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A consequência de perder alguém

Summary:

Miguel estava cansado a muito tempo.
E o que o universo faz? Coloca mais problemas em suas costas, obviamente!

Ele foi o começo das anomalias; dos buracos negros pairando pelo multiverso.

E agora ele estava aqui depois de bagunçar tudo de novo.

Notes:

Inicialmente, era para ter um final sólido, mas fiquei sem idéias.

De qualquer forma, obrigada e boa leitura!

Work Text:

 Miguel poderia contar nos dedos quantas vezes teve que parar tudo o que estava fazendo para apenas respirar. Ele poderia contar nos dedos quantas vezes perguntou para Lyla o que há de errado com aquele universo, e a resposta é sempre a mesma; "Não sei, Chefe. "

 

Terra-1610; o universo que lhe dera dor de cabeça desde do início, onde tudo começou. E como se esse fato não fosse o suficiente, é o único universo que ele conhece que não se pode ver em seus monitores. Nada de verificação visual, apenas os alertas de anomalias; essas que não apareceram até algumas horas atrás. 

 

 Esse universo sempre foi um boato pelo QG, então mesmo que você se tranque em uma sala escura, a prova de som de portas trancadas, você continuaria sabendo dele. ( Experiência do próprio Miguel. ) e o fato de quatro pessoas aranha e um porco aranha terem caído e ficado lá por alguns dias não ajudava com os rumores.

 

Peter B. Parker, um dos únicos que Miguel é próximo, foi uma dessas aranhas. Foi inevitável saber da pequena anomalia que estava lá, usando o manto de um homem morto.

 

Miles Morales, o 2° Homem-Aranha da Terra-1610; a anomalia original.

 

Miles Morales, um garoto de treze anos; desengonçado e tagarela. Um garoto de pele escura e cabelo cheio de cachos grossos, olhos âmbar brilhantes e um sorriso mais brilhante ainda; Morales, que tinha medo de pular mesmo com suas teias e que foi deixado para trás para derrotar um homem com o triplo de seu tamanho sozinho.

 

Ele ouviu o nome dessa anomalia muitas vezes, ouviu descrições idênticas nos últimos 2 anos e meio. E agora ele irá o ver cara a cara.

 

Miguel soube por Jéssica que Gwen Stacy havia perdido a anomalia da Terra-1610 e como se não fosse o suficiente, a Terra-50101 estava entrando em colapso por causa de um evento canônico interrompido. 

 

Tudo por causa de uma pessoa. 

 

Ele tentou acalmar seus próprios nervos, respirar, mas não pode evitar socar um lado vazio de sua mesa de trabalho. Foi logo depois que ele mandou uma mensagem para Jess; " Traga-o para cá. "

 

Não muito tempo depois, ele ouviu a porta abrir e passos adentraram a sala.

 

- Miles? 

 

Seus ouvidos aguçados captaram o sussurro quase mudo de Gwen, uma confusão clara em sua voz. Ele não se virou. 

 

Olhos nas telas, se acalme primeiro.

 

- Miguel, esse é Miles Morales. Miles, esse é Miguel O'hara, líder da sociedade aranha. - Gwen os apresentou, sua voz beirando ao formal.

 

Miguel encontrou forças para olhá-lo por cima do ombro quando não houve uma resposta imediata.

 

O garoto era idêntico às descrições de Peter, obviamente um pouco maior, mas ainda sim. Seu traje foi mudado; continuava com as cores preto e vermelho, mas agora usava um colete aberto, destacando o símbolo da aranha, com material parecido com o do terno; listras vermelhas desciam de seus ombros. Uma calça larga também com listras vermelhas nas laterais e o cinto - de um vermelho mais escuro dessa vez - estava bem preso e suportava pequenas bolsas de emergência, uma de cada lado.(pelo menos, é o que ele achava que era.) 

 

Seus olhos vagaram para o rosto da criança; um arrepio passou sua espinha logo em seguida. O rosto não tinha nada demais, apesar das pequenas cicatrizes; uma cortando os lábios, na lateral esquerda e outra abaixo do olho direito. Mas seus olhos transbordavam sentimentos com uma intensidade assustadora.

 

O primeiro que Miguel notou - Por Deus, não tinha como não notar. - era o carinho gigantesco, saindo de seus olhos como uma cachoeira. Mas então vem os outros; saudade, culpa, tristeza. Seus olhos cobertos pela escuridão da sala estavam meramente marejados e foi o suficiente para sua mente ficar em branco, mal contendo a confusão de seu rosto.

 

-. Hola tío. He oído que te gustan las empanadas, así que te traje unas. - Sua voz era pequena, abafada pela própria garganta. Seu braço coberto levantou, oferecendo a comida. 

 

Como se ouvisse algum pequeno click, tomou consciência de seu próprio corpo, virando-se para encarar as pessoas que estavam abaixo de sua plataforma. 

 

Miles Morales no meio, Gwen Stacy ao seu lado e Hobie Brown no outro. Jess permaneceu no canto, encostada em uma parede.

 

Miguel pulou de sua plataforma, caindo a poucos metros de distância dos adolescentes; poucos metros de Miles. Enquanto se aproximava, não pôde deixar de notar a forma como os ombros do menino ficaram tensos e como sua respiração falhou por um breve momento.

 

Céus, seus olhos estão marejados ainda mais. Ele vai chorar. Uma criança irá chorar. 

 

A voz de sua cabeça cantava sem parar, a parte menos lógica inquieta com essa informação.

 

E quando chegou perto o suficiente, ele notou o pequeno sorriso, as bolsas escuras embaixo de seus olhos, o cansaço.

 

Íris âmbar, iguais as dela.

 

Ele sentiu raiva; raiva por essa anomalia lhe lembrar a sua garotinha, lembrar que ele nunca mais poderia vê-la.

 

Ele sentiu inveja; inveja que mesmo com o cansaço seus olhos ainda brilhavam, ainda tinha vida correndo pelo seu ser.

 

Esse garoto foi a causa do universo estar coberto de buracos e anomalias descontroladas. Ele é o responsável de um universo estar sem o Homem-Aranha; responsável pela morte de um.

 

E mesmo com tudo isso, porquê ele não conseguia odiar esse garoto como deveria? Porque não estava gritando com ele e cuspindo a verdade para todos ouvirem? 

 

Porque ele simplesmente agarrou a pequena caixa de isopor e agradeceu?

 

- Obrigado. - Sua voz saiu mais dura do que ele pretendia - Sabe porquê eu te chamei aqui, Morales? 

 

- Tenho minhas teorias, senhor. - Miles o respondeu, seu olhar nunca deixando o rosto de Miguel. - Terra-50..101? Suponho que seja uma boa jogada.

 

- O garoto é rápido. - Jess resmungou ao fundo.

 

- Está certo, um dos motivos é esse. Há algo mais que precisamos esclarecer. - Sua voz soou áspera, os sentimentos estranhos engatados. Gwen se encolheu um pouco, seus olhos voando para o resto da sala; Miguel percebeu, e pelo visto, Miles também.

 

- Claro… restrições e sermões, eu imagino. - Miles cantarolou, sua voz baixa, e de repente muito mais cansada. Seus olhos âmbar se desviaram um pouco, mas logo voltaram, dessa vez com um pesar mais denso.

 

Miguel sentiu vontade de desviar; desviar o olhar, desviar do assunto porque de repente, isso pareceu a coisa errada de se dizer agora. Parecia errado falar do destino mórbido desse menino quando ele parecia tão exausto.

 

E foi exatamente isso que ele fez. Ele desviou daqueles olhos que fizeram seu peito doer e seus olhos arderem; Miguel virou as costas para ele.

 

- Mais ou menos, Morales. Vamos falar de como as coisas funcionam por aqui ou como deveriam funcionar.- Ele marchou e deixou a pequena caixa em cima de uma de suas mesas, e com o canto de olho, avistou a pequena figura o seguir.

 

- Antes… - Ele respirou fundo, fazendo seu peito inflar mais que o natural. - Antes de você me dizer qualquer coisa, posso te perguntar uma coisa?

 

Hum, claro. Miguel deveria ter imaginado isso. Foram dois anos e meio com Miles sendo o Homem-Aranha e eles nem cogitaram em chamá-lo para sede. O garoto está frustrado e querendo saber o motivo.

 

Com um suspiro, ele acenou com a cabeça, preparando o possível discurso que ele terá que fazer. 

 

Mas nada, em nenhum de seus malditos pesadelos, ele imaginaria o sairia da boca daquele menino.

 

- Como está Gabi? 

 

…. 

 

O quê?

 

- O quê? - Ele perguntou, sua voz por um fio. A sala caiu em um silêncio nervoso.

 

- Como está Gabi? - Miles repetiu, sua voz neutra carregava mais do que se mostrava. - Ela… conseguiu aqui? Ela continua aqui? - Sua voz saí apressada dessa vez, a ansiedade agora mal podia ser contida.

 

- Como você sabe dela? Quem te contou sobre a minha filha? - O pirralho estava blefando, só poderia estar.

 

- Só… por favor, me fale como ela está. Eu calo a boca, mas por favor, me diga que ela está bem; Que está viva.

 

O rosto de Miguel caiu, sua pele empalideceu e o ar engatou em seus pulmões.

 

Gabi.Gabriella.Viva(?)Não.Não,ela não está. Morta.Morta.Morta. 

 

Não consegui salvar. Minha filha. Mi niña.

 

Miguel?

 

Miguel.

 

- Miguel! - Como se a realidade voltasse, ele ouviu Jess o chamando; o agarrando pelos ombros.

 

Mal percebeu o mundo ao seu redor, suas garras coçavam e suas mãos tremiam. Sua parte irracional deseja agarrar, segurar alguma coisa; deseja alguém. Ela. 

 

Gabi… onde está a Gabi?

 

Onde está sua filhinha?

 

A mãe dela deve está no mercado. Ela lhe disse que iria buscar ingredientes para fazer panquecas para niñita.

 

Mas onde ela está? Não está na hora da sua soneca?

 

Ou ela já era muito velha pra isso? Quanto tempo passou? 

 

Não importa. Isso não importa. Sua filha não está aqui. 

 

E se ela estivesse ferida? Com medo? 

 

Proteger.proteger.proteger.proteger.

 

Um soluço irrompeu a fina névoa que nublaram a realidade. 

Seus olhos que antes estavam no chão, voaram para a criança ajoelhada a poucos metros de si. 

 

Seu pequeno corpo tremia de maneira preocupante, dobrando sobre si mesmo. Suas mãos agarravam o traje com tanta força que estava o alargando além do normal.

 

Ele viu um vislumbre do que só poderia ser Peter B. Parker - Quem mais usaria um tecido rosa sobre o terno?-, ele estava segurando os ombros da criança, tentando reerguer-lo; tirá-lo do chão frio. Isso fez com que os soluços piorassem e as respirações ofegantes fossem mais resistentes.

 

Sentiu Jéssica empurra-lo, empurrá-lo para longe da pequena figura que permanecia tremendo.

 

- Ei Miguel, precisamos ir. Venha, eu te levo até lá. - Suas mãos gentis, mas firmes, estavam o arrastando para longe. 

 

Ele iria segui-la; ele jura que iria. 

 

Ele teria a seguido se Miles não tivesse se jogado contra ele em uma velocidade alarmante, o agarrando pela cintura e a cabeça batendo em seu peito.

 

-. Não! Não, não, não! Por favor, você não pode me deixar de novo! - Sua voz tremeu, seus braços finos o apertavam ainda mais. - Tio Miggy… por favor, você não pode me deixar igual ela, não pode me deixar de novo!

 

O garoto súplica, seus braços tremiam ao redor de sua cintura e agarravam em suas costas como se fosse sua tábua da salvação.

 

Miguel ouviu mais vozes, dessa vez mais altas e confusas. Isso fazia sua cabeça girar e suas têmporas latejavam; por quê eles só não podiam calar a boca? Estavam o deixando estressado e tonto. El niño estava desconfortável.

 

Foi quando sentiu o pequeno corpo ser tirado de seus braços; alguém estava tirando a criança do seu aperto, de novo. 

 

Não.

 

Não.

 

Isso não pode está acontecendo de novo. Não podem está fazendo isso com ele de novo.

 

Um grito saiu de sua garganta quando sentiu o pequeno corpo se desprender ainda mais, finalmente saindo de seu estado de choque. Ele tem certeza que houve repreensão em sua voz; urgência, um comando direto. 

 

Ele não podia se importar menos.

 

Seus braços agarraram Miles e o puxou de volta; só agora notando que uma das pessoas que estavam gritando era ele. O coração do garoto batia como louco e ele temeu que sua situação piorasse.

 

Sua cabeça girou mais uma vez e o peso em seus braços aumentou; Notando tardiamente que Miles agora estava literalmente grudado em si, como um pequeno coala. Ele tentava segurar os soluços, seu rosto na curvatura de seu ombro.

 

Ele permaneceu quieto; nenhuma palavra pronunciada além dos soluços e fungadas. 

 

Com a mente nublada, seus olhos vagaram para o interior da sala; muitas pessoas, perigo em potencial, buscar lugar seguro; confortável.

 

Seus pés se moveram antes mesmo de pensar, indo para uma sala parcialmente escondida de seu escritório, feita para um descanso ocasional. Mas apesar disso, eles ainda o podiam ver; ainda podiam chegar até ele e tirar a criança de seus braços. 

 

Suas mãos foram velozes o suficiente, deixando suas teias prenderem em cada lado da parede para impedir a passagem de qualquer um. Quando terminou, empurrou o grande sofá que usava para dormir como se fosse uma barricada.

 

Não podia deixá-los chegar perto, não podia. 

 

Pegando o cobertor de uma cômoda próxima, se apoiou na parede o mais longe da porta possível, seu corpo sendo um escudo protetor para a pequena aranha.

___________________________

 

Sua consciência racional veio à tona lentamente; Tão lentamente que ele poderia ficar irritado consigo mesmo.

 

Primeiro, foi o tato. A consciência que ainda estava espremido na parede fria, suas costas reclamando, mas tinha algo quente lá também; algo suave e definitivamente leve, algo reconfortante para a sua aranha anterior. Também havia um carinho e um peso morno e pequeno nos seus ombros, ou talvez a coisa que estava lhe fazendo carinho fosse pequena.

 

Segundo, as vozes. Uma em específico muito perto, embora soasse como se estivesse embaixo d’água. A voz era doce e um pouco infantil, mas nada além disso; as palavras não pareciam gaguejadas. Havia outras logo atrás, distantes e ainda mais difíceis de entender, mas diferente dessa que estava próxima, essas ele reconhecia; eram familiares.

 

Hum.

 

Forçou a sua consciência acelerar; seus olhos se abriram suavemente e captou o vestígio de um terno preto em seus braços. O tecido áspero e calejado cheirava a colônia de pinho e tinta spray. 

 

Deliberadamente, notou que o dono do terno era “a coisa”. Era ele quem possuía o toque leve e confortável em seu ombro, quem possuía o calor morno e o tamanho infantil.

 

Morales. 

 

Como se fosse um interruptor, as memórias vieram para ele como uma enxurrada violenta.

 

Terra 50101. - Evento canônico quebrado. - Miles Morales impedindo um evento canônico. - A vinda ao QG. - Semelhanças. - Gabriela. - O surto. - Jess tentou afastá-lo do garoto.- Lugar seguro.

 

Com um grunhido, sentiu as orelhas queimarem de vergonha. Céus, haja como um animal selvagem na frente de seus colegas e tenha Hobie Brown o intimidando para sempre.

 

O toque em seu ombro parou. A sala caiu em silêncio.

 

- Senhor O’hara? Ei, está de volta? - A voz que enfim descobriu ser de Morales, perguntou.

 

Oh, claro. Ele ainda está agarrado ao garoto.

 

Deus, mate-o agora.

 

Miguel resmungou, seu aperto foi deixado de lado para esfregar o rosto. A cabeça dele doía como o inferno.

 

Miles habilidosamente saiu de seu espaço, embora hesitante. Só quando sentiu o calor se afastar, mudou de posição; fazendo suas articulações estalarem. 

 

- Miguel? Ei grandalhão, está tudo bem aí? - Peter B. o perguntou ainda fora da sala, espiando pelas brechas das teias.

 

- Você nos pegou de surpresa, Migs. Não sabíamos que você era uma mãe galinha para os novatos. - Hobie Brown. Miguel se pegou pensando mais uma vez porque o chamou para a sede.

 

Finalmente tirando a mão do rosto, viu os quatro amontoados na porta. Peter e Gwen estavam mais no meio enquanto Hobie e Jess estavam encostados na parede. Todos os olhos vidrados nele.

 

Morales ainda estava ao seu lado. 

 

Olhando rapidamente para o menino, notou como as pálpebras estavam inchadas e seus olhos levemente vermelhos, resultado do ataque anterior. Ele pareceu um pouco envergonhado, desviando o olhar e se levantou em seguida.

 

- O senhor está bem? Posso cortar as teias agora para você receber ajuda. - Sua voz era baixa e parecia quase áspera. E agora que havia se libertado de seu aperto, colocou um certa distância entre eles; como se temesse o incomodar com qualquer movimento.

 

Apoiando as mãos na parede, levantou-se com um impulso lento e cambaleante. Miles veio ao seu auxílio mais rápido do que a dor que explodiu em seu crânio.

 

Ele o agradeceu internamente por isso.

 

Tudo o que aconteceu depois parecia um borrão; um vidro embaçado.

 

Ele rasgou a teia com as garras depois que Miles empurrou o sofá para longe. Peter e Jess o ajudaram a manusear seus remédios e uma garrafa d’água foi empurrada contra seus lábios.

 

Miles teve um tratamento parecido. Gwen e Hobie se amontoaram em volta do garoto tentando distraí-lo e o encorajando a beber mais água.

 

Os rostos das quatro aranhas estavam desconfortavelmente sombrios por trás da máscara de tranquilidade. O ar estava tenso e ele poderia se encolher para mantê-lo longe se si.

 

Quando as crianças saíram de seu escritório com a desculpa de testar novos ares ( ele fingiu não perceber o punk insinuando invadir algumas áreas apenas para mostrá-las a Miles ), a explicação de Jess e Peter explodiu em seus ouvidos. 

 

Miguel quase desejou voltar a se esconder no quarto de novo.

 

 Havia uma variante sua e da Gabriela na Terra-1610. 

 

Sua variante se recusou a participar do plano de Fisk na primeira tentativa do colisor. Miguel O’hara da Terra-1610 foi baleado junto com sua filha e morreu no local.

 

E três semanas depois as aranhas caíram em seu universo.

 

Miguel O’hara da Terra-1610 era amigo de Rio e Jefferson Morales e virou tio de Miles. Ele o viu crescer, participou de seus aniversários, cuidou dele e agora ele estava morto. Miles estava saindo de um luto quando teve que entrar em mais dois. 

 

Peter Parker e Aaron Davis estavam mortos.

 

“ De repente, eu estava carregando três buquês, mesmo rezando para não precisar fazer isso de novo. ”

 

Gabriela ainda respirava, mas não sem ajuda de máquinas. Gabriela estava viva, mas não poderia se mexer, falar ou abrir os olhos. Ela também o viu crescer e participou de seus aniversários. Ela o ajudou a arrancar o primeiro dente e deu-lhe um pirulito por não chorar.

 

“ Se ela acordasse, eu também poderia tê-lo comigo. Eu teria os dois porque ela tinha os mesmos olhos que ele. ”

 

As máquinas foram desligadas um mês atrás. O túmulo de Gabriela ficou ao lado do túmulo de seu pai; as sepulturas com as mesmas letras para o mesmo sobrenome.

 

“ Então eu carregava quatro buquês e desisti de rezar para que isso parasse de acontecer. ” 

 

A respiração de Miguel engatou.

 

“ Eu não vou aguentar levar mais um buquê para o cemitério. ”