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Holy

Summary:

Gael é obrigado a enfrentar seu pior inimigo, a sua devoção aos paladinos. Ao seguir os pedidos de seu melhor amigo, o mesmo embarca em uma jornada para escoltar a nova santa para o santuário, enquanto ainda enfrenta pensamentos conflitantes sobre a existência da mesma.
Eliza, recentemente coroada como santa, tenta segurar a memória de sua família e vilarejo, porém, seu amor pelo sentimento familiar de uma casa simples é opositor ao seu papel dentro da ordem dos paladinos. Enquanto isso, a mesma tenta compreender por qual motivo quase todos os paladinos a apreciam tanto, porém, Gael, o denominado campeão divino que enfrentou centenas de bestas durante a última missão de conquista parece temer tanto a sua presença dentro do templo.

Chapter 1: Um mural de lirios e jacintos.

Summary:

“No começo dos tempos, havia o vazio. Deus se preocupava com o vazio, ele disse ‘surja a luz!’ e a luz surgiu. Ele disse ‘surja o firmamento, os planetas e o sol’ e assim surgiu. ‘ele disse surja a vida, a marinha e terrestre, dê fôlego aos espíritos e árvores’ e assim surgiram todas as coisas vivas. porém deus achou que o mundo continuava vazio, ele olhou para o mundo e disse ‘surjam meus filhos, sangue de meu sangue, fôlego do meu fôlego e alma como a minha’ e assim surgiram os primeiros humanos”

Chapter Text

Gael, estava de frente ao mural, ele observava as delicadas linhas que formavam ambas as imagens, à esquerda havia um soldado, sua espada sobre a terra, sua postura era séria e simétrica, ele conseguia ver os finos traços pintados sobre os detalhes de sua armadura, a moldura decorada com flores, ele conseguia ver cada cacho no cabelo castanho do soldado, ele sorria ao ver a expressão firme do rosto do mesmo assim como as cicatrizes sobre suas mãos, as mesmas eram avermelhadas que contrastavam sobre a pele escura do mesmo. 
 A sua direita havia uma mulher, ela tinha uma postura como se fosse levada acima do solo, ela estava assimétrica, ela parecia sair do quadro, em sua mão havia um lírio, sua pele e cabelo eram pálidos, quase totalmente brancos. seus olhos eram vermelho-iridescente, com uma face misteriosa, haviam flores ao seu redor, assim como adornos em seu corpo, Gael não tinha a mesma expressão calente para a mulher no mural.
 Gael temia aquela mulher, seus olhos vermelhos o lembravam dos demônios que enfrentava durante sua missão no norte, ele fechava e abria a mão buscando sentir a empunhadura da espada, ele estava seguro dentro do templo, era o santuário para os filhos de deus. As guerras e a fome causavam dores no mundo a fora, mas ele sabia que enquanto servisse fielmente a deus, estaria seguro. Sua família estaria segura. 
 Deus proverá, como proveu todos esses anos, as terras férteis do templo permitiam que mesmo em grandes secas que o fosse fornecido o alimento, para todos os crentes e aos pagãos que habitavam em terra. deus era justo, ele alimentava mesmo seus filhos mais distantes. 
 “-Gael” A voz chegou com eco a seus ouvidos, a mesma era familiar ao soldado, ele se virou, vendo entrar na igreja um homem, o mesmo usava uma bata branca, com adornos em suas mangas, ele tinha o cabelo longo e negro amarrado em um rabo de cavalo baixo.
“-Pai, a benção.” Gael disse que, soltando a empunhadura da espada, ele colocou a mão sobre o peito e abaixou a cabeça em sinal de respeito. 
“-Gael, Gael. Quantas vezes precisarei dizer, você não precisa me prestar tanto respeito, somos amigos antes de tudo.” O padre, disse, se aproximou rápido de Gael, colocando a mão sobre o seu ombro, fazendo que o mesmo o olhasse, ele sorriu, inclinando a cabeça levemente.
“-Mas-” Gael foi cortado.
“-Mas nada, antes de entrar para o sacerdócio, fomos irmãos de espada, dividimos o mesmo pão. e veja o que és agora, estás na mais alta patente, eu que deveria prestar meu respeito, graças a você e nossos irmãos o templo se mantém seguro.” O padre falou, ele mantém um sorriso no rosto, falando com afeição. Ao olhar para ele, Gael notou seus olhos brilharem um pouco mais, mas era ainda mais impossível não notar as olheiras.
“-Certo, Arthur” O soldado disse. Sua voz mostrava um pequeno contragosto, porém o seu semblante continuava neutro ao falar.
“-Bem melhor” Arthur retirou a mão de seu ombro, a colocando a tras do corpo, em uma posição relaxada.
“-Por qual motivo eu fui chamado?” Gael disse com certa rapidez, ele sentia que precisava resolver as pendências antes dos sentimentos.
 “-Sempre direto ao ponto, não podemos sentar um pouco antes” O Padre disse, ainda com um sorriso indicando a escada para a torre do sino.


Arthur servia duas taças com vinho em uma sala adjacente a escada que levava até o sino, ele se sentou na frente de Gael, pegando uma das taças, ele observava pela pequena janela. 
“-Você sabe que eu sempre gostei de tocar o sino, certo?”
“-Desde que éramos pequenos, enquanto todos os outros odiavam tocar o mesmo pelas queimaduras que ficavam na mão depois, você sentia prazer em fazer a tarefa.”
“-Eu queria me sentir útil”
“-Você era uma criança, treinando para ser um paladino, não existe algo mais útil que isso.”
“-Mas eu não achava o suficiente”
Um silêncio se estourou, apenas o barulho das taças tocando a mesa ou os leves ruídos dos goles dos homens eram escutados. 
“-Uma santa nasceu.” 
Gael sentiu seus pés tocarem o chão através de suas botas, seu corpo esfriou apesar do vinho. 
 “-Uma…Santa? depois de tantos anos?”
 “-Eu não sei como…Em uma cidade pequena, dizem que ela salvou um rebanho de ovelhas, veja, na última chuva, a cidade foi inundada, um senhor morava perto do rio, ele tinha um rebanho de ovelhas. a santa foi encontrada com elas, após as chuvas, todas as ovelhas vivas sem um pingo de água sobre as mesmas.” 
 “-É uma certeza que ela é uma santa?”
 “-Sim…O bispo foi até a cidade e comprovou.”
 “Deus…”
 “-Eu quero lhe pedir, como amigo, que seja o responsável por trazer a santa ao templo.” 
 O padre e o soldado trocaram um único olhar. Gael respirou fundo, tomando o último gole de seu vinho.


  Gael, no mínimo, tinha medo de santas, o que era extremamente irracional para um paladino, ele sabia de maneira descritiva toda a mística envolvida entre o relacionamento entre ambos. Ele tinha 8 anos quando a última santa, Noel, apareceu em sua frente. Ele lembrava do olhar gélido que a mesma tinha quando olhou em sua alma. O que ele fez de errado? Ele não lembrava mais, porém ele lembrava do forte cheiro de lírios do vale que a santa tinha, ele lembrava de suas unhas lesando a sua pele quando ela segurou o seu rosto, ele lembrava e tremia ao pensar nos olhos vermelhos da santa. 
  Ele não sabia o motivo para ter concordado com Arthur, o padre sabia do medo de Gael, mas ao mesmo tempo, eram amigos a tempo o suficiente para que soubesse que ele não recusaria um pedido sincero. Escoltar uma santa era uma missão nobre, como servir ao próprio Deus, semelhante a abrigar um tesouro, ele sabia que era apreciado. Ele não sabia o que se passava em ambas as mentes. primeiramente, a sua por simplesmente ter aceitado sem ao menos ter tentado negar mais uma vez, Arthur escutaria a suas súplicas, certo? Mas ao mesmo tempo, Arthur tinha pedido, pedido para ele, como ele poderia de alguma maneira pensar em recusar, ele sabia o quão difícil era para Arthur pedir alguma coisa, de certa maneira, o padre tinha tudo o que precisava, e mesmo que lhe faltasse alguma coisa, o mesmo sempre buscava solucionar os proprios problemas, o fato dele ter pedido a Gael, seu amigo, especialmente a ele, o fazia de certa maneira sentir uma afeição satisfatória em seu peito.