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soon to be nothing more than a memory

Summary:

Jisung decide esquecer tudo sobre Minho. Apagá-lo da memória. Para sempre.

Ele tenta.

Notes:

Oie, nem sei mais o que é postar aqui rs
Desculpe pelas tags confusas, eu realmente nunca sei o que colocar nelas.
Esse trabalho foi inspirado no clipe de "we can't be friends", da Ariana Grande.

Não é o meu melhor trabalho, mas também é o pior.
Boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

...

 

“Você tem certeza que quer fazer isso?” Changbin pergunta, levando a mão ao ombro de Jisung e acariciando-o suavemente com o dedão. Apesar do olhar terno e cuidadoso do amigo, Jisung sabe que Changbin não está de acordo. Mas ele falou que estaria com Jisung quando ele fizesse o que estava para fazer. E ele, como sempre, manteve a promessa dele. 

“A gente já passou por isso, Bin,” Jisung suspira, cansado, exausto, com a cabeça incerta e os pensamentos uma bagunça que estão prestes a transbordar. 

Se ele tem certeza? Nenhuma. Não sabe se está prestes a fazer uma bagunça ou consertar algo que nunca deveria ter dado errado. Mas parece o certo a se fazer. E Jisung é bastante intuitivo.

“Sung, isso é definitivo, depois não tem como voltar atrás,” ele insiste, dando uma olhada para o papel que descansa, intocado, sobre o colo de Jisung. 

“Eu sei,” ele sente a garganta se fechando e os olhos arderem com lágrimas que ele ainda não se deixa derramar, “mas é exatamente por isso que eu quero fazer.” 

Changbin parece querer discordar, mas ele conhece Jisung melhor do que isso. Apesar de não ter certeza, a esse ponto, quase nada poderia mudar a vontade de Jisung. 

Jisung pega o contrato e relê pelo o que parece ser a décima vez. Ele já conhece as cláusulas de cabo a rabo, todas as contraindicações, os riscos, as consequências. Ele conhece tudo e é exatamente por conta disso que ele folheia as páginas até que chegue no termo de responsabilidade e assina. A letra está tremida, miuda, incerta, assim como ele, mas ele escreve seu nome nela. 

Uma lágrima mancha o papel bem onde diz “ você esquecerá tudo ”. 

E tudo bem. 

Ele quer isso. 

Não quer? 

Não é exatamente por isso que ele está aqui? 

Ele vai até a recepcionista e entrega o papel, tentando sorrir confiante, respirando fundo e limpando as mãos suadas no jeans claro da calça que usa. 

As paredes da sala de espera são frias e cinzentas, sem nenhuma decoração, talvez para evitar que as pessoas encontrem motivos para desistir no último momento, relembrar até mesmo nas menores coisas memórias que não deveriam ser relembradas, mas Jisung sente como se estivesse esperando sua sentença de morte. 

Seu estômago está gelado, não de excitação, mas de medo. Pavor . Suas mãos tremem e seus pés não param quietos no chão, soando barulhos irritantes que ele não consegue parar de ouvir. E se estiver fazendo a escolha errada? Mas e se essa for a escolha certa? 

Changbin leva a mão até o joelho do amigo, mas não fala nada. Ele sabe que Jisung quer ficar calado, perdido em seus pensamentos e, por mais que isso seja autodestrutivo, é o melhor a se fazer no momento. 

A caixa com as coisas de Minho está bem ao lado dele, parada, esperando para ser esquecida e apagada de sua memória. Literalmente.

O ursinho de pelúcia marrom de Minho, Soongie, que ainda tem um leve cheiro do mais velho. A toalha vermelha que um dia ficou pendurada no banheiro da casa de Jisung. Todas as cartas de amor, todas as lembranças que ele consegue tocar e segurar e amar. Tudo está ali. 

Jisung vai esquecer tudo. Não terá mais nada daqui alguns minutos.

Nem os brinquedos, toalhas e cartas, e nem a memória de quem um dia foi Minho.

“Han Jisung?” A médica chama e Jisung se assusta, soltando o ar pelo nariz e se levantando rapidamente. 

Changbin tenta uma última vez, “Sung, pensa bem.” 

“Bin, eu já pensei.” 

O sorriso de Changbin é quase decepcionado e Jisung entende. Também se sente assim. Mas Changbin não está na cabeça dele, ele não ouve repetidamente todas as coisas que Jisung ouve, ele não vê repetidamente todas as cenas que Jisung vê. Ele não vive o que Jisung vive. 

Ele jamais entenderia. 

Mas Jisung entende. Jisung vê, ouve, vive e revive. Tudo. O tempo todo. 

A doutora parece amigável quando toca no ombro dele e diz, “se você quiser parar em qualquer momento, é só me falar e a gente volta atrás.” 

Jisung concorda, mas a essa altura do campeonato sabe que não voltará atrás. 

Está decidido. 

Está decidido a apagar Minho de sua memória. 

Ela guia-o para uma cadeira que parece confortável, mas ele nunca esteve tão desconfortável em toda a sua vida. Seus órgãos doem, como se eles também estivessem protestando contra o que Jisung está prestes a fazer e tem um bolo na garganta de Jisung que deixa difícil ele respirar, até que ele se sinta tonto. 

Uma algema se fecha em ambos seus pulsos, prendendo-o à cadeira, mas ele nem tenta resistir ou sair. Não tem porquê. Ele está ali por vontade própria. 

A doutora gentil conecta alguma coisa em sua têmpora e dá choque, mas isso quase passa despercebido pelas memórias que inundam a cabeça de Jisung. As memórias machucam muito mais do que qualquer outra coisa. 

Irônico, não?! 

Justamente quando ele está pronto para esquecer, tudo volta à tona. 

Todas as palavras que foram ditas e não deveriam ter sido ditas. 

Todas as brigas desnecessárias que aconteceram. 

Todos os olhares magoados. 

A decepção. O descontentamento. O fim. 

Todos os olhares cheios de amor, os beijos apaixonados, as mãos entrelaçadas que pareciam se encaixar como se fossem feitos um para o outro, dois pedaços perdidos do mesmíssimo quebra-cabeças. As risadas. Os sonhos compartilhados e os sonhos realizados juntos. As juras de para sempre’s que acabaram cedo demais. 

O amor. 

O amor que virou dor. 

E é melhor esquecer. 

Jisung vê uma assistente entrando com a caixa e a forma cuidadosa que ela coloca cada pertence de Minho dentro de um pequeno armário. Quando tudo está devidamente em seu lugar, uma chama vermelha se acende e os pertences começam a pegar fogo, aos poucos se desintegrando e sumindo. Se esvaindo. Um passo mais próximo de esquecer Minho. 

O peito de Jisung está apertado. Ele parece sufocado. Sua cabeça parece que pesa toneladas e é minúscula. Ele está tonto, e a respiração parece não querer sair, presa.  

Você é sujo, Minho. Tão sujo. 

Eu te amo tanto, Jisung. 

Eu não acredito que você pôde fazer isso. 

Você é o amor da minha vida, Sung. 

Você é só mais uma decepção. 

Eu quero tanto você. 

Para sempre. 

Para sempre! 

Jisung só percebe que está chorando quando seu rosto está completamente molhado e quando soluça, alto e dolorido. Seus olhos ardem e queimam. Sua boca treme e sua respiração está acelerada. Suas mãos suam, escorregadias, e ele tenta fechá-las em punhos. Tenta encontrar um motivo para não desistir. 

A médica para de mexer no monitor para encará-lo, mas não diz nada, apenas sorri. 

Minho será nada mais do que um espaço em branco que será preenchido por outras coisas. Coisas aleatórias. Coisas que não tem o cheiro dele, a voz dele, o toque dele. Mas Jisung sempre soube disso. 

O choro desce do rosto de Jisung como se fosse tudo que ele consegue fazer, e molha o colo dele. A sensação é irritante, mas é tão sutil. Ele mal a sente sobre as memórias que inundam a cabeça dele muito mais do que qualquer lágrima que caia em seu colo. Ele tenta tanto não sucumbir. Ou será que ele já sucumbiu? 

As mãos estão presas ao braço da poltrona, e ele tenta sair, mas pra quê? A decisão foi tomada. 

Mais um soluço. Seu peito dói, apertado e minúsculo. 

Ele consegue ver claramente o rosto de Minho na frente dele, os olhos brilhando e cheios de amor. 

Ele consegue ver os olhos cheios de desdém e pavor. 

Ele consegue sentir os lábios quentes de Minho, suaves e sempre tão delicados. 

Ele consegue sentir o frio da cama onde Minho foi embora. 

Ele consegue sentir, com clareza, o gosto doce e gostoso de Minho, como ele costumava conectar esse gosto à sensação de casa. Minho era sua casa. 

Ele lembra do gosto ferroso que sentiu quando acabou, como sua língua parecia maior que sua boca enquanto ele vomitava palavras e seus sentimentos feios na cara de Minho, e Minho reciprocava. 

Tudo é demais. E de menos. 

Jisung chora. E soluça. E sente dor. 

“Vamos começar, okay?” A médica fala. 

Ele entra em pânico. 

Ele quer gritar, mas não consegue. O choro está preso e sua cabeça dói. Seus olhos estão arregalados e ele se mexe em vão, todo o esforço parece pouco demais. 

Ele quer falar que não quer mais, que é uma péssima ideia, mas sua voz some. Ele não quer esquecer. Nem um mísero segundo. Nem as partes ruins e nem as partes boas. 

Ele fecha os olhos para tentar impedir que as lágrimas continuem descendo, mas elas tem vida própria e não obedecem. 

Sua voz some, seu peito dói e seus soluços ainda soam altos demais, desesperado. 

Tudo parece abafado, perdido, parece que ele está flutuando pelo espaço enquanto vê seu corpo sentado na poltrona, e ele tenta encostar na médica e pedir para ela parar, mas ele é apenas um vulto. 

Ele tenta, pela última vez, lembrar de Minho. Porque, apesar de tudo, apesar do trabalho e do esforço, ele ainda ama Minho. 

Ele está onde está justamente porque tentou e falhou miseravelmente em esquecer ele. 

Jisung não costuma falhar, mas céus, ele nunca falhou tão espetacularmente em algo antes. 

Ele ouve a voz de Minho chamando-o, e ela soa desesperada, em alerta, com finalidade, apressada. Ele ouve a respiração rápida dele. 

Ela está mais perto, cada vez mais perto, e ele aperta ainda mais os olhos enquanto as lágrimas caem e ele soluça. 

Seu coração dói, se contrai e trai Jisung, mais uma vez. 

Suas mãos ainda tentam, em vão, escapar. 

A voz de Minho ainda soa, gritada, berrada, suplicante. E ela está tão perto. 

Os olhos de Jisung ainda estão fechados. Em poucos minutos ele não vai mais lembrar. Não era isso que ele queria? 

Então por que dói tanto? 

Jisung,” e de repente a voz está logo ali, na frente de Jisung. Minho está ali com ela. Os olhos vermelhos e a respiração pesada, com gotas de suor escorrendo pela lateral do rosto. 

Minho,” ele se ouve gritando de volta, e sua garganta arde, dói, como se várias agulhas estivessem saindo junto da voz dele. 

Jisung fecha os olhos. Ele não quer ver. 

“Por favor, não faz isso,” Minho suplica. Ele é real. Não é uma memória. 

E toda a sua decisão vai por água abaixo. 

Ele não quer esquecer. Ele não quer mesmo nem por um momento, nem por um segundo, nem os erros e nem os acertos. 

No final, certas experiências valem a dor que elas trazem.  

“Minho,” ele chama de novo, cauteloso, silencioso. Uma súplica. “Para, por favor, eu não quero mais.” 

Notes:

E ai, o que acharam?
Espero que tenham gostado! Apesar de ter pouca coisa aqui, caso você queira ler algo meu, tenho mais coisas no twitter @/glowskz