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Hokus Pokus

Summary:

Do Kyungsoo é um bruxo solitário que está investido em pesquisar poções e todos seus benefícios mágicos, Chanyeol é um elfo arqueiro meio humano devoto ao Deus Hermes. Em meio a grande celebração da lua sangrenta, eles se casam sem querer perante as bênçãos de Hera, causando uma comoção no mundo mágico. Agora eles tem que lidar com essa união mágica aparentemente inquebrável.

Notes:

Essa fanfic é inspirada em "um jogo de amor em Las Vegas", a fanfic zimzalabim da brujadelmar, numa onda de imagens inspiradores e provavelmente das vozes da minha cabeça.

Chapter 1: Vínculo Mágico

Chapter Text

Capítulo Um 

Vínculo Mágico 

 

 

  Kyungsoo não conseguiu entender o que o levou a cometer tamanha loucura em quase seus oitocentos anos de vida. Talvez a atmosfera da noite anterior com todas as luzes que ofuscaram seus olhos tenha ajudado ou talvez fossem as bebidas líquidas humanas – muito boas por sinal – misturadas com as poções de embriaguez das bruxas do clã do norte. Tudo o que ele dá conta é que acorda no chão de sua casa – morava dentro de um casebre torto de carvalho localizado no meio da floresta, então o chão era bem duro – enrolado em seu cobertor branco e grosso, este sendo a única peça que escondia sua nudez absoluta por baixo da manta. 

 

Ao seu lado, uma criatura mágica – ainda não identificada – dorme profundamente. Ele franziu a testa tombando a cabeça de um lado para o outro tentando identificar que era aquele que, inclusive, estava tão nu quanto si próprio. 

Como foi tão imprudente ao ponto de levar uma criatura não identificada para dentro de sua casa?

 

O sexo foi o de menos.

 

 Suspirou cansado uma, duas, três vezes antes de se sentar.

O bruxo sibilou algum feitiço em latim e logo um sapo apareceu pulando para lá e para cá tentando segurar seu chapéu de palha. Do viu que tinha errado o feitiço. 

O anfíbio pulou na cabeça do “feiticeiro” que possuía os cabelos negros arrepiados como se ele tivesse acabado de levar um choque.

 

— Preciso das minhas roupas… – ele murmurou para o pobre sapinho que nada fez além de botar a língua para fora. – Estou meio zonzo, acho que ainda estou sob efeito das bebidas humanas.

 

A criatura ao lado grunhiu alto entre o sono e virou de barriga para cima. Ele tinha um cabelo vermelho encaracolado e possuía orelhas grandes e pontudas. Ele também era bem visto que o cobertor não conseguia o cobrir por inteiro, seus pés ficaram de fora da manta e daquela cama improvisada. O bruxo tentou deduzir se ele era um humano, um elemental ou uma espécie de elfo – rezando para não ser a última opção pois todos sabem a fama que essas criaturas têm.

 

Kyungsoo botou uma das mãos na cabeça sentindo-a latejar enquanto com seus dedos livres fazia movimentos de conjuração. 

 

Uma cueca de bolinhas entrou pela porta do quarto sendo carregada por ramos de erva daninha, parecia que a peça de roupa dançava enquanto serpenteava pelo ar, ela pousou rapidamente nas mãos calejadas do bruxo e o mesmo vestiu, se levantando abruptamente carregando a coberta consigo. 

 

Olhou para trás pelos ombros e notou o ser encolhido – e ainda pelado – por conta do frio daquela manhã de outono. 

 

—Minseok! – o bruxo pareceu assim que pisou os pés na minúscula cozinha chamando por seu fiel escudeiro, um gato branco que pouco combinava com sua estética gótica. – Preciso de carne.

 

Kyungsoo encolheu tudo dentro da coberta sentindo seus pés gelados por conta do chão de madeira. – Onde estão minhas meias? – sussurrou.

 

O gatinho branco logo apareceu pulando pela janela aberta da cozinha com folhas de camomila em sua boca. Ele se chacoalhou todo tentando tirar o sereno naquela manhã do seu pêlo fofinho.

 

— Onde você estava? Voltou tarde ontem…. – O gatinho miou enquanto perguntava lambendo as patinhas fofinhas. – Estive te procurando a noite toda! Sabia que choveu?!

 

O bruxo ignorou momentaneamente seu familiar e torceu o nariz, seu rosto ficou mais vermelho que seus tomates demoníacos quando viu suas meias de abóboras jogadas em sua escada para o sótão. O Do nem queria pensar no motivo delas estarem ali.

 

— Fui à celebração da lua sangrenta, fui convidado. – ele comentou indo em direção ao seu caldeirão que sempre aparentava fumegar algo. – Não acredito que deixei essa poção tanto tempo aqui…. 

 

O gatinho soltou a camomila nos pés do seu dono que estava ocupado demais se lamentando pela poção aparentemente perdida. Minseok esfregou seu corpinho fofo nos pés do bruxo – Certo que o ato de carinho pegou mais no cobertor felpudo do que de fato nas pequenas pernas do Do. 

 

 — Esqueci que é quase dia das bruxas! — comentei o gatinho. Essa celebração só acontecia perto desse dia como uma forma de homenagear as grandes feiticeiras do passado.

 

— Até Kyungsoo esqueceu! – Jongdae, o sapo, comentou risonho pulando da cabeça do Do até o chão onde espreguiçou suas pernas longas. – Ficou muito ocupado ontem se empanturrando de elixir de gengibre.

 

Minseok riu.

 

Kyungsoo revirou os olhos e arranjou uma colher de madeira para mexer os novos ingredientes que adicionou ao caldeirão. Língua de salamandra, cristal da terra, camomila e pó de barata. Minseok fez uma careta assim que sentiu o fedor da mistura, Jongdae fez o mesmo enquanto pulava para descansar na cabeça do gato. 

 

— Jongdae nem estava lá para saber. – comentou seco. 

 

Quem visse Kyungsoo todo enrolado naquela coberta com os cabelos arrepiados até os céus nunca pensaria que ele tem mais de setecentos e cinquenta anos e poderia amaldiçoar toda sua família em um único balançar de dedos. 

 

Olhando assim ele só era um cara fofinho cozinhando uma comida para curar a ressaca.

 

— Preciso de lebre. – comentei alto, mas certamente foi para atingir o gato que era o caçador oficial do bruxinho.

 

Minseok revirou os olhos e Jongdae riu. — Você devia ter uma geladeira, sabia? Até Baekhyun tem uma e ele mora literalmente no inferno! 

 

O bruxo encarou seu familiar com um olhar mortal enquanto apontava a ponta da colher em direção ao gatinho que engoliu o seco e correu para se esconder debaixo do sofá. – Traz o que eu pedi ou te transformarei em uma lesma!

 

O pobre gatinho nem teve tempo de rebater pois sons demoníacos soaram por toda a casa e um vento forte varreu todas as páginas descoladas de livros de feitiços e poções que viviam espalhadas por ali. 

 

Aquela cabeleira castanha não enganava quem seria o novo convidado de Kyungsoo.

 

– Falando no diabo… – Jongdae suspirou.

 

— Kyungsoo! Eu preciso de mais uma daquelas poções de transformar um membro do corpo em um inseto. Transformei as pernas de Jongin nas de uma cigarra! – Baekhyun comentou rindo enquanto saia pelo portal com um embrulho em mãos. – Foi tão engraçado!

 

Byun Baekhyun era um demônio. Literalmente. Sua missão era atacar a vida dos humanos e fazer com que eles ficassem infelizes, todavia sua maior diversão era irritar todas as criaturas da floresta como Kim Jongin, uma ninfa da parte leste da mata. 

 

A verdade era que Baekhyun odiava os humanos e os seres patéticos.

 

O demônio fez uma careta sentindo um cheiro irritante no ar.

 

— Credo, Kyungsoo! – ele exclamou. – Você fede a sexo!

 

O bruxo revirou os olhos.

 

— O seu parceiro deixou um fedor em você.. – o Byun fez uma careta tampando o nariz. — Que essência interessante.

 

Minseok chegou mais perto, com Jongdae sempre em seu encalço. 

 

O gatinho tentou farejar o dono mas só conseguiu captar aroma de abóboras maduras, madeira seca e terra úmida. Nada fora do comum.

 

— Não tem parceiro nenhum Byun. Não quero falar sobre isso. — Kyungsoo comentou tirando um pouco do líquido do caldeirão e despejando em uma tigela. — O que é isso nas suas mãos? 

 

— Um presente! 

 

— Pra mim? 

 

Baekhyun não respondeu pois ficou distraído com a "sopa" do bruxo, tomou uma tigela das mãos de Kyungsoo e cheirou. – Que merda é essa?

 

— Poção revigorante.  

 

Byun fez uma careta de desgosto. — Que cheiro horrível!

 

— Responda minha pergunta Byun!

 

As poucas janelas fechadas da casa começaram a vibrar sendo até estilhaçadas em mil pedacinhos, no susto, Kyungsoo praguejou palavras amaldiçoadas fazendo sua sopa borbulhar e explodir.

 

— Droga! 

 

Jongdae que estava sentado na cabeça do gatinho ficou todo ensopado - literalmente. — Que merda, Kyungsoo!

 

Um vento forte soprou os estilhaços para os pés do bruxo, a madeira abaixo de seus pés vibrou e por entre uma fresta de seu telhado escorreu várias flores de cores diferentes. Uma rosa roxa chamou a atenção do "feiticeiro".

 

— Não sabia que você cultivava flores… — Minseok comentou. 

 

— Não cultivo! Muito menos rosas roxas.

 

— Casamento….

 

Uma nova voz se fez presente, uma bem grossa e que o bruxo e nem ninguém naquela sala tinha familiaridade, Kyungsoo olhou para trás e quase caiu seco no chão, Baekhyun sentiu-se assustado e Minseok fez uma careta. – Jongdae apenas pulou de um lado para o outro tentando entender a situação.

 

A criatura, que tinha acabado de sair pela porta do quarto do bruxo, estava completamente nua e com os cabelos todos desgrenhados.

 

Kyungsoo correu – tentando não tropeçar no tecido que o cobria – e jogou todo o cobertor em cima do mais alto que ficou confuso por um momento pois só depois percebeu que estava como viera ao mundo. As orelhas pontudas da criatura ficaram cor de rosa.

 

Baekhyun assobiou analisando o amigo de cima a baixo. — Belas coxas, Senhor Do.

 

O bruxo olhou para si mesmo percebendo que ainda estava só de cueca e ficou envergonhado puxando um pedaço do cobertor para se cobrir. — Não consigo conjurar minhas roupas.

 

A criatura limpou a garganta num barulho, suas orelhas ainda queimavam. Parte pela vergonha de estar pelado e outro pelo comentário do demônio ao baixinho.

 

— Rosas roxas significam amor ou casamento… — uma criatura se pronunciou desconcertada olhando de canto para todos os outros presentes na casa. Olhou para baixo nos olhos do bruxo que tentava se cobrir junto com a coberta. – Merda!

 

Todos olharam para a nova figura do local confusos pelo xingamento repentino.

 

— Não me diga que eu transei com alguém casado! — Kyungsoo se engasgou pelo comentário. 

 

— O quê!?

 

A risada estridente do demônio preencheu toda a sala.

 

— Não me leve a mal bruxinho, você é bem gostoso. — Ele explicou ainda olhando nos olhos enormes do mais baixo. — Mas ficar com pessoas comprometidas não é legal.

 

Todo o rosto do bruxo assumiu uma coloração vermelha, mas não por vergonha, dessa vez, foi por raiva.

 

— Não sou casado, seu orelhudo! — esbravejou dando uma empurrada leve no mais alto. — É melhor você sair da minha casa, agora!

 

Baekhyun riu ainda mais alto.

 

— Qual a graça, demônio? — o orelhudo perguntou.

 

O de cabelos castanhos fingiu limpar uma lágrima. — Não acredito que achou que eu fosse casado com o Soo! Sinceramente elfo, achei que teve mais respeito pelo seu marido.

 

Os dois homens enrolados no cobertor olharam para o diabinho como se o mesmo tivesse duas cabeças a mais. 

 

— Marido!? 

 

Os dois gritaram em uníssono. Desacreditados.

 

O bruxo virou o olhar para a criatura ao seu lado. — Você é um elfo!?

 

— Elfo!? — Jongdae exclamou. O elfo revirou os olhos.

 

— Eu tenho um nome! Chanyeol!

 

— Como vocês se casam e nem sabem o nome um do outro? — Minseok disse com aparência.

 

— Ninguém aqui se casou! — o bruxo exclamou irritado balançando os dedos em círculos, em sua frente caiu uma camisa grande azul marinho. — Finalmente deu certo!

 

— Todos estão falando disso. —Baekhyun explicou. — É a notícia do momento, tive que vim ver com os meus próprios olhos.

 

Kyungsoo se distanciou do elfo assim que se vestiu processando aquela informação em sua mente. — Impossível….

 

— Quando eu estava no mercado negro todos estavam comentando que um ser bruxo havia se casado, nunca achei que tivesse sido você! — Jongdae coaxou.

 

— Eu estou muito fodido. — o elfo ponderou enrolando a coberta na cintura deixando todo seu peitoral malhado exposto.

 

— Veja pelo lado bom Soo! Pelo menos seu elfo é gostoso e sarado. — Minseok comentou alto enrolando-se nas pernas de Chanyeol. 

 

— Ele fede mais que um elfo normal. — Baekhyun franziu as sobrancelhas numa careta.

 

Chanyeol ficou ofendido.

 

O demônio pegou o embrulho e foi em direção ao amigo que estava amassando saquinhos de chá de maçã e erva doce em um bule. — Trouxe um presente de casamento.

 

O elfo se aproximou das duas criaturas perto daquele balcão improvisado, curioso com o que o bruxo fazia. 

 

— Afaste-se elfo! - Kyungsoo Brandou.

 

Revirando os olhos, Chanyeol deu um passo para trás. — Que bruxinho mais mal humorado….

 

O bule foi todo preenchido por água quente que saia da torneira da casa. Kyungsoo jogou o chá fora, restando apenas o resto das ervas no fundo do bule onde o bruxo pode começar a ler o que aquilo tinha a lhe dizer.

 

— Achei que gostava mais de ler essas coisas com tarot… — Minseok comentou também curioso.

 

— Tragédias são melhores lidas assim….  

 

O Do fez uma careta.

 

— O que diz?

 

O silêncio foi garantido por alguns minutos antes de Kyungsoo abrir sua boca para falar. — Vínculo Mágico….

 

A realidade pareceu pesar nos ombros dos dois envolvidos dessa confusão. Vínculos Mágicos eram raros e imprecisos.

 

— Hera estava na celebração…. — Chanyeol comentou alto, se lembrando de coisas que não gostaria.

 

— Por Hécate! — foi a vez de Kyungsoo exclamar.

 

Vínculos Mágicos são apenas realizados quando criaturas são almas gêmeas ou quando obtêm a benção de algum Deus. Essa união é muito difícil de ser quebrada. 

 

A bênção de Hera é a mais poderosa já que ela é a deusa do casamento sendo assim, o vínculo é praticamente irreversível.

 

Minseok não pode evitar rir.

 

— Vocês se casaram com a benção de Hera! — Baekhyun comentou rindo. — Isso é do caralho!

 

— Então os rumores de que os ventos sussurram eram certos! — Jongdae disse meio risonho. — Hera realmente abençoou uma união ontem.

 

Kyungsoo caiu sentado em uma cadeira bamba de madeira de sua cozinha. — Não pode ser….Eu nem me recordo de como isso aconteceu!

 

— Muito menos eu…. — Chanyeol comentou botando as mãos no rosto e esfregando-as freneticamente. Ele gruniu. — Eu tava tão perto….. — Se lamentou de algo.

 

Baekhyun olhou de canto para Minseok e Jongdae que ainda estavam rindo.

 

— De todos no mundo que eu achei que pudessem se casar, Kyungsoo era a última pessoa que eu imaginaria casado. — Baekhyun comentou com um sorriso de orelha a orelha.

 

Kyungsoo suspirou derrotado. — Cala boca Byun. Vai embora.

 

Uma carranca descontente apareceu no rosto do demônio. — Credo! Como você tá azedo.

 

— Eu preciso pensar!

 

O demônio olhou no fundo dos olhos do bruxo antes de dar de ombros. "Então vou indo" e assim ele desapareceu em um portal com gritos estridentes e um fedor de enxofre. 

 

Kyungsoo esfregou as meias de seus pés tentando se lembrar onde estavam todas as suas velas aromáticas para dissipar todo aquele sentimento ruim, chegou a conclusão que deveria estar na parte mais alta do sótão perto das aranhas-morcego e das sanguessugas. Quando fez menção de se levantar sentiu uma presença enorme por trás, se virou rapidamente onde pôde perceber o enorme elfo ainda ali em pé e pelado — a coberta cobria suas partes íntimas.

 

— O que você ainda está fazendo aqui? Achei que tinha sido claro ao falar para você se afastar.

 

— Eu me afastei. 

 

— Quando eu disse "afastar" quero dizer para ir embora da minha casa!

 

Chanyeol riu incrédulo. — Você se casa comigo e agora me manda embora? Achei que você seria melhor que isso abobrinha.

 

— Você se casou comigo! — Kyungsoo apontou o dedo no rosto da criatura. — Eu sou um bruxo solitário, vivo sozinho na MINHA casa!

 

Chanyeol deu um leve tapa na mão do feiticeiro que apenas o olhou de forma quase mortal.

 

— Essa é uma das graças do casamento abobrinha, divisão de bens. — comentou sarcástico. — Graças a essa união, eu não tenho mais pra onde ir!

 

Kyungsoo riu irônico. — Isso não é problema meu elfo! E não me chame de bobrinha.

 

— Não foi isso que você disse ontem à noite.

 

Kyungsoo ficou vermelho e suas sobrancelhas se curvaram numa carranca.

 

 — Chega! Vai embora daqui antes que eu o transforme em sapo ou pior! Numa mosca!

 

O bruxo puxou o elfo até a saída onde o empurrou para fora trancando a porta vermelha com força dando apenas para ouvir as batidas frenéticas das grandes mãos elficas numa súplica para o outro homem o deixar entrar.

 

— Kyungsoo!

 

Foi o último grito que o bruxo conseguiu ouvir antes de virar de costas indo em direção ao quarto onde disse a si mesmo que merecia um pouco de descanso antes de começar a pesquisar como reverterá toda aquela confusão de sua vida.