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Leonard Snart, o Capitão Frio, estava parado no centro de uma sala escura, iluminada apenas por pequenas lâmpadas de emergência. Seu rosto, geralmente frio e calculista, estava deformado por uma fúria silenciosa. Sara Lance havia sido levada por Per Degaton, um tirano do futuro que sempre brincava com o tempo como se fosse apenas mais uma ferramenta em seu arsenal. Mas agora, Degaton havia cruzado uma linha inaceitável.
Leonard apertava o punho, as luvas de couro rangeram enquanto ele encarava Gideon, a inteligência artificial da nave Waverider.
— Onde ele está? — rosnou Leonard, sua voz baixa, mas cheia de ameaça.
— Per Degaton está escondido no ano 2166, senhor Snart, em sua fortaleza... — respondeu Gideon, mas foi interrompida.
— Isso não é suficiente, Gideon. Eu preciso de mais. Preciso saber exatamente onde ele está. E, se eu tiver que queimar o mundo para conseguir isso, então assim será. — Leonard deu um passo para frente, seus olhos brilhando com uma determinação perigosa.
Mick Rory, sempre ao lado de seu parceiro, observava em silêncio. Ele nunca tinha visto Leonard tão afetado. Sara era uma companheira de equipe, mas mais que isso, ela significava algo para Leonard que ele nunca admitia abertamente. Mick sabia que, quando Leonard falava em "queimar o mundo", ele não estava blefando.
— Você vai mesmo incendiar tudo, Len? — perguntou Mick com um sorriso enviesado, mas sério.
Leonard se virou lentamente para ele, os olhos como gelo quebrando.
— Se eu não a encontrar, Rory... você vai ver o que o verdadeiro inferno parece.
Ray Palmer entrou na sala naquele momento, tentando manter a calma.
— Precisamos pensar nisso com mais cuidado, Leonard. Se formos sem um plano, Degaton vai prever nossos movimentos, e vamos acabar como peças em seu tabuleiro de novo.
Leonard se aproximou de Ray, o rosto a milímetros de distância.
— Eu não jogo o jogo de ninguém, Palmer. E se ele pensa que pode me derrotar, vou mostrar a ele o erro de mexer com alguém que não tem nada a perder.
Ray engoliu em seco, mas assentiu, vendo que qualquer tentativa de argumentar seria inútil. Leonard Snart não era apenas frio, ele era implacável. E por Sara, ele estava disposto a ir além de todos os limites.
— Gideon, prepare a Waverider. Vamos trazê-la de volta. Ou vamos fazer Per Degaton pagar o preço mais alto.
Com isso, Leonard se afastou, o som pesado de suas botas ecoando na nave. Ele sabia que não poderia falhar. Para Sara, ele queimaria o tempo, o mundo... tudo o que fosse necessário.
Leonard subiu a rampa de metal da Waverider, cada passo carregado de uma determinação sombria. Sua mente já trabalhava nas inúmeras formas de confrontar Per Degaton, mas a imagem de Sara mantinha sua raiva sob controle. Ela era uma guerreira, mas sabia que, nas mãos de um ditador como Degaton, até os mais fortes podiam ser quebrados.
Mick Rory o seguia de perto, mas, pela primeira vez em muito tempo, não tinha uma piada pronta ou um comentário sarcástico. Ele sentia o peso da situação, conhecia o olhar de Leonard o suficiente para saber que não havia volta. Leonard estava prestes a se jogar nas chamas, e, desta vez, Mick se perguntava se ele voltaria inteiro.
Assim que Leonard entrou, Rip Hunter estava esperando, a expressão grave. O capitão da Waverider sabia o que estava em jogo, mas também entendia que Leonard estava à beira de algo perigoso.
— Leonard — começou Rip, sua voz calma, mas firme — sei que você está furioso, e com razão. Mas precisamos pensar estrategicamente. Per Degaton é um ditador do futuro com todos os recursos ao seu dispor. Se formos de cabeça, vamos perder.
Leonard não desviou o olhar. Seu rosto continuava impassível, o frio que o definia estava de volta. Mas havia algo diferente em seus olhos — uma chama, um desejo implacável de destruir tudo em seu caminho.
— Você acha que eu não sei disso, Rip? — Leonard respondeu em um tom quase calmo, mas cheio de uma ameaça latente. — Eu conheço Degaton. Sei como ele pensa. Ele quer poder, controle. Eu vou usar isso contra ele.
Rip se aproximou um pouco mais, ciente de que essa conversa poderia sair do controle.
— E o que você pretende fazer, Leonard? Explodir o tempo? Destruir o futuro? Porque, se você cruzar essa linha, não há volta.
Leonard se inclinou levemente para frente, encarando Rip diretamente nos olhos.
— Se ele não devolver Sara, não haverá futuro para Degaton. Nem para mais ninguém.
O silêncio que seguiu foi pesado. Ray, que estava observando de longe, sabia que a situação estava se desdobrando rápido demais. Ele tentou intervir novamente, dessa vez escolhendo suas palavras com mais cuidado.
— Len, acredite em mim, todos nós queremos Sara de volta. Mas se formos para essa missão com o único objetivo de vingança, vamos falhar. Degaton é mais perigoso do que qualquer um de nós pode imaginar.
Leonard olhou para Ray por um segundo antes de desviar o olhar. Ele sabia que Ray estava certo, mas a ideia de perder Sara para sempre era insuportável.
Antes que pudesse responder, Gideon falou de repente:
— Capitão, recebi uma comunicação não autorizada. É de Per Degaton.
Todos congelaram. Leonard foi o primeiro a se mover, indo direto para o painel de comunicação. O holograma de Per Degaton apareceu na frente deles. Ele estava em seu trono, com um sorriso cruel no rosto.
— Ah, Capitão Frio — disse Degaton, a voz cheia de desprezo — vejo que você está desesperado. Achei que seria divertido te dar uma chance de salvar sua querida Sara.
— Onde ela está? — rosnou Leonard, o punho apertando a arma congelante, embora soubesse que não poderia usá-la através de uma transmissão holográfica.
Degaton apenas riu.
— Tão impaciente. Eu pensei que você apreciaria um jogo, Snart. Mas já que está com tanta pressa, vou lhe dar uma pista. Ela está... em um lugar onde o tempo não pode alcançá-la.
Leonard estreitou os olhos, tentando interpretar o enigma. Degaton continuou:
— Eu te desafio, Capitão. Se conseguir encontrá-la antes que o tempo dela se esgote, ela vive. Se não... bem, você pode imaginar o que acontece.
O holograma desapareceu, deixando um silêncio pesado na sala. Leonard ficou parado, o maxilar trincado, respirando fundo para controlar sua raiva.
— Vamos encontrá-la — disse Rip, tentando trazer a equipe de volta ao foco. — Degaton deu uma pista. Um lugar onde o tempo não pode alcançá-la...
— A Zona Temporal — Leonard completou, seus olhos brilhando com uma nova compreensão. — Ele a escondeu na Zona Temporal, fora do fluxo de tempo.
— Isso é um território perigoso, Leonard — Rip advertiu. — Entrar na Zona Temporal pode nos expor a todos os tipos de paradoxos e ameaças que não podemos prever.
— Não importa — Leonard respondeu, já se movendo para preparar a nave. — Não vou deixar Degaton ganhar. Se isso significa arriscar tudo, então é um preço que eu estou disposto a pagar.
Rip trocou um olhar preocupado com Ray e Mick. Sabia que não havia como impedir Leonard, mas talvez, com sorte, eles pudessem salvar Sara... e impedir Leonard de se destruir no processo.
A Waverider saltou no tempo, com seu destino agora claro: uma corrida desesperada contra o próprio fluxo do universo para resgatar Sara e, talvez, impedir Leonard de queimar o mundo para isso.
A Waverider mergulhava no fluxo temporal, atravessando eras com uma velocidade impressionante. Leonard Snart estava focado, suas mãos apertando os controles da nave com força enquanto a equipe ao seu redor se preparava para o que estava por vir. A Zona Temporal não era um território familiar para eles — uma região fora do tempo, onde as leis da física e da realidade eram instáveis, um limbo onde qualquer erro poderia ser fatal.
Mick Rory preparava seu lança-chamas, verificando o tanque de combustível com uma concentração incomum.
— Se ela está na Zona Temporal, isso significa que está presa em algum tipo de bolha fora do tempo, certo? — perguntou ele, tentando manter a conversa prática, enquanto olhava para Leonard.
Rip assentiu enquanto ajustava os parâmetros da nave.
— Exatamente. Degaton a escondeu em uma dimensão fora do fluxo temporal, onde as regras do tempo não se aplicam. É uma prisão perfeita, porque não há como ela escapar sozinha. O perigo para nós é que a Zona Temporal pode desestabilizar a nave, e se perdermos o controle...
— Não importa — interrompeu Leonard, a voz cortante. — Só precisamos chegar até ela.
Ray Palmer, observando a tensão crescente, tentou mais uma vez apaziguar a situação.
— Len, entendo o que você está passando. Mas precisamos estar prontos para qualquer coisa. Degaton não faria isso se não tivesse uma armadilha esperando por nós. Ele quer que você perca o controle.
Leonard se virou bruscamente, os olhos frios como aço.
— O que ele quer ou não quer não importa. O que importa é que eu vou trazê-la de volta. E qualquer um que ficar no meu caminho... vai se arrepender.
Ray suspirou, reconhecendo que, embora Leonard estivesse no limite, ele não seria convencido a agir de outra forma. Com tudo pronto, a nave começou a desacelerar quando a Zona Temporal se aproximava no horizonte — uma vastidão distorcida de cores e formas impossíveis de decifrar.
Gideon interrompeu o silêncio.
— Estamos nos aproximando do perímetro da Zona Temporal. Preparem-se para turbulências extremas. A estrutura da nave será testada até os limites.
Quando a Waverider entrou na Zona, a sensação foi imediata. As luzes da nave piscaram, e a gravidade parecia falhar por um momento, tornando o ambiente instável. As telas de controle de Rip começaram a mostrar leituras incompreensíveis.
— A física está se distorcendo — avisou Rip. — Mantenham-se firmes!
Leonard, no entanto, não vacilou. Ele manteve os olhos fixos na tela à sua frente, esperando pelo sinal que Gideon havia prometido. Sara estava aqui, em algum lugar, e ele não sairia sem ela.
De repente, um sinal fraco piscou na tela — uma anomalia no tempo, um ponto fixo no caos. Era ela.
— Achei! — gritou Leonard, já ajustando o curso da nave. — Sara está ali, naqueles coordenados.
Rip franziu a testa, preocupado.
— Espere, isso não faz sentido. Esse ponto é instável demais. Se formos direto para lá...
Mas Leonard não esperou. Ele ativou os propulsores e lançou a Waverider em direção à anomalia. A nave estremeceu violentamente enquanto atravessava a barreira do tempo, os controles piscando enquanto a pressão temporal tentava esmagar a estrutura.
Ray tentou manter o equilíbrio.
— Leonard, vamos perder a nave! Precisamos diminuir a velocidade!
Leonard ignorou. Seu foco estava fixo no único objetivo que importava. A nave finalmente atravessou o último vórtice de energia, e a turbulência parou. A equipe ofegou enquanto o ambiente ao redor se estabilizava.
Diante deles, flutuando em um vazio iluminado por luzes distorcidas, estava uma espécie de bolha de energia. Dentro dela, Sara Lance, inconsciente, flutuava como uma prisioneira adormecida.
— Sara... — Leonard murmurou, a dureza em sua voz suavizando-se por um breve momento. Ele se preparava para descer, mas Rip segurou seu braço.
— Não tão rápido. Isso é uma armadilha, Leonard. Degaton sabia que você viria, e está nos esperando.
Leonard o encarou com raiva.
— Eu não me importo.
— Mas deveria — a voz de Degaton ecoou pela nave, alta e autoritária. Sua imagem holográfica apareceu no centro da sala, um sorriso presunçoso em seus lábios. — Você fez exatamente o que eu esperava, Capitão. Agora, veja, você e sua equipe estão no coração de minha armadilha.
Leonard ergueu a arma congelante, mirando o holograma como se pudesse destruí-lo.
— Você cometeu o erro de me subestimar, Degaton.
— Oh, pelo contrário — Degaton respondeu com um sorriso sinistro. — Eu sabia exatamente o que esperar de você. Seu apego à pequena guerreira é sua fraqueza. E agora, você e ela estão condenados.
O vazio ao redor começou a tremular, distorcendo-se, e a bolha que segurava Sara começou a se mover, afastando-se lentamente da nave. Ray correu para os controles, tentando estabilizar o ambiente, mas percebeu que estavam presos.
— Ele está nos arrastando para fora do tempo — Ray gritou. — Se não agirmos rápido, vamos perder tudo!
Leonard olhou para o holograma de Degaton, seu ódio crescendo.
— Pode tentar o que quiser. Não vou perder.
Degaton riu.
— Veremos.
A tensão atingiu seu auge. Enquanto o tempo se distorcia ao redor deles, a equipe sabia que a próxima jogada seria decisiva. Leonard tinha uma escolha: seguir sua raiva e correr o risco de tudo desmoronar ou confiar na equipe para encontrar uma saída estratégica.
A Waverider tremia violentamente, sendo lentamente puxada para fora da realidade. Leonard Snart observava a bolha que continha Sara Lance se afastar cada vez mais, enquanto a risada de Per Degaton ecoava, desdenhosa e triunfante. Era como se o tempo estivesse desmoronando ao redor deles, e o caos da Zona Temporal se intensificava a cada segundo.
— Temos que agir agora! — gritou Ray, tentando estabilizar a nave. — Se formos puxados mais para dentro dessa anomalia, nunca mais voltaremos.
Leonard ainda segurava sua arma congelante, seus dedos tremendo de raiva contida. Ele queria destruir tudo, queria ver Degaton pagá-lo no mesmo instante. Mas a bolha com Sara estava se afastando rápido demais. Ele sabia que só a força não seria suficiente dessa vez.
Rip se aproximou, falando rápido, mas tentando manter a calma.
— Leonard, ouça! Degaton está nos manipulando. Se atacarmos de forma impulsiva, ele vai vencer. Precisamos pensar, traçar uma estratégia para romper a bolha e salvar Sara antes que sejamos consumidos pela Zona Temporal.
Leonard trincou os dentes, lutando contra o impulso de seguir cegamente sua fúria. Ele olhou para Rip, depois para Mick e Ray, que estavam se esforçando ao máximo para manter a nave funcionando. A responsabilidade pesava sobre ele. Sara não era apenas uma companheira de equipe ela era uma pessoa que havia confiado nele, que via mais do que o criminoso frio e calculista que ele sempre foi.
Ele respirou fundo, abaixando sua arma e finalmente voltando seu foco para a situação.
— Certo. O que precisamos fazer?
Rip trocou um olhar surpreso com Ray e Mick, mas rapidamente voltou à realidade, aliviado por ver que Leonard estava disposto a ouvir.
— Degaton está usando a Zona Temporal como uma armadilha. Mas ele cometeu um erro. O que ele fez ao criar essa bolha foi isolar Sara do tempo, certo? Isso significa que ela está fora do alcance de sua influência direta.
— Mas e a nave? — Mick questionou, apertando seu lança-chamas. — Estamos sendo puxados para algum buraco fora da realidade. Não parece que estamos "fora de alcance".
Rip concordou com a cabeça, seus dedos voando sobre o painel de controle.
— A Zona Temporal é instável, mas podemos usar isso a nosso favor. A física aqui é fluida, o que significa que, se conseguirmos criar uma interferência suficiente no campo ao redor da bolha, podemos quebrá-la e trazê-la de volta. Mas temos que fazer isso rápido.
Ray olhou para os instrumentos com uma expressão de preocupação.
— Rip, se jogarmos toda nossa energia para quebrar a bolha, poderemos sobrecarregar a Waverider. Não teremos energia suficiente para sair daqui.
Leonard apertou os olhos, observando a bolha de Sara flutuar cada vez mais longe. Sua mente estava trabalhando em possibilidades.
— O que você está dizendo é que ou salvamos a nave ou salvamos Sara. Mas não podemos fazer as duas coisas?
Ray hesitou, mas Rip foi direto.
— Exato. Se tentarmos estabilizar a nave e quebrar a bolha ao mesmo tempo, corremos o risco de perder ambos. Precisamos fazer uma escolha.
Leonard encarou o vazio por um segundo. Sua mente girava com a pressão da decisão. Ele sabia o que significava falhar. Perder Sara não era uma opção para ele. Não agora. Mas ele também sabia que, sem a Waverider, toda a equipe poderia ser destruída — ou pior, presos para sempre fora do tempo.
Ele respirou fundo, seu semblante endurecido.
— Não há escolha. Vamos trazê-la de volta. Custe o que custar.
Ray olhou para Rip, que assentiu. Eles sabiam que Leonard não aceitaria outra decisão.
— Certo, vamos transferir toda a energia para o gerador de campo temporal — Rip disse, já ativando os comandos. — Isso vai criar uma onda de distorção que pode romper a bolha. Mas preparem-se, vai ser uma viagem turbulenta.
Enquanto Rip e Ray trabalhavam nos controles, Mick ficou ao lado de Leonard.
— Você tem certeza disso, Len? Se isso der errado...
Leonard o interrompeu com um olhar decidido.
— Nunca tive tanta certeza, Rory. Degaton acha que pode nos quebrar, mas ele subestima o que somos capazes de fazer. Ele acha que essa equipe é apenas um bando de desajustados. Mas não é isso que nos define. Nós não recuamos.
Mick sorriu de forma sombria, apertando seu lança-chamas.
— Mal posso esperar para ver o rosto de Degaton quando ele descobrir que ferramos os planos dele.
Rip acionou a sequência final, e a nave começou a tremer violentamente. As luzes piscaram, e a energia da Waverider foi redirecionada para o campo temporal.
— Aqui vamos nós! — gritou Ray, agarrando-se à mesa de controle enquanto a nave oscilava.
Uma onda de distorção temporal se expandiu da Waverider, viajando diretamente para a bolha onde Sara estava presa. A pressão aumentava, o ar parecia vibrar enquanto o tempo ao redor da nave se dobrava e retorcia, como se a própria realidade estivesse tentando resistir à intervenção.
Leonard manteve os olhos fixos na bolha, vendo-a tremer e distorcer. Ele sabia que só tinham uma chance.
De repente, a bolha começou a se desfazer, seus contornos instáveis se fragmentando. Um clarão de luz ofuscante tomou conta da sala, e então... silêncio.
Quando a luz desapareceu, a bolha havia sumido, e Sara Lance estava flutuando no espaço vazio, ainda inconsciente, mas visivelmente inteira.
Leonard soltou um suspiro de alívio, a tensão finalmente deixando seus ombros.
— Conseguimos — ele murmurou, quase sem acreditar.
Ray rapidamente assumiu os controles e estabilizou a nave, que ainda tremia, mas agora estava fora de perigo imediato.
— Temos energia suficiente para sair da Zona Temporal — disse Ray, aliviado.
Leonard, sem esperar mais, foi até a câmara de teletransporte. Em instantes, Sara estava de volta à nave, ainda desacordada, mas viva. Leonard se ajoelhou ao lado dela, tocando seu rosto com cuidado.
— Você está segura agora — ele sussurrou.
Antes que pudessem relaxar, a imagem holográfica de Per Degaton voltou a aparecer, mais furioso do que nunca.
— Isso não acabou, Snart! Você pode tê-la salvado, mas o tempo sempre estará do meu lado. Eu sou eterno. Você... é apenas uma sombra no fluxo.
Leonard se levantou lentamente, encarando o holograma com um olhar frio.
— Você pode ter o tempo, Degaton. Mas nós temos algo que você nunca vai entender: o que nos liga. E isso é mais poderoso do que qualquer jogo que você jogue.
Com isso, Leonard desativou o holograma com um simples gesto, encerrando a comunicação.
— Vamos sair daqui — ele ordenou.
Rip conduziu a nave de volta ao fluxo do tempo normal, e à medida que a Waverider deixava a Zona Temporal, um sentimento de vitória silenciosa pairava no ar. Sara estava segura, e Degaton havia sido derrotado — por enquanto.
Leonard ficou ao lado dela até que ela despertasse, sabendo que, não importava quantos desafios ainda enfrentariam, a equipe sempre lutaria junta.
A luz suave do painel de controle da Waverider começou a iluminar os contornos de Sara Lance, enquanto ela lutava para abrir os olhos. Um leve zumbido ainda ressoava em seus ouvidos, como se o eco da Zona Temporal estivesse se dissipando lentamente. Ela se sentiu confusa e desorientada, mas, ao olhar ao seu redor, a primeira coisa que viu foi Leonard Snart, ajoelhado ao seu lado, uma expressão tensa e ansiosa em seu rosto.
— Sara... — ele disse, quase como um sussurro, seu tom de voz carregado de alívio e proteção. — Você está acordada.
Sara piscou várias vezes, tentando se concentrar na imagem à sua frente. A visão de Leonard — seu olhar intenso e protetor, a tensão em seu corpo — fez seu coração acelerar. Algo dentro dela se acalmou ao perceber que ele estava ali, que ela estava segura.
— O que aconteceu? — perguntou ela, sua voz um pouco trêmula enquanto tentava se levantar. Mas Leonard a segurou suavemente pelos ombros.
— Você está a salvo. Degaton não pode mais te alcançar. Ele tentou te prender na Zona Temporal, mas nós conseguimos te trazer de volta — respondeu Leonard, sua mão ainda firme em seu lugar, como se ela fosse a única âncora em um mar tempestuoso.
Sara sorriu, mas ao mesmo tempo, uma sombra de preocupação passou por seu rosto. Lembrava-se do perigo, da sensação de estar sozinha, de não conseguir escapar. Sua expressão se endureceu quando ela percebeu a seriedade da situação.
— Leonard, e o resto da equipe? O que aconteceu com vocês?
— Estamos todos bem, mas... — Ele hesitou por um momento, e a expressão no rosto dele se tornou sombria. — Estivemos em uma situação complicada. Degaton não vai desistir tão facilmente.
Sara, percebendo o peso nas palavras de Leonard, se sentiu grata por ele estar ali. Ele sempre fora um homem de poucas palavras, mas, quando falava, havia uma sinceridade que ela sabia que não poderia ignorar. E ali, naquele momento, ela viu algo mais profundo em seus olhos — uma preocupação, um cuidado que transcendia a amizade que compartilhavam. Era algo mais íntimo, mais intenso.
— O que você faria por mim, Snart? — ela perguntou, levantando uma sobrancelha, tentando quebrar a tensão com um toque de humor.
Ele não sorriu. Em vez disso, seu olhar se intensificou.
— Eu queimaria o mundo, Sara. Você sabe disso.
As palavras dele pairaram no ar, e Sara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Era verdade; Leonard não estava brincando. Ele estava disposto a ir a qualquer extremo por ela, e isso a tocou de uma maneira que a deixou sem palavras.
A relação entre eles sempre tivera um fio delicado, uma tensão não resolvida que havia se intensificado ao longo dos desafios e perigos que enfrentaram juntos. Agora, enquanto Leonard a protegia com a intensidade de um homem que lutava contra a própria escuridão, ela percebeu que seu lugar na vida dele era mais significativo do que ela imaginara.
Sara se levantou, ainda um pouco atordoada, mas firme. Ela enfrentou Leonard, estudando seu rosto, buscando entender o que ele estava sentindo.
— Eu não quero que você faça isso, Len. Não quero que você coloque tudo em risco por mim. — Sua voz era suave, mas decidida.
— Você não entende — Leonard respondeu, a voz baixa, mas com uma intensidade que a envolveu. — Você é tudo que importa. Sem você, não há razão para lutar.
Havia um brilho nos olhos dele, algo que ela não conseguia identificar. Mas era um olhar que a fazia sentir que ela era o mundo dele, que o puxava para fora da escuridão. Ele sempre se via como um anti-herói, o vilão de sua própria história, mas, naquele momento, ela soube que ele faria qualquer coisa para protegê-la — não apenas de Degaton, mas de qualquer coisa que ameaçasse seu futuro juntos.
Sara se aproximou dele, sentindo a conexão eletrizante que sempre existiu entre eles. A nave estava cheia de ruídos de fundo, a equipe discutindo em um canto, mas tudo ao redor desapareceu. Era apenas ela e Leonard.
— Então, vamos garantir que não precisemos chegar a esse ponto. Vamos derrotar Degaton juntos — disse ela, a confiança firme em sua voz.
Leonard assentiu, sua expressão se suavizando levemente. Ele sabia que não poderia protegê-la de tudo, mas estar ao lado dela era um começo.
— Juntos — ele repetiu, e, por um momento, as palavras pareciam selar um novo entendimento entre eles.
— O que você precisar, eu vou estar lá, e juntos vamos dar um fim a isso de uma vez por todas — completou Sara, o olhar determinado.
Leonard sorriu brevemente, um vislumbre do homem que era antes de todas as batalhas e perdas. Ela o conhecia bem o suficiente para perceber que, mesmo que a fachada de homem frio e calculista estivesse intacta, lá no fundo, havia um desejo ardente de ser mais do que um ladrão, mais do que um anti-herói.
A equipe voltou a se reunir em torno deles, e a realidade da missão começou a se desenhar diante deles. Com cada um de seus amigos prontos para lutar, Leonard e Sara se prepararam para enfrentar o próximo desafio juntos. A batalha contra Degaton seria difícil, mas, agora, eles não lutariam apenas por si mesmos, mas pelo que tinham um com o outro.
E, pela primeira vez, Leonard Snart se sentiu verdadeiramente esperançoso sobre o futuro — um futuro onde o amor e a amizade poderiam triunfar sobre a escuridão que sempre o cercou. Juntos, eles estavam prontos para qualquer coisa que o mundo jogasse em seu caminho.
