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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-03-24
Updated:
2024-04-07
Words:
5,254
Chapters:
2/?
Hits:
26

i orbit around you (dream state)

Summary:

Baekhyun e Chanyeol não poderiam ser mais diferentes um do outro. Baekhyun é filho do inabalável general Byun, o caçula de uma das famílias mais respeitadas da cidade. Seu irmão mais velho estuda numa prestigiada universidade de medicina, e ele próprio em uma de direito. Parece ser a vida perfeita.
Já Chanyeol vê sua vida ruir na frente de seus olhos. Desde que o pai voltou da guerra, parece que nada foi o mesmo. Chanyeol vê como única solução se alistar no exército para lutar na viciosa guerra que o país ainda trava. Ele só não contava que isso o faria conhecer Byun Baekhyun. E que ele passaria a morar em seus sonhos.

Notes:

Algumas coisas, primeiro de tudo essa história é, de certa forma, inspirada na música "See You Again", do Tyler, The Creator com a Kali Uchis. Ou pelo menos eu tive a ideia ouvindo essa música em loop, por isso os nomes dos capítulos. E esse é um universo alternativo inventado, então não se prendam muito em detalhes de tempo e espaço. S2

Chapter 1: relocate my fantasy, i stay in reality

Chapter Text

Notas suaves e espaçadas ressoam no piano. As janelas estão abertas, e a brisa preguiçosa de começo de tarde percorre o cômodo. Os dedos que pressionam as teclas soam hesitantes, apesar da melodia familiar. Finalmente, suspira e desiste.

Então as portas se abrem violentamente, porque Baekbeom parece ser fisicamente incapaz de fazer qualquer coisa de forma discreta.

- Baekhyun, quanto tempo você vai continuar fingindo que não vê minha mágoa? Me ajudar com as malas é o mínimo que você pode fazer para ao menos fazer de conta que vai sentir minha falta.

Baekhyun vira para encarar o irmão mais velho com um sorriso de canto, mas sem responder. Baekbeom se aproxima e coloca o braço em volta de seus ombros.

- Vamos lá. - Murmura. Como se soubesse que o outro está triste, mas ainda se recusando a reconhecer.

Baekhyun faz um barulho em protesto, mas se levanta para segui-lo. Os dois caminham até o quarto de Baekbeom, que se encontrava na já conhecida bagunça de início de semestre.

- E você vai parar de fingir que não me chamou só porque queria minha ajuda? Olha essa bagunça, você teve o mês inteiro pra arrumar tudo isso.

Baekbeom soltou uma risada jovial e o ignorou, dobrando roupas e mais roupas que de alguma forma deveriam caber na pequena e gasta mala marrom sobre a cama. Por todo o quarto, roupas e livros tomavam conta dos móveis. Era o fim de mais um verão, e Baekbeom voltaria para a faculdade onde morava durante todo o ano letivo. E ele nem passava o verão inteiro em casa. Geralmente viajava com os amigos ou com a namorada, Saerom, e voltava nas últimas duas semanas das férias. Naquele ano, voltara apenas na última.

Baekyun encarava a pilha de livros didáticos que tentava sem sucesso enfiar na outra mala aberta no chão.

- Pra quê esse tanto de livro, não é possível que você realmente vá usar tudo isso… - Resmungava enquanto empurrava o exemplar de Histologia e Biologia Celular, com suas páginas amareladas e amassadas de tanto uso, como se fosse se desfazer a qualquer momento.

- Ahn ahn, muito cuidado com isso nanico - Baekbeom atravessou o quarto num piscar de olhos e tomou o livro da mão do irmão para arrumar ele mesmo. - Isso aqui é uma preciosidade, não ouse estragar. Você vai entender isso quando crescer e começar a se dedicar ao seu futuro como eu. Ou já devia, não é? Você já vai para o seu segundo ano. - O olho com as sobrancelhas para cima, com ar julgador. Baekhyun apenas bufou.

- Nem todo mundo é um nerd de primeira que nem você. - A resposta foi uma travesseirada na cara. - Ei!

- Tudo bem, desculpa, eu só tava tentando conversar sobre seu curso. Você nunca fala sobre isso comigo, queria saber como está sendo, só isso. - Impediu Baekhyun de revidar ao mudar de assunto, naquela lábia de irmão mais velho. - Vai me dizer que você não tá nem um pouco animado?

Baekhyun suspirou, voltando a empilhar os livros de Medicina. Não era a primeira vez que tinha essa conversa, nem a segunda nem a terceira. Com o irmão, com o pai e a mãe, com os amigos de nariz empinado que às vezes eram convidados para jantar na casa dos Byun, até com o vizinho enxerido. Baekhyun sentia que dava uma resposta diferente a cada vez que era perguntado, e a única certeza que tinha é que sempre era uma mentira.

- Só não é a mesma coisa que é pra você, só isso. Eu me mantenho na linha e sempre tiro notas boas, não sei por que todo mundo fica me importunando por causa disso.

- Não é isso, Hyun, é só preocupação. Você sempre parece tão distante agora, não era assim antes, queria saber se era por causa disso…

Baekhyun se esforçou para deixar a expressão facial neutra e não deixar transparecer sua frustração. Baekbeom era o primeiro da turma desde o ensino fundamental. Ganhara uma bolsa integral e aclamada no momento que se formou na escola, era elogiado por todos os professores e já tinha o mestrado, doutorado e anos de pesquisa detalhadamente programados. Por que esse era Baekbeom. E só por isso seus pais haviam permitido que se mudasse para o outro lado do país estudar um curso que eles não aprovavam. E Baekhyun não sentia inveja, ou qualquer coisa do tipo. Mas aquele não era ele. E por causa disso, o que sobrou era a faculdade de Direito, seguindo o desejo de anos que os pais almejavam para ambos os filhos: assumir o reverenciado escritório de advocacia do avô.

- Está tudo bem hyung, é sério. Só é difícil, e cansativo às vezes. - E, por que ainda não conseguia impedir sua impulsividade, acrescentou. - Não é como se você soubesse de verdade de qualquer forma, você nem está aqui na maior parte do tempo.

Baekbeom o encarou por alguns segundos antes de sua expressão ficar irritada.

- Eu sei que você cairia fora daqui na primeira oportunidade se pudesse também, não é minha culpa que eu tive o cérebro para conseguir isso sozinho e você não.

Um silêncio desconfortável pairou no quarto. Baekhyun decidiu não responder e continuou a empilhar livros. Depois de um tempo, Baekbeom suspirou.

- Desculpa. Hyun, desculpa. Você tem razão, eu não tenho direito de falar assim.

- Tudo bem. - O mais novo respondeu, ainda sem encará-lo.
- Ah que isso, vem cá. - Baekbeom se aproximou e forçou um abraço, fazendo Baekhyun deixar um sorriso escapar. - É meu último dia aqui e você vai ficar emburrado assim?

Baekhyun riu e devolveu o abraço. Os dois pegaram as malas e caminharam até a entrada da casa, onde as grandes portas de madeira estavam escancaradas. No chão de pedras cinzas havia um carro preto estacionado, porta malas aberto. Os pais já os esperavam, sr. Byun com uma expressão solene analisando o céu e sra. Byun parecendo prester a chorar a qualquer momento.

Colocaram as malas no carro com a ajuda do motorista, e Baekhyun assistiu Baekbeom se adiantar e se despedir dos pais. Sr. Byun primeiro, o deu um abraço firme com alguns tapinhas nas costas, e disse para se cuidar. Estava completamente fardado, como parecia sempre estar, as medalhas penduradas no peito tilintando e demandando respeito. Seu rosto não parecia demonstrar qualquer tipo de emoção específica, talvez se perguntando quanto tempo aquilo iria demorar para que pudesse se retirar novamente. A visão da família reunida era algo raro na casa dos Byun, se limitando às visitas de Baekbeom e ocasionais jantares com amigos do casal.

Sra. Byun desatou a soluçar no momento que seu olhar encontrou o do filho mais velho.

- Ah meu amor, não acredito que já vai, passou tão rápido… Prometa visitar mais vezes! Em outubro teremos o jantar beneficente, tente aparecer! Ou no aniversário de seu pai…

Todo ano ela suplicava e tentava fazer planos para que Baekbeom os visitasse, e todo ano ele aparecia apenas uma vez, na infame visita relâmpago de verão.

Eles se abraçaram por um tempo consideravelmente mais longo do que com o sr. Byun, apesar da postura atrapalhada e rígida de Baekbeom ser a mesma. Ele sorria e dizia para a mãe não se preocupar. Baekhyun ainda estava apoiado contra o carro, observando a cena em silêncio. Por fim, o irmão se soltou com dificuldade da mãe e se aproximou do irmão. Eles sorriam e se abraçaram sem dizer nada. Baekbeom se soltou e afagou os cabelos castanhos de Baekhyun, iguais aos seus.

Enquanto ele terminava de ajeitar as malas e entrava no carro, Baekhyun se postou ao lado dos pais no topo das escadas de pedra. Baekbeom acenou e entrou no carro. Colocou o cinto e, antes do carro partir, olhou mais uma vez para a elegante residência dos Byun. Não era uma mansão, muito menos tinham empregados, mas era o tipo de casa que dá para notar que os donos têm dinheiro com apenas uma espiada. A família que o encarava de volta era bonita, tinha a postura ereta e roupas caras. Um general admirado, uma bela ex-atriz, e o adorável caçula. O retrato que toda a cidade invejava.

Baekhyun notou que aquele último olhar também sempre era o mesmo, todo ano. Analisava a casa e as figuras como que para manter na memória pelos vários meses que não se veriam novamente. E ainda assim, sem nem um pingo de afeição. Na verdade, parecia quase aliviado de ver as sombras da casa na qual cresceu e passou a maior parte de sua vida ficarem cada vez menores, e ao lembrar-se dos quilômetros e quilômetros de distância que separavam tudo isso de sua nova vida.
Quando o carro finalmente ficou longe demais para ser visto, o sr. Byun foi o primeiro a sair a passos rápidos de volta a seu escritório. Sra. Byun ainda parecia inconsolável e lentamente caminhou até a cozinha. E Baekhyun suspirou, sozinho novamente.

 

***

 

Kyungsoo observou Chanyeol derrubar pregos pela quarta vez. Ele já estava há alguns minutos repetindo o mesmo processo, começava a arrumar as caixas, se distraía no meio do caminho e começava a brincar com os conteúdos, até que derrubava algo no chão e acordava do transe, repetindo tudo do começo. Kyungsoo passara esses mesmos minutos travando uma luta interna entre perguntar o que havia de errado ou apenas estrangular o outro. Por fim, decidiu ser legal.

- Chanyeol - Começou segurando o pulso do outro e o forçando a parar e olhá-lo. - Tá tudo bem? Olha se você quiser conversar eu tô aqui pra ouvir, mas se você não parar com essa merda a gente vai ter sérios problemas.

Aquilo pareceu acordar o outro. Sentado na bancada, Chanyeol estava desempacotando as caixas que chegaram pela manhã, mas desde que entrou na loja estava com o olhar perdido, realizando as tarefas com aquele vinco nas sobrancelhas que fazia quando estava preocupado com alguma coisa.

- Ah desculpa. Não é nada, não precisa se preocupar. - Se levantou da cadeira e pegou as caixas, subindo na escada que estava atrás de si, e começando a guardar as novas mercadorias nas prateleiras.

Kyungsoo o observou com uma carranca. Para alguém tão sentimental era difícil arrancar as coisas de Chanyeol às vezes. Mas sua intuição dizia que era algo sério, então continuou com cautela.

- Tem certeza? Não quero me intrometer, mas você não fez nada direito desde que chegou pela manhã. - O outro continuou o que estava fazendo em silêncio. - Se não quer me contar, acho que devia descansar um pouco. Eu termino aqui, não tem muita coisa.

Ouviu um suspiro, e Chanyeol desceu as escadas, voltando a sentar no banquinho de madeira que estava antes. Depois de uns instantes, decidiu se abrir.

- É a Yoora. Ela tá grávida.

Kyungsoo demorou para responder, tentando entender o motivo do desânimo do outro.

- Meus parabéns! Desculpa, isso não era pra ser uma coisa boa? Diga pra ela que estou feliz por eles.

- É, isso é ótimo. - Disse Chanyeol com uma voz rouca, como se estivesse presa na garganta. - Quer dizer, não é culpa dela. Só estou preocupado como vamos passar esse ano.
A voz de Kyungsoo também se tornou mais baixa.

- Pensei que seu pai estivesse melhorando…

- Todos achamos. Mas fomos no médico ontem e ele disse que isso é provavelmente o mais longe que sua recuperação vai chegar. Ele consegue fazer tudo sozinho, mas não pode se forçar para nada além do necessário. Ele não tem a menor condição de trabalhar desse jeito.

Kyungsoo ficou em silêncio. Todos sabiam da situação do pai de Chanyeol. Ele era o dono da loja de ferragens em que ambos trabalhavam, conhecido e querido por todos da vizinhança. Até que se alistou para a guerra. Ele nunca reclamou, muito pelo contrário, sempre dizia que a maior honra que existe para um homem é lutar por seu povo. Mas quando retornou sem a perna esquerda, a vida da família Park dificultou profundamente.

Os Park, assim como a maior parte dos moradores da região sul da cidade, sempre tiveram dificuldades financeiras. Mas isso nunca impediu que encontrassem a felicidade um no outro, ou que Chanyeol e Yoora tivessem uma infância repleta de memórias felizes. Depois que seu pai ficou impossibilitado de cuidar da loja, Chanyeol saiu da escola para ajudar. Estava no primeiro ano do ensino médio na época, e nunca mais voltou. Depois de alguns anos, Yoora se casou com o filho de um padeiro, igualmente pobre como eles. Teve um filho, e todos moravam juntos na pequena casa dos Park.

Chanyeol passava dia após dia preocupado com o futuro da família. Sra. Park já tinha problemas o suficiente cuidando da casa, do sr. Park e auxiliando Yoora com a criança. O uma vez alegre sr. Park afundava cada vez mais na própria insatisfação, e bebia quase todas as noites. E agora Yoora estava grávida novamente. O dinheiro que ganhava com a loja era apenas o suficiente para que nada faltasse, mas também não permitia que ninguém sequer sonhasse com algo a mais, muito menos Chanyeol, que abandonou toda sua vida para cuidar da família.

- Eu sinto muito, Chanyeol, de verdade. Se tiver alguma coisa que eu puder fazer…

- Não, tudo bem Soo. Eu já pensei muito nisso, penso todos os dias e não tem outra alternativa. Mas é uma solução que vai ajudar todo mundo.

- Você não quer dizer…Chanyeol, você vai se alistar?

Chanyeol tinha uma expressão pensativa e apenas assentiu. Kyungsoo queria protestar, mas não parecia justo. Sabia que Chanyeol se sentia extremamente responsável por toda a família, mas que nem ao menos completara o ensino médio para ir atrás de um emprego no centro da cidade. E na loja todos os seus clientes eram os moradores da mesma vizinhança, então o lucro que conseguiam era mínimo. Parecia realmente não haver outra alternativa.

Naquela noite, Chanyeol caminhou lentamente para casa, tentando adiar sua chegada e, consequentemente, ter que falar do fatídico assunto.

Respirou fundo o ar frio da noite. Caminhou observando a vizinhança onde viveu toda a sua vida. A pequena escola onde não havia se formado, a ponte sobre o lago onde caíra seu primeiro tombo de bicicleta, a padaria para onde ele e Yoora fugiam no intervalo das aulas para comer os famosos pães recheados, e onde posteriormente a irmã conhecera Jiho, com que se casara. A loja de ferragens, uma vez comandada pelo pai, e hoje com uma leve aparência de abandonada. Por fim, parou em frente à loja de música do sr. Choi. Quanto tempo passara em frente da vitrine, namorando o violão exposto no fundo da loja, o maior sonho de consumo que já tivera. Quando era adolescente, e tudo parecia possível, passava todos os dias na loja, fantasiando quais instrumentos compraria quando tivesse dinheiro suficiente, e que tipo de músico se tornaria quando crescesse. Agora, tudo parecia muito distante.

Suspirando, Chanyeol se obrigou a continuar andando. Há algum tempo, ficaria muito chateado com os pensamentos que estava tendo. Mas agora, era como se vivesse no automático. Se era aquilo que precisaria fazer para que sua família vivesse bem e feliz, então faria sem pensar duas vezes. Aprenderia a viver com suas próprias decepções, viraria um adulto responsável, e deixaria seus sonhos e devaneios para uma outra vida.

Abriu a porta de casa sem a animação costumeira, mas forçando um sorriso. Sua mãe lhe dirigiu um sorriso fraco, como se já soubesse o que estava pensando, e o ajudou a tirar o casaco.

- Tudo bem, meu filho? Você está com fome, quer que eu faça alguma coisa para você?

- Não precisa mãe, eu tô bem. - Deu-lhe um beijo na testa e se dirigiu para a sala. Jiho ainda não havia voltado, e Yoora estava sentada no sofá, ajudando seu filho com a tarefa de casa. Jisoo tinha 5 anos e estava sentado no tapete, obedientemente escrevendo no papel apoiado na mesa de centro. Chanyeol afagou carinhosamente os cabelos do menino e se sentou no sofá oposto, de frente para os dois.

No centro da sala, sr. Park estava sentado na poltrona de costume. Os irmãos brincavam dizendo que deveria ter um buraco com o formato do homem mais velho, de tanto que passava sentado ali. Ele nunca riu da piada.

- Olá, pai. Como o senhor passou? - Chanyeol cumprimentou. Sr. Park encarava a lareira com olhos rígidos sem expressar reação. Naquele ponto, ninguém sabia realmente o que havia de errado com o sr. Park, e não é como se tivessem dinheiro para pagar uma consulta. Nem sabiam onde haveria um médico de cabeça na vizinhança do sul.

- Não houve muita mudança por aqui. - Yoora se adiantou, com o característico sorriso doce. Mas seus olhos possuíam uma preocupação ao encarar o irmão mais novo. - Você está bem?

Chanyeol ficou alguns minutos em silêncio. Sabia que não poderia esconder por muito tempo. Os documentos que precisava assinar estavam em seu quarto já havia uma semana. Pretendia enviar naquela mesma noite. Mais cedo ou mais tarde, teria que enfrentar a verdade.

- Yoora - Pigarreou. - Vou me alistar. Já me decidi. Nada do que você falar vai me fazer mudar de ideia.

Yoora tinha uma expressão desolada. Sra. Park imediatamente parou de mexer na panela, mas não proferiu uma única palavra. Jisoo e sr. Park continuaram o que estavam fazendo.

- Tem certeza, Chan? Não precisa se apressar, eu ia dizer para Jiho se alistar ainda essa semana…

- Yoora.

- Ele é mais velho do que você!

- Noona. Ele precisa ficar aqui, com o Jisoo e o bebê. Eles precisam dele, você precisa dele.

- E você acha que eu não preciso de você?

Ao ouvir isso, Chanyeol ficou em silêncio. Yoora respirou fundo várias vezes. A sra. Park chorava baixinho e continuou mexendo na panela.

- Desculpa, Chan. Isso é tudo culpa minha.

- Noona. - Chanyeol caminhou até a irmã e a abraçou. - Não é culpa sua, nunca diga isso. Eu estou fazendo isso por todos nós. Eu fico feliz de poder fazer alguma coisa para ajudar.

- Eu sei. Mas eu queria que tivesse outro jeito. - Yoora o abraçou de volta, quase o sufocando.

- Ahá! Isso sim! Isso é que é honra, mostre filho, mostre que você é homem e que vai honrar meu nome…

Todos encaravam de olhos arregalados o sr. Park, que falara de súbito assustando os outros. Seus olhos ainda continuavam perdidos na lareira, sua boca se retorcendo na sombra de um sorriso sem humor. Depois de falar tossiu algumas vezes e voltou a ficar em silêncio.

Naquela noite, Chanyeol levou os documentos preenchidos para a caixa de correio no final da rua escura e deserta. Observou com pesar os papeis deslizarem e desaparecerem, sentindo que estava depositando muito mais do que apenas documentos ali dentro.