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Taylor não sentia mais dor na ponta dos dedos, não desde a adolescência, a época em que se frustrava quando seus cabelos tão dourados quanto os raios do sol mais vívido se derramavam como cascatas para atrapalhar a visão que tinha da mão esquerda. Não conseguia fazer nada além de 4 acordes, olhando para os próprios dedos com raiva a cada vez que o violão tropeçava com o manuseio amador e quase abusivo, se irritando infinitamente com o fato de que sua carne ardia e reclamava sob a pressão recém-descoberta contra as cordas que prometiam ser o material mais macio para iniciantes. Ela não entendia na época, tão ingênua e apressada, a fome insuportável de criar e viver como se o mundo fosse acabar no dia seguinte, o desejo egocêntrico e insuportável de querer que cada pessoa soubesse seu nome. Se enfiava madrugada adentro torcendo para não ser interrompida por alguma regra tácita e estúpida de silêncio noturno, como se sua inexperiência fosse se resolver antes que o sol nascesse. Foram 4 longos meses de uma evolução lenta até conseguir tocar por 30 minutos ininterruptos, 4 meses experimentando acorde seguido de acorde para que seus dedos adquirissem a velocidade necessária para mostrar ao mundo que ela merecia ter um nome, 4 meses rabiscando frases desconexas em diários bagunçados com a esperança de que saberia colocar palavras tão importantes em uma melodia agradável o suficiente.
Depois daqueles 4 meses, Taylor não sentia mais dor, mesmo depois de segurar o violão por horas intermináveis, suas articulações se esquecendo do movimento correto e continuando porque ela ainda queria mais e não sentia dor. Quando o mundo começou a olhar, Taylor tocou até sentir os braços e a garganta arderem, em todos os lugares do país, garantindo que não se esquecessem que ela merecia a atenção, as pontas de seus dedos eram calejadas naquela época. Tão inexperiente e cheia de um tipo de confiança quase prejudicial, Taylor acreditou que sabia como lidar com qualquer coisa que enfrentasse desde que seus dedos não doessem e as pessoas sem rosto não esquecessem seu nome. Beijou homens cujas mãos não se encaixavam na suas, grandes demais, suaves demais, mais preocupadas com o que os esperava sob a densa camada de roupas que vestiu porque o inverno de Nashville não era tão rigoroso quanto o de Nova York. Beijou mulheres que seguravam seu rosto como se fosse um prêmio, com olhares vazios e batons vermelhos que ficavam tão bem roubados por seus lábios que decidiu tornar a cor sua própria marca.
Quando foi violentamente condenada ao ostracismo por crimes nunca cometidos, Taylor não se perdeu porque a verdade estava intrínseca em sua alma. Escondida em uma casa onde nenhuma câmera seria capaz de a alcançar, tocou até que as cordas do violão desgastado estivessem manchadas de sangue, se sentindo menor do que nunca, permitindo que a dor avermelhada escorresse das pontas de seus dedos e se derramasse na madeira polida do instrumento. Se sentindo tão traída e frustrada com as milhares de pessoas sem rosto que prometeram nunca desviar o olhar, poucas sobraram, ela se agarrou ao que tinha mesmo que quisesse fingir que já não se importava com nenhum deles. Em sua solidão crua e dolorosa, mergulhou em um amor condicional que não a enxergou como alguém que recuperaria a atenção dos flashes intermináveis, os olhos azuis refletiam os dela, mas sempre foram diferentes demais para funcionar. Ela escapou pelos dedos apertados do homem que via nas telas coloridas da televisão e tocou por horas para aqueles que ainda a enxergavam. As feridas recém-abertas na ponta dos dedos não doeram, tudo o que ela precisava fazer era lembrar a todos que seu nome ainda importava e conseguiu com facilidade o suficiente para fazer seu ano sabático soar desnecessário. O perfume do ator que acreditou que a teria para sempre tinha sumido de suas roupas depois de três premiações onde se obrigou a voltar a usar novas fragrâncias.
Estava sozinha, roubando beijos ocasionais de pessoas que não seriam dominadas pela vaidade de estar com alguém como ela, coração tão inalcançável quanto em qualquer outro momento, enxergando nada além da luxúria vazia que sempre era dirigida a ela. Os holofotes continuavam se multiplicando até o infinito e Taylor teve a ousadia de se surpreender, todas as pessoas sem rosto pertenciam a ela, uma relação onde era quase obrigatório que cada um cedesse boa parte de seu tempo e sua mente, Taylor cedia tudo o que tinha permissão para ceder e se entregava ao mar de luzes e gritos calorosos porque nada importava enquanto seus dedos não doessem. Não era mais ingênua como foi um dia, nenhuma esperança de encontrar mãos que se encaixassem com as suas, resignada a viver com muitas paixões e poucos amores, não era mais doloroso como costumava ser. Assim como a ponta dos dedos, seu coração já não sentia a pressão sufocante.
Então por que estava errando em algo tão estupidamente simples? Poderia culpar qualquer coisa, a meia taça de um vinho que escolheu com meticulosidade, as lembranças reacendidas pelas letras rabiscadas no caderno de composições aberto, as cordas velhas do violão que quase nunca usava, seria o suficiente. Mas Taylor já era inegavelmente sábia demais para não saber que se enganar era o pior caminho possível, aceitar determinadas verdades dolorosas era o caminho mais rápido para aprender a lidar com uma situação, mesmo que desesperadamente quisesse negar. E ela queria. Com a força ardente de mil sóis ela desejava negar porque o céu se estilhaçaria em milhões de pedaços se não o fizesse. A acidez da hipocrisia se derramaria sobre cada ferida cicatrizada, reabrindo todas elas e elevando a agonia a um estado nunca antes atingido, era a última coisa que precisava durante a primeira fase tão boa e livre de problemas em tanto tempo.
— Desculpa. Fiquei um pouco nervosa. - murmurou como a criança estúpida que costumava ser, o vermelho líquido invadindo suas bochechas e pescoço, fazendo sua pele formigar e queimar, uma colaboração confusa com o retrato perfeito de casualidade que deveria estar presente. Os olhos castanhos dissecaram sua alma sem permissão, ansiosos, inseguros e famintos, devorando cada palavra de músicas que nunca veriam a luz do dia. Estava entretida e impressionada, mas não o suficiente para não ouvir os erros que a mais velha cometia como se fosse a primeira vez com um violão em mãos. Taylor respirou fundo, deu mais um gole na taça de vinho e voltou a deslizar por acordes que por meses foram restritos a salas vazias, finalmente sendo apresentados para um público pequeno e ávido por mais um segundo, a ansiedade de impressionar ainda era mais saborosa do que a solidão constante.
— Eu deveria estar nervosa. Olha só pra você. É você. - Swift não pôde deixar de se perguntar se ela fazia alguma ideia de como suas palavras ressoavam quando falava com tanta doçura, o brilho da costumeira insegurança sendo nada além de um detalhe impossível de notar. Como ela poderia ser insegura? Com cabelos castanhos impecáveis complementando a escuridão insanamente acolhedora de seus olhos apaixonantes, com um físico que seria a representação mais fiel de tudo o que milhões de pessoas invejavam, com uma mente tão brilhante e criativa que poderia transformar os cantos mais profundos de seu coração em um tipo de poesia que Taylor teria feito de tudo para saber administrar no início da adolescência. Os lábios desenhados como a mais bela obra de arte eram como um imã que roubava sua atenção com insistência, a cada palavra, cada cantarolar suave, cada risada, tudo era magnético, uma força da natureza cravando suas garras afiadas e obrigando a musicista a ceder aos desejos doentios e egoístas de admirar o quão deslumbrantes eram.
— Você se acostuma. - desconversou enquanto procurava a melhor melodia para um dos rabiscos bêbados que fez durante alguma madrugada fria do mês anterior. À medida que as palavras eram jogadas no ar, Taylor torceu para que sua afirmação fosse verdadeira e válida não somente para sua visitante, queria se acostumar com a visão encantadora de Olivia Rodrigo e seus sorrisos nervosos. Com um caderno de capa azul nas mãos, blusa folgada com a estampa de algum artista que Swift não tentou descobrir qual era, calça jeans azul clara e pés descalços, tão confortável, se encaixando no cenário acolhedor da sala de estar como se fosse seu por direito. Taylor nunca aspirou ser o tipo de artista que se perde entre tintas e rascunhos, entretanto, pareceu sua prioridade naquele momento, como se todas as palavras que conhecesse fossem insuficientes para registrar o que realmente sentia com aquela visão. Seu presente entregue pelo destino era saber dançar com poesias melódicas que nenhuma outra pessoa teria sutileza necessária para criar, então ela usou o dom que era seu por direito, agarrando seu próprio caderno com pressa e registrando a essência da sensação de hipnotismo que Olivia causava sem dificuldades.
— Como foi a semana em Nova York? - fácil como o apertar de um botão, Olivia não fez o menor movimento para esconder o prazer que sentia em destrinchar os longos dias que viveu na cidade sob o olhar atento daquela que considerava seu maior exemplo no meio artístico. Algum fã especialmente nervoso, um maquiador novo que não sabia lidar com o esquema de cores leve que ela preferia, a dificuldade em parecer menos nervosa durante participações em programas, reclamações sobre o trânsito incomparável da megalópole. As descrições detalhadas e pessoais de dilemas que a própria Taylor enfrentou quando se mudou eram como alimento para a alma, tão delicado e pessoal, cru como nenhuma música seria capaz de retratar. Hipnótica em sua maneira doce de espalhar a própria alma pela sala, ela era deslumbrante quando se abria daquela maneira, olhos brilhantes e sorriso carismático, alheia ao próprio magnetismo. O violão foi deixado de lado, nenhum acorde era interessante o suficiente, goles nocivos de vinho desceram pela garganta quando se aproximaram mais.
— Com calor? - Taylor sentiu o gosto do chiclete de menta na respiração dela, a echarpe verde jogada no sofá foi esquecida quando saiu de suas mãos, olhos castanhos inebriantes a engolindo sem dificuldade. Tão perto, tão proibido, tão atrativo, tão puro, tão perfeito. O toque da ponta dos dedos nas costas da mão esquerda foi elétrico, Olivia estava claramente ciente do papel que desempenhava naquele momento.
— Um pouco. Foi o vinho. - a voz da mais velha soou arrastada e melódica, convidativa até mesmo para si, aquela não deveria ser sua real intenção. Por que continuou se aproximando? Já sentia o calor que exalava da pele dela, o cheiro do gloss que provavelmente foi reaplicado com cuidado quando ela foi ao banheiro quinze minutos antes, Taylor estava caindo na teia pegajosa de Rodrigo a cada segundo e não ressentia por isso, ao contrário, almejava estar sob controle como um devoto buscando por um deus falso. Religião e fé, nenhum padre tinha a permissão legal para guardar seus segredos, confissão era algo distante, a condenação autoimposta, por outro lado, estava ao alcance dos dedos, clamando por sua alma cansada, oferecendo maravilhas que morreria por aceitar. Swift pensou em se afastar, inclinar a cabeça o suficiente para que o gloss adocicado não sujasse nada além do canto de seus lábios, a sinalização silenciosa que não estava disposta a continuar o que quer que tal erro pudesse se tornar. A garota entenderia no mesmo segundo, se afastaria com suas intenções e perderia noites de sono acreditando ter envergonhado a si mesma aos olhos de alguém que admirava, como se a eletricidade densa no ar fosse nada além da imaginação afetada pela atenção que recebia da mulher.
Taylor não se moveu. O universo entrou em colapso com uma explosão que significava tudo e nada, o final de uma era, o início de algo que ela, a compositora da década, não tinha palavras para descrever. A catástrofe tinha gosto de morangos artificiais e adolescência distorcida por algo que fazia seu estômago se torcer em um nó, viciante, dolorosamente viciante, fez com que Taylor se perguntasse se cada pecado negado desde o nascimento era tão bom quanto esse. As mãos de Olivia se perderam nas mechas loiras, a paixão era demonstrada com um toque doentio de devoção, como se aquela fosse sua única chance de mostrar que podia ser boa o suficiente, se banhando em um desespero controlado que passaria despercebido por qualquer outra pessoa. Taylor ficou dividida entre o rosto macio e a cintura delicada, a pele sob suas mãos calejadas queimava tanto quanto seus lábios formigavam, o nervosismo de ambas as partes era quase tangível.
Na sala da própria casa, sentindo o prazer culposo de tocar um alguém que não deveria a pertencer, Taylor Swift entendeu Ícaro pela segunda vez em sua vida. Na primeira vez, ainda no auge da juventude, descobriu que seu amor pelo público era como amar o sol, cada passo que dava em sua carreira era tanto se esquentar quanto deixar que os raios impiedosos queimassem a cera. Na segunda vez, vivendo a fase que considerava ser a de maior maturidade, estava descobrindo um novo sol, menos abstrato, mais quente e tão aterrorizante quanto o primeiro. Olivia era a representação de tudo o que nunca poderia reivindicar na luz ardente dos holofotes que a perseguiam, a personificação do calor responsável pela cera que escorria por suas costas ainda mais rápido do que em qualquer outro momento, a pior mistura de luxúria e paixão que já encontrou em cada uma das pessoas que teve coragem de tocar.
Respirar parecia estupidamente superestimado naquele momento, mas fez o favor de ceder porque sabia que Rodrigo não o faria. Taylor não ousou perder o pouco tempo que tinha, sem saber quanto tempo demoraria para que a garota percebesse quem beijava, quando o primeiro encanto desaparecesse e aquele erro estivesse longe do alcance de seus dedos. Os lábios sujos de um gloss roubado pelo contato espalharam seus beijos desnorteados por toda a região do pescoço de Olivia, marcando a pele quente como se pertencesse a ela, pronta para engolir cada pulsação suave das veias escondidas sob a pele, o coração acelerado e respiração falha não permitiam que escondesse a intensidade do que sentia. Swift desejou voltar atrás e garantir que o escolhido para receber a garota fosse seu batom vermelho característico, teria deixado marcas cuja origem era inconfundível, lembretes do que fizeram, provas sutis demais para atribuir a um culpado direto, mas cada um que a tocasse saberia. Beijos e mordidas que nunca seriam superados, a vantagem de ter um mundo inteiro colaborando com a construção da ideia que sua equipe de marketing criou, ser lembrada a cada beijo avermelhado que experimentasse em outras bocas.
— Taylor! - a palavra foi sussurrada como uma oração, baixa e tão carregada de fascinação, um comprometimento cego que alimentaria o ego de qualquer ser humano que experimentasse o prazer de causar aquelas sensações. Quem conseguiria se manter inalterado com Olivia Rodrigo tremendo em seu colo? Taylor não era a resposta correta, a mudança causada por aquele momento parecia ter sido molecular, nenhuma célula de seu corpo continuou a mesma, tudo foi covardemente marcado por Olivia e seus suspiros hipnotizantes. Os lábios da mais velha formigavam quando teve a coragem de se afastar, mão esquerda segurando a cintura sem nenhuma camada ofensiva de tecido para atrapalhar, a direita se ocupando com a cascata de mechas castanhas atrapalhando a visibilidade, era a primeira vez precisando inclinar a cabeça para cima para ter acesso aos olhos castanhos que a perseguiam em pensamento. Swift sorriu porque seria cruelmente desonesto privar a garota de uma demonstração clara de como realmente se sentia, ela não sabia o que faria se Rodrigo não soubesse, se não conseguisse ler em seus olhos que sua felicidade era equivalente à de alguém que ganhou o melhor dos concursos.
— Tudo bem? - questionou porque a falta de cuidado seria ofensiva para si mesma, revisitaria aquele momento centenas de vezes antes de dormir, escreveria poemas no teto branco sobre estar eternamente assombrada pelo castanho magnífico e a respiração quente com cheiro de chiclete de menta, não podia ter uma memória tão especial sendo manchada com o descuido que usaria ao tratar qualquer outra pessoa. Era estranho admitir a si mesma, queria que Olivia fizesse o mesmo, aconchegada em seus lençóis macios e se perdendo em letras e melodias originadas no encontro de seus lábios, caneta eventualmente deixada de lado porque era impossível não se perder na fonte de inspiração. A ponta de seus dedos deslizando pelos lugares eternamente marcados pelos beijos daquela que acompanhava desde sempre, suspiros maravilhados, a realização de que fora intimamente adorada por alguém que admirava.
— Isso foi… Uau. Você gostou? - o vermelho da vergonha se derramou em sua pele no segundo em que deixou escapar o murmúrio que julgou como a pior estupidez que poderia passar por seus lábios. Foi infantil? Olivia preferia não saber, sua única opção era se amaldiçoar em silêncio por perder a oportunidade de dizer algo bom o suficiente. Taylor não conseguiu conter a risada baixa que surgiu no fundo de sua garganta, profunda e repleta de diversão, nem mesmo uma gota de desdém. Rodrigo se dividiu entre desejar que sua vida fosse ceifada instantaneamente e se regozijar com o fato de que era a dona de uma risada tão sincera e perfeita, ambas as opções pareciam tentadoras.
— Muito. - a voz outrora responsável por entreter estádios inteiros nunca soou tão crua e satisfeita aos ouvidos da jovem artista, a sensação era de que estava se arrastando e garantindo um bom lugar em sua alma, algo entre os ossos e a carne que ninguém além dela poderia alcançar. Os dedos quentes e calejados tocaram o maxilar delicado, Olivia choraria se pudesse, queria que Taylor beijasse suas lágrimas indesejadas até que todas desaparecessem.
Como Ícaro, Swift procurou novamente pelo calor escaldante que derreteria suas asas. Toques menos inocentes a cada segundo, um demônio engolindo os suspiros e sonhos de alguém que ainda não sabia em qual nível do inferno estava se colocando, gosto de gloss popular entre adolescentes e inexperiência escrita em como seu corpo respondia. Olivia não apresentou resistência, quadris involuntariamente procurando pelo atrito responsável por alimentar a sensação avassaladora que construíam juntas, dedos delicados se agarrando à cabeleira dourada com mais força a cada centímetro viajado pelas mãos da mais velha sob sua blusa larga. Taylor sabia sobre a quantidade descomunal de poder na ponta de seus dedos quando alcançou a renda delicada do sutiã, poucas frases, poucos toques, pedidos exigentes e garantias mentirosas, não precisaria de muito para tomar para si o que a parte conservadora da sociedade considerava tão importante na vida de uma garota.
Não, era demais. Um passo além do que era saudável pisar, uma marca feita por ela que Olivia precisava decidir carregar quando não estivesse sobrecarregada pela atenção da mulher que admirava desde sempre, sua capacidade de escolha estava seriamente comprometida enquanto recebesse beijos e sentisse a pele ligeiramente áspera da ponta de seus dedos por todos os lugares. Mesmo com o sim em mãos, Taylor nunca teria a insensibilidade de a tomar para si no sofá da sala depois de uma noite qualquer, não repetiria o desastre que experimentou nas mãos de seu primeiro amante. Seria atenciosa, ofereceria seus próprios lençóis, tocaria o corpo da garota com a maestria de uma violinista, se apaixonando pela maneira como suas costas se arqueariam na mesma cama onde Taylor se deitaria e sonharia com aquelas memórias. Uma possibilidade de futuro perfeito que precisava ser abandonada por hora.
Optou por se contentar com o que era oferecido no momento, era o suficiente. Os suspiros apressados, os arranhões das unhas pintadas de roxo em sua nuca, a pressão deliciosa em seu colo, o desespero notável dos lábios macios buscando os seus, os arrepios em toda sua pele, murmúrios engasgados se perdendo em meio ao contato. Taylor deixou escapar uma versão menor e quase inaudível de um gemido, era o suficiente, era muito mais do que o suficiente.
