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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-09-29
Words:
1,120
Chapters:
1/1
Kudos:
16
Hits:
66

Parque de diversões com direito a declaração

Summary:

Kaito tinha planejado perfeitamente aquela noite, finalmente teria coragem para se declarar para o seu amigo, de preferência, da forma mais clichê possível.

Notes:

Betado por Ignorants (Spirit)

Work Text:

Kei suspirou enquanto era puxado pelo amigo. Neste momento estaria estudando para a sua prova que iria ocorrer daqui duas semanas, mas Kaito, com o seu sorriso encantador e com suas palavras que o faziam perder o foco lhe tiraram de sua sessão de estudos, e quando menos percebeu estava sendo arrastado para aquele parque de diversões.

— É sério Kaito, preciso estudar. — sibilou, tentando inutilmente convencer o outro. — Você nem gosta dessa porcaria, muito menos eu. Fora que já é de noite. — grunhiu ao ser ignorado. O loiro apenas sorria diante da cara emburrada dele.

— Deixe de ser um velho ranzinza, Nagai.— falou o maior, após uns minutos. — Não há nenhum mal em deixar de estudar por algumas horas para se divertir… — “Comigo” completou mentalmente.

— Essas horas são fundamentais para o meu desempenho…

— Desempenho acadêmico e blá, blá, blá, eu sei my amore. Mas relaxa, você se sairá bem como sempre faz. — O loiro interrompeu. Kei não deixou de sentir seu coração falhar uma batida pelo apelido. Mesmo sabendo que ele tinha o costume de lhe chamar assim para apenas perturbá-lo, esse sentimento não iria passar, porque sempre esteve ali.

— Idiota. — murmurou, desviando o olhar.

O moreno deixou-se ser levado até a barraquinha de prêmios. Um brilho de expectativa podia ser visto sobre o olhar do outro, o que achou estranho — Kei já imaginava que ele estava aprontando algo. 

— Qual você quer? — indagou Kaito.

— O quê? — Kei riu, não sabendo o que responder. Olhou para todas aquelas pelúcias e voltou seu olhar para aqueles olhos dourados que pareciam o próprio Sol. Bufou, apontando em seguida para um ursinho de pelúcia bastante peculiar, o que arrecadou em risadas do loiro. — O quê? — tornou a perguntar, ficando vermelho. — É fofo.

— Fofo? Nagai, esse urso parece um fantasma estranho, é preto e nem olhos aquilo tem… Quer mesmo este?

— Quero. — sussurrou abaixando o olhar, com as bochechas ainda pintadas de vermelho. Kaito mordeu o lábio inferior e sorriu, aproximando-se do atendente que lhe entregou os três dardos. Era fácil, apenas precisava acertar os pequenos alvos, o que de fato foi fácil para si.

E ver aquele sorriso extremamente raro sobre os lábios do moreno apenas porque entregou aquela pelúcia, que em sua opinião era extremamente esquisita — não poderia evitar de se sentir bobo. Estava cada vez mais incentivado a seguir em frente com o seu plano.

Em vez de puxá-lo pelo pulso como antes, teve uma leve ousadia em pegar sua mão e levá-lo até a tenda que vendia pipoca. Gostava daquele misto de sensações, mesmo que aquele frio na barriga causado pelo medo ficasse constantemente lhe perturbando.

— Qual é o seu jogo? — questionou Kei, querendo dar um basta naquela curiosidade que o corroía.

— Não sei do que está falando… — disse o loiro, pegando um punhado de pipoca e comendo. O moreno semicerrou os olhos, não poderia cair na lábia dele. 

— Ah, então de repente você, que odeia parque de diversões vale ressaltar, resolveu atrapalhar meus estudos, sendo que sou perfeccionista ao nível extremo ao ponto de ser chato e gostar de manter a média 10 na universidade, para me trazer aqui… Qual é Kaito, me diz, o que está aprontando?

O loiro sorriu de canto e aproximou-se perigosamente do menor que arfou. Kaito assoprou no rosto do outro e depois afastou-se, sorrindo.

— Nada. Só queria passar um tempo com o meu amigo que vive enfurnado no dormitório, não posso? 

— Pode. — sussurrou, não olhando nos olhos do maior, que se aproximou de si. Mas acabou travando e afastando-se,  pois ainda não era o momento. Desviou o olhar para o relógio que tinha na tenda, vendo que estava quase na hora.

— Vamos… — Novamente pegou em sua mão e sorriu quando captou as orbes negras do menor. Amava olhar em seus olhos, que sempre que brilhavam naquela cor ônix, era como se estivesse olhando para o céu estrelado — era perfeito.

Levou Kei até a atração principal: a roda gigante. Seu plano se concretizaria ali, apenas torcia para que tudo desse certo. Em meios aos resmungos do moreno que estava reclamando sobre como odiava coisas altas, parecendo um velho em sua opinião, eles entraram na cabine.

Conforme subiam a ansiedade percorria pelo corpo do loiro, o que chamou a atenção do menor, que tentou pronunciar algo. No entanto teve sua fala cortada pela roda gigante que parou de funcionar, indicando a eles que estavam no topo.

— Que merda é essa?! — exclamou, arregalando os olhos. O parque inteiro teve suas luzes apagadas e o silêncio predominou, até que fogos foram lançados ao céu, clareando aquela noite estrelada. 

— Uou… — disse Nagai, encantando-se com aquela visão. — Que lindo… — Sua voz, não tinha passado de um murmúrio.

— Não mais que você… — Kaito também murmurou, ao que Kei desviou o olhar para ele, que sorriu.

— O quê? — Ele tinha escutado, mas não acreditava. O sorriso de Kaito se abriu ainda mais enquanto impulsionava seu corpo para perto do menor. Tocou nos fios negros que faziam questão em cair nos olhos alheios. O loiro não conseguia deixar de sorrir — suas mãos suavam e seu coração parecia uma bateria de tanto que batia. Estava nervoso, em pânico, mas precisava seguir em frente.

— Eu gosto de você, Nagai. Gosto do seu jeito meticuloso sobre as coisas, mesmo que me irrite. Amo seus olhos que fazem sentir que estou em uma noite estrelada, os quais iluminam o meu dia. Seus sorrisos tão discretos e adoráveis, seu jeito de ser um velho ranzinza... tudo em você me faz querer estar ao seu lado, a cada momento, seja no bom ou ruim. 

Kei engoliu seco. Estava nervoso, vermelho, com vergonha e feliz. Sorriu e, sentindo o seu coração a mil, puxou a gola da camisa do loiro, juntando as suas testas e fechou os olhos.

— Seu plano foi basicamente me trazer ao parque de diversões, para uma roda gigante, com fogos para poder se declarar?

— Foi. — disse Kaito rindo, embora estivesse ficando nervoso pela falta de resposta. 

— Sabia que poderia ter feito isso no dormitório?

— Mas daí não iria ser clichê.

— E quem disse que eu gosto de um clichê? — Com essa pergunta, Nagai abriu os olhos e encarou atentamente as orbes douradas do maior.

— Bom, os filmes que você me faz assistir não me dão muita opção de pensar ao contrário. — resmungou o loiro, ficando abobado em ver um largo sorriso no rosto do menor, este que se aproximou de si dando um leve selar sobre seus lábios.

— Eu também gosto de você. — Kei sussurrou sem se afastar, como se tivesse contado um segredo.

Kaito sorriu e não tardou de beijá-lo profundamente. Não era importante que os fogos tinham parado ou que a roda gigante tinha voltado a funcionar. Naquele momento, era apenas Kaito e Nagai.