço ao redor de seus ombros, abraçando-a. Em um movimento automático, Prentiss se aconchegou contra o peito firme, erguendo sua mão para que pudesse segurar a dele, sentindo um arrepio quando ele pressionou um beijo em seu cabelo.
A boca de Penelope abriu e fechou alguma vezes enquanto ela lutava para encontrar as palavras. Seu rosto agora estava anormalmente pálido, apenas o eco de seu coração errático em seus ouvidos. Quando ela se virou para JJ em busca de alguma explicação, a loira apenas sorriu com simpatia, dando de ombros.
“Você sabia disso, JJ?”, ela quis saber.
“Acabei de descobrir.”, ela sacudiu a cabeça, levantando as mãos. “Mas estou realmente feliz com esse arranjo.”
JJ sorriu para o casal. Bufando, Garcia se contorceu em seu lugar.
“Eu estou feliz por vocês também, é claro que eu estou. Essa novidade só… me pegou desprevenida, eu acho.”
Emily sorriu para a amiga, assentindo.
“Está tudo bem, Pen. Nós já esperávamos um pouco desse choque inicial.”
“Mas significa muito para nós que vocês tenham aceitado isso tão bem”, Dave acrescentou, abaixando um pouco a cabeça até que fosse possível roçar seus lábios com os de Emily em um beijo rápido e suave.
“Como poderia ser diferente? Vocês soam tão bem juntos.”, JJ devolveu, piscando um olho para o casal quando eles se separaram.
Penelope concordou, sorrindo apaziguada. Demorou mais alguns instantes até que ela congelasse novamente, seus olhos abrindo enquanto seu rosto ficava completamente vermelho. Emily respirou fundo, se preparando.
“Deus, nós realmente discutimos como Rossi é na cama?”, ela se virou para Emily, “Há uma imagem bem nítida na minha mente agora, Emily. E eu definitivamente não precisava disso. Sem ofensas, senhor.”, Garcia olhou para Dave.
JJ tossiu, cuspindo um pouco da cerveja sobre a mesa ao mesmo tempo em que Emily ria baixinho ao observar Dave encolhendo os ombros antes que um leve rubor colorisse suas bochechas.
“Eu só espero que ela não tenha reclamado.”, Ele disse, apesar do óbvio constrangimento.
“Com a propaganda que ela fez, se já não fosse casada, eu poderia pensar em roubar você dela, apenas para ter um pouco disso. Se for como Emily diz, você só tem do que se orgulhar.”, JJ esclareceu, ainda rindo.
Emily observou fascinada quando David ficou um tom mais vermelho. Aparentemente ainda havia algo que conseguia deixá-lo desconfortável.
“Entre na fila, JJ.”, Garcia piscou para a amiga.
“Ei, eu não estou dividindo Dave.”, Emily apontou, se aconchegando mais contra o corpo de Rossi. “Além disso, tentem não deixá-lo ainda mais convencido.”
Dave ergueu as mãos, se defendendo sem palavras, observando as mulheres rirem.
Não demorou muito tempo até que eles encontrassem um ritmo agradável e a conversa fluiu tranquila entre o pequeno grupo. A ideia de que Rossi e Emily eram realmente um casal não parecia mais muito estranha, pelo contrário. Depois de observá-los tão de perto, enquanto eles pareciam tão confortáveis em suas carícias, e poder testemunhar como eles eram carinhosos e cuidadosos com o outro, Garcia só conseguia sentir aquela sensação de felicidade exultante que se apoderou dela tão completamente. Não havia dúvidas de que eles haviam sido feitos um para o outro. Como almas gêmeas.
Eventualmente, JJ precisou ir embora. Ela tinha um filho e um marido que precisavam de sua atenção, e, bem, David e Emily pareciam bastante animados com a ideia de voltar para casa e cuidar de seus próprios negócios. Penelope tentou não pensar muito sobre o que eles estavam prestes a fazer quando, por insistência dos dois, ela entrou no carro dele pouco tempo depois, junto com Jennifer. Ela podia lembrar de JJ argumentando contra isso, tendo ela mesma dito que era perfeitamente capaz de pedir um táxi, mas Rossi havia sido firme. Ele não poderia ficar tranquilo se não pudesse ter certeza de que elas haviam chegado em casa em segurança. Seria apenas um pequeno desvio em seu caminho e, não, elas não estavam incomodando. Que tipo de homem ele seria se as deixasse voltar para casa sozinhas, tão tarde?
Emily garantiu que estava tudo bem, então elas finalmente aceitaram a carona.
“Acho que devemos organizar aquele churrasco agora.”, Penelope se inclinou no banco de trás. “Seria uma boa ocasião para contar a equipe, certo? Oh, eles vão ficar tão felizes!”
Rossi deu um pequeno riso suspirado, apertando o volante com um pouco mais de força ao ouvir o barulho do corpo de Emily deslizando pelo couro enquanto ela afundava em seu assento.
“Não estou desconsiderando a hipótese de Hotch ter um colapso nervoso.”, ela gemeu.
“Eu não acho que Hotch vá surtar. Muito.”, JJ riu, “O difícil vai ser fazer Reid entender. Ele é meio devagar com essas coisas.”
“Ah, vamos lá, gente. Ele não é tão ruim”, Rossi defendeu o agente mais novo, mas o riso ainda podia ser distinguido em sua voz, “E eu não estou preocupado com Aaron. Provavelmente ele só vai recitar todas as regras de confraternização do escritório para mim. Novamente.”
“Aquelas regras que só existem por sua causa?”, JJ lembrou.
“Exato.”, David riu, piscando pelo retrovisor. “Faça planos, Penelope. Encontre uma data que seja boa para todos e vamos fazer isso acontecer.”
“Pode deixar comigo.”, ela sorriu, puxando seu celular para começar suas atividades.
Um novo gemido escapou de Emily, que fechou os olhos em seguida, cobrindo-os com uma mão enquanto tentava bloquear a conversa animada de Dave e suas amigas. Não é que ela não quisesse contar para o resto da equipe, ela queria. Emily só não estava particularmente ansiosa para a reação de Hotch. Não importava o quão criativa ela pudesse ser, – ou otimista – Emily apenas não conseguia imaginar um cenário onde o chefe de unidade não surtasse com a novidade. Ele poderia ficar feliz depois, – e ela sabia que ele ficaria – mas isso não evitaria a explosão inicial.
O apartamento de Garcia não ficava muito longe da casa de JJ e, apenas alguns minutos depois de deixar Jennifer, Rossi parou o carro diante do prédio antigo. Ele sorriu amigavelmente quando a loira saltou de seu banco e se despediu deles, caminhando apenas alguns passou antes de parar e voltar, inclinando-se sobre a janela de Rossi enquanto os encarava com diversão.
“É só pra lembrar. Comportem-se, vocês dois.”, ela sorriu carinhosamente, seus olhos brilhando quando pareceu pensar em algo. “Ou melhor, não. Não façam isso. Eu gostaria de uma sobrinha agora. Já temos meninos demais naquela equipe e eu totalmente vejo vocês como pais de uma linda menininha.”
David gargalhou, uma risada sincera que fez seus ombros sacudirem. Emily apenas estremeceu, seus lábios se separando ao parecer horrorizada com a ideia.
“Oh, não. Absolutamente não. Nem pense nisso”, ela franziu o nariz enquanto considerava aquelas palavras.
Garcia piscou, rindo, desejando uma boa noite antes de se virar novamente e seguir seu caminho. Quando ela desapareceu pela porta, David se virou para observar Emily.
“Eu não me oponho a ideia de ter filhos, você sabe.”, sua voz estava baixa e seus olhos brilhavam intensamente, “Principalmente se for com você.”
Emily sorriu, esticando a mão para poder entrelaçar seus dedos com os dele em uma leve carícia. Inclinado-se um pouco, ela pressionou um beijo em seu ombro antes de cair em seu banco mais uma vez.
“Eu também não. Mas não podemos deixar Penelope muito animada com isso, ou eu terei todos os meus ciclos dos próximos anos em uma planilha detalhada antes do amanhecer.”
Girando a chave para dar partida, David deu um largo sorriso de alegria enquanto pisava no acelerador. Se alguém tivesse dito, poucos meses atrás, que sua vida teria sofrido essa reviravolta, Dave apenas teria rido daquele absurdo. Ele nunca pensou que estaria discutindo sobre ter filhos com alguém e, definitivamente, não com Emily Prentiss. Mas ele estava feliz por ser ela porque, porra, ele a amava. Demais. Então era natural que ele pensasse sobre essas coisas, certo?
Bastou apenas um rápido olhar em sua direção, alguns poucos segundos durante os quais seus olhos se encontraram, para que Dave tivesse uma resposta. Sim, absolutamente. Ele a queria, pelo resto de sua vida. E queria tudo o que poderia vir dela. Um amor. Uma vida. Uma família. Um futuro.
Aquela noite havia sido um divisor de águas. Seu amor não era mais um segredo. Parecia bobo, mas Rossi não pensava assim. Nem Emily. Eles finalmente haviam dado aquele importante e definitivo passo que sacramentaria seu relacionamento de vez.
“Eu te amo, Emily. E estou feliz por não precisar mais esconder isso dos outros.”, ele sussurrou, seus olhos presos no caminho a sua frente.
Emily sorriu, satisfeita, sentindo seu pulso acelerar com a fala de David ao mesmo tempo em que ela esticava o braço para acariciar sua perna.
“Estou feliz por isso também, querido, principalmente porque a única coisa que eu quero agora é que as pessoas saibam que eu amo você. E que eu sou sua. Para sempre.”
Aquelas palavras o aqueceram e ele piscou, emocionado. Sim. Era tudo o que ele queria também.
“Para sempre.”, ele repetiu baixinho.
FIM
