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Minha Vida fora dos Trilhos - Parte 1

Summary:

Os anos na Academia Black para Crianças Excepcionais preparam Harry e seus amigos com tudo que eles precisavam saber para se dar bem em Hogwarts - ou quase.

Há algo a espreita no castelo - mas o quê? Será um espião secreto tentando roubar um tesouro escondido, o fantasma de uma rainha malvada despertando, ou apenas Draco Malfoy lhes pregando uma peça?

Em meio a seus próprios dilemas internos, e o mistério que as paredes de Hogwarts escondem, Harry, Ron, Hermione e Jude descobrem que crescer pode ser um grande aventura.

Notes:

Imagine como seríamos se tivéssemos menos medo.

Charlie Mackesy (2020)

Chapter 1: A Vida de Harry Potter

Chapter Text

Harry Potter tinha acabado de aceitar que sua vida seria tão banal quanto a de qualquer bruxo poderia ser quando coisas extraordinárias começaram a acontecer.

Aos onze anos - e, veja bem, ele estava completando onze anos exatamente naquele dia -, Harry definia todos eventos de sua vida como extraordinários. Não que tivessem havido grandes emoções, perigos inimagináveis ou perdas que mudaram completamente sua forma de ver o mundo. Não, na verdade tudo foi muito simples, mas algo que ele havia aprendido com sua mãe é que o amor não exigia que você fosse extraordinário. Felizmente, Harry estava rodeado de coisas amava.

Na manhã de seu décimo primeiro aniversário aniversário, Harry não sabia que estava prestes a começar a viver uma grande aventura. Naquela ano, ele viraria um herói.

Mas, por enquanto, estava adormecido em seu quarto, tendo um sonho gostoso com a motocicleta voadora de seu padrinho, Sirius Black. O primeiro ruído do dia veio do andar de baixo da casa; alguém estava preparando o café da manhã.

— Hum — Harry gemeu em seu travesseiro, zonzo de sono. Não se preocupou em colocar os óculos antes de se levantar e sair.

Foi tropeçando até o quarto no final do corredor, encontrando apenas um lado da cama ocupado. Ele engatinhou pelo colchão, e mal havia se deitado no travesseiro vazio de seu pai antes que braços o puxem para um braço.

— Bom dia, meu amor — disse Lily com o nariz enfiado nos cabelos despenteados de Harry.

— Oi, mamãe.

— Teremos ovos mexidos borrachudos para o café da manhã, você sabe.

Harry sorriu. Eles sempre podiam contar com uma refeição matinal duvidosa quando seu pai, James, decidia cozinhar.

— É, eu sei.

Sua mãe afastou um pouco a cabeça e beijou sua testa, bem no lugar em que aquela cicatriz idiota em forma raio ficava.

— Feliz aniversário, Harry.

Ele fechou os olhos e aproveitou o calor dos braços de Lily por mais alguns minutos.

 


 

Para a alegria de todos, não era seu pai que estava preparando o café da manhã, mas sim Remus. Isso explicava o cheiro gostoso de biscoitos de chocolate que Harry sentiu antes mesmo de descer as escadas, e porque o bacon não havia queimado. Remus ainda estava de pijamas e roupão, assim como os outros ocupantes da cozinha, que aguardavam que as canecas de chá flutuassem até seus lugares à mesa enquanto se ocupavam cada um com suas leituras.

Sirius estava distraída com algumas cartas que deviam ter chegado naquela manhã, enquanto James lia a edição do dia do Profeta Diário. Já Jude parecia muito interessada em seu livro; Harry estreitou os olhos e leu o nome de Samuel Taylor Coleridge na capa.

— Bom dia — ele anunciou sua presença, se sentando na cadeira à direita de seu pai.

— E aí, garotão! — James sorriu e ergueu a mão em um high five. — Onze anos! 

— Feliz aniversário, Harry — Jude falou de seu lugar, sorrindo, o que fez as cicatrizes que tinha na bochecha esquerda se enrugarem um pouco.

— Parabéns, James — disse Sirius. — Você está tão grande agora.

Harry revirou os olhos, pois sabia que não era verdade. Apesar de ter um rosto muito parecido com o de seu pai, e usar óculos como ele, Harry era pequeno e magro para a idade. Tinha joelhos ossudos, braços finos, e era pelo menos uns cinco centímetros mais baixo que Jude. Remus dizia que ele, além dos olhos muito verdes de Lily, havia puxado seu corpo também, já que ela costumava ser baixinha e magricela aos dez anos, diferente de James, que sempre teve o porte atlético perfeito para a posição de artilheiro. Ele tentava consolar Harry dizendo que ele seria um excelente apanhador um dia.

— Padfoot, não amole o Harry — Remus colocou um prato cheio de torradas na mesa. — Sabemos que não é bem verdade.

— Mas o que é isso, Moony? — Harry disse indignado. — Me ofendendo no dia do meu aniversário? Pelo menos Sirius é sensível o bastante para fingir.

Remus riu e bagunçou ainda mais os cabelos de Harry.

— Espero que não estejam perturbando o meu filho no dia do aniversário dele — Lily disse quando entrou no cômodo. Ela passou por Jude e beijou o topo de sua cabeça antes de se sentar no colo de James.

— Hey, ele é meu filho também.

— Sim, mas é um pouquinho mais meu do que seu.

James sorriu e beijou o cantinho da boca dela. Harry e Jude trocaram um olhar constrangido.

Quando os biscoitos estavam prontos, todos se sentaram em seus lugares e começaram a comer, intercalando suas leituras com conversas e a comida gostosa de Remus. Era uma espécie de tradição: Moony e Padfoot moravam na casa ao lado, e desde que Jude foi morar com eles, se se reuniam todos os dias para tomar café da manhã juntos, quase sempre acompanhados de algo para ler. Não que Harry gostasse muito de ler, mas, de novo, era uma tradição. Os cafés da manhã eram seu momento favorito do dia.

Estava particularmente interessado em seu livro que, por sinal, havia sido escrito por seu padrinho. Era isso que Sirius fazia, além das aulas de música e teatro - ele era escritor, e aquele era seu último lançamento: A Pedra Filosofal, o primeiro livro da série O Último Inimigo. Harry havia ficado completamente maluco para ler aquilo desde que Sirius lhe contou que estava escrevendo uma história cujo protagonista era inspirado nele. Sério, aquilo era a coisa mais legal que havia acontecido a Harry desde que o Chudley Cannons, o time de quadribol em que seu pai jogado, havia vencido a última Copa Mundial de Quadribol.

Ainda que alguns acontecimentos da história fossem tristes - os pais do protagonista haviam sido assassinados, e Harry não conseguia nem imaginar uma vida sem seus pais -, era a coisa mais divertida do mundo ver acontecimentos reais de sua vida reimaginados, como a cicatriz em forma de raio que tinha na testa: no livro, o garoto ganhara a marca após quase ser morto por um bruxo das trevas, enquanto que Harry havia feito aquilo a si mesmo quando tinha um ano de idade (Lily nunca havia perdoado James por ter deixado a varinha em cima do sofá dando bobeira naquela noite de Halloween).

— Eu não sei — Sirius disse de repente, dobrando a última carta que havia lido — o que Pandora Lovegood pensa que eu sou, exatamente.

— O que ela disse? — perguntou Lily.

— Ah, ela me parabenizou pelo sucesso do livro, falou sobre as críticas positivas, e disse que a editora gostaria de um segundo livro... para o ano que vem.

— Mas você prometeu à editora um segundo livro, Pads — Remus o lembrou.

— Eu sei, mas não é como se eu tivesse escrito esse em alguns meses. Passei muito tempo me dedicando a essa história.

— Bom, mas também não é como se você fosse ter muita coisa para fazer esse ano — Jude deu de ombros, e Sirius arqueou uma sobrancelha para ela.

— Como é que é, mocinha?

— Eu vou para Hogwarts em setembro, esqueceu? — ela sorriu. — Você vai ficar livre da sua maior prioridade, papai Pads.

Todos na mesa mesa riram com isso.

Estavam quase terminando a fornada de biscoitos quando ouviram o som de uma batidinha em vidro. 

— Bem na hora — James agitou a varinha em direção a janela, e seis corujonas entraram carregando um longo pacote. Deixaram-no no chão ao lado de Harry e logo foram embora.

— Eu não acredito! — Harry teve dificuldade em esconder a alegria quando se deu conta do que era aquilo. Ele se jogou no chão e rasgou rapidamente o embrulho. 

Desde que Harry havia crescido o suficiente para voar de verdade, e não apenas alguns centímetros do chão com vassourinhas de brinquedo, seu pai lhe presenteava com  vassouras sempre que um novo modelo era anunciado. Mas a Nimbus 2000 era uma coisa de outro mundo - aerodinâmica e reluzente, com um cabo de mogno e uma longa causa de palhas limpas e retas, e a marca "Nimbus 2000"escrita a ouro próxima ao punho.

— Mesmo que você não possa levar ela para a escola — disse seu pai, sorrindo orgulhosamente —, não é todo dia que um bruxo faz onze anos, não é?

Harry pulou e abraçou James pelo pescoço.

— Obrigado, pai.

 


 

Depois que terminaram o café da manhã e se vestiram, eles partiram para a Casa Potter usando o Flu.

Harry adorava a casa de seus avós quase tanto quanto adorava sua própria casa em Godric's Hollow: era uma mansão enorme e antiga, provavelmente tão antiga quanto o sobrenome Potter. Porém, não havia nada ali se esforçando para afirmar sua antiguidade geracional; a história dos ocupantes da casa estava nos tapetes surrados que ninguém se preocupava em substituir, no papel de parede descascado e nos cômodos há muito não habitados, com seus móveis cobertos com lençóis e os quadros adormecidos dos antigos donos. Estava na velha cozinha que sua avó tanto amava, nos livros amontoados no escritório de seu avô, e nas xícaras desiguais, já que muitos jogos de porcelana haviam se quebrado ao longo dos anos e, afinal, havia certo charme em pratos e pires que não combinavam entre si.

Harry gostava ainda mais de Euphemia e Fleamont Potter, pois seus avós, embora velhos, ainda exibiam uma alegria e vivacidade que era praticamente impossível fingir. Ambos carregavam em cada linha de expressão, cada cabelo branco e cada mancha senil contentamento suficiente para deixar todos saberem que estavam perfeitamente satisfeitos com a vida que haviam levado. 

Estar na casa Potter era como estar em dos livros de contos de fadas de que Jude gostava - quente, caloroso, emocionante.

Assim que saiu pela lareira, Harry deixou sua Nimbus 2000 em um dos sofás da sala e correu até a cozinha.

— Vovó! — disse, abraçando Euphemia pela cintura, sentindo no avental o cheiro de baunilha e marshmallow.

— Feliz aniversário, querido — ela segurou as bochechas de Harry com suas mãos macias e o fez olhar para ela. — Você está tão lindo.

Geralmente, Harry teria zombado de algo como aquilo, mas nunca, em hipótese alguma, quando era sua avó falando.

— Espero que goste do bolo que fiz para você esse ano.

— Eu sempre gosto.

— Todos nós sempre gostamos — alguém disse do canto da cozinha. Harry se virou e encontrou Regulus Black, o irmão de Sirius, sentado à mesa, acariciando em seu colo o grande gato outrora preto, mas que agora tinha uma pelagem um pouco acinzentada.

— Oi, Regulus. Faz tempo que você e Mary chegaram?

— Passamos a noite aqui, na verdade — ele pegou um embrulho ao lado de sua cadeira e o estendeu para Harry. — Feliz aniversário.

Harry se sentou ao seu lado para abrir o presente. Era um estojo grande de couro com praticamente tudo que Harry sabia que ia precisar para preparar suas poções em Hogwarts - vidros pequenos e finos, etiquetas, espátulas, uma faquinha bem afiada, e amostras de ingredientes que o próprio Regulus faziam.

— Puxa, obrigado!

— Vai ser a primeira vez que você vai mostrar a Lily tudo o que te ensinei. Não me envergonhe — Regulus o alertou, muito sério.

Regulus era o professor de Introdução ao Estudo de Poções da Academia Black para Crianças Excepcionais - onde ele também era dono, diretor, jardineiro e contador de histórias nas horas vagas. A escola não chegava nem perto da grandeza do castelo de Hogwarts, que Harry já havia visto algumas vezes de longe quando visitou o vilarejo de Hogsmead, mas era incrível mesmo assim. Ele estudava lá desde os cinco anos, e havia aprendido tudo sobre o básico de magia, além de matemática, história, gramática, literatura, e as oficinas extras oferecidas por Sirius.

— Onde está Mary?

— Lá fora com seu avô — Euphemia indicou a porta aberta, e Harry saiu em disparada para o jardim.

Seu avô estava sentado à grande mesa que fora colocada lá fora, rindo de algo que Mary lhe dizia, enquanto ela amarrava balões nas cadeiras. Mary era uma mulher bonita e gentil, mas muito assustadora quando precisava ser. Também era uma das donas da Academia Black, a melhor pessoa para se pedir conselhos, e a namorada de Regulus (não havia outra forma de se referir a ela, já que eles nunca se casaram).

— Harry! — seu avô exclamou quando o viu, sorrindo. Ele usava óculos, como Harry e seu pai.

— Oi, vovô.

— Dá para acreditar que eu vi esse garotinho nascer? — Mary disse, alegre. — E agora ele está indo para Hogwarts! Parabéns pelo aniversário, Haz.

— Obrigado.

— Você e Jude já receberam suas cartas?

— Ainda não. 

— Elas vão chegar logo, logo — Fleamont acenou com a cabeça. — Vocês vão se divertir muito, eu tenho certeza. James e Sirius ficaram tão felizes quando as cartas deles chegaram. 

— É claro — Mary se sentou. — Hogwarts era o parque de diversão particular deles. Os dois eram o terror da McGonagall.

— Pobre Minerva.

— Tenho certeza de que o Haz vai ser muito mais tranquilo — ela estreitou os olhos para Harry. — Você sempre foi um menino tão bonzinho, Harry.

— Você acha? Pois conviva — Sirius disse atrás deles, fazendo-os se virar. Jude estava com ele, e foi até Fleamont e lhe deu um beijo na bochecha.

— Olá, vovô.

— Como está se sentindo, minha querida? — Fleamont disse baixinho, com uma mão ao lado de seu rosto, acariciando sua bochecha.

— Estou bem.

— Mesmo?

— Sim, senhor.

— Então, Mary — Sirius continuou —, você acha que Harry é um "menino bonzinho"? Que argumentos têm para sustentar essa opinião?

— Comparado a você e James, qualquer criança é tranquila.

— Oh, Harry é sim tranquilo — seu padrinho zombou. — Ele com certeza foi tranquilo quando se perdeu no estádio de quadribol na última Copa Mundial...

— Hey! — Harry o interrompeu. — Foi um acidente...

— Ah, com certeza foi uma acidente, assim como naquela vez que ele foi parar no telhado da escola.

— Eu já disse que foi o vento que me carregou até lá!

— Ou quando — Jude emendou — ele deixou o cabelo do Sr. Weasley azul.

— Eu não faço a menor ideia de como fiz aquilo!

Seu avô soltou uma gargalhada

— Harry, acho que é mais fácil aceitar que você é só um pouquinho menos caótico do que o seu pai foi.

Algum tempo depois, quatro crianças com cabelo cor de fogo saiu correndo pela porta da cozinha.

— E aí, Harry! — Ron, o melhor amigo de Harry, disse estava perto o suficiente. Ele era um garoto ruivo cheio de sardas, com braços e pernas muito compridos, e que davam a ele um ar de desengonçado. Os dois haviam se conhecido na escola, e estudavam juntos desde então. — Feliz aniversário! Cara, você não vai acreditar: minha carta de Hogwarts chegou hoje de manhã!

— Mas já?! — Jude se aproximou deles. — As nossas ainda não chegaram. Que saco!

— Fica tranquila, ruivinha — disse Fred, um dos gêmeos Weasley. Mesmo sendo idêntico a George, Harry sabia que era ele porque só Fred chamava Jude daquela maneira (o que não fazia o menor sentido, afinal eles eram tão ruivos quanto ela). — Vamos estar todos juntos em Hogwarts esse ano.

— Temos grandes planos — George sorriu, e trocou um olhar conspiratório com Fred.

— Ha, ha! — Percy, o mais velho entre eles, fingiu rir. — Vocês se esqueceram de que agora eu sou monitor? Se acham que vão passar o ano explodindo banheiros e azarando os outros, estão...

— Ah, você é monitor, Percy? — perguntou Fred, com ar degrande surpresa. — Devia ter avisado, não fazíamos ideia.

— Espere aí, acho que me lembro de ter ouvido ele dizer alguma coisa sobre isso — disse George. 

— Uma vez...

— Ou duas...

— Um minuto...

— A manhã inteira! — os dois disseram juntos, e caíram na gargalhada.

— Meninos, parem de amolar o Percy. Vocês só estão com ciúmes — disse uma recém chegada - Ginny, a única menina entre todos os irmãos Weasley. — E aí, Jude, Harry?

— Oi, Ginny — Harry sorriu para ela. 

— Aquela Nimbus 2000 na sala é sua? — perguntou a garota, muito interessada.

— Presente de aniversário.

— Cara, que inveja — disse Ron. — Dizem que é a vassoura mais rápida já feita!

— Crianças — chamou Fleamont —, por que vocês não vão até lá em cima, no antigo quarto de James, pegar as vassouras para brincar enquanto o almoço fica pronto?

— Eu sugiro uma corrida — disse Fred.

— Eu sugiro uma competição de quem voa mais alto — rebateu George.

— Eu sugiro pegarmos os antigos balaços do meu pai e fazermos um jogo de verdade — Harry falou como quem não quer nada.

— Mas de jeito nenhum! — Mary brigou. — Pelo amor de Deus, Haz, eu estava te defendendo agora pouco.

— Do que ela está falando? — Ginny perguntou.

— Nada importante — Harry se apressou em dizer. — E aí, a gente vai voar, ou vamos ficar aqui perdendo tempo?

— O que me diz, Jude? 

— Fred Weasley, se você chegar perto de mim com uma vassoura de novo, dessa vez eu vou tacar no seu cabelo!

 


 

Duas horas de voo depois, sem nenhuma vassoura ou cabelo queimado, graças a Merlin, eles desceram para o almoço. Jude havia ficado todo o tempo conversando com Mary e Fleamont, pois ela tinha um medo tão grande de altura que nem mesmo toda a paciência e insistência de Harry nos últimos anos para que ela voasse apenas um metro do chão, só para saber como era a sensação, conseguiu convencê-la a subir em uma vassoura (claro, isso se não forem contar da vez que Fred a agarrou e a levou para um voo forçado que ocasionou com sua preciosa Comet 160 sendo reduzida a cinzas).

Eles haviam largado as vassouras no gramado, e estavam indo se sentar quando mais um convidado para o almoço chegou.

— Neville! — foi Ginny quem anunciou a presença do garoto.

— Oi, pessoal — ele disse, suas bochechas adquirindo um leve tom avermelhado ao ter toda a atenção para si. — Feliz aniversário, Harry — e lhe entregou uma enorme caixa de sapos de chocolate.

— Obrigado, Neville!

— Sua carta de Hogwarts já chegou? A minha veio hoje de manhã — Ron disse com empolgação.

— A minha também — ele sorriu um pouco. — Dá para acreditar? Meus pais estão muito felizes. Mamãe disse que podemos ir comprar meu material ainda essa semana. A vovó quase desmaiou de emoção. 

— Não faço ideia de porquê — foi Regulus quem falou. — Você tem tanta magia quanto qualquer outro bruxo.

Com isso, Neville corou ainda mais. Ele era um pouco inseguro e envergonhado, e estava certo de que não iria para Hogwarts, já que só deu seus primeiros sinais de magia aos oito, enquanto a maioria dos outros bruxos começava a fazer objetos flutuarem quando ainda eram bebês.

— Vamos lá, Neville — Jude passou um braço por seus ombros. — Você pode me fazer companhia depois do almoço, quando esses bobos voltarem para o campo de quadribol.

Foi um almoço barulhento e animado. As crianças falaram sobre as coisas que poderiam fazer em Hogwarts, enquanto a Sra. Weasley desencorajava qualquer atividade que, segundo ela, poderia causar um enfarto à coitada da McGonagall.

Depois que sua avó trouxe um grande bolo decorado com marshmallow dourado e onze velas coloridas, e eles cantaram parabéns para Harry, Sirius fez a coisa mais legal do mundo aparecer no jardim - um pula-pula, mas não qualquer pula-pula: apenas o maior e mais divertido pula-pula de todos os tempos, cheio de balões enormes que explodiam em chuvas de confetes. 

As vassouras foram esquecidas, e eles passaram a tarde toda em um jogo de pique-pega dentro do brinquedo, onde quem conseguisse proteger mais balões seria o vencedor. Percy, a princípio, não quis participar, dizendo ser adulto demais para essas brincadeiras. Fred e George tentaram bolar um plano para trazê-lo ao pula-pula, mas no final apenas o arrastaram pelas pernas até lá (não sem muitos protestos, é claro). No fim, ele acabou se divertindo quase tanto quanto qualquer um deles e vencendo o jogo, o que lhe rendeu o primeiro cascão de sorvete.

 — É realmente fascinante — dizia o Sr. Weasley à mãe de Harry quando eles voltaram à mesa para o sorvete. Ele olhava, fascinado, para o pula-pula. — Os trouxas inventam cada coisa para se divertir. Mas, sabe, Lily, eu sempre quis saber qual exatamente é a função de um patinho de borracha.

Quando começou a anoitecer, estavam todos saciados e completamente exaustos. Os Weasley se despediram, com a promessa de se verem antes do fim do verão, e Neville foi embora levando vários dos balões da decoração da mesa. Sirius se despediu de Euphemia e Fleamont carregando uma Jude adormecida nos braços. Harry e seus pais foram os últimos a partir. 

Já em casa, Harry quase não teve energia para tomar banho e colocar o pijama. Ele se sentia aquecido e feliz quando tirou os óculos e se deitou para dormir.

— E então, gostou do aniversário? — sua mãe disse ao se sentar no colchão. Ela segurou a mão de Harry e a acariciou suavemente.

— Sim — confirmou, mas algo o estava incomodando. Não era tão grande, mas ainda assim...

— O que foi, Harry? — seu pai se sentou do outro lado. Era incrível (e um pouco absurdo) que seus pais conseguissem detectar qualquer pequena mudança no humor de Harry.

— Quando será que minha carta de Hogwarts vai chegar?

— Oh! — Lily sorriu. — Não precisa se preocupar, meu amor. Ela estará aqui em breve. 

— É claro — concordou James. — Se tem algo de que tenho certeza, é que você vai para Hogwarts, garotão.

Harry sorriu e fechou os olhos.

Tinha a sensação estranha de que só havia dormido alguns minutos, mas quando acordou de novo estava escuro, a luz do poste de luz na calçada sendo a única claridade no breu de seu quarto.

Por que ele havia acordado? Tivera um sono sem sonhos, tranquilo, mesmo com o latejar que sentia nas pernas e nos braços pelo dia de diversão. Então...

BUM.

A casa estremeceu.