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Money hunger

Summary:

Kayn is a penniless loser and willing to accept any job to change his life. Ezeral is a pop star who currently leads the top hits, but who can't keep people on his team for some reason. The hunger for money is the main force that keeps them going, but what if their paths cross? “Too stubborn to give up, too arrogant to admit it” is something that could be written on both tombstones.

Chapter Text

Kayn era um fracassado. Em todos os sentidos da coisa. Era um pobretão, tinha dívidas no cartão de sua avô — porque nenhuma empresa confiava em o dar crédito  e sua mãe conhecia bem o que havia criado para não emprestar o dela. Não tinha um teto para dormir e frequentemente virava noites acordado andando sem rumo pela cidade, dormindo dentro da lanchonete que trabalhava, em um colchonete mofado dentro do estoque, depois do expediente por cerca de três a cinco horas antes de começar a vaguear pela cidade na escuridão de novo. Todo seu dinheiro era convertido em comprar comida e quando sobrava, passava a noite em um motel barato onde podia tomar um banho de verdade, comer e dormir em uma cama que prestava. Era um lobo solitário, não possuía uma namorada, toda garota que o achava atraente, quando descobria onde trabalhava ou sobre o porque se não serem apresentadas a sua família, se afastavam. E ele ao menos tinha a decência de não tentar iludir uma garota e tirar vantagem dela. Seu tipo de mulher não era o que resgata animais como ele da rua e ele não queria ser um animal resgatado. Tinha orgulho. 

A única coisa que ele podia dizer que possuía era Sett, um cara que se resumia a cem quilos de músculos, acessórios tricotados pela mãe e lutas ilegais no galpão Noxo. Pelo menos era até alguns anos atrás, quando ele se mudou e não viu a vida de Kayn se desfazer completamente. E mais uma vez, Kayn possuía um orgulho ordinário de não contar nada que preocupasse Sett. Porque ele sabia que o idiota correria de voltar para a cidade, que ele o levaria sobre o ombro como um saco de batatas para onde quer que estivesse agora e que mandaria uma mensagem muito malcriada para sua progenitora sobre como ela ousava virar as costas para o filho. E se isso não era humilhante o bastante, sabia que tia Marta o receberia com um abraço e um café gelado com creme, do jeito que ele gostava tanto quando fugia para a casa deles durante a faculdade. 

Mas Kayn não queria ser um animal encontrado e cuidado, então para Sett, sua vida era a mesma que sempre foi e, o que não era bom, Kayn lidava com isso e “não precisa se preocupar”.

Por todas essas coisas e um pouco mais, Kayn havia pegado aquele bico de segurança. Quando viu o anúncio, pensou que era uma oportunidade incrível. Não pedia experiência, apenas um bom físico e alguma habilidade em defesa pessoal. O pagamento por uma semana era o dobro do que ele recebia ao mês no restaurante que trabalhava. Eles dariam benefícios de alimentação, transporte e bancariam qualquer despesa médica se fosse necessário naquele período. Parecia algo caído dos céus para ele! 

— Próximo. — chamou uma voz entediada atrás da porta quando mais um cara do tamanho de um armário saia balançando a cabeça negativamente e murmurando para si mesmo. 

Kayn se ergueu e  ajeitou a camisa de botões que vestia, vestiu sua expressão séria e entrou na sala. 

Atras da mesa, um homem asiatico de cabelos platinados riscava algo com a caneta vermelha, parecendo cansado. 

— Feche a porta. — pediu o homem e Kayn obedeceu antes de caminhar para a cadeira e se sentar. — Seu nome? 

— Kayn Shieda.

— Idade.

— Vinte e quatro.

— Tem experiência em defesa pessoal? Quantos quilos possui? — continuou o homem, sem sequer erguer os olhos do papel e Kayn passou a língua nos lábios.

— Sim, fui ajudante de treino de um amigo boxeador profissional por quase seis anos. Não sou muito pesado como os armários que saíram, mas sou rápido e certeiro se precisar dar um soco em alguém.

O homem ergueu os olhos pela primeira vez do papel e o encarou com um pouco de curiosidade. Kayn sustentou o olhar e por fim o entrevistador acenou positivamente com a cabeça, fechando a pasta com os papéis, juntando as duas mãos sobre a mesa e olhando para Kayn com interesse. 

— Você sabe para que é esta vaga? 

— Segurança.

— Sabe para quem? — questionou erguendo uma sobrancelha e Kayn deu de ombros. — Ao que parece, a maioria que veio hoje viu o salário e correu sem ler os detalhes. É algo cansativo, sabia? Falar com tantos idiotas que não sabem o mínimo do que estão se metendo. 

— Acredite, senhor, eu não me importo. Já trabalhei com muita coisa ruim que pagava bem menos. Coisa mais perigosa que não me assustou. Eu sou a pessoa que você quer. E eu sou bom .

— Ah, é? — questionou  o homem repuxando os lábios em uma das laterais e sacando o celular. — Este é o serviço, Kayn. — disse ele dando play em um vídeo e virando a tela para Kayn.

Na imagem, uma multidão era afastada por quatro seguranças enormes de uma pessoa de moletom escuro, boné e óculos no meio. As pessoas empurravam tanto os homens enormes, que eles andavam de braços dados, criando uma corrente, enquanto a pessoa que eles protegiam digitava no celular distraído, como se não ouvisse toda a comoção. Kayn encarou apático sem entender o que exatamente seu entrevistador queria causar nele, até que viu alguém correr entre as pessoas e saltar dentro da corrente dos seguranças, agarrando a pessoa que eles protegiam pelos ombros e o sacudindo. Os seguranças não sabiam o que fazer, se soltassem os braços a multidão avançava, se eles não intervissem, o cara poderia ferir a pessoa que eles tinham o trabalho de proteger. Kayn via aquela confusão nos rostos dos homens de terno preto e fez uma careta enquanto via a pessoa em meio aos seguranças perceber a própria situação e tentar a sorte por si mesma, retirando o boné e os óculos e abraçando o intruso com força, como se fossem velhos amigos, e o guiando pelos ombros para ir com ele para dentro do hotel, enquanto os seguranças mantinham a corrente de proteção. 

O entrevistador retirou o celular e o colocou calmamente sobre a mesa. 

— Você conhece Ezeral?

— Quem não? A música chiclete toca em todo lugar. — respondeu cruzando os braços no peito e se recostando na cadeira. — Não que eu goste do estilo.

— Você não parece assustado com o vídeo. 

— Senhor, papo reto, eu já fui segurança de lutas ilegais. Você não sabe o ódio que as pessoas sentem vendo que apostaram no cara errado e como eles querem beber o sangue dos dois arrombados que estão no ringue. Um bando de adolescente maluco não me assusta. Uma véia de 57 anos com uma cadeira de ferro dobrável, sim. — Kayn ergueu os ombros.

Por um segundo, Kayn achou que o homem iria sorrir, mas ele apenas abriu outro video e virou a tela para Kayn. 

Desta vez era dentro de um saguão chique, provavelmente de hotel. Ezeral estava gritando e jogando o boné em um dos seguranças enquanto outro levava o mesmo cara de antes para algum lugar, o segurando pelo pescoço. Seu entrevistador não havia colocado som no vídeo, mas Kayn podia ler nos lábios de Ezreal os palavrões que ele havia soltado. Viu o artista ir a passos duros até os homens e arrancar com tanta brutalidade os crachás de segurança pendurados nos pescoços, que tinha certeza que a corda feriu os homens na nuca antes de Ezeral conseguir arrebentar. um homem ridiculamente menos tentou acalmar Ezeral, mas a única coisa que o coitado havia recebido foi um dedo na cara e um empurrão forte o bastante par ao fazer cambalear para trás. Ezeral saiu jogando as coisas pelo caminho, moleton, óculos e bolsa. 

Quando o vídeo acabou, seu entrevistador tinha uma sobrancelha erguida em expectativa. 

— Ele tem ataques de estrela. Eu deveria me preocupar? Eu não teria deixado esse cara passar por mim. — declarou sorrindo com presunção. — Sua estrela não teria um “a” a reclamar de mim. 

— Ezeral troca de equipe a cada duas semanas. — Informou o entrevistador, finalmente guardando o telefone. — Sejam por pedidos de demissão ou por ele mesmo demitir. Eu não deveria dizer isso, mas os pedidos de demissão são os mais frequentes e geralmente pelo mesmo motivo. Não vou dar detalhes.

Kayn piscou sem ser muito afetado. Se o homem achava que um cara dar um chilique o desanimaria, estava muito enganado. Kayn possuía uma mãe maluca, chefe foi feito para ser odiado mesmo. O que mantém o funcionário é se ele está sendo pago o bastante para o nível de chefe insuportável. E pelo que ele viu no anúncio, era o caso.

Diante do silêncio e a sobrancelha erguida em disposição para ouvir mais de Kayn, o homem dessa vez sorriu e abriu novamente a pasta. 

— Temos regras. — disse o entrevistador circulando em azul uma folha dentro da pasta, voltando completamente a atenção para os papéis. — Não ferimos os fãs. Você pode afastar qualquer um sem usar métodos que machuquem e tem total liberdade de retirar o cliente da situação, independente dos meios. Exigimos relatórios caso algo aconteça de grave, por exemplo, um carro ser usado emprestado. — o entrevistador olhou para Kayn pelo canto dos olhos, o fazendo sorrir entendendo que, se preciso, poderia roubar um carro se necessário. — Oferecemos seguro de vida e este contrato é de uma semana, podendo ser estendido com o dobro do valor caso seu trabalho seja aprovado pelo cliente. 

Kayn mal podia se conter na cadeira ao ouvir a ultima frase. 

— Caso algo algum valor deva ser reposto, — continuou o entrevistador, alheio a euforia de Kayn. — pedimos notas fiscais e confirmação com o cliente sobre a necessidade. Tudo que você pode fazer exige, em suma, a aprovação do cliente que nos contratou como agência de proteção, uma vez que há necessidade de aprovação financeira do plano de cobertura contratado. Sobre os tipos de planos, você terá acesso caso assine conosco e será seu trabalho relembrar ao cliente os limites do plano contratado para evitar prejuízos à agência e aos clientes. — o entrevistador fechou novamente a pasta e encarou Kayn com seriedade. — Entenda que, ao assinar conosco, você assina também um contrato de exclusividade com a agência e um de sigilo com o cliente. Tudo que ver e ouvir não pode ser exposto. seu dever é manter a integridade física do cliente, nada mais. Você entende?

— Sim.

— Você concorda com estes termos? 

Kayn poderia gargalhar. Eram as melhores condições de trabalho que ele recebia em toda sua vida. Ele poderia assinar esse contrato com o próprio sangue. Mas apenas acenou com a cabeça, balançando o pé para aliviar o entusiasmo. 

— Precisamos fazer testes toxicológicos e exames para certificar que você está saudável. Você deseja me avisar desde já sobre algo? 

— Ninguém nunca perguntou se eu uso droga de forma tão educada na minha vida. — riu Kayn sem conseguir se conter e conseguindo o sorriso do entrevistador. — Mas apesar da minha cara e tatuagens, eu não uso drogas.

A parte de não usar por falta de dinheiro e não por ser consciente, Kayn escolheu sabiamente manter em sua mente como uma piada para si mesmo. 

— Bem, acho que você tem o que precisamos para este cliente então. Teremos um período de teste de dois dias antes de realmente assinarmos o contrato de serviço, afinal, a aprovação final é do cliente. Mas ele nunca recusou um guarda e sabe da própria fama no meio. Acredito que podemos dar como certo. 

Kayn chacoalhou positivamente a cabeça animadamente. Teria de ser aprovado por um cantorzinho? Ele apenas tinha de fingir não existir e não deixar nada o incomodar, sabia como esse tipo de gente era. Podia fazer isso.

— Dito isso, — o entrevistador se ergueu, esticando a mão para Kayn. — ligarei para você amanhã pela manhã marcando o encontro com o cliente para a pré aprovação e então te encaminharei aos exames. Você precisa estar de jejum. — instruiu e Kayn se ergueu, apertando a mão do homem. — Será um prazer trabalhar com você, rapaz. 

— Obrigado. — disse sorrindo e soltando as mãos. — Estive nervoso e não perguntei seu nome. 

— é Yone. Nos veremos muito se tudo ocorrer como o planejado. 

— Senhor Yone, vou dar meu melhor. Obrigado pela oportunidade. Você não sabe como eu precisava. 

— Apenas dure o bastante e eu quem vou agradecer. — rebateu Yone em um suspiro. — Nos vemos, Kayn. 

A mão de Yone apontou para a porta e Kayn acenou com a cabeça, saindo rapidamente da sala e a fechando com cuidado. Do lado de fora, algumas pessoas ainda esperavam a entrevista, mas ele estava confiante que a vaga era sua. Animado, socou o ar algumas vezes e correu para fora, desabotoando a camisa formal e movendo os dedos pelo cabelo, retirando o excesso de gel que o manteve fixo no lugar.