Work Text:
Se tinha algo que eu queria fazer durante a pequena temporada que passei em Viena, era ter tempo suficiente para caminhar pelo principal e mais suntuoso palácio do país. Claro, em nome da ciência. Não é todo dia que você consegue férias para aproveitar o início do verão com suas melhores amigas, coincidentemente na cidade pela qual você se apaixonou e que te levou a pesquisas e mais pesquisas…
Era quase uma ironia do destino estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe do elemento central do trabalho de toda a sua vida, mas num dia, eu estava caminhando em frente ao castelo mais bonito de Viena, chorosa porque não consegui acesso ao seu interior. E no outro subia as escadarias do mesmo, com um vestido que jamais imaginaria usar na vida, sentindo-se uma verdadeira princesa em uma história na qual muito provavelmente seria, com sorte, a coadjuvante, mas certamente a figurante.
E tudo graças a minha melhor amiga - na verdade, seu anjo da guarda.
“Anda, não faça essa cara. Eu disse que daria um jeito de conseguir estes convites, não disse? O nome do baile é ‘Viena encontra Veneza’ e você acha que io, cittadina veneziana che sono não teria meu nome na lista? Mentira!” Giorgia repassou os convites dourados para mim e Verena, minha outra melhor amiga, no almoço do dia anterior, sorrindo. “Não é todo dia que nossa historiadora da arte pode se sentir una principessa vera. Me chamam Giorgia D’Angelo por uma razão.”
Na verdade, seu nome era Giorgia D’Angelo simplesmente por ser filha de um dos magnatas mais ricos da Itália, mas isto não era assunto para um almoço daqueles.
“Claro, de Anjo da Guarda”. Completei, sorrindo para meu convite enquanto Giorgia saboreava um espumante no sol agradável ao meio-dia, concordando com a minha fala apenas com um estalo de seus dedos. E quando me dei conta, todos os planos de visitar museus e galerias daquela tarde foram substituídos por boutiques em busca dos vestidos mais bonitos, sapatos mais luxuosos e adornos mais finos possíveis - afinal, uma noite no palácio de Schönbrunn não deveria ser gasto com nada inferior ao melhor, de acordo com Verena.
Assim, se me perguntassem o quanto imaginaria que minha vida poderia mudar em vinte e quatro horas, certamente diria que muito pouco. Mas dois dias atrás, nem passava pela minha cabeça entrar neste palácio, completamente desiludida - e ali estávamos, numa carruagem, aos pés da escadaria dupla principal, em uma noite clara de verão. À frente, uma fila com outros veículos se formava, e da janela era possível ver muitas pessoas se alinhando ao longo do tapete vermelho na expectativa de ver quais seriam as celebridades e pessoas famosas ali presentes.
Este era, definitivamente, o tipo de evento que eu nunca entraria, que sequer concordaria em participar. Mas hoje a exceção vinha com a entrada no museu Schönbrunn de Viena.
Ao meu lado, Verena parecia ter entrado completamente na personagem de princesa de que tanto falávamos. Abrindo a janela, seu sorriso radiante e cabelos ruivos chamavam a atenção das pessoas curiosas lá fora, e mesmo sem conhecê-la, alguns não perdiam a oportunidade de fotografar sua beleza, porque nossa dinâmica habitual era essa: Giorgia D’Angelo, anjo da guarda, sempre com um plano e uma solução; Verena Ballesteros, o rosto de porcelana, o sorriso encantador que certamente consegue o que quer; e eu, a historiadora da arte, vivendo de museus e bibliotecas, tentada a observar demais o passado ao invés de me dedicar ao presente.
Pelo menos o passado já aconteceu, todas as decisões e reviravoltas já estavam à mostra - só nos restava interpretar, enquanto o presente era repleto de incertezas, inconstâncias e…pessoas. Estudar o passado sempre me provou a volatilidade das pessoas e por isso, com exceção de algumas poucas, o melhor era sempre tomar o lado de observadora, nunca de protagonista.
Por isso também sempre me perguntei como seria caso D’Angelo, Ballesteros e eu não fôssemos amigas desde a infância, ou se a vida de nossas mães nunca tivessem se cruzado…Mas este também não era um assunto para uma noite como aquela.
“Vamos, Altieri. Hora de viver como nos bailes que você estuda em seus livros” A animação de Verena era contagiante - e mesmo que eu não estudasse, de fato, obras que retratam bailes, viver um luxuoso momento como aquele, definitivamente, seria encantador. Enquanto eu divagava entre pensamentos, Giorgia e Verena retocavam pela quinta vez suas maquiagens, se perfumavam e riam de alguma piada que perdi a deixa para rir junto.
Ainda olhava vislumbrada para o suntuoso palácio adiante… Esta noite não poderia ser nada menos do que perfeita.
Descemos da carruagem e pisamos no tapete vermelho que se estendia até a entrada do palácio pelas escadarias principais, ladeando uma imensa fonte estrategicamente posicionada. As longas escadarias, iluminadas pelas decorações bem adornadas com arranjos de flores pesados e cobertas pelos flashes de todas as câmeras à nossa volta faziam com que aquele momento fosse ainda mais surreal. Suntuoso à frente, o palácio reluzia em sua própria iluminação, como se estivesse se certificando de ser a estrela principal.
Alguns passos à frente, D’Angelo liderava o nosso trio, sorrindo sem falhas, dando ao seu vestido preto sem mangas e ao seu colar de pérolas todo o destaque da noite. Ao meu lado, os cabelos ruivos de Verena presos com uma tiara contrastavam perfeitamente com seu vestido branco de detalhes em dourado, com alças amarradas em laços dramáticos cujas pontas pareciam asas recolhidas ao longo de sua silhueta.
Anotei mentalmente alguma coisa sobre agradecer D’Angelo pelo convite mais tarde, mas logo me esqueci o que de fato falaria, pois ao adentrar o palácio, todas as muitas palavras que sei se perderam em algum lugar: Se no seu exterior tudo parecia surreal, dentro do palácio esta sensação triplicou. Os lustres de cristais eram nada quando comparados aos afrescos no teto, e até mesmo as paredes adornadas em ouro e tapeçarias me tiravam do foco principal da noite, de me divertir e aproveitar.
Era possível saber que meus olhos estavam arregalados de tamanha emoção pelos olhares que minhas amigas me lançavam, e mesmo sem proferir uma palavra, eu sabia que a qualquer momento começaria a chorar.
“Se não tivéssemos vindo aqui, Altieri teria entrado em tristeza profunda” comentou Verena para Giorgia, que já tinha um espumante consigo.
“Ainda não sei se agradeço ou não pelos acasos terem nos trazido até este baile, mas vamos esperar…” completou D’Angelo, com um pequeno sorriso no rosto.
O vislumbre do primeiro contato com aquele lugar foi tamanho que sequer me importei em decorar as coordenadas de onde estávamos sendo levadas, mas antes de entrar no salão principal para o baile, fomos levadas a uma mesa para escolher nossas máscaras - claro, era um baile sobre Veneza. A pessoa vestida como uma figura do carnaval de Veneza nos orientava e explicava em alemão sobre o que aconteceria, mas infelizmente, pelo meu torpor, consegui entender apenas algumas partes: existiam pares de máscaras, em algum momento outra pessoa poderia aparecer com o par da sua, e tinha alguma regra envolvida, mas eu já não estava mais prestando atenção.
Giorgia escolheu uma máscara com adornos que pareciam plumas douradas, enquanto Verena pegara a máscara delicada, de traços finos decorada com borboletas. Para mim, escolhi uma máscara branca, com arabescos que pareciam tirados de padrões franceses, e sobre a testa, um arco cravejado de pedrarias brancas.
Devidamente mascaradas, nos restava apenas entrar no baile. Sabendo como às vezes poderíamos ter interesses distintos em uma festa, decidimos nos separar, com a única promessa de que, caso uma decidisse ir embora, todas se reuniriam para ir também.
“Este é um aviso especialmente para você, Altieri.” Giorgia sempre assumia o papel de mãe do trio. “Caso sinta-se desconfortável, vamos para casa imediatamente!”
Assenti em concordância, e depois de algumas selfies e retoques nos cabelos e maquiagem, finalmente entramos no salão.
Enquanto Giorgia e Verena se perdiam na multidão, demorei absorvendo cada detalhe daquele lugar: as tapeçarias, lustres e afrescos. As paredes de mármore, a composição das peças expostas em pedestais ao longo da parede oposta às grandes janelas que se abriam para os jardins, o que representavam as pinturas, do que eram feitas e a sua originalidade… tudo encantava mais do que qualquer coisa: viver aquele momento era, de fato, um fascínio.
Enquanto a música soava prazerosa ao fundo, eu permanecia presa em meu mundinho, era possível ouvir os passos sincronizados de uma dança de casais que muito provavelmente fora ensaiada para aquele momento. A delicadeza dos movimentos, a sincronia dos passos, o fôlego preso cada vez que os rapazes levantavam as damas pela cintura… não era o tipo de coreografia que todos saberiam de imediato, e a música que tocava… alguma valsa de Mozart que eu não me lembraria o nome nem se me esforçasse muito, mas era mágico.
Tão mágico que não percebi a aproximação de outra pessoa.
“Síndrome de Stendhal, uma reação psicossomática cuja principal característica, além do aumento da frequência cardíaca, é a comoção vista como exacerbada por terceiros, quando o indivíduo é exposto a uma obra de arte de valor inestimável, quer seja econômico ou emocional. Algumas vezes pode ser acompanhado de vertigens, desmaios ou alucinações”. Estendendo uma taça de espumante, o rapaz deu um sorriso em cumprimento, com o rosto parcialmente escondido por uma máscara preta, de adornos semelhantes àquela que eu usava.
“Espero que você não seja, portanto, uma alucinação” conclui, aceitando a taça.
“Oh, não… me referia à minha própria pessoa…” seus olhos agora desviavam da minha direção, olhando para algum ponto acima de onde eu estava, se demorando ao observar os detalhes nos cantos abobadados do teto enquanto degustava seu próprio espumante. “Portanto eu espero que você não seja uma alucinação”
E em seguida, voltou o olhar para mim.
E ele sorriu.
Um sorriso daqueles que você não espera que alguém de verdade tenha. Um sorriso daqueles capazes de conseguir qualquer coisa, talvez até o fim de uma guerra.
Oh céus, como eu queria que fosse uma alucinação.
Infelizmente a máscara cobria uma boa parte de seu rosto, mas à luz amarela daquele salão, ainda era possível ver seus olhos afiados, aparentemente monólitos, cujo brilho refletido da luz em suas íris escuras conferiam a aparência de uma criatura… felina?
Além disso, sua mandíbula perfeitamente delineada culminando em um queixo levemente pontudo, assim como seus ombros largos e a postura perfeita não contribuíam para ele não fosse visto como uma alucinação: era, sem sombra de dúvidas, o homem mais bonito que eu já tinha visto na vida.
Mas aparentemente eu estava perdida em meus pensamentos novamente, quando o rapaz se inclinou levemente em minha direção, de modo que nossos olhares se encontrassem sem qualquer dificuldade. E ele ainda tinha em seus lábios o lampejo de um sorriso.
“Você está aqui?” Questionou, em tom de brincadeira. “Ou por acaso você é só um fruto da minha cabeça?”
Devolvi o sorriso, ou pelo menos tentei vender a ideia de que ele não me deixava desconcertantemente sem palavras.
“Fique tranquilo, garanto para você que não sou eu uma espécie de fantasma da ópera… mas não seria curioso se aqui aparecesse algum, dados todos os anos que este palácio está em pé”
Ele assentiu, e eu poderia imaginar que estava franzindo o cenho por trás da máscara. Mas este é o tipo de jogo que eu não dou o braço a torcer pela derrota.
Se ele poderia jogá-lo, eu também.
Bebendo meu espumante, pude finalmente observá-lo de soslaio com maior atenção: a postura ereta, os cabelos escuros completamente jogados para trás e sua altura de aproximadamente quase um metro e oitenta destacavam a exuberância de seu traje, que parecia ser a releitura moderna de um uniforme militar do século XVIII, preto e levemente aveludado, com botões dourados, gola alta bordada também em dourado. Em seus ombros, as dragonas pareciam um enfeite, mas certamente uma capa poderia compor esta vestimenta.
“Espero que eu não tenha sujado esta roupa” jogou novamente uma brincadeira. “Você está olhando tão avidamente que estou preocupado”
Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ou fazer algum comentário sobre o que de fato me intrigava naquele traje, as luzes do salão diminuíram - apenas o lustre no centro da pista de dança e os posicionados nas paredes adjacentes permaneceram acesos, e de repente tudo ao redor caiu em uma leve penumbra.
De repente eu estava ciente de tudo o que ocorria ao meu redor, os cochichos, as conversas, o barulho de saltos ritmados naquele piso de madeira, o tilintar de talheres e os brindes de taças, as gargalhadas, algumas próximas e outras distantes.Pessoas ao meu redor, pessoas em todos os lugares, rostos mascarados e cores apesar da leve penumbra em que eu estava, conversas e mais conversas, gargalhadas que ficavam cada vez mais altas e taças que pareciam brindar infinitamente as mesmas coisas, saltos que não pareciam saber da possibilidade de ficarem estáticos por alguns minutos sequer…
E a música.
O quarteto de cordas acompanhava um piano, e o som era um deleite que aos poucos me fazia voltar para a bolha de onde eu não deveria ter saído - de ser uma observadora, não uma protagonista. E ali fiquei, absorvendo a delicadeza das notas do violino, e a bela valsa que se formava. Ao abrir os olhos lentamente, ele ainda estava diante de mim, mesmo que a noção do tempo tenha me abandonado por alguns instantes, aquela alucinação ainda estava ali, com a mão estendida para mim, aparentemente esperando que eu aceitasse.
Sempre fui uma observadora. No máximo uma coadjuvante, mas frequentemente figurante das histórias à minha volta. Aquela que tem uma linha de interação com os protagonistas, talvez duas se for sortuda, que constantemente está à sombra - observando, analisando, absorvendo, vivendo muito mais no seu mundinho que na vida real, que todos cansam logo de imediato.
Talvez esta noite - esta cena - seja o momento em que tenho meus dois segundos de tela, pois definitivamente o protagonista está diante de mim, ainda esperando que eu compreenda o que ele quer insinuar com a mão estendida adiante.
“...sua máscara” o sorriso não saía do seu rosto, e comecei a pensar que talvez também fosse parte da sua caracterização. “...ela é igual a minha, então pela regra do baile…”
“Eu não danço…” a piscada longa que recebi em retorno parecia pedir para que eu não me preocupasse com isso.
“Você só precisa deixar que eu te guie. Me concede a honra desta contradança?”
E se estes são meus dois segundos de tela na peça cujo protagonista está à minha frente, que eu os aproveite como a protagonista que geralmente não sou: Em dias normais, a objeção viria de imediato - não era uma contradança, mas uma valsa. Mas este não era um dia normal, então as leis da natureza não se aplicariam.
Segurei sua mão, e de repente estávamos abrindo caminho entre os demais até o centro do salão, compondo o tímido grupo de casais que se arriscaram a estar ali.
O som das pessoas no salão novamente tomou conta da minha mente - risadas, cochichos, movimentos, tilintares, e a música parecia se distanciar conforme tudo era ocupado pelos ruídos indesejados. Meu par apertou levemente a minha mão, como um lembrete de que ele estava ali, e que eu não estava só, e virei meu rosto levemente em sua direção.
“Não preste atenção em mais nada, olhe apenas para mim” pediu, com seu rosto a uma distância muito menor do meu, enquanto nos virávamos para começar a dança.
E sem delongas, o espaço entre nós diminuiu ainda mais: sua mão livre segurou minha cintura, nos aproximando o suficiente para que nossos passos praticamente se tornassem um, de modo que se ele pisava para trás, eu seguia; para o lado e eu seguia, para frente e novamente para o lado, e de repente ele me girava no salão, e no momento seguinte nós dois estávamos girando no salão, minha mão apoiada um pouco abaixo da dragona que adornava seu ombro, enquanto segurava firmemente a outra mão que me guiava.
Os passos eram certos, e conforme nos adaptamos ao ritmo um do outro naquela valsa, nossos corpos relaxaram ao mesmo tempo, menos preocupados com a lógica da dança e mais fluidos ao ritmo que nos preenchia.
Até os sorrisos deixaram de ser mecânicos e a música soava acima das risadas, todas as vezes que por algum descuido eu pisava levemente em seu pé.
“Está preparada?”
Eu nem sabia para quê, mas de repente prendi minha respiração quando o rapaz mascarado, com as duas mãos na minha cintura, levantou-me alguns centímetros no ar, e logo me desceu como se nada tivesse acontecido, enquanto ele desviava o olhar do meu. Alguns centímetros acima da linha dos meus olhos, vislumbrava um pequeno sorriso triunfante se formar eu seus lábios desenhados, presos pela tentativa de manter o rosto impassível, enquanto eu não sabia se meu rosto estava quente pelo susto de ter sido levantada ao ar alguns segundos atrás ou por ter sido levantada ao ar por ele.
Ele, de quem eu não sabia nem o nome.
“Afinal de contas, quem é você?” Pela primeira vez quebrei o silêncio, e eu já não fazia ideia de quanto tempo estávamos dançando, mas à minha volta os outros casais pareciam vulto e nada mais me importava a não ser a doce música e os passos firmes de uma valsa repentina no meio do salão principal de Schönbrunn.
“Te garanto que não uma ilusão da sua síndrome de Stendhal” sua resposta veio como uma melodia, galante o suficiente para deixar qualquer garota encantada - e eu estaria mentindo se dissesse que não sou qualquer garota, pois eu também estava encantada.
Ele evitou a minha pergunta, e ainda giramos em valsa pelo salão por alguns bons minutos, e quando a música diminuiu o compasso, em mútua concordância nos retiramos pela lateral, ainda juntos.
Geralmente, é neste momento que o protagonista diz que foi um prazer ter minha companhia, mas deverá partir. Entretanto, aquele rapaz seguia me guiando, ainda segurando a minha mão.
“Aqui está muito cheio, vamos tomar um ar” não tem sorriso nos seus lábios, mas por trás da sua máscara vejo o sorriso brilhando em seus olhos.
Ser observadora nos leva a um outro problema: a curiosidade. De fato, eu queria mesmo uma desculpa para explorar o palácio, e talvez encontrar o icônico corredor dos espelhos, mas também devo admitir que nesta circunstância, minha curiosidade também crescia acerca do rapaz com quem eu estava - e pela primeira vez em anos, me dei o luxo de não ouvir a voz da prudência. Em nome da ciência, claro.
Caminhamos alguns passos e logo estávamos no corredor por onde tínhamos chegado, e embora eu tivesse decorado a planta daquele palácio alguns anos antes, pisar naquele lugar era completamente diferente, então apenas deixei que o rapaz me guiasse para onde fosse. Ele ainda segurava minha mão, e só agora pude perceber o quão interessante era sua textura - não exatamente calejadas, mas também não tão finas quanto as minhas ao toque. Era um meio-termo agradável entre as duas coisas. Não pude conter minha exclamação ao perceber onde estava. Completamente iluminado, diante de mim estava o corredor dos espelhos: as paredes de mármore cobertas por cortinas vermelhas, os lustres gigantescos de cristal, os espelhos emoldurados de ouro faziam jus a tamanha fama que aquele salão levava.
“Você está realmente ao ponto de cair em lágrimas, não é?” O jovem mascarado me estendeu um lenço, que apenas aceitei pela sua gentileza - não que meus olhos estivessem, de fato, cheios de lágrimas. “Por que não se senta aqui?” Ele apontou para uma das poltronas dispostas próximas às paredes, e em retorno lhe lancei um olhar de repreensão.
“Você está maluco?! Isso é completamente inaceitável! São artefatos históricos, eu jamais…”
“Aha, sabia.” O estalo de seu dedo me assustou, mas de um modo engraçado. “Você certamente trabalha com museus!” E novamente o sorriso de triunfo preenchia seus olhos.
“História da arte, para ser exata”.
“Oh, mais chique, imagino.” Ele então se agachou e sentou-se no chão, me convidando para fazer o mesmo.
Embora meu vestido fosse, de fato, mais volumoso do que eu imaginaria que fosse, ele não era exatamente pesado. Com exceção dos bolsos laterais escondidos pelo volume da saia de cetim e tule, nada atrapalhava os meus movimentos fluidos e fáceis, portanto sentar-me naquele chão não foi difícil. Eu poderia até tirar os meus sapatos.
“Já falei muito de mim. Quem é você?”
“Ohoo, pelo visto alguém realmente não se importou com as regras deste baile. Não falamos nossos nomes, apenas apreciamos a companhia de um par aleatório, até que decidam que já é hora de separar seus caminhos”
“mas por que você ainda está aqui?” Rebati. E agora ele parecia soltar uma gargalhada daquelas que não necessariamente são engraçadas, mas galantes.
“Creio que pelo mesmo motivo que você ainda está aqui: eu estou encantado em te conhecer”. Mentiroso. “E espero que possa ter mais alguns minutos, se não for pedir muito”
“Não posso saber nem o seu sobrenome?” Retruquei, tentando não parecer tão curiosa como estava. Por que ele não queria me falar nada sobre ele? Será que ele tem outra pessoa esperando por ele? No meu momento mais protagonista de uma história, me vi suplicando em silêncio: Por favor, não esteja apaixonado por outra…
“Youngk, alguns me conhecem por este nome” ele finalmente falou, se reclinando levemente para trás, relaxando suas pernas à frente. “E você?”
“Altieri, meu sobrenome” tentei me convencer de que não estava tão desesperada assim.
“ E você está no meio de uma síndrome de Stendhal porque…?”
“Não estou acometida por esta síndrome. É só que…Sonho em visitar este palácio há anos, mas nunca consegui. Nesta viagem, finalmente teria a chance, mas um estupido baile para pessoas ricas coincidentemente aconteceria nessa mesma temporada, então finalmente estar aqui é a realização de um sonho”
“Seu sonho era conhecer um palácio? Uau, realmente muito historiadora da sua parte” uma risada escapou de seus lábios, e o som gracioso indicava que realmente estava relaxado. “Por sorte também conseguiu os convites para este estúpido baile, também” Concordei, e novamente um silêncio recaiu sobre nós, não necessariamente desconfortável, mas… no mínimo estranho, era como se não quiséssemos falar o que de fato queríamos dizer.
“E o seu lance com multidões…? Vi você desfocando alguns minutos antes…”
Sacudi a cabeça em negativa, enquanto tirava minhas sandálias que já estavam machucando meus pés o suficiente. “Não comentarei sobre, permita-me este segredo”.
Novamente um silêncio entre nós. Desta vez, menos desconfortável que o primeiro, pois eu estava completamente deitada no chão do salão de espelhos daquele castelo, olhando para os lustres acima tentando contar quantos cristais seguravam - para não perguntar a ele as coisas que eu queria perguntar.
“Como quiser, senhorita… Não quer conhecer outros lugares deste belíssimo palácio? Gostaria de ouvir suas considerações sobre ele.”
Ainda nos demoramos alguns instantes no salão de espelhos, mas quando YoungK se levantou e esticou a mão para me ajudar também, finalmente pude ver nossos reflexos refletidos no espelho principal, e sem os sapatos eu era uns bons centímetros menor que ele, e sua postura perfeita não parecia se preocupar com isso.
Meus cabelos ainda estavam apresentáveis, e os grandes cachos permaneciam no lugar, assim como as presilhas em formato de ramos de oliveira na parte de trás. Os poucos fios soltos que emolduravam meu rosto ainda não incomodavam, e agora sem as sandálias, meu vestido levemente volumoso arrastava por alguns centímetros no chão. Sobre meu vestido, desde que o baile havia começado, esta era a primeira vez que eu reparava nele como uma composição só: a gola alta sem mangas guiava ao corpete azul safira, que se conectava à saia em um degradê suave do azul, de modo que a barra do vestido fosse mais clara que o corpo deste. Às costas, uma leve capa de organza foi costurada nos meus ombros seguindo para o detalhe do bordado com ramos ramos de oliveiras detalhando a silhueta do meu corpo conferindo ao vestido maior leveza. Em comparação aos vestidos de Giorgia e Verena, não diria que era um vestido exuberante, mas cumpria as exigências de um baile como aquele.
Caminhamos por mais algumas salas, e em todas elas YoungK parecia interessado em me ouvir e perguntar sobre todo o conhecimento acumulado que eu tinha sobre aquela construção e seu papel histórico. Em algum momento, ele simplesmente pegou minhas sandálias da minha mão para que eu pudesse gesticular melhor ao longo do caminho. Não me lembro exatamente em qual momento deixamos as formalidades, mas já não parecia que tinhamos nos conhecido apenas algumas horas atrás - não mais. Seus olhos brilhavam docemente e tudo o que queria era que aquela noite durasse para sempre, ou pelo menos o máximo que ela pudesse.
Agora YoungK estava menos formal do que antes: Seu terno todo adornado não estava mais abotoado completamente, e alguns fios de seu cabelo pendiam diante da máscara. Sua camisa também não tinha todos os botões fechado e se eu olhasse mais um pouco, talvez tivesse outra crise de stendhal.
“aqui, use eles” Ele me entregou os próprios sapatos, para que eu os calçasse.
“Por quê…?”
Eu já deveria ter me acostumado com aquele sorriso travesso de quem tem um plano que aquele rapaz me dava todas as vezes que eu perguntava demais, mas sinceramente era surpresa e as borboletas no estômago pareciam não querer se distanciar de mim sempre que ele me olhava com aqueles olhos afiados de quem parece estar a todo tempo me desafiando. YoungK, ou qualquer que seja o seu nome de verdade, parecia realmente ter saído da minha imaginação.
Calcei os sapatos que ele me entregou, enquanto ele ainda segurava as minhas sandálias. Ele, apenas de meias, e eu com seus sapatos muito maiores do que o meu pé, seguimos por uma porta pesada de mogno esculpida em detalhes minuciosos, e adiante um corredor com arcos repletos de flores e pequenas luzes guiava o caminho até uma fonte, o elemento central daquele lugar.
A noite lá fora era fresca, com uma suave brisa que parecia deixar tudo ainda mais encantador. Caminhar por aquele corredor florido fazia com que eu me sentisse uma verdadeira princesa, daquelas de contos de fadas que vivem um final feliz após encontrarem seu príncipe encantado.YoungK ainda segurava minha mão, e eu não tinha qualquer intenção de soltá-la. Não agora, não ali, em meio aquelas pequenas luzes que deixavam o ambiente ainda mais surreal, como se isso fosse possível. A água corrente no chafariz daquela fonte era nosso fundo musical, enquanto o som do baile lá dentro não nos alcançava naquele mundinho. A leve brisa fazia com que os galhos e folhagens finos nos arcos se agitassem, e mesmo assim a minha própria pulsação agitada tomava conta dos meus ouvidos.
Ele se virou para mim, e em um pequeno movimento, sem qualquer tipo de esforço aparente, me ergueu e me colocou sentada na borda daquela fonte, a altura suficiente para que nos olhássemos diretamente nos olhos.
E YoungK tirou sua máscara.
Seu rosto era exatamente como eu tinha imaignado: Os olhos felinos e afiados combinavam perfeitamente com todas as suas demais características: Sua mandíbula afiada, seu queixo perfeitamente desenhado, suas bochechas com maçãs bem marcadas e seus lábios, tão lindos que pareciam ter sido desenhados à mão. YoungK, sendo uma alucinação ou não, tinha um rosto que valeria estar disposto em um museu, tinha os olhos brilhantes que preciam me desafiar a dizer aquilo em voz alta e tinha um sorriso que me fazia pensar que talvez pudesse existir algo mais além daquela noite.
“Você… é a pessoa mais linda que eu já vi” E meu ímpeto era de tocá-lo, de sentir a maciez da sua pele e reduzir o espaço que tinha entre nós. E que aquela noite durasse para sempre.
Schonbrunn era meu palácio dos sonhos, conhecê-lo era reviver todas as histórias que ouvia minha mãe contar sobre suas aventuras como museóloga, era reviver os passos do dia que ela conhecera meu pai em uma exposição sobre aquele lugar. Schonbrunn vivia na minha memória como histórias de outras pessoas, mas agora aquele lugar tinha se tornado talvez o protagonista de uma memória minha - aquela que eu jamais imaginaria viver um dia, aquela que eu não pensava ser possivel viver, pois eu era uma figurante, no máximo uma coadjuvante na história das pessoas à minha volta, e nunca a protagonista.
Youngk ainda estava na minha frente, de olhos afiados, de sorriso fácil, de uma beleza excruciante. Nenhuma palavra das muitas no meu vocabulário seriam capazes de descrever tudo o que eu queria que disessem, não para ele.
“...a Síndrome de Stendhal de alguém que nem imaginava ser possível sentir isso.”
“Que bom que você não é uma alucinação.”
A risada dele em seguida soltou qualquer fio de razão que parecia me segurar, e senti sua mão se aproximando da minha cintura, enquanto me puxava para mais perto dele, reduzindo o que sobrava de distância entre nós com um beijo que jamais imaginei receber - especialmente naquele jardim. Enquanto ele me segurava firmemente contra ele, com uma mão na minha cintura e outra segurando gentilmente meu rosto, meus braços buscavam saber se ele era real, tateando suas costas e se demorando em seus braços, que pela primeira vez pude sentir o quão definidos eram. Inicialmente, parecia que aquele beijo queria por si só dizer todas as perguntas que ambos não fizemos ao longo daquela noite, mas logo se transformaram em todas as respostas que precisávamos ali.
Não existia mais nada, não existia mais ninguém.
Éramos apenas eu e aquele rapaz que um baile de máscaras uniu em uma noite no palácio de Schonbrunn - até que decidissemos partir em nossos caminhos. E eu não queria sair dali, não queria sair dos seus braços, não queria deixar aquele momento escapar…
Mas como se me lembrasse que eu não era protagonista de contos de fadas, meu celular começou a tocar. E mesmo não querendo atender e recusando ligações, o número continuava incessantemente se repetindo, e não me restava outra opção.
“Altieri, dove sei?!” Sua voz estava exasperada, ao ponto em que sequer conseguia falar em inglês. O choro parecia entalado na garganta de D’Angelo, da mesma forma que sua voz parecia alongada demais pela quantidade de espumantes em uma noite só. “Ballesteros não está bem, algo a ver com temperos e alergia e ninguém está nos entendendo, por favor nos encontre no hospital, eu não pediria isso se não fosse sério, por favor por favor”
Olhei para YoungK, que tentava fingir que não ouvia minha melhor amiga gritando bêbada em italiano do outro lado da linha, e nossos olhos se encontraram por um momento, em que ele só assentiu consciente da decisão que viria a seguir. Meu momento de protagonista mal tinha começado e já estava chegando a um fim, entretanto não era uma opção deixar minhas amigas desamparadas num momento desse.
“Estou a caminho, D’Angelo. Me manda a localização e já chego”
Youngk correu comigo de volta para o palácio, e mais rápido do que eu imaginava, devolvi seu sapato e corri com os meus em mãos. Uma parte de mim queria pedir para que o mundo todo se resolvesse sozinho, que eu pudesse viver naquela bolha pelo resto da vida, existindo apenas eu e meu par de um baile aleatório em Viena. Correndo ao lado dele, ou melhor, correndo com ele, que segurava minha mão enquanto me guiava de volta para a entrada do palácio, o tempo poderia parar, e eu não me importaria.
Mas minhas melhores amigas também eram meu alicerce, eram as pessoas mais importantes para mim no mundo, e sendo ou não uma questão de vida ou morte, elas precisavam de mim ali.
Ele poderia ir comigo, ele poderia ter entrado naquele táxi comigo, ele poderia ter dito que não se importava com um baile ou qualquer coisa, mas ele não disse. Apenas fechou a porta após se certificar de que eu estava segura dentro do táxi, e pela janela do carro me deu um beijo demorado na têmpora. O táxi seguiu em direção ao hospital, e eu só me lembrei de tirar a máscara quando estávamos na metade do caminho.
Ballesteros de fato tinha tido algum problema com os petiscos servidos no baile, e D’Angelo não conseguia dizer sequer uma frase completa sem misturar inglês e italiano - sem contar o alemão, que só sabia algumas palavras. Ser a observadora também me levava a ser quem melhor se virava em situações como estas, então enquanto Ballesteros seguia sendo medicada, amparei D’Angelo, ainda assustada com os rumos daquela noite.
“Eu prometi que não te importunar, Altieri. Eu vi você tão feliz dançando com aquele homem tão bonito e pensei ‘esse baile vai valer a pena para minha amiga!’” E novamente D’Angelo se segurava em mim, em um choro com mais drama que lágrimas. “Mas aí… mas aí, eu bebi algumas taças a mais, dançamos com alguns rapazes a mais e Ballesteros começou a passar mal e eu era a única ali para ajudar… e você não estava no salão, oh me perdoe Altieri, não era minha intenção estragar sua noite”
“Você não estragou nada, D’Angelo” eu tentava acalmar minha amiga, enquanto meu coração ainda remoía o fato de YoungK não ter entrado naquele táxi comigo. “Na verdade, foi a melhor noite da minha vida, e agora tudo passou”.
Olhei no celular, e marcava três da manhã. Eu não tinha nenhuma solicitação de seguidor novo nas redes sociais, nem um pop-up de mensagem de um número desconhecido. Se eu voltasse para o baile, ele ainda estaria me esperando?
Nunca consegui responder este questionamento, porque a manhã chegou, e com ela a dor nas costas de ter cochilado por algumas horas em uma cadeira de hospital numa postura nada agradável. Verena já estava acordada também, e Giorgia dormia no chão, usando um lençol embolado como travesseiro.
“A noite foi realmente um conto de fadas” sorriu Verena, olhando para mim. Seus cabelos ruivos já estavam bagunçados pelos acontecimentos daquela noite, mas seu sorriso seguia impecável. Concordei com a cabeça, depois de me espreguiçar. “Até uma história de Cinderela tivemos… una principessa vera”
“Você precisa deixar de acreditar em contos de fadas, Verena… foi só um baile” eu realmente queria acreditar que não tinha sido só uma noite, e que aquela tivesse sido apenas a primeira página de uma longa história em que eu finalmente era a protagonista, mas… não tinha o porquê sonhar tão grande.
“Pode ser que os ventos soprem a favor” concluiu minha amiga.
Mas os ventos não sopraram a favor. E em alguns dias, deixamos Viena: D’Angelo e Verena voltaram para a Itália e eu para meu doutorado. Schönbrunn passou de um objeto da minha imaginação para um elemento de pesquisa e agora, uma memória que mexia com todos os meus sentimentos ao mesmo tempo, e nos meses seguintes, eu não conseguia parar de pensar em YoungK: seus olhos desafiadores, sorriso triunfante, seu beijo e como ele me deixou entrar naquele táxi sem pensar duas vezes.
Mas depois dos meus poucos segundos de protagonismo - ou como coadjuvante no teatro da vida de alguém, eu estava de volta à posição de observadora, de figurante, portanto só me restava terminar a pesquisa, pois pelo menos estudando história e museus, vemos o passado que já aconteceu, e todas as decisões e reviravoltas não passavam de registros a serem analisados - só nos restava interpretar. E estudar o passado sempre me provou a volatilidade das pessoas.
Mas meu coração ainda repetia seu nome e minha memória recusava-se esquecer aquela noite em Viena, ao ponto em que eu já me odiava por não poder deixar de gostar dele. Será que ele sentia o mesmo?
Eu duvidava.
Um ano e meio depois, eu estava de volta em Viena, dessa vez com um convite pessoal para a apresentação da minha pesquisa aos diretores dos principais museus da cidade, pessoalmente, uma honra que jamais imaginei alcançar:
“Emma Altieri, historiadora da arte e doutora em museologia e curadoria artística. Apesar de seus vinte e nove anos de vida, possui vasto conhecimento na história da arte austríaca e seu papel crucial na cultura, desde a construção de Schönbrunn aos dias atuais”. Me anunciou o moderador daquela apresentação.
“Fico lisonjeada com o convite para me fazer presente neste dia. Em verdade, minha ligação com esta cidade e especialmente Schönbrunn é de longa data, antes até mesmo do meu nascimento, pois o palácio de Schönbrunn foi o lugar onde meus pais se viram pela primeira vez, meu pai museólogo e minha mãe curadora de artes. Vidas tão distintas, mas vindas do mesmo país, precisaram de uma força do universo para se conhecerem neste palácio que por anos existiu apenas no meu imaginário. Pisar em Viena como doutora é um tributo à memória dos meus pais e a tudo o que eles representam para mim. Obrigada pela oportunidade.”
Me surpreendeu o quão bem eu tinha o domínio do alemão, agora que não apenas discutia sobre minha pesquisa, como também encontrava conhecidos dos meus pais daquela época que não vivi, e me enchiam de sorrisos e boas histórias - a agitação não me incomodava como o era antes, e ser uma protagonista não parecia mais um problema.
Até eu ver uma silhueta se destacando na multidão, à distância, mas abrindo passagem entre todos. Sua altura e postura eram indistinguíveis em qualquer lugar, e aqueles olhos afiados combinados com uma boca desenhada para os sorrisos mais expressivos que já vi não me tiravam as dúvidas.
Até em um traje menos formal, usando um sobretudo escuro e o cabelo sem qualquer tipo de gel ou fixador, ele roubava atenção, e suspiros.
“Emma Altieri?” Seus olhos brilhavam tanto quanto seu sorriso. “Acho que já nos conhecemos antes, mas me permita uma nova apresentação. Me chamo Brian Kang, museólogo assistente responsável pelos Palácio de Schönbrunn e seus eventos, trinta e um anos e um único arrependimento na vida até hoje. Eu estou encantado em te conhecer”
