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all my cards are here | Tradução

Summary:

Sirius esboçou um sorriso bem articulado, "Prazer em te conhecer, Remus." Sirius olhou para seus colegas de banda guardando seus equipamentos no carro de Potter, "Você por acaso conheceria um baixista?"

-

Banda Marotos AU - Quando os Marotos expulsam seu baixista, eles pedem que um bartender local Remus Lupin se junte a eles. Conforme a banda faz sucesso, Remus deve navegar em sua nova amizade com Sirius sob o olhar público.

Notes:

Avisos de gatilho durante toda a fic - descrições de abuso infantil passado, exposição de orientação sexual sem consentimento, homofobia internalizada, homofobia

Essa é a playlist da obra com todas as músicas inclusas nela:

playlist

Chapter 1: Bem-vindo aos Marotos

Chapter Text

"Não, Snape. Estamos cheios de você. Cai fora daqui, porra."

Remus havia acabado de sair do bar para fumar no beco. A banda que tocou mais cedo naquela noite estava guardando seus instrumentos e, aparentemente, expulsando o baixista deles.

"Vai se foder, Potter," o baixista de cabelo oleoso rebate, "Essa banda é uma merda de qualquer jeito."

Remus acende um cigarro e observa com vago interesse. A banda havia sido ótima. Eles tinham uma mistura de rock e indie, sem mencionar o baterista que era particularmente atraente. Mas agora a banda parecia estava em total desordem. Por quê? Remus não tinha ideia e não se importava. Ele não era pago para separar brigas.

"Seja lá o que você diga, Snivellus," disse o garoto de jaqueta de couro - o baterista, Remus se lembrou. "Você é um cuzão e um racista e se eu te ver de novo, vai ser cedo demais."

O baixista de cabelo oleoso deu um passo a frente em direção ao vocalista - Potter, Remus se lembrou dele dizendo - e Remus grunhiu internamente. Ele era um ótimo lutador, você tinha que ser quando se trabalhava em um bar como aquele, mas ele realmente não queria novos hematomas.

O tecladista, um loiro baixo, adentrou o beco e olhou entre seus colegas de banda. "O que está acontecendo, gente?"

"Estamos expulsando Snape," o homem de jaqueta de couro disse, "e ele está tentando enfiar seu nariz absurdamente grande na cara do Potter como se ele fosse capaz de aguentar um soco."

Snape se virou para ele, "E você sabe tudo sobre levar socos, não é, Black?"

"Vai se foder," ele disse com real malícia e levantou o punho.

"Ay!" Remus gritou do outro lado do beco, "Eu não quero ver nenhuma briga aqui. Guardem as suas coisas e saiam daqui." Os garotos olharam para ele. Nenhum deles pareceu notar que ele estava ali. Remus apenas encara de volta enquanto soprava a fumaça, "Eu não vou repetir."

O baixista - Snivellus, eles estavam o chamando - deu um passo para trás, cuspiu nos sapatos deles, e saiu furioso. Uma vez que ele havia saído do campo de visão deles, o resto da banda havia visivelmente relaxado.

"Porra," o garoto Potter disse enquanto se inclinava contra a parede, "O que nós vamos fazer?"

"Quem precisa dele? Estamos melhores sem ele," o homem de jaqueta de couro respondeu.

"Mas nós precisamos de um baixista," o garoto loiro disse finalmente.

Houve um momento de silêncio conforme eles pareciam estar quebrando a cabeça. Remus devia voltar para o trabalho a aquela altura, mas ele ficou sob a falsa pretensão de ter certeza de que eles não começariam outra briga.

"Eu posso perguntar a Lily se ela conhece alguém," Potter disse.

"Perguntar a Lily foi exatamente o que nos colocou nessa bagunça," O homem de jaqueta de couro suspirou e captou o olhar de Remus. "Hey," ele o chamou, "pode me dar um cigarro?"

Remus diria não, normalmente. Ele detestava falar com estranhos, mas algo sobre a banda havia o intrigado. Além do mais, o baterista havia ficado lindo debaixo das luzes do palco. "Sim, tudo bem," Remus respondeu.

O homem de jaqueta de couro sorriu e andou em direção a Remus. Remus enfiou a mão na jaqueta e tirou um cigarro e um isqueiro, estendendo o cigarro. O homem de jaqueta de couro ainda era de fato lindo, com cabelos negros longos e rebeldes, e olhos azuis brilhantes que deixava até o beco escuro um pouco mais iluminado. Remus ascendeu o isqueiro e observou conforme a chama laranja iluminava o rosto do estranho.

Então o estranho se inclina em direção a chama com o cigarro entre os dentes. A luz dançante captou as linhas afiadas de suas bochechas e o caos suave de seu cabelo. Então, o cigarro foi aceso e Remus tampou o isqueiro e o beco retornou a mesma escuridão e frio de alguns momentos atrás.

"Então, qual o seu nome?" o estranho pergunta. 

"Remus," ele responde. Houve um tempo em que ele teria ficado nervoso em estar tão próximo de um homem tão atraente, mas Remus havia trabalhado ali por tempo suficiente para saber que músicos eram idiotas narcisistas e ele imediatamente deixou de se importar com o que qualquer um deles pensava dele. Ainda assim, a mãe dele havia o criado para sempre ser educado, "e o seu?" ele diz depois de uma tragada.

"Sirius Orion Black," ele esboçou um sorrisinho, "baterista estrela da banda-em-breve-mundialmente-famosa Marotos."

Remus levanta uma sobrancelha, "Existem bateristas estrelas? Honestamente, não consigo pensar em um."

"Ringo Starr."

"Ele era um Beatle. Não conta."

"Travis Barker."

"Se eu perguntasse a uma mulher aleatória na rua quem Travis Barker foi, ela não seria capaz de dizer."

Sirius pareceu quase ofendido antes de ler o pequeno sorriso nos lábios de Remus. "Bem, então, Remus Sem-Sobrenome. Acho que terei que ser o primeiro."

Remus olha para ele. Ele realmente acreditava nisso, e a pior coisa era que, alguma parte de Remus também queria acreditar. "Lupin," Remus disse.

"O quê?"

"Esse é o meu nome. Remus John Lupin."

Sirius articulou outo sorrisinho, "Prazer em te conhecer, Remus." Sirius dá outra tragada em seu cigarro e olha para seus colegas de banda guardando seus equipamentos no carro do garoto Potter, "Você por acaso conheceria um baixista, ou não?"

O qual foi como, na manhã seguinte, Remus acabou pegando um trem para os subúrbios da cidade e andou 20 minutos para um depósito aparentemente abandonado. Ele teria dado meia volta se não fosse pelo fato de que 1) ele havia ouvido vozes cantando músicas muito familiares e 2) se Remus estivesse sendo honesto consigo mesmo, ele já havia tocado em piores. Maldição, ele já havia morado em lugares piores.

Ele entrou pela porta que mal estava em seus conformes e adentrou o cômodo vazio. Dentro, metade do teto havia desabado, as paredes estavam cobertas de grafite, e haviam garrafas estilhaçadas no chão. Talvez tivesse sido uma fábrica em algum ponto, mas parecia que ninguém ocupava o lugar há anos. Era genuinamente bem bonito, mas apenas da maneira como coisas despedaçadas são bonitas.

Os garotos estavam no meio de um ensaio quando o garoto Potter notou Remus e imediatamente largou sua guitarra, "Remus! você veio!"

Sirius ficou sentado atrás de sua bateria mas acenou para Remus. Ele havia renunciado a jaqueta de couro hoje por um top preto sem mangas e seu cabelo longo estava amarrado em um coque.

"Obrigado por fazer isso, cara," Potter disse a Remus. Ele estava falando muito rápido enquanto procurava por alguns papéis em sua bolsa. "Snape foi um idiota por ter saído daquele jeito, especialmente quando temos um show no final de semana."

"Pensei que você tinha expulsado o outro baixista?" Remus disse. Ele estava começando a perceber que ele não conhecia muito daquelas pessoas além daquela noite no bar.

"Bem, ele nos forçou a fazer isso. Não tenho muitas regras, amigo. Todos nós temos dias ruins, mas eu tenho um limite com intolerância," nisso, o garoto Potter olha para Remus direto nos olhos. Tudo o que Remus pôde fazer foi assentir. "Maravilha. Okay, então, a primeira música vai ser - "

"Espera," o tecladista loiro disse, Remus ainda não se lembrava do nome dele, "a gente não devia ter certeza de que ele sabe tocar, primeiro?"

Remus estava se fazendo a mesma pergunta, mas Sirius respondeu, "Amigo, haverão pessoas da indústria nesse show. Agentes de talento, produtores, pessoas que podem nos ajudar a chegar a algum lugar. Não temos tempo para achar outra pessoa. Tudo o que Remus tem que fazer é não ser horrível e nós podemos fazer o resto."

Os próximos vinte minutos foram gastos para aprender a música passo a passo. Remus pegou o jeito rápido, especialmente porque ele se lembrava da maior parte da noite passada, mas ele queria ter certeza de que sabia o que estava fazendo o tempo todo. James - o primeiro nome do garoto Potter - foi extremamente paciente com ele o tempo todo.

"Okay, acho que finalmente podemos juntar tudo," James disse. "Comece a contagem para nós, Sirius."

Sirius começou a contagem, iniciou as primeiras batidas e o cômodo todo explodiu em um mar de som. Remus mergulhou de cabeça. Fazia tanto tempo que ele não tocava com uma banda, ou pelo menos uma boa, e ele havia genuinamente sentido falta disso. A maneira como você podia se entregar para o ritmo completamente e focar apenas no som.

Na metade da música, James gritou, "Okay, Remus, solo do baixo!" e foi a vez de Remus de dar um show. James mal havia o preparado, dizendo simplesmente que ele fizesse qualquer coisa e o resto deles o seguiria. Remus decidiu que era hora de se exibir, tocando as linhas de baixo mais complexas que ele conhecia e tentando combinar a energia da bateria atrás dele. Sirius o seguiu perfeitamente.

Quando ele acabou, os garotos apenas pararam e o encaram. "Bem," Sirius disse, "Ele certamente não é horrível."

-

O show seria na Sexta a noite, o que requeria que Remus tivesse que implorar para um de seus colegas de trabalho para cobrir o turno dele e passar cada momento acordado que ele não estava trabalhando praticando com a banda.

Eles haviam caído em um ritmo fácil. Remus chegava para praticar às cinco da tarde, onde James estaria, inevitavelmente, escrevendo alguma música em seu diário e Peter estaria praticando silenciosamente em seu teclado com seus fones. Remus arrumava suas coisas e fazia aquecimentos básicos.

Sirius não chegava até às 5:15, porque, "Sirius Orion Black tem seu próprio tempo," o que Remus havia tomado conhecimento de que era apenas uma desculpa idiota para "Estou sempre atrasado e eu espero que todos vocês esperem por mim."

Então eles praticavam músicas até morrer até as 7 quando Remus tinha que se apressar para o bar para começar seu turno e ele trabalhava até 3:30 - 4 da manhã, ia para casa, e começava o dia mais uma vez. Era exaustivo, mas Remus gostava da banda e precisava do dinheiro.

A banda não era de falar muito; James os mantinha muito focados em aperfeiçoar as músicas. Mas Remus havia conseguido aprender um pouco sobre eles. James e Peter cresceram na mesma rua e se conheciam desde sempre. James e Sirius haviam se conhecido no internato e se tornaram inseparáveis desde então.

Também haviam coisas que Remus notou que eles não contavam para ele. Por exemplo, as notificações de Sirius estavam sempre apitando e ele tinha um número crescente de chupões em seu pescoço. James estava apaixonado por uma garota chamada Lily que não ligava para ele. Peter tinha ciúmes da amizade de Sirius e James, mas ele fazia seu melhor para não demonstrar.

Eles não haviam feito muitas perguntas para Remus, pelo qual Remus estava genuinamente grato. Remus sabia como ele era - alto com cabelo desgrenhado e cicatrizes o suficiente para fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de o contratar. A maioria das pessoas mantinha distância dele, o que Remus preferia comparado a uma avalanche de perguntas.

Nenhum dos Marotos mencionou isso para ele, mas ele sabia que eles estavam curiosos. Uma vez ele havia ouvido James sussurrar para Peter, "Eu não me importo em como eles as conseguiu. Ele é bom pra caramba no baixo e isso é tudo o que importa," e às vezes Remus pegava Sirius o encarando. Sempre que acontecia, Remus só levantava uma sobrancelha silenciosa e Sirius se voltava para sua bateria. Depois de viver com cicatrizes por tantos anos, Remus sabia como lidar com elas.

Quando a Sexta-Feira chega, Remus tinha certeza de que podia tocar as músicas dormindo. James havia mandado uma mensagem para ele com o endereço e a hora, mas Remus havia sido o último a chegar, até Sirius estava lá antes dele.

"Estou atrasado?" Remus pergunta enquanto se aproxima do palco onde eles estavam se instalando.

James olha para ele com um sorriso alegre, "Nem um pouco!"

"Sim, mas Sirius já está aqui."

"Ei!" Sirius exclamou de onde ele estava arrumando sua bateria. "Eu posso ser pontual."

"Só porque o James trouxe a gente de carro," Peter disse do seu teclado. Remus assente mas ele estava muito ciente dos dois trens e o ônibus que ele teve que pegar para chegar no local.

Remus caminha em direção ao seu canto do palco e começa a instalar seu baixo. Sirius estava aquecendo, tocando uma melodia que Remus reconheceu de uma das músicas. Peter estava de fones e estava essencialmente disperso do mundo. James estava andando pelo palco como se ele fosse competir pela medalha Olímpica de caminhada ansiosa.

"Jesus Cristo, Prongs. Eu consigo sentir esse seu estresse daqui," Sirius exclamou. "Senta e relaxa, porra."

"Isso é importante, Padfoot. Isso pode ser o começo de tudo."

Os apelidos estranhos de animais eram outra coisa que Remus havia notado. Prongs para Potter, Padfoot para Sirius, Wormtail para Peter. Isso, combinado com as milhões de outras vezes que os garotos mencionavam algum nome que conheciam ou uma piada interna do ensino médio, era como observar alguém fazendo planos sem você.

Os Marotos eram legais e faziam músicas ótimas, mas Remus não tinha ilusões. Ele só estava com eles até que eles pudessem encontrar alguém melhor.

"Ah, não," James disse de onde ele estava sentado de pernas cruzadas no palco.

"O quê?" Remus diz rapidamente. Ele olha em volta do palco. Todos os instrumentos estavam lá. Os amplificadores estavam instalados. Até a iluminação parecia estar funcionando.

"Lily vai vir hoje."

Sirius explodiu em uma gargalhada, "Sem pressão, amigo."

James percorreu uma mão por seu cabelo, "Porra, o que nós vamos fazer?"

"Nós não vamos só tocar o set¹?" Peter perguntou.

"Não, claro que não. Não podemos só tocar normal. É da Lily de quem estamos falando."

Sirius foi em direção a Remus e ficou atrás dele e sussurrou, "Uma vez Lily disse a James que ela preferia morrer, e eu faço essa citação, 'assistir a sua banda de merda se transformar em uma ilusão masculina narcisista que é performar.'"

Remus riu. Ele já gostava de Lily. "O que a fez mudar de ideia?" Remus sussurrou de volta.

"Não faço ideia," Sirius disse.

James estava ficando tonto. "Remus, o quão rápido você consegue aprender uma música?"

"Bem rápido," ele respondeu.

"Okay, pessoal. Descartem 'Only Losers Live Forever', vamos tocar 'This Side of Paradise.'"

"Absolutamente não," Sirius exclamou. "Nós não podemos mudar merda nenhum estando tão próximos do set, só porque a garota que você gosta vai vir. Pessoas da indústria vão estar aqui."

"Lily vai estar aqui! Eu escrevi essa música para ela! Essa pode ser a minha única chance de mostrar a ela como eu me sinto."

"Acho que ela já sabe como você se sente," Peter murmurou, "É meio que esse o problema." Sirius riu e Remus realmente queria saber quem caralhos era essa Lily.

"Por que você só não me ensina a música, James, e se tivermos tempo no fim do set, nós tocamos?" Remus disse.

Sirius pareceu um pouco irritado com a sugestão, mas James esboçou um sorriso, "Maravilha. Okay, então, começa com esses acordes."

Remus passa os próximos trinta minutos aprendendo a nova música, enquanto isso, Sirius bufa e só começa a tocar bateria porque James pediu a ele três vezes. Quando Remus aprende toda a música, ele fica incerto se Sirius e James ainda estavam se falando. Mas, estava quase na hora do set, então eles foram para os bastidores para se preparar.

Nos bastidores, Remus encontra Sirius sentado no chão aplicando delineador em algum canto escuro do cômodo verde enquanto olhava para um espelho de mão sujo. "Eu não vou tocar a música se você não quiser," Remus disse a ele.

"Não, não. Não se preocupe com isso." Sirius suspirou, "James só é completamente cego quando o assunto é Lily."

"Mmmm," Remus disse, pensando nos garotos para quem ele havia escrito músicas de amor. "Acho que todos temos alguém na nossa vida com quem somos assim."

Sirius olhou para Remus por apenas um segundo e voltou a fazer sua maquiagem. "Talvez," ele disse, "Não tenho certeza se tenho alguém assim."

Remus riu e se sentou ao lado de Sirius, "Por favor, seu celular nunca para de apitar. Eu sei que você tem alguém."

"Isso é só diversão," Sirius desdenhou. "Ninguém para quem eu escreveria uma música."

"Bem, pelo menos você tem o James. Ele faria qualquer coisa por você, isso é claro."

"Sim," Sirius suspirou, "e eu faria qualquer coisa por ele."

Remus sorriu, "Até tocar uma música para uma garota que ele nunca vai conquistar?"

Sirius riu, "Acho que eu não tenho escolha quando você fala desse jeito."

Sirius tampou seu delineador e se inclinou contra a parede. Ele encarou Remus e Remus o encarou de volta. Remus havia se tornado muito ciente das coisas ao redor dele: o carpete barato, seu jeans desajustado, o jeans preto apertado de Sirius, os três centímetros separando o joelho de Sirius do dele, os olhos brilhantes de Sirius e seus lábios rachados.

Ele não conhecia muito de Sirius Black, mas ele sabia disso: o homem era atraente para cacete.

"Isso é importante para todos nós," Sirius disse enquanto desviava o olhar para o carpete, "mas eu não tenho um plano B. Peter tem o emprego dele no governo. James tem pais ricos. Eu não tenho nada disso. Todas as minhas cartas estão aqui. Não posso falhar."

Remus olha para Sirius, com sua voz elegante e sua postura perfeita, e se pergunta como ele acabou ali sentado naquela sala verde e suja em algum bar aleatório. "Isso é tudo o que eu tenho também."

Sirius olhou para ele e de alguma maneira, Remus sentiu que ele não estava falando só sobre música.

 

 

Eventualmente, um assistente de palco veio para os chamar. Eles caminharam para o palco em frente a uma densa multidão de estranhos. As luzes do palco ainda estavam baixas, então Remus podia ver vagamente os rostos de alguns.

"Qual deles é a Lily?" Remus perguntou a James enquanto colocava o baixo em volta dele.

"Pele pálida, cabelo ruivo, uma beleza que compete com a dos Deuses," James respondeu e foi em direção ao microfone. As luzes do palco foram ligadas, o que efetivamente cegou Remus e o impediu de encontrar a infame Lily na audiência.

"Como estamos nessa noite?" James perguntou a multidão e um couro de uivos bêbados respondeu. "Maravilha. O meu nome é James Potter e nós somos os Marotos."

Eles se lançaram em sua primeira música e Remus se focou na música. Ele ouvia as teclas de Peter, a voz de James, e o ritmo firme da bateria de Sirius. Distantemente, conforme uma música se encaminhava para outra, ele estava ciente da multidão se movendo e dançando com a música. Se Remus pudesse passar o resto da vida de um jeito, seria assim.

A música teria sido complicada, mas o treinamento militarista de James havia a transformado em memória muscular. Quando eles chegam no grande solo, não havia um único átomo nervoso no corpo de Remus. Ele entregou seu completo ser a música e isso era nítido.

Quando o set acaba, eles estão encharcados de suor e a multidão estava completamente frenética. Havia uma onda de gritos e pedidos para um bis. James olhou para o resto deles e gesticulou com a boca a palavra, "Lily?"

Sirius assentiu e todos eles se prepararam para a próxima música enquanto James se firmava no microfone. "Obrigado, pessoal. Obrigado. Essa vai ser a última música por hoje. Ela é dedicada a alguém especial. Você sabe quem você é."

Remus tocou as notas de abertura. Era apenas ele e ele estava tão concentrado em tocar certo. Então Sirius deu entrada com a bateria e ele sabia que tudo ficaria bem.

James segurou o microfone e cantou com todo seu coração:

 

Ask me why my heart's inside my throat

I've never been in love, I've been alone...

 

Aquela música era diferente das outras. A maioria das músicas dos Marotos pareciam como se eles estivesse tentando fazer uma música popular. Essa era como se James tivesse arrancado o próprio coração e tivesse o derramado em notas musicais.

Conforme eles atingiam o refrão, a energia da música tomou o controle. Cada um deles, até Sirius depois de seu ruidoso descontentamento, estava se entregando completamente. Era como se eles fossem um só, todos em um só plano.

 

So if you're lonely, no need to show me,

If you're lonely come be lonely with me

 

A multidão estava adorando e Remus genuinamente não se importava. Só de fazer parte daquilo era suficiente.

Uma vez que a música havia acabado, a multidão gritou e comemorou enquanto todos eles saíam do palco. Eles entraram na sala verde com sorrisos exaustos no rosto. "Ótimo trabalho, meninos," James disse a eles.

"É, nós demos um show lá," Peter disse animado.

Remus olhou para Sirius apenas para ver que ele já estava o encarando com um sorriso feroz. "Você realmente sabe como tocar baixo, huh?"

Remus apenas deu de ombros, "Eu pratiquei bastante."

Sirius pareceu prestes a dizer algo, mas nessa hora a porta dos bastidores se abriu com tudo e uma cabeça de cabelos ruivos brilhosos marchou cômodo adentro. "Lily!" Potter exclamou enquanto ela passava por ele e parava bem em frente a Remus.

"Remus John Lupin. Como você tem a audácia?" Remus encarou surpreso a ruiva furiosa antes de finalmente perceber.

"Lily Evans! Mas que porra? Faz tanto tempo." Remus puxa Lily para um grande abraço.

"Suponho que vocês já se conhecem?" Sirius disse de trás deles.

"Sim, nós fomos a escola juntos por cerca de três anos," Remus disse. Ele tinha soltado Lily mas ainda estava com um braço em volta dela. "Nós éramos completamente inseparáveis."

"Nós éramos as crianças bolsistas numa escola de luxo," Lily emenda afetuosamente.

"Uma aliança como nenhuma outra," Remus disse. "Então eu me mudei e você foi para aquele internato chique. Deus, eu sempre me perguntava o que tinha acontecido com você."

"O que aconteceu comigo? O que aconteceu com você?" Lily estava sorrindo mas então ela estende a mão para traçar uma das cicatrizes de Remus em sua mandíbula. Ela era a única que ele permitia que as tocasse.

"Sem querer interromper um reencontro feliz," uma voz disse da porta, "mas creio que devo os cortar." Todos se viraram para olhar para a jovem mulher adentrando o cômodo. Ela tinha pele negra, cabelo cacheado longo, e uma aparência elegante e profissional que ninguém esperaria ver naquele tipo de bar.

"Meu nome é Marlene McKinnon. Sou a gerente da Phoenix Records. Sei que está tarde, então serei rápida. Eu gostei do que vocês fizeram naquele palco. Gostei da energia de vocês. Eu gostei especialmente daquela música. Acho que vocês podem ser os próximos a serem grandes e eu quero ser a pessoa que irá levá-los até lá." Marlene tirou um cartão de sua jaqueta e o entregou a James, "Esse é meu cartão. Estarei no meu escritório às 10 da manhã na segunda-feira. Se estiverem interessados, me liguem. Tenham uma ótima noite, rapazes," e tão rápido quanto Marlene entrou no cômodo, ela saíra dele.

James olhou para o cartão em sua mão, "Isso realmente acabou de acontecer?"

Sirius andou para ficar atrás dele e se esgueirar em seus ombros para olhar para o pesado cartão branco de negócios entre os dedos de James. "Acho que sim."

Peter esboçou um sorriso, "Acho que a música da Lily foi uma boa ideia, então."

"A música de quem?" Lily indagou.

"Não importa," James disse rapidamente. "O que realmente importa é que o Remus aqui conhecia A Lily Evans o tempo todo e nunca mencionou nada."

"Vocês nunca disseram qual era a Lily de quem estavam falando."

"Por que vocês estavam falando sobre mim?"

"Não é óbvio, Evans?" Sirius cantarolou, "Prongs, aqui, está apaixonado."

Lily esboça uma expressão de nojo, "Ugh, supere isso, Potter. Nunca vai acontecer."

"Só espere, Evans," Sirius disse com um sorrisinho, "Um dia você vai enxergar a luz."

"Você veio ao show, não veio?" Peter emendou.

Remus observou o rosto de Lily se tornando uma expressão quase indignada. "Só para vocês saberem, eu só vim para o show porque Severus me pediu para descobrir quem era o baixista novo."

"Então você veio espionar?" Sirius rebateu.

"Eu vim como um favor para um amigo, Black. Não é sempre sobre alguma rixa estúpida entre você e Snape."

"Ele é um intolerante!" Sirius exclamou.

"Não, ele não é! Ele só teve uma vida difícil!"

"É, bem, eu também tive! E você não me vê conspirando por aí!"

Remus observou os dois brigando. Ele não havia conhecido Snape, mas pelo que ele sabia ele não era boa coisa. Mas ele também se lembrou de todas as histórias que Lily havia contado a ele sobre aventuras de verão crescendo com o Sev. Como sempre quando ele estava com os Marotos, ele sentia que estava perdendo várias informações cruciais.

"Eu não quero escolher um lado porque eu realmente não sei o que está havendo," Remus disse, "mas tem sido um longo dia e eu só quero ir para casa dormir."

Isso pareceu aquietar ambos, enquanto Lily e Sirius o olhavam com os olhos suavizados

"Certo," disse James, aproveitando o breve momento de paz. "Eu concordo com Remus que deveríamos começar a guardar as coisas. Você precisa de carona para casa, Remus?"

"Isso seria ótimo, na verdade. Obrigado." Remus não queria arrastar seu baixo pela cidade tão tarde. Ele não tinha certeza se os trens ainda estavam rodando. "Posso te dar meu número, Lils? A gente devia almoçar juntos qualquer hora."

Lily sorriu para ele e começou a digitar seu número no celular de Remus. Enquanto isso, Remus viu James gesticular com a boca "Lils?" para Sirius que apenas deu de ombros. Lily devolveu o celular a ele, "Certo, bem, então. Ótimo trabalho, todo mundo. Foi maravilhoso te ver de novo, Remus." Ela beijou sua bochecha e saiu pela porta.

Todos voltaram a guardas suas coisas, exceto por James que simplesmente encarava a porta fechada. "Ela realmente é algo, não é?" ele disse, zonzo.

Sirius deu tapinhas no ombro dele, "Continue sonhando, Prongs."

-

No dia seguinte, Remus se encontrou no caminhou para a casa de James e Sirius. James havia chamado uma reunião de emergência sobre toda a situação da gerente. O apartamento deles era em uma parte boa da cidade, muito melhor do que o lugar onde Remus vivia. Era o tipo de apartamento para jovens profissionais ou pessoas que fizeram faculdade e que tinham bons pais que podiam pagar seu aluguel. Remus suspeitou que James fosse esse último.

Remus bateu na porta apenas para ouvir Sirius gritar, "Tá aberto!" de algum lugar do outro lado. Isso é outra coisa - Remus nunca deixaria sua porta destrancada, mesmo se estivesse esperando visita. Apenas outro luxo com o qual ele não podia arcar.

Remus adentrou a sala de estar vazia. Os móveis haviam claramente sido escolhidos pela mãe de alguém; era tudo limpo e moderno. Mas a decoração era algo totalmente diferente. As paredes estavam cobertas de instrumentos e pôsteres de bandas. O estilo era uma linha entre um músico eclético e um menino de 15 anos. E haviam fotos emolduradas de James e Sirius que estavam espalhadas por todas as superfícies.

Remus foi em direção a uma ao lado das janelas. Era aparentemente um retrato de família com uma mãe e um pai, ambos com pele negra como o próprio James, que estava de pé entre os ombros deles, mas bem ao lado deles, sob os braços reconfortantes da mulher, estava Sirius. Ele e James não podiam ter mais de 17 anos ali.

A foto seguinte era uma foto de James e Sirius a qual Remus presumiu que fosse o dormitório deles na universidade. Sirius ainda estava usando aquela jaqueta de couro estúpida com um braço em volta dos ombros de James e grandes sorrisos no rosto de ambos. Eles pareciam completamente tranquilos com o mundo.

"Uma das minhas fotos favoritas, essa aí," A voz de Sirius veio diretamente detrás de Remus.

Remus quase derrubou a moldura que estava segurando, "Jesus Cristo, Sirius. Um aviso."

"Desculpe," ele disse, parecendo nada arrependido. "É meu apartamento, afinal."

Remus coloca a fotografia de volta no lugar onde estava, "Minha culpa, eu não devia estar bisbilhotando."

"Olhar para fotos emolduradas não é bisbilhotar, Remus." Sirius ainda estava próximo a ele. Remus gostava de como seu nome soava na voz de Sirius. Ele o pronunciava gentilmente como se a palavra em si fosse rara.

"O que posso te oferecer?" Sirius perguntou enquanto adentrava a cozinha. "Água? Refrigerante? Uma cerveja?"

"São 11 da manhã," Remus respondeu seguindo Sirius. O outro garoto havia ido em direção a geladeira e já tinha aberto uma cerveja para Remus.

"O tempo é uma construção social," Sirius disse, balançando a lata em frente a ele.

"Tenho trabalho mais tarde. Desculpa."

"Deus, você descansa?" Sirius disse enquanto se sentava no balcão do outro lado onde Remus estava e tomou um gole da lata.

"Com um aluguel tão caro? Nunca." Remus se estendeu e pegou a lata da mão de Sirius, tomou um gole, e a devolveu para ele. Sirius esboçou um sorriso malicioso.

"Eu não sabia que você era tão rebelde, Lupin."

Remus cruzou os braços, "Você não me conhece muito bem, Black."

"Deveríamos mudar isso," Sirius disse, se inclinando um pouco.

Antes que Remus pudesse processar o que ele queria dizer, (Sirius não tinha namorada?), James irrompe ruidosamente pela porta da frente.

"Você não ia acreditar na fila do mercado, Pads!" James gritou, oblívio a presença de Remus na cozinha.

Sirius revirou os olhos dramaticamente para a diversão de Remus e escorregou do balcão, "Sério?"

"Sim!" James disse e colocou as sacolas no balcão, "Ah, Hey, Remus. O que está fazendo aqui?"

"Você não chamou uma reunião de emergência da banda?"

"Oh, merda, que horas são?" James checou seu celular, 11:10. "Okay, nós ainda temos pelo menos cinco minutos até Peter chegar aqui."

"Pensei que Sirius fosse o atrasado."

"Ah, eu sou," Sirius disse, "mas Peter sempre dorme demais nos finais de semana."

"E mais, Sirius só se atrasa quando ele está com alguma garota," James adicionou enquanto retirava suas compras das sacolas, "Qual o nome dela? Amelia?"

"Shannon," Sirius suspirou. "Você está pensando na Emily. Amelia foi anos atrás."

"Ah, sim, o que aconteceu com a Emily? Ela parecia ser legal."

Sirius revirou os olhos, "Você mal falava com ela."

"Sim, mas ela era bonita. Você deveria ter visto ela, Remus. Cabelo longo e loiro e um corpo lindo."

"Ei! Nós não objetificamos mulheres aqui," Sirius disse, mesmo que estivesse com um sorrisinho no rosto e claramente se recordando de uma memória afetuosa.

"Você tem namorada, Remus?" James perguntou.

"Não. Sou só eu," Remus disse. Ele olhou brevemente para Sirius para avaliar a reação dele, mas Sirius estava com a mesma expressão de auto satisfação que ele sempre tinha. Ele gostava de Remus ou era apenas flerte? Não seria o primeiro músico supostamente "hétero" que ele havia conhecido.

"Bem, se você quiser uma garota, é só pedir para o Sirius. Ele provavelmente já saiu com metade de Londres a esse ponto."

Remus levantou uma sobrancelha para Sirius. "Não assuste Lupin com a minha vida sexual. Nós precisamos dele."

James havia terminado de guardar as compras e se virou para os dois, "Certo. Acho que é uma boa hora de irmos para o que interessa."

James adentrou a sala de estar e eles o seguiram. Sirius se deitou no sofá dramaticamente enquanto Remus se sentava na poltrona ao lado dele. James ficou de pé enquanto traçava o plano.

"Então, na Segunda, nós vamos ligar para Marlene e vamos marcar um horário para vê-la. Quando nós formos, nós precisamos ter uma ideia do que queremos. Ela provavelmente vai sugerir uma turnê de pequena escala, o qual seria algo bom e se correr tudo bem - um álbum. O que nós precisamos saber é se você está nessa com a gente?"

Remus percebeu que James e Sirius estavam olhando diretamente para ele. "Sim, estou dentro," ele disse casualmente.

"Mas espere," Sirius disse. Seu corpo parecia completamente relaxado mas sua voz era séria, "esses podem ser os próximos anos das nossas vidas. Se vamos fazer uma turnê, isso significa que vamos passar cada hora dos nossos dias juntos por meses."

Por algum motivo, Remus não odiava como isso soava.

"Eu sei que nós acabamos de nos conhecer, mas você é um deus no baixo e honestamente, você parecer ser tranquilo," James disse, "Se você quiser sair, nos diga, assim nós podemos encontrar outra pessoa."

Remus olhou para eles. Logicamente, ele não conhecia aquelas pessoas. Eles podiam ser assassinos ou apenas idiotas no geral. Mas o que Remus tinha agora? Um emprego num bar fadado ao fim que ele odiava e centenas de músicas que ele nunca havia performado. Por que não agarrar essa chance?

"Quem disse que eu vou a algum lugar?" Remus disse e James esboçou um grande sorriso. Remus desviou o olhar para Sirius e viu um sorrisinho de canto em seus lábios.

"Bem, Remus," Sirius disse, "Bem-vindo aos Marotos."

 

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1 - O termo "set" se refere a uma sequência de músicas que são tocadas de forma contínua durante um concerto ou sessão musical. Por exemplo, "tocaram um set de músicas dos primeiros álbuns".