Work Text:
-Hartley Rathaway? Espera, esse não é o mesmo nome do lugar que você...tentou invadir?
-Não.
-Então está negando que foi preso nas Empresas Rathaway?
-Não, não estou.
-Então?- ele ergueu uma sobrancelha para o menor, esperando, este estreitou o olhar, levemente confuso, mas tentando não demonstrar isso. -Você parece bem inteligente, me explique o que aconteceu então...
-Entendo...- ele deu um pequeno sorriso de lado, impressionado, porém dessa vez sem tentar esconder isso -...eu não tentei invadirr nada, pois se eu tivesse tentando, eu teria conseguido.
O policial revirou os olhos, balançando a cabeça para esconder o sorriso que queria nascer em seu rosto.
-Mas se tivesse “tentado”, de fato, não era para conseguir, pois tentativa não implica em conseguir realizar tal ação.- ele deu um pequeno sorriso de lado e viu o outro estreitar os olhos, com um pequeno bico querendo se formar nos lábios -Você não é o único inteligente aqui. Também não fui muito honesto com você... eu sei porque fez o que fez, mas o fato é que ainda está sendo acusado por seus pais, pretende mesmo arriscar ir para prisão?
-Melhor do que pedir desculpas a aqueles imbecis convencidos, não acha?- Hartley tentava passar uma postura indiferente e relaxada, mas o detetive podia ver através dela perfeitamente.
-Quer saber mesmo o que eu acho?- ele jogou o arquivo na mesa e se sentou nela bem na frente de onde o outro se encontrava sentado, algemado a cadeira. Tentou não corar ao sentir o olhar do outro percorrendo seu corpo descaradamente. Limpou a garganta para que ele prestasse atenção no que ia dizer a seguir e não em... outras coisas -Eu acho que você é inteligente mesmo, tanto que vai mostrar um dia a eles o grande erro que foi deixar você ir. Um erro estratégico e insensível.- o rapaz mordeu os lábios, tentando manter-se impassível, mas falhando, pelo menos para si, que conhecia bem aquele tipo de expressão. Suspirou, sabendo que não adiantava esperar resposta, muito menos um “obrigado”. -Você está livre para ir.- ele se inclinou, abrindo as algemas e tentando ignorar a proximidade do outro, o jeito que os músculos tensionaram e depois relaxaram sob seu toque. Sentiu-se um pervertido, pois ele ainda parecia tão novo, mesmo já sendo maior de idade. Afastou-se rápido então, indo para perto da porta e a abrindo.
-Vai me deixar ir?- ele perguntou surpreso, erguendo-se e tocando os pulsos livres.
-É o que parece. -ele indicou a porta, como se dissesse “daah”.
-Não estou reclamando, mas... posso perguntar por que?-ele disse vindo em sua direção e parando com um pé na saída e outro dentro, encarando-o.
O detetive deu um pequeno sorriso e deu de ombros.
-Talvez eu tenha gostado de você um pouco mais do que eu “devia”...- ele deu ênfase nas palavras e falou devagar, provocando deliberadamente e divertindo-se com o leve estremecimento que pode ver percorrer o corpo do outro antes do rapaz engolir em seco, respondendo com um sorriso radiante e convencido, conseguindo parecer adorável e um cretino ao mesmo tempo. Usara também a mesma expressão (“gostar de garotos mais do que devia”) que ouvira dos Hathaway ao tentarem explicar porque estavam acusando o filho com tanta veemência e porque ele não tinha mais o direito de nem entrar na empresa.
-Parece que não sou mesmo o único inteligente aqui. Quem diria.- dito isso, ele deixou seu olhar vagar novamente pelo corpo do detetive e então foi embora.
Sentindo-se sem fôlego o detetive balançou a cabeça e respirou fundo para se acalmar. Esperava não encontrar o outro nunca mais ou não poderia se controlar duas vezes.
The end.
