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Os olhos de Soluço se abrem assim que ele ouve o rangido da porta sendo aberta e logo em seguida o barulho de uma fungada ecoar por sua cabana. Por um momento ele pensa que é Banguela ou algum dos dragões mais novos do Domínio, que sempre procuram pelos dois quando alguma coisa acontece.
Com a luz da Lua, ele consegue distinguir a silhueta de um dos gêmeos na sombra. E é rápido saber que é Cabeça Dura que está ali chorando. Cabeça Quente não chora desse cheio, barulhento e meio dramático, sempre silenciosa e tentando engolir o choro para não parecer fraca. Ela também entraria na cabana de Soluço com confiança fingida, e não se arrastando como o irmão.
"Durão?" ele chama, buscando sua adaga para acender o fogo dela e iluminar o lugar. É como o Inferno, só que menor e mais durável uma vez a lâmina não é tão longa. Soluço o usa mas como se fosse um lampião do que uma arma como sua espada.
Cabeça Dura não responde. Ele apenas sobe a escada para o mezanino onde a cama de Soluço está, fungando e choramingando enquanto se arrasta para debaixo de suas cobertas como quando eles eram crianças.
"O que houve?" ele pergunta, abraçando o mais novo. O choro é a única resposta que Soluço tem durante bons minutos que ele passa tentando acalmar Cabeça Dura.
"Por favor não me deixe." o sussurro corta o ar e mal chega aos ouvidos de Soluço. "Eu... eu não quero ver a Cabeça Quente infeliz e não posso atuarar Dagur me chamando de maninho."
"Do que você está falando?"
"Eu tive um sonho, um pesadelo horrível!" ele funga. "Johan conseguia matar você e então Cabeça Quente ficava muito triste, chorando sem parar e mal fazia alguma coisa porque não tinha conseguido salvar você e Dagur nos adotou como irmãos mais novos já que não tínhamos mais você e nos chamava de 'maninho' e 'maninha'. Foi tenebroso. Eu não posso perder você, Soluço!"
"E você não vai." ele garantiu. "Eu prometo."
"Não temos como ter certeza. Você não pode me prometer algo assim."
"Nós somos vikings, Durão. Somos teimosos e obstinados. Confie em mim quando digo que não morrerei tão cedo e quando esse dia chegar não será pelas mãos de nenhum dos nossos inimigos, mas pela velhice."
Cabeça Dura permaneceu em silêncio por alguns minutos, mas ele não chorava mais mesmo que ainda agarrasse a túnica de Soluço como se ele pudesse sumir a qualquer momento.
"Você vai ser um velho feio." ele disse após um longo silêncio, se arrastando para deitar no peito de Soluço, querendo ouvi o coração do mais velho bater.
"Oh, não, definitivamente não." Soluço protestou, apagando a adaga e os cobrindo de novo. "Eu sou um Haddock. Os Haddock sempre envelhecem bem, não se preocupe. Melequento, por outro lado... os Jorgenson envelhecem como leite de iaque!"
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Na manhã seguinte, Cabeça Quente acordou ao lado de Soluço e Cabeça Dura na cabana do mais velho, enrolada em seu próprio cobertor e com Vômito e Arroto enroscados ao redor de Banguela na parte de baixo.
E se Melequento acordou reclamando que sua orelha esquerda estava queimando, bem, Soluço e Cabeça Dura não tinham nada a dizer sobre isso.
