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Ímpeto de Ouro, Fluxo de Ácido

Summary:

Havia passado tão perto de ser derretido por aquele monstro… Seu sol, sua luz. A coisa mais legal na ilha de Tipora.

Se sentia como água régia pela forma em que derretia ouro com as pontas de seus dedos.

Conseguia sentir ele se acalmando em seus braços, e o quente que vinha invadindo suas entranhas era difícil de conter. Um calor que só adoração pode trazer.

(short one-shot, milovier, fix-it)

Notes:

isso aqui é meio q um presente, meio q uma treino de escrita... sei lá

eu só sou apaixonado por química, os milovier, e recentemente, sleep token.

meu twitter ai, e essa música deliciosa:

 

>twitter

 

>aqua regia - sleep token

Work Text:

O derreter daquele monstro não podia machucar mais aquele feixe de luz em forma humana. Não mais, agora que o tinha em seus braços. Os ombros balançavam inutilmente, ao som de um choro quieto. Olivier tinha suas próprias lágrimas descendo pelo seu rosto. Mas o alívio conseguia superar tudo, lentamente tomando conta dos corpos afadigados. 

Sentia músculos distensionarem, e segurava tudo que podia entre sua mão nua, sua mão enluvada e seu torso quente. O corpo cansado relaxava sobre seu próprio, segurava os ombros, as costas, a cabeça com os cabelos macios. Procurava se certificar que aquilo era real. Havia passado tão perto de ser derretido por aquele monstro… Seu sol, sua luz. A coisa mais legal na ilha de Tipora. 

 

Se sentia como água régia pela forma em que derretia ouro com as pontas de seus dedos. 

 

Conseguia sentir ele se acalmando em seus braços, e o quente que vinha invadindo suas entranhas era difícil de conter. Um calor que só adoração pode trazer.

De fato, Milo só queria derreter enquanto Olivier o segurava, cobrir o garoto com seu ouro, sua beleza, tão contrastante com a dele. Estava vivo, sua carne e osso não havia sido derretida pelo chafariz de tinta, e ali a respiração pesada dos dois enchia a igreja de doce e dourada esperança.

Seus joelhos desistiam enquanto descia ao chão em um só baque. Olivier o acompanhava, abaixando junto consigo, mãos firmemente plantadas nos ombros do de cabelos cacheados. Suas mãos faziam um caminho discreto pela pele dourada, os olhos de um oceano esverdeado, profundo, misterioso, fascinante. Queria tê-lo apenas para si, proteger de todo o mal do mundo—e, Deus, como havia tanto mal nesse mundo? Haviam aprendido tão recentemente sobre o paranormal e o terror que isso traz, que não falhava em trazer desespero—, e apenas olhar em seus olhos infinitamente, e tinha a sensação de que tinha todo o tempo do mundo agora que a batalha havia acabado. Sentia as lágrimas brilhantes em seus dedos, e as próprias mãos de Milo subiam para retribuir o abraço com força, olhos fixados nas esmeraldas úmidas. 

Quando o quente tomou conta de Olivier por inteiro; das pontas de seus pés até a ponta de seu nariz, seu olhar começou a tremer em direção aos lábios do Castello. E os choros silenciosos se tornaram risos nervosos, exaustos. 

Milo forçava o peso do corpo do Florence como se pedisse para dar tudo dele. Conseguia segurar, conseguia mantê-lo seguro também. Seus torsos colados um no outro, sentimentos transbordando.

Estavam ajoelhados na madeira velha e podre de tinta da igreja. Tinha sangue ao redor deles, corpos de pessoas que Milo conheceu a vida toda, apenas para acabarem assim. Amelie e Bárbara estavam lá fora, se recuperando da batalha intensa, refletindo sobre o que havia acontecido.

 

Quando seus lábios finalmente encontraram os de seu amado, não havia previsão para parar. E sentia seu coração bater forte e rápido contra seu peito, suas bochechas ficando vermelhas e suas mãos apertando o que podiam. Não eram suaves, nenhuma das mãos que os transformavam em um emaranhado de corpos amados, Olivier segurava seu rosto bonito com força, sem medo de quebrá-lo. Sabia seus limites, e a ponta de seus dedos ardia por mais, assim como seus lábios. Os movimentos eram compassados acidentalmente. As mãos do cacheado subiam pelo peito do jovem e paravam no pescoço dele, agarrando a pele pálida como se fosse seu último dia na terra.

Ironicamente o bastante, haviam acabado de fugir da morte certa, e o último dia vivos. Os lábios de Olivier tinham um gosto doce de esperança.

 

A pausa para respirar foi como um lembrete final do que estavam fazendo. Milo desviou seu olhar, rosto queimando com vergonha, e os risos tímidos se tornaram gargalhadas.

— Eu achei que nunca conseguiria fazer isso — Olivier levou a sua mão nua a uma das mãos que estava em seu pescoço, olhando-o com adoração. 

 

Agora transbordava de ácido clorídrico nítrico, reagindo tão bem com seu ouro, em uma felicidade de ácido cloroáurico. se achavam em cada composto, ouro sendo extraído e diluído novamente e novamente, na mais perfeita calma e ânsia, tudo ao mesmo tempo. 

Sentia demais, ao mesmo tempo. E é tão bom, o doce gosto de alívio.

 

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