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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-10-06
Words:
1,079
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
9
Hits:
40

Tudo está bem, até não estar mais

Summary:

Regina ajuda Aleksander durante uma crise de pânico.

Work Text:

Tudo está bem, até não estar mais. Boris havia ouvido aquela frase em algum lugar. Não lembrava quem tinha dito para ele ou lido em um livro, mas toda vez que algo de ruim acontecia com ele, a frase aparecia em sua cabeça como um letreiro em neon.

Foi o que aconteceu em Marburg. O assalto ia bem. Tudo conforme o planejado. Era só pegar o dinheiro e ir embora. Porém, do nada uma arma surge, o barulho dos tiros disparados faz seus ouvidos zumbirem, gritos e gemidos de dor tomam conta do lugar, uma dor metálica atinge seu braço, e de repente seu nome agora era Aleksander Köhler.

Não era como se houvesse algo para ficar em Marburg. Aliás, toda vez que ele pensava em Regina Tiedemann, ele só via mais e mais motivos para ficar em Winden. Ainda assim, sabia que viveria sua vida com aquela paranoia. Com aquele sentimento de que segurava uma bomba com um longo pavio. Iria estourar em algum momento e ele jamais saberia quando. E a falta de certeza parecia o matar aos poucos.

Era uma quarta-feira, sua primeira semana trabalhando oficialmente na Usina, e Aleksander havia chegado em casa faminto. Estava preparando um macarrão com queijo simples quando começou a ouvir as sirenes.

Sua garganta secou na mesma hora. Com passos lentos e um tanto travados, dirigiu-se até a janela, observando o movimento lá fora. Seus olhos se arregalaram ao virem pelo menos duas viaturas policiais no andar de baixo de seu prédio. As luzes vermelha e azul brilhando tudo a sua volta.

- Merda – balbuciou ele. Normalmente, Aleksander era prático, pensava rápido e conseguia contornar situações. Mas ali, naquele momento, não sabia onde haviam ido todas essas qualidades, porque tudo o que ele conseguia sentir era seu coração batendo cada vez mais rápido.

Parecia que iria explodir dentro dele. Inutilmente, a memória de um amigo de seu pai lhe veio à cabeça. Morte súbita. Seu coração explodiu. E se o mesmo acontecesse com ele ali?

Tudo está bem, até não estar mais.

Tudo está bem, até não estar mais.

Tudo está bem, até não estar mais.

Cada vez que a frase ressoava em sua cabeça, a respiração dele ficava mais descompassada. Seus músculos estavam tensos assim como seu maxilar. A garganta ficou mais seca, como se ele não bebesse água há meses.

Agachou-se perto ao sofá, sua mão agarrando o peito, seus olhos fechados, implorando para que não fosse o que ele estava pensando. Sua mente o traía, ele imaginava os policiais arrombando sua porta.

Boris Niewald, você está preso por homicídio. Tem o direito de permanecer calado. Tudo o que disser pode e será usado contra você no tribunal.

Conseguia sentir as algemas geladas em seu pulso.

O olhar de decepção de Regina.

Apertou os olhos, engolindo em seco. Imaginou a família do dono da loja. A esposa e os filhos chorando. Um deles esperando Aleksander chegar na cadeia, puxando uma arma parecida com a que matou o pai dele, apontando justamente para ele em vingança. Aleksander iria morrer, ele sentia que ia morrer.

Tudo doía.

Seus olhos estavam fechados, mas ele ouviu quando a porta se abriu. Sentiu-se um garotinho assustado. Sozinho, em perigo, culpado. Puta merda, ele iria morrer.

- Aleksander? – A voz de Regina o fez abrir os olhos. Sentiu seu rosto molhado, ele nem ao menos notou quando começou a chorar. Regina olhou para ele com um semblante preocupado. Ele queria falar, se levantar, tirar o macarrão do fogo, mas estava completamente paralisado. A respiração dele tornava tudo pior. – Meu Deus...

Toda vez que tentava abrir a boca, nenhuma palavra saía de lá. Notando o estado dele, Regina agachou-se na altura dos olhos dele.

- Eu tô aqui com você, ok? Nada de ruim vai te acontecer – murmurou ela. – Consegue respirar fundo?

Aleksander engoliu em seco e fez que sim com a cabeça. Puxou o ar pelo nariz, soltando pela boca devagarzinho. Regina assentiu com a cabeça, pedindo para ele fazer isso de novo mais algumas vezes.

O coração dele já não pesava tanto quanto antes. Já não estava mais encolhido no canto, podendo esticar uma das pernas. Sua mão, porém, continuava agarrando seu peito.

- Eu tenho isso às vezes também – Regina referiu-se aos ataques de pânico e procurou com os olhos pelo ambiente e depois para Aleksander. Fez menção de tocar na mão dele e ele consentiu de maneira atrapalhada. O calor das mãos dela era a única coisa boa que sentia naquele instante. – Não costuma durar muito tempo, só continua respirando, ok? Pode fazer isso pra mim?

Novamente, Aleksander inspirou bem fundo. Regina sugeriu que ele contasse até quatro antes de soltar e assim ele fez pelo menos durante umas três ou cinco vezes.

- Regina – ele balbuciou, apertando a mão dela.

- Eu não vou sair daqui até você ficar bem. Eu te prometo.

Sinceramente, Aleksander nunca foi de chorar, mas teve muita vontade ao ouvi-la dizer aquilo. Ela era literalmente um anjo e ele não merecia nada disso.

Ao final, a preocupação dele havia sido em vão. As viaturas estavam a procura de um homem que havia fugido da prisão. Nada a ver com ele. Winden nem ao menos sonhava com o seu passado.

Mesmo não sabendo disso, apenas seguindo as instruções de Regina, pouco a pouco, Aleksander foi voltando ao normal. Sua respiração havia se estabilizado, afrouxou a mão de seu peito já não sentindo mais o seu coração tão acelerado como antes e os dois estavam cada vez mais próximos.

- Obrigado – sussurrou ele. Regina sorriu e ela acariciou as mãos dele. O olhar dela transbordava amor, mas uma preocupação e um carinho que ele nunca havia sentido de ninguém antes.

Num gesto meio desnorteado, Aleksander a abraçou. Apesar de toda a situação, Regina não pode evitar em sentir seu coração ficar quentinho e fechou seus olhos em meio ao abraço, encaixando-se na dobra do pescoço dele. Aleksander a abraçava com tanta firmeza, como se nunca quisesse mais solta-la, ao mesmo tempo que era delicado, fazendo-a sentir o bem mais precioso do mundo. E, para ele, Regina com certeza era.

Suas testas ainda estavam encostadas uma na outra quando os dois se afastaram. Regina finalmente viu o outro abrir um sorriso em meio aquele caos. Ainda que esse fosse um sorriso melancólico, ela conseguia sentir a gratidão dele por ela estar ali naquele momento.

Aleksander colocou suas mãos no rosto dela e Regina as segurou com delicadeza.

- Você se sente melhor?  

- Agora sim – respondeu ele.