Actions

Work Header

QSMP ( Q!Cellbit ) - O Pesadelo de Cellbit

Summary:

"O detetive sempre notava quando estava sonhando, mas nunca era capaz de mudar o rumo do que sua mente criava. Era sempre como assistir um filme, e este era um que nunca vira antes."

Q!Cellbit estava exausto depois das últimas semanas estressantes. Os ovos continuavam desaparecidos, uma estranha estrutura havia aparecido atrás da casa de Luzu, um novo Cucurucho foi encontrado, roletas estavam por toda a parte... Ele não planejava dormir, mas seu corpo venceu a batalha e o homem acaba sonhando com seu passado.

Notes:

Não irei usar "Q!" apenas por motivos estéticos, mas a história é sobre os personagens, não sobre os streamers!!!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

  Cellbit não planejava dormir. Os ovos continuavam desaparecidos e alguém na ilha sabia onde estavam, uma estranha estrutura havia aparecido atrás da casa de Luzu, um novo Cucurucho foi encontrado por Tubbo e Slime, roletas estavam por toda a parte e haviam tantas perguntas sem respostas, de investigações anteriores… mas quando encostou-se na cama que compartilhava com o marido, com a intenção de lhe dar um beijo, foi incapaz de levantar. Sua mente era uma confusão de informações e teorias, mas seu corpo estava exausto de tantas noites em claro lendo e relendo seus documentos.

  — Cochilar por dois minutinhos não vai fazer mal… — e logo adormeceu.

 

  O detetive sempre notava quando estava sonhando, mas nunca era capaz de mudar o rumo do que sua mente criava. Era sempre como assistir um filme, e este era um que nunca vira antes.

 

  Ele segurava a mão do Urso. Não o de seu melhor amigo, mas aquele mais sério, o que Cellbit secretamente temia. Eles caminhavam pelos corredores brancos e imaculados do que o homem, não, garoto , acreditava ser a Federação. Nunca havia estado naquele lugar, mas era parecido com outras construções da organização, então não foi difícil de se presumir.

  Cellbit era uma criança e sentia medo. Os dois, garoto e Urso, passaram por diversos escritórios com portas fechadas. Tudo era silencioso, mas Cellbit tinha certeza que não estavam sozinhos naquela construção. Quem quer que morasse ou trabalhasse naquele lugar, apenas permanecia calado e isso piorava sua ansiedade. Ele tentava se concentrar nas placas que via junto às portas, nos poucos cartazes presos à parede, nas lombadas de livros dispostos nas estantes ou nos corredores que entravam, mas era como se fosse incapaz de reter até a menor das informações. Apenas percebia sua respiração falha, a palma da mão suar em contato com a pata do Urso e notava o canto do sorriso rosa em contraste com o pelo branco do animal.

  — Por que você me trouxe aqui? — perguntou tentando manter a voz firme, mas estava apavorado.

  — HA HA HA — foi a única resposta.

  Cellbit já esperava ouvir aquela risada robótica. Nas suas prévias tentativas de conseguir informações daquele Urso, todas resultaram em fracasso. Talvez ele fizesse as perguntas erradas ou talvez apenas estivesse aterrorizado de fazer as perguntas certas. O garoto se questionava se sua curiosidade o fizera parar ali, naquele lugar, sendo levado para sabia deus onde , porém se fosse o caso, queria dizer que…

  — Minha irmã vai ser trazida pra cá também? — Por favor não, por favor não, por favor não

  — HA HA HA No.

  Respirou aliviado. Ok, o que quer que acontecesse com ele, estaria tudo bem enquanto sua irmã não fosse alvo desse animal bizarro . Ela era tão curiosa quanto Cellbit, por vezes não muito discreta em suas perguntas, mas se um dos dois tivesse que enfrentar o que quer que a Federação havia preparado, esse alguém tinha que ser ele, afinal era o irmão mais velho!

 

  Cellbit tentava lutar contra seu próprio sonho na intenção de conseguir alguma informação. Seria aquilo uma memória? Ele tinha uma irmã?! Quem era ela? Mas era impossível, tudo que o detetive podia fazer era ser um expectador do que quer que viria a seguir.

 

  Ele e sua irmã sabiam que a Federação era do mal . A organização dizia querer proporcionar a vida perfeita para seus habitantes, mas os gêmeos viam através daquelas mentiras. Ainda não haviam tido sorte em encontrar provas, e os adultos os chamavam de paranóicos, mas as crianças sabiam a verdade. Os mais velhos, sem exceção, amavam a ilha, mesmo com seus perigos, mesmo com os desaparecimentos, mesmo não sendo capazes de partir. Quando algo terrível acontecia, ficavam revoltados, porém os dias se passavam e logo era como uma memória vaga e estavam felizes de novo. Cellbit e sua irmã tinham certeza que a Federação estava mexendo com o cérebro dos adultos, então eles não eram nada confiáveis.

 

  Cellbit tinha esses pensamentos correndo por sua mente e se solidarizava com essa versão jovem dele, sendo real ou não. Era uma merda ter todos duvidando de você, ele sabia muito bem disso…

 

  Por fim, garoto e Urso pararam em frente a uma porta. Com um cartão vermelho em mãos, o animal o encostou em um leitor de cartão e logo a porta se abriu.

  — Please, go inside.

  — O que? Não, eu não que… — Mas antes que pudesse terminar a frase, foi empurrado para dentro pelo Urso e logo a porta se fechou.

  — Ei! — Ele começou a gritar enquanto socava a porta. — Ei babaca, abre a porta! Abre a porta! Abre a porta!

  Mas o Urso não lhe deu atenção. Cellbit se virou para olhar o ambiente em que foi aprisionado e era um pequeno quarto branco com uma cama, uma escrivaninha, um armário e uma porta que levava para o que logo ele descobriu ser o banheiro. Não havia ninguém mais ali. Ele estava sozinho pela primeira vez em sua vida. O medo que sentia finalmente tomou conta de seu corpo e ele desabou no chão chorando e se abraçando.

  Quando levantou o rosto novamente, estava no que parecia ser uma sala de aula. Cellbit estava sentado numa carteira com uma prova e uma caneta na mesa, o Urso observava ele e seus colegas e havia um clima tenso no ar. O garoto sabia que aquela prova era importante e que definiria seu futuro, possivelmente todos sabiam.

  Seu amigo soluçava baixinho na carteira ao lado. Cellbit não conseguia ver por causa da franja consideravelmente comprida e escura do garoto, mas tinha certeza que ele estava chorando.

 

  Mais uma vez Cellbit tentava descobrir qualquer nova informação, mas era inútil e enfurecedor. Não conseguia lembrar do rosto do garoto que fora tão gentil com ele…

 

  Cellbit estava naquele lugar, vivendo naquele quarto, já há algum tempo. Duzentos e quarenta e um dias, se suas contas estivessem corretas.

  Ele estava cansado. Quase não dormia, porque isso queria dizer menos tempo para estudar para seus testes e se suas notas fossem algo menos do que perfeitas, significaria dor.

  O garoto era considerado sortudo entre seus colegas, afinal os cientistas usavam choques para lhe castigar. Não haviam machucados nem mutilações em seu corpo como em algumas outras crianças, mas Cellbit não se sentia menos infeliz. Haviam momentos em que ele acreditava que não aguentaria viver mais um dia sequer. Códigos e cifras rodopiavam em sua mente e algo que um dia ele amara, passava a se tornar o que mais odiava. Mas continuava a aprender e ler e estudar tudo o que lhe entregavam como se fosse seu único alimento.

  Sua mente foi pouco a pouco se quebrando e ele passava a duvidar que algum dia fora feliz.

 

  Mas ele já foi feliz? Talvez, um pouco.

 

  Houve um dia que ele vivera em uma casa normal e teve uma vida normal com uma família normal?

 

  O que era normal?

 

  Ele realmente tinha uma irmã? Se tinha, onde ela estava? Por que não havia lhe encontrado e lhe salvado?

 

  É verdade.

 

  Apenas os livros que a Federação lhe dava eram reais. E a dor, a dor era muito real.

 

  Tudo dói.

 

  Às vezes acreditava que seu amigo era fruto de sua imaginação, mas os gritos dele eram bem, bem reais também.

 

  Quem era mesmo ele? Ele parecia familiar. E eles fizeram uma promessa...

 

  Ele e seu amigo fizeram uma promessa, usando um dos últimos códigos que Cellbit havia aprendido. Eles escapariam daquele local. Juntos.

 

  Mas não foi isso que aconteceu.

 

  Sua mente era uma confusão e ele era incapaz de enxergar no meio das lágrimas que transbordavam de seus olhos. Eles haviam lhe punido de novo e tudo doía, sua existência doía, e Cellbit só queria que acabassem logo com aquilo.

  E então realmente acabou, mas era impossível de comemorar porque a dor permanecia, como um fantasma. Ele foi levantado com gentileza pela primeira vez do que pareciam séculos e levado por corredores intermináveis. Cellbit era como um zumbi, andando por instinto e por causa da mão apoiada em suas costas. Depois do que pareceram horas, ele estava sendo guiado para dentro de um navio. Uma porta abriu e ele e o companheiro que o guiava entraram no que parecia ser uma área para estocar mantimentos.

  — Onde estou? — Cellbit queria fazer milhares de perguntas, mas estava exausto. Ele apenas se deixou ser guiado mais uma vez para trás de enormes caixas e coberto por uma lona pelo… Urso?

  — Ei! — O garoto enfim entendeu o que estava acontecendo. Era o seu melhor amigo! O que sempre brincava junto dele e de sua irmã! Como não havia notado? — Você… você veio me salvar!

  — Yes .

  — Obrigado, muito obrigado! — Apesar de todo o medo e desespero, sentia alívio. Talvez finalmente se veria livre de toda a dor, mas…

  — Eu vou voltar pra casa? E também, tem um amigo meu lá na Federação, você não pode… — O urso lhe interrompeu.

  — No .

  — Mas…

  O urso cobriu sua boca com a pata e, com a outra, fez sinal de silêncio. Haviam pessoas por perto. Quando seu melhor amigo lhe soltou, Cellbit sussurrou.

  — Ok, vou confiar em você. — E se escondeu o melhor que pode debaixo da lona. Ele logo estaria muito longe dali, muito longe da dor e da confusão e do medo e da obsessão. Ele voltaria a ter uma vida normal!

 

  E então vieram os gritos.

 

  Cellbit estava no meio de um campo de batalha. Foi para lá que seu melhor amigo o havia mandado. Ele não estava a salvo. O Urso mentiu para o garoto, ele o traiu.

 

  O que esperava vindo de um funcionário da Federação?

 

  Havia sangue, sangue por toda a parte, e pessoas gritando. Cellbit não queria morrer, precisava voltar para… ele precisava voltar… para onde precisava voltar? Não, ele apenas não queria morrer, e com uma espada na mão e com toda a força que tinha, a enfiou no peito de um homem que o tentava matar. E seu mundo se encheu de mais sangue, havia sangue em seu corpo, em seu rosto, em seus olhos, em sua mente, em seu estômago…

 

  — Ey Cellbo — a voz rouca e sonolenta de Roier o guiou para fora daquele pesadelo. Cellbit estava de volta, deitado na cama, suando frio e com o coração quase explodindo no peito. Sua garganta doía um pouco e ele se questionou se estivera gritando enquanto dormia. — Está bien, está tudo bien. Estás a salvo mi amor, estoy aquí. — Disse enquanto o abraçava e passava os dedos pelos seus cabelos, de maneira suave e tranquilizadora. — Calma gatinho, calma.

  Cellbit se afundou naquele abraço, escondendo o rosto no pescoço do marido. Ele estava com muito medo, do seu passado e do seu futuro e do que sua mente tentava lhe mostrar, mas ali, naquele momento, nos braços da pessoa que mais amava, tinha a esperança que tudo daria certo. O detetive precisava acreditar naquilo ou sentia que seu mundo, e ele mesmo, se quebraria.

Notes:

Mais uma fanfic do passado dos "gêmeos do mistério" saindo do forno!
E sim, estou manifestando MUITO que eles tenham ligação com o Evil Cucurucho, quero meus cubitos preferidos tendo crises de identidade e se perguntando onde sua lealdade realmente está hehehe
Aliás, eu comecei a escrever essa história um dia antes da Bagi encontrar a casa que dividiu com o irmão e aquela placa de "Desaparecido", não vejo a hora de essa lore ser desenvolvida ainda mais!
Nossa, como eu amo QSMP :D

P.S.: Estou pensando na possibilidade de escrever sobre esse ~amigo~ do Q!Cellbit, let me cook.