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Português brasileiro
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Published:
2024-07-13
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2,927
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Brevemente

Summary:

[SEBAEK - AU]

Baekhyun é um homem comprometido e Sehun é alguém cansado dos momentos breves. Em meio aos laços dessa relação complicada, Baekhyun procura Sehun uma última vez.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Baekhyun ainda está do outro lado.

Sehun sabe disso pois sua sombra se derrama no tapete de boas vindas, passando por debaixo da porta e se espalhando tímida pelo chão frio da sala. Aquele tapete foi um presente de Baekhyun e Sehun se pergunta o porquê de ainda manter os pedaços dele em seu apartamento. Os frascos com os cheiros que encontra no pescoço dele ainda estão sobre a bancada do banheiro, assim como a lâmina de barbear e a escova de dentes. As roupas no closet fazem Sehun dizer a si mesmo que é questão de tempo até jogá-las fora e ele diz o mesmo quanto ao passar na portaria e deixar avisado que o senhor Byun não tem mais permissão para subir até o seu apartamento.

Mas lá está Baekhyun outra vez.

Do mesmo modo que suas roupas estão no closet, sua escova de dentes está no banheiro e o tapete de boas vindas está na entrada. É tudo porque Sehun não tem força o suficiente para expulsá-lo.

— Sehun? — Baekhyun chama com a voz rouca e arrastada e Sehun sabe que ele está bêbado. Por um momento ele pensa sobre o álcool e seu poder em fazer o Byun se arrastar para o seu apartamento. Seria uma dádiva se aquela substância não existisse, mas então o que seria do mais novo senão um amontoado de cacos ansiando pelas mãos de um homem que jamais voltaria para tentar consertá-lo? — Sehun, sei que está aí dentro.

O punho de Baekhyun acerta a porta mais uma vez, mas de um jeito tão fraco que Sehun pode sentir a determinação deixando os ossos. Ele sabe que o homem mais velho está prestes a se deitar diante de sua porta e adormecer miseravelmente no chão e Sehun sabe ainda mais que em algum momento da noite vai abrir aquela porta e deixá-lo entrar para se enfiar debaixo de seus cobertores.

Ele pensa em todas as vezes em que aquela cena se repetiu. Baekhyun o procura quando bebe e Baekhyun só bebe quando é muito difícil lidar com o pai, a empresa que carrega seu sobrenome, o peso de esconder a si mesmo, a noiva...

Noiva.

Sehun pensa em Sooyoung e em seu sorriso de dentes perolados e engasga com choro e riso presos em sua garganta desde que o homem do outro lado bateu em sua porta tarde da noite. Sooyoung é a filha mais velha do irmão de seu pai. Sua prima. A garota que usava o cabelo em tranças e se sentava com ele no jardim aos domingos, entrando em suas brincadeiras infantis enquanto os adultos conversavam.

Oh Sooyoung. Futura Byun Sooyoung.

Ela lhe entregou pessoalmente o convite de casamento, muito consciente de que aquele pedaço bonito de papel era capaz de fazer um Oh Sehun quebrar em pequenos pedaços e derramar lágrimas que jamais seriam de alegria. Ela soube primeiro afinal de contas. Foi a pessoa a cuidar de um Sehun desolado quando o garoto por quem ele se apaixonou deixou o país da noite para o dia. Ainda assim, nem mesmo os mais fortes laços de sangue poderiam manter os bons relacionamentos quando as duas partes envolvidas desejavam o mesmo. Ou quase isso.

Haviam duas coisas em Byun Baekhyun que chamavam atenção com facilidade: sua pessoa e o seu dinheiro. Para Sehun apenas o primeiro seria suficiente, mas os negócios administrados por seu tio não iam tão bem então o que poderia importar além daqueles zeros incontáveis dos Byun?

Sooyoung foi apresentada a Baekhyun quando o mesmo retornou para a Coreia. Ele não se opôs aos encontros e parecia tão feliz quanto possível ao lado da — agora — jovem mulher. Qualquer um que olhasse para eles poderia dizer que aquelas duas belas pessoas haviam sido moldadas uma para a outra. Eram membros da elite coreana, tinham uma boa reputação e aparência invejável. Eles eram o que as pessoas chamam de casal perfeito e seu casamento era mais do que uma certeza.

Sehun sabia disso. Sehun sentiu dor por isso.

Embora alguns minutos de observação tenham feito o homem mais jovem entender que nada daquilo era de verdade, embora sequer conseguisse ver amor nos olhos deles quando olham um para o outros, Sehun não conseguia evitar a inveja quente e borbulhante que lhe faz desejar estar na pele daquela mulher e receber os sorrisos e a mão de Baekhyun bem no meio de suas costas, acariciando gentilmente como o bater das asas de uma borboleta. Embora aquela fachada fosse plástico, Sehun não conseguia evitar desejar estar no lugar de Sooyoung, recebendo a atenção de Baekhyun no lugar daqueles beijos afoitos no meio da noite, trocados em segredo quando ninguém podia vê-los.

— Sehun, abra a porta. — a voz de Baekhyun parece tão quebrada quanto Sehun e aquilo lhe confortou. Sehun não quer ser o único a derramar lágrimas. — Por favor…

Outro olhar sobre o convite de casamento sobre a mesinha e é como se ele estivesse ali desde sempre, acumulando poeira como uma lembrança antiga. Sehun passa por ele todos os dias e vislumbra a data gravada no papel elegante em modo automático em todas as vezes que sai para trabalhar. Ele já decorou todos os detalhes daquele pedaço luxuoso de papel.

Ele está consciente de que o tempo está passando.
Ele sabe que o casamento é no dia seguinte.

Sehun se pergunta se Baekhyun veio para se despedir ou se ainda pretende bater em sua porta mais algumas vezes depois de casado. Ele quer — não, ele anseia desesperadamente — que Baekhyun não volte. Porque ele não sabe o quanto ainda pode aguentar ter aquele homem por uns instantes que jamais serão o bastante. Porque dói em todas as vezes que ele sussurra um pedido de desculpas e vai embora levando mais pedaços de Sehun dos breves momentos que passaram juntos.

— Você vai se casar. — sua voz é um fio e uma lágrima desce pela bochecha enquanto um riso amargo e sem vida abandona seus labios em um sopro. — Porra, você vai se casar, Baekhyun!

Mais lágrimas caem e Sehun se sente cansado de chorar primeiro.

As imagens de quando se conheceram invadem sua mente sem que ele possa conter, como uma barragem que não suportou mais o peso da água. A memória pode ser uma maldição e, naquele momento, ela o atormentava trazendo de volta a época em que eles eram apenas garotos, fazendo Sehun se ver menino de novo, sendo o primeiro a se apaixonar pelos sorrisos grandes de Baekhyun. Naquela época, Baekhyun tinha olhos castanhos cheios de vida, risada alta, personalidade enérgica e espirituosa, mãos ligeiras para cócegas e mais rápidas ainda para segurá-lo pelo queixo e roubar seus beijos. Ele era brilhante e, embora agora fosse apenas a sombra do que foi um dia, Sehun ainda não havia parado de amá-lo.

Não havia parado de amá-lo mesmo quando ele disse que não podiam mais se ver. Não deixou de amá-lo quando ele passou 2 anos no exterior e ainda o amava quando ele apareceu na casa de sua família de mãos dadas com sua prima, anunciando para todos que Sooyoung havia aceitado se casar com ele. Sehun não deixou de amá-lo quando os lábios dele tocaram os de sua prima na frente de todos e não deixou de amá-lo quando a champagne que havia bebido mais cedo borbulhou em seu estômago, fazendo a vontade de vomitar surgir com a mesma velocidade das lágrimas em seus olhos. E por mais que tenha tentado muito e de muitas formas, Sehun não deixou de amá-lo depois.

Este é um amor cansativo e Sehun não pode deixar de se odiar por isso.

Ele odeia seu maldito coração por amar Byun Baekhyun, arrancaria-o de seu peito com as proprias mãos se conseguisse. Odeia sua imagem cada dia mais pálida no espelho e odeia saber que o grande causador deste mal é um amor que ele não consegue deixar. Sehun sequer sabe se ainda pode chamar tal sentimento de amor, mas ele não pensa sobre isso. Pensar só faz com que ele chore as lágrimas e se sinta pior sozinho.

Do outro lado da porta, ele ouve Baekhyun chorar. Oh Sehun se lembra de todas as vezes em que este homem o procurou, de todas as vezes em que surgiu em sua porta naquele estado bêbado e lamentável que em nada lhe lembrava o Baekhyun de sua adolescência. Sehun conhece este roteiro de cor. Quando Baekhyun surge em pedaços em sua porta, ele tira todas as suas roupas e o coloca debaixo do chuveiro quente, ouvindo o ruivo chorar como uma criança, balbuciando um milhão de pedidos de desculpas enquanto esconde o rosto em seu pescoço. Sehun consegue se lembrar bem de como sempre termina acariciando seu cabelo em uma tentativa de confortá-lo quando sequer consegue confortar a si mesmo. Quando se quer consegue arrancar aqueles sentimentos do peito.

Nem sempre foi assim.

Quando Baekhyun o procurou primeiro, Sehun fora tomado pela raiva, provocando uma pequena cicatriz acima da sobrancelha direita daquele ruivo. Depois de não conseguirem se manter longe um do outro mesmo em meio a raiva, Sehun fora tomado por um sentimento de esperança. Esperança de que Baekhyun deixasse Oh Sooyoung, esperança de que eles pudessem ficar juntos. Quando suas esperanças tolas foram quebradas, o que lhe restou foi um grande vazio e Sehun estava no meio dele agora, desistindo totalmente de lutar por algo naquela relação torta.

Nos momentos em que ficou em silêncio, Baekhyun também não disse nada. Sehun sabe que eles sempre serão assim então por que deixá-lo ficar? Baekhyun nunca vai usar sua voz para ficar ao lado dele, nunca vai deixar tudo que tem por um homem. Por ele.

— Você precisa ir. — Sua voz cansada encheu a sala outra vez quando ele se levantou do chão. — Vá para casa.

— Você não entende — Baekhyun sussurra do outro lado. — eu já estou. Estou aqui, Sehun-ah.

E Sehun se quebra com ele.

Diz sempre que podia mandá-lo para longe dessa vez, mas a quem ele queria enganar? Baekhyun é um vício incurável. Incurável no modo como faz o moreno se pegar traindo a si mesmo ao usar as blusas largas demais para o mais velho - mas que caiam bem demais em seu tronco magro. Incurável no modo como lhe fazia incapaz de se desfazer das coisas dele ou mandá-lo embora – porque manter os rastros de Byun Baekhyun fazia parecer como se ele jamais tivesse ido embora. Como uma doença lenta, Baekhyun não pode matá-lo de uma vez, mas ainda faz arder e ferir e antes que seu corpo esteja entorpecido demais para sentir a dor. Tudo o que Sehun deseja é que os momentos breves terminem.

 

Ele é só mais um pedaço deixado naquelas mãos bonitas, só mais partes suas sendo trocadas por minutos e horas que terão um fim quando ele piscar e adormecer. Ele sabe que, assim que abrir aquela porta, não vai ter Baekhyun sorrindo e dizendo que largou tudo por ele. Sabe que aqueles braços em volta de seu corpo, lhe segurando como se nunca fossem deixá-lo, são uma mentira linda. Sehun sabe que vai acordar sem ele na manhã seguinte, mas, ainda assim, ele se levanta e quando a porta se abre, Baekhyun está lá e ele o olha em silêncio como se fosse incapaz de dar o primeiro passo.

Aquele amor cansativo já passou por fases demais e Sehun não consegue se lembrar de um momento depois da volta de Baekhyun em que eles foram sinceramente felizes e não tiveram medo ou raiva. Ele sequer se lembra de um momento recente onde eles não gritaram um com o outro.

— Mentiroso. — Sehun acusa, sem vergonha de exibir seus olhos vermelhos.

— Sehun…

— Você é um mentiroso, Baekhyun!

Baekhyun parece tão quebrado quanto ele, mas Sehun não se importa. Nada pode doer mais que a constatação de que Baekhyun não vai ficar. Nada pode machucá-lo mais do que a culpa naqueles olhos escuros, pesando sobre os ombros largos e refletindo em seu corpo magro. Nada pode machucá-lo como Baekhyun machuca. Não pode fazê-lo chorar como Baekhyun faz.

E Sehun está cansado de chorar primeiro, mas as lágrimas estão caindo de novo. Elas estão lá quando os braços de Baekhyun se fecham em volta de seu corpo e Sehun quer afastá-lo só dessa vez. Ele quer ser o primeiro a quebrar o momento breve, ele quer ser o primeiro a ir embora, mas não consegue. Então só lhe sobram as lágrimas e os braços de Byun Baekhyun, segurando seus pedaços quebrados.

— Me desculpe — É o que Baekhyun diz e Sehun não sente nada. Já ouviu aquelas palavras por vezes demais para ainda ser afetado por elas — Eu sinto muito. Eu te amo.

Então há os lábios dele e seu gosto de álcool e cigarros. Quando Baekhyun lhe beija com desespero, Sehun se pergunta onde estão aqueles garotos brilhantes e frescos como o verão em que se conheceram. Ele procura seu Baekhyun naquele beijo, mas não consegue achá-lo em meio ao gosto amargo de despedida. Suas mãos sobem para o rosto dele e Sehun sabe que ele está chorando também quando as lágrimas acariciam as pontas dos dedos. Ele se pergunta se aquelas lágrimas são por sua causa, pela família que Baekhyun quer desesperadamente orgulhar ou por si mesmo. Talvez seja um pouco de tudo, mas o moreno não pensa em mais nada quando o ruivo começa a guiá-los em direção ao quarto, como se conhecesse aquele apartamento como a palma de sua mão.

Tudo parece mais lento hoje e os olhos dele estão lá o tempo todo, como se quisessem guardá-lo. Sehun não pode dizer se ele ainda está bêbado, mas pode dizer que se embriagou no agridoce dos sentimentos em seu peito. Sehun quer afastá-lo com a mesma força com a qual o puxa para perto, quer gritar que o odeia com a mesma vontade que o nome dele deixa sua boca nos suspiros entrecortados. Sehun quer odiá-lo e saber que jamais poderá fazer isso faz com que ele odeie a si mesmo.

Em cima dele há Baekhyun e Baekhyun se pergunta o que há naquele homem e em seu amor. Pensa em quando fugiu para outro continente só para afastar aqueles olhos bonitos de sua mente. Pensa em como não consegue se curar dele ou se afastar, em como Sehun costumava sorrir antes de ter seu coração partido e em como não consegue ser forte o suficiente para matar todos aqueles sentimentos e deixá-lo ir. A ideia de mantê-lo ao seu lado e machucá-lo o deixa louco, mas a ideia de deixá-lo ir e ser amado por outra pessoa o deixa pior. Baekhyun não pode deixá-lo partir. Não Sehun. Não com o único amor que já conheceu.

Quando terminam, Baekhyun não sai de cima de seu corpo. Ele está lá, apenas respirando, mas Sehun sabe que não está dormindo. Existe algo em dormir agora que lhe enche de pânico então ele não o faz. Seus dedos sobem para os fios ruivos e ficam lá. Não há mais lágrimas em seus olhos e ele não poderia chorar mesmo se quisesse.

Sehun tenta não pensar sobre o tempo que eles ainda têm quando Baekhyun rola para o lado e encara seu rosto na escuridão. Ele parece se esforçar para enxergá-lo e Sehun se pega acariciando seu rosto, sentindo o coração se encher ao ouvi-lo suspirar baixinho. É que Baekhyun fica sempre tão bonito depois de tudo e Sehun não pode evitar se perder mais, se entregar mais…

Nenhum dos dois quer adormecer, mas acontece.

Quando acorda, Sehun vê que Baekhyun ainda está ao seu lado. O corpo nu e as marcas que Baekhyun deixou em sua pele dizem que o momento que passaram juntos não foi uma peça fruto de sua cabeça. Baekhyun está ali. Ele passou a noite e seu rosto adormecido está tomado por uma tranquilidade que Sehun não via há muito tempo. Eles poderiam ser assim todos os dias se Baekhyun não fosse embora outra vez.

“Baekhyun vai embora?” O pensamento faz com que sua palma se recolha. O relógio sobre a cabeceira está bem ali e Sehun sabe que seu tempo acabou. Baekhyun se casa naquela tarde e as horas são crueis ao lhe dizerem que ele precisa ir.

Baekhyun parece adivinhar que ele está acordado, pois seus olhos se abrem confusos e sonolentos em seguida. Há um sorriso mole que não é correspondido e então a voz dele murmurando um bom dia preguiçoso e baixo.

— Baekhyun.

— Hmm?

— Está tarde. — Ele não pede mais para que Baekhyun fique, pois a certeza de que não será escolhido lhe faz ter medo de mais um pedido de desculpas. Sehun não quer um pedido de desculpas. — Você vai se atrasar. Seu pai, sua família, Sooyoun-

A boca de Baekhyun cobrindo a sua lhe faz parar no meio da frase. Baekhyun não parece se importar com o tempo quando o abraça e Sehun não sabe o que fazer com as próprias mãos quando os dedos de Baekhyun afundam em seu cabelo. Ele quer saber o que Baekhyun está pensando, mas tem medo de perguntar e de assisti-lo ir embora outra vez, levando mais pedaços seus depois de outro momento breve. Então a dúvida fica, o coração se aperta e os olhos se enchem de lágrimas, mas ele não as derrama, pois o efeito Baekhyun está agindo sobre seu corpo trêmulo outra vez.

— Vamos dormir um pouco mais, Sehun-ah. — Baekhyun sopra contra seus fios pretos. — Só mais um pouco.

Então, ele adormece, agarrado àquele momento breve, se prendendo desesperadamente aos minutos, rezando para que eles não terminem.

Notes:

Se você chegou até aqui, obrigada por ler!