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They Don't Know About Us

Summary:

Quando Colin mentiu para Cressida na frente de todo o time de futebol e das líderes de torcida que não poderia ir com ela para o baile porque já tinha namorada e agora precisava encontrar, em tempo recorde, alguém que topasse ir ao baile com ele.
E, claro, fingisse ser sua namorada até lá.

Work Text:

— Eu estou tão ferrado! — Colin falou entrando no quarto de sua irmã Eloise, que esta deitada no tapete enquanto sua melhor amiga estava sentada na cama com o notebook no colo, provavelmente fazendo a lição. Penelope era a melhor aluna da escola inteira, ela estava sempre estudando.
— O que você fez? — Eloise perguntou, fechando o livro que estava lendo. — Aliás, você não deveria estar no treino? — Ela encarou o seu smartwatch.
— Já acabou. — Ele respondeu, se jogando dramaticamente na cama da irmã, sua cabeça a poucos centímetros das pernas cruzadas de Penelope.
— Mas vocês sempre saem depois do treino na sexta. Achei que era obrigatório ou então você perde a carteirinha de popular. — Eloise falou e Penelope riu. Colin levantou o olhar e encarou a garota.
Penelope Featherington entrou em sua vida dez anos atrás, quando as gêmeas foram para o jardim de infância. Colin estava na primeira série. Eloise e Penelope se tornaram amigas instantaneamente. Foi muito complicado para Daphne aceitar que Eloise não ficava mais seguindo ela pelos cantos. Depois disso, ela pediu a mãe deles para estudar em salas diferentes de Eloise, e assim foi. Mesmo sendo gêmeas, Eloise e Daphne são completamente diferentes. Daphne é cheerleader, popular, frequenta as mesma festas que Colin, faz parte do clube de teatro. Eloise anda com a mesma pessoa desde os seis anos (Pen). Está no clube de debates e faz literatura avançada. Pintou as pontas do cabelo de roxo e despreza tudo que é convencional. Ou popular.
— Pois é. — Ele respondeu. — Acontece, que como disse, eu me meti numa furada daquelas. Vim pedir ajuda da minha irmãzinha inteligente… — Eloise levantou uma sobrancelha.
— Então você admite que eu sou a mais inteligente dessa família.
— Das meninas, sim. — Ele parou. — E algumas vezes, dos meninos também.
— Você pode repetir isso? — Ela pegou o celular. Penelope parou de digitar e o olhar dela encontrou o de Colin. Pen tinha os olhos mais azuis que ele já tinha visto na vida. E quando ela o encarava assim, ele as vezes se sentia um pouco atordoado.
— Bem, eu já estava mesmo indo. Assim vocês podem conversar as sós. — Ela fechou o notebook.
— Não, você pode ficar. A Eloise é a mais inteligente da familia, mas você é mais que ela. — Eloise bufou mas Penelope lhe deu um sorriso tão lindo que ele sentiu suas bochechas esquentarem.
— Então fale de uma vez Colin, o que foi? Vai reprovar algebra? precisa de uma tutora?
— Antes fosse. Sabe o baile de Homecoming né?
— Como se a gente tivesse opção… — Eloise resmungou. Ele já havia escutado a irmã reclamar sobre as tradições arcaicas.
— Cressida me chamou para ir com ela no final do treino. Ela e as outras lideres, INCLUINDO A DAPH, fizeram uma apresentação e no final ela perguntou se eu queria ir com ela. — Penelope fez uma careta e Eloise abriu um sorriso de lado.
— Colin e Cressida, se bei-jan-do. Cuidado para não engolir veneno no processo, maninho.
— Ai é que tá; na hora eu travei, eu simplesmente não podia ir com ela então eu disse que já tinha par.
— E você não tem? — Penelope perguntou delicadamente. Ele sacudiu a cabeça que não.
— Por que você só não disse: nem fodedno, sua fubanga de quinta?
— Você esqueceu que ela é filha do treinador Cowper? Agora que eu consegui ser o quarterback titular com o Simon se formando! Ela fez isso lá, na frente do pai dela, então eu não podia dizer só “não”. Eu disse que não dava porque eu já ia com alguém.
— Com quem? — Penelope perguntou.
— Com minha namorada. — Ele suspirou e se sentou na cama, encostando na parede. — Eloise franziu o cenho.
— Você está namorando?
— Não, né Eloise!
— Ah. — Penelope falou. Então fez um silêncio e as duas começaram a rir.
— Não riam, é sério. Se eu contar a verdade agora, todo mundo vai ficar puto comigo: Cress, Daph, Phillip, o treinador Cowper…
— Não deve ser tão difícil assim você encontrar uma menina para ser seu par no baile, Col. — Penelope falou. — Ainda faltam duas semanas, e eu tenho certeza absoluta que qualquer garota da escola toparia ser sua namorada pelas próximas semanas.
— O problema maior é a Daphne. Eu sei que ela ficou desconfiada. E vocês sabem que ela e a Cressida se tornaram melhores amigas com aquele pacto esquisito de chearleaders dela.
— E a Cressida provavelmente vai pressionar a Daphne para descobrir tudo do seu namoro. — Penelope falou. — Quanto tempo você disse que estava namorando?
— Eu disse que tinha pouco tempo, era recente, por isso não era público ainda. Então eu preciso que vocês me ajudem a encontrar uma namorada até amanhã.
— Até amanhã? — Eloise arregalou os olhos.
— Claro, porque eu disse isso hoje então amanhã todo mundo espera que eu chegue de braços dados com minha namorada.
Penelope abriu o notebook de novo, com um sorriso de canto.
— O que eu ganho te ajudando nessa? — Eloise questionou.
— Minha gratidão eterna?
— Nah…— Ela fez uma careta.
— A satisfação de deixar a Cressida frustrada e de saber algo que a Daph não sabe? — Ele tentou. Isso pareceu interessar ela, já que ela levantou a sobrancelha em interesse. Então Penelope virou o notebook para ele.
— Se a gente pedir agora, essa boneca inflável chega amanhã antes do meio dia. Uma namorada perfeita. — Eloise explodiu numa gargalhada. — Seu aniversário é logo depois do baile, considere meu presente de aniversário adiantado. Tem preferências? Loira? Ruiva? Morena? — Ela falou já cedendo a risada, enquanto Eloise gargalhava alto.
— Me dá isso aqui. — Ele avançou para o notebook dela, mas em um salto, penelope levantou da cama.
— Posso postar na página do jornal da escola também. Anuncio: Quarterback solitário procura namorada de mentirinha para o baile. — Ela começou a digitar em pé, e Colin se levantou. — Pré-requisito… não ter medo da bruxa má do… — Ele avançou nela, a puxando pela cintura, tentando pegar o notebook. Penelope era a editora do jornal da escola, e ele tinha certeza que ela e a irmã postariam aquilo só para sacaneá-lo.
— Me dê isso aqui, Pen! — Ela ria também, agora lutando para deixar o notebook longe dele. Eloise se curvou no chão, ainda em risadas histéricas.
— Mal agradecido, estou tentando te ajudar! — Penelope falou escapando dele e correndo para cama de novo e ele a seguiu e acabou a derrubando, ela na cama e ela jogou o notebook para Eloise, que pegou e colocou nas costas. Mas Colin ainda estava meio que em cima de penelope em cima da cama, enquanto ela ria. Colin precisava admitir, que a puberdade tinha feito algo muito especial em Pen.
Quando criança, pen sempre foi a menor da turma. Ela era pequena, com rosto redondo, um tanto quanto gordinha e sempre com os cabelos ruivos presos em duas tranças e óculos de grau redondos. Mas perto de fazer dezesseis anos, Pen se tornou uma garota atraente. Talvez não fosse atraente no consenso geral da escola, mas Colin sempre havia achado ela bonitinha. Só que desde os últimos dois verões, os seios de Penelope cresceram mais do que de qualquer outra garota que ele conhecia. Ela tinha pernas grossas, seios enormes e até uma bunda gostosa. E os olhos. Não havia azul como os olhos dela. O sorriso de Penelope era quase sempre tímido, mas ali, rindo dele, era enorme e sincero e dava vontade de rir também.
— Gente, o que diabos… — Daphne abriu a porta do quarto de Eloise de vez e encariu a cena. Colin não tinha parado para pensar no que aquela cena deveria parecer para um telespectador estranho. Eloise num canto do quarto jogada no chão rindo. Ele em cima de Penelope na cama, também rindo. — Ah. AH. Meu Deus. MEU DEUS!
Eloise parou de rir. Colin de repente deu um salto e Penelope se sentou, ajeitando o vestido xadrez amarelo.
— Vocês dois! Agora tudo faz sentido! — Daphne bateu coma mão na testa. — Eu jurava que você estava mentindo pra Cress, mas… é claro! Você e Penelope! E você nem para me cogitar nada, sua gêmea traidora!
Colin olhou de Daphne, que ainda estava com seu uniforme de lider de torcida, para Penelope, que começava a ficar vermelha e ajeitava os óculos furiosamente no rosto, e então para Eloise, que estufou o peito.
— Não, eu… — Colin começou mas Eloise o interrompeu.
— Eu não podia, Daph. Nem é pelo Colin, é pela Pen. Você sabe, ela é tão tímida com essas coisas e também, eu nem achava que era sério, eu achava que eles estavam so saindo de boas, como amigos. Fiquei sabendo que eram encontros essa semana também. Ainda estou tentando me acostumar com a ideia. — Ela fez uma careta.
Colin abriu a boca mas não saiu nada. Daphne encarou os dois e então deu um pulinho.
— Ai eu estou tão feliz! — Ela correu e abraçou o Colin com uma mão e puxou a Penelope para abraçar coma outra. — Juro! Eu sempre disse que vocês seriam um casal perfeito. Não dizia, Elo?
— bem, sim, na terceira série. — Elo deu de ombros.
— Ainda assim! Penelope é tudo que você precisa Cols! E ela sempre esteve bem ali! Ainda bem que você percebeu! Ai, já pensou se vocês se casam igual a mamãe e o papai? Nossa eles já sabem? Eles vão ficar tão felizes!
— Casar? — Foi tudo que Penelope disse.
— Não agora, mas depois, quando vocês forem para a faculdade! Quer dizer, não existe história mais linda que melhores amigos de infância. Lembra quando o Colin passava a noite fazendo cartões dos dias do namorados para a Pen?
— Passava? — Penelope o encarou. Daphne ficou confusa.
— Ele nunca te deu nenhum?
— O idiota não assinava. — Eloise falou.
— VOCÊ SABIA QUE ERAM DELE? — Penelope se virou para amiga, e Eloise encolheu.
— Ele é meu irmão, Pen. Você achava que tinha um admirador secreto, se eu contasse que era ele talvez ele parasse e você ficaria triste.
— Não importa! — Daphne falou e Colin sentia as orelhas dele tão vermelhas, ele só queria fugir daquele quarto. — Não se pode competir com um amor de infância, isso são fatos. A Cress vai ter que me perdoar nessa. — Ela parou e encarou os dois sorrindo. — Tudo faz sentido. E vocês vão ser o casal mais lindo do Homecoming! Você deveria concorrer a rainha do baile, pen.
— Nem fodendo. — Ela respondeu.
— Viu? Por isso que eles estavam mantendo escondido. — Eloise disse. — A gente sabe que o Colin é o mister popularidade e a Pen odeia essas coisas.
— É. Eu entendo. — Daphne sorriu. — Mas agora todo mundo já sabe.
— Está tarde, né? — Penelope falou nervosamente pegando a mochila que estava no canto do quarto de Elo. — Eu preciso ir.
E em menos de trinta segundos, Penelope tinha saído. Eloise fez um sinal com a cabeça. Ele não entendeu.
— Você não vai acompanhar ela até em casa? — Colin ia dizer que Penelope morava apenas uma rua depois deles, mas então se tocou. Namorados acompanhavam namoras até em casa.
— Claro! Vocês me deixaram confusos. — Ele ia saindo quando Eloise gritou.
— Colin! — Ele parou no corredor perto da escada. — Ela esqueceu o notebook.
— Ah sim. — Ele segurou o notebook mas Eloise não soltou.
— É a Pen, Cols. Eu vou confiar que você não vai machucá-la nessa história. E irá proteger ela dessa sua galerinha.
— Meus amigos não são tão ruins. — Ele protestou.
— Prometa. — Ela o encarou, sério.
— Deus. É claro que eu prometo. — Ela soltou o notebook.
— Nunca diga que não fiz nada por você.

***

Penelope deu play na sua playlist favorita e ajeitou a alça da mochila nas costas. Colin iria explicar tudo a Daphne, ninguém na escola saberia disso. Ela estava apenas brincando, disse para si mesmo. Não tinha como alguém saber daquela maluquice da Eloise. Ela se acertaria com a amiga depois. Não precisava de motivos extras para Cressida atormentá-la. Sua escola tinha uma política de zero tolerância ao bullying então Cressida tinha sua forma bem peculiar de humilhá-la. Ela fazia parecer que eram dicas. Estava sempre sugerindo “dicas” de maquiagem para Penelope. Ou de dietas. Ou de estilo. E Penelope caiu naquilo. No ensino fundamental. Foi vitima de “pegadinhas” demais de Cressida. Se procurassem no instagram dela e rolassem até o inicio, na época que quase ninguém usava o tik tok, era capaz de ainda encontrarem videos dela ali.
— Pen! — A mão de Colin no seu ombro fez ela dar um salto. Ela tirou o fone do ouvido. — Ei, esse negocio não está muito alto não? Estava te chamando tem um tempo, não quis te assustar. — Ele sorriu. E o coração de Penelope errou uma batida. Colin era um ano mais velho que ela. E no último verão ele teve um estirão e agora era tão alto que ela precisava levantar a cabeça para falar com ele. Ele também havia ganhado corpo, no acampamento para futebol que ele foi passar o verão. Ele voltou diferente. Ele sempre havia sido confiante, divertido e engraçado. Mas quando retornou aquele ano, parecia que todo mundo percebeu o que Penelope sempre soube desde o jardim da infância: Colin era perfeito. — Você esqueceu seu notebook.
— Nossa. Obrigada. — Ela pegou o computador e abriu a mochila. Depois que o guardou continuou andando e se surpreendeu com Colin andar ao lado dela.
— Então… — Ele enfiou as mãos no bolso da calça. — Eu sei que minhas irmãs jogaram aquilo em cima de você, Daph sem querer, Eloise… bem, a gente nunca sabe qual a verdadeira intensão de Eloise para nada. — Penelope riu. — Mas pensando bem, faz todo sentido, você não acha?
— O que? — Ela estava realmente confusa.
— Você ser a minha namorada. De mentirinha, digo. — Ele parou. — Quer dizer, de verdade para todo mundo. — Ela o encarou e viu que as orelhas e bochechas dele estavam vermelhas.
— Eu e você? Você acha que faz sentido? — Ela falou, incrédula. Nem quando ela tinha dez anos e uma enorme paixonite por ele, ela jamais achou que ficariam juntos. Sempre soube que ele não era para o seu bico.
— É! Quem mais poderia ser?
— Literalmente qualquer uma menos eu? Quem vai acreditar nisso, Col? — Ele a encarou confuso.
— Você é minha melhor amiga. Todo mundo sabe.. A gente é parceiro de laboratório de biologia. A gente almoça junto as vezes. — Raramente, ela pensou. — A gente sai junto, minhas irmãs te adoram. Meus pais te adoram. Por que alguém não acreditaria?
— A nerd e o popular? Isso parece filmes ruim da Disney dos anos 2000.
— Não finja que você e Eloise não assistiram High School Musical mais vezes do que é humanamente considerável aceitável. — Ele empurrou ela de eleve com o ombro e ela sorriu. — Eu sei que você não tem muito a ganhar com isso, mas eu posso comprar os ingressos para o baile. Eu ofereceria para fazer seu dever de casa mas você não precisa. — Penelope sorriu.
— Você quer mesmo que eu seja sua namorada de mentirinha? — Ela o encarou, avistando sua casa amarela virando a esquina.
— Sim. Eu não acho que eu confiaria em mais ninguém. Além do mais, se eu vou passar mais tempo com alguém, pelo menos vai ser com alguém que eu gosto. — Penelope sentiu seu rosto ficar vermelho.
— Está bem… — Ela falou, enquanto eles parava na calçada da casa dela.
— Sério? — Ela sorriu e Colin a puxou para um abraço. Colin tinha os melhores abraços do mundo. Ele cheirava a hortelã, almíscar e alguma outra coisa muito boa. — Eu juro, que eu vou ser o melhor namorado de mentira que você vai ter!
— Espero não ter outros. Então… como isso vai funcionar? Uma coisa meio Lara Jean e Peter? — Ela perguntou. Ele sorriu.
— Você quer andar com a mão no meu bolso? — Bom, ela pensou, adoraria uma desculpa para tocá-lo…
— Não sei Col, tudo que eu sei sobre romances de mentira vem de filmes e livros.
— Podemos começar combinando como começou. Vão perguntar isso. — Ele falou.
— Humm…— Ela pensou. — Que tal: nós estavamos trabalhando no projeto de biologia e ai você levou uma lambida do sapo e de repente percebeu que eu tenho os olhos mais lindos do mundo e te deu uma vontade louca de me beijar? — Ela falou achando que era uma excelente piada.
— Tirando a parte da lambida do sapo, acho que é bem crível. Você realmente tem olhos bonitos. — Ele falou aquilo a encarando e Penelope achou que poderia desmaiar, se ela fosse do tipo que desmaia. — Aí eu te chamei para sair e nós fomos devagar porque você é amiga da Eloise e não sabíamos como contar para ela. Ok, acho que é ótimo. — Ele parou e olhou para casa dela. — Acho que sua irmã está nos espionando.
Penelope encarou enquanto Phillipa e Prudence a olhavam pela janela do quarto. Phillipa era da mesma turma que Colin e Prudence estava no último ano. Deveria ter se formado ano passado mas acabou repetindo.
— Você acha que elas já sabem? Não tem dez minutos que saí da sua casa.
— Não subestime o poder de Daphne de espalhar uma fofoca. Bem, vou deixar você entrar então. A gente combina o resto por telefone?
— Está bem. — Ela ia se virando mas Colin a segurou e deu um beijo demorado no rosto.
— Tchau, namorada. — Ele falou mais alto do que deveria.
— Tchau. — Ela respondeu enquanto abria a porta e imaginava o interrogatório que suas irmãs mais velhas fariam.
Na segunda-feira, Penelope foi para escola tremendo que sua vida ficasse de cabeça para baixo. Recebeu muitas notificações do instagram e no tik tok, mas seu instagram era fechado e ela não tinha aceitado ninguém e seu tik tok não tinha nada, ela usava apenas para assistir. Porém no sábado, o Colin tinha invadido a noite do cinema dela e da Eloise. Ele simplesmente estava lá, segurando dois baldes de pipoca e sorrindo quando elas chegaram para a noite dos clássicos no Cine Aubrey Hall, aquela era a noite do Spielberg, e elas iriam assistir Indiana Jones e Jurassic Park. Mas Colin simplesmente entregou um balde para Eloise e segurou a mão de Penelope, mostrando que tinha comprado ingressos para eles. Não para Eloise. Ela teve que pagar o dela, o que fez ela reclamar a noite toda, que além dele estar se intrometendo onde não tinha sido chamado, ele ainda não estava sendo útil. Então Colin postou um stories do cinema e marcou ela, e pareceu que aquilo foi o suficiente para ela receber mais de 200 solicitações de amizade.
Mas o primeiro período tinha passado, assim como o segundo e o terceiro, e tirando alguns olhares curiosos, seu dia foi bem normal. Então ela caminhou para o refeitório com seu almoço, que constituía de uma maçã, um sanduiche que ela tinha feito para si mesma mais cedo e uma coca, que ela comprou no refeitório, e foi até a sua mesa de costume, que ficava no canto. De lá, ela conseguia observar todas as outras mesas, caso algo interessante acontecesse. Eloise surgiu logo em seguida, tendo comprado duas fatias de pizza e seu terrível refrigerante de uva e se jogou na frente de Pen.
— Eu juro, qual o sentido da gente fazer álgebra? Eu duvido que vá usar bhaskara um dia que seja da minha vida.
— Que tal passar de ano? — Penelope falou enquanto levava o sanduiche a boca, mas a ação ficou presa no meio do caminho, enquanto via Colin caminhando em direção a elas, em sua jaqueta azul do time de futebol, olhos claros brilhantes o sorriso devastador.
— Ah não. — Eloise falou. — Aqui também não. — Mas Colin apenas a empurrou para o lado, o que ela fez bufando enquanto ele colocava a bandeja na frente de Penelope. Seu prato tinha muitas fatias de pizza, uma sada e um copo grande de suco.
— Hey, namorada! — Ele se inclinou e deu um beijinho na testa dela. — Como foi seu dia?
— Eu… ahn… normal. — Ela olhou para ele, depois para Eloise que agora mexia no celular desinteressada.
— Cara, você precisa me dizer! O Grove não é o traidor, é? Porque não pode ser a Annabeth. Eu me recuso. — Penelope riu, sentindo-se relaxar.
— Você está lendo? Um livro? — Eloise indagou. — Por livre e espontânea vontade?
— Pen me passou o audiobook. Você sabe, com a minha dislexia eu não consigo ler tão rápido, e o livro eu posso escutar enquanto malho. E dirijo. Vamos voltar para casa ouvindo ele. — Ele sorriu. — Então? É o Grover?
— Não vou te falar. — Penelope sorriu e ele esticou a mão e pegou a dela.
— Poxa, namorada! — Antes que ela respondesse, Phillip Crane que jogava no time de Colin e ela tinha história deu a volta e se sentou ao lado dela, de frente de Eloise. Isso fez a amiga desviar os olhos do celular.
— Oi. — Ele falou se virando para Penelope. — Fiquei sabendo que você está fazendo dele um homem direito. — Ele sorriu para ela. — Finalmente ele te chamou para sair.
Penelope ia abrir a boca mas Daphne, Cressida e Marina se aproximaram.
— A gente vai comer aqui hoje? — Cressida reclamou.
— Vocês podem sentar no mesmo lugar de sempre. — Daphne deu de ombros. — Eu vou comer com meus irmãos hoje. Nós precisamos combinar o que fazer para sexta-feira de qualquer forma.
— O que tem sexta? — Colin perguntou.
— O aniversário de Frannie? — Daphne e Eloise falaram ao mesmo tempo. Outros dois garotos do time de futebol se juntaram a mesa e ela já não cabia mais ninguém. Phillip pareceu achar Daphne e Eloise falarem juntas algo divertido.
— Quem é a mais velha? — Ele perguntou. — Vocês são gêmeas né? Não se parecem nada.
— Hoje em dia. — Colin falou, comendo um pedaço de pizza. — Quando eram pequenas pareciam ter saído do iluminado.
Penelope riu e Colin sorriu para ela.
— Eu. — Daphne respondeu. — Somos organizados por ordem alfabética.
— Por cinco minutos. — Eloise revirou os olhos.
— Você está na banda da escola, não é? — Phillip perguntou. — Acho que já te vi tocar.
— Bom para você. — Eloise respondeu e Penelope escutou um barulho. Quando olhou tinha uma rosa de papel na sua mesa e um chocolate. Ela levantou o olhar para Colin que sorria. Ela sentiu seu rosto ficar vermelho.
— Abre. — Phillip falou. — Ele passou a aula inteira de sociologia tentando escrever algo.
Penelope não prestava atenção no resto da mesa. Muita gente, conversas paralelas, Daphne e Eloise discutindo como fariam uma festa surpresa para o aniversário de doze anos de Francesca.
Ela abriu a rosa que dentro tinha os versinhos:

“Rosas são vermelhas
Jacintos são violetas
Você é a garota mais bonita
De todo esse planeta.”

— Isso é terrível. — Phillip falou. — Ela deve mesmo gostar de você.
— Deixa eu ver. — Eloise puxou da sua mão antes que ela pudesse responder. Viu Daphne olhando pelo ombro da irmã.
— Argh. Você é uma vergonha para a nossa família.
— Eu amei, muito obrigada. — Penelope falou pegando o bilhete de volta. Depois virou para ele. — Eu realmente gostei.
— Vou tentar melhorar amanhã.
— E eu vou ter cuidado para ser só meu. — Ela respondeu.
— Own. — Daphne falou. — Sério Pen, vocês são tão fofos juntos. Sabe o que o papai falou quando ficou sabendo? — Penelope viu Colin ficar vermelho. — “Antes tarde do que nunca.”
— Não é? — Phillip respondeu. — Sempre foi “Penelope isso, Pen aquilo.” Se a gente falasse, ele dizia: “não, somos só amigos.” Mas ele não enganava ninguém.
— Me enganou. — Respondeu Cressida. — Então é sério mesmo? — Ela perguntou olhando para eles enquanto bebia alguma coisa verde.
— E por que não seria? — Eloise perguntou e então o assunto mudou, para o jogo na sexta que vem, e é claro, o baile.

***

Colin tinha achado que seu namoro falso com Penelope seria fácil porque ele tinha o jogo na sexta antes do baile, então ele passaria a maior parte do tempo treinando e ela tinha o jornal da escola, a peça de inverno que estava escrevendo e todas as outras coisas que ela faz, eles só precisariam almoçar juntos. Mas ele passou a dar carona para Penelope na volta, e então na ida também. E aí na semana passada ela apareceu no treino dele e apenas ficou lá, trabalhando nos seus deveres, e volta e meia ele olhava para arquibancada, e lá estava Penelope, com seus arcos de cabelo, laços e vestidos coloridos ou vintage. Ele disse que ela não precisava ir, mas ela disse que não se importava. E Colin gostou daquilo. Gostou dela fazer biscoitos para ele e depois que Phillip roubou um, ela passou a levar para o time.
“Você que começou com essa história de ser Peter Kavinsky com todos os bilhetinhos. Me resta fazer biscoitos.”
Ele sorriu, se lembrando disso agora, enquanto comia a enorme fornada que ela tinha feito na noite anterior, porque estava nervosa por ele. Ela não costumava ir nos jogos antes, deve ter ido em um ou outro. Mas eles ficaram no telefone na noite passada enquanto ela fazia os biscoitos. E enquanto ele e seus colegas de time comiam os maravilhosos biscoitos com gotas de chocolate e pistache, ele sentia que as duas semanas passaram rápido demais.
Colin não estava pronto para não ser mais o namorado de Penelope. Na verdade, a ideia disso o fazia querer vomitar.
— Cara, se eu soubesse que a gordinha do jornal fazia biscoitos tão bons, eu teria chamado ela para sair primeiro. — Fife falou engolindo um biscoito e pegando outro.
— Você está sendo injusto. — Disse Debling. — Ela é mó gostosa. Faço literatura avançada com ela. Ela tem os peitões. E é ruiva. Você sabe que as ruivas são uma loucura na cama.
— Nah, ela é virgem com certeza. Bridgerton ainda não marcou esse gol. Homecoming? — Ele olhou para Colin com um sorriso. —Quem sabe depois que o Colin ter feito ela fazer os trabalhos dele e desbravar aquela mata, você pode ir atrás. — Colin se levantou em um salto indo em direção a Fife. — O que? Vai dizer que você já comeu a gord… — Antes que ele pudesse terminar Colin estava prendendo ele contra o armário, Phillip o puxando Colin enquanto os outros tentavam tirar ele de cima.
— Não fale dela. Não pense nela. Nem olhe na direção dela, está me entendendo? — Colin pressionava o braço no pescoço dele. — ESTÁ ME ENTENDENDO?
— Col, Cols, chega. Ele entendeu. — Phillip falou puxando ele. Colin soltou ele quando escutou a voz do treinador Cowper entrando.
— O que está acontecendo aqui?
— Nada. — Phillip falou. Enquanto Fife tentava recuperar o fôlego e Colin ainda via vermelho.
— Ah, biscoitos! — O treinador foi até a caixa e pegou alguns. — Boa menina essa que você arrumou, Bridgerton. — Disse colocando um cookie na boca. — Terminem de se vestir mocinhas, precisamos repassar as estratégias.
Colin saiu dali e foi até o corredor. Phillip o seguiu.
— Eu sabia que você gostava dela. — Ele falou com um sorriso no rosto, os cachos loiros caindo sobre a testa.
— Ela é minha namorada.
— Col, eu sei.
— O que?
— Eu sei. Sei que vocês não estão namorando de verdade. — Ele falou por fim e Colin levantou a cabeça.
— Como?
— Eu desconfiei. Você fica muito nervoso quando sabe que ela vai chegar. E você olha para ela como se quisesse beijá-la mas nunca beijou. E tem isso, eu nunca vi vocês se beijarem, então eu perguntei a Elo, e ela…
— Você perguntou a Eloise? Quando vocês ficaram amigos?
— Quando meu melhor amigo passou a passar todo o tempo com a melhor amiga dela. — Ele o encarou. — Bom, talvez não seja o melhor momento para te falar, mas a gente vai para o baile. Juntos. Amanhã.
— Eloise? No baile? — Ele balançou a cabeça. — Achei que ela odiasse bailes.
— Odeia as convenções. Mas como tecnicamente ela me convidou, então… Ela está jogando o jogo segundo as regras dela. — Ele falou parecendo orgulhoso.
— E a Marina? — Colin perguntou.
— Eu disse que a gente tinha terminado para valer.
— Ela está sabendo disso? — Colin riu. — Espera, você e a Eloise estão indo como um casal?
— Assim espero. Sua irmã é meio que incrível. — Colin fez uma careta.
— Só não diga isso a ela.
— Você não está puto? — Phillip perguntou.
— Por você namorar a Eloise? Estou com pena. Se durar até o verão você vai precisar se preocupar com meus irmãos mais velhos, isso sim. — Phillip sorriu.
— E o que você vai fazer com relação a Penelope?
— Como assim?
— Você gosta dela. E o baile é amanhã.
— Eu sei.
— Então…?
— O que você quer que eu faça? Acaba amanhã. Eu… eu não achei que ia gostar tanto de ser namorado dela.
— Então por que diabos você não vira namorado de verdade?
— As senhoras acabaram de fofocar? — O treinador Cowper apareceu no corredor. — Se não for muito incomodo, gostaria que meu quarterback e meu tight-end participassem da reunião!
Quando Colin entrou em campo naquela tarde sabia que precisava focar no jogo, deixar seus sentimento para resolver depois. Talvez… talvez Penelope aceitasse ir num encontro de verdade com ele. Se ele tivesse sorte. Seu olhar correu a arquibancada, procurando-a mas não conseguiu encontrá-la. Então ele se juntou ao time e entrou em posição.
Foi um jogo dificil. Ele foi bloqueado muitas vezes, a zaga do seu time não estava trabalhando bem. Treinador Cowper ameaçou Debling e Fife mais vezes que ele se lembrava. Ele também foi derrubado duas vezes, e uma delas, ele se recusava a admitir em voz alta, perdeu a consciência por alguns segundos. Então, perto do final do jogo, ele marcou o touchdown que levou a vitória. O jogo acabou dois minutos depois, seu time correu até ele, gritando, com euforia. Era uma sensação muito boa, saber que tinha contribuído para aquela vitória. Phillip e Michael o levantaram e o levaram até a beira do campo, ele tirou o capacete e seus colegas o colocaram no chão, todos falavam ao mesmo tempo. Esse jogo colocava eles na semifinal do campeonato Estadual.
Colin tirou o cabelo molhado da testa e foi em direção a caixa para pegar uma garrafa de água, sua cabeça ainda zunindo com a adrenalina. Ele não viu Cressida se aproximar. Mas também, se tivesse visto não se espantaria, ela era uma líder de torcida, elas ficavam por ali. No entanto, ele jamais esperaria que ela fosse grudar os lábios no seus assim, naquele momento, sem sua permissão, na frente de todos.

***

Penelope encarou a cena, do alto da arquibancada, onde estava sentada com Eloise. Viu alguns membros de time baterem palma, outras pessoas gritarem. Viu várias lideres de torcida balançarem os pompons. Viu Colin se afastar dela quase de imediato. Viu ele falar algo e gesticular, mas não conseguia ver as expressões deles com muita clareza dali. Mas Cressida parecia se encolher enquanto Colin gesticulava.
— Mas essa garota não tem um pingo de amor próprio? — Eloise falou, brava. — Meu irmão tendo que literalmente inventar um namoro para não ir com ela no baile e ela faz isso.
— Ela não sabe que o namoro é falso, Elo. — Eloise pareceu se lembrar desse detalhe e ficou de pé num salto. Eloise estava muito bonita. Ela tinha feito duas tranças no cabelo e usava um top com uma calça jeans, e a jaqueta do Phillip. Tinha até passado perfume. Penelope quase derrubou a sua coca quando viu a amiga com a jaqueta. Só não ficou mais surpresa quando dois dias antes, Eloise perguntou se ela já tinha um vestido, porque precisaria comprar um.
— Muito pior! Ela está te fazendo passar por corna na frente da escola inteira! Vamos até lá!
— Não, não estou afim de ser humilhada hoje. — Ela suspirou e se voltou de novo para o campo, já não via mais Colin. — Vou para casa.
— Você não quer conversar com o Colin?
— Não, amiga. Vai ver ele mudou de ideia. Sei lá. Amanhã eu mando uma mensagem para ele. — Ela pegou as embalagens de refrigerante e salgadinho que tinha comido durante a partida. — E também tem a festa da vitória na casa do Harry, não é mesmo? Não quero estragar a vibe.
— Tudo bem. Espera só eu avisar o Phillip, então, e aí a gente vai…
— De jeito nenhum! — Penelope sorriu. — Hoje é sua estreia como namora de Phillip Crane, e eu não vou atrapalhar.
— Ele não é meu namorado.
— Você está usando a jaqueta dele.
— Para devolver! Ontem acabou ficando comigo…
— Elo, vai para festa, está bem? Já tive muita interação social por hoje. Amanhã você me liga e me conta todas as fofocas. Vai dar uma ótima coluna para o Whistledown. Pensa como um trabalho de repórter investigativo.
— Não sei não… — Eloise falou. — Acho que prefiro ir para sua casa com você. O que eu vou fazer lá sem ti?
— Ahn… ficar com seu namorado?
— Ele não é meu namorado!
— Por favor, Elo. Minha cabeça está doendo. Muito barulho, essas luzes.. Vou tomar um remédio e dormir, você nem ficaria comigo.
— Está bem. — Eloise se due por vencida, mas quando elas chegaram na saída, Eloise parou. — Você quer que eu empurre Cressida na piscina? Chute as bolas do Colin?
— Não. — penelope riu. — Vá se divertir. Eu estou bem, juro. Nada era de verdade, Elo. Era tudo de mentirinha, não tem porque eu ficar chateada.
Eloise assentiu e seguiu para entrada da escola, enquanto Penelope pediu um uber para casa. Não mentiu para amiga. Não tinha porquê ficar chateada.
Porém, tinha ficado.
No caminho para casa, sentiu os olhos lacrimejar, não queria chorar. Pegou o telefone e se deparou com a foto dos dois, que ela tinha colocado como papel de parede era uma selfie deles com um filtro ridículo que tinham achado no tik tok. Ela bloqueou de novo o aparelho. Quando era criança, Penelope teve uma paixonite por Colin. Por anos escreveu em seu diário: Colin e Penelope, Colin, Colin Colin (dentro de corações). Penelope Bridgerton. Mas quando entrou na adolescência percebeu que Colin era apenas o único menino que era legal com ela. E então percebeu que ele era legal com todo mundo. Ela não era especial. Quando ele entrou para o ensino médio e ela continuou no fundamental, eles quase não se viam, então a sua paixonite passou.
Só que essas duas semanas em que eles brigaram de namorados reviveu algo dentro dela. Esperança.
Eles eram bons juntos. Eles se entendiam. Tinham muitos gostos em comum, gostavam de passar tempo um com o outro. Queriam as mesmas coisas para vida: faculdade, viajar o mundo, ter uma carreira, casar, ter filhos… E Penelope não pode se impedir de sonhar um pouco. Sabia que dezesseis anos era uma idade muito jovem, mas ainda assim… Não conseguia deixar de pensar que Colin poderia ser a pessoa. Eles poderiam ser o casal. Os pais dele se conheceram no ensino médio também. Estavam juntos até hoje, vinte e cinco anos depois.
Quando entrou em casa sua mãe a perguntou.
— Achei que iria para festa com suas irmãs, dessa vez.
— Eu ia, mas me senti mal. Uma dor de cabeça terrível. — Portia a encarou, mas não falou nada. — Cadê o papai?
— Foi buscar Felicity da festa de aniversário. — Portia a encarou. — Você brigou com seu namorado? — Penelope congelou. Não tinha contado aos pais sobre Colin, não tinha porquê, já que não era verdade. — Ora, você achou mesmo que eu não ficaria sabendo? Com as irmãs que tem?
Penelope suspirou. Sua mãe era a última pessoa que queria pedir conselhos amorosos. Os seus pais, ao contrário dos pais de Colin, tinham um casamento nada apaixonado. Na verdade, ela nem entendia porque estavam juntos ainda. Achava que no fim eles só tinham preguiça de começar de novo.
— É que o Colin, bem, ele é o capitão do time de futebol. E tem essa menina, que é uma lider de torcida, que gosta dele.
— Cressida Cowper. — Portia falou. Penelope levantou uma sobrancelha. — Faço yoga no estúdio da mãe dela. Então?
— É que ela fica atrás do Colin.
— E? — Sua mãe perguntou. — Ele é um garoto popular, bonito, rico. É normal que tenha várias meninas atrás dele. Mas ele escolheu você, não escolheu?
— Bem, sim, mas… — Não tinha como explicar que não exatamente. Não é porque ele não quis ir ao baile com a Cressida que ele necessariamente queria ela. Penelope foi só a resposta mais rápida ao problema. — Até quando?
— Não muito, se você desistir sem lutar. Se você vier para casa e deixar ele ir para a festa sozinho onde as outras estarão em cima dele.
— Mas eu não quero brigar por ele, mamãe. Eu quero… — Ela queria que ele a escolhesse. Mas não conseguiu verbalizar, estava lutando contra as lágrimas.
— É justo que muito custe o que muito vale, criança. Tudo na vida requer esforço. Um relacionamento não sobrevive só de paixão e amor como esses livros que você lê diz. Requer querer. É preciso lutar pelo o que você quer, não importa o que seja.
Penelope não disse nada, apenas ficou ali, parada, encarando o piso da sala.
— De toda forma, é bom que você vá dormir cedo. Assim amanhã acorda descansada e sem olheiras para o baile. Coisa que Phillipa não fará, e já imagino o chororô para arrumar as olheiras.
Ela subiu para o seu quarto e quando fechou a porta encarou o vestido para o baile que tinha comprado. Era tão lindo e ela nem sabia mais se iria usá-lo. Tinha sido tão difícil convencer sua mãe a comprar aquele. Ela queria que Penelope levasse um vestido verde de lantejoulas, justo, muito similar ao laranja de Phillipa, mas Pen tinha amado aquele vestido azul, com a saia longa de tule e os bordados de borboleta.
Ela se jogou na cama e chorou um pouco, pensando como tinha sido ridícula em se deixar iludir daquela forma.
No dia seguinte, ela acordou com Felicity choramingando na sua porta. Sua mãe tinha saído com Phillipa para resolver alguma coisa de última hora, e seu pai foi chamado em uma emergência no trabalho, e sua irmãzinha estava passando mal, provavelmente alguma coisa que tinha comido no aniversário. Prudence, para variar, não tinha dormido em casa, então era só ela e Felicity, então levou a menina para o banheiro e segurou os cabelos dela enquanto ela vomitava e choramingava.
Foi preciso algumas horas, um pouco de chá, bolacha de água e sal e um filme da Barbie para Felicity cochilar no sofá, então Penelope pegou o celular e viu que havia muitas mensagens, algumas ligações perdidas e seu instagram e twitter estavam um caos. Não sabia se queria ou não abrir aquilo. Já podia imaginar as fofocas. As fotos da festa de ontem, as pessoas rindo dela.
Mas, mesmo assim, precisava saber se tinha que se arrumar para o baile em algumas horas ou se podia só colocar outro filme da barbie e ficar ali com sua irmã. Então ligou para Colin, que atendeu no primeiro toque.
— Eu já estava indo aí. — Ele falou, sua voz parecia preocupada.
— Aqui? Por quê?
— Você não me responde desde ontem a noite. Foi embora sem falar comigo e Eloise me contou que você viu e eu juro que…
— Está tudo bem, Cols. Sério. Você não me deve explicações, quem você beija e quem…
— Mas eu não beijei a Cressida, ela que me beijou! — Ele a interrompeu. — E eu me afastei dela imediatamente. Não teve língua, ela só me pegou de surpresa se não eu tinha desviado. — Penelope não pode conter uma risadinha.
— Sério, está tudo bem…
— Não, não está. Você foi embora, e não foi legal, e o que o pessoal está falando... Eu juro que falei para ela que eu não quero que ela faça isso de novo e não tenho interesse nela assim. Eu tive esperanças que você aparecesse na festa ontem, para gente conversar, mas você não foi.
— Enxaqueca. — Ela mentiu. — As vezes eu tenho umas muito fortes. Aí desliguei o celular, a luz dele piora, sabe?
— E você está melhor?
— Estou. — Ele ficou em silêncio por um instante, então falou com a voz mais baixa.
— Você ainda quer ir ao baile comigo? Eu vou entender se não…
— Você ainda quer ir ao baile? — Ela repetiu a pergunta dele, surpresa.
— Bem, só se você quiser. Não teria muita graça ir sozinho. Imagina ter que ficar de vela para Eloise e Phillip.
— Então você já está sabendo? — Ela perguntou.
— Sim. — Ele riu. — Você conseguiu imaginar?
— Não! Quase cai para trás quando ela me contou que chamou ele para o baile. Achei que estava em um sonho. — Penelope sentiu aliviada ao ver quão rápido eles conseguiam voltar ao normal.
— Mas sabe, vendo eles ontem juntos, acho que até que combina? Eloise gosta de mandar, Phillip parece não se importar em obedecer. — Penelope sorriu. Agora queria ver as fotos da festa. — Bem, então a gente se vê em algumas horas? Eu passo aí para te pegar as sete.
— Está bem.
— Até lá.
— Até.
Ele desligou e Penelope ficou encarando o celular por um tempo. Não sabia se abria ou não as redes sociais, mas não resistiu a abrir o instagram. Havia um post de COlin, uma foto dele nos ombros dos colegas falando sobre a vitória do jogo. Ele repostou alguns stories do jogo, e no fim havia uma foto em que ele olhava ELoise e Phillip abraçados com uma sobrancelha levantada, na festa. E só. Havia o instagram de Eloise, que postou algumas fotos um pouco conceituais do jogo e da festa, mas nada demais. E no do Phillip havia um post do jogo, com várias fotos, e a última era Eloise usando a jaqueta dele. Ela riu.
Mas é claro. Havia vários stories com a Cressida beijando o Colin. As amigas delas diziam que era o casal do ano. Algumas outras pessoas mostravam o vídeo inteiro com ele se afastando dela. Um tik tok em específico havia viralizado. A legenda era “Lider de torcida é rejeitada por jogador de futebol americano.” Nos comentários, havia um, com muitos likes que falava que o Colin havia sido um babaca por empurrar a Cressida daquela forma. Mas logo embaixo havia uma resposta de Eloise, dizendo que aquele era seu irmão, e ele tinha empurrado porque tinha namorada e a Cressida sabia, e havia o beijado sem permissão, mesmo assim.
— Você não tem que se arrumar para o baile? — Ela escutou a vozinha de Felicity.
— Tenho.
— Você quer ajuda? Eu já estou melhor.
— Não, pequenina. Você fique aí e descanse até mamãe ou papai chegarem. Eu vou tomar meu banho.
— Se precisar de ajuda, você chama. — Penelope sorriu para Felicity. Provavelmente a única irmã que ofereceria aquilo.
— Talvez eu precise sim de ajuda para fechar o vestido… — Sua irmã sorriu e se levantou do sofá, a seguindo até o andar de cima.
As próximas horas passaram voando. Sua mãe chegou com Phillipa, que havia bebido na noite anterior e de alguma forma cortado um pedaço do cabelo, então elas tiveram que ir ao salão para uma emergência. Penelope enrolou os cabelos, fez o melhor que pode com uma maquiagem e substituiu os óculos por lentes de contato. Quando ficou pronta, seu pai apareceu na porta segurando sua antiga câmera de vídeo.
— Você parece uma princesa. — Ele falou e ela sorriu.
— Parece mesmo. — Respondeu Felicity. — Bem melhor que o da Phillipa.
— Hey! — Phillipa surgiu em seu vestido justo de lantejoulas e fez uma careta. — Muito sem graça, falta brilho. Você já é pequena…
— Vai para lá. — Seu pai falou. — Fica do lado da sua irmã, para eu filmar.
Phillipa foi e sorriu e acenou para câmera e Penelope fez o mesmo. Portia chegou e encarou as duas.
— Estão bonitas. — A mãe falou. Penelope sentia que estava em um universo paralelo. Sua mãe tinha elogiado? — Ainda que eu preferia o vestido verde, acho que teria chamado mais atenção, Penelope. — Ah sim, aí está.
— Você pode pegar uma carona comigo e com o Albie, se quiser. — Phillipa falou.
— Ahn, o Colin vem me buscar. — Ela respondeu, confusa.
— Mesmo com ele tendo beijado a Cress?
— Seu namorado beijou outra menina? — Seu pai abaixou a câmera.
— Ela beijou ele! — Penelope o defendeu.
— Cress disse para todo mundo que eles estão juntos, que hoje no baile eles seriam eleitos rei e rainha e iriam tornar público o namoro.
Ela não soube o que dizer. Não que acreditasse em Cressida, mas realmente não sabia como responder. Então a campainha da sua casa tocou.
— Eu atendo! — Felicity, que agora parecia completamente recuperada, saiu correndo.
— Se você quiser desistir desse baile, filha… — Seu pai começou mas Portia cortou.
— Não, Penelope vai. Se ele beijou outra menina, beije você outro rapaz. Featherington não abaixam a cabeça.
— Pen! — Felicity gritou. — Seu namorado chegou!
— Bom, ele veio te buscar. — Portia falou. — Lembre-se do que eu disse menina.
Seus pais desceram antes porque ele queria filmar Penelope descendo a escada e ela achou que aquilo estava parecendo qualquer coisa menos sua vida. Colin estava parado alisando a perna e Felicity o encarava de braços cruzados, então ele levantou a cabeça e a encarou. Seus olhos encontraram os dele, ela sentiu um sorriso discreto surgir no seu rosto quando viu ele abrir a boca. Ela tentou descer a escada da forma mais graciosa possível, imitando tudo que via na TV. Mas claro que perto do final ela pisou no forro do vestido quase rolou os últimos degraus.
— Você está bem? — Colin perguntou indo ao encontro dela,
— Sim, estou. Lá se foi minha chance de fazer uma entrada graciosa.
— Foi graciosa para mim. — Ele sorriu e Penelope desejou que ele não tivesse um sorriso tão bonito.
— Esse é o rapaz que beijou outra menina? — Seu pai perguntou.
— Pai! — Penelope protestou mas Felicity respondeu.
— Sim, eu já deixei ele avisado.
— Minha canela jamais esqueceria o recado. — Ele respondeu. — Foi um mal entendido, senhor. Uma colega me beijou no final do jogo, mas eu não retribuí. Minhas intenções com sua filha são sérias.
— São? — Phillipa perguntou.
— São? — Penelope ecoou a pergunta da irmã.
— Claro que são. — Ele bateu uma mão na testa. — Isso é para você. Eu sei que é antiquado mas meus pais insistiram.
Ele colocou um corsage amarelo na mão dela e Penelope sorriu. Era perfeito.
— É perfeito.
— Você quer uma carona, Phillipa? — COlin perguntou.
— Não. Albie vem me buscar.
— Ah, tudo bem. Vamos? — Ele deu o braço para Penelope.
— Espere aí. — Portia falou. — Deixe eu bater uma foto.
Eles sorriam enquanto sua mãe tirava fotos com o celular.
— Bem, isso vai deixar o yoga muito mais interessante na segunda.
— Que horas preciso trazê-la de volta, senhor? — Colin encarou o pai de Penelope que pareceu atordoado com aquela pergunta. Penelope riu dos seus pais se encarando porque Phillipa e Prudence nunca seguiam toques de recolher e Penelope nunca precisara de um.
— Bem… você bebe?
— Não, senhor. — Colin respondeu.
— Penelope é uma boa menina. Traga ela em segurança… — Seu pai encarou sua mãe que deu de ombros. — Até uma da manhã.
— Está bem, senhor. — Eles caminharam até a porta, quando Colin abriu a porta do carro para ela. — Bem, seus pais são melhores que os meus. Eu preciso estar em casa a meia noite, iguala Cinderella.
— Seu toque de recolher é o mesmo da Elo? — Penelope se sentou, tendo se acostumado com aquele lugar no carro de Colin, seu celular se conectava automaticamente com o som já. Mais uma coisa da qual ela sentira falta.
— Sim. — Ele falou enquanto entrava e dava partida. — Direitos iguais, eles dizem.
Um silêncio se formou enquanto Penelope se perdia nos pensamentos de como aquele era o fim das duas semanas mais malucas da sua vida, mas pelo menos teria algo interessante para contar na faculdade. Ela encarou Colin com o canto do olho, ele parecia um pouco sério, talvez até nervoso? Ela não sabia dizer ao certo.
— Então… Foi uma vitória incrivel. Eu acho. Não que eu entenda de futebol, mas foi emocionante. Esqueci que não tinha te dado os parabéns, me desculpe. — Ele sorriu.
— Obrigado. E obrigado por ter ido também. Sei que não é muito sua praia.
— Mas eu acabei me divertindo. Eloise xingava mais que um marinheiro toda vez que vocês eram derrubados. Eu só conseguia fechar os olhos. Você está muito machucado?
— Alguns roxos, mas faz parte. Eu pretendo parar na faculdade.
— Não quer se tornar profissional?
— Não. — Ele sorriu. — Gosto do esporte mas não é a vida que eu quero.
— E qual a vida que você quer?
— Você iria rir. — Ele falou.
— Por que eu riria?
— Porque… Bom, eu tenho dislexia.
— Eu sei. E as pessoas continuam entrando na faculdade mesmo assim.
— Eu queria ser escritor. Pode imaginar um escritor com dislexia? — Penelope sorriu. Colin estacionou o carro no estacionamento do ginásio da escola, onde várias pessoas estavam parando.
— Na verdade, várias. Agatha Christie, por exemplo.
— Sério? — Colin a encarou surpreso. — A Agatha Christie? De Hercule Poirot?
— Aham. E vários outros, na verdade. Ler e escrever é prática. Quanto mais você faz melhor você fica. E existem várias técnicas hoje em dia. tenho certeza que você sabe algumas. — Ela se lembrou de como Colin sempre tinha aulas com professores particulares quando criança por conta disso.
— Sim, eu tenho, eu só não achei que poderia.
— Claro que pode. Você já tem alguma coisa escrita? — Ela viu ele ficar vermelho. — Adoraria ler. Você sabe, o jornal publica contos dos alunos. Poderia publicar algo seu também. Se você quiser. Um dia. — Ele a olhou de uma forma que Penelope não soube identificar, mas havia uma intensidade que fez sua pele queimar.
— Conversamos sobre isso semana que vem. Agora vamos para nosso baile.
Colin correu para abrir a porta para ela e ajudá-la a descer. Penelope estava tão linda que ele não pode acreditar que estava tendo a sorte de levá-la ao baile. O vestido azul fazia ela parecer uma princesa e deixava seus olhos ainda mais azuis. Ela era a garota mais linda do mundo. Sempre havia sido? Ele não sabia. A puberdade atinge as pessoas de forma diferente. Mas se ela não era antes, agora ela era. E a Pen, além de linda, era inteligente, divertida e parecia sempre ter uma forma de dizer o que ele precisava ouvir, sem ser uma bajuladora como outras pessoas na escola acabavam sendo por ele estar no time de futebol. A Pen não ligava para isso. Mas ela ligava para ele. Com ela em seus braços eles pararam na entrada do baile, onde sua irmã, que tinha sido uma das organizadoras, estava em um vestido lilás, recebendo as entradas.
— Vocês estão tão lindos! Você tirou uma foto para a mamãe? — Ela perguntou.
— Não, mas os pais da Pen tiraram muitas.
— Eu tiro, não se amassem muito, serei liberada do meu posto em meia hora. — Ela sorriu para Penelope.
— Sinto muito pelo que a Cressida fez ontem. Ela está avisada para não se meter mais com vocês ou vai se ver comigo. E ela não quer entrar no meu lado ruim.
— Está tudo bem. — Penelope sorriu e eles entraram. O baile tinha um tema jardim encantado ( sua irmã falara tanto sobre que ele poderia dizer até mesmo quanto custaram as toalhas da mesa) e estava tudo muito bonito. Muitas flores (falsas) mas bem bonito. Romântico. Colin sentia suas mãos suarem. Ele queria aproveitar aquela noite com a Pen, mas também sabia que precisava ser honesto com ela. Precisava contar que em algum momento as coisas se confundiram para ele e ele queria muito, muito que ela fosse namorada dele. De verdade. Pra valer.
— Olha, Eloise e Phillip estão acenando para nós.
eles caminharam até a irmã e o amigo, e aquilo ainda parecia uma peça. Eloise estava num vestido verde bonito até, e ela tinha se arrumado (Eloise nunca se arrumava) e Phillip olhava para ela como se fosse um bobão.
— O que foi? — Penelope perguntou.
— Ainda não me acostumei com a ideia. — Ele disse. — Quer dizer, qualquer momento acho que uma câmera vai sair e dizer que é uma pegadinha.
— Por quê? — Phillip perguntou.
— Sei lá, você olhando para Eloise com essa cara de bundão. — Penelope riu mas tentou esconder a risada, e antes que Phillip pudesse responder, Eloise saiu em sua defesa (outro choque!).
— Ah, mas tenho certeza que é melhor que a sua cara de cachorro que caiu do caminhão ontem. — Ela se virou para amiga. — Pen, eu juro, ele parecia um balão velho quando eu apareci sem você. Ficou menos de uma hora na festa e era o tempo todo no nosso pé “será que a Pen está chateada? Ela estava com dor de cabeça mesmo? E se eu fosse lá levar um remédio?” — Ela falou fazendo um biquinho, imitando ele e Colin lhe deu o dedo do meio. Mas Penelope olhou para ele com um sorriso e tocou a mão dele.
Colin a levou para tirar fotos oficiais do baile (estava na moda imitar aquelas fotos antigas e bregas então sua irmã tinha contratado um fotógrafo só para isso e ele achou divertido, mesmo qu custasse vinte pratas) e depois eles dançaram um pouco — Penelope era surpreendentemente boa dançando e então eles voltaram para mesa com bebidas onde agora a Daphne estava.
— Quem diria que Eloise e Colin teriam um par para o baile e eu não? — Ela falou rindo enquanto Colin puxou a cadeira para Pen sentar. Ele percebeu que toda vez que ele fazia algo que um namorado deveria fazer, ela sorria e ficava corada e Colin descobriu que aquilo o deixava mais satisfeito que marcar um touchdown. Poderia dedicar sua vida a fazê-la sorrir.
— É com essa cara de bobo que eu olho para você? — Phillip falou e Eloise riu, trazendo ele de volta a realidade.
— Eu quero só ver como vai ser quando você encontrar Anthony e Benedict. Quero ver se vai manter essa gracinha toda.
— Eles não são nem loucos… — Eloise começou e então viu ele, Daph e Pen a encararem. — Ah Deus, eles são né?
— Eles nunca esperariam você namorar antes de mim. Você é a protegida do Benedict. Acho que seria bom você contar logo para ir amenizando o golpe. — Daphne disse. — Ainda bem que a Pen não tem irmãos, Col.
— É, mas Felicity me deu chute na canela hoje que eu tenho certeza que ficou roxo. Ela mandou eu ficar esperto porque sabe onde eu moro. Eu tenho mais medo dela do que do Anthony.
— Ela fez isso? — Penelope o encarou. — Me desculpe.
— Eu amo a pestinha. — Eloise riu. — Mas não sei o que voc`^e esperava de alguém que é a melhor amiga da Hyacinth.
Enquanto eles riam, Colin sentiu Penelope ficar tensa e quando levantou o olhar viu Cressida, Marina e outra menina do grupo de lideres de torcida se aproximar. Instintivamente, Colin segurou a mão de Penelope.
— Oi gente! — Ela falou sorrindo, seu cabelo loiro brilhando junto com o vestido rosa. — Relaxe Daph, eu vim em paz. Penelope, me desculpa se eu causei algum problema no seu namoro, eu agi no calor da emoção.
Colin revirou os olhos e resistiu ao impulso de empurrar Cressida na mesa de ponche.
— Não se preocupe, Cress. — Penelope falou e Colin pode sentir o tom dela diferente. — Não causou nada. Eu entendo, digo, olhe só para meu namorado. — Penelope olhou para ele e sorriu. Ele sorriu de volta. — Ele é lindo, é um bom jogador, é inteligente, divertido… Quem sou eu para julgar você ter uma quedinha por ele. Mas vamos deixar claro, na próxima vez que você chegar perto do meu namorado sem o consentimento dele, você vai se ver comigo.
— E você vai fazer o que? Me dar uma mordida?
— Há mais formas de destruir alguém que um soco, Cressida. — Penelope falou. — Mas se você quer mesmo descobrir, continue importunando o Colin para você ver. Eu não sou tão legal quanto ele.
Cressida pareceu realmente assustada, e saiu de perto da mesa deles, seguida de suas amigas. Daphne se virou para Penelope com os olhos arregalados e Eloise sorriu.
— Me arrepiei todinha. — Sua irmã falou.
— Isso foi sexy. — phillip falou e Colin se levantou da mesa e deu um tapa nele. — Ai. Foi só um elogio, sem segundas intensões. — Colin deu outro tapa. — O que eu fiz agora?
— Um por ter dito isso para minha namorada, outro por ter dito isso para minha namorada estando acompanhado da minha irmã!
— Mas foi realmente sexy. — Eloise concordou. — E eu teria medo da Pen. Ela parece toda pequenininha e fofinha, mas você já viu o que ela escreve? Pois é.
Então I wanna be yours começou a tocar e a pista estava sendo tomada por casais. Colin se levantou e deu a mão para Penelope, que aceitou e eles caminharam até a pista de dança. Pen era bem mais baixa que ele, mesmo usando saltos, sua cabeça batia no seu ombro. Ele puxou ela para perto de si, o mais perto que conseguiu e abraçou sua cintura enquanto ela passou os braços ao redor do seu pescoço.
— Obrigado por me defender. — Ele falou. Penelope riu.
— Estou as ordens. — Eles dançaram mais alguns instantes em silêncio e a cabveça de Penelope estava encostada em seu peito, então ele tinha certeza que ela conseguia sentir seu coração batendo descompassadamente.
— E obrigado por ter topado vir comigo ao baile.
— Foi muito divertido ser sua namorada de mentirinha. — Ela falou e pausou um segundo, levantou os olhos como se quisesse dizer algo, depois desviou o olhar de novo, voltando a recostar a cabeça em seu peito. — Confesso que vou sentir um pouco de falta a partir de amanhã. Precisamos inventar um motivo, sabe? Para terminarmos.
A ideia de ficar separado dela doía fisicamente. Colin não queria menos Penelope na sua vida. Queria mais. Queria passar todo seu tempo com ela, queria discutir livros com ela, queria fazer cookies e ir ao cinema, queria poder tocá-la. Queria beijá-la.
— Eu… — Ele parou de dançar e aquilo fez Penelope o soltar e o encarar, com os olhos um pouco assustados. Ele tirou as mãos de suas costas e segurou as mãos dela. — Eu não quero que acabe. Sabe, eu… — Ela o encarava, com os incríveis olhos azuis brilhando mesmo naquela luz ruim. — Queria que você pensasse em talvez… me dar uma chance. Tipo, de verdade. Eu sei que fui um namorado de mentirinha ok, mas eu posso ser muito melhor de verdade. Digo, um namorado de verdade, se você quiser, é claro, mas se não quiser, por favor, queira, eu prometo que…
— Você está me chamando para sair?
— Sim, quer dizer, também. Eu queria mesmo ser seu namorado. Sei que deveria chamar você para sair primeiro, mas é que, para que? A gente sai com alguém para conhecer a pessoa, né? Para saber se vai gostar mesmo dela e tal, e eu já sei isso, eu já gosto de você, tipo, muito, então não vejo porque sair descompromissadamente, eu quero você Pene, sério. Ser seu namorado, não quero que ache que eu estou brincado porque não estou, eu realmente gosto muito, muito…
Então Penelope ficou na ponta dos pés e o puxou para um beijo. Colin já havia beijado outras meninas antes, mas aquilo… Aquilo foi diferente. Seus olhos se fecharam e suas mãos envolveram ela a puxando mais para perto. A língua dela tocou timidamente seus lábios e Colin suspirou, intensificando o beijo, o gosto da boca dela, uma mistura do ponche de cereja e algo mais, Colin entendeu que ate aquele momento ele nunca tinha beijado alguém de verdade. Aquilo sim era um beijo. Aquele era o tipo de beijo que se faziam filmes, escreviam livros. Ela era o tipo de garota que mudava a vida de um cara para sempre. Ele sabia disso. Seu pai já havia dito isso para ele e ele achou que o velho estava exagerando. Uma garota, um beijo, não poderia mudar sua vida.
Mas sim, podia. Ela estava provando para ele.
Penelope Featherington beijou Colin Bridgerton no ginásio da escola, durante uma daça lenta. E foi glorioso.