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Pizza e Wasabi

Summary:

Stilleto acabou de chegar do trabalho e está cansada, sem muito animo ela se levanta para por comida par a sua petzinha, mas para o seu desespero, Devon mandou uma mensagem. Será que ela perderá o emprego novamente? Será que ela foi antiprofissional em algum momento, mesmo se esforçando tanto? Ou será que ela deixou algo passar?

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Cansada e com fome, era assim que Stilleto se sentia.
Mas ela não tinha animo pra nada específico além de tirar a roupa do corpo e se jogar na cama, assim ela subiu para o quarto sem nada demais em mente.
No quarto, fez exatamente isso e se jogou na cama sentada olhando-se no espelho em frente a sua cama.
O cabelo pintado de roxo continuava ali, mas agora sem as roupas que a cobriam mais ela podia ver suas tatuagens todas ali apesar de não vê-las com mais frequência do que gostaria. Ossos do oficio, é o que diria se estivesse louca o suficiente para falar sozinha.
Ou talvez estivesse:
- Quem mandou se mandada embora, otária. – Disse apontando para seu reflexo triste depressivo demais para se olhar mais, se jogou na cama. Cansada. Com fome. Triste. Estava decepcionada consigo mesma por ter sido demitida por algo tão idiota quanto por... tatuagens. – O que eles disseram? – Rastejou pela cama de modo que daquela forma conseguia ver o terrário iluminado. – Algo como “você deveria ter uma postura mais formal... e é por isso que estamos te mandando para a casa da sua mãe sem mais nem menos, sentiríamos muito se tivéssemos coração, mas não temos. Por favor não reclamar demais no nosso RH, obrigada!”, né, Wasabi?
A tartaruguinha em seu terrário se remexeu, Wasabi tinha grande personalidade e achava graça da maior parte das reclamações de Stilleto, mas naquele instante ela não quis saber das reclamações da mãe e apenas de sua comida, já que a irmã mais nova de Stilleto havia se esquecido de alimentar Wasabi.
Stilleto se lembrou da mensagem que Tasha mandou e se remexeu na cama.
- É verdade... eu tenho que pegar algo pra você comer. Só... me dá 3 minutinhos, tá... minha rainha da cocada verde...
Depois de algum tempo mimindo, ela se espreguiçou, porém viu que poucos minutos haviam se passado, realmente um cochilo. Stilleto olhou com raiva para o terrário de Wasabi, poderes da rainha Wasabi, ela tinha certeza.
Wasabi tinha poderes, e um deles era acordar Stilleto, com o poder da mente, para alimentá-la.
Depois de alguns segundos encarando com raiva o terrário enquanto Wasabi piscava pacificamente em direção a dona, Stilleto decidiu se levantar e fazer a vontade de vossa deidade Wasabi, antes que ela lançasse uma maldição de insônia sobre ela.
- Tanto faz, isso ia acontecer mesmo. Confia muito pouco em mim, filha.
Caminhou até a gaveta mais próxima e pegou uma blusa apenas para não ter que ouvir a mãe reclamando de ela estar pelada pela casa, caso ela chegasse do nada com Tasha.
Passou os cabelos para trás e disse:
- Quer apostar quanto que elas só voltam de madrugada porque minha mãe arrastou Tasha para alguma reuniãozinha tarde. O que, Wasabi? Eu deveria dizer para a mamãe que a Tasha só aceita ir porque eles servem bebida para ela, mesmo ela não tendo idade para beber? Ah, eu não vou estragar o barato dela... fazia a mesma coisa na idade dela... ai de você contar pra minha mãe, viu, Wasabi! Te deixou sem sua salada de frutas e te coloco pra comer só alface por uma semana! Falando em comida...
Pegou o celular, ali tinha uma mensagem do Devon…
“Stilleto, venha me ver antes do trabalho, tem algo que quero conversar com vc.”
...
Arrastou para o lado e fingiu que não tinha visto.
- Vou pedir uma pizza.
Entrou no app de comida, e foi no automático, não queria pensar.
Não estava pronta para se sentir tão inútil ao ponto de ser demitida no segundo emprego em um período tão curto de tempo. Entre tantas opções de pizzas ela refez o histórico de tudo que fez desde que chegou na Denementiel.
Foi educada, não se intrometeu em nada, só fez o que a mandaram e tentou fazer o mais perfeito possível então... por quê…?
Quando deu por si mesma já havia finalizado o pedido, jogando o celular para o lado. Um vazio. Mas ela não poderia chorar, não ali na frente de Wasabi.
- É... já pedi... vou lá pegar algo pra você, já volto, Wasabi.
Saiu do quarto querendo sair de perto do olhar julgador e inquisidor da sua tartaruga, assim que fechou a porta e deu alguns passos deslizou as costas pela parede e pensou: Devon.
Fudeu, fudeu, fudeu, fudeu, fudeu!
FUDEU.
Ele acha que dei em cima dele, mas eu meio que dei... ai, caralho, buceta! Eu to fudida! Como vou explicar para minha mãe que eu fui demitida porque eu dei em cima do meu chefe???! Mas foi se quereeeeeeee, eu não tive a intenção! Eu juro! Deus Wasabi, me perdoe! Eu errei! Eu errei, eu reconheço que errei! Que não deveria ter batido o olho no meu CHEFE e ter dito mentalmente: meu deus, que gostoso, acho que quero sentar na sua cara! Erro meu! Fui moleque! Faça sua mágica! Eu não posso ser demitida! É muito desgosto para toda essa grande história de filhas adotivas que são brilhantes e tal!
Esse pensamento fez lágrimas brotarem no canto de seus olhos, ela se encolheu e um casulo nostálgico e triste, apertando as unhas no joelho enquanto fingia que não estava prestes a chorar.
Não posso ser um desgosto para minha mãe... não para essa...
Quando chegou muito perto de chorar, ela secou as lágriminhas que brotaram nos seus olhos heterocromáticos, respirou fundo até que aquele nó na garganta quase tivesse deixado de existir e deu risada alta e histérica.
Tá, foda-se. Sabe o que eu posso fazer sobre o Devon (meu chefe particularmente gostoso que acabou de me contratar apenas porque eu sou filha da minha mãe) querer conversar comigo amanhã? Exatamente! Nada! Ou seja, até amanhã: foda-se. E se amanhã eu for demitida: foda-se. Eu tentei. Chorarei? Chorarei. Me sentirei uma puta inútil? Com toda certeza. Mas só me sentirei uma puta inútil se eu for demitida, eu não to demitida agora. Ou seja, agora, nesse exato momento, eu não sou uma puta inútil. Eu sou uma pessoa muito próxima de receber ameaça divina da Deus Wasabi.
E isso já é aterrorizante o suficiente.
Foi assim, mais tranquila, que ela desceu as escadas e foi até a cozinha picar uma saladinha para que Wasabi se mantivesse verdinha. E também procurou algo para beliscar na geladeira.
A campainha tocou e ela pensou: pizza!
E é ai que tudo ficou estranho… mas Stilleto não notou. Apenas deixou o potinho para Wasabi em cima do balcão e caminhou até a porta.
Esperando apenas uma pizza, ela encontrou algo melhor: um Devon com pizzas!
- Stilleto.

Ela estava quase fechando a porta na cara dele quando ele colocou o pé entre o batente e a porta.
- Ei, que isso?! Stilleto! Sou eu.
- Desculpa eu não pronta para chorar agora e ser uma puta patética, quero dizer, inutil, quero dizer… Devon! O que ta fazendo aqui?
- … eu… pensei que seria legal comer pizza com você enquanto a gente conversa. - Disse um tanto atônito apontando para as pizzas, ele tinha um sorriso bonito antes da ação de Stilleto, mas agora ele parecia confuso com a atitude dela, mas ela estava surtando demais por dentro para notar as nuances que uma conversa pode ter.
- Ah, que legal que você é simpático com alguém até na hora de demitir alguém… - A sinceridade saía antes que ela processasse o que estava dizendo.
- O que?
- Nada não… então, o que você queria dizer pra mim?
Foi estranho para Devon ver Stilleto, que geralmente não leva nada a sério demais, estar tão séria naquele momento, além de que ele esperava que ela o convidasse para entrar, mas ela obviamente não estava disposta a recebê-lo. Com leves notas de melancolia se formando no rosto bonito dela, era de pesar o coração não ver nem sinal de uma sorriso tímido, tão típico da personalidade da Stilleto.
- Hã, bem… eu queria te dizer… só… relaxa.

- Que?
- Sua mãe… quando você foi demitida, sua mãe reclamou muito do motivo… para mim. E desde que você apareceu lá eu vi que você simplesmente sempre está vestida de maneira taaao formal. Eu deveria ter reparado que não era apenas porque você é novata, mas por medo de ser demitida. Sinto muito. E eu pensei que deveria te esclarecer com… pizza que não vou te demitir por você ter tatuagens. Entende… Stilleto?
As lágrimas haviam voltado, ou quase, ela realmente estava quase chorando. Ela olhou para dentro de casa tentando não quase chorar novamente. Quão imatura e infantil era?
- Eu… sinto muito por tudo isso… - Engoliu em seco, mas deixou sua face relaxar. - Eu não deveria ter pensado isso de você. Você é bem mais de boa e…
- Não, tá tudo bem. Nao é fácil perder o emprego de uma hora para outra e por um motivo tão idiota. Juro para você que pode tatuar quantos pokémons quiser, eu não vou te demitir por isso.
Ela reparou e olhou para o braço amostra, ali estava um psyduck e um squirtle de óculos escuros e bracinhos cruzados.

Ela olhou para ele mordendo o lábio, feliz, com vontade de rir e de chorar, mas não agiria assim, não na frente dele. Entre estar feliz, não queria demonstrar estar feliz demais. Devon era realmente de boa…, mas ainda era seu chefe.
- Obrigada, Devon.
- Não há de quê.
- … Na verdade… eu tava pensando… qual seria o motivo para você querer me demitir… digo, nao mostrei as minhas tatuagens, entao…
- Eu imagino o porquê.
- Imagina?
- Bem, eu tenho alguns motivos para te demitir…
- Pera, que?! - Estava tudo tão bem… como do nada deixou de estar, de novo?!
- Primeiro, você quer sentar no chefe.
- Eu… pera, como? Hã?!
Sem dúvida há muitas coisas estranhas no mundo.
Eventos quase inexplicáveis.
Mas esse era um daqueles que realmente não se explicava.
Como ela estava atendendo a porta, mas agora estava deitada com o Devon por cima de si mesma quando havia apenas piscado os olhos?
Talvez esse homem tenha levado Stiletto à loucura... não pergunte se ela não gostou, ela vai transcender em cores, um verdadeiro círculo cromático. Mas não vai responder o obvio: que sim. Que ela subconscientemente esperava, torcia que aquilo ocorresse em algum momento. Estava mesmo acontecendo?
Não.
É o Devon.
Não que ela fosse tão pouca merda assim, mas... não era da sua personalidade. Ele era sério, centrado, profissional. Vir à casa de uma de suas empregadas e tacá-la na cama, por mais que ela muito o agradecesse por isso..., não era normal!
- É... o que?
Ela havia transcendido em cores e em pensamento. Apenas segundos depois de uma minuciosa análise percebeu que ele a encarava achando graça de sua expressão. Parecia que ele lia em seu rosto: espera, eu não to preparada pra isso, me dá uns segundinhos pra minha pressão voltar. E ria silenciosamente.
Stilleto olhava para o nada pensando se suas orações para Wasabi haviam sido finalmente atendidas ou que foi uma muito boa feitora aos pobres para receber tal benção!
Tomou coragem e olhou para cima.
Ele... é mais bonito de perto. Talvez o ângulo de estar jogada na minha cama com a luz do terrário de Wasabi valorizava sua pele negra e desce mais brilho aos olhos claros. Às vezes, realmente não é o que você quer, é o que você precisa. Que nem na musica da macumbeira da Princesa e o Sapo. Eu preciso de Devon e pizza, eu quero... sentar nele. ... como eu peço licença só pra tirar a Wasabi do quarto...?
- Não se anime tanto.
- ... eu?
- Seja menos óbvia.
- Já me disseram isso... nunca consegui, sinto muito.
- Não vai sentar no seu chefe. – Stilleto admirou como Devon podia falar algo em um tom tão normal e brochante, mas que a fez sentir mais tesão. Parabéns, grande habilidade.
- ... eu não sei se to me importando em cometer crimes...
- Não. Você é uma pecadora.
- ... é o que?
- Sim. – Ele retirou os braços que estavam no colchão e se sentou com os joelhos dobrados.
- Eu... não sabia que você era religioso.
- O que você fez foi grave.
- ...
De onde veio a caixa de pizza de novo, ela não saberia dizer, ele muito sério retirou a tampa e fez uma pose muito exagerada. Seus óculos brilharam com um reflexo branco que a fazia não conseguir ver seus olhos.
- Seu crime... – Disse com uma voz muito grave. – PIZZA DE WASABI!
Uma pizza muito bonita brilhando dourado, porém cheia de wasabi...
- ...
Olhou para o terrário de Wasabi.
A tartaruguinha estava flutuando no ar com um brilho dourado ao seu redor, com os olhos fechados em posição de lótus, até onde suas perninhas poderiam ir, é claro.
Ela abriu os olhos brilhantes e sem pupila e abriu a boca fazendo soar:
WASABI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Wasabi... – Ela abriu os olhos. Esteve sonhando... olhou para o terrário, Wasabi a olhava com um ar sádico de: você é uma vergonha.
Se levantou, fez uma salada para Wasabi, colocou no terrário. Se deitou, pegou o celular, sem mensagem.
Sem mensagem, sem conversa, sem pizza, sem pizza de Wasabi ou de wasabi e sem Devon na sua cama.
Olhou na direção de Wasabi como se pedisse permissão para dormir com a garantia que não teria sonhos estranhos dessa vez, Wasabi continuou a comer, mas piscou em sua direção.
Ela poderia dormir dessa vez... sem mensagem, sem pizza, sem Devon na sua cama... ela poderia lidar com isso. Feliz por tudo ter sido um sonho, triste por TUDO ter sido um sonho.
...
Quem sabe algum dia...
- PUTA QUE PARIU O QUE EU TO PENSANDO?!

Notes:

Isso aqui foi com certeza um surto da minha parte, mas por favor aceite.