Chapter Text
Aether estava perto da ponte da cidade de Mondstadt, ele estava esperando a certo tempo a aquele ponto, já era o horário marcado por Katherine para a entrega das ervas e os pedidos feitos pelas pessoas. A cada segundo que passava parecia ficar mais quente, embora o tempo estivesse um tanto frio e com ventos fortes.
Timmy não estava muito distante, estava alimentando os pombos, como sempre fazia. Aether olhava para ele com carinho, naqueles últimos 2 meses não haviam muitas pessoas que falavam com ele, nem Timmy o fazia e os pombos voavam quando sequer se aproximava.
Finalmente, a imagem de Katharine surgiu da entrada da cidade. Ela usava as mesmas roupas de sempre, iguais as da semana passada e da retrasada. Sorria gentilmente como sempre fez.
— Viajante! — ela acena ainda distante
Timmy olha para ela, seus olhos se arregalaram, mas não pareceu expressar tanto medo quanto a maioria dos adultos, os mesmos que tentavam atacá-lo ou fugir, como se fosse um monstro.
— Ei! Não assuste os pombos! — gritou Timmy para Katherine, embora não houvesse um real sentimento de raiva, ele parecia estar brincando com a mulher, que acenou para ele sorridente.
Katherine correu de um lado da ponte até o outro, onde chegou perto de Aether e ergueu uma bolsa de mora. O menino piscou algumas vezes e riu.
— Katherine, isso é mais do que o combinado. — ele disse, tirando duas pequenas sacolas de uma bolsa (estilo carteiro).
Dentro delas havia diversas flores, sem seus caules, enquanto na outra havia folhas verdes perfeitamente cortadas dos caules de onde vieram. Tudo havia sido arrumado com muito cuidado para que ficasse em perfeito estado, Aether havia colhido mais de 30 flores específicas nos últimos dias, cortando-as e guardando-as para serem entregues.
Katherine suspirou e o olhou nos olhos.
— Viajante, eu já te disse que seu trabalho é muito bem executado para que eu apenas lhe pague poucas moedas.
Aether balançou a cabeça.
— Poucas moedas são mais do que o suficiente, faria isso por bem menos. — Disse ele sorrindo.
A atendente abaixou a cabeça, aquela era a sexta missão semanal da semana cumprida por ele, normalmente as pessoas mais experientes faziam duas por semana devido ao seu risco ou o quão trabalhosa eram elas. Ela sabia o porquê de ele estar fazendo aquilo, estava claro pelas olheiras marcadas e cicatrizes ainda recentes, cobertas com bandagens entregues por ela a pouco tempo, até a barriga estava enfaixada e havia uma mancha de sangue bem marcada.
— Ah! — Exclamou Aether, batendo uma palma —Katherine, por favor, entregue isso para a Glory. — Ele tirou uma pequena caixa de madeira do fundo da bolsa.
A mulher olhou-a com cuidado e perguntou:
— O que é isso?
— Algumas sementes de Dandelion. — Respondeu abrindo a tampa mostrando um pó brilhante.
Katherine olhou estaticamente para aquilo.
— Aether.
— Sim?
— Isso é MUITO. — Exclamou a dama.
Uma flor de dandelion daria menos do fundo daquela caixa, para que ele tenha enchido a caixa inteira…
Aether balançou a cabeça e tocou o ombro da mulher.
— Glory tá sozinha lá, eu sempre vejo o Godwin lá na Origem do Vento. — Ele disse um pouco triste.
Katherine suspirou e segurou o loiro pelos ombros.
— Aether, não é saudável você continuar fazendo isso.
O sorriso dele balançou um pouco, suas sobrancelhas se franziram e seus olhos desviaram.
— Não tem problema, é para isso que eu estou aqui.
— Oh céus. Viajante, você está banido. Eu não quero ser rude, mas isso não vai fazê-los mudar de ideia sobre você.
O rosto dele travou por um segundo.
Não era como se ele não soubesse que as tarefas não iriam salvá-lo daquela realidade, mas elas distraiam sua mente, tudo voltava a ser como sempre.
Regra número 1, nós não vamos machucar as pessoas caso elas tentem nos ferir, somos fortes demais para que suas vidas continuem intactas após um golpe!
— Por favor, não se preocupe comigo, Katherine. — Tranquilizou Aether.
A mulher abriu a boca para falar, mas o menino a cortou com uma palma.
— Bem! Hora de ir, tenho uma longa caminhada até em casa!
Katherine suspirou e pegou as sacolas com a caixa já embaixo de seu braço, mas antes, jogou a pequena sacolinha dentro da bolsa que Aether levava. Antes que ele pudesse reclamar, ela correu para o outro lado da ponte.
Aether nem se atreveu a tocar o pé na pedra que formava a travessia, apenas permaneceu quieto, com um sorriso caloroso em seus lábios. Ele se sentia feliz, era bom falar com Katherine, ela era a última que sobrou de seu tempo na cidade, além de sua fiel companheira de viagem, Paimon.
O caminho para o fundo da floresta era lento e cansativo, embora Aether não se importasse, ele só não queria olhar para trás. Aquela maldita repulsa e afeição que tinha com a cidade o deixava um pouco louco.
— Ah, eu não peguei uma missão nova! — Exclamou ele, finalmente se lembrando do objetivo principal pelo qual foi a cidade.
Aether resmungou algumas palavras um pouco deprimido, mas ele logo botou a raiva de lado assim que viu a pequena garota voando ao redor de uma fogueira, em suas mãozinhas, um gigantesco pedaço de carne, maior do que a própria cabeça dela.
Nhom!
Ela abriu sua boca e comeu tudo de uma vez, deixando apenas o osso de fora. Era impossível para ele manter o rosto vazio quando se aproximava de Paimon. Aether nunca admitiria, mas Paimon agia de maneira semelhante a Lumine quando ambos eram jovens, ela era sempre animada e normalmente queria lutar com tudo e todos.
— Paimon!! — Exclamou ele correndo em direção a ela.
A fada de cabelos brancos virou o rosto e com uma expressão emocionada e a boca cheia de carne, voou em direção a ele.
— Awethear! — Exclamou ela, ainda com comida na boca.
Os dois se abraçaram, Paimon fez um barulho estranho e logo engoliu a carne de uma vez.
— Paimon tinha feito carne, mas tive que comer antes que esfriasse! — Exclamou ela com um sorrisinho.
Aether acenou como se acreditasse.
— Ainda temos carne, não?
— Paimon acha que sim!
— Bem, vamos comer, temos um longo dia até o próximo dominio.
Os dois se sentaram e começaram a esquentar a carne.
Fazia pouco tempo desde que Aether havia iniciado uma meta, ele não podia só ficar parado, certo? O objetivo era simples: ele queria explorar todos os domínios que encontrasse; Por que? Qual era a utilidade nisso? Aether havia descoberto que algumas criaturas costumavam sair dali e acabavam atacando as cidades, então se ele pudesse impedir aquilo de ocorrer, talvez o ajudasse a limpar toda aquela bagunça.
— Ouvi dizer que há uma expedição saindo futuramente de Liyue, talvez eu consiga participar se oferecer proteção gratuita. — pensou Aether em voz alta.
Paimon olhou para ele por um segundo, sua seriedade era incomum para qualquer um que a tivesse conhecido antes.
— Não é uma boa ideia… — Ela murmurou evitando o contato visual.
Aether balançou a cabeça.
— Sabe, isso não é tão ruim, não é como se eu estivesse sendo perseguido — ele disse, tentando tranquilizá-la. — Na verdade já me ocorreram muitas coisas assim…
Mas não com pessoas que eu gosto. Correu em sua mente, conforme um gosto ruim subiu-lhe a boca. Paimon o abraçou e Aether contribuiu.
Com o silencio desconfortável, Paimon não pôde deixar de bufar alto e exclamar:
— Bem! Paimon e Aether devem ir para Liyue, já que Aether quer fazer isso!
Com isso, o loiro se levantou, foi um pouco mais difícil do que se sentar, devido a ferida em sua barriga, mas nada impossível. Paimon voou para cima e se sentou nos ombros do viajante, como uma criança pequena e, no topo dos cabelos loiros, apoiou sua cabeça.
Aether pisou algumas vezes no fogo baixo para enfim apagá-lo e eles começaram a se mover em direção a Liyue.
Caminhar era legal, embora estivesse se tornando mais cansativo do que sempre foi. Talvez fosse pelas feridas em seu corpo ou apenas a vontade de se deitar e deixar que sua carne fosse devorada por vermes. Infelizmente, Aether não concretizaria uma ideia daquelas, mesmo que suas pernas quebrassem e estivesse cego, Lumine, sua última esperança, ainda estaria viva e sozinha para fugir daquele mundo.
Paimon estava sentada nos ombros de seu companheiro e parecia uma pena de quão leve era, o que era surpreendente considerando o tanto de carne aquela pequena criatura comia; ela balançava suas perninhas conforme cantarolava uma música calma, seu rosto estava avermelhado devido ao frio que vinha da Espinha do Dragão, não estavam tão distantes dela para deixarem de sentir o frio que estava se espalhando pelo terreno.
Algumas horas já haviam passado, o sol ainda não estava se pondo, mas logo o céu começaria a ficar roxo e depois apenas escuro, sobrando apenas o brilho da lua para iluminá-los. Aether caminhava quieto, prestava atenção ao redor para casa alguém tentasse atacá-lo. Claro, ele não estava sendo caçado, não considerava algumas pessoas irritadas indo atrás dele como caça, achava que estava mais próximo de uma busca por vingança, certo?
A cada passo que dava, os ventos pareciam ficar cada vez mais fortes, chegando ao ponto de ser difícil caminhar…
— Aether! — Paimon gritou segurando os cabelos loiros dele. — Não é melhor a-a gente parar?!
As mãozinhas trêmulas continuavam lutando para se manterem agarradas ao corpo maior. Aether caminhou até uma árvore e se abaixou, ele, com cuidado, tirou Paimon de suas costas e a enrolou em um cobertor. Agora ela realmente parecia com um bebê, coberta até a cabeça pela manta não muito grossa feita com lã, era do tamanho certo para Paimon, embora fosse inutilizável para o viajante.
— Durma Paimon, os ventos vão continuar fortes.
Aether colocou a pequena contra seu peito e voltou a caminhar. Paimon ficou quieta ali e lentamente adormeceu. Seus passos eram calmos e firmes, era difícil se manter de pé e seus ouvidos doíam um pouco, o som do vento estava estranho.
Normalmente, Venti controlava os ventos, mesmo que inconscientemente, se ele estava bêbado, tudo ficava leve, a brisa carregava calor e trazia o cheiro casual das tavernas da cidade; Se ele estava feliz, o som do vento parecia com a música cantada por bardos; quando estava triste, a brisa carregava uma melodia triste — Aether acreditava que era uma melodia feita pelo amigo dele a tantos anos. Mas aquela? Aquele vento não tinha melodia e só carregava as nuvens mais geladas da Espinha do Dragão, se Aether pudesse, perguntaria o que estava ocorrendo, mas era impossível, mesmo se fosse contra a lei, arriscado demais.
Aether levantou a cabeça em um movimento rápido.
Snif, snif…
Parecia que viria uma chuva, talvez vinda da montanha de gelo ao seu lado ou de Snezhnaya, era difícil de saber, o vento a maioria das vezes era imprevisível…
E, mesmo que começasse a chover, seria irrelevante, Aether seguiria seu caminho até Liyue. O que não era uma viagem fácil, dois dias de viagem a pé sem dormir, normalmente, um dia inteiro de caminhada até o Albergue, onde as pessoas passavam a noite, Aether não tinha esse luxo, nem chegaria perto de lá.
— Finalmente. — Aether disse aliviado, a alguns metros estava a cachoeira que deságua na Adega do Alvorecer, o que significava que estavam próximos da primeira “parada”, o domínio: guardião da montanha.
Aether se esgueirou para dentro, abrindo a porta com cuidado para que não fosse esmagado quando passasse. Lá dentro, ele respirou profundamente e se sentou contra uma parede. O espaço era apertado, alto de altura, porém pequeno de largura, em torno de 1 metro entre as paredes.
Aether olhou ao redor, encostado na porta para que não se perdesse, ele olhou para o longo e escuro corredor, aquela ainda era a entrada do domínio, se caminhasse para aquele lado, talvez encontrasse uma grande quantia de monstros, dos quais teria que vencer para poder ter a chance de sair vivo.
O viajante suspirou e olhou para a criança em seus braços, ela dormia pacificamente, era bom, talvez ele pudesse dormir um pouco, ventos fortes o aguardavam nos próximos dias.
