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Fandom:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-10-30
Words:
613
Chapters:
1/1
Kudos:
10
Bookmarks:
1
Hits:
102

Grudados que nem cola.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Bagi levou a xícara aos lábios com a intenção de desfrutar do chá de morango, mas estava frio. Ela procurava minuciosamente por qualquer tipo de pista, seus olhos saltavam entre anotações e seguiam fios rosas que interligavam fotos.

Inútil. Sua minúcia não era capaz de encontrar nada novo, ela havia secado o poço, mapeado todo caminho sem saída, questionado o inquestionável. Mas era impossível, seu irmão foi visto pela última vez sete anos atrás, andando na praça, pela dona da padaria (o que Bagi considerou um depoimento válido por puro desespero, já que ela não conseguiria diferenciá-los nem se usassem crachás), às seis e quarenta e nove da tarde.

Bagi estava muito perto, essa era a realidade, seus olhos procuravam por detalhes sem ter o retrato maior, focavam nas pinceladas sem ver a pintura. Ela precisava se distanciar, sair dessa ilha infernal em que ela não consegue parar de ver seu irmão onde ele não está. Ninguém se importaria, não o suficiente para lhe parar.

Bebeu o chá frio com uma careta e lembrou que Cellbit preferia café. Arrumou uma mala e decidiu levar o saco de dormir de Cellbit, era maior e ele não usava mais. Pegou o livro que seu irmão escondia em um fundo falso em sua gaveta (cheio de cifras diferentes que ela decorou após seu desaparecimento), ele achou que estava sendo esperto, mas Bagi via o jeito que ele estralava a língua quando ela chegava perto de seu segredo. Ela queria que quem o sequestrou também lhe desse um sinal quando estivesse perto.

Dando uma olhada em seu armário, percebeu que não tinha um casaco quente o suficiente, então pegou um sobretudo velho de seu pai. Ele estava muito bem enterrado com um terno, não precisaria. Passando seus braços por mangas grandes demais, ela se perguntou se seu irmão gostaria de ter tido uma cova perto da de seu pai. Não, não, ele está vivo, tem que estar.

Sua mãe estava na sala, provavelmente crochetando e pensando no que iria crochetar depois. Talvez tivesse um pensamento ou outro sobre o que sua filha fazia pegando tanta lã rosa de sua cesta, mas como evitava pensar sobre a pessoa que se parecia com seu marido e filho morto, ela não perguntaria o porquê de sua filha sair de fininho com uma mochila. Mas Bagi gostava de sua mãe, ou de quem ela era antes de vê-la como um obituário ambulante.

– Eu vou embora. Não sei para onde, mas acho que volto daqui uns anos.

Disse com o mesmo tom de quem iria no mercado. Sua mãe reagiu de acordo, parou suas agulhas, levantou a cabeça, viu seus olhos, desviou o olhar rapidamente. Certo, eram iguais aos de seu pai.

– Eu deixei um dinheiro ‘pra você num livro meu. Quando eu achar um lugar ‘pra ficar eu te mando mais um pouco.

Ela suspirou e concordou, claro, esconder objetos em livros era coisa do Cellbit. Pelo visto Bagi não conseguiria um abraço, não que ela precisasse, na verdade, não lembrava a última vez que havia ganhado um.

–Tchau mãe. Se cuida.

Deu um curto aceno com a cabeça e reprimiu o sentimento estranho em sua garganta, daqueles que aparecem quando vai pegar gripe. Não era nada, ela iria pra longe, estudaria mais, ficaria mais inteligente, forte e apta. E aí não teria como esconder o Cellbit dela. Não teria como os separar novamente. Ela faria com que sua mãe olhasse no rosto dela de novo e o sentimento ruim na garganta que descia para o peito iria sumir.

Talvez ela tenha batido a porta um pouco na saída, mas não escutou nada, o zumbido em suas orelhas era muito alto.

Notes:

eu preciso de lore da bagi eu preciso por favor