Work Text:
Albedo correu e agarrou os ombros daquele outro homem, o puxando para um abraço forte e caloroso, um contraste bastante óbvio com o constante clima gelado pelo qual Albedo passava morando naquela montanha. Ele enrolou seus braços no pescoço do Viajante, o envolvendo e cerrando os olhos com força. Suas mãos tremiam um pouco, e por um momento ele não conseguia pensar em mais nada além de estar nos braços daquele rapaz
O homem deu uma risadinha e devolveu o abraço, respirando suavemente em seu pescoço. Albedo conseguia sentir os cílios alheios roçando levemente em sua pele, e as mãos enluvadas que deslizaram da sua cintura até suas costas, o abraçando tão forte quanto ele mesmo tinha feito.
“...Eu senti sua falta.” Albedo disse após um tempo de silêncio confortável. “Muito.”
O Viajante riu, “Eu também!” Ele o respondeu com um sorriso em sua voz, “Muito. Demais. Desculpe ter demorado tanto.”
Albedo fungou, porque o frio junto das emoções fortes de reencontrar aquela pessoa parecia deixar seu corpo mais frágil. “Não tem problema. O importante é que você voltou.”
"Eu senti falta…” Ele disse baixinho. “...do seu abraço.”
O homem dizia aquelas palavras com tanta facilidade, com tanta naturalidade, que fazia o coração de Albedo parecer leve como um floco de neve. Ele sussurrou em seu ouvido, mas o ambiente em volta estava tão silencioso que sua voz parecia ecoar em cada canto da cabeça de Albedo, como uma melodia muito perdida no meio das memórias borradas que ele carregava.
Albedo bruscamente se afastou do abraço, ainda segurando nos ombros daquele homem. Ele encarou seu rosto, seu cabelo loiro amarrado numa trança enorme, sua pele branca e perfeita ao toque, seus lábios bonitos e sorridentes...
E seus olhos. Seus olhos dourados e brilhantes, que o lembravam do céu e do inferno ao mesmo tempo. Mais dourados que as mais belas árvores de outono que Albedo teve um dia o prazer de pintar, e mais profundos que o céu e as estrelas acima deles nesse exato momento.
Era esse o cheiro do seu Viajante, aliás - o cheiro das estrelas e do universo, o cheiro de curiosidade e luz, e ao mesmo tempo o cheiro de milhares de lugares desconhecidos. Seus olhos emanavam essa impressão de que ele já havia vivido tanto, visto tanto, e ao mesmo tempo, nunca ter visto nada. É como se o mundo parasse à volta deles, deixando Albedo apenas observar cada traço do rosto daquele homem.
Arcontes, ele queria beijar cada canto daquele viajante .
Ele fechou os olhos, aproximando seu próprio rosto do daquele rapaz. A sua mão enluvada repousou em sua bochecha, fazendo um carinho leve enquanto a distância ia diminuindo cada vez mais. Quando eles estavam prestes a tocar seus lábios...
Albedo abre os olhos, com um baque.
Ele encarou o teto do seu apartamento, sentindo as costas geladas no chão duro. Foi tudo um sonho. E ele tinha acordado no pior momento para se acordar.
Albedo aperta os olhos, sentindo a cabeça completamente tonta. Viajante… quem era esse…?
Ele se levantou rápido, esfregando o rosto enquanto agarrava um casaco no cabide mais próximo. Seus olhos estavam apenas entreabertos enquanto sentiu uma vertigem típica, mas ele não podia se deixar perder aquele rosto.
Ele se moveu até a escrivaninha, ligando o abajur e puxando um lápis do porta lápis ao lado. Albedo abriu o caderno de esboço a sua frente começando a trabalhar.
Ele não podia perder aquele rosto, ele não podia perder aquele sentimento. Foi tudo… tudo tão real. Cada emoção, cada ação, parecia que ele já tinha vivido aquilo uma vez. Parecia que aquele homem significava muito pra ele. Albedo definitivamente não podia perder isso.
Então ele começou a riscar, cada traço completamente imprevisível, completamente sem sentido. Completamente…
Albedo não fazia a mínima ideia. Mas ele continuou desenhando, até o sol nascer e sua mente se encher de sonhos que ele simplesmente não conseguia compreender. Até que adormeceu novamente, com um rosto em mente que não conseguia mais distinguir entre ficção e realidade.
