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Amnésia

Summary:

Desde o dia que o conheceu, quando fora visitar seu pai no trabalho, Hawks e ela se aproximaram e, cada vez mais, ele torna-se sua fortaleza, seu anjo da guarda e o lugar onde ela se permite desabafar suas frustrações. Sua mais necessária dose de amnésia.

Work Text:

Com as mãos mergulhadas em espuma, ela lavava os pratos. Suas pequenas mãos deslizavam suavemente pela louça branca, assim como as lágrimas mornas que lhe molhavam a pele do rosto.

Não queria chorar. Não queria se deixar levar pelo desastre que fora o jantar de família que, mais uma vez, ela tentou organizar e, mais uma vez, acabou em uma discussão onde seu pai e irmão trocavam farpas.

Estava exausta de tentar. Não parecia que todas aquelas tentativas chegariam em algum lugar. Mesmo assim, Fuyumi continuava tentando reconectar a família. Não suportaria ver todos se afastarem ainda mais.

Fechou a torneira, colocando o último prato no escorredor e enxugou as lágrimas que ainda ameaçavam ser derramadas. Ela olhou para a mesa de jantar e a sala, ambas vazias, e sentiu novamente vontade de chorar.

Ela então seguiu até seu quarto, ainda com as palavras agressivas de Natsuo ecoando em sua mente. Fuyumi não o culpava por agir daquela forma, como irmã ela sabia exatamente como ele se sentia, até porque sentia-se da mesma forma, apenas tentava esconder para que pudesse recomeçar como uma família de verdade.

Ainda absorta com seus pensamentos, seus pés alcançaram seu quarto e a brisa fria que entrava pela janela atingiu seu corpo fazendo os pelos se arrepiarem.

Seus olhos acinzentados e, novamente, marejados correram até as cortinas que dançavam ao vento. Fechou os olhos, suspirou pesado e, em pensamento, suplicou.

O nome dele lhe fugiu pelos lábios e, quando seus olhos foram abertos, como em passe de mágica, ele estava lá.

Seu anjo de asas vermelhas parecia sempre saber quando ela precisava de sua companhia. Não fazia ideia de como ele sabia, mas, sempre que ela desabava, ele surgia. Talvez, o simples fato de Endeavor vir para casa já lhe fosse um aviso que ela precisaria dele.

Toda vez ele surgia agachado sobre o parapeito da janela e a fitava sempre com um olhar tão acalentador e compreensível, palavras não eram necessárias.

Fuyumi escondeu-se nos braços do loiro, como sempre, e se permitiu desfazer-se em lágrimas. Não mais lágrimas doloridas, mas lágrimas de alívio. Com ele podia respirar mais tranquilamente.

Desde o dia que o conheceu, quando fora visitar seu pai no trabalho, Hawks e ela se aproximaram e, cada vez mais, ele tornava-se sua fortaleza, seu anjo da guarda e o lugar onde ela se permite desabafar suas frustrações. Sua mais necessária dose de amnésia.

Em seus braços ela era capaz de esquecer, esquecer os problemas do passado e as dificuldades do presente. Em seus braços ela sofria de amnésia e só sabia sonhar com o futuro.

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