Chapter Text
O dia estava péssimo para Henry, sequer tinha jantado e já estava querendo colocar tudo que comeu para fora, o nervosismo fazia seu estômago revirar e seu corpo tremer. Olhava pela janela do avião com as sobrancelhas franzidas, estava com medo, ele tentou mexer em seu anel, mas ele não estava ali, um pequeno sorriso surgiu em seu rosto por lembrar que estava com Alex.
Alex, esse era o motivo do seu nervosismo, era o motivo de estar em um avião e ter cancelado toda sua agenda do mês. A culpa não era de seu namorado, e sim do que fizeram com ele, pensar nisso apenas aumentava seu tremor. Depois que se assumiram o apoio que ambos receberam foi gigante, mas quem não gostou odiou na mesma proporção. A prova disso foi o que havia acontecido.
Estava em todos os jornais, a empresa não parava de divulgar as fotos de seu homem, ele olhou para o lado e suspirou lendo a reportagem mais uma vez. “Alex Claremont-Diaz foi espancado” a foto dele era um borrão, mas era perceptível quem era. Henry balançou a perna ansioso, pegou seu celular e viu a última mensagem dele, “vou ao banheiro”, e foi ali que tudo aconteceu.
— Senhor, recebemos informações da Casa Branca — um agente especial se aproximou — O senhor Claremont já está em casa e recebendo cuidados médicos, estão te esperando.
O príncipe apenas concordou e voltou a olhar para a janela, estava um breu lá fora e um silêncio no avião, ele segurando o choro, as notificações de seu celular começaram a apitar e já sabia que era o grupo de seus amigos. “Henry, ele não para de chamar por você” leu de relance, era June, não conseguiu segurar as lágrimas que vazaram de seu rosto.
— Vamos pousar.
Ao escutar isso pareceu que virou uma chave no tempo e tudo se acelerou, eram flash em sua mente, foi tão rápido, quando colocou o pé em solo estadunidense, quando entrou no carro em direção a Casa Branca e quando finalmente estava em direção ao quarto de Alex. June e Nora estavam ali, e o príncipe era grato por isso, viu elas andando de um lado para o outro no corredor e sua preocupação aumentou.
— Henry! — June falou alto, correu até ele para o abraçar.
— Como ele está?! — sua voz era tensa, as duas perceberam isso.
— Ele, bom, como posso dizer? — June começou a tentar formular um diálogo, a voz cansada de sua mãe a cortou.
— Ele não precisa de um discurso June — a mais velha falou séria, passou a mão nas costas do príncipe e o olhou nos olhos — Ele está estável, mas recusa qualquer outro de nós, quer apenas você.
— Certo, eu vou…— olhou para suas mãos, estava suando, não sabia o que falar e não queria falar nada, não lidava bem com pessoas que ama em perigo, são lembranças do tempo que perdeu seu pai. Sabia que Alex não iria morrer, mas o que a mídia postava sobre ele só ajudava seu desespero, que era grande em seu peito, precisava vê-lo então apenas caminhou para o quarto do moreno.
Assim que entrou, a equipe médica lhe fez uma reverência, eles saíram rapidamente dali, levando a atenção de Alex para si.
— Baby…
— Alex — sussurrou se aproximando da cama, olhou tudo em volta e odiava aquilo, odiava ver ele tão frágil. O primeiro filho estava com o rosto inchado, uma tipoia em seu ombro, o lábio e a sobrancelha com um corte. Havia uma coberta sobre seu tronco, mas conseguiu deduzir que estava fraturado ali também — O que fizeram com você meu bem…— passeava seus olhos sobre ele, fez um cafuné e logo tirou a mão, tinha medo de machucar ainda mais.
— Não vou quebrar se você me fizer um cafuné — falou provocando, seu humor ainda estava ali.
— Idiota — revirou os olhos e se sentou na cama, segurou a mão dele, beijou com calma — Como você está?
— Horrível — recebeu outro beijo.
— Você quer falar o que aconteceu? — perguntou calmo, sabia que mostrar seu desespero para ele não iria ajudar nada na situação. Viu ele concordar e apertar mais forte sua mão, Alex estava com medo — Eu tô aqui com você, já passou, tá bom? — se aproximou do moreno, ele concordou com os olhos cheios de água — Você não precisa ser forte agora.
— Merda, eu não pareço tão imbatível e cheio de vida agora — sorriu triste, não deixou as lágrimas caírem — Eu fiquei com tanto medo de terem feito o mesmo com você — confessou de olhos fechados, não queria chorar, recebeu um beijo na testa e olhou para o príncipe — Eu não sei como contar, foi tão rápido que sei lá, pareci uma criança indefesa.
— No seu tempo, não tem pressa, tá bom? — falou e ele concordou, não entendeu a feição preocupada dele — Que foi?
— Quando você vai embora?— perguntou ansioso, a distância não estava fazendo nada bem para o relacionamento deles, não queria ficar sem Henry.
— Não se preocupa, cancelei a agenda desse mês e vou ficar aqui.
— O mês inteiro? — seu sorriso voltou ao seu rosto.
— Sim — sorriu junto.
— Ok isso me curou 50% — brincou e arrancou uma risada de seu namorado.
— Conseguiu esses números com Nora? — sorriu brincando com os cachos dele, se lembrou do que ouviu quando chegou — Você não deixou elas entrarem aqui?
— Não quero que elas me vejam assim — explicou calmo — Ontem eu fui levado pro hospital às pressas e todas estavam em reunião na hora, ficaram sabendo pelas notícias.
— E elas ainda não te viram?!
— Eu cheguei aqui apagado, todo o serviço tava me cercando e quando acordei falei que só queria você, na verdade — deu uma risadinha envergonhada — Eu chamei teu nome.
— E você ainda duvidava se era hétero ou não — riu — Elas só querem ver como você está — falou e viu ele franzir o rosto.
— Não quero que me vejam tão derrotado assim — repetiu, parecia esconder algo, e esse algo não fugiu da percepção do príncipe.
— E o que mais? — sua pergunta era sútil, conseguia arrancar tudo de Alex.
— Elas vão me culpar por ir no banheiro sem o serviço, ainda mais com as ameaças.
— Ameaças? Que ameaças? Você não me disse nada — soltou alto, viu Alex morder os lábios, ele estava escondendo isso a quanto tempo?
— Achei que não era importante — disse simples, Henry abriu a boca indignado.
— Estão te ameaçando e você não acha importante me dizer? Porra Alex, a quanto tempo? — perguntou e ele ficou em silêncio, suspirou vendo que isso causaria uma briga e era tudo o que menos precisavam nessa hora — Não estou bravo, só quero saber.
— Não tá bravo?
— Eu tô bem puto na verdade, mas não quero brigar com você — explicou e escutou a risadinha — Que foi? — franziu o rosto mais uma vez.
— Você fica lindo assim.
— Como era os caras que te bateram? Vou chamar eles pra terminar o serviço! — brincou e fez Alex dar uma risada alta, sorriu junto e segurou o rosto dele, deu um selinho com calma e respirou fundo de olhos fechados — Só não quero que esconda de mim por achar que vai incomodar.
— Desculpa.
— Desculpo — sorriu levemente — Posso colocar elas pra dentro e você contar tudo pra gente? Ninguém vai brigar com você.
— Você acabou de quase brigar comigo e…
— Tá tá tá — revirou os olhos e saiu da cama, foi até a porta escutando seu namorado resmungar — Eu quis dizer que nenhuma delas vai brigar com você, eu tô quase.
— Sinto saudade da guilhotina! — disse alto, viu Henry segurar a risada e abrir a porta, respirou fundo já esperando a briga que iria se formar naquele quarto. Estava acordado fazia duas horas desde que aconteceu tudo e tudo que menos queria era uma discussão, sua cabeça estava quase explodindo de tanta dor, realmente não queria ouvir sermão nenhum.
— Vocês podem entrar — a voz calma e séria de Henry tirou Alex de seus pensamentos, ele falava assim por ter sua mãe presente, ele mantinha o respeito pela presidente.
Os seguintes minutos foram torturantes para Alex, ele via o quarto se enchendo de pessoas, June, Nora, Leo, Ellen, dois médicos, dois enfermeiros e mais seguranças, sua mãe havia dobrado eles. Buscou Henry e viu ele no canto separado do resto, estava em silêncio e olhando tenso para si, respirou fundo e fez um gesto para que ele se aproximasse.
— Você vai simplesmente ignorar a gente porra?! — June reclamou, estava falando desde que entrou e Alex sequer escutou alguma coisa — Alex! — chamou e viu ele franzir o rosto.
— Calma caralho, para de gritar porra minha cabeça tá doendo! — soltou irritado, sentiu a mão do príncipe em seu ombro e soltou o ar, era bom ter Henry ali, ele o deixava mais tranquilo — Eu não entendi o que você falou — passou a mão na cabeça tentando aliviar a dor.
— Como isso aconteceu? Você sabia das ameaças e achou que era brincadeira Alex? Você não é um personagem de um livro imbatível! — June falava com hostilidade, estava brava, brava de ver seu irmão desse jeito, brava de ter acontecido aquilo e brava por não conseguir colocar para fora sem ser brigando.
— June! — Nora chamou.
— E qual a porra do seu problema de mandar a gente ficar longe daqui? “O senhor Claremont só permitiu a entrada do Príncipe Henry” — repetiu a voz do segurança, estava aumentando sua voz a cada palavra que saia de sua boca, seus olhos estavam se enchendo de lágrimas — Vai se foder Alex! A gente também pode cuidar de você!
— June! — foi a vez de Ellen chamar a filha.
— June o caralho! Estão ameaçando ele desde que eles se assumiram, ele escondeu todas as ameaças por não querer incomodar a gente! — olhou para sua mãe — Ele tá a quase um ano guardando isso pra ele, sendo que eu tô aqui, Henry tá aqui, Nora tá aqui, todo mundo tá nessa merda por ele! — estava chorando, respirou fundo pela décima vez — Então eu tô puta, e sei que tô passando do limite, mas porra, você sempre vai ser meu bebê e te ver assim…— olhava para seu irmão, secou suas lágrimas e se aproximou da cama — Eu quero destruir quem fez isso com você — disse mais calma — Pronto, que merda, agora me conta como aconteceu isso tudo — fungou o nariz e se sentou próximo ao seu irmão.
— Eu falo eu só…— sua mão ainda estava em sua cabeça, estava latejando.
— Ele precisa de um remédio — o príncipe avisou os médicos, eles concordaram em silêncio e foram pegar o que era preciso — Já passa amor — sussurrou no ouvido do moreno e beijou ali, viu ele se arrepiar e conteve a risada, não era um bom momento para uma piada maliciosa.
— Obrigado baby — segurou a mão do loiro que estava em seu ombro, teve a ajuda dele para sentar e viu Henry pegar o remedio com um copo d’água, sorriu com o cuidado.
— Pronto, volta a deitar vem aqui — Henry se apoiou na cama e puxou com calma Alex para seu peito — Tá confortável?
— Sim — se ajeitou um pouco mais e se cobriu, viu que as outras pessoas ali lhe encaravam com julgamento — Que foi?
— Você conseguia fazer tudo isso sozinho que os médicos avisaram que estava consciente, que porra é essa? — Nora perguntou rindo.
— Me deixa em paz, não é minha culpa se não tem um príncipe cuidando de você — revirou os olhos e escutou as risadas.
— Filho, você quer que a gente volte depois? Nós só queríamos ver você.
— Não mãe, eu vou contar tudo — falou calmo — Foi muito rápido, eu desci pra pegar um drink e já ia subir, falei pro serviço subir para o quarto que logo estaria lá.
— Eles foram? — Henry perguntou indignado, o moreno negou com a cabeça.
— Ficaram lá, aí avisei que ia no banheiro e que seria rápido, e aí que tudo começou — sua voz estava baixa e apenas o príncipe sentia o tremor que estava seu corpo. Alex queria adiar o quanto pudesse essa conversa, não queria esconder mas sentia medo, medo do que achariam dele, medo de acontecer de novo. Ele respirou fundo e continuou — Tinha cinco caras, um deles segurou a porta, três me seguraram e um me batia.
— E os seguranças?
— Eles não escutaram nada até eu conseguir gritar por ajuda, e demorou pra eu conseguir pedir ajuda, por isso tô todo fodido — explicou — Eles bateram muito na minha cabeça e no meu abdômen, me xingaram e enfim — encurtou, não queria falar mais nada.
— Por que tá com tipoia? — Nora questionou.
— Eles tiraram meu ombro do lugar por eu ficar me debatendo pra tentar me soltar, os médicos colocaram de novo no lugar e aí mandaram eu ficar com ela pra aliviar a dor.
— Também recomendamos um massagista — disse o médico da sala, concluindo o que o primeiro filho falou.
— Vou providenciar um imediatamente — a presidente alertou, escutou alguém murmurar — Oi?
— Eu posso fazer nele — Henry falou mais alto — Bom, eu, eu fiz massoterapia.
— Como que a família real não descobriu dele antes? — Nora perguntou baixinho, mas todos ouviram, arrancando risadas de cada um ali.
— Então ótimo, eu te pago o valor que pagaria para o massagista.
— Não precisa — deu risada e o silêncio no quarto veio, até Alex o quebrar.
— Pronto todo mundo já me viu, podem meter o pé daqui que não quero ninguém no meu quarto — resmungou se enfiando mais em Henry.
— Tava demorando — June revirou os olhos.
— Henry, querido, o quarto que separamos para você já está com sua bagagem, fica no fim do corredor — Ellen falou calma já se aproximando da porta, não viu o rosto franzido de seu filho.
— Que?! Ele vai ficar no meu quarto! — se levantou com dificuldade, estava pronto para bater boca.
— É que os médicos falaram que você tinha que ficar em repouso na cama — Henry explicou sem jeito, também não queria ficar longe.
— Eu tô pouco me fodendo para o que eles falaram, você vai ficar no meu quarto comigo, não quero ficar sozinho! — sua voz estava alterada.
— Tudo bem filho, mas os médicos e os seguranças vão ficar.
— Não, eu não quero ninguém além de Henry — sabia que parecia uma criança birrenta, mas porra, olha a situação que estava, podiam respeitar suas vontade pelo menos uma vez?
— Eu chamo caso ele precise de alguma coisa, não se preocupem — falou o mais calmo que conseguiu, sentia Alex tremer em seus braços — Vocês podem ir.
— Certo, boa noite meninos.
Henry se levantou para fechar a porta, esperou calmo todos sairem dali, escutou mandarem trazer sua bagagem para o quarto do Alex e respirou fundo, parecia que estava atrapalhando.
— Você não tá atrapalhando — o primeiro filho falou calmo, parecia que estava lendo a mente de seu namorado.
— Mas parece — disse sem jeito, se aproximou da cama — Te deram banho? Comida?
— Não, eu cheguei em casa faz três horas acho, tava no hospital apagado — falou mais calmo — Assim que eu acordei eles viram que eu tava estável e me trouxeram.
— O que você quer comer? — perguntou fazendo carinho no cabelo preto, viu o sorrisinho malicioso e riu ficando vermelho — Você sequer aguenta uma sentada minha, sossega esse facho.
— Isso é um desafio?
— Não! — riu alto — Agora me diz, o que quer comer? Vou pedir pra que tragam pra você enquanto te dou banho.
— Acho que quero chilli — pediu, era sua comida de conforto, lembrava sua infância e sua casa, não que ali não fosse sua casa, mas era diferente.
— Claro que quer — sorriu, sabia que ele comia isso quando estava triste, pegou o celular e digitou, rapidamente fez o pedido — Agora vem.
— Eu acho que consigo andar até…— se calou quando foi pego no colo facilmente — As vezes eu esqueço disso.
— O que? Que sou um homem que tem força pra te carregar?
— Tipo isso — riu — Pareço um bebê no seu colo.
— Você é.
— Calado — se arrumou no colo de seu namorado, olhou para ele — Posso me acostumar com isso.
— Não se acostume, eu sou o príncipe aqui — rebateu com tom de brincadeira.
— Você ta muito legal mesmo, tava estranhando, agora sua real personalidade apareceu.
— Qual minha real personalidade senhor Alex? — sorriu esperando, colocou ele sentado na pia do banheiro e foi encher a banheira.
— De um príncipe narcisista, irritante e…
— Tá bom, tá bom — calou o moreno com um beijo seguido de um sorrisinho.
— Eu tenho mais coisas pra falar!
— Claro que tem — revirou os olhos — O que mais?
— Eu tava com saudades — sussurrou, estavam a mais de um mês sem se ver, nenhum dos dois aguentava mais isso.
— Eu também meu amor — fez um carinho no rosto machucado — Agora tira a roupa.
— Mas já?!
— Pro seu banho idiota!
