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Eu posso ver a dúvida em seus olhos
Você diz que não há tal coisa como melhores coisas da vida. - PVRIS
Isabella sempre agradeceu pelo clã de Tanya ser discreto. Um clã que ela sabia que nunca precisaria encontrar no campo de batalha.
Então por quê? Por que ela precisava servir de testemunha para a loucura que os Cullen tinham feito?
O sussurro de que uma criança imortal foi criada, chocou demais o mundo vampírico.
Os reis ordenaram que a guarda fosse enviada para resolver a situação.
A justiça deveria ser aplicada.
Carlisle tinha um exército ao lado dele, com criaturas sobrenaturais em forma de lobos gigantes, como isso não era um desafio à sentença que eles receberam?
A campina aberta estava forrada em neve, e mais dela caia conforme o tempo passava.
“Vejo que vai tornar as coisas mais difíceis Carlisle.”
O líder dos Cullen deu alguns passos à frente da linha de defesa.
“Não queremos uma guerra Jane, só gostaríamos que nos ouvissem antes de agir.”
Um rosnado saiu do peito de Isabella.
Seu vampiro queria despedaçar Carlisle.
“Você tem um exército ao seu lado, qual a necessidade de um, se lutar não é a sua escolha?!”
O burburinho começou entre os executores que eles trouxeram, toda a guarda não poderia ser enviada para longe de Volterra. Eles ainda precisavam garantir a segurança dos reis e da cidade.
Por isso, Caius enviou ela, Jane, Félix e Demetri.
Jane causava dano à distância, logo, ela precisava de proteção na retaguarda. Dois dos melhores lutadores serviriam nesse propósito.
Isabella foi requisitada porque com seu escudo, ela poderia neutralizar qualquer dom que o inimigo tivesse.
Um trunfo que os reis não hesitaram em usar.
Com os executores que Aro destacou, eles tinham vinte vampiros ao lado deles.
“Principalmente por sua culpa, Isabella. Você é um escudo mental, e uma excelente lutadora pelo que soube.” respondeu o líder dos Cullen, e porta voz de todos os vampiros reunidos ao seu redor.
Apenas uma pessoa saberia o suficiente sobre ela do lado inimigo.
Seus olhos não iriam para Tanya, ela não se deixaria desviar do seu trabalho.
Ela. Não. Pode.
Seu coração estava ferido pela traição. Mas ela poderia culpar a outra mulher? Não.
Porque ela a traiu primeiro, escolhendo os Volturi ao invés dela.
Negando-se a aceitar o vínculo que existe entre elas.
Um dia essa decisão pesaria na sua consciência.
Alice relaxou do outro lado da campina. A vidente sabia.
Isabella tinha tomado sua decisão.
“Vamos ouvir vocês.”
xXx
Depois de uma ligação para Aro, ficou decidido que a criança imortal, era na verdade um híbrido.
Mais humano do que vampiro.
Os Cullen não pagariam por um crime que não cometeram.
Os vampiros do seu clã já tinham ido embora. Deixando-a sozinha na campina.
Eles não tinham porque se preocupar.
Isabella se aproximou dos Cullen despreocupadamente. Suas botas pretas rangendo sob a camada fofa de neve.
Os lobos rosnaram em sua direção, estalando suas mandíbulas com caninos gigantes.
Isabella ignorou.
“Você sabia o que estava fazendo, Alice?”
A pequena vampira estava sorrindo nos braços do marido, Jasper.
“Quando eu fui até Tanya?” perguntou ela confusa, “Foi uma última cartada final. Tudo dependia de quais guardas Aro enviaria. Mas no único cenário onde não existiria uma batalha, era no futuro onde vocês duas estivessem aqui.”
Humpf.
Era muito fácil se preparar para um combate sabendo a formação do inimigo. Aro não era ganancioso por querer que Alice se juntasse à guarda. Ele era esperto.
Alice tinha um poder imensurável.
Alguém pigarreou do seu lado, Carlisle Cullen.
O último homem que ela gostaria de conversar agora.
“Obrigado, por nos ouvir.” disse ele, sua voz comedida apesar da emoção.
Não era todo dia que você recebia uma visita da guarda dos Volturi e saia sem um arranhão.
Ela não dava a mínima para o híbrido ou o que quer que fosse aquela aberração.
“Deixe-me ser clara com você Carlisle, eu não fiz isso pela sua família.”
Isabella apontou para Tanya, que estava rindo com suas irmãs. Ela conhecia o clã Denali mas ela não reconheceu o outro homem que estava com elas. A julgar pelas mãos unidas, Kate deve ter encontrado seu par. Finalmente.
“Eu fiz por ela .”
Um companheiro é incapaz de ir contra a sua outra metade. É fisicamente impossível.
Alice Cullen jogou bem ao presumir que o vínculo a deixaria cautelosa a ir direto para o ataque.
Isabella se aproximou até ficar perto do ouvido de Carlisle.
Sua respiração saía em fumaças.
“ Essa é a primeira e última vez que vou permitir esse absurdo. ” Sua voz era um sussurro em latim antigo.
“ Coloque Tanya em perigo, ou contra mim novamente, e eu queimarei tudo o que você conhece e ama .”
Isso não era um aviso, nem uma ameaça. Era uma promessa.
Alice assistiu essa troca com interesse, mas ela não poderia saber sobre o que eles falaram. O latim antigo era uma idioma que eles aprendiam dentro dos muros de Volterra.
Carlisle assentiu rigidamente e seguiu seu caminho para falar com um de seus amigos.
Ela finalmente se permitiu virar na direção da única pessoa que importava para ela.
Tatyana. Tanya.
Qualquer que fosse o nome que ela assumisse, nunca mudaria o que ela significava para Isabella.
Ela suspirou, seus ombros caindo um pouco.
Isabella era uma das vampiras mais poderosas da guarda e mesmo assim, quando se tratava de Tanya, parecia que ela não tinha habilidade nenhuma.
Bom, seria errado ir embora sem falar com ela.
Suas pernas seguiram seus instintos, e não demorou para que ela alcançasse o clã Denali.
Eleazar a reconheceu primeiro, lhe dando um aceno amigável com a cabeça, o único que talvez entendesse como era estar nessa situação.
Ou não , porque ele pediu para sair quando conheceu Carmen.
“Isabella.” cumprimentou o ex Volturi, chamando a atenção para sua chegada.
O homem que estava com Kate quase pulou de susto, seus olhos se arregalaram. A julgar pela coloração mesclada, ele era um bebedor humano em transição.
É claro que Kate seria emparelhada com um idiota.
“Como você chegou tão furtivamente aqui? Eu não notaria sua presença se não fosse Eleazar anunciando.”
Isabella revirou os olhos e apontou para a insígnia no seu pescoço. A letra V dourada e enrolada ao redor de um rubi vermelho, era além de um mero adorno decorativo.
Era a representação visual da sua posição dentro do clã italiano.
“Eu provavelmente sirvo aos Volturi a mais tempo do que você existe, garoto .”
Kate grunhiu para ela.
Ótimo .
Ela não queria importunar o possível novo integrante do clã.
Mas ela também não se rebaixaria ao ponto de pedir desculpas.
O outro vampiro riu, levando na brincadeira, e estendeu a mão.
“Garrett, nômade, mas talvez eu entre para o clã de Tanya.”
Isabella assentiu e cumprimentou o rapaz.
“Isabella, Volturi, mas acho que isso ficou claro. Nós quase lutamos hoje.”
Garrett abriu um sorriso de canto antes de ousar dizer a frase mais estúpida que ela ouviu em muito tempo.
“Nós poderíamos lutar agora se você não estivesse com tanto medo de perder.”
Pelo canto do olho ela viu Irina batendo a mão na testa. Idiota .
“Garrett não é? Vou deixar passar porque você é novo na família.”
Ela soltou suas mãos.
“Mas da próxima, eu te dou uma surra.”
“Eu adoraria” respondeu ele, com uma reverência mal feita.
Garrett era estúpido e sem senso de sobrevivência. Isabella se daria bem com ele.
Mas este não era o clã dela, era?
Uma mão no seu ombro a lembrou do lugar em que ela estava. Apenas uma pessoa ousaria tocar nela desse jeito, apenas uma pessoa poderia passar pelos séculos de memória muscular de seu treinamento na guarda.
A única pelo qual seu corpo e alma ansiavam. E nunca a veriam como uma ameaça.
Isabella conseguiria? Conseguiria virar para o lado e não dizer que ela se arrependia de todas as decisões estúpidas que ela já teve durante esses anos? De engolir todas as emoções que lutavam desesperadamente para subir a superfície e destruir todos os muros que ela construiu com sangue e dor? Ela poderia? Olhar nos olhos da mulher que ela amava e perguntar a frase que sempre ficava engasgada na sua garganta?
“Deixem-nos” foi o pedido suave de Tanya.
Sua família não hesitou, acatando tanto o pedido da irmã quanto a ordem indireta da sua líder.
A neve tinha parado de cair.
Isabella puxou coragem de onde ela não tinha para olhar para Tanya.
Ela continuava a vampira deslumbrante que Isabella encontrou em uma época mais fácil das suas vidas imortais.
“Você pediu muito de mim hoje.” não era assim que ela gostaria de começar esta conversa, mas estava difícil levantar os seus muros perto de Tanya.
Ela sempre a desarmou com tão pouco.
“Eu nunca pedi nada de você, eu sempre entreguei na verdade, seja o meu corpo ou meu coração para você.”
Era por isso que sua mente pedia para ela fugir de Tanya. Ela sempre falava o que ela não queria ouvir.
Ou ela queria ouvir?
Saber que Tanya ainda a queria, ainda a esperava mesmo depois de tantos anos?
Seu rosto foi segurado gentilmente e Isabella não lutou quando Tanya a puxou para si.
Suas testas se tocando.
“Algo mudou.” murmurou ela.
“Nada mudou.” foi a defesa mais fraca que ela usou.
Tanya ronronou, um som que vinha de dentro. Feito para acalmar.
“Eu vejo a dúvida nos seus olhos.” reafirmou ela.
Seus dedos faziam movimentos circulares na bochecha de Isabella. Ignorando qualquer decoro que ela deveria ter ao estar na presença de um Volturi.
“Eu aceitei o ultimato que Aro lhe fez porque você nunca pareceu se arrepender da sua decisão.” começou ela, confidenciando um segredo a muito tempo enterrado.
“Eu ou a família .” sua voz não escondia o sarcasmo que escorria das suas palavras.
“ Sua família sou eu , você nunca estará completa enquanto estiver com eles. Sua felicidade jamais será plena. Assim como a minha nunca será o bastante sem você ao meu lado.”
Ela odiava que Tanya soasse tão apaixonada. Tão decidida a lutar por um futuro com ela.
“Eu aceitei ficar longe de você porque achei que um dia você se arrependeria. Eu não sabia quando, mas eu me agarrei com todas as forças que esse dia chegaria. E eu acho…” sussurrou ela, sua voz tremendo de emoção no final.
“Que esse dia chegou.”
