Work Text:
“Kento não vai lá!”
“Yu não dá mais, eu vou sanfonar o safado na porrada. Yuuji tira esse lego da boca!”
Na cozinha, Kento Nanami da Silva e seu amigo Yu Haibara Santos discutiam fervorosamente.
“Ele não merece seu tempo nem atenção! E as crianças? Quem vai ficar com as crianças?! “
“Você!” disse Nanami entregando o pequeno Megumi nas mãos do amigo enquanto tirava o pano de prato do ombro. O bebê que recentemente havia sido abandonado em sua porta abriu os olhos tediosamente antes de voltar a dormir, a discussão não merecia sua atenção.
“Tsumiki está na escola ainda, às 12 ela vem para casa, Megumi precisa ser alimentado a cada duas horas e a fórmula está na geladeira. Você sabe que o Yuuji faltou porque está com febre então dipirona nele.”
O loiro afagou a cabeça de Yuuji antes de sair e bateu a porta da casa.
Sair de Botafogo para a Vila Kennedy foi um inferno, era nove da manhã e o trem lotado não acalmou os nervos de Nanami. Ele havia saído de casa com a roupa do corpo em plenas férias para brigar com seu ex-marido? Ele e Toji nunca nomearam sua relação.
No trem, lembranças invadiram sua cabeça. Eles se conheceram na juventude, Toji tinha um jeitinho de malandro conquistador, e deduziu que Kento fosse da zona sul pelo cabelo e jeito engomado. Foram muitos anos juntos, muitas brigas até que Tsumiki nasceu, a primeira filha. Uma menina tão doce que não parecia ser filha deles, não tinha o temperamento do pai ou a esperteza do outro pai.
Toji e Kento não eram um casal, mas ficou entre linha a parceria, nada de pensão feita em acordo judicial: uma ajuda de cem ou duzentos por semana serviria.
Mas onze anos depois o casal teve uma recaída.. eles se encontram por acaso num pagode na Lapa. Dançaram e beberam até cair nos risos. E na cama. Yuuji nasceu.
Mas Kento está farto disso! E iria colocar um ponto final na relação. Dez meses atrás ele saiu de casa com a mesma intenção e a intimação judicial na mão. Ele bateu na porta na minúscula kitnet de Toji. E escorreu e caiu no colchão do homem. Nove meses depois nasceu Megumi. Toji visitou uma vez e nunca mas apareceu na casa.
Hoje ele era um novo homem e não havia técnica de sedução que o faria esquecer seus objetivos. Quando Toji abriu a porta ele começou o quebra-quebra. Copos, mesa, pratos.. tudo ele jogou no chão. Entrando numa briga física com o homem.
“Canalha, cafajeste, safado…” ele gritava entre os tapas que diferia contra o moreno.
Toji então agarrou as mãos de Nanami sobre a cabeleira loira e beijou fervorosamente seus lábios até perder o fôlego.
“Megumi poderia ser um irmão mais velho não?”
