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O milagre mexicano

Summary:

"Bagi só queria uma coisa no seu último ano do Ensino Médio: ir com a sua linda namorada Tina ao baile de formatura e terem uma última noite perfeita antes de elas irem para suas faculdades, cada uma em uma cidade diferente. O único obstáculo é que seus pais só deixariam ela ir se sua irmã Celline também fosse, porém Celline preferia a morte do que ir em uma festa da escola."

Work Text:

Bagi só queria uma coisa no seu último ano do Ensino Médio: ir com a sua linda namorada Tina ao baile de formatura e terem uma última noite perfeita antes de elas irem para suas faculdades, cada uma em uma cidade diferente. O único obstáculo é que seus pais só deixariam ela ir se sua irmã Celline também fosse, porém Celline preferia a morte do que ir em uma festa da escola.

— Por favor, Cell, chama algum amigo e vai ou vai sozinha mesmo, mas por favor, vamos no baile! - Bagi vinha implorando para Cell na última semana, mas sua irmã estava irredutível.

— Nem pensar Bagi. Na nossa escola só tem gente insuportável, se dependesse de mim, nem nas aulas eu iria mais. Eu só quero distância desse povo. Convence a mãe a deixar você ir com a Tina, mas não conta comigo nessa. Eu sofri demais com esse povo me atazanando nos últimos anos para querer ir em uma festa com eles.

— A festa é em dois meses Cell. Pensa com carinho, por favor, pela sua irmãzinha - Choramingou Bagi, fazendo uma cara de coitadinha para Cell.

— Boa tentativa irmãzinha, mas é mais garantido você convencer a mãe do que me convencer a ir. 

Bagi saiu do quarto que elas compartilhavam, já digitando em seu celular. Provavelmente estava mandando mensagens para Tina, dizendo que ainda não tinha certeza que iria ao baile.

Celline ficou no quarto olhando pro teto, se sentindo culpada. Ela costumava fazer de tudo pra proteger sua irmã, mas ir ao baile sozinha seria difícil demais, e ir com algum amigo só seria humilhante e faria os outros alunos atormentarem ela durante a festa. Bagi não conseguia entender os sentimentos de Cell, por que apesar de serem gêmeas idênticas, elas eram extremamente diferentes: Bagi era querida por todos, capitão de time de futebol, namorava a capitã das lideres de torcida. Já Cell era apenas uma nerd, que passava seus dias tirando fotos ou jogando xadrez com Phylza, o bibliotecário da escola.

— Desculpa irmãzinha, mas essa eu vou ficar devendo -- sussurrou Cell para si mesma, enquanto deitava na sua cama.

 

[...]

 

— Desculpa amor, mas acho que não vai rolar. - Bagi disse para Tina, com um ar de decepção em seu rosto. Elas estavam sentadas na grama do jardim da escola, vendo os cartazes sobre o baile que os alunos estão espalhando por ali. — Cell está sendo super teimosa, não quer ir de jeito nenhum. E minha mãe já avisou, eu só vou se ela for.

— Relaxa meu amor, a gente vai dar um jeito. Você acha que ela iria se alguém convidasse? Tipo um encontro?

— Provavelmente. Ela diz que não quer ir sozinha, mas que ir com amigos é muito humilhante.

— Então amor, ta ai sua resposta. Precisamos apenas apresentar alguém para a Cell que ela não consiga dizer não e nós vamos poder ir pra festa. Agora é só a gente achar alguém que aceite fazer isso pra gente.

Bagi começou a rir — Amor, acho que a Cell preferia morrer do que sair com alguém dessa escola. A sua ideia é boa, mas precisamos de um milagre para achar alguém por quem ela se interesse.

— Milagre eu não digo - disse Tina com um olhar travesso - mas Mouse me disse esses dias, que na próxima semana uma estudante vem fazer um intercâmbio de uns meses aqui com a gente. Ela está começando a carreira como modelo, mas pretende estudar psicologia aqui no Brasil no próximo ano, então está vindo para cá aprender portugues.

— Então a sua esperança está em uma modelo mexicana chegar no Brasil, se encantar pela nerd da minha irmã e chamar ela para ir ao baile, tudo isso em dois meses?

— Bom, pelo menos eu tenho um plano, já você só está reclamando pelos cantos. - Tina deu um beijinho leve na bochecha da namorada - Minha aula começa em 5 minutos amor, preciso ir. Te amo!

 

[...]

 

Melissa chegou na escola três dias depois. Ela ainda não tinha feito muitas amizades, apenas algumas garotas como Tina, Bagi, Jaiden, Mouse - todas participavam de atividades esportivas na escola, e eram o Breakfast Club - o clube que recepcionava os novos alunos na escola.Melissa chamava bastante atenção pelos corredores, afinal, não era todo dia que alguém vinha fazer intercâmbio, principalmente alguém bonita como ela. 

Tudo que ela queria era um pouco de sossego, então decidiu ir sentar um pouco no jardim da escola, ao lado da biblioteca.

Chegando lá, encontrou um banco na área mais afastada, ao lado do jardim de amarantos. Ela jogou sua mochila no banco e se abaixou para cheirar os amarantos.

— Por favor, não se mexe! - Alguém disse isso bem atrás dela.

— Ai meu deus, tem um bicho em mim? Uma cobra vai sair das flores e me atacar.

— Não, nada disso - a voz disse, enquanto dava uma risada gostosa e Melissa ouvia o clique de uma máquina fotográfica - É só que a luz estava perfeita e eu não podia perder a chance.

Melissa se virou para brigar com a garota, mas ao olhar para o rosto dela, só conseguiu sorrir.

— Espero que eu quase morra de coração tenha valido a pena para você!

— Acho que valeu sim, algo me diz que essa foto vai ficar perfeita.

— Como assim acha? Sua câmera não mostra a foto?

— Não, é uma câmera antiga, tenho que revelar. Eu tenho um estúdio em casa, então devo fazer isso mais tarde.

— Hum…está me chamando para um encontro Gatinha? - Melissa disse olhando atentamente nos olhos azuis escuros de Cell. Nesse momento o rosto da brasileira ficou um pimentão de tão vermelho e ela apenas começou a gaguejar.

— Quem? Eu? Não! Jamais. Quer dizer, talvez? Você aceitaria?

Agora foi a vez da Melissa dar uma risada gostosa.

— Se isso for um convite, é claro que eu aceito. Te encontro na saída?

— Sim, é claro. Até mais…Guapita.

— Até mais tarde, Gatinha.

 

[...]

 

Bagi ainda estava incrédula. Normalmente depois da aula ela ia para casa com sua irmã, de carona com os pais de Tina, já que moravam todos na mesma vizinhança. Mas hoje ela tinha recebido uma mensagem de Cell dizendo para ela ir com a namorada, já que ela iria tomar sorvete com Melissa e depois levaria a mexicana até a casa delas, para revelar uma foto.

E isso não era piada. Quase uma hora depois do horário habitual de chegada delas, ela viu Cell e Melissa vindo calmamente pela rua, de mãos dadas.

Bagi ficou olhando por uma fresta da janela a duas conversarem no jardim antes de entrarem na casa, e conseguiu ver quando Melissa puxou Cell pelo braço e deu um leve beijo nos lábios da irmã. Cell recuou um pouco e ficou olhando para Melissa com um olhar de interrogação, até respirar fundo, criar coragem e retribuir o beijo da mexicana.

Quando Bagi percebeu que Cell estava abrindo a porta para entrar, se jogou no sofá e fingiu que estava vendo TV esse tempo todo.

Após Cell passar por ela e levar Melissa para seu estúdio onde ela revelava as fotos, Bagi correu pegar seu celular e ligar para Tina

— Amor, acho que seu milagre realmente aconteceu. Algo me diz que com certeza vamos ao baile!

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