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Cellbit admitia, estava completamente apaixonado por Roier, o maior problema envolvendo aquele fato era: ele não sabia como dizer aquilo. Roier era o garoto mais incrível que já conhecera no ensino médio, era alguém engraçado, atlético, tinha bom gosto para livros e música, gentil, e definitivamente muito bonito, ainda mais quando dizia as coisas com aquele sotaque que tanto achou adorável. Para ser sincero, não sabia muito bem qual teria sido o critério de Roier para ter sido a primeira pessoa na qual ele quis ter contato.
Se lembrava perfeitamente de quando havia o conhecido, numa manhã de quinta-feira, seis de Outubro, primeiro ano do ensino médio. Haviam avisado que um aluno estrangeiro havia se transferido para o Colégio Amaranto, o que fez com que todos se animassem, já que fazia um tempo desde o último aluno novo. Cellbit não ligou, não era grande coisa para alguém que sempre ficou sozinho, não iria gastar esforços para tentar conhecer o tal aluno.
Sua sala de aula se tornou um alvoroço quando, depois das duas primeiras aulas, um garoto apareceu pela porta. A professora o apresentou para a turma, indicando para que o outro se sentasse onde quisesse, e tudo aquilo passou despercebido por Cellbit, que estava focado demais enquanto lia um livro gigantesco. Parou sua leitura bruscamente quando pôde ouvir um barulho alto vindo da carteira da frente, se deparando com o tal garoto que simplesmente havia se jogado de qualquer jeito na cadeira. O de cabelos castanhos rapidamente se virou para trás e estendeu sua mão como forma de cumprimento, enquanto expunha um sorriso encantador. Cellbit logo se sentiu desnorteado com aquele sorriso, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, pôde ouvir a voz alheia dizer:
— Mi nombre es Roier!
Ao ouvir as palavras em espanhol, algo se atiçou em seu peito. Reparou nos cabelos castanhos um tanto grandes, sua pele um pouco bronzeada e uma faixa azul marinho que enfeitava sua cabeça, dando um contraste incrível com o uniforme vermelho da escola. O garoto demorou a perceber que Roier estava mesmo falando consigo, já que nunca teve a experiência de fazer amigos no colégio, todos os alunos simplesmente passavam longe de si e sinceramente, estava bem com isso, até ele chegar, sendo a primeira pessoa em muito tempo que havia resolvido lhe cumprimentar.
Olhou ao redor somente para ter certeza de que era com ele que o garoto estava falando, recebendo até alguns olhares confusos por Roier ter ido falar justamente com ele. Quando teve sua confirmação, sorriu pequeno e o cumprimentou, finalmente fechando aquele aperto de mãos.
— Me chamo Cellbit.
E desde então, se tornaram inseparáveis, andando juntos para todos os lugares e até mesmo inventando apelidos ridículos, mas que faziam parte de quem eles eram. Agora, estavam no último ano do ensino médio, um tanto desesperados com o futuro pela frente, mas nunca deixando de apoiar o outro. Cellbit percebeu que estava adquirindo um sentimento mais intenso pelo amigo quando estavam na metade do segundo ano, e aquilo o desesperou, já que sabia que se apaixonar por um melhor amigo não era a melhor decisão que alguém poderia tomar. Porém, não havia o que fazer, não havia escolhido de qualquer maneira.
Cellbit estava conformado desse sentimento, e havia decidido que iria se declarar, mesmo que sua amizade estivesse acabada, não aguentava mais esconder aquilo, estava pesando em seu peito. Por ironia do destino ou não, era dia seis de Outubro, não havia dia mais perfeito para que se declarasse, ele só precisava tomar um pouco mais de coragem, nunca havia chegado naquela parte.
Quando o sinal tocou para a troca de aulas, Cellbit foi até o seu armário para trocar seus materiais, não percebendo que Roier o acompanhava. Enquanto estava distraído tentando organizar seus livros e cadernos completamente em desordem, se assustou com o barulho de Roier se apoiando com força no armário ao lado.
— Você é idiota?? Quase me matou! — Exclamou um tanto raivoso, fazendo o amigo rir de forma alta. Ele amava aquela risada.
— Perdón, gatinho, só vim te acompanhar — Usou o apelido que usava desde o segundo dia em que estava naquela escola, mas desde que se apaixonou pelo garoto, o apelido passou a surtir um efeito diferente em seu corpo. — Na verdade, queria saber se você quer sair depois da escola, faz um tempo desde a última vez!
Cellbit pensou na possibilidade, no meio do passeio ele poderia se declarar, e caso não desse certo, poderia sair correndo. Sorriu e assentiu.
— Tudo bem, onde quer ir?
— Conheço um lugar, vamos daqui direto para lá, ok? — O garoto concordou, e logo os dois voltaram para as aulas do dia.
O resto do dia havia sido tranquilo, e quando ambos saíram pelos portões do colégio, Roier logo agarrou a mão de Cellbit, pedindo para o seguir. Suas bochechas coraram pelo contato, mas se sentiu agradecido pelo outro garoto não ter visto.
Os dois passaram por uma pequena mata que havia depois da escola, até que chegaram em uma grande tubulação abandonada. Cellbit arqueou o cenho.
— A tubulação? — Perguntou, confuso. — O que a gente está fazendo aqui?
— Apenas venha! — O puxou em direção ao túnel coberto por folhas, o fazendo andar em sua frente.
Cellbit caminhava de forma lenta e vagarosa, estavam indo cada vez mais fundo naquele túnel, tudo estava extremamente escuro e a luz do sol já não era mais vista. Estava começando a se desesperar.
— Roier — O chamou. — Estou ficando com medo.
— Estoy aquí, gatinho — Segurou a cintura alheia para que soubesse de sua aproximação, fazendo o de olhos azuis ter um pequeno surto interno, mas continuou andando.
O garoto já conseguia enxergar uma espécie de luz vinda do outro lado, caminhou mais um pouco até estar em um lugar mais amplo da tubulação, podendo ver algo que o deixou surpreso. Uma mesa coberta por uma toalha, um castiçal de velas posto no meio, duas cadeiras de madeira escura uma de frente para a outra, dois pratos de porcelana branca e algumas flores espalhadas pelo local. Cellbit logo se virou para o amigo, não sabendo o que dizer.
— O que…o que é isso tudo, guapito?
Roier o ignorou, indo em direção à uma mochila que estava jogada no chão, a abrindo e indo em direção à mesa.
— Pensei em preparar um jantar legal para nós dois, mas o salário do meu emprego de meio período só consegue bancar isso — Disse enquanto tirava alguns pacotes de salgadinho, os abrindo e jogando nos pratos, fazendo o amigo rir.
Cellbit caminhou em direção a uma das cadeiras, observando o outro fazer o mesmo. Se encararam perante aquela situação e ambos coraram. As mãos do mais alto estavam juntas sobre a mesa, e Roier foi rápido em tomar elas para si, segurando ambas. O clima daquele ambiente estava completamente diferente do usual, isso o fez ficar nervoso.
— Gatinho, eu… — Roier começou, estava igualmente nervoso. — Eu realmente não sei como falar isso para você. Hoje é dia seis de Outubro, você se lembra, não?
— Você se lembra…— Se surpreendeu, recebendo um pequeno riso como resposta.
— É claro que eu me lembro, foi exatamente o dia em que eu encontrei o garoto mais bonito que eu já vi — Respondeu, fazendo o outro arregalar seus olhos e quase explodir por conta da vermelhidão intensa que tomou suas bochechas.
— Roier…
— Eu realmente te acho muito bonito — Cortou o garoto, voltando a falar. — Seu cabelo foi a primeira coisa em que eu reparei, depois em como os seus olhos são em um tom de azul incrível, e depois em como você é uma pessoa maravilhosa. — Sorriu, se divertindo um pouco com o constrangimento do outro. — Eu não sei se isso vai estragar a nossa amizade, mas eu realmente…eu realmente gosto de você, Cellbit.
O de olhos azuis não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Ficou algum tempo em silêncio, até responder:
— Eu também gosto de você! — Cellbit soltou de repente, fazendo Roier paralisar. — Eu queria te contar isso hoje, não sabia quando ia ter a oportunidade, mas eu…eu gosto muito de você, acho que desde o segundo ano, mas eu pensei que isso poderia fazer você se afastar de mim, e…
Tudo o que Roier conseguiu fazer foi se levantar de forma vagarosa de sua cadeira, indo em direção ao melhor amigo. Se ajoelhou para ficar na mesma altura que o outro, segurou seu rosto com as mãos e lhe beijou, surpreendendo ambos pelo ato de coragem.
O loiro paralisou, apenas conseguindo perceber o que estava acontecendo quando sentiu a língua de Roier em seus lábios. Arfou em satisfação e segurou os ombros alheios para se apoiar, a fim de aprofundar o beijo. Ambos se perderam naquele contato que tanto ansiavam um do outro, aproveitando cada mísero segundo daquela sensação nova e extremamente boa que encheu o peito de ambos.
Se afastaram após um tempo em busca de ar, seus olhos se encontraram e ambos coraram, não sabendo o que fazer após aquilo. Apenas riram e voltaram a sorrir, estavam mais felizes que nunca.
— Você… — Cellbit começou, visivelmente tímido. — Você quer…ser meu namorado?
As bochechas de Roier ganharam uma cor intensa, não imaginando que seria pedido em namoro, e aquilo agitou seu coração de uma maneira absurda.
— Sim, eu quero! — Respondeu um tanto desesperado, fazendo ambos rirem. Voltaram a se encarar antes de um novo beijo apaixonado se formar.
Roier se levantou de forma rápida, movendo sua cadeira para ficar ao lado de seu namorado, sorrindo como nunca. Os dois passaram a tarde naquele túnel, desfrutando do gosto de salgadinhos baratos e de um novo amor surgindo.
