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castelo de vidro

Summary:

No aniversário de um ano de namoro de Jisung e Minho, Jisung decide que seria melhor acabar com tudo.

Notes:

essa fanfic é um presente de aniversário para um amigo meu. (feliz aniversário didi!!!) eu nunca publiquei nada aqui no AO3 então não tenho a mínima ideia do que colocar nas tags e onde colocar cada coisa. já de cara peço desculpa pelos erros ortográficos e por qualquer coisa que possa estar errada no trabalho á seguir. boa leitura!

Work Text:


No canto da sala não toca nada além do ruído estrondoso e estático da televisão fora do ar, sangro baixinho em minha própria estupidez na primavera morta de minha mente. Minho não voltará mais, eu sei disso porque eu mesmo fiz com que ele jogasse em minha face as palavras árduas de um romance já escasso, fiz com que admitisse para mim que não teria mais volta. Em outras palavras, fiz com que Minho batesse a porta em minha cara e levasse consigo meu coração, me deixando desolado e sozinho em um apartamento grande de mais para uma alma penada como a minha. Me fazendo o rei solitário em meu castelo de vidro.

Noite passada teríamos comemorado um ano de nós se eu não tivesse me perdido em minha mera idiotice, se não tivesse professado as malditas palavras que me afogavam, se não tivesse falado o que realmente queria. Talvez Minho ainda estivesse comigo, em meus braços escutando meus devaneios, mesmo que logo depois me repreendesse por ter falado algo que, em sua ordinária arrogância, não fosse apropriado. Sou formado por carne e sinto de tudo como todo humano, mas mesmo policiando minha mente para ser inerte ao sentimento angustiante de raiva, ver Lee chegando cambaleando em nosso apartamento no dia que era para ser nosso, me fez ser rendido á fúria. gritei todas as palavras que poderia em sua alva face e empurrei o corpo em minha frente para longe de mim. a única coisa que eu pedia a ele era que por um dia, um mísero dia ele fizesse minhas vontades sem fazer minha pele sangrar de tanto me doar, sem ter que gastar minhas cordas vocais para algo que eu sabia ser inútil. 

– Você me vira do avesso e espera o contrário, Lee Minho. eu me doo cada dia mais por ti. Ofereço cada parte de minha carcaça já um tanto desgastada para você e me esforço o máximo para que seja feliz comigo, então me diga porque tudo o que eu faço parece ser em vão, me explique, de verdade, porque você parece me odiar tanto. Tudo o que eu faço é por você, PORQUE VOCÊ NÃO ENTENDE? Hoje era para ser um dia especial, eu te pedi mil vezes para se segurar por UM dia se quer. – eu gritava enquanto você me encarava com o olhar vazio, frio como sempre enquanto minha cara rubra era encharcada por lágrimas - Eu me esforço tanto, e parece que tudo é em vão. – o silêncio paira no ar escasso, aquele silêncio que te deixa surdo e faz querer esganar a própria garganta.

– Você realmente se esforça, Jisung? – ele ri e voltava a falar embolando as palavras – Hanji , – maldito apelido – se você realmente se esforçasse eu não teria que aguentar essa merda de choro todo mês. Você realmente acredita que eu mereço algo assim? que eu mereço uma pessoa tão mesquinha do meu lado? Jisung… se eu sou tão mal assim, me mande logo embora, é tão simples .

Aperto meu punho e sinto que levei um soco no estômago, Lee não estava errado, era sim tão simples.

– Então quero que vá embora – respiro fundo e olho direto nos seus olhos, mesmo com o rosto já molhado pelo meu choro – amanhã devolvo suas coisas, se possível deixe a chave do meu apartamento que te dei na mesa ao lado da porta.

Calmamente ele ri para si e deixa as chaves na mesa de canto, profere que não saberia viver sem ele, que iria me arrepender e se vai da mesma forma que entrou, levando consigo meu coração e me deixando sozinho com as surpresas que havia preparado, Tranco a porta e me jogo no sofá, fico por ali pela noite chorando baixinho, não sei se de alívio ou de tristeza. Mas de uma coisa eu finalmente sei, Lee Minho não voltará mais para minha vida e mesmo sem meu órgão pulsante no peito, o vazio não parece tão grande em meu castelo de vidro.