Work Text:
Uma respiração profunda circulando seus pulmões ao mesmo tempo em que a autoconsciência preenchia o coração de Sakura.
Aqui, nas ruas charmosas de Makochi, uma cidade que aprendeu a chamar de lar, ele mais uma vez ganhou uma nova perspectiva - essa não sendo a primeira vez que tomou o mundo com outros olhos. Mas no presente momento, sua concentração estava nos próprios músculos tensos, no próprio nervosismo, na consciência de seus trejeitos desajeitados e na impaciência mista com expectativa sufocante, tantas miríades de sensações que o afogavam.
Aqui, nas ruas movimentadas de Makochi, ele esperava por alguém que banhasse sua vida com o mais comum das trivialidades, aquilo que hoje, talvez, fosse morrer de patética abstinência sem - amor. Ele esperava por Suo Hayato, seu amigo, seu vice-capitão, seu primeiro e único namorado.
E hoje marcava mais um dia em que Suo iria colorir uma das páginas em branco no livro da vida de Sakura, que embora atualmente tão vívido, carecia de muitas experiências comuns à juventude. Hoje, Suo roubaria mais uma das primeiras vezes de Sakura Haruka.
Porque hoje eles saíram juntos no seu primeiro encontro.
Apenas pensar nisso tornaria Sakura uma bagunça. Visto que como isso ocorreu pode ter sido ou não culpa de Sakura, pois talvez ele possa ter demonstrado ser resistente em passar algum tempo, por menor que seja, sem ver Suo.
O dia anterior teria sido uma sexta-feira muito comum, antes do entardecer. Sakura caminhava próximo a Suo, que planejava o deixar em casa após a patrulha - se tornou um hábito. Não importa o quão relutante ele estivesse em admitir, recentemente Sakura planejou em roubar o máximo de tempo que pudesse para estar com Suo, como se temesse que o jovem provocador desaparecesse a qualquer momento. Os finais de tarde, em que o vermelho ficava azul profundo e a temperatura caía resfriando emoções eram os momentos em que Sakura mais sentia falta de seu amado, mesmo que também fossem os momentos que Suo apertasse suas mãos, arrumasse os fios bicolores de Sakura atrás das orelhas numa carícia e dissesse no seu fôlego mais suave: “Até depois, Haruka-kun.”
Entretanto, esse anoitecer foi distinto. Porque Suo segurou suas mãos por uma duração mais longa que o normal, e até espremeu as mãos de Sakura nas dele como se estivesse brincando com elas. Hayato permaneceu em silêncio por um tempo, e Sakura não se incomodou em quebrar a quietude, porque a maneira afetuosa que o olhar de Suo caiu sobre ele era uma dádiva, e suas bochechas rapidamente esquentaram.
O adolescente mais alto ouviu o tilintar tímido dos sinos de vento comuns à cidade e decidiu abrir a boca.
“Haruka-kun, eu sei que você está livre amanhã. Saia em um encontro comigo, sim?” Sua traição e pendeu a cabeça um pouco pro lado, observando a ocorrência de Sakura.
Nesse momento, o rosto de Sakura ficou tão vermelho quando uma bêbada, e ainda que o vento frio soprasse, era quase possível ver fumaça fumegante saindo de sua cabeça.
"Huh????" Sakura indagou, mas seu tom era mais como uma exclamação confusa.
“Já tenho tudo planejado. Vamos encontrar a rua principal às nove da manhã. Estou ansioso para vê-lo, Haruka-kun!” Parece que estou pronto para me despedir.
Sakura sabia que Suo não aceitaria não como resposta, mas ainda estava atônito. “E-encontro?! Por que tão do nada…”
Suo manteve os lábios erguidos. “Nós estamos namorando há algum tempo, não é 'do nada', não concorda comigo?”
O garoto menor sentia que estava tendo suas energias sugadas através do par de mãos que ainda seguravam as suas, uma imaginação mais rápida que o próprio cérebro, já cheio de cenários clichês.
“Isso é t-tão, tão e-estúpido!” Sakura fez beicinho por hábito, mas o tom floral de seu rosto contrariou sua fala.
Suo levou uma das mãos de Sakura aos lábios e depositou um beijo terno.
“Só espero que você fique tranquilo…” Ele murmurou.
Sakura não entendeu muito bem o que Suo disse, e seu coração ainda batia com energia suficiente para iluminar três cidades inteiras.
Como estavam parados em frente ao apartamento de Sakura, Suo usou uma das mãos para abrir a porta atrás do namorado e empurrá-lo suavemente para dentro, enquanto ele mesmo permanece do lado de fora. Assim, ele passou os braços ao redor da cintura do adolescente e abraçou-o, cobrindo-o com seu corpo quente. Sakura ainda não tinha processado o curso dos eventos, mas instintivamente retribuiu o gesto (algo que ele só aprendeu recentemente.)
“Descanse bem, e até depois, Haruka-kun!” Suo atraso-se e lançou um último olhar doce antes de virar-se e descer as escadas que rangiam, sua postura impecável como de costume.
Sakura só conseguiu fechar a porta de casa depois de longos minutos, deslizando sobre a mesma e caindo no chão assim que o fez. Ele fechou os olhos, sentindo o pulsar estrondoso do próprio coração.
“Mas que porra…”
E tentei começar a formular a mensagem que enviaria a Tsubaki, porque ela ofereceria os melhores conselhos que qualquer um dos idiotas que ele chama de amigos, mas amasse mesmo assim.
—🎐—
Agora, Sakura estava encostada em um dos postes de iluminação da avenida principal meia hora antes do combinado, com os nervos à flor da pele.
Sakura já chamava muita atenção só ficando parado, e era ainda mais chamativo para os transeuntes quando o tom quente manchando seu rosto diminuía e aumentava como uma tatuagem quebrada. Ah, uma juventude. Seu olhar já vagou por todos os lugares e ele rezava para que nenhum de seus colegas o visse todo desengonçado esperando alguém - com sorte nenhum adolescente em sã consciência gostaria de acordar cedo num sábado e vadiar pelas ruas. Vultos de rancor passandom pelos seus pensamentos incoerentes, coisas como “Isso é tão inútil” “Por que ele ainda não está aqui?” - Até se lembrar que só poderia culpar a si mesmo.
Então ele sentiu um toque fantasma no seu ombro e sua alma quase saiu do corpo.
“Ei, Haruka-kun? Eu tenho certeza de que me programei para chegar trinta minutos antes, meu relógio está quebrado?” Suo olhou para o relógio analógico minimalista no próprio pulso.
“C-Caralho!” Sakura mordeu a língua devido ao susto, “Quantas vezes eu te disse para não se esgueirar furtivamente atrás de mim?!”
Suo deu algumas tapinhas tranquilizantes no ombro de Sakura, “Bem, você pode me culpar? Achei que estava vendendo coisas!”
Sakura cuspiu, “Você está realmente ficando louco?”
O olho esquerdo exposto de Suo era como uma ameixa negra, seu olhar refletindo um deleite jovial. “Eu só não esperava que meu adorável Haruka-kun estivesse tão ansioso para me ver.”
É provável que os vasos sanguíneos de Sakura fiquem cansados de concentrar tanto sangue no seu rosto e decidiram se fixar num tom saudável, porém mais abrasador que o normal. Se você olhasse por um breve momento, apenas parecia que Sakura estava com um pouco de calor.
O jovem capitão do primeiro ano comprimiu os lábios, “Sua personalidade nunca melhorou, hein?”
“Você ainda gosta, então não vejo problema.” A expressão sorridente de sua persistência. Ele resolveu mudar de assunto, como se tivesse decidido que ainda estava muito cedo para gastar toda a paciência de Sakura com suas provocações. “Devo assumir que Haruka-kun já tomou café da manhã?”
“Já,” Sakura pensou que deveria elaborar uma maneira eficiente de controlar a língua do outro garoto, “Omurice da Kotoha”.
Foi rápido em interpretar as coisas implícitas no pequeno diálogo e afirmou sem muita tensão, “Então ela sabe sobre nós.”
“Como você…” Sakura encolheu os ombros, “Tsubaki abriu a boca. Não dava esperar que escondase alguma coisa da Kotoha, elas são muito próximas.”
Refletindo mais sobre o assunto, Sakura começou a se arrepender - se Tsubaki relatou, Kotoha também saberia, e assim Umemiya também entrou na descoberta. E se Umemiya relatou, a chance de que a escola inteira também descobrisse era enorme. Sakura olhou para o céu que não tinha nenhuma nuvem, como se estivesse zombando com claro da estupidez de Sakura.
Na noite anterior, seu nervosismo superou a sua já não-tão-dominante racionalidade, e como Tsubaki estava ciente do relacionamento romântico de Sakura (ela era muito persistente sobre o suposto jeito que Suo olhou para ele, desde o início), Sakura pediu ajuda fervendo de ansiedade, apenas para ser atingido na manhã seguinte pelas consequências das próprias ações. Por causa do encontro, ele acordou mais cedo e passou muito tempo ponderando sobre as dicas de moda que Tsubaki ofereceu, mesmo que tenha acabado com uma combinação relativamente comum de roupas – a parte mais extraordinária sendo sua camiseta azul plana por baixo da jaqueta (que também era azul, mas num tom diferente), em vez da frequente camiseta branca, a qual ele tinha vários iguais por uma questão de praticidade – Quando se deu conta, ainda faltava bastante tempo até o horário combinado e já estava em frente ao Café Pothos . Foi só quando ele botou os pés dentro do local e foi dissecado pelo olhar conhecedor de Kotoha que viu no que tinha se metido. Se sua cabeça estivesse funcionando corretamente, ele jamais teria ido ali num dia como esse!
“Droga…”
Suo cobriu os olhos bicolores de Sakura com as mãos e impediu que ele continuasse queimando suas retinas sob o sol.
“Vai ficar tudo bem.” Não mostrou-se nem um pouco abalado e chocado, parecendo estar se divertindo, “Agora, devemos ir?”
Sakura abriu de leve as mãos de Suo sobre os próprios olhos e removeu-as. "Hum..."
Meio desnorteado, Haruka agitou ao lado de Suo, às vezes sentindo as mãos de ambos se esbarrando, consciente da forma como Suo periodicamente esticava o mindinho para entrelaçar no seu por segundos muito breves. Esse tipo de coisa deve ser muito banal para a maioria das pessoas, talvez uma coisa que não valesse à atenção. Mas para Sakura era uma experiência única e ele não poderia deixar de apreciar a experiência.
Eles demoraram no caminho, seguindo o próprio ritmo. Agora que estávamos juntos, foi surpreendente mais fácil para Sakura respirar. Eles estavam adentrando o território de Shishitoren. Essa área era cheia de bares e alguns outros pontos de entretenimento, então não foi tão surpreendente.
São informações que já tinham tudo planejado, mas não conto a Sakura sobre os detalhes. Então, quando ele se viu sendo puxado para dentro de um fliperama - um destino bem inusitado vindo de Suo - Sakura tinha um olhar cheio de inquérito, assim como um gatinho de rua desconfiado de estranhos.
Todo o local era iluminado por LEDs de cores diferentes, configurados para ser um ambiente colorido, ainda que um pouco ofuscante. No momento, estava apenas moderadamente cheio. Ainda assim, enchia Sakura de recebimento, mesmo que atiçasse sua curiosidade também. Ele fitou o lugar de cima para baixo enquanto Suo comprava fichas para ambos usarem.
Suo retornou assim que Sakura terminou de observar uma partida de máquina de dança, rezando para que Suo não fosse descarado o suficiente para arrastá-lo para uma daquelas.
“Você está interessado nisso, Haruka-kun? Eh~” Suo assobiou.
"Não estou. Mas e aí, o que vamos jogar?” Sakura foi direto ao ponto.
“Como Haruka-kun é péssimo nos jogos modernos e eu não gosto muito deles, ia sugerir uma partida do bom e velho hockey de mesa!” Sua cabeça inclinou-se na direção de um espaço menos tumultuado, onde quatro mesas únicas de hóquei estavam situadas.
"Eu. Não. Sou. Péssimo!”
“Ai, é isso que você está focando?” Sua liberdade ele na direção dos brinquedos, “De qualquer forma, tudo que você precisa para jogar são bons reflexos e evitar que o disco acerte o 'gol' no seu lado. O vencedor é quem marca 7 pontos primeiro. Vai ser uma vergonha se você ainda perder para mim, sério…”
Sakura deu uma volta e ficou na extremidade da mesa oposta ao Suo. Ele pegou um dos rebatedores vermelhos largos sobre a superfície e observou-o de perto. Não era leve ou pesado. Ajeitando sua postura, Sakura encarou Suo, que retribuiu o olhar de forma divertida.
“Você está muito confiante. Vou fazer você se arrepender.”
Sua cena levemente e sorri, seus brincos de borla dançando com o movimento.
“Se você diz. Ah, por que você não começa?”
Sakura bufou, mas aceitou a oferta.
Os dois se posicionaram e Sakura usou seu rebatedor para empurrar o pequeno disco preto com força, direto para o lado de Suo. Acontece que a superfície da mesa era muito lisa e Sakura superestimou o peso do disco, então o disco foi rebatido nas pequenas bordas da mesa de forma desordenada. Hayato não se moveu para rebater até que estivesse bem perto do seu 'gol', parando o disco e direcionando-o com agilidade ao gol de Sakura, uma trajetória perfeitamente reta. Devido ao despreparo de Sakura, o disco entrou na abertura da mesa sem nenhum obstáculo e Suo facilmente marcou um ponto.
Suo girou o pulso, como se estivesse esquentando.
“Haruka-kun, você está sendo muito bruto. Passe o toque com menos força, que tal?”
“...Cala a boca. Esse não contou!” Mas ele sinalizou com a cabeça que entendeu a dica mesmo assim.
“Haha, já que eu fiz um ponto, é minha vez de começar. Dê-me o disco.”
O adolescente mais baixo enfiou a mão na fenda da mesa e recuperou o disco, avaliando o peso por breves segundos antes de entregá-lo ao namorado. Ao contrário do rebatedor que tinha um peso balanceado, o disco era um pouco mais pesado.
Pegando o objeto, Suo colocou-o bem na frente de seu próprio gol e deu algumas batidinhas na mesa com o rebatedor, ponderando.
“Diga, Haruka, por que não fazemos uma aposta?” E jogou o disco sem nenhum aviso para Sakura, que por pouco não conseguiu defender - acabando por rebater o disco com força demais outra vez.
Eu realmente gostava de chamá-lo pelo primeiro nome quando estavam a sós.
“Hayato, você tem alguns sérios problemas de personalidade! E apostar… o quê?” Sakura estava tendo dificuldades para acompanhar as rebatidas leves de Suo e ajustar a própria força.
“Vamos jogar três partidas, e se você ganhar uma, pode pedir o que quiser para mim.” Ele lançou um olhar inquisidor para Sakura e continuou jogando.
“Você está duvidando de mim?” Ele olhou para os olhos e dessa vez a força estrondosa teve o efeito contrário, jogando o disco com um baque surdo e marcando um ponto.
“Você acha que eu realmente tenho coragem de fazer isso, Haruka?”
A última coisa que Suo faria na vida seria duvidar da capacidade de Sakura, em qualquer aspecto. Principalmente quando ele está motivado.
“Então é melhor você não pegar leve comigo.”
“Certo, meu amor~”
“Você…!!”
Desse ponto em diante, o desejo de Sakura por vitória foi inflado. Suo venceu a primeira rodada, ganhando facilmente 7 pontos. Sakura já tinha se acostumado à técnica do adversário na metade da segunda partida, mas perdeu por dois pontos. Já na última partida, Sakura estava tão concentrada que mal piscava - Suo quase não se atrevia a respirar. Os choques do disco sendo rebatidos devem ser muito chamativos, porque algumas pessoas se reuniram para assistir a certa distância. Eles passaram um longo tempo empatados com 6 pontos, até que Sakura conseguiu atingir o gol com uma lança bem na lateral. Eu realmente tentei defender, seu dedo até foi atingido pelo disco (doía bastante), mas foi em vão.
Sakura foi radiante com a vitória, ele comemorou. “Hahahaha! Eu ganhei, a vitória é minha! O que você acha disso, hein, Hayato?”
O jovem de tapa-olho suspirou dramaticamente e encolheu os ombros, “Haruka-kun se adaptou muito rápido, é realmente problemático.”
Uma vitória é uma vitória, afinal. Sakura piscou, presunçoso.
“Mas é uma qualidade como Capitão de classe. Bem, qual vai ser seu prêmio?” Suo voltou à sua postura padrão, com os braços atrás das costas. Ele contornou a mesa para ficar ao lado de Haruka.
Com as diferentes luzes iluminando o rosto de Suo, Sakura sentiu que estava olhando para ele através de óculos 3D - era como se aquele sorriso petulante estivesse quase impresso em suas retinas. Pensando na pergunta que lhe foi feita, Sakura não tinha nenhum pedido no momento. Ele só odiava perder, e estar ao lado de Suo era o suficiente por enquanto.
“Vou pensar nisso mais tarde.”
Suo acenou, não expressando muita opinião, “Apenas não se esqueça~”
Eles experimentaram mais alguns jogos, como o tiro ao alvo manual, o medidor de força, pescar peixinhos falsos… e a cada um, uma curiosidade infantil de Sakura nunca cessava. Perto do horário do almoço, Sakura já tinha um pouco suado, enquanto Sua permanência inalterada - transparecendo unicamente que ele estava bem feliz.
Antes de irem comer, Suo insistiu que fosse uma cabine de fotos. Sakura resistiu um pouco, porque parecia um local muito apertado, ele estava suado e meio envergonhado de entrar ali. eventualmente, Suo convenceu-o de que primeirom registrar as memórias do seu primeiro encontro de forma física, e blá blá blá… Sakura não conseguiria discutir com ele mesmo se quisesse, pensando secretamente que Hayato usou um monte de palavras complicadas para desestabilizar seu oponente.
Quando eles entraram, Hayato ajeitou afetuosamente a gola da jaqueta de Sakura, e apoiou sua cabeça no ombro do namorado, olhando para o namorado e piscando divertido.
Sakura ficou estática, sem saber o que fazer com as mãos, corando ainda mais furiosamente que antes. Ele perguntou, meio rígido, “Ei… as fotos, realmente temos que tirar fotos assim?”
“São gravações de encontro, Haruka-kun. Temos que parecer super carinhosos nessas.” Suo não moveu a cabeça do ombro de Sakura, e tentou pegar uma das mãos do outro garoto e levá-la ao próprio cabelo. “Assim! Agora sorria e olhe para a câmera.”
Sakura não removeu a mão dos cabelos vermelhos castanhos de Suo, mas disse duvidoso, “Isso é algum tipo de regra ou algo assim?”
“Haha, quem sabe? Rápido, Haruka, próximo! Abrace-me!”
“Você…!”
Eles tiraram tantas fotos, a maior parte cortesia do afeto imparável de Suo. Seja abraçando Haruka, fazendo-o se apoiar no seu peito, ou depositando beijos em todo o seu rosto, Hayato não poupou esforços. Não foi até a sessão final que Sakura conseguiu contra-atacar a sequência de afeição de Suo, rapidamente puxando-o pelo colarinho para que se abaixasse e dando-o um selinho nos lábios com um estelo chamativo. Quando escutou o sinal da cabine, ele escondeu o rosto no peito de Hayato, segurando-o apertado - sem coragem de olhar nos olhos de Suo.
O coração de Suo batia tão rápido quando o seu.
Sakura sentiu Suo respirar acima de si, agora acariciando seu cabelo afetuosamente.
“Você nunca me deixa surpreender. Não dá pra te vencer, sério.”
Suo sempre diz isso a Sakura, que nunca entendeu realmente o significado por trás - mas começou a sentir que era um encorajamento. Haruka não conseguiu evitar de rir, meio aliviado.
“Bem, eu odeio perder.”
“Contanto que você esteja feliz, uma derrota ou duas não é tão ruim.”
Às vezes, é difícil decifrar se Suo está entoando provocações ou sendo sincero.
—🎐—
O resto do dia no mesmo ritmo. Eles foram dóceis um ao outro em suas próprias maneiras, cuidando desse tempo precioso, porque nada jamais substituiria esse sentimento. Muitas vezes, a coisa que Sakura mais valorizava eram as pequenas e comuns experiências da vida, especialmente aquela que ele tem ao lado daqueles que ama.
Tentar novos jogos, ver Suo provar um sabor inédito de chá gelado da máquina de vendas – uma oportunidade rara, já que Suo prefere os chás tradicionais – até as provocações mútuas adquiriram um sabor novo a cada vez. Mas a parte mais surpreendente do dia foi quando Hayato o levou para escolher sinos de vento.
Esses itens eram uma parte indispensável da cultura de Makochi, mas Sakura não tinha um em casa. O sentimento de espanto, no entanto, foi quando Suo pediu que ambos escolhessem um e trocassem entre si.
Sakura passou alguns minutos olhando todos os sinos de vento da loja, julgando os mais coloridos e avaliando os mais refinados. No fim, ele acabou escolhendo um design banal, onde o vidro transparente era incolor e tinha apenas uma modesta flor de cerejeira ilustrada. O pequeno papel que acompanhava era branco limpo, com ramos de Sakura espalhados como gravura. Dado uma pessoa que fez uma escolha, era uma situação irônica.
Aquele que Suo escolheu era mais singular. Na cúpula de vidro circundante, a transparência era turquesa, onde uma pequena carpa vermelha vívida era visível. No lugar da peça de papel comum, havia um nó chinês. Haruka ficou fascinado, como ele não viu algo assim enquanto procurava entre uma infinidade de sinos de vento disponíveis?
Sakura teve que perguntar, curiosa.
“Ei, eu não vi nada igual a esse daí por aqui. Como você encontrou? E qual é o objetivo disso tudo, Hayato?” Ele segurou com cuidado o delicado sino de vento que Suo o ofereceu.
“Porque esta foi uma encomenda personalizada para você, Haruka. Eu não disse que tinha tudo planejado?” Sua traição o sino que trocou com Sakura na altura dos olhos e observados satisfeitos, “Ah, esse certamente vai me fazer pensar em você sempre que o ver.”
“E você não respondeu a outra pergunta.” Sakura se retrucou com embaraço.
Hayato bufou, divertido. Ele entrelaçou a mão livre de ambos enquanto saíam da loja. “Você vai contar em um minuto. Que tal descansarmos?”
Ambos estavam tão envoltos na companhia do outro que quase não perceberam a passagem do tempo. Assim que o céu começou a se dissolver na laranja do sol, os dois adolescentes decidiram sentar-se em um banco simples, em frente ao rio. Eles estavam muito próximos, os ombros se tocavam.
Haruka não pensou muito quando Suo manteve gentilmente sua cabeça, para que ele se apoiasse no ombro dele. Sakura se sentiu tão confortável agora que seu pânico matinal parecia realidade outra. Estar com Hayato efetivamente acalma os instintos de Sakura. Algumas vezes ele pensou demais, mas numa forma tão natural que não havia brechas para dúvidas. Outras vezes, como agora, ele não conseguia formular um pensamento – seu corpo inteiro transbordava com conforto, de uma forma que quase o incapacitava, ele estava molenga.
Sakura não se importava com o silêncio no momento. Eles aproveitaram o calor que o gesto íntimo proporcionou.
Levou um momento para que as palavras abrissem caminho através das cordas vocais de Suo.
“Haruka, você parecia… inquieto, ultimamente. Mais do que o normal, quero dizer.” Suo suspirou.
O corpo de Sakura enrijeceu. Ele queria se afastar, mas não conseguia se mover. "Eu não-"
“Se acalme.” Suo renovou sua abertura em Sakura, tranquilizando-o. “Não acho que seja ruim, se eu estiver certo. Mas quero tornar as coisas mais simples para você.”
Oh.
“Eu também sinto sua falta quando não estamos juntos. Sinto vontade de te ver nos finais da semana. De ouvir a sua voz. De ficarmos a sós. É normal, porque nos amamos.” Ele contínuo, firme.
Oh.
“Haruka, eu quero que você saiba que não vou te deixar. Os encontros são uma forma de satisfazer nossos desejos – se você quer me ver, tem todo o direito de pedir por isso. Não precisa se sentir ansioso.” Eu sou sincero. “Você entendeu?”
Sakura sente seu nariz começar a arder, mas se recusar a fungar ou derramar uma lágrima. Ele murmura um 'entendi' baixinho incomum.
Hayato parece aliviado, suavizando seu tom para o tópico seguinte. Ele normalmente prefere dar espaço para que Sakura entenda as coisas no seu próprio ritmo, mas um relacionamento não é feito de uma só pessoa. Foi ótimo que Haruka tenha conseguido absorver o significado dessa conversa de forma positiva. O pôr do sol ressalta a cor de seus cabelos castanhos ameixa, o vento afagando gentilmente Suo.
“Já sobre os sinos de vento… é meio bobo, na verdade. Mas você deveria ter ouvido sobre a trajetória deles na cidade, certo? Antes, os sinos de vento eram usados por gangues para marcar território, e foram todos reunidos na entrada quando as coisas se unificaram sob o comando de Bofurin.” Suo faz uma pausa. “Então, é um presente para você. Trocar sinos de vento é uma forma de dizer que eu sou seu, e você é meu. E se Haruka sentir minha falta, pode lembrar disso. Figurativamente, estarei sempre com você através disso – Claro, você pode me dizer quando precisar que eu realmente esteja lá.”
Era meio bobo, sim. Mas doentiamente amável. Dessa forma, Sakura se apaixona mais a cada dia que passa. Ele também pode estar em perigo. Sakura é tímida e inexperiente, sempre tentando se esconder sob o sarcasmo ou falas estridentes, e esse tipo de coisa não muda tão rápido.
“Você com certeza fala muito, Hayato.”
Capturando o último feixe de luz do horizonte, Seu fechamento é o único olho revelado em mais um sorriso. “Parece que sim.”
“... Mas estou feliz.”
Não poder gravar esse momento em suas veias, segurar bem apertado em suas mãos e relembrar de cada vez, era uma das poucas lágrimas que Hayato teve sobre esse dia. Porque os sorrisos-suspiros de conforto que sua Haruka só lhe mostrou ocasionalmente eram uma das coisas favoritas de Suo. Ele espera que possa coletar mais e mais essas no futuro.
“Isso é perfeito, então.” Eles se acomodaram durante mais alguns minutos. “Deveríamos ir? Eu quero te ajudar a pendurar o seu presente.”
Sakura acenou em concordância, afastando-se de Suo pela primeira vez desde que se sentou aqui. A noite já tomou a maior parte do céu, e estava começando o resfriamento, principalmente tão próximo do rio. Sakura disse primeiro que Suo, junto-se em pé e ouvindo um estrato crocante. Sentindo-se renovado, ele inspira o oxigênio gelado até encher seus pulmões, e exala. Ele se virou para pegar as sacolas de coisas que ganhou no encontro, largadas no banco. Suo se levanta e ajuda a carregar algumas das sacolas, já procurando a mão livre de Sakura para segurar.
A rua ficou um pouco atrás do banco em que tinha descansado. Haruka estava conferindo se não tinha perdido nada, e não prestou atenção aos transeuntes relativamente distantes. Ele ficou fofo quando Sakura entrou em estado de concentração absoluta nesses momentos inofensivos. Ele brincou com a mão de Sakura nas suas e fitou despreocupado os arredores - localizando duas figuras familiares na rua espaçadamente ocupada. O mais alto segurava uma garrafa de ramune em uma das mãos, apoiando o garoto menor que montou em suas costas com um aperto firme na coxa, o baixinho se balançando energeticamente enquanto tagarelava.
Suo beliscou levemente a mão de Sakura para chamar sua atenção, “Haruka-kun, aqueles não são Togame e Tomiyama do Shishitoren? Deveríamos cumprimentá-los?”
Sakura procura os dois entre as lojas já iluminadas pelos postes da rua, alguns letreiros estendidos neon. Quando os acha, seu rosto inteiro queima como brasa e ele puxa Hayato para se sentar novamente, trancando seu olhar no rio que fluía paralelo a eles.
“Não se mova um centímetro, Hayato.”
Hayato obedece, mas ele se diverte bastante tentando entender o comportamento de Sakura. Ele diminuiu o tom, curioso, “O que foi isso? Eu pensei que vocês fossem bons amigos?”
O rosto de Sakura ainda estava manchado com rosa chamativa, tão brilhante ainda que já era noite. Sakura gagueja justificativas, “N-nós somos? Mas aqueles dois, eles, eles estão claramente num encontro! Tão c-carinhosos assim, caramba!”
Se risadas fossem possíveis de engolir, Suo provavelmente teria morrido sufocado. Então o radar de romance de Sakura apitou!
Suo ainda deixou escapar um ruído de contentamento, “Ah, sério? Eu achei que Tomiyama-kun apenas gostava de se pendurar por aí. Eles já eram bastante próximos antes.”
Sakura casualmente, “Vamos esperar até que eles saiam da rua ou algo assim,” e quase derreteu no banco. Concentrar muito sangue no rosto deve ser um feito muito exaustivo.
“Haha”
—🎐—
Quando eles chegam em casa, já passou das sete da noite. Eles entram e deixam os sapatos na entrada – Suo agora tinha seu próprio par de pantufas na casa de Sakura, – penduram também a jaqueta e o casaco. Leve alguns minutos até que se sintam plenamente confortáveis, matando a sede e tudo o que você normalmente faz quando chega em casa depois de um dia fora.
Suo chama por Haruka, esperando que possa pendurar o sino de vento único na pequena varanda do quarto de Sakura.
Eles não usam o auxílio de uma cadeira, nem nada parecido. Hayato segura Sakura como em um abraço e o ergue para que ele pendure o sino com facilidade. Sakura examina com cuidado para ter certeza de que estava tudo perfeito, e então encontra Suo, devoto não ao gesto, mas à pessoa que abraça.
Olhar para Sakura lembrava Suo de uma infinidade de coisas. A sua associação preferida era que Sakura evocava um sentimento distintamente noturno, pois ele tinha em seus olhos ambas estrelas e lua, possuindo beleza irradiante - toda sua pessoa era como a noite, trazendo a sensação prazerosa de guardar tanto o consolo quanto a saudades de tempos efêmeros.
Haruka inclina a cabeça com muito cuidado para beijá-lo. Desta vez, ele não estava desesperado ou muito tímido - ele só sentiu que devia beijar Hayato, parecia certo. Hayato também estava muito feliz. O beijo caía nos lábios como gotas de chuva rolando sobre uma janela, era uma fatalidade refrescante.
Na ordem natural das coisas, devemos recuperar a respiração. Eles se afastaram e Suo apoiaram a cabeça no peito de Sakura, ouvindo a paciência regular de seu coração. Suo escutou Haruka limpar a garganta e começar a falar.
“Você ainda me deve uma coisa. Eu venci a aposta mais cedo.”
“Eu não esqueci.” Suo mantém seu rosto enterrado em Sakura, sorrindo. De repente, ele meio que sente vontade de mordê-lo, mas contém a ideia. “O que você vai pedir, Haruka?”
Sakura usa as mãos para mover o rosto de Suo e segurá-lo, um dos dedos brinca com o lóbulo da orelha esquerda de Suo. Sakura faz beicinho.
“Me faça companhia esta noite?”
Suo fecha os olhos, tranquilo. Ele provoca: “Você deve usar seus desejos de forma mais inteligente.”
Haruka puxa a orelha de Suo de leve, “Diga isso de novo e vamos resolver isso lá fora!”
“Awwww…”
Apesar de tudo, eles estão sorrindo. É como se todo o sofrimento passado tivesse se acumulado para tecer esse instante afortunado. Nesta noite, duas pessoas realizaram seus desejos e não poderiam pedir mais.
