Chapter Text
Maldito seja o inverno
Sou Uchiha Sasuke e tenho 12 anos, e uma coisa que você tem que saber sobre mim é que eu não gosto do inverno.
Ah..meu tão odiado inverno, uma época que qualquer criança gosta,- e muitas outras pessoas de várias faixa-etárias de idades também - menos eu, já que eu fico gripado muito facilmente, não dá vontade de fazer nada o dia todo,e o pior é por ser muito úmido,me pergunto como alguém gosta dessa estação, e qual é a graça de ver precipitação de cristais de gelo agrupados em flocos e formados pelo congelamento do vapor de água que se encontra suspenso na atmosfera.
Neste exato momento estou na escola, - para ser mais exato o último dia de aula antes das férias de inverno, em uma sala de aula tipicamente japonesa. não há nada aqui muito relevante - com meus amigos irritantes.
* sinal toca *
Ainda bem! não estava aguentando mais essa aula chata de matemática, sinceramente não sei o'que é mais chato se é a matéria ou a cara de peixe morto da professora.
— estão liberados, boas férias – diz a professora com sua típica voz de tédio
Se não quer dar aula porque virou professora?! Decido ignorar meus pensamentos e guardar o material, mas nem isso consigo em paz já que meu "grupinho" já está em minha volta
— anda logo Sasuke! está demorando muito para guardar isso aí – diz o de dentes pontudos chamado suigetsu, coçando o ouvido com o mindinho
— não fala assim com ele baka! – diz irritada mas logo muda o tom de voz para um meigo – guarde no seu tempo sasuke-kun – se manifesta a ruiva, chamada karin
Pelo amor de rikudou! Eles não saem do meu pé e o juugo não faz nada! Me refiro ao ruivo que não disse nada até agora - e provavelmente nem vai - que está parado do lados dos outros dois, que agora estão discutindo.
Termino de guardar meus materias e saio da sala sem dizer nada, mas logo os três estão do meu lado de novo
— o'que vão fazer nas férias de inverno? – pergunta o grisalho, de uma forma animada, e continua – eu e minha família programamos muitos passeios por aí
— eu vou visitar a família do meu pai que mora em outro país! – se gaba a ruiva ajeitando os óculos no rosto
— vou ficar em casa mesmo – dá de ombros o outro ruivo
Logo depois os outros olham para mim esperando uma resposta, não que eu queria falar mas não tive muita escolha
— vou para o chalé do meu tio – digo simplista
Os outros conversam mais um pouco até chegarmos no portão principal e nos despedirmos. Avisto meu irmão e o namorado dele - que também é um primo distante - me esperando em frente a sua BMW vermelha
— como foi a aula hoje otouto? – pergunta quando me aproximo
— foi chato como sempre – nunca tenho muito a dizer sobre isso, afinal, todos os dias da minha vida são iguais
— já arrumou suas malas? Não se esqueça que vamos viajar hoje – pergunta shisui bagunçando meus cabelos
— ei! – protesto tirando sua mão de meus cabelos, fazendo um bico fofo - na opinião dos outros dois uchihas - Não se preocupe, já arrumei faz dois dias
— que fofo, estava animado para a viagem – provoca meu irmão. Eu realmente estava animado, alguma coisa me dizia que algo de bom iria acontecer, mas não iria admitir isso a ele
— eu não estou animado, só sou organizado, diferente de shisui! – tento desviar do assunto
— oe oe! o que eu tenho haver com isso?! – pergunta cruzando os braços com uma falsa indignação – bem chega de papo antes que sobre para mim, vamos entrando temos uma viagem para fazer
— o meu grande amor tem razão, vamos indo – diz dando um selinho no namorado
Faço uma careta, que faz os outros dois rirem. Apesar de fazer caretas ou falar para irem namorar em outro lugar, eu gosto de ver meu irmão feliz, mesmo que isso signifique ver ele se agarrando em shisui sempre que pode - e quando eu digo sempre é em qualquer oportunidade. Uma vez a noite desci para tomar água, e vi Itachi sentado em cima do balcão com shisui entre suas pernas, se beijando como se o mundo fosse acabar a qualquer momento, agradeço profundamente por estarem vestidos, mas depois disso nunca mais desci para a cozinha de madrugada - o relacionamento dos dois é um grude só, se eu olhar demais provavelmente desenvolverei diabetes!
Logo depois entramos no carro e Itachi deu partida, rumo a nossa casa. Quando chegamos e entramos, dona Mikoto - nossa mãe - estava nos esperando sentada no grande sofá cinza de nossa sala, envolta dela estavam algumas malas, que só poderiam ser minha, de meu irmão e de seu namorado, já que nossos pais não iriam a essa viagem - alegando estarem muito ocupados no trabalho, o'que não era mentira, já que, cuidar de uma empresa não é qualquer coisa - dona mikoto se levantou e nos cumprimentou com beijos e abraços e depois logo se manifestando com seu típico tom de voz terno.
— como disse a vocês, não iremos a essa viagem e espero que não se metam em problemas – olhou para Itachi – cuide bem de seu irmão viu!?
— não precisa se preocupar mãe, irei cuidar bem dele como sempre fiz – sorriu gentil
— bem..– shisui pegou seu celular para ver a hora – temos que ir se quisermos chegar ainda hoje
Nos despedimos, pegamos nossas malas e as colocamos no carro logo entrando também. Acenamos para a matriarca da família, que estava na calçada gritando mil e uma recomendações e pedindo cuidado na estrada. Esta mulher é um anjo. Não demorou muito para mim adormecer no banco de trás por conta do embalo do carro, de qualquer forma demoraria um pouco para chegarmos e um cochilo não faria mal algum.
[...]
Sou acordado por meu irmão quando chegamos. Desço do carro e Itachi já caminhava em direção ao chalé com algumas malas.
— como é bom estar em casa! – olha em volta enquanto se espreguiça
A vida de shisui sempre foi um mistério. Por que digo isso? Bem, nunca falam sobre os pais dele e nem de onde eram. Itachi sempre dizia para mim que conheceu o moreno aqui no chalé ainda quando eram bem pequenos, por ele morava com o tio Madara, mas não há nenhuma foto de shisui aqui ou muito menos objetos de quando era criança. Como sei disso? Já vim aqui uma vez, mas foi no máximo 1 hora, tempo o suficiente para explorar a casa e mexer nas coisas dos habitantes dela.
O uchiha de cabelos ondulados tem uma estranha paixão pela floresta que cerca o chalé, a floresta dos espíritos, há muitas lendas a respeito dela e por isso praticamente ninguém vem aqui.
Minha linha de pensamento é cortada quando ouço um estranho farfalhar em uma moita não muito próxima do carro.
A primeira coisa que vejo é um rabo amarelado bem felpudo. Deve ser só uma raposa, com uma floresta deste tamanho não é de se espantar. A moita se movimenta de novo.
O'que eu antes achei que era uma raposa se levanta da moita, e se revela sendo um menino, - aproximadamente da minha idade - com um kimono laranja e azul, seus cabelos pareciam fios de ouro que ficavam mais lindos ainda quando a luz do sol batia, e seu rosto era tampado por uma máscara de raposa que não cobria sua boca, mas o mais estranho era que tinha um par de orelhas também de raposa no topo de sua cabeça e nove caldas que estavam a balançar, também da cor amarela só que em poucos tons mais escuros que seus cabelos.
O menino dá um grande sorriso que mostra seus caninos um pouco avantajados. Tenho que admitir, que sorriso. Depois ele leva seu dedo indicador aos lábios, como se pedisse silêncio e abana dando um tchauzinho, logo sumindo em meio a floresta.
Eu ia segui-lo quando uma mão em meu ombro me impede, era shisui, com um sorriso maior ainda nos lábios.
— você viu isso?! – ele deve ter visto já que não saiu do meu lado todo esse tempo
— do que está se referindo? – pergunta confuso
— como você não viu?! Ele estava logo ali! – tento perguntar mais uma vez
— não sei do que está falando, mas acho melhor deixar para depois, temos que terminar de tirar as malas do carro – ele tira as últimas malas do veículo – vamos?
Olho mais uma vez para onde vi o menino raposa e depois volto para shisui e murmuro um "vamos".
Ainda descobrirei quem é você raposinha
[...]
Depois de cumprimentar os habitantes do chalé - que consistem em,Tio Madara, seu filho Obito e tio izuna - e guardar as malas devidamente, resolvi explorar o local, e quem sabe encontrar o estranho menino com vestes de cores gritantes.
Ainda era dia, mas era final de tarde, a luz alaranjada do sol já se escondia detrás dos grandes agrupamentos de rochas, que iluminava o solo da floresta, que era banhado pelas folhas secas que outrora pertenciam aquelas árvores, deixando tudo com mais aspecto de outono.
Parando para pensar, esta estação lembrava o estranho - e belo - menino raposa, com suas veste de cor outono.
Acho que estou pensando demais nele, mas que culpa tenho? Não é todo dia que aparentemente encontro uma espécie de híbrido, que possivelmente é um espírito da floresta me dando um "tchauzinho". Por mais que eu goste dessas coisas sobrenaturais, isso parece meio assustador.
Vou entrando mais na floresta, e como não sou burro e muito menos um personagem de filme de terror, vou seguindo uma trilha que existe ali.
Vou andando até que ouço um farfalhar, olho na direção e não vejo nada. Logo escuto outro barulho só que na direção oposta à anterior. Seja quem for está querendo brincar comigo, mas Uchiha Sasuke nunca cairia em algo tão fútil.
Ouço passos não muito longe e avisto o menino que está com só a cabeça amostra e com o resto do corpo escondido atrás de uma das milhares de árvores do local. Ele ri e sai correndo.
— ei, volte aqui!! –
Saio correndo atrás dele, que estranhamente se esconde atrás de outra árvore e quando chego nela, ele simplesmente desaparece e reaparece em outras, com suas risadas que parecem ecoar de todos os lados. Por incrível que pareça, não é assustador, é até que bem divertido. Rio genuinamente, como sinceramente.. não fazia a um bom tempo.
Quanto tempo estava ali? Simplesmente não sabia e muito menos ligava, estava se divertindo, com seu novo amigo? Não sei ao certo, já que ele não me dirigiu nenhuma palavra e os únicos sons que ele emitia eram os de suas risadas, que estranhamente pararam iguais suas aparições.
Tudo estava silencioso novamente, solitário eu diria. Ouço o som de um graveto se quebrando atrás de mim, me viro e ele estava ali, a mais ou menos um metro de mim, tão perto mas estranhamente tão longe. O Que reina entre nós nada parecia o que era antes, já que agora só havia o silêncio.
Olho para o céu e já estava um tanto escuro, o'que estranhei não ter percebido antes, mas ao olhar em volta percebo que o'que ilumina,- a que deveria ser a escura floresta - eram os vagalumes pairando pelo local e a grande lua no céu. Isso me lembrou que eu deveria estar em casa agora, Itachi deve estar louco me procurando, o'que me lembra que não faço a mínima ideia de onde estou.
— bem..– tento quebrar o silêncio, mas estou estranhamente nervoso – eu tenho que ir mas..não sei o caminho de volta, será que você..– corto minha fala quando ele me estende a mão
— não se preocupe, eu te levo de volta – pela primeira vez escuto a sua voz e ela é bonita.
Um pouco receoso seguro sua mão e ele vai me guiando para fora da floresta, de volta para casa. Após alguns minutos que pareciam ter passado muito rápido, desde o momento que segurei em sua mão macia e quente, pude avistar o chalé iluminado.
E antes que eu pudesse soltar minha mão, ele a segura mais forte, fazendo com que minhas bochechas fiquem em um tom rosado.
— você..– ele hesita – poderia voltar para brincar comigo? – olha no fundo de meus olhos, fazendo com que eu faça o mesmo podendo notar seus lindo olhos azuis, que era difícil por conta da máscara em seu rosto.
— eu voltarei, eu prometo – o assegurei – a propósito meu nome é Uchiha Sasuke – ele dá um grande sorriso, que torna impossível eu não fazer o mesmo, e infelizmente solta minha mão
— até amanhã Sa-su-ke – o jeito que ele disse meu nome fez minhas bochechas esquentarem de novo. O'Que está acontecendo comigo?!
— até –
Eu vou caminhando um pouco e olho para trás e aceno para ele que faz o mesmo, logo volto a olhar para o frente e caminhar
— Uzumaki, Uzumaki Naruto, é meu nome – a fala sai como um sussurro que é carregado pelo vento até meus ouvidos. Me viro e ele não está mais lá.
— é um belo nome – sussurro para mim mesmo e vou em direção a casa, e quando cruzo a porta sou recebido por um abraço desesperado de meu irmão e suspiros de alívio dos outros, " que susto otouto, não faça mais isso!"
Em um galho de uma árvore não muito longe dali
— o seu também é.. – observa o Uchiha com a família e sorri feliz antes de voltar para o floresta
Naquela noite caiu os primeiros flocos de neve do inverno.
